11.6.09

 

A coleguinha Petrobras


   Como previsto (o pessoal realmente não prima pela imaginação), a imprensa diz que a Petrobras recuou no caso do blog. Neguinho realmente pensa que a gente é besta. A Petrobras não só não recuou, como ainda assumiu um cargo nas redações: o de coeditora.

   Não entendeu? Olha só: a empresa disse que vai publicar as perguntas e as respostas (obviamente, a relação agora se dará por escrito, certo?) no primeiro minuto do dia em que a matéria foi publicada. Bom, em primeiro lugar, tecnicamente, o leitor continuará a ter acesso às perguntas e as respostas da companhia antes de ver o jornal, mas isso não é a grande jogada. A sacada mesmo é que, se a nota da Petrobras não estiver na íntegra na edição, o veículo de comunicação será acusado de ter manipulado a resposta. Para escapar dessa acusação, só tem um jeito - botar num box com a nota completa (ou, no caso da TV, lê-la todinda, de cabo a rabo). Ou seja, a Petrobras influenciará diretamente na edição (não, jênius, nem pensem em usar o truque do corpo menor. Ficará pior, vai por mim).

   Os editores, porém, não devem ficar tão tristes em ter essa incômoda companhia ao lado. Em pior situação fica o povo do comercial. Afinal, sempre que vinham acusações pesadas da redação, a Petrobras tinha que comprar espaço de anúncio para dar suas respostas a peso de ouro. Agora, não vai precisar. Mais uma fonte que seca e logo nesse momento de crise quando as metas já estão tão difíceis de serem atingidas. Se a moda pega então...

Marcadores: , ,


10.6.09

 

Recado dado, recado entendido


   A Petrobras informa que vai passar as perguntas dos jornalistas e respostas no dia em que o coleguinha informar que vai sair a matéria. A imprensa dirá que a empresa voltou atrás. Voltou não. Só não vai forçar a mão - mandou o recado e este foi entendido por quem de direito, portanto já não havia mais nada a ganhar com o clima de guerra.

   Esse jogada final coroa a jogada de mestre da estatal, que abriu um novo caminho para a democracia do Brasil e, de quebra, ensinou a outras grandes empresas como não se tornarem reféns dos jornais e dos jornalistas. Leia aqui o post em que a empresa dita como vai ser a sua relação dos coleguinhas daqui por diante.

Marcadores: , ,


 

Filosofice


   O filósofo (todo professor de filosofia vira filósofo nos jornais) Roberto Romano,da Unicamp, afirmou hoje, em entrevista a O Globo, que a Petrobras, com seu blog, está perpetrando "terrorismo de estado".

   Ok...Vamos ver se entendi...Ao publicar as perguntas dos jornalistas e suas respostas, a empresa está fazendo algo comparável ao que Israel faz com os palestinos - invadindo casas, agredindo, sequestrando e matando. Então tá...

   É esse tipo de exagero que faz com que os jornais - e outros veículos - percam o respeito da sociedade e vejam suas teses e matérias não serem levadas a sério. Até mesmo o prinicipal objetivo da matéria, ser uma saída honrosa, acabou prejudicado com o delírio conceitual do tal professor.

   Uma coisa boa, porém, Romano falou - aconselhou os jornais a continuarem ouvindo o outro lado. Pois, pelo que se depreende de uma das perguntas, algum "jêniu" já tinha pensado em só ouvir a Petrobras depois de as matérias serem publicadas. Aí é que a vaca atolaria de vez no brejo, pois provaria a principal tese da companhia, a de que a imprensa manipula as informações.

Marcadores: , , , ,


9.6.09

 

O mundo de ponta-cabeça


   "Esse mundo está virado!", exclamava minha amada vozinha Sinhá, que morreu em 89 aos 92 anos, surpreendendo-se com as mudanças de um mundo que não conseguia compreender. Me lembrei muito dela e de seu pasmo neste imbroglio Petrobras x jornais. Quem diria que empresas de comunicação defenderiam a censura ao fluxo de informação para o público?

Marcadores: , , ,


 

Recordar é viver


   Essa confusão me fez lembrar de algo que ocorreu com a Coleguinhas há anos.

   Lá por 98 ou 99, O Globo mandou pra rua uma galera que fazia os tijolinhos. A versão oficial é de que eles estavam cometendo muitos erros e as queixas dos leitores se avolumavam. Realmente, os colegas erraram, mas não dessa maneira. A falha deles foi cortar a peça de uma amiga do Merval Pereira daquela lista "O Globo indica" que vem no roteiro cultural. Contei essa versão na Coleguinhas.

   Pra quê? O Ali Kamel escreveu um catilinária contra mim e o site (não era blog na época) e me mandou. Obviamente publiquei e rebati. Resultado? Os acessos a Coleguinhas triplicaram e a polêmica foi republicada até em Parnamaribo, creio. Tudo isso num tempo em que a internet no Brasil não era nem sombra do que é hoje. Na época, um amigo me zoou: "Isso é armação sua com o Ali! Com esse monte de acessos, você vai arrumar uns investidores e ele vai ser seu diretor de marketing!", acusou-me, gaiato.

   É, o tempo passou, mas neguinho não aprendeu nada com ele.

Marcadores: , , ,


 

O mundo gira, a Lusitana roda


   Os barões da mídia evitaram que existisse um conselho federal de jornalismo e, depois, derrubaram a Lei de Imprensa. Criaram um vácuo legal que agora se volta contra eles. Justiça cósmica.

Marcadores: , , ,


 

Ética? Que ética?


   Os jornais falam que a Petrobras está sendo anti-ética ao abrir as perguntas dos jornalistas e suas respostas no blog. Tem um problema com essa tese - ela não apresenta o menor amparo. A ética profissional é consubtanciada em um código escrito que define direitos, deveres, prerrogativas e punições para membros de uma categoria profissional. No Brasil, definir e defender (inclusive com poder de polícia) esse tipo de código é privilégio de conselhos ou ordens profissionais. Ora, como sabemos, jornalismo é das poucas - se não for a única - categoria profissional de nível superior que não tem ordem ou conselho. Assim, não pode ter código de ética, como realmente não tem. Ou seja, os donos de jornais podem bradar à vontade em nome da ética, pois estarão gritando palavras sem sentido.

