Picadinho diário de jornalismo e mídia em geral. Na Rede desde 1996
1.6.09
Nada surpreendente
Não foi exatamente uma surpresa do fim da Gazeta Mercantil, certo? O jornal já estava em agonia há mais de dez anos, fruto, primeiro de erros estratégicos dos Levy, depois somados à incompetência gerencial de Nelson Tanure. Triste, sem dúvida, mas nada surpreendente.
Comentador do post abaixo dá boa dica de leitura em espanhol (aqui). E faço um adendo: os problemas apontados pela pesquisa que gerou a matéria tendem a agravar-se numa época de crise como a que passamos.
Os grandes jornais tanto deram notícias de que o mundo ia acabar por causa da crise, que sofreram o efeito bumerangue - a vendagem teve maior queda dessa década para seis dos 20 maiores. Leia aqui, ao som de Recession Blues, de B.B. King, um oferecimento de Pavuna '73, sua rádio favorita na internet (bom, pelo menos é a minha...)
Lembra aquele post sobre a presença de consultores da Booz-Allen nas cercanias da Irineu Marinho? (Não lembra? Refresque a memória aqui).Pois lembrei dele logo que li a manchete do Globo de hoje.
Uma mudança significativa poderá ocorrer se realmente o controle de frequência for adotado nas redações, como desejam os jornalistas que compareceram à assembléia do Sind, no dia 19 (aqui a notícia). Significativa porque marcaria uma mudança de mentalidade da categoria, cuja idéia a respeito do seu trabalho tem sido, tradicionalmente, a de que este é intelectual e, portanto, acima dessa coisa operária de marcar ponto.
Uma historinha para ver como os jornalistas viam (veem?) sua profissão.
No início dos 90, a comissão de redação do JB, da qual fazia parte, negociou com a empresa a realização de um plebiscito sobre a adoção do controle de frequência, usando o cartão de ponto. Achávamos que a aprovação seria tranquila, mas eis que, urnas abertas, veio o choque: derrota da proposta por larga margem. Tontos ainda, fomos averiguar como havíamos perdido e constatamos - pasmos - que a derrota ocorrera na Geral, chamada internamente de "Zona Oeste" por ter o maior número de profissionais, que trabalhavam mais tempo e recebeiam menos. Conversando aqui e ali, descobrimos que a maior parte dos jornalistas que votaram contra o controle o fizeram para não sentirem-se iguais a peões de obra.
Assim, a adoção do controle de frequencia pode significar que, finalmente, os jornalistas descobriram o óbvio: que são trabalhadores como outros quaisquer.
O título do post é o de um livro da professora Cremilda Medina. Esse texto, cuja publicação mereceu alto de página no Globo neste semana, discute a necessidade que têm os jornais e revistas de cobrarem pelas notícias e análises que põem na internet. É uma discussão interessante. O autor defende uma "volta ao básico" - as publicações passariam a pensar no interesse de seus leitores (em vez de nos dos anunciantes) e eles renovariam seu interesse em pagar por essa atitude.
O problema básico da tese é que o mundo em que vivemos - e, consequentemente, a nossa vida - fragmentou-se tanto que qualquer veículo teria (tem)tremenda dificuldade de cobrir os pontos de real interesse de seus leitores. Seria muita notícia e, como perguntou Caetano há 30 anos, quem as leria (lê)? E se você não sabe responder a essa pergunta (que atualmente talvez nem tenha mesmo uma resposta), não saberá também responder às indagações seguintes: "quem tem interesse em pagar?" e "quanto?"
Obrigado ao Alto Conselheiro que mandou a colaboração.
A Record está se metendo a besta e ganhando as concorrências por eventos esportivos na América Latina. A manobra ousada bate de frente com vários grupos de mídia da região. O golpe foi acusado, como demonstram as duas páginas atacando a Universal que sairam hoje no Globo, com a assinatura do tal Grupo de Diários da América (GDA), uma aliança entre alguns dos maiores grupos de mídia da AL. É briga de dez (ou mais) contra um.
