CLÓVIS ROSSI
Chega de falar, vamos jogar
SÃO PAULO - Mais uma oportunidade foi jogada fora para pelo menos começar a enfrentar a guerra civil disfarçada que o país vive.
Os governos do Rio e federal não conseguiram entender-se sobre nenhum plano de segurança, mínimo que fosse, nem mesmo sob a pressão dos acontecimentos prévios ao Carnaval, em que o descontrole da situação de segurança pública tornou-se ainda mais escancarado.
Não foram apenas os dois governos que saíram pela tangente. Uma das melhores cabeças do país, o antropólogo Rubem César Fernandes, também negou-se a chegar a algum ponto concreto na entrevista que esta Folha publicou ontem.
Não que suas idéias sejam ruins. Apenas não vão ao ponto. Exemplo: Rubem César diz que "um pacto é vital para que a questão da violência seja superada. Sem um pacto efetivo, em que entrem sociedade civil, mundo empresarial, prefeituras, governo do Estado, governo federal, tudo é muito complicado".
Meu Deus do céu, se não houve "pacto" nem entre apenas dois agentes (os governos do Rio e da União), como é possível acreditar que se possa chegar a um pacto, qualquer pacto, na hora em que forem ouvidos também os demais agentes?
O ponto, agora, é simples. Há uma porção de questões que têm de ser enfrentadas na área social, gerencial, organizacional, o diabo. Mas, antes de tudo, é preciso devolver ao poder público o monopólio do uso da força. Ponto. É assim que são as coisas nos países civilizados.
Nesse capítulo, a sociedade civil, os empresários e os cidadãos têm muito pouco a fazer. No máximo podem entregar suas próprias armas, o que seria bom e reduziria o número de mortes digamos acidentais (brigas de trânsito, de botequim etc). Mas não reduziria as mortes buscadas pelo crime organizado.
Esse é um jogo para cachorro grande. Enquanto o poder público não se decidir a jogá-lo, a criminalidade continuará tendo tudo dominado.

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