9.5.08

Dor, juventude e desleixo

   O erro? No primeiro box da matéria principal da página, estão listadas quase todas as derrotas históricas do Flamengo nos últimos 40 anos (não consta o 3 a 2, de virada, diante do São Cristóvão, em 29 de março de 1975, em pleno Maracanã, com Zico e tudo, em partida antológica de Fio Maravilha. Concordo que não é muito histórica, mas certamente simbólica e hilariante). Entre elas, claro, está a que determinou a perda do título de 1995 - ano do Centenário rubro-negro - para o formidável tricolor das Laranjeiras, com aquele inesquecível gol de barriga de Renato Gaúcho.

   Inesquecível para todos, exceto, claro para os dois flamenguistas que publicaram a matéria - repórter e editor. Ao narrar a marcha da contagem, O Globo afirma que o Flamengo pôs 2 a 0 à frente e sofreu a virada tricolor. Nada mais falso. Na verdade, os times foram para os vestiários com 2 a 0 para o Fluminense, gols de Renato, aos 30 minutos, e Leonardo, aos 42. Quem ameaçou a virada foi Flamengo, com tentos de Romário, aos 26, e Fabinho, aos 32 do segundo tempo. A inolvidável glória tricolor sacramentou-se apenas aos 41 minutos, por meio da barrigada histórica.

   O que faz dois profissionais do esporte cometerem um erro tão patético? Não foi só a dor, quero crer (embora ela, repito, tenha jogado um papel importante no caso). Mas também, provavelmente, a juventude do repórter - afinal, já lá se vão 13 anos do episódio épico -, embora o fracasso de 68 diante do Bonsucesso (muito lembrado por mim, que morava no bairro na época e ainda me recordo da festa em Teixeira de Castro) tenha sido contado corretamente. O principal culpado do erro, porém, acredito, foi quem fechou a página. Por ser certamente mais velho, deveria ao menos lembrar algo, ter dúvidas sobre o que estava escrito e exigir uma checagem.

   Assim se contou mais um episódio da série de erros cometidos diariamente pelo Globo. Um jornal que, pensando bem, não tem como criticar o Flamengo. Afinal, se o clube da Gávea passa vexames periódicos por sempre reiterar nos pecados da soberba e do desleixo, o jornal dos Marinho não lhe fica nada a dever.