A Globo está virando freguesa da Record quando se trata de disputas por direitos de de transmissão de eventos olímpicos. Depois de derrotar os Marinho em 2010 (Jogos Olímpicos de Inverno), 2011 (Pan)e 2012 (Jogos de Verão), Edir Macedo obteve ontem os direitos sobre o Pan de 2015 e não só para TV, mas para todas as mídais e em todos os países, com exceção do país-sede (ainda não definido).
Um sempre atentíssimo Alto Conselheiro envia matéria do NYT dando conta da briga entre a Associated Press e seus associados nos EUA pelo bolo de dinheiro da mídia, que vem murchando há tempos e agora pode solar de vez. Leia aqui.
O rádio completa 86 anos no Brasil e está bem de vida. Pelo menos é o que mostra a pesquisa realizada pelo FGV sob encomenda da Abert. Ela apontou, por exemplo, que o veículo fatrurou, em 2007, mais de R$ 1,6 bilhão. Leia mais.
Uma série no Brasil e uma iniciativa global dão bem a dimensão do desespero que está tomando conta dos jornais. A iniciativa é aquela campanha institucional internacinal do meio sacaneando a internet. Tirar onda com a filha dileta da geração que já te despreza é um tiro no pé que nem a PM carioca daria. E se fazer de vítima global do Leviatã estatal como quis mostrar a série do Globo sobre liberdade de imprensa é coisa de bebê chorão, de quem não tem força para se afirmar e fica culpando os outros pelos seus próprios erros.
Quando se pensa que todo mundo já deu pitaco no PL 29, eis que um grupo que reúne Record, Abril, Band e produtores independentes envia nova proposta do relator Jorge Bittar. Leia aqui.
Por falar em TV, o Conar acolheu representação do Congresso Brasileiro de Cinema contra aquela campanha da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) em que se dizia que a aprovação do PL 29 cassaria o direito dos telespectadores decidirem sobre o que vêem na TV paga. O CBC argumentou que hoje, com a venda de pacotes fechados por partes das operadoras, o assinante não decide livremente o que quer ver, pode apenas escolher o pacote de canais.
Há boas chances que, enfim, seja votado o PL 29, que modifica a legislação sobre TV por assinatura e o mercado audiovisual. A briga é grande entre a Globo, de um lado, e Band, Abril e produtores independentes de outro. A sessão de hoje da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTI), que começa Às 10h, promete ser loooonga.
No Livro 1 do Capital (de passagem) e no 3 (mais esmiuçado): no capitalismo, a tendência à monopolização é irresistível. Mais uma prova da verdade do modo do produção que vivemos deve vir à luz em breve: o Infoglobo está para comprar o Estado de São Paulo.
O pool de bancos que há uns três anos administra o tradicionalíssimo jornal dos Mesquita jogou a toalha e desistiu de dar ter lucro com a operação. Daí botou o jornal no prego. Abril, Infoglobo e o grupo do jornal Supernotícias, de BH, se interessaram. Fora pra mesa e só quem mostrou cacife até agora foram os Marinho.
Saindo o negócio, duas vítimas já aparecem de primeira - o leitor, cada vez mais tolhido em sua possibilidade de múltiplas visões; o Grupo Folha, que passará a viver dentro de um torniquete empresarial, a não ser que se associe à Abril.
Em julho, o Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) divulgará mais um levantamento do projeto "Donos da Mídia" que há anos a ONG vem realizando. Nesse momento, virá a público o aprofundamento da pesquisa, lançada em 2004, e que enfocava os senadores, abrangendo, dessa vez, também os deputados. Uma palinha do levantamento você ler aqui.
Ameaçando o relator Jorge Bittar (PT-RJ) co m um motim, no qual pediriam verificação de quórum, os deputados do PSDB conseguiram impedir que seja votado amanhã o substitutivo do parlamentar carioca sobre o PL 29, que muda os conceitos e os parâmetros da TV paga. Os tucanos afirmam que querem um maior debate do tema, mas o objetivo real é bem outro: empurrar a votação na omissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) com a barriga até junho, quando, todo mundo sabe, acaba o ano político e nada mais será votado.
