12.3.04

   BATALHA PELA INFORMAÇÃO
   Palast explica por que suas reportagens não saem nos EUA e como vê o jornalismo hoje.
Maurício Stycer

   Greg Palast, jornalista profissional, nasceu em Los Angeles, mora em Nova York, vive rodando os Estados Unidos atrás de boas histórias, mas só consegue ver o resultado de seu trabalho na Inglaterra, ou onde mais alguém se disponha a publicar as suas reportagens. Em casa, considera-se banido. "Atualmente, a reportagem investigativa é praticamente um crime nos Estados Unidos", diz.

   Para quem não o conhece - e ele ainda é praticamente desconhecido no Brasil -, o seu discurso pode soar persecutório ou paranóico. Mas quem se der ao trabalho de ler A Melhor Democracia Que o Dinheiro Pode Comprar, que a editora W11 lança por aqui até o fim do mês, entenderá por que Palast se tornou uma espécie de persona non grata nas principais redações da imprensa americana.

   Dono de um faro invejável para detectar fraudes, escândalos, manipulação, golpes baixos, esquemas e artimanhas ilícitas nas mais altas esferas, seja do governo americano, britânico ou brasileiro, seja nas grandes corporações transnacionais, Palast é um repórter no sentido original do termo: "A primeira missão de um jornalista é maltratar os que estão no poder".

   A definição também serve para ele justificar o fato de o seu livro ser tão ralo em revelações sobre a administração Clinton - justamente um governo que foi pródigo em escândalos, e não apenas os de caráter sexual - e ter como alvo principal a família Bush: o pai George, os filhos George W. e Jeb, além de amigos dos três instalados no comando de empresas com negócios que interessam ao clã.

   Palast assume abertamente os seus pontos de vista ao longo das reportagens e, com freqüência, manda a objetividade às favas. É um tipo de jornalismo que pode causar espanto no Brasil. Aqui, jornais e revistas seguem, mais ou menos, o padrão consagrado pela imprensa americana, segundo o qual todo repórter deve buscar, em seu relato, ser o mais objetivo possível. "Deixo claro onde estou", diz, em entrevista a CartaCapital (confira na edição impressa).

   Isso significa que, ao ler uma reportagem de Palast, o leitor pode ter certeza, por exemplo, de que ele não tem nenhuma simpatia pelo papel que os Estados Unidos, a potência hegemônica, exercem no mundo. Muito pelo contrário. Para o jornalista, as ações de organismos internacionais, como o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, só atendem aos interesses do governo americano e das grandes corporações multinacionais.

   Bem-humorado, desbocado, mas sempre cercado de documentos e boas fontes de informação, Palast não coloca panos quentes nem está preocupado em ser sutil. Um bom exemplo é um capítulo especial de A Melhor Democracia Que o Dinheiro Pode Comprar incluído na edição brasileira, que CartaCapital antecipa nesta edição (confira na edição impressa).

   Intitula-se Sua Excelência Robert Rubin, presidente do Brasil, e analisa como o então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, sustentou a moeda brasileira diante do dólar de forma totalmente irreal, com vistas à sua reeleição. A vitória eleitoral de FHC, afirma Palast, foi assegurada pela ação do secretário do Tesouro americano - "que governou de fato como presidente do Brasil sem precisar perder uma única festa em Manhattan".

   Rubin, diz o jornalista, ajudou a manter a moeda brasileira em alta costurando o apoio de organismos internacionais ao País. O real, que seria desvalorizado pesadamente logo depois da vitória eleitoral, escreve Palast, "permaneceu em alta antes da eleição porque os Estados Unidos deixaram clara sua intenção de substituir as reservas perdidas por um pacote de empréstimos do FMI".

   Em apoio à sua tese, Palast recorre a uma fonte insuspeita, o economista Jeffrey Sachs, da Universidade Harvard. O jornalista cita o economista dizendo que "Washington queria a reeleição de FHC" e, para isso, o governo americano e o FMI evitaram uma desvalorização controlada da moeda antes da eleição, incentivaram "vigorosamente" taxas de juro acima de 50% e deram seis meses aos financistas americanos para vender os títulos e moeda do Brasil em condições favoráveis.

