17.1.05

A CIA de olho em nós

   Esses documentos que a CIA vazou e hoje são destaque no Globo, em matéria do Zé Meirelles, devem ser observados num contexto maior e nada melhor para isso do que aplicar a ANPLIAR (Análise Polilinear da Realidade, patente pendente).

   Como está num post lá na Coleguinhas, a CIA está praticamente sob intervenção do Governo Bush, que não gostou de a Companhia ter desmascarado há muito a farsa das armas do Saddam. Para botar a tal "guerra do terrorismo" em sua real perspectiva, a agência tenta mostrar nesse estudo que, no médio prazo, mais importante é investir contra China e Índia, em primeiro plano, e Brasil e Indonésia, em segundo, pois esses quatro têm potencial para mudar o panorama geopolítico e, unidos, barrar, ou pelo menos causar grandes problemas, o avanço do Império Americano.

   Com um aviso desses, a CIA tenta atingir alguns objetivos estratégicos:

   1. Mostrar ao establishment financeiro e industrial do Tio Sam que seria bom forçar os defensores do "Armagedon Já" no governo Bush a ver que tão importante quanto fazer o marketing da Al-Qaeda procurando terroristas embaixo da cama é dar dinheiro à agência para operações contra esses futuros oponentes antes que eles se unam e fique mais difícil.

   2. Como conseqüência do primeiro objetivo, aumentar a dotação da Companhia para as campanhas de contenção desses países. Afinal, os consultores das Tendências da vida vão cobrar mais caro para irem a jornais e tevês criticar as políticas econômicas desses governos, o mesmo ocorrendo com os colunistas de jornais e tevês, cujos cachês para falarem em encontros promovidos por empresas americanas também aumentam, etc.

   3. Como nem tudo na vida dá pra resolver na maciota, é bom também montar um hábeas-corpus preventivo para o público interno para as...Hããã..."operações de legalidade questionável" (aprendi essa no divertido filme-propaganda "A lenda do tesouro perdido", com o Nicolas Cage, que vi ontem). Será tudo pelo bem do país e na defesa dos empregos do pessoal de lá.

   4. Dar um toque nos serviços secretos da União Européia, da Rússia e do Japão para eles se mexerem e ajudarem a detonar esses emergentes malas. Claro que avisam os serviços de inteligência dos países-alvos também, mas esses já deviam estar prevendo isso.

   5. Pintar os líderes populares - tipo Hugo Chávez - como retrógrados, possíveis ditadores...Enfim, aquelas coisas de sempre.

   Enfim, diante desse documento da Companhia, em vez de começarmos a cantar o Hino Nacional como em tempos de Copa do Mundo, é bom botarmos as barbas de molho, que os caras estão mesmo de olho em nós. E não é por causa das nossas mulheres, né, Larry?