Um doce para quem adivinhar a quem essa estratégia beneficia.
Anos atrás, sugeri que os jornais brasileiros fixassem correspondentes na China, pois este país tendia a ser um parceiro comercial muito importante para nós e, por isso, seria objeto de curiosidade aqui. Meses depois, O Globo enviou o Gilberto Scofield, que vem, desde então, enviado ótimas matérias de lá. O jornal dos Marinho foi além e hoje mantém a competente Florência Costa na Índia, outro país do grupo Bric (o último, a Rússia, está coberta pela boa Vivian Oswald).
Agora sugiro que O Globo e outros jornais apostem na América do Sul. Hoje, há um repórter, em geral baseado em Buenos Aires, cobrindo o subcontinente inteiro. Creio que é hora de avançar na região, pondo mais dois correspondentes - um baseado em Lima ou La Paz, cobriria Peru, Bolívia e Equador; outro, localizado em Bogotá ou Caracas, atuaria na Colômbia, na Venezuela e nos outros pequenos países da chamada Calha Norte. O correspondente de Buenos Aires continuaria cobrindo Argentina, Uruguai, Chile e, talvez, Paraguai. A dúvida quanto a este é que poderia ser coberto com reforço na sucursal de Curitiba ou por um correspondente baseado em Campo Grande.
Na terça-feira, foi realizada uma Comissão Geral da Câmara sobre o PL-29. Comissão Geral é quando o assunto a ser tratado po uma comissão específica é levado ao plenário por ser do interesse muitos grupos. Veja abaixo a opinião de cada grupo de interesse sobre o PL-29, que o seu relator, Jorge Bittar (PT-RJ), que ver votado dia 29 (terça) de qualquer jeito:
Jorge Bittar (PT-RJ) apresentou hoje o seu substitutivo ao PL 29, que deve ser debatido já a partir de quarta na Comissão de Comunicação da Câmara. Agora é que começa mesmo a guerra em torno do projeto. Promete ser encarniçada e sem quartel, principalmente no que concerne à questão do estabelecimento de cotas para a produção nacional e da permissão das teles entrarem na produção do conteúdo audiovisual. A íntegra do substitutivo do deputado petista você pode ler aqui.
O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) promete para amanhã dar a conhecer o substitutivo do PL_29, que trata do conteúdo das TVs pagas. Pelo que previsto, o PL deverá ser votado na Comissão de Ciência e Tecnologia, na quarta (9). O parlamentar promete definir melhor as questões das cotas (duração, percentual, produção independente) e do que é produtora independente. Agora será a hora de ver quem tem garrafas vazias para vender, como dizia vovó Sinhá.
Essa história que o Nassif conta daria um tremendo roteiro de thriller de ação. Não poderia ser rodado aqui (e talvez nem exibido), por motivos que se entenderá ao ler a matéria, mas quem sabe nos EUA?
Outra da Estrela da Morte. Amanhã, Nove-Dedos deve sancionar a lei que cria a TV Pública. Com um veto: do artigo posto no projeto pelo relator Walter Pinheiro (PT-BA) que determinava que se uma emissora comprasse um evento esportivo, mas decidisse não transmiti-lo, teria que repassar o direito de transmissão para a TVP. Adivinha quem é useira e vezeira em usar desse expediente para impedir o avanço da concorrência nessa mina de ouro publicitária que é o esporte?
Malandra como ela só, a Globo fingiu que tinha aceitado um acordo com o Jorge Bittar, relator do PL 29, sobre a questão das cotas para TV paga. Com isso, ganhou tempo e, agora que, na prática, faltam dois meses para se encerrar o ano legilativo de 2008, ela voltou atrás, praticamente inviabilizando a discussão da matéria este ano. Leia aqui.
Divertidíssimo esse tiroteio entre rapazes de chapéu preto que põe, de um lado, Paulo Henrique Amorim e, de outro, Lauro Jardim, Leonardo Attuch e Diogo Mainardi. Leia aqui o que o C-se conta.
