Barões atiram nas teles e nos ajudam
Vamos e venhamos: nem sempre os objetivos dos barões da mídia são antipopulares. Nesse caso do fim da assinatura básica para telefonia fixa, por exemplo, o baronato está do lado do povo. A motivação, claro, não é nos ajudar: nós queremos apenas que sobre algum por mês (ou o vermelho não seja tão forte no orçamento), mas eles estão a fim mesmo é tentar quebrar as pernas das teles.
Esse objetivo é visto com limpidez na entrevista concedida à Istoé Dinheiro pelo ministro Hélio Costa, defensor intransigente dos seus antigos patrões. Lá pelas tantas, Costa argumenta que a Telefônica faturou mais de R$ 4 bilhões com a assinatura básica, em 2004. "É o mesmo valor que eles gastaram com investimentos. A assinatura virou receita líquida para eles", escandalizou-se.
Não é tanto assim, mas é por aí. As teles argumentam que esse monte de dinheiro é usado para fazer a manutenção da infra-estrutura que mantêm nossos teléfonos funcionando. É isso, mas também não é. Você todos meses do ano tem seu telefone consertado? Ou vê obra da tele de sua área fazendo manutenção da rede pelo menos uma vez por mês? Não, né? Ela só é feita quando há algum problema, correto? Assim, você e todos os seus vizinhos pagam a manutenção mesmo que ela só seja feita poucas vezes num ano. É como seguro-saúde: você paga, mas só usa de vez em quando e, em geral, para consultas e ou intervenções de pequena complexidade. No fim, o lucro da operadora ou da seguradora é imenso.
Assim, com essa grana toda pingando todo mês, é claro que as teles seriam um competidor poderosíssimo caso entrassem na geração de conteúdo para celulares e demais produtos que aproveitarão a convergência digital em toda a sua plenitude, incluindo a Televisão Digital. Esse, como já escrevi várias vezes, é o maior pesadelo dos barões da mídia e por isso eles estão fazendo algo a respeito: bombardear a tarifa básica. E, ao se atirarem nos inimigos, sem querer, acabam nos ajudando.

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