"Vem ser prefeito"
NELSON DE SÁ
EDITOR DA ILUSTRADA
Chico Pinheiro começou como sempre faz, afável, à tarde na Globo.
- Prefeita, boa tarde.
E contestou como sempre faz, com aberta simpatia, jamais com antagonismo à prefeita Marta Suplicy:
- Prefeita, quando os empresários sentaram à mesa com a prefeitura, conseguiram foi aumentar a tarifa. Prestam péssimo serviço. Buscam ônibus sucateado no Rio.
E tentou, mas não mais falou. Marta, como no debate em que mandou um adversário se calar, calou o âncora:
- Não é justo, Chico. Não é justo você falar isso não. Você fica falando como se a culpa fosse nossa. Não é. Nós temos sido muito duros com eles.
Tudo isso foi aos trancos, enquanto Chico Pinheiro tentava retomar a palavra. Só fez angustiar mais a prefeita, que partiu para os brados:
- Vem ser prefeito para ver o que que é! Seja o prefeito! É muito fácil ficar aí dizendo "fez isso, aquilo, aumentou tarifa".
E tome justificativas sobre o aumento da tarifa, até perder de novo o controle:
- Nós estamos lutando para melhorar esse transporte que é uma porcaria! E o povo falou pouco ainda.
É ainda mais "porcaria" do que o povo diz. E Marta, pelos gritos, já percebeu que passou da metade do mandato.
***
As campanhas publicitárias petistas, inclusive a da prefeita, denunciam o embotamento precoce da esperança.
Vem Franklin Martins e comenta que, com o fim da trégua do MST, "o governo topa pela frente com a primeira pressão dos movimentos sociais".
Vem Boris Casoy e informa que "um ladrão levou o carro do ministro da Justiça em São Paulo", enquanto "o Planalto não toma posição" sobre o que fazer com a violência no Rio.
Vem até Leonel Brizola e, nos intervalos, ataca a reforma da Previdência.
Lula está na trilha de Marta.

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