O mais hilário é que, enquanto as figuras trocam tiros, os barões que os bancam se acertam, embolsam nota preta e vão comemorar juntos tomando legítimo escocês. Muito, muito, muito engraçado!
Demorou 11 anos, mas, finalmente, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça chegou à conclusão óbvia: a cláusula que permite à Rede Globo cobrir uma proposta melhor de outra emissora para ter a exclusividade de transmitir o Brasileirão - a chamada de "cláusula de preferência" - é lesiva à concorrência. Agora, o assunto volta ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), onde começou, em 1997. Leia aqui.
Essa saiu faz quase um mês, mas como não vi em nenhum lugar...
Semanais em queda, Carta Capital foi a unica a subir, diz Marplan 08:56 Uma pesquisa do instituto Marplan tornada publica na semana passada indica queda no numero de leitores na maioria das semanais. Na Veja, o recuo foi de 9%, na Exame, de 7%. As baixas foram mais expressivas na Época (-15%), Istoé (-18%) e Istoé Dinheiro (-34%). Segundo a pesquisa, apenas a Carta Capital subiu, a alta foi de 15%. O levantamento refere o periodo de outubro de 2006 a setembro de 2007. 11/02 Blue Bus
O PT e o PSDB estão em pé de guerra. Ok, eles estão sempre, mas dessa vez o prêmio é alto: a presidência Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação da Câmara.
Decepcionado (a)? Não devia. Em 2008, essa cadeira valerá ouro, que pode se transmutar em votos. É que este ano vencem a concessão de nada mais, nada menos que da Tv Globo. E não só dela - da Record, do SBT e da Band também. Os processos já começaram e estão na Casa Civil para serem enviados ao Congresso. Deputados dos dois partidos estão se engalfinhando na surdina porque acreditam que quem estiver mandando na CCTCC vai trer um trunfo e tanto nas mãos num ano eleitoral. Na verdade, não é tão automático assim, mas claro que se o jogador trabalhar bem, a carta terá valia realmente.
A disputa devia ter terminado hoje, mas a briga ganhou outros contendores, com o DEM entrando do lado dos tucanos e o PMDB do lado dos petistas. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), quer acabar hoje com o problema, mas nada garante que conseguirá.
A Igreja Universal está em negociando para juntar uma pérola ao iniciante colar de jornais. Os pastores vêm, há cerca de um mês, em tratativas para adquirir O Dia, que se juntaria ao tradicional Correio do Povo, de Porto Alegre, arrrematado há coisa de um ano. Há também conversas para comprar O Povo. A idéia seria manter O Povo como está - escorrendo sangue - e fazer d'O Dia um jornal de opinião. Este último projeto, não custa lembrar, foi também do falecido dono do jornal da Rua do Riachuelo, Ary Carvalho, e não deu certo. Assim, ficamos sabendo qual é o real motivo da brigalhada entre O Globo e a Iurd. Não me admiraria nada que a Universal esteja também caraminholas na cabeça com relação a São Paulo.
Chego nessa como aquele inútil cabeça-de-área do Flusão - atrasado e mal -, até porque o Nove-Dedos falou do caso anteontem, mas vai assim mesmo: a IURD está na dela ao processar os jornais. Leia mais aqui, na Pensata.
Pesquisa mostra que 25% dos coleguinhas americanos querem largar a profissão. Os principais motivos para desilusão são os baixos salários, as ?longas e indesejáveis? jornadas de trabalho e o estresse. Deve ser horrível ser jornalista num país em que as empresas fazem isso com seus profissionais...
Leia mais aqui e veja a pesquisa inteira aqui (em inglês).
Nem os norte-americanos acreditam que a tal "mão invisível do mercado" sabe o que está fazendo. Leia aqui. Agora, acho que falta somente os coleguinhas de economia aqui do Bananão (especialmente os colunistas) se convencerem do fato.
Depois de ter permitido a compra da TVA pela Telefonica, a Anatel mudou de posição e deu sua anuência à compra da Way TV, de Belo Horizonte, pela Oi. Não custa lembrar que a telecom começou sua ainda incipiente rede de rádio por BH e é isso que dá um medo danado aos radiodifusores, especialmente às Organizações Globo. Leia mais sobre a decisão da Anatel aqui.
