10.6.09

 

Filosofice


   O filósofo (todo professor de filosofia vira filósofo nos jornais) Roberto Romano,da Unicamp, afirmou hoje, em entrevista a O Globo, que a Petrobras, com seu blog, está perpetrando "terrorismo de estado".

   Ok...Vamos ver se entendi...Ao publicar as perguntas dos jornalistas e suas respostas, a empresa está fazendo algo comparável ao que Israel faz com os palestinos - invadindo casas, agredindo, sequestrando e matando. Então tá...

   É esse tipo de exagero que faz com que os jornais - e outros veículos - percam o respeito da sociedade e vejam suas teses e matérias não serem levadas a sério. Até mesmo o prinicipal objetivo da matéria, ser uma saída honrosa, acabou prejudicado com o delírio conceitual do tal professor.

   Uma coisa boa, porém, Romano falou - aconselhou os jornais a continuarem ouvindo o outro lado. Pois, pelo que se depreende de uma das perguntas, algum "jêniu" já tinha pensado em só ouvir a Petrobras depois de as matérias serem publicadas. Aí é que a vaca atolaria de vez no brejo, pois provaria a principal tese da companhia, a de que a imprensa manipula as informações.

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9.6.09

 

O mundo de ponta-cabeça


   "Esse mundo está virado!", exclamava minha amada vozinha Sinhá, que morreu em 89 aos 92 anos, surpreendendo-se com as mudanças de um mundo que não conseguia compreender. Me lembrei muito dela e de seu pasmo neste imbroglio Petrobras x jornais. Quem diria que empresas de comunicação defenderiam a censura ao fluxo de informação para o público?

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Recordar é viver


   Essa confusão me fez lembrar de algo que ocorreu com a Coleguinhas há anos.

   Lá por 98 ou 99, O Globo mandou pra rua uma galera que fazia os tijolinhos. A versão oficial é de que eles estavam cometendo muitos erros e as queixas dos leitores se avolumavam. Realmente, os colegas erraram, mas não dessa maneira. A falha deles foi cortar a peça de uma amiga do Merval Pereira daquela lista "O Globo indica" que vem no roteiro cultural. Contei essa versão na Coleguinhas.

   Pra quê? O Ali Kamel escreveu um catilinária contra mim e o site (não era blog na época) e me mandou. Obviamente publiquei e rebati. Resultado? Os acessos a Coleguinhas triplicaram e a polêmica foi republicada até em Parnamaribo, creio. Tudo isso num tempo em que a internet no Brasil não era nem sombra do que é hoje. Na época, um amigo me zoou: "Isso é armação sua com o Ali! Com esse monte de acessos, você vai arrumar uns investidores e ele vai ser seu diretor de marketing!", acusou-me, gaiato.

   É, o tempo passou, mas neguinho não aprendeu nada com ele.

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O mundo gira, a Lusitana roda


   Os barões da mídia evitaram que existisse um conselho federal de jornalismo e, depois, derrubaram a Lei de Imprensa. Criaram um vácuo legal que agora se volta contra eles. Justiça cósmica.

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Ética? Que ética?


   Os jornais falam que a Petrobras está sendo anti-ética ao abrir as perguntas dos jornalistas e suas respostas no blog. Tem um problema com essa tese - ela não apresenta o menor amparo. A ética profissional é consubtanciada em um código escrito que define direitos, deveres, prerrogativas e punições para membros de uma categoria profissional. No Brasil, definir e defender (inclusive com poder de polícia) esse tipo de código é privilégio de conselhos ou ordens profissionais. Ora, como sabemos, jornalismo é das poucas - se não for a única - categoria profissional de nível superior que não tem ordem ou conselho. Assim, não pode ter código de ética, como realmente não tem. Ou seja, os donos de jornais podem bradar à vontade em nome da ética, pois estarão gritando palavras sem sentido.

   O quê? O Código de Ética da Fenaj? Bem, o que a Fenaj pode fazer caso um jornalista fira esse código? No máximo, sacudir o dedo indicador e dizer: "Menino mau! Feio!" (se for menina, é só mudar o gênero). Tirar o registro ou mesmo publicar aquelas advertências públicas, como fazem os conselhos, nem pensar.

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Desastre escrito


   Como disse um comentador, a nota da ANJ acusando a Petrobras de atentar contra a liberdade de imprensa por criar um blog é constrangedora. No entanto, ficou em segundo lugar no quesito mico - perdeu para o editorial do Globo. Nem parece um texto escrito por gente tão experiente como os editorialistas do jornal. Confuso, apenas uma colagem de parágrafos sem nexo, é um desastre que teve seu ponto mais baixo na afirmação de que as perguntas feitas por um jornalista são propriedade deste e do veículo que o emprega. Nem a nossa draconiana lei de direitos autorais (a 9610/98), que só perde em rigor para as de países do Leste Europeu como Letônia e Croácia, considera que pergunta tem copyright.

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23.5.09

 

Morto muito louco


   Ok, a velocidade do jornalismo da internet provoca muitos erros. Mas - caramba! - precisa insistir na bobagem? Na imagem abaixo, está a notícia sobre o lançamento do filme de Terry Gilliam durante a realização do qual Heath "O Coringa" Ledger morreu. Na título, tudo bem, mas, no primeiro parágrafo, está lá que o filme traz "uma atuação póstuma" de Ledger:



   Para mim, o pior mesmo, porém, é o desleixo. Quem seguir o link (aqui) verá que há um monte de comentários sacaneando a besteira. E neguinho, nem te ligo: a bobagem está lá no momento em que mando ver essas mal-digitadas, quase 24 horas depois da publicação (às 11h03min)

   Um dos comentários, aliás, lembra bem: a única atuação que pode ser chamada de póstuma é a de Terry Kiser no clássico de humor negro "Um morto muito louco", de 1989.

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18.5.09

 

Pega eu que eu sou ladrão!


   Alto Conselheiro ficou perplexo com essa notinha que saiu em O Dia on line, às 12h56:

      Tiroteio leva pânico ao Rio Comprido após tentativa de assalto

      Rio - Uma patrulha do 1º BPM (Estácio) surpreendeu, na manhã desta segunda-feira, dois bandidos tentando roubar um motociclista na Avenida Paulo de Frontin, esquina com a Rua João Paulo I, no Rio Comprido, para roubar sua moto.

      Ao serem abordados, os bandidos reagiram e atiraram nos soldados, que revidaram. Houve pânico no local, de grande movimento. Um dos bandidos, que estava armado, conseguiu ser capturado e preso. O comparsa fugiu. O marginal foi sendo levado para a 6ª DP, na Cidade Nova.


   "É a primeira vez que vejo bandido se esforçar para ser preso...", espantou-se o Conselheiro.

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