25.2.03

JANIO DE FREITAS


Questão urgente

A criminalidade está com a vida fácil. Em tempo: a referência é à criminalidade dos marginais urbanos, nada a ver com seus congêneres encontráveis em gabinetes e de vida ainda mais fácil.

A desproporção entre os atos de violência e as prisões efetuadas é incalculável em cidades como Rio, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Recife e tantas outras onde grande número de vítimas nem mais se dá ao trabalho de fazer registro policial dos assaltos e outros roubos.

O Rio proporcionou ontem mais uma demonstração do problema que a criminalidade extensiva representa: em cidades de grande porte, os marginais podem escolher à vontade o espaço para seus ataques, sejam de que dimensões forem, porque a polícia não pode estar em toda parte para prevenir. A vantagem está com eles. A polícia age, quando age, sempre com atraso em relação ao ato violento.

O governo de Anthony Garotinho investiu bastante em equipamento para as polícias civil e militar. Não adiantou nada. O governo de Benedita da Silva conseguiu prender chefes relevantes da bandidagem e, de quebra, desmontou importante ligação de PMs com bandidos. Não adiantou nada.

No Rio, em São Paulo e, tudo indica, em muitas outras cidades, a extensão da criminalidade está além dos métodos convencionais da ação policial. E sua violência contamina e se manifesta mesmo em situações pacíficas por definição, como se deu agora em evento carnavalesco paulistano.

A necessidade é clara: é preciso repensar tudo, em matéria de combate à criminalidade extensiva. A tarefa excede o nível policial, muito condicionado por sua formação e deformado pelos costumes da profissão. Antropólogos e sociólogos que se têm ocupado da violência urbana e da ação policial ficam entre o plano teórico, das discutíveis estatísticas e interpretações ainda mais discutíveis, e propostas que vagueiam na periferia do problema, do tipo organização administrativa das polícias e agilização de inquéritos.

A questão que se põe é objetivamente imediata: o que fazer, fazer já, para restringir a criminalidade, para devolver a todos alguma dose do seu direito a transitar com razoável segurança por suas cidades, nas calçadas de suas moradias, nas moradias mesmas?

É uma questão imediatamente objetiva: que tática adotar, com que meios, por que modo? E adotar antes que a forçosa insuficiência policial conduza ao seu desdobramento historicamente afirmado - a aceitação da idéia de que o problema da violência criminal só se resolve, ou atenua, com violência maior. Ou seja, com as variações do extermínio, legal ou tolerado, mas também extensivo.

Com a palavra, todos.