A Conferência Nacional Preparatória de Comunicações, que terminou ontem, em Brasília, foi um tremendo barata-voa:
- Hélio Costa propôs que a Conferência sobre Comunicação de verdade fosse adiada para 2008 (pelo menos) para que se pudesse fazer encontros preparatórios regionais. Pois não é a mesma proposta do Coletivo Intervozes?
O Intervozes, porém, exige a ampla presença da sociedade nos encontros regionais, o que Costa, claro, não mencionou em sua proposta.
- Deputados como Walter Pinheiro (PT-BA), Jorge Bittar (PT-RJ) e Paulo Bornhausem (DEM-SC) pularam nas tamancas contra a proposta ministerial. Nas mesmas tamancas subiram as telecoms, desconfiadíssimas que a idéia de Costa seja mais uma jogada dele para ajudar seus patrões da Rede Globo. Todos querem Conferência já.
- Essa, acompanhada por todos os radiodifusores, por sua vez, deu um pau no Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) que propôs a criação de uma rede pública sobre a qual trafegariam os conteúdos. Os barões não querem que se mude um tal de "sistema federativo", que é o atual, no qual, obviamente, eles mandam e desmandam.
- Já a Rede Bandeirantes baixou o cacete na Globo e o poder que ela tem na TV paga por ser sócia ao mesmo tempo da Sky e da Net e ainda por cima da única programadora que realmente pode ser chamada por esse nome (a Globosat).
- A Band e a Globo, porém, concordam em discordar do Intervozes e do FNDC que desejam a regionalização das produções a serem exibidas no vídeo. Afirma que isso é inviável devido à pobreza dos mercados fora do eixo Via Dutra.
- Os radiodifusores também concordam em defender uma cota mínima de 50% de conteúdo nacional nos vídeos, proposta atacada pelas telecoms.
- Os radiodifusores, no entanto, brigam entre si porque os de TV aberta querem acabar com o "must carry" deve acabar. "Must carry" é a determinação da lei do Cabo que obriga as tevês a cabo (mas não via MMDS ou DTH) a entregarem os canais de TV aberta da região. Como é uma obrigação legal, os canais a cabo nada pagam aos "abertos". Estes, então, querem acabar com a obrigação e impedir que ela se estenda às outras tecnologias para poderem cobrar o sinal dos "
Por aí vai.
Enquanto isso, como se pode ver nos posts abaixo, o chão de move.
Por falar em TV na internet, lembra do Joost, aquela nova jogada dos cybervikings Zennström & Friis ? Pois ela está chegando ao Brasil. Pelo menos a empresa Elo Audiovisual já está vendendo anúncios para a nova plataforma, cujo lançamento oficial será mês que vem. E os caras já vão avisando: o Brasil é mercado prioritário. A Elo você pode conhecer aquie o Joost aqui (vale a pena).
...querido pai", diria o Bóbi Filho se o Bibo Pai fosse um cachorro como Tanure (quer dizer, o Bibo Pai e Bóbi Filho eram cachorrinhos mesmo, já o Tanure...Bem, este tem forma humanóide). Mas certamente o gente-boa Bibo Pai nunca seria ameaçado de despejo da casinha onde morava com o filhote por falta de pagamento, como é o caso da TV JB, segundo nota do Blue Bus:
TV JB está ameaçada de despejo pela produtora do Gugu, nota no Daniel 09:13 A TV JB, que há uma semana perdeu o sinal da CNT, anterior aqui, pode ficar sem os estúdios que utiliza em Sao Paulo. Nota do Daniel Castro, diz que a produtora GGP, do Gugu Liberato, alugou para a emissora suas instalaçoes em Alphaville, na Grande Sao Paulo, mas entrou com ação de despejo.
Na boa, esse Nélson Tanure é muito ruim de roda. Não consegue nem ser escroque direito. Esse caso da TV JB é ridículo. Agora não será vista pelos canais UHF 45 (Grande Sampa), 34 (Rio), 13 (BSB) e 17 (BH), sem contar, é claro, os poderosos 59 (Cotia) e 45 (o de Itapecirica da Serra).