   O quê? O Código de Ética da Fenaj? Bem, o que a Fenaj pode fazer caso um jornalista fira esse código? No máximo, sacudir o dedo indicador e dizer: "Menino mau! Feio!" (se for menina, é só mudar o gênero). Tirar o registro ou mesmo publicar aquelas advertências públicas, como fazem os conselhos, nem pensar.

Marcadores: , , ,


 

Desastre escrito


   Como disse um comentador, a nota da ANJ acusando a Petrobras de atentar contra a liberdade de imprensa por criar um blog é constrangedora. No entanto, ficou em segundo lugar no quesito mico - perdeu para o editorial do Globo. Nem parece um texto escrito por gente tão experiente como os editorialistas do jornal. Confuso, apenas uma colagem de parágrafos sem nexo, é um desastre que teve seu ponto mais baixo na afirmação de que as perguntas feitas por um jornalista são propriedade deste e do veículo que o emprega. Nem a nossa draconiana lei de direitos autorais (a 9610/98), que só perde em rigor para as de países do Leste Europeu como Letônia e Croácia, considera que pergunta tem copyright.

Marcadores: , , ,


 

Top


   A reação histérica dos jornais ao blog da Petrobras já rendeu uma consequência - se, às 10h10min, você escolhesse o português do Brasil como língua do wordpress, adivinha o que viria como "post recomendado"? A resposta da Petrobras à Folha.

Marcadores: ,


8.6.09

 

Por outro lado...


   A Petrobras não deveria usar o blog pontualmente, para dar esclarecimentos sobre a CPI, mas usá-lo para pôr as perguntas e respostas a todas as questões enviadas pelos jornalistas a sua assessoria. Seria um trabalho do cão, sem dúvida, mas seria a prova dos nove para a empresa na questão da transparência.

Marcadores:


 

Doidice


   Pronto! Aconteceu. O pessoal das antigas do jornalismo brasileiro não agüentou e pirou com a pressão da internet. A gota d´água foi a ideia da Petrobras de criar um blog no qual coloca as perguntas que os jornalistas dirigem à empresa e a respostas desta. O abilolamento é tal que a ANJ chega a invocar a confidencialidade da relação entre jornalista e fonte para atacar o blog, esquecendo (amnésia seletiva é um fenômeno tão interessante...) que se as perguntas são públicas e a empresa as respondeu, as respostas também devem ser públicas - ou será que a ANJ defende a contradição em termos da "resposta oficial em off"?

   A loucura - parece que causada pela dor lancinante provocada pelo desmascaramento - fez ainda com que a ANJ confundisse aquela mensagem de praxe que finalizada as mensagens de email - usada há anos por quase todas as empresas grandes, por conselho dos advogados, a fim de isentar as companhias do uso de mensagens internas em demandas públicas - com ameaças à sacrossanta liberdade de imprensa.

   Na boa, o blog da Petrobras (é esse aqui, baseado no wordpress) não ameaça a liberdade de imprensa coisa nenhuma. Quem o faz são os veículos de comunicação quando, em tresloucado gesto (como se dizia antigamente), dão não um tiro no pé, mas na cabeça ao ir contra a liberdade de expressão da qual a de imprensa é uma conseqüencia - importante, mas apenas consequência.

Marcadores: ,


4.6.09

 

Eu avisei...


   No dia 8 de janeiro, escrevi isso aqui. Pois o que previ aconteceu: o índice de aprovação do Nove-Dedos voltou a bater nos 70%. Só errei o momento em que isso ocorreria - fim deste ano.

   O N-D deveria fazer um agradecimento público aos coleguinhas. É muita ingratidão não fazê-lo, pois, sem a ajuda deles, certamente jamais poderia posar de salvador da pátria tantas vezes e, portanto, chegar a essa aprovação recorde a um ano e meio do fim do segundo mandato.

Marcadores:


 

"Vingança! Vingança! Vingança!"


   A materinha de ontem no Globo - com direito a chamada de primeira - com a "denúncia" de que a Petrobras tem cerca de 1 mil jornalistas entre seus mais de 50 mil empregados e, ainda assim precisou contratar a CDN para assessorar a empresa durante a CPI, cheira muito mais a vingança do que a preocupação com o bom uso dos dinheiros públicos.

Marcadores:


1.6.09

 

Passa-fora


   Por falar na CPI, que passa-fora o da Petrobras hoje no Globo, hein? Ficou ainda pior com a resposta pífia do jornal, num pé de matéria.

Marcadores:


 

O outro lado


   Bom, pelas matérias do Globo e do Estadão desse fim de semana, a estratégia da oposição é pegar a Petrobras pelo lado do patrocínio e da responsabilidade social. É boa jogada, pois ataca um ponto que dói no governo - os investimentos sociais são a marca da Era Nove-Dedos - e deixa livre o lado econômico da gigante brasileira.

   O problema é que essa estratégia mexe com os ongueiros - o que não chega a ser tão ruim, já que a direita não gosta de ONG mesmo - e com os artistas. Aí sim, pode ficar esquisito. Não que eu espere que o pessoal da cultura saia pressionando às claras, como faz quando o assunto lhe toca diretamente (na guerra com o povo do esporte, há cerca de um ano e meio, por exemplo) mas, na chincha deve rolar algumas conversas com os políticos. Afinal, se a Petrobras parar de patrocinar a cultura brasileira, essa, que nunca anda bem das pernas, vai pro buraco direto, pois a petroleira, vamos combinar, é o verdadeiro ministério da Cultura do país.Bom, pelas matérias do Globo e do Estadão desse fim de semana, realmente a estratégia da oposição é pegar a Petrobras pelo lado do patrocínio e da responsabilidade social. É boa jogada, como já disse, pois ataca um ponto que dói no governo - os investimentos sociais são a marca da Era Nove-Dedos - e deixa livre o lado econômico da gigante brasileira.