   "Sachs desmentiu essa informação, mas eu gravei a nossa conversa", conta Palast. O jornalista recorre com freqüência a artifícios que lembram os de um detetive: usa gravadores escondidos, nomes falsos e disfarces para obter informações.

   Foi assim ao realizar uma de suas reportagens mais espetaculares, em 1997, a serviço dos jornais britânicos Guardian e Observer. Seu objetivo era mostrar como membros do gabinete do governo Blair, na Inglaterra, praticavam o que se chama de tráfico de influência, ou seja, "barganhavam políticas por propina, dinheiro por acesso". Para provar, Palast criou uma empresa de fachada nos Estados Unidos. Por que nos Estados Unidos" "Se o governo britânico estava vendendo o seu país, a América empresarial estava comprando", justifica.

   A "empresa" de Palast procurou grandes lobistas, que apregoavam ter acesso a informações privilegiadas dentro do governo Blair, e mostrou como, de fato, havia promiscuidade nas relações entre integrantes do alto escalão e empresas privadas.

   O "empresário" Palast manifestou interesse em "derrubar restrições ambientais" na legislação britânica, levando um dos lobistas a oferecer não apenas informações privilegiadas, mas também a possibilidade de influenciar decisões do governo. Para isso, apresentou o jornalista a um assessor de Blair, que se dispôs a ajudar Palast.

   Quando o escândalo, conhecido como "Lobbygate", estourou, os defensores de Blair exigiram que Palast mostrasse as fitas nas quais o jornalista garantia haver o registro de todas as conversas que publicou no jornal. Por uma trapalhada, que Palast conta em detalhes no livro, as fitas demoraram a surgir, levando o Mirror, um jornal sensacionalista inglês, a publicar uma foto do jornalista na primeira página, com a manchete "MENTIROSO". "Um sujeito careca e de aspecto desagradável " eu " sob uma manchete de dez centímetros de altura. Pensei: mas que merda!!!" O caso levou à demissão de um dos lobistas e a inúmeros desmentidos do governo Blair.

   Abusado e provocador, a postura de Palast lembra um pouco a do cineasta e escritor Michael Moore, diretor do premiado Tiros em Columbine, igualmente um crítico do governo americano e das grandes corporações. Os dois são amigos, mas os métodos e os resultados do trabalho que fazem são totalmente diferentes.

   O populista Moore, como bem o intitula a revista New Yorker, é uma espécie de megafone dos descontentes, uma voz ativa na divulgação de denúncias e críticas ao governo Bush e a empresas privadas, mas com freqüência apenas reproduz informações obtidas de outras fontes. Palast, ao contrário, é um investigador, um descobridor de informações " e, não por acaso, é uma das fontes que Moore cita em seus textos e discursos.

   Palast e Moore se unem em torno da convicção absoluta de que a eleição de Bush, em 2000, foi fraudada. Este é o tema, por sinal, da peça de resistência de A Melhor Democracia Que o Dinheiro Pode Comprar. Ao longo de 80 páginas, o jornalista descreve todas as suas investigações e as dificuldades que teve para noticiar os resultados a respeito da disputa entre Bush e Gore na Flórida.

   O jornalista dedica-se a mostrar como o governo da Flórida, chefiado por Jeb Bush, em flagrante desrespeito à legislação, cancelou ou impediu o direito de voto de milhares de pessoas " a maioria com perfil de votantes no Partido Democrata.

   Eram, em sua maioria, ex-condenados pela Justiça de outros Estados " cujos direitos políticos, reza a lei, são restabelecidos automaticamente depois do cumprimento da pena", negros e pobres. Ocorreu, como disse, uma "limpeza étnica no registro de eleitores da Flórida".

   Paralelamente à descrição de suas descobertas, Palast descreve as dificuldades que encontrou para publicá-las na imprensa americana, ainda a tempo de influenciar o resultado das eleições.