As Organizações Globo estão ficando realmente estressadas nesse tempos de convergência e aumento da concorrências em todos os campos da comunicação. Agora, sobrou para as programadoras estrangeiras. Leia aqui.
O apoio a ser dado à CPI da TVA/Telefônica pelo Império ganhou força com o acerto entre a Globosat e a Telefônica para a venda dos produtos da programadora às operações de DTH da telecom. As OG não tiveram como escapar do cerco porque há uma resolução da Anatel, baseada no Cade, de que ela teria que vender os canais da programadora para as empresas que quisessem, cobrando o mesmo que cobra para Sky e a NET. Aproveitando uma omissão da resolução, porém, o Império conseguiu excluir a TVA do pacote. Mas se sabe que isso é apenas um paliativo, que apenas retardaria o inevitável - a entrada de um forte concorrente na praça hoje totalmente dominada pelas OG.
A não ser que os deputados pressionem pelo cancelamento do negócio TVA/Telefônica.
Apesar de as denúncias terem sido feitas pelo indigitado Renan Calheiros, as Organizações Globo devem apoiar, com a discrição devida, a abertura de CPI sobre a compra da TVA, empresa do Grupo Abril, pela Telefônica. É que a existência dessa CPI interessa ao Império, pois a compra da TVA pela telecom espanhola começa a transformar em realidade o maior pesadelo das OG: a entrada das riquíssimas empresas de telecomunicações gringas no mercado de produção e distribuição de conteúdo por tevês pagas.
Hoje, só as OG, dos grupos de produtores de conteúdo, estão nesse mercado, via associação com Telmex (NET) e Sky (News Corp). O medo é que passando o boi, passe a boiada, e as telecoms, incluindo a hoje parceira mexicana, estacionem suas carretas cheias de dólares e euros na porta de concorrentes e/ou produtores independentes e passem a produzir conteúdo e concorrer na compra de direitos internacionais de eventos, especialmente os esportivos, elevando muito os custos da Rede Globo, a vaca leiteira do grupo dos Marinho.
Longa e triste (para quem gosta de jornalismo. Para quem não gosta é bacana) sobre a decadência dos jornais norte-americanos, enviada por Nobre Conselheiro. Provoca algumas reflexões sobre o que acontece no Bananão também, mas com um importante diferença: lá, antigamente, os jornais se davam ao respeito; aqui isso jamais ocorreu. Leia aqui.
Os donos de jornais, em suas reuniões ao redor do mundo, desmentem, mas a cada dia as negativas caem no ridículo: as verbas publicitárias estão migrando do papel para a web. Leia aqui.
Também fora da tevê as coisas andam mudando. Hoje de manhã, enquanto esperava o ônibus, um anúncio na Rádio Tupi me chamou a atenção. Era da Veja. Quem diria, há pouco tempo, que a "maior revista do Brasil" iria anunciar no horário nobre de um veículo cuja grande força se concentra nas classes C e D?
O professor Venício A. de Lima escreve sobre o estranho semestre que acaba de terminar, no qual foram detectados sinais de vida na paz de cemitério que sempre caracterizou o setor de comunicação no Bananão. Leia aqui.
Uma tremendamente didática matéria do New York Times sobre os negócios de Rupert Murdoch na China demonstra porque os barões da mídia tupiniquins se borram todos quando se fala em abrir o mercado de comunicação no Bananão - uma contradição no discurso tão liberal dos donos das empresas de comunicação daqui. E a uma resposta da News Corp à New York Corp. sobre a reportagem também é bem bacana. Leia aqui (e obrigado ao atento conselheir o que mandou a dica)
Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás, prefacia o livro de Isabel Travancas, coleguinhas por formação e antropóloga por vocação e estudo, sobre os jovens e o Jornal Nacional. Leia aqui.
