5.5.03

A TOLICE DA APOSENTADORIA FORÇADA

Mesmo com mais expectativa de vida, companhias mantêm saída compulsória

WASHINGTON. Os investidores de Wall Street ficaram satisfeitos quando, há cerca de dez dias, George W. Bush sugeriu que Alan Greenspan, de 77 anos, deveria cumprir mais um mandato de quatro anos na presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O gesto de Bush foi um golpe em uma das maiores tolices do mundo dos negócios: a aposentadoria compulsória dos altos executivos aos 65 anos. E mesmo que as empresas não se livrem de seus executivos idosos, investidores e analistas agem como se o lugar de um diretor de 65 anos fosse o Recreio dos Anciãos, não a mesa de reuniões.

É claro que nem todos os executivos devem passar a terceira idade à frente de uma grande corporação. A tarefa é exaustiva. As pessoas de 70 anos, em geral, não têm a mesma agilidade mental dos de 50. Mas há algo de arbitrário em uma idade de aposentadoria. O fato de o mercado ter ficado aliviado com o fato de que Greenspan vai completar 80 anos à frente da maior economia do mundo mostra que reputação e desempenho valem mais que a idade.

Os executivos estão mais jovens. Segundo uma pesquisa da consultoria Spencer Stuart, a média de idade dos diretores das 700 maiores empresas americanas caiu de 59 em 1980 para 56 em 2000. Mas juventude não é sinônimo de competência. Muitas empresas dirigidas por executivos jovens deram com os burros n’água recentemente, enquanto muitas pilotadas por tipos não tão jovens têm se agüentado bem.

Sob a direção de Sanford Weill, que completou 70 anos em março, o Citigroup está esmagando seus rivais. O diretor-executivo do American International Group (AIG), Maurice ?Hank? Greenberg, de 77 anos, ajudou a multinacional de seguros a sobreviver à crise mundial do setor. Na área de mídia, dois veteranos bem-sucedidos: Sumner Redstone, de 79 anos, da Viacom, e Rupert Murdoch, de 72 anos, da News Corp.

A aposentadoria compulsória também pode ter efeitos negativos para as empresas. Jack Welch, mais ativo aos 65 anos que muitos doutorandos de 25, teve de deixar a General Electric (GE) em 2001 devido à política interna da empresa. Apesar da competência de seu sucessor, Geoffrey Immelt, é certo que as ações da GE estariam melhores com Welch no timão.

A idade também não é sinal de dedicação. O quarentão Jeffrey Skilling jura que não sabia de nada do que acontecia na Enron. Mas Irwin Jacobs, de 69 anos, está intimamente envolvido com o desenvolvimento da tecnologia sem fio da Qualcomm.

A idade de 65 anos continua sendo um parâmetro para a aposentadoria, apesar dos avanços da área de saúde e dos cuidados que cercam os executivos. Afinal, com seus pacotes de benefícios, eles vivem cercados por nutricionistas e personal trainers para garantir a sua saúde.

Talvez a melhor razão para acabar com a aposentadoria compulsória seja o fato de que a História é uma boa professora. No momento em que lutamos contra uma recessão persistente, talvez seja bom termos líderes que ainda se lembrem ? ainda que vagamente ? da Grande Depressão dos anos 30.