   A certa altura, o aflito Palast ouviu de um repórter do Washington Post: "Você tem que publicar essa história, Greg, imediatamente". E, então, escreve ele no livro, "em vez de me conduzir para a sala de redação do Post, pediu para que eu ligasse para a The Nation, uma espécie de centro de refugiados para notícias prenunciadoras de tempestades".

   Alguém poderá objetar: que interesse tem ler sobre uma eleição passada, já decidida" Responde Palast, com base na experiência que acumulou na apuração do que ele chama de "roubo" em 2000: "A eleição de 2004 talvez já esteja decidida".

   No capítulo que dá título ao livro, Palast se dedica a apontar as relações entre "os Bush e os bilionários que os amam". É uma farra, em que aparecem os nomes da Chevron, reverendo Moon, a Barrick Corporation (mineradora com interesses em vários países), a família Bin Laden e, last but not least, a GTech.

   Sim, a empresa envolvida no escândalo Waldomiro tem laços antigos com a família Bush. A história se passa em 1997, quando Bush era governador do Texas e a GTech estava prestes a perder a concessão para explorar as loterias do Estado, um negócio de centenas de milhões de dólares. Palast mostra como o governo estadual se empenhou para manter a GTech no comando da operação, apesar das acusações de propina e favorecimento contra a empresa.

   O caso também envolve um lobista da GTech, Ben Barnes, que era vice-governador do Texas em 1968, à época em que o hoje presidente dos Estados Unidos foi destacado para prestar o serviço militar na Guarda Nacional " uma força defensiva, cujos soldados não eram enviados ao Vietnã.

   Uma fonte de Palast, mantida no anonimato, teria se disposto a dizer em juízo que Bush fez um acordo com Barnes porque o lobista "podia confirmar que ele havia mentido durante a campanha (ao governo do Texas) de 1994". Na ocasião, Bush afirmou que seu pai não o ajudou a ingressar na Guarda Nacional. O tema promete reaparecer nesta campanha de 2004.

   Palast deve vir ao Brasil no próximo dia 22. Na ocasião, ele promete fazer revelações sobre as suspeitas ligações brasileiras de uma outra empresa americana, já envolvida no escândalo da apuração das eleições na Flórida. A julgar pelo teor de A Melhor Democracia Que o Dinheiro Pode Comprar, vale a pena ouvir o que ele tem a dizer.


   OUTROS ALVOS
   Revelações e temas quentes relatados no livro

   Ouro " Uma investigação sobre os negócios da empresa mineradora Barrick e suas ligações com a família Bush acabou levando Palast à Tanzânia. A empresa conquistou uma concessão bilionária no país, mas viu-se acusada de, ao tomar posse da área, com a ajuda da polícia local, ter causado a morte de cerca de 50 mineradores, enterrados vivos. A Barrick nega veementemente todas as acusações e uma das fontes de Palast em Dar es Salaam acabou presa.

   Equador " Um documento confidencial do FMI, obtido por Palast em 2000, lista 167 condições impostas pelo Fundo para emprestar dinheiro ao país sul-americano. Parece "o projeto de um golpe de Estado financeiro", diz ele.

   Argentina " "Era uma noite agradável de 2001 quando recebi o telefonema: a economia da Argentina estava morta". Mais adiante, ele escreve: "Os entendimentos e memorandos provam que o Banco Mundial e o FMI puxaram o gatilho, agindo como leões-de-chácara dos credores internacionais seqüestradores de ativos".

   Wal-Mart " Palast afirma que, contrariando sua política interna, a rede de varejo tem como fornecedores uma empresa, na China, que usa os serviços de presidiários. O jornalista é direto: "Como a Wal-Mart saberia que seus fornecedores com fábricas nos campos de concentração da China usam trabalho escravo" Não há como".

   Monsanto " Em 1999, o jornalista mostrou no Observer o conteúdo de um documento confidencial que indicava as relações privilegiadas da empresa, envolvida em experiências com hormônios geneticamente modificados para crescimento bovino, com altas autoridades de organismos internacionais e de governos de países como o Canadá.

6.3.04

LEANDRO KONDER

Estamos sofrendo deterioração ética?

