Mobilidade
Nelson Vasconcelos
Publicado no Globo em 19/04/2005
Rupert Murdoch é um cidadão bilionário que controla poderosas empresas de mídia nos EUA, na Europa e na Austrália, sua terra natal. Semana passada, em Washington, reconheceu que andou vacilando em relação à internet. Teria demorado a descobrir todas as potencialidades da rede para seu ramo de negócio. Disse que a internet não era sua linguagem nativa. Muita gente pensa assim — mas, assim como ele, haverá de mudar. Demorou.
Poucos setores foram tão afetados pelo crescimento da rede quanto o setor de comunicação. TV, rádio, jornais, revistas: tudo ganhou na rede não somente sua versão digital, como também poderosos concorrentes. E há quem diga que mesmo os baratíssimos blogs incomodam muito as empresas de mídia. Não só porque vivem de acesso gratuito, mas porque estariam livres de preconceitos e pré-concepções editoriais. Não estão, claro. Todo editor tem suas amarras, institucionais ou não, conscientes ou não. Nos blogs, certo é que o relacionamento mais direto provoca maior identificação, maior fidelidade. E Murdoch disse: leitor quer controlar a mídia, não quer ser controlado. Tem a ver, mas essa é outra conversa.
Certo é que a produção de conteúdo para a rede é um caminho sem volta. E a palavra-chave, aqui, é convergência de mídias, estrelada pelo celular. É com este aparelho nos nossos bolsos que o mercado está cada vez mais preocupado em ganhar dinheiro. Afinal, tudo que você recebe no seu celular — inclusive os irritantes spams de promoção das operadoras — vira fonte de renda para as próprias operadoras e desenvolvedores.
Isso vale até para as palavras do Papa: em países como Itália, Irlanda e EUA, um serviço de mensagem de texto para celulares que transmite frases de João Paulo II é um tremendo sucesso, e continuará sendo. Nos EUA, por exemplo, custa US$ 0,30 por mensagem.

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