Pitacos pós-eleitorais
Tão tradicional quanto as explicações de institutos de pesquisas sobre os erros de suas previsões são as pós-visões dos analistas políticos depois de qualquer eleição. Assim, como o negócio é dar palpite e eu gosto muito disso, aqui vou eu!
Nove-Dedos: Perdeu onde sempre perde (Sampa), ganhou onde sempre ganha (Salvador, ainda mais correndo com os dois cavalos) e ainda no Rio, onde tinha o governador ao lado. Não foi derrotado, pois o crescimento PT no G-79 (ver abaixo), é muito importante porque nas cidades abaixo de 200 mil, vale a sabedoria política mineira ? "fogo morro acima, água morro abaixo, mulher quando quer dar e governo federal, ninguém segura". Mas também não foi vitorioso ? mesmo previsível, a derrota paulistana doeu, pela diferença. Nove-Dedos, porém, sabe aprender com as urnas e ver que não é imbatível pode até ajudá-lo em 2010.
Serra: Ganhou jogando em casa e com o time mais forte. Não fez mais que a obrigação, pois. O problema é que seu partido está praticamente restrito a São Paulo e Paraná, tendo quase sumido no resto do país. E ter como aliado em 2010 o DEM e nada é quase a mesma coisa. Precisa atrair o PMDB inteiro e rapidamente. Mas isso não é nada fácil. Só terá chance se a crise apertar e o N-D ficar com menos 50% de aprovação. Além disso, ainda precisa livrar-se da fama de traidor do partido em Sampa e ainda compor-se com Aécio. Fazendo as contas, ficou melhor do que estava, mas vai ter que suar muito a camisa para chegar legal em 2010.
PMDB: Teria se dado bem à beça, se fosse um partido de verdade. Como é uma federação de partidos regionais, corre o risco de a vitória ter sido meramente matemática. Quem faturou de verdade foram Geddel, Cabral, Quércia (apoiou a Serra e Kassab, não esqueçamos) e Fogaça. Deles dependerá o que a legenda fará, mas dificilmente seguirão juntos para onde quer que seja.
PSDB: Ver Serra.
PT: Caiu nas capitais, onde sua vida nunca foi das mais fáceis ? especialmente em Sampa -, mas cresceu bem no G-79. Terá que suar muito para não perder espaço para o PMDB no governo do Nove-Dedos e, ainda assim, não perder inteiramente esse partido para os tucanos em 2010.
Cabral: Ficou bem na foto - pode sair para a reeleição ou, dependendo da famosa "correlação de forças", a vice da Dilma. Para ficar na boa mesmo, porém, terá que detonar Garotinho e sua cavalaria interiorana do PMDB.
Dilma: No fim das contas, saiu ganhando. Afinal, a Marta não vai mais encher o saco e o Tarso não se deu bem em POA. Vai ter que mostrar jogo de cintura com o PMDB, mas pelo menos não estará sozinha nessa tortura.
Gabeira: É candidato certo ao Senado e largou bem nessa corrida. Problema: se não consegue voto com os suburbanos da Zona Oeste, como é que vai conseguir com o pessoal do Interior e da Baixada? Ter voto só no Rio não é suficiente para eleição majoritária estadual, como Jandirão bem sabe.
Aécio: Ganhou em casa, mas não fez mais que a obrigação também. Se souber ler urna que nem Nove-Dedos, pode extrair algo de bom. Só que vai ter que se decidir: ou é tucano mesmo e se alinha com Serra, ou se manda para seguir seu projeto pessoal. Se escolher a segunda opção, depara-se com mais um obstáculo: ir pra onde? Talvez o PR do Alencar, que é mineiro mesmo...
Marcadores: Perspectiva

7 Comments:
Ivson, dá uma olhada hoje no programa da TV Brasil, o 3 a 1, vai tratar deste tema exatamente. PS: é às 22h.
Abs
Diogo
E Jandira, perdeu ou ganhou, meu guru?
Acho que ela fez um papel tão feio...
besitos
Por que Jandirão fez papel feio, Olguita? Por que apoiou o Paes e não o Gabeira? Pois creio que ela foi coerente. Ela não poderia apoiar os tucanos, com Armínio Fraga à frente, e os demos, capitaneados por César Maia. Seria mais razoável para ela apoiar mesmo o outro. E homem da mala por homem da mala, preferiu o do Quércia (o Muniz) do que o do Marcelo Alencar (o Luiz Paulo). Os dois são iguais.
Ô Olga, Jandira foi coerente. E tentou de tudo no primeiro turno por uma aliança de esquerda. Feio fez o PT que não entendeu quem eram os inimigos e não topou. O que é era o Molon? Nossa.
Acho que o que me incomodou na Jandira foi o entusiasmo aguerrido dela no segundo turno.
Uma questão de extrema deselegância. Tá, política é falta de classe antes de tudo, né? As alianças são bizarras e nós adoramos o maniqueísmo partidária, mas... ficou esquisito, sim.
Ué, Olguinha...Você queria que ela apoiasse o cara e cruzasse os braços? Isso é que seria deselegância. E recibo de oportunismo também. Se apoiou, tem que ir para a rua, aparecer ao lado e cabalar votos. É o que se espera de uma apoio. Ou a modernidade tucana mudou isso também?
Não, queria que ela apoiasse sem tentar mostrar que Eduardo Paes era o Messias.
E agora, a primeira preocupação dela como secretária de Cultura - uma área com a qual tem imensa afinidade, desde a época de baterista -, a ex-médica descabelada se preocupa imediatamente em afiançar uma revisão das Apacs. Revitalizar os teatros municipais, ... ah, isso é uma questão menor diante do alívio pela ausência dos tucanos no Rio de Janeiro. Ausência que pode ser breve. Afinal, até quando o Eduardo Paes permanecerá sob a atual agremiação partidária?
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