   O problema é que essa estratégia mexe com os ongueiros - o que não chega a ser tão ruim, já que a direita não gosta de ONG mesmo - e com os artistas. Aí sim, pode ficar esquisito. Não que eu espere que o pessoal da cultura saia pressionando às claras, como faz quando o assunto lhe toca diretamente (na guerra com o povo do esporte, há cerca de um ano e meio, por exemplo) mas, na chincha deve rolar algumas conversas com os políticos. Afinal, se a Petrobras parar de patrocinar a cultura brasileira, essa, que nunca anda bem das pernas, vai pro buraco direto, pois a petroleira, vamos combinar, é o verdadeiro ministério da Cultura do país.

Marcadores:


23.5.09

 

Um caminho, um discurso


   Como detectou Denise Rothenburg em sua coluna no Correio Braziliense, a oposição descobriu um caminho para atacar a Petrobras, bater no Nove-Dedos e não ser tachada de antipatriota: dirá que a CPI tentará descobrir por que a gasolina brasileira é tão cara. É uma opção meio caída - vai ficar naquele jogo de empurra clássico, com falta de reforma tributária para cá, mercado internacional para lá -, mas como é melhor do que nada, os veículos de comunicação já caíram de boca no discurso.

Marcadores:


17.5.09

 

Saia-justa


   Os veículos de comunicação estão numa saia-justa dupla atualmente por conta de uma prática que mantêm desde o início do governo do Nove-Dedos. Este, como se sabe, jamais faz nada certo, na ótica da mídia brasileira. No máximo, acerta, porém sempre com um "mas". Pois esta maneira de ver o mundo - e, vamos lá, fazer política oposicionista - acabou criando dois problemas nos últimos dias:

      1. Taxação da Poupança: Por sua impopularidade, esse é assunto de ótimo potencial para baixar o cacete no N-D. O problema é que, ao que parece, ela é necessária, de uma forma ou de outra, para continuar a baixa dos juros pelo Banco Central. Ora, baixar os juros é decisão que merece todo apoio dos veículos de comunicação, empresas privadas que são. Assim, a questão para as empresas de comunicação é: como apoiar uma causa que lhes é estratégica, mas impopular, a ser tomada por um governo cuja imensa popularidade sempre foi o principal alvo da sua ação oposicionista?

      2. CPI da Petrobras: Essa parece mais fácil, mas não muito. Bater em estatal é de lei para os veiculos brasileiros e, durante esse governo, um verdadeiro jardim das delícias. Mas num momento de crise, a situação não é tão clara. A Petrobras, afinal, não só é uma grande anunciante individualmente, como é a base de cadeias produtivas em que estão alinhados outros grande anunciantes, sem falar que a petroleira é, junto com a Vale, um dos esteios da Bovespa, um lugar muito propenso à histeria, ainda mais nesse momento da economia mundial.

   Nesse segundo caso, pelo menos O Globo já tomou uma posição, embora sem muita convicção: aderiu à tese de que a CPI da Petobras é uma jogada política dos tucanos. E o fez de maneira até engraçada - desqualificando uma acusação que o próprio jornal levantara, no caso, as acusações de manipulação dos royalties pagos a municípios cariocas. Mas essa posição do principal jornal dos Marinho pode não ser a que prevaleça entre os barões da mídia e, ainda, quem sabe, possa a vir a ser mudada mesmo por ele. A conferir.

Marcadores:


13.5.09

 

Abandonar o barco!


   Os tucanos fizeram sua última concessão ao Bolsa-Família: aderiram.

   Agora, pelo menos por gratidão e gentileza, eles poderiam avisar Dona Míriam, Turca Racy, Tia Suely e Mervalzim para eles saltarem do barco também.

Marcadores:


6.5.09

 

Publicidade x independência jornalística


   Comentador do post abaixo dá boa dica de leitura em espanhol (aqui). E faço um adendo: os problemas apontados pela pesquisa que gerou a matéria tendem a agravar-se numa época de crise como a que passamos.

Marcadores: , , , , ,


28.4.09

 

Ainda a cascata da Folha


   A cara Sylvia Moretzshon detona a Folha e a "ficha" da Dilma no Observatório da Imprensa. Aqui.

Marcadores: ,


26.4.09

 

O câncer da Dilma


   Algumas apressadas observações midiático-políticas sobre a revelação do câncer da Dilma:

      1. A oposição deve torcer para que ela fique fraquinha e tenha que largar a corrida presidencial, mas não desenganada. Assim, jogaria o Nove-Dedos numa confusão dos diabos, pois ficaria entre construir uma candidatura do zero - e petista, pois o partido não abriria mão da cabeça de chapa - e a horrorosa tese do terceiro mandato. Se Dilma fica na bica de dançar, daria ao tal candidato novo ou ao N-D-3 o apoio dela em imagens bacanas dela em cadeira de rodas.

      2. Caso ela se recupere bem, como apontam os médicos, aí é a oposição vai estar em maus lençóis. Com a fama de durona reforçada - depois de vencer a tortura e a machismo, ainda derrotou o câncer -, mas humanizada pela doença (e ainda apoiada pelo Cara), ir para o segundo turno será de lei. E com aquele monte de obras do PAC sendo inauguradas e a crise tendo virado marolinha em outubro de 2010 (ou, pelo menos, o pessoal tendo se acostumado a ela), será uma pedreira de granito vencê-la no mano a mano.

      3. Se houver mais alguém macho no Planalto, além da própria, Dilma poderia virar uma espécie de Jade Goody política. Lembra da Jade Goody, né? Aquela inglesa que transformou sua agonia devido ao câncer em reality show... Imagina, aí por janeiro, fevereiro próximos, a Dilma, já curada, aparecendo em anúncios do Ministério da Saúde falando dos benefícios do exame preventivo? A oposição subiria nas tamancas e nas tribunas vociferando, mas e daí? Ela diria que a ideia foi do Temporão, aprovada pelo N-D, e que, como membro do governo e cidadã, ela tem obrigação de colaborar com uma campanha tão importante para a saúde pública etc, etc, etc...

      4. A decisão de divulgar a doença e a maneira profissional com que a operação foi realizada é lição para todos os dirigentes estatais, seja de que nível for. Antecipar e dar publicidade aos problemas, a fim de esvaziar a bola das especulações, é sempre a melhor estratégia.