Na política, existem situações nas quais se contrapõem correntes de direita e de esquerda. É claro que nem todos os conflitos se deixam reduzir a esse esquema. No entanto, quando as divergências políticas se articulam com propostas econômicas e sociais, o contraste se torna evidente.

Norberto Bobbio, recentemente falecido, explicava para quem quisesse entender: aquele que se dispõe a lutar por transformações mais rápidas e mais profundas, empenhando-se em criar condições efetivas de certa paridade econômica, é de esquerda. E aquele que se dispõe a assegurar liberdades para que os indivíduos tenham espírito crítico e declara que está pouco ligando para a paridade econômica, desconfiando sempre da intervenção do Estado na economia, é de direita.

Existem diversas análises dedicadas às contradições internas do campo da direita. Menos convincentes têm sido, nos últimos tempos, as análises das vicissitudes do campo da esquerda.

Percebe-se que, quando se dispõe a ser radical, quando opta por um caminho revolucionário (que nem sempre está disponível), a esquerda é levada com freqüência a se encastelar em programas muito ''duros'' e tende a trabalhar com conceitos e categorias que não dão conta das complicações e sutilezas do combate.

Quando a esquerda se dá conta de que pode partilhar o poder com correntes liberais e centristas, fazendo - naturalmente - as concessões necessárias, então ela faz um esforço considerável no sentido de superar seu simplismo e encaminhar propostas programáticas mais sofisticadas.

Nos dois momentos dessa oscilação podem ser observados pontos fortes e pontos fracos. A posição radical, revolucionária, infunde ânimo e combatividade aos ativistas políticos. Se a época não for propensa a mudanças drásticas, porém, a posição radical se deixa isolar com facilidade e se torna inócua. A posição moderada, social-democrática, estimula a observação equilibrada, realista, das condições históricas, evita delírios, pode limitar os ímpetos voluntaristas.

Quando negociam com os eventuais parceiros liberais e centristas, entretanto, os representantes dessa esquerda podem ser levados a fazer tantas concessões que talvez cheguem a sacrificar sua identidade. E os socialistas indagarão: são, mesmo, socialistas? Ainda pertencem ao universo da esquerda?

Mais grave do que os riscos de deturpação ideológica política, contudo, são os riscos de deterioração ética.

Sem dúvida, todos nós estamos sempre - socialistas, comunistas, social-democratas, liberais, conservadores - vulneráveis ao cinismo, submetidos à tentação do comportamento antiético, sabendo que a sociedade que gira em torno do mercado só cobra de nós uma coisa: que a gente leve vantagem.

Determinados movimentos, porém, facilitam certo relaxamento ético.

Pode ser que eu me engane, mas um revolucionário radical que perde a fé na revolução e descobre que um programa moderado pode levá-lo ao poder, precisará redimensionar seu projeto inicial de transformação da sociedade. Esse redimensionamento pode ser um avanço do bom senso, como pode ser também uma diminuição amesquinhadora da ambição generosa que estava no ponto de partida.

Espero que os leitores me entendam: não estou acusando ninguém. Estou fazendo apenas uma reflexão teórica abstrata sobre um tema que poderia ser considerado psicológico.

Se o velho ideal revolucionário morre, o vácuo deixado por essa morte na consciência política pode ser ocupado por um certo cinismo. O militante pode decidir que não se deixará arrastar como um ingênuo pelo discurso sectário ou moralista de seus companheiros. Não estou dizendo que esse tipo de fenômeno acontece necessariamente. Ao contrário, uma coisa positiva que pode ser observada a respeito da condição humana é que essa deterioração ética, afinal, não seja um acontecimento freqüente.

O simples fato de que ela exista, no entanto, funciona como um alarme para nós.

Ao observarmos a migração de homens da esquerda radical que se deslocaram para posições de centro (ou mesmo de direita), não podemos deixar de formular hipóteses que vão além das análises histórico-políticas. E atravessam o campo da ética.

5.3.04


Uma outra versão sobre a origem do 8 de março

Queridos leitores das publicações da CUT Rio de Janeiro, durante muito tempo repetimos, todos os anos, no mês de março, a história de uma greve que seria a origem do Dia Internacional da Mulher.

