Larry Rohter e a guerra simbólica
Confesso que fiquei pê da vida com o Larry Rohter, correspondente do New York Times, quando ele chamou o Nove-Dedos de cachaceiro. Também não gostei da resposta boba do governo por ser a que ele queria para bancar a vítima e essa idéia ainda mantenho, ao contrário da que tinha sobre o Larry na época. Hoje, depois de analisar as ações dele pela ANPLIAR (Análise Polilinear da Realidade), vejo-o com um ótimo profissional.
Veja bem, creio que temos que julgar o LH pelo trabalho para o qual ele foi escalado para fazer aqui. Como você sabe, o único país a enfrentar seriamente os americanos na questão da Alca é o Brasil, até aproveitando-se do fato de quem sem nosso mercado a existência dela deixa de fazer sentido. A Alca é essencial para os americanos porque asseguraria a eles um mercado cativo capaz de fazer frente às economias da União Européia e da China e ainda lhes permitiria estar com as mãos livres para atacar as fontes de petróleo das quais por muito tempo ainda dependerão (estão vendo algo para diminuir essa dependência e darei um link sobre o assunto na Coleguinhas em breve).
Ora, numa guerra, como se sabe desde os tempos antigos (Sun Tzu fala disso na Arte da Guerra), a desmoralização do inimigo é das armas poderosas que se pode empregar, quando manejada por gente de talento, pois, se der muito vista, pode ter efeito contrário ao pretendido. Ridicularizar os símbolos dos quais inimigo tem orgulho é das técnicas mais eficientes e tem como exemplo claro as caricaturas que são feitas em tempos de guerra.
Bem, Larry é empregado o NYT, grupo de mídia que tem estreitas, profundas e antigas ligações com o establishment americano do Leste, conforme mostra Gay Talese em O Reino e o Poder . E dado que a mídia é o campo de batalha simbólico por excelência na nossa sociedade, não é de espantar a determinação com que LH ataca símbolos caros ao nosso povo - um sujeito que, vencendo todas as barreiras e probabilidades, se tornou presidente do país, e a beleza das nossas mulheres.
Como qualquer leitor de John Le Carré sabe, porém, um agente inimigo só consegue sucesso em seus objetivos se contar com ajuda interna. No caso de Larry Rohter, esse apoio é fornecido pelas Organizações Globo por motivos cuja origem podem ser traçadas até a criação da Rede Globo, há 40 anos, financiada pelo acordo Time-Life, e seguir até os atuais acordos com os credores das OG em Nova York e com a News Corpo, de Rupert Murdoch, que livraram as Organizações Globo do sufocamento financeiro vivido desde o estouro do Plano Real em 1999.
É por dever tanto, literalmente, aos americanos que as Organizações Globo, de longte o mais poderoso grupo de mídia do país, reverberaram tanto as ações de Larry contra Lula e as mulheres brasileiras, este último um caso claramente sem a menor importância. Se houver ataques à música e ao futebol - os mais prováveis símbolos a serem alvejados por Rohter ou algum dos seus colegas - a situação tende a ser diferente, já que a empresa dos Marinho tem profundos interesses nestes dois campos (num post da Coleguinhas tentarei mostrar isso).
Portanto, vamos ficar atentos aos próximos passos do nosso brilhante coleguinha gringo. Competente como ele é - e contando com tão poderoso apoio interno - será uma grande fonte de aprendizado da maneira com o Império trabalha no campo da mídia.

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