Marcadores:


17.4.09

 

Pequena aula de jornalismo


   Inglês entrevista FHC e mostra como se faz jornalismo sério. Aqui.

Marcadores: , ,


14.4.09

 

Um escândalo de verdade


   Quem ainda acha que agência reguladora é algo confiável deveria prestar atenção no que vem ocorrendo na Anatel. Em junho do ano passado, a agência expediu regulamentação proibindo a cobrança de pontos extras para TV paga. Pois esta determinação jamais foi cumprida pelas operadoras e, depois de dez meses de discussão, a Anatel está prestes a não só permitir a cobrança, como não impôr nenhum limite ao preço que proteja o consumidor da ganância das empresas.

   ISSO é um escândalo. Que, obviamente, é ignorado pelos coleguinhas.

Marcadores: ,


12.4.09

 

Recuo estratégico


Com a defesa da mumificada tese da remoção das favelas, O Globo avança mais um pouco em sua guinada à direita, resultado, creio, da crise econômica. Leia mais aqui.

Marcadores:


7.4.09

 

Ih, ferrou!


   O Conselho Nacional do Ministério Público proibiu a divulgação por procuradores e promotores de transcrições de fitas para quem quer que seja.

   Lá se vai a carreira de um monte de "repórteres investigativos".

Marcadores:


 

Ô inveja!


   Sou um historiador frustrado. Daí que me mordo todo de inveja quando leio algumas das doces crônicas do amigo André Mansur, em seu blog Emendas e Sonetos. Como esta aqui, sobre os duros tempos da fundação da muy leal e heroica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Marcadores:


4.4.09

 

Um pouco de sadismo


   Recomendo veementemente a leitura da coluna do Merval Pereira. Confesso que meu lado sádico divertiu-se a valer com o fel da inveja tucana que escorre da página 4 da edição de hoje matutino. Fiquei a me perguntar se o Choco vai fazer uma segunda charge, mostrando o Merval tendo um ataque histérico, ao lado FHC, por causa do sucesso internacional do Nove-Dedos. A leitura torna-se mais hilária ainda quando vemos, na página seguinte, a posição pragmática dos políticos profissionais da oposição admitindo que Lula tentará tirar partido do afago do Obama, que faz muito bem em seguir esse caminho e que a oposição lutará para furar esse balão, como é seu papel institucional. Nada de chororô ressentido.

Marcadores:


2.4.09

 

Saudades do Rubens de Falco


   De um Alto Conselheiro ainda meio besta com a página 2 do Globo de hoje:

       Essa página 2 do Globo de hoje entra para a história. Assim como o público volta e meia descobre que alguma moderníssima e eficientíssima empresa mantém trabalho escravo em algum canto do Brasil, ele acaba de descobrir que o paladino da moralidade só reconheceu a legislação do trabalho em 01/04/2009. Esse texto vai fazer a festa de muito advogado

   O "alô, mamãe!" de hoje também mereceu comentários do Sind, mas não tão bem-humorados quanto o do Conselheiro. Leia aqui.

Marcadores: ,


1.4.09

 

Primeiro de abril!


   No fim, o julgamento do STF sobre a Lei de Imprensa não acabou - mas ela vai cair, porque a revogação é barbada - e a obrigatoriedade do diploma nem foi apresentada.

Marcadores: ,


 

Um dia para ser lembrado


   Primeiro de abril não é lá uma data das mais respeitáveis, mas o de 2009 será realmente especial. Hoje, o STF deve definir se para o exercício do jornalismo é imprescindível diploma específico e se a Lei de Imprensa, de 1967, ainda é válida. Também hoje começa a valer o controle de freqüência no Infoglobo, para profunda irritação dos editores, que, de agora em diante, serão obrigados a gerir e usar de maneira eficiente e eficaz os recursos humanos a sua disposição, sob pena de serem admoestados pelos departamentos de RH, Finanças e Jurídico.

Marcadores: ,


29.3.09

 

O pauteiro


  Os editores dos jornais brasileiros devem ser gratos ao Nove-Dedos por ele ter contratado o Franklin Martins para assessor de imprensa (ministro ele é nas horas vagas). É garantia de que um superpauteiro está cuidando para que eles não fiquem sem chamadas legais para a primeira página. Fiz essa reflexão para a Carla quando li a declaração do N-D sobre os louros de olhos azuis. Estava na cara que os coleguinhas fariam essa bobagem render dias e dias a fim de que pudessem pintar de preto (salpicando de cores aqui e ali) algumas daquelas páginas em branco.

Marcadores: ,


25.3.09

 

O todo-poderoso


   O presidente do STF, Gilmar Mendes, tem se tornado o condestável do Brasil sem que quase ninguém se oponha ao seu crescente poder. Aos poucos, ele vai ocupando o vácuo deixado por um Congresso enlameado e um presidente que hoje só pensa em fazer sua sucessora. Como o condestável tem se dedicado a atacar os inimigos de classe dos barões da mídia - MST e o governo do Nove-Dedos, principalmente -, a grande imprensa tem até apoiado, embora discretamente, a escalada de Gilmar.

   Nessa semana, no conhecido estilo "ovo da serpente", Gilmar deu mais um passo em sua caminhada, dessa vez em direção ao jornalismo. Leia aqui a denúncia do caso em que o presidente do STF tentou censurar o coleguinha Leandro Fortes, da Carta Capital, com a ajuda sabuja do presidente da Câmara dos Deputados. A grande imprensa, claro, nada falou a respeito, mas quem precisa dela se temos a internet, certo? No fim, a liberdade de expressão venceu, mesmo sem a ajuda de quem devia zelar por ela e não atacá-la, por ação ou omissão.

   Assista aqui ao programa que gerou todo o caso.

Marcadores: , ,


17.3.09

 

A última ficha


   A queda do PIB - melhor, o menor crescimento do PIB - é a última aposta dos veículos de comunicação contra o Nove-Dedos. É a melhor oportunidade em anos, já que a crise tem boa chance de não acabar nos próximos meses e o país ainda sofrer muito, o que tem sido motivo de gáudio para os coleguinhas. O risco, porém, é que a economia pode parar de piorar e aí a mídia ficaria segurando na broxa mais uma vez. Outro problema é que se ela, a economia, desacelerar demais, em 2010, ano da eleição, o efeito estatístico tende a fazer com que o PIB pareça ter dado um salto se subir apenas um pouquinho.

