5.10.06

"Candidatos virtuosos." Um debate equivocado sobre a política.

Por Jorge José da Costa*

   Às vésperas das mais amplas eleições brasileiras, envolvendo a presidência da República, governadores dos Estados, além dos proporcionais (Senado, Câmara e Assembléias Legislativas), a mídia, as entidades, os partidos e representantes da chamada opinião pública insistem em tratar a política pelo viés da dicotomia entre o virtuoso e a malvadeza, mais a iniqüidade, espoliação e expropriação.

   O enfoque veiculado em ampla escala pela mídia, reproduzindo ou não expectativas dos setores organizados ou mais informados da sociedade, é equivocado, pois parte de pressupostos que não existem na política moderna, por querer que o representante seja o porta-voz de toda a sociedade, quando, na verdade, representa somente uma parcela da sociedade – classe social, setor econômico, cidade, região etc. Outro equívoco reside na expectativa de que o mesmo tenha um comportamento virtuoso, no qual o interesse público ou o bem comum sejam o fundamento das suas ações e posições políticas, de modo que interesses privados ou de grupos não se sobreponham ao interesse geral.

   A contribuição que a mídia poderia dar ao debate seria oferecer maior clareza ao eleitor de que quem elege o candidato é uma parcela da população, com seus respectivos interesses, e não toda a sociedade. Se alguém, por exemplo, ficar indignado com a reeleição de “mensaleiros”, é porque deseja um representante virtuoso eleito por um eleitor de igual virtude, não percebendo que há eleitores organizados e que agem em vista dos seus próprios interesses – e não do interesse geral – e sabem que aquele deputado “mensaleiro” pode ser melhor representante desses interesses.

   Uma nova legislatura, a ser eleita no próximo dia 1º de outubro, não irá alterar esse quadro, uma vez que os eleitores continuam a votar a partir de duas condições. A primeira é de quem é ligado a um candidato por qualquer motivo – parentesco, amizade, partido, associação, região, interesse econômico etc. – e sabe que esse candidato irá favorecê-lo se eleito. Esse eleitor é o "eleitor organizado". O segundo é o "eleitor não vinculado", que é a grande maioria que procura desesperadamente um candidato "virtuoso", ou, se preferir, honesto e preocupado com o bem comum.

   Como todos os candidatos se apresentam como honestos e defensores dos interesses gerais da população, o "eleitor não vinculado" acaba colaborando, em vista da dispersão dos votos, para a eleição dos candidatos do "eleitor organizado" e se frustra – no futuro – quando o eleito não é virtuoso e ainda volta a se reeleger. Setores organizados da sociedade e a mídia em geral tentam influenciar ingenuamente o "eleitor não vinculado", mostrando os candidatos segundo o critério equivocado da virtude política, enumerando quem são os "melhores" e "piores", e não consideram o modo como são de fato eleitos e os interesses que atendem.

   Os eleitores organizados sabem disso, por isso não votam em um candidato virtuoso, mas que lhes atenda aos interesses. Os não-organizados acreditam na fantasia da democracia e, por isso, sonham ingenuamente com candidatos virtuosos para votar. É fato basilar, na nossa sociedade calcada na cultura de massa, que de ilusão também se vive.

   
* Jorge José da Costa é advogado, mestre e doutorando em ética e filosofia politica pela USP. Texto publicado na edição de setembro da revista Caros Amigos

2 Comments:

At Terça-feira, 25 de Setembro de 2007 14h16min00s BRT, Anonymous Anônimo said...

SEU LIXOOOOOOOOOOOOOOOOOO !!!!

Preste atenção !!!! Vc é um Lixoooooooooooooooooooo !!!

JC

 
At Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009 18h12min00s BRST, Anonymous Anônimo said...

Pra chamar um Doutor de Lixo esse cara ai deve ser o que em??? DEUS???? Deixa de ser babaca e invejoso.

 

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