Em 1996, levamos um susto ao ler, no Jornal do Brasil, artigo de Naumi Vasconcelos, que dizia que aquela greve nunca existira, e que a origem da data era outra. De lá para cá, diversas autoras têm repetido a versão apresentada por Naumi.

No ano passado, começamos a ser questionados, por mulheres que atuam no movimento sindical, sobre esta outra versão e decidimos publicá-la. É isso que vamos fazer novamente em 2004 em forma de perguntas e respostas, juntamente com a primeira versão sobre a origem da data.

Pedimos desculpas por involuntariamente, e total desconhecimento, termos privado nossos leitores desta segunda versão durante todos esses anos.

Acreditamos que a origem desta e de outras datas caras à classe trabalhadora devam ser sempre lembradas e por nós celebradas para impedir que elas caiam no esquecimento ou virem mercadoria. Recordar as origens do Dia Internacional da Mulher é impedir que, qualquer dia desses, as mulheres comecem a ganhar flores e presentes no 8 de Março, como ganham no dia das mães.

Independente de qual seja sua origem, o 8 de Março é um dia de luta pela revolução cultural, sexual e social.

Grande abraço a todas neste dia 8

Claudia Santiago
Editora do Rápido e do Conquista

. Qual a versão conhecida sobre a origem do 8 de Março até o início dos anos 90?
Durante uma greve em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, 129 operárias têxteis morreram queimadas lutando pela redução da jornada de trabalho. Os patrões teriam incendiado a fábrica. O Dia 8 de Março foi instituído em 1910.

. Quando e como surge essa primeira versão?
Na década de 60, em boletins da CGT francesa e da Federação Internacional Democrática das Mulheres da República Democrática Alemã. Segundo essa versão, em 1910, durante a 2ª Conferência da Mulher Socialista, a dirigente do Partido Socialdemocrata Alemão, Clara Zetkin, em lembrança à data da greve das tecelãs americanas, de 53 anos antes, teria proposto o 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

. Qual a nova versão difundida no Brasil na segunda metade da década de 90?
A origem do 8 de março é uma greve de tecelãs e costureiras que explodiu em 1917, em Petrogrado, na Rússia. Nesse dia, um grande número de mulheres operárias, na maioria tecelãs e costureiras, contrariando a decisão do Partido, que achava que aquele não era o momento, saíram às ruas em manifestação por pão e paz e declararam-se em greve. A manifestação foi o estopim da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro. Em outubro, o Partido Bolchevique lidera a grande Revolução Russa.

. Quando o 8 de Março é instituído o Dia Internacional da Mulher na segunda versão?
A Conferência das Mulheres Comunistas, realizada em Moscou, em 1921, adota o dia 8 de Março como data unificada do Dia Internacional da Mulher, para celebrar a greve das costureiras de 1917. Até este ano, o Dia da Mulher não tinha data fixa. Em 1914, a França comemorou no dia 9 de março, os Estados Unidos no dia 19 de março. Alemanha, Suécia e Rússia comemoraram no dia 8. Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher foi comemorado em 19/03, em 1914. Em 1913, a Rússia comemorara no dia 3.

Datas básicas sobre a origem
do 8 de Março

1904-1907
Movimento das Sufragistas pelo voto feminino nos EUA.

1907
Em Stuttgart, é realizada a 1ª Conferência da Internacional Socialista com a presença de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai.
. Uma das principais resoluções:
Todos os partidos socialistas do mundo devem lutar pelo sufrágio feminino.

1908
Em Chicago (EUA), no dia 3 de maio, é celebrado, pela primeira vez, o Woman´s Day. A convocação é feita pela Federação Autônoma de Mulheres.

1909
Novamente em Chicago, mas com nova data, último domingo de fevereiro, é realizado o Woman ´s Day.
O Partido Socialista Americano toma a frente.