   O indicativo do sucesso da aposta deve vir semana que vem, com nova rodada da pesquisa CNI/Ibope. Da última vez, N-D estava com 84% de aprovação. Se houver uma quedinha que seja - tipo de 84% para 80%, o que é muito provável - os veículos comemorarão ruidosamente. Mas se der zebra e o barbudo se mantiver no patamar, aí vai ter gente tacando pedra na cruz de raiva.

Marcadores:


13.3.09

 

Acerto neurótico


   A chamada da primeira do Globo detonando o Collor foi perfeita. Vacilo dos outros jornais, que não tiveram o mesmo enfoque histórico e crítico. O mais interessante é que o jornal dos Marinho acertou pelo motivo errado: a necessidade, já quase neurótica, de exorcizar os fantasmas de seu passado. Afinal, deve-se lembrar também que foram as Organizações Globo - o diário incluso - que deram verossimilhança e amplificaram o personagem do "caçador de marajás" criado por Collor.

Marcadores:


8.3.09

 

Manchete agourenta


   Lembra aquele post sobre a presença de consultores da Booz-Allen nas cercanias da Irineu Marinho? (Não lembra? Refresque a memória aqui).Pois lembrei dele logo que li a manchete do Globo de hoje.

Marcadores: ,


3.3.09

 

Sem surpresa


   A Folha acha que a ditadura militar brasileira não foi dura, mas branda. Não sabia dessa opinião folhosa? Nem eu, até ser alertado pelo Alto Conselheiro Perret. Leia tudo sobre o caso (que também vai para o KofK deste ano) aqui.

   Mas, antes, para ficar bem "inserido no contexto" (era expressão-ônibus - cabia tudo dentro - dos anos 70), saiba que a Folha da Tarde, do grupo Folha (ora ora) era conhecido naqueles negros tempos(ou cinzas, na pior das hipóteses, na opinião dos Frias) como o "jornal de maior tiragem do país" - por que os matadores e torturadores (todos brandos, bem entendido) da Operação Bandeirantes (Oban) usavam as picapes do jornal para fazer o seu "trabalho" e, nas horas vagas, escreviam matérias para o diário nas quais faziam circular as versões dos assassinatos que cometiam (Brandamente! Brandamente!). Mais detalhes no capítulo 4 do livro "Cães de guarda - Jornalistas e censores, do AI-5 à Constitução de 1988", de Beatriz Kushnir (aqui).

Marcadores: , ,


27.2.09

 

Ponto histórico


   Uma mudança significativa poderá ocorrer se realmente o controle de frequência for adotado nas redações, como desejam os jornalistas que compareceram à assembléia do Sind, no dia 19 (aqui a notícia). Significativa porque marcaria uma mudança de mentalidade da categoria, cuja idéia a respeito do seu trabalho tem sido, tradicionalmente, a de que este é intelectual e, portanto, acima dessa coisa operária de marcar ponto.

   Uma historinha para ver como os jornalistas viam (veem?) sua profissão.

   No início dos 90, a comissão de redação do JB, da qual fazia parte, negociou com a empresa a realização de um plebiscito sobre a adoção do controle de frequência, usando o cartão de ponto. Achávamos que a aprovação seria tranquila, mas eis que, urnas abertas, veio o choque: derrota da proposta por larga margem. Tontos ainda, fomos averiguar como havíamos perdido e constatamos - pasmos - que a derrota ocorrera na Geral, chamada internamente de "Zona Oeste" por ter o maior número de profissionais, que trabalhavam mais tempo e recebeiam menos. Conversando aqui e ali, descobrimos que a maior parte dos jornalistas que votaram contra o controle o fizeram para não sentirem-se iguais a peões de obra.

   Assim, a adoção do controle de frequencia pode significar que, finalmente, os jornalistas descobriram o óbvio: que são trabalhadores como outros quaisquer.

Marcadores: ,


26.2.09

 

Poderosíssima


    Tiro o chapéu para o pessoal de RP do Obama. Mostrar os musculosos braços de Mrs.Obama num momento de crise, vale um semestre inteiro de análise semiológica do discurso na Era Midiática.
   E que dupla essa, Barack e Michelle, hein? Melhor que Pelé e Coutinho.

Marcadores:


 

Mágoa, muita mágoa


   O carnaval em São Lourenço já seria reconfortante em si, mas tornou-se simplesmente memorável por dois motivos:

   1. A hilariante desclassificação do framengo, diante do Resende, em pleno Maracanã, no sábado; e
   2. Os doridos minieditoriais da página 2 da Folha de segunda, assinados por dois Fernandos - o de Barros Silva e o Rodrigues.

   Do primeiro motivo de gáudio, é ocioso falar, mas o segundo merece um pequeno comentário.

   Como Noblat (post "à beira de um ataque", pouco abaixo), os Fernandos também estão que é um pote até aqui de mágoa. O motivo maior, claro, são os 84% de aprovação popular do Nove-Dedos, mas também há algo mais amplo - uma espécie de desencanto com a espécie humana, que é capaz de levar Serra a fazer o possível para não ser oposição, a crise não atingir o Brasil com a força necessária para destruir o N-D e o Obama pensar em estatizar bancos nos EUA.

   Os textos dos folhosos foram tão sofridos, mas tão sofridos, que quase me fizeram ficar com pena deles. Mas só quase.

Marcadores:


16.2.09

 

Corvos


   Fico meio assim de dar uma notícia como essa, num momento desses, mas vamos lá: consultores da Booz Allen foram vistos rondando a Irineu Marinho.
   Os consultores dessa empresa são conhecidos mundialmente por sempre recomendarem cortes de pessoal às companhias que pedem seus conselhos.

Marcadores:


12.2.09

 

"Notícia, um produto à venda"


   O título do post é o de um livro da professora Cremilda Medina. Esse texto, cuja publicação mereceu alto de página no Globo neste semana, discute a necessidade que têm os jornais e revistas de cobrarem pelas notícias e análises que põem na internet. É uma discussão interessante. O autor defende uma "volta ao básico" - as publicações passariam a pensar no interesse de seus leitores (em vez de nos dos anunciantes) e eles renovariam seu interesse em pagar por essa atitude.

