7.8.05

O fim da (nossa) história

   Bom, minha tese é que o Brasil começará a se dissolver em mais uns 200 anos - até lá ficaremos mais ou menos como agora, uma terra de zumbis vagando sem ter muito o que fazer no planeta, a não se produzir jogadores de futebol e organizar uma superfestança anualmente. Assim, aí pelo Século XXIII, o país se dissolveria num processo relativamente rápido - mais uns 150, 200 anos - com partes se declarando independentes (Sul, Nordeste e Sudeste, este últimos sempre em tensão fronteiriça devido ao problema dos imigrantes), partes sendo absorvidas pelos vizinhos (Centro-Oeste e parte da Amazônia já dizimada) e partes sendo internacionalizadas (Amazônia ainda existente).

   Abre parênteses. Essa parte da tese se baseia num conto publicado na Isaac Asimov Magazine no início da década de 90, que partia do pressuposto que o Paraguai tinha vencido a Guerra no Século XIX. Fecha parênteses.

   Desse modo, lá pelo Século XXV, teríamos escorrido pelo ralo. A memória coletiva, porém, ainda recordará o país que tinha tudo para dar certo, mas falhou miseravelmente após 700 anos cometendo todos os desatinos socioeconômicos imagináveis. Um prato e tanto para os "schollars", né? Pois os estudiosos da maior potência da época, a República Popular Sul-Asiática (união dos atuais China, Vietnam, Laos, Cambodja e as duas Coréias), e os da União do Norte (Noruega, Suécia e Dinamarca, que terão pulado fora da decadente União Européia) se debruçarão sobre a história fascinante desse extinto país.

   Serão estudos interdisciplinares - como se diz hoje, pois nesse tempo já será dado que a Ciência só tem validade se for interdisciplinar - que analisarão, com base em documentos e nos depoimentos dos contemporâneos (nossa visão blogueira entremilênios certamente será minuciosamente discutida) o como e os porquês de termos ido para o brejo.

   Pena que não vou estar aqui pra ler os livros a serem traduzidos para o espanhol. Porque o português, obviamente, já será uma língua morta como pedra há séculos.

3.8.05

Barões atiram nas teles e nos ajudam

   Vamos e venhamos: nem sempre os objetivos dos barões da mídia são antipopulares. Nesse caso do fim da assinatura básica para telefonia fixa, por exemplo, o baronato está do lado do povo. A motivação, claro, não é nos ajudar: nós queremos apenas que sobre algum por mês (ou o vermelho não seja tão forte no orçamento), mas eles estão a fim mesmo é tentar quebrar as pernas das teles.

   Esse objetivo é visto com limpidez na entrevista concedida à Istoé Dinheiro pelo ministro Hélio Costa, defensor intransigente dos seus antigos patrões. Lá pelas tantas, Costa argumenta que a Telefônica faturou mais de R$ 4 bilhões com a assinatura básica, em 2004. "É o mesmo valor que eles gastaram com investimentos. A assinatura virou receita líquida para eles", escandalizou-se.

   Não é tanto assim, mas é por aí. As teles argumentam que esse monte de dinheiro é usado para fazer a manutenção da infra-estrutura que mantêm nossos teléfonos funcionando. É isso, mas também não é. Você todos meses do ano tem seu telefone consertado? Ou vê obra da tele de sua área fazendo manutenção da rede pelo menos uma vez por mês? Não, né? Ela só é feita quando há algum problema, correto? Assim, você e todos os seus vizinhos pagam a manutenção mesmo que ela só seja feita poucas vezes num ano. É como seguro-saúde: você paga, mas só usa de vez em quando e, em geral, para consultas e ou intervenções de pequena complexidade. No fim, o lucro da operadora ou da seguradora é imenso.

   Assim, com essa grana toda pingando todo mês, é claro que as teles seriam um competidor poderosíssimo caso entrassem na geração de conteúdo para celulares e demais produtos que aproveitarão a convergência digital em toda a sua plenitude, incluindo a Televisão Digital. Esse, como já escrevi várias vezes, é o maior pesadelo dos barões da mídia e por isso eles estão fazendo algo a respeito: bombardear a tarifa básica. E, ao se atirarem nos inimigos, sem querer, acabam nos ajudando.