1910
A terceira edição do Woman.s Day é realizada em Chicago e Nova Iorque, chamada pelo Partido Socialista, no último domingo de fevereiro.
Em Nova Iorque, é grande a participação de operárias devido a uma greve que paralisava as fábricas de tecido da cidade. Dos trinta mil grevistas, 80% eram mulheres.
Essa greve durou três meses e acabou no dia 15/02, véspera do Woman.s Day.
- Em maio, o Congresso do Partido Socialista Americano delibera que as delegadas ao Congresso da Internacional, que seria realizado em Copenhague, na Dinamarca, em agosto, defendam que a Internacional assuma o Dia Internacional da Mulher.
Este deve ser comemorado no mundo inteiro, no último domingo de fevereiro, a exemplo do que já acontecia nos EUA.
- Em agosto, a 2ª Conferência Internacional da Mulher Socialista, realizada dois dias antes do Congresso, delibera que:
as mulheres socialistas de todas as nacionalidades organizarão (...) um dia das mulheres específico, cujo principal objetivo será a promoção do direito a voto para as mulheres.
Não é definida uma data específica.

1911
Durante uma nova greve de tecelãs e tecelões, em Nova Iorque, morrem 134 grevistas, a causa de um incêndio devido a péssimas condições de segurança.
Na Alemanha, Clara Zetkin lidera as comemorações do Dia da Mulher, em 19 de março.
(Alexandra Kollontai diz que foi para comemorar um levante, na Prússia, em 1848, quando o rei prometeu às mulheres o direito de voto).
Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher é comemorado em 26/02 e na Suécia, em 1º de Maio.

1912
Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher é comemorado em 25/02

1912 e 1913
Na Alemanha, o Dia da Mulher é comemorado em 19/3.

1913
Na Rússia é comemorado, pela primeira vez, o Dia da Mulher, em 3/3.

1914
Pela primeira vez, a Secretaria Internacional da Mulher Socialista, dirigida por Clara Zetkin, indica uma data única para a comemoração do Dia da Mulher: 8 de Março.
Não há explicação sobre o porquê da data.
A orientação foi seguida na Alemanha, Suécia e Rússia.
Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher foi comemorado em 19/03

1917
No dia 8 de Março de 1917 (27 de fevereiro no calendário russo) estoura uma greve das tecelãs de São Petersburgo.
Esta greve gera uma grande manifestação e dá início à Revolução Russa.

1918
Alexandra Kollontai lidera, em 8/3, as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, em Moscou, e consagra o 8/3 em lembrança à greve do ano anterior, em São Petersburgo.

1921
A Conferência das Mulheres Comunistas aprova, na 3ª Internacional, a comemoração do Dia Internacional Comunista das Mulheres e decreta que, a partir de 1922, será celebrado oficialmente em 8 de Março.

1933
No dia 8/3, em Moscou, Clara Zetkin, no Dia da Mulher, toma a palavra em público pela última vez.

1966
A Federação das Mulheres Comunistas da Alemanha Oriental retoma o Dia Internacional das Mulheres e, pela primeira vez, conta a versão das 129 mulheres queimadas vivas.

1969
Nos Estados Unidos, o movimento feminista ganha força. Em Berkley, é retomada a comemoração do Dia Internacional da Mulher.

1970
O jornal feminista Jornal da Libertação, em Baltimore, nos EUA consolida a versão do mito de 1857.

1975
A ONU decreta, 75-85, a Década da Mulher.

1977
A Unesco encampa a data 8/3 como Dia da Mulher e repete a versão das 129 mulheres queimadas vivas.

1978
O prefeito de Nova Iorque decreta dia de festa, no município, o dia 8 de Março, em homenagem às 129 mulheres queimadas vivas.

No Brasil:

1945
- O PCB cria a União Feminina contra a carestia.

1947
- O 8 de Março é comemorado pela primeira vez no Brasil.

1948
- Com o PCB na ilegalidade, a passeata do 8 de Março é proibida, no Rio.

1949
- É editado, pela primeira vez, no Brasil, o livro de Alexandra Kollontai, A Nova Mulher e a Moral Sexual.

1950
- Em 8 de Março, a Federação das Mulheres do Brasil retoma a comemoração do Dia Internacional da Mulher.