   O problema básico da tese é que o mundo em que vivemos - e, consequentemente, a nossa vida - fragmentou-se tanto que qualquer veículo teria (tem)tremenda dificuldade de cobrir os pontos de real interesse de seus leitores. Seria muita notícia e, como perguntou Caetano há 30 anos, quem as leria (lê)? E se você não sabe responder a essa pergunta (que atualmente talvez nem tenha mesmo uma resposta), não saberá também responder às indagações seguintes: "quem tem interesse em pagar?" e "quanto?"

   Obrigado ao Alto Conselheiro que mandou a colaboração.

Marcadores: , ,


 

À beira de um ataque


   O Noblat está perdendo a cabeça. Mais um pouco e vai surtar. Se você duvida, leia esse post do seu (dele) blog.

Marcadores:


18.1.09

 

O distinto público leitor


   A simpática Logo, aquela página móvel de O Globo, trouxe hoje um desabafo chocado do coleguinha Rodrigo Pinto, responsável pelo blog "MPB Player" do Globo on line. Em seu texto, Rodrigo mostra-se surpreso com a maneira tacanha com que os leitores do site opinaram sobre seu post a respeito de uma lei do ínclito Álvaro Lins (é, ele mesmo, o deputado e ex-chefe de polícia processado por se chefe de gangue) que ciminaliza o funk (e a música eletrônica também). O nosso colega ficou abismado com a a fala antidemocrática e preconceituosa dos comentários. Bem, três considerações a respeito:

   1. Rodrigo não deve estar lendo - ou pelo menos lendo sem a devida atenção - os post de outros locais do Globo on line, especialmente política e economia. Se o fizesse, veria que os comentários sobre vários assuntos, principalmente quando dizem respeito ao Nove-Dedos, não são melhores do aqueles que o chocaram (não falo do esporte porque aí seria covardia);
   2. Talvez Rodrigo - e outros coleguinhas de O Globo - devessem perguntar-se o quanto o jornal em que trabalham não reforçou o preconceito e o fascismo de seus leitores por ter, durante muito tempo, feito uma cobertura criminalizante do funk e qualquer outra manfestação popular (como ocupações urbanas e rurais e greves, por exemplo), sem contar a manutenção de colunistas como Dona Míriam, Merval, Jabour e Tia Cora (de quem gosto pessoalmente, o que me faz lamentar ainda mais suas posições neoconservadoras). Obviamente, não foi só O Globo não é o único veículo que ataca manifestações populares, mas é do Globo e de seus leitores que estamos falando aqui.
   3. E não é caso de culpar a internet e sua capacidade de tornar todos anônimos. Nas cartas do jornal de papel, embora o conteúdo não seja o mesmo (o filtro é bem mais rigoroso), o tom fascista da maior parte das manifestações sobre assuntos populares é o mesmo.

   Assim, Rodrigo e os outros colegas não devem sentir-se chocados com a reação dos leitores do Globo. Eles são esses aí, pensam exatamente assim, sem tirar nem pôr. E tem mais uma má notícia: o jornal não vai desafiá-los. Afinal, democracia é ok, mas negócios são negócios.

Ah! O post que originou a emergência dos fascistas é esse aqui.

Marcadores:


8.1.09

 

Vão fazer de novo...


   Os coleguinhas estão se preparando para repetir a bobagem da época do Mensalão. Como você deve recordar-se, quando o caso de suborno de parlamentares era o único assunto da imprensa brasileira, Nove-Dedos foi dado como morto pelos jornais. Era tão certo que ele estava destruído que a oposição nem tentou o "impeachment", numa nova edição daquele fenômeno não tão raro de acontecer por aqui - os caras usam como base para decisões fundamentais o que sai jornais, sem atentar para o fato de que eles mesmos é que ditaram o saiu publicado. Deu no que deu em 2006.

   Agora, o processo ameaça repetir-se. A imprensa torce desbragadamente pela chegada da crise. Quando ela aportar mesmo, os índices vão mostrar o fato e os coleguinhas cairão de boca, profetizando o fim do lulismo. Aí,quando a tempestade começar a amainar - lá pelo fim de 2009 -, os índices vão melhorar. Nada demais, mas o suficiente para que, por efeito estatístico, parecer que voltamos a crescer de maneira esfuziante. Pronto. Lá virá o N-D novamente subindo nos índices de aprovação e no fim do mandato, quando não der para fazer mais nada. E os coleguinhas, mais uma vez, ficarão chupando dedo.

Marcadores: ,


6.1.09

 

Outras palavras


   Leitor sugere, no comentário do post abaixo, pauta sobre a reforma ortográfica: como ela está sendo vista e implementada em outros países lusófonos, em especial em Portugal? O leitor conta que os patrícios estão furiosos, batendo à beça na reforma.

   Seria interessante ouvir o ponto de vista deles e temperá-los com obervações como a que li hoje no Estadão: um lexicógrafo argumenta que os tugas estão irritados porque a reforma iguala a língua portuguesa e acaba com o monopólio da versão portuguesa, que sempre se apresentou internacionalmente como o "português verdadeiro". Agora isso acabou e, como nós somos muitos mais, os brasileiros tenderiam a tornar-se dominantes. Bobagem? Será? Isso não muda, por exemplo, a questão da chamada "localização" de softwares? É um indústria de bilhões...Vale ou não uma assuntada?

   E quanto à ONU? Uma vez li que a maior dificuldade do português ser adotado como língua oficial nas Nações Unidas é que a ortografia não era unificada. É verdade isso? Se for, a unificação seria um passo a mais na ambição do Itamaraty de fazer o Brasil um dos países a ter assento permanente no Conselho de Segurança, certo?