Atento conselheiro me enviou essa que saiu no Blue Bus:
Gratuitos representam 8% da circulaçao de jornais em todo o mundo 10:40 O jornais gratuitos sao responsaveis atualmente por 8% de toda a circulaçao de jornais no planeta. Considerando apenas a Europa, este percentual sobe para 31,9%. As informaçoes sao da pesquisa World Press Trends, divulgada hoje na Cidade do Cabo, durante o 60o Congresso Mundial de Jornais, anterior aqui. Detalha que sao 278 jornais gratuitos em todo o mundo, com circulaçao combinada de 40,7 milhoes de exemplares por dia, aumento de 55% em 1 ano. Os 5 maiores gratuitos sao Metro, na Inglaterra (1,13 milhao de exemplares), Leggo, na Italia (1,05 milhao), 20 Minutos (997 mil), Que! (970 mil) e ADN (914 mil), os 3 ultimos na Espanha. 04/06 Blue Bus
Na boa, se tevê, que é caro pacas para se produzir, vive só de publicidade, por que jornal não pode?
Segundo o coleguinha Carlos Eduardo Zanatta, a revista especializada Tela Viva, que cobriu o Fórum Nacional da TV Pública realizado semana passada em Brasília, o manifesto "Carta de Brasília", resultado do que foi discutido durante quatro dias, pode ser resumido assim:
Afirmação de uma consciência de que para trilhar o caminho da democracia com igualdade e justiça social, o Brasil precisa de tevês públicas independentes, democráticas e apartidárias.
A TV pública promove a formação crítica do indivíduo para o exercício da cidadania e da democracia; deve ser a expressão maior das diversidades de gênero étnico, racial, cultural e social brasileiras, promovendo o diálogo entre as múltiplas identidades do país; deve ser instrumento de universalização do direito à informação, à comunicação, à educação e à cultura bem como dos outros direitos humanos e sociais; deve estar ao alcance de todos os cidadãos e cidadãs; deve ser independente e autônoma em relação a governos e ao mercando devendo seu financiamento ter origem em fontes múltiplas com a participação significativa de orçamentos públicos e fundos não contingenciáveis; suas diretrizes de gestão, fiscalização e programação devem ser atribuição de órgão colegiado deliberativo representativo da sociedade no qual o estado ou o governo não devem ter maioria; com o compromisso de fomentar a produção independente; sua programação deve contemplar a produção regional; a programação não deve estar orientada exclusivamente por critérios mercadológicos mas não abrir mão de buscar o interesse do maior número possível de telespectadores; considera o cinema brasileiro como um parceiro estratégico para a realização de sua missão; e recebe positivamente a criação e inserção de uma tevê pública organizada pelo governo federal a partir da fusão de duas instituições do campo público, a TVE e a Radiobrás.
Recomenda que a nova rede pública deve ampliar e fortalecer de forma horizontal as redes já existentes; a regulamentação dos artigos 220, 221 e 223 da Constituição Federal; construir novos parâmetros para aferição de audiência e qualidade que contemplem os objetivos para os quais a tevê pública foi criada; a participação decisiva da União em um amplo programa de financiamento voltado para a produção de conteúdos audiovisuais por meio de mecanismos inovadores.
Propõe, em face processo de migração digital, garantir a construção de uma infra-estrutura técnica pública e única que viabilize a integração das plataformas de serviços digitais por meio de um operador de rede.
Considera que a multiprogramação é modelo estratégico para bem realizar a sua missão; deve ser promotora do processo de convergência digital ampliando sua área de atuação com as novas tecnologias de informação e comunicação e promovendo a inclusão; deve se destacar pelo estímulo à produção de conteúdos digitais interativos e inovadores, pelo apoio à continuidade de pesquisa com vistas à produção de software que garanta a interatividade plena; que os canais públicos criados pela lei do cabo devem ser contemplados no processo de migração digital passando a operar em rede aberta terrestre; estar presente em todas as formas de difusão de televisão existentes ou a serem criadas; trabalhar em conjunto com o BNDES para encontrar mecanismos de financiamento por meio do Fundo Social do banco de fomento para a migração digital das tevês públicas; fomentar o debate sobre a questão da propriedade intelectual no universo digital buscando ampliar os mecanismos de compartilhamento do conhecimento.