Marcadores: ,


5.1.09

 

Concorrência, ma non troppo


   Os coleguinhas, em especial os colunistas, adoram dizer que as agências reguladoras são a maior garantia de um mercado concorrencial, o nirvana capitalista para o consumidor. Esse argumento é brandido principalmente quando alguma delas entra em choque com o governo. Por algum motivo que me escapa, porém, ele é esquecido no momento em que as agências são confrontadas pelas empresas privadas. Ninguém, por exemplo, levantou-se em defesa da Anac, que está sendo atacada pelas empresas áreas, que querem porque querem impédir a concorrência na venda de passagens para Europa, e muito menos estranhou que a Anatel esteja há mais de seis meses sem definir simplesmente se o assinante de TV paga deve pagar ou não pagar - e quanto, em caso positivo - por pontos extras, subjugada pelo lobby da ABTA.

Marcadores: ,


31.12.08

 

Feliz 2009!


   Com esse meu sincero voto, deixo com o amigo/a esta reflexão de Victor Barone, publicada no Observatório da Imprensa.

Marcadores:


28.12.08

 

A crise, vista dos Andes


   Demos uma voltinha, eu e Carla, em Santiago, neste Natal. Cidade agradabilíssima, organizada, civilizada. Uma delícia para se morar, pelo menos no bairro de Providência.

   No hotel, havia, para distribuição gratuita, o jornal Estratégia, especializado em economia, algo como a Gazeta ou o Valor daqui. Sabe qual o grande tititi no periódico? Quem achou que era a crise, errou. Era a chegada da Wal-Mart ao Chile. Há um medo mal disfarçado de que a gigante americana do varejo arrebente com as empresas nacionais do setor. A crise? Claro que era mencionada, mas não havia nesse jornal - nem nos outros cujas manchetes olhei nas bancas - nada parecido com a histeria que se vê por aqui.

   Só para comparar, a economia chilena toda é menor que a do Paraná.

Marcadores:


16.12.08

 

Os índios, a terra e o Direito


   Minha irmã traz duas reflexões - uma dela, outra de um jurista - sobre a relação dos índios com o Direito, a partir do caso Raposa Serra do Sol. Leia aqui e aqui

Marcadores: ,


15.12.08

 

A aliada decisiva


   Ok, ok...O Franklin Martins é sensacional. Um sensei, um mestre. Mas, ele seria o primeiro admitir, a comunicação do governo não conseguiria fazer com que Nove-Dedos tivesse mais de 70% de aprovação se não fosse o auxílio da mais preconceituosa e estúpida imprensa do mundo ocidental (e podemos incluir boa parte do oriental também). Uma imprensa que, dia após dia, há cinco anos, diz e escreve que o Brasil vai acabar em três meses. Como não acabou, no que a população termina acreditando? Que o herói responsável por evitar as iminentes catátasrofes usa barba e tem nove dedos em uma das mãos. Não digo que assim até eu, mas que ficou bem mais fácil atingir a quase unanimidade, ah, isso ficou.

Marcadores:


8.12.08

 

Torcida contra - 2


   Não é só a Alta Conselheira do post abaixo que acha que a mídia está exagerando na dose na cobertura da crise. Um veterano jornalista, com muitos anos de janela na economia (e umas 15 crises nas costas) e insuspeito de petismo (é tucano confesso) mostrou-se chocado com a caça às más notícias dos jornais e TVs. "Parece que eles estão apostando para saber quem dá a pior notícia, ou a pior maneira de dar uma notícia, na manchete", reclamou, durante um almoço.

   Para o experiente coleguinha, essa é aposta perigosa. "Os jornais dizem todo dia que o mundo vai acabar em três meses. Se não acabar, o que vai ser da credibilidade deles?".

   Boa pergunta.

Marcadores:


 

Torcida contra


   Alta Conselheira acha que a mídia já está exagerando na cobertura da crise:

      Ivson

      Quem lê a economia do globo de hj, domingo, matéria principal do caderno, fica assustado.

      O texto começa falando que a crise se instalou no Brasil, que o desemprego chegou e vai piorar, que todas as análises de tendência mostram isso. Ou seja, parafraseando o Lula, a gente sifu.

      Cara, fico me perguntando se o papel da imprensa é fazer esse estardalhaço todo para o mal.

      Imagina um pequeno empresário que ainda está indo bem, cujo negócio é razoalmente lucrativo - ou seja, ele consegue viver bem.

      Quando vê o monstro que se pinta da crise, o cara se alarma, já pensa em demitir alguns como prevenção, reduz as compras, os estoques, enfim, faz o possível para o negócio ficar enxuto, encolher aomáximo, porque o monstro é voraz e está na esquina da rua dele. Ao mesmo tempo, corta as promoções e aumenta um pouquinho o preço, só pra fazer um caixa extra e se prevenir. Pornto, o negócio do cara vai por água abaixo, porque ele vai perder o consumidor: venderá mais caro, reduzirá promoções e vai piorar o atendimento, com mens funcionários.

      Parece uma dinâmica simplista da coisa, mas eu já vi isso acontecer durante os anos em que cobri pequenas empresas. Todo consultor de pequeno negócio fala isso: a estratégia do pequeno tem que ser promoção, atendimento personalizado, etc etc. E as notícias de que a crise vai engolir o cara o estimulam a fazer tudo diferente.

      Quando vc pensa que não entende mais nada, se lembra da matéria de sábado de que o Lula atingiu 70% d epopularidade, apesar da crise horrível que se anuncia, se instala, corrói todo o nosso capitalismo iniciante.

      Ah, agora entendo tudo. Vc não?

Marcadores:


12.11.08

 

Todo cuidado


   Caso o governo dos EUA resolva mesmo estatizar a GM para evitar a falência desta, aconselho aos amigos e patrões da Dona Míriam, de Tia Suely e da Sônia Turca a observarem-nas de perto a fim de observarem os primeiros sinais de algum muito possível surto psicótico.

Marcadores:


10.11.08

 

Na trilha de Obama


   Em tempos de presidente negro nos EUA, mais do que nunca é hora de discutir o nosso racismo. De 26 a 28 deste mês a UERJ sedia o III Fórum "Racismo É Crime! Aplicabilidade da Lei Penal". Mais informações pelos telefones (21) 2557-1382, 9676-2490, 9893-4191, 9943-8589 e pelos emails centro.ceperj@terra.com.br e forumracismoecrime@terra.com.br. Matéria sobre o assunto você pode ler aqui, na Consciencia.net, do bravo Gustavo Barreto.

Marcadores: , ,


5.11.08

 

"Amazonas na Lua"


   Um dos filmes mais hilários da década de 80, infelizmente muito pouco exibido aqui, é "Amazonas na Lua" ("Amazon Women on the Moon", veja aqui a ficha no IMDB), de Joe Dante, lançado em 1987. O filme consiste numa série de esquetes satirizando programas de TV, que são percorridos por um sujeito que foi tragado para dentro de sua televisão.

    Por que lembrei desse filme hoje? É que um dos esquetes - o meu favorito, para falar a verdade - apresenta B.B.King discorrendo sobre os "negros sem alma" - o equivalente ao nosso "negro de alma branca". Um dos exemplos de "negros sem alma" citados pelo bluesman é o de negros que votam no Partido Republicano. Esses devem estar verdes de raiva hoje.

Marcadores:


 

Sei não...


   Primeiro, o operário presidente do Brasil. Depois, o índio presidente da Bolívia e a mulher presidente do Chile. Aí veio o padre esquerdista presidente do Paraguai...Agora, o negro presidente dos EUA!

    Hmmm...Sei não...Se ninguém fizer algo, esse mundo acaba tomando jeito...

    Vamulá, Obama! E trate de manter a cabeça no lugar. De preferência, sem um buraco de bala nela...

Marcadores:


27.10.08

 

Mais palpites políticos


   Como sempre acontece, os profetas de fato consumado estão alvoroçados para analisar o resultado das eleições. Como também adoro dar palpite, fiz a minha análise, que você pode ler aqui, se não tiver nada melhor para fazer.

Marcadores:


25.10.08

 

Partido clandestino


    Já notaram que o PSDB, no domingo à noite, talvez possa se vangloriar de ter vencido as eleições nas capitais do "Triângulo das Bermudas" (Minas, Rio e São Paulo), mas em nenhum caso com candidatos que ostentam seus nome, número e símbolo? Poderá vencer em São Paulo, com Kassab, do DEM (apoiado desde sempre por José Serra); no Rio, com Gabeira, do PV (tem o vice e o financiamento de Armínio Fraga); e em Beagá, com Lacerda, do PSB, uma cria de Aécio Neves.
    Vencer clandestino assim, nem o Partidão nos velhos e gloriosos tempos...

Marcadores:


20.10.08

 

Farinha pouca...


   Um sempre atentíssimo Alto Conselheiro envia matéria do NYT dando conta da briga entre a Associated Press e seus associados nos EUA pelo bolo de dinheiro da mídia, que vem murchando há tempos e agora pode solar de vez. Leia aqui.

Marcadores: ,


18.10.08

 

Apocalíptica


   Dona Míriam está cada vez mais hilária, mas também um tanto preocupante. Do jeito que estão evoluindo as suas colunas, ela tomará medidas drásticas em breve. O tom da de hoje dá a pinta de que, a qualquer momento, vai vestir um camisolão e sair pela rua carregando um cartaz apocalíptico: "O fim está próximo!".

Marcadores: ,


14.10.08

 

Sadismo jornalístico


   Eu confesso: desde que começou esta crise meu lado sádico tem se esbaldado lendo Dona Míriam. A coluna de hoje está melhor do que a de sexta passada (post abaix), que já era hilária (para quem gosta de ver uma neoliberal contorcer-se pateticamente, bem entendido). Estou seco para ler a coluna de amanhã para ver o que a colunista do Globo diz do fato de Tio Sam ter se tornado sócio de bancos e de o mercado ter adorado isso.

Marcadores: ,


10.10.08

 

Torcedora


   Dei com os olhos na coluna da Dona Míriam hoje. Recomendo a leitura. É hilariante.
 
   A colunista do Globo parece um daqueles membros de torcida organizada que, depois de anos freqüentando churrascos bancados por jogadores e técnicos e indo a jogos com ingressos fornecidos pelos diretores do clube, invade o treino para protestar contra o fato de seu time estar caindo para a segunda divisão.
 
   Pensando bem, não é engraçado. É patético.

Marcadores: ,


7.10.08

 

Cabeça de bagre


   Cara, como é ruim esse FHC! O sujeito só aparece na podre! Quando as coisas estão boas, ele não dá palpite, mas quando a situação fica estranha, ele aparece e deita falação, sempre procurando atingir o Nove-Dedos. Resultados:

      1. Aparece como quem torce contra;
      2. Aparece como invejoso do sucesso do N-D
      2. Dá ao N-D a oportunidade de bater boca com ele e desviar o foco do problema.

   E eu pensando que ele era ruim só como presidente...

Marcadores:


6.10.08

 

O tempo, esse escultor de ruínas


   William Bonner e Alexandre Garcia apresentavam os resultados da boca de urna, quando chegou a vez de Salvador. O levantamento não deixava dúvidas: João Henrique e Walter Pinheiro iriam ao segundo turno e ACMezinho ficara de fora. Aí aconteceu um momento significativo - pelo menos para mim, que acompanho a política brasileira há 30 anos. Garcia tentou dar esperanças aos outros carlistas, dizendo que ainda havia chance de ACMezinho disputar em 26 de outubro. Bonner, porém, foi cruel, embora de maneira polida - interrompeu o colega e lembrou que a distância porcentual era tão grande que não estava na margem de erro. Garcia calou-se. Aí é que notei: como ele está velhinho! Confesso: fiquei com pena de Alexandre. Não devia, eu sei, pelo histórico de mau-caratismo dele, mas fiquei.

Marcadores:


24.7.08

 

Currais históricos


   Os currrais eleitorais não são novidade no Rio. Quem é pouquinha coisa mais velho, lembra de como era organizado o esquema político de Antônio de Pádua Chagas Freitas, que mandou na Cidade Maravilhosa durante a década de 70. No chaguismo, era terminantemente proibido um candidato do grupo invadir o território do outro. A punição pelo desrespeito à norma era a retirada do apoio do cacique, mas houve casos de punições bem mais duras, algumas, dizem, letais. Mais sobre Chagas Freitas aqui.

Marcadores:


This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Assinar Postagens [Atom]