30.1.07

 

A batata assa


   Coleguinha atentíssimo mandou essa, publicada no Blue Bus:

      Para estudantes dos EUA, jornais sao como discos de vinil 09:44 Os jornais perderam espaço como fonte de informaçao nas escolas americanas, junto aos professores e alunos. É o que diz uma pesquisa realizada pela Carnegie-Knight Task Force. O estudo ouviu 1,262 professores e indica que 57% deles recorrem com frequencia nas salas de aula a fontes de informaçao na web, sites de noticias nacionais e internacionais. 31% usam as redes de TV e 28% os jornais diários. Quando perguntados sobre o papel dos jornais como fonte de informaçao para os alunos, 75% dos professores colocaram os diários impressos em ultimo lugar. "Os alunos nao se relacionam mais com os jornais, nao mais do que se relacionariam com discos de vinil" - comparou um dos professores entrevistados. Noticia da Reuters.

   E depois os editores de jornais analógicos, em suas reuniões, ficam dizendo que suas publicações nunca estiveram melhor, vendendo como água e faturando os tubos em publicidade.

   A quem eles pensam que enganam?

 

Era só o que faltava...


   O Dia vai processar o Lauro Jardim, da Veja, por ele ter publicado na coluna Radar que o jornal iria ser vendido para Nelson Tanure ou por igrejas evangélicas.

   Não gosto do Lauro - acho-o arrogante e preconceituoso -, mas, catzo!, uma empresa editora de jornal - repetindo, editora de jornal - processar um jornalista porque ele publicou uma informação que apurou?! E onde está a liberdade de imprensa, aquela a que todas as empresas de comunicação (incluindo a que edita O Dia) sempre recorrem quando são processadas?

   Eu, hein!

26.1.07

 

Independência ou...


   Os veículos de comunicação sempre fazem coro com analistas e empresários quando eles clamam pela independência do Banco Central do governo. Mas quando o BC exerce essa independência de fato e, por exemplo, não diminui os juros na velocidade que eles (e o governo) querem, o BC é atacado. Quer dizer que o BC pode ser livre do governo, mas deve ser dirigido pelo empresariado? Mais ainda?!

 

Resposta olímpica


   Colega que sabe das mumunhas informa que a Rede Globo chama do Pan do Rio 2007 de Pan do Brasil por temor de que os paulistas fiquem com ciúmes e não queiram ver as competições. Como São Paulo tem o primeiro e o segundo mercados do país...

24.1.07

 

Buraco? Que buraco?


   Coleguinha comenta a incrível miopia da Veja:

      Conforme previsto, nenhuma linha de Mainardi sobre o tema.
      E a capa de Veja, dedicada ao premente tema da zoofilia, ignorou o buraco que quase engoliu o prédio da Abril.
      Será que os assinantes da mais vendida não percebem? Serão todos analfabetos funcionais?
      No Globo, Jabor passou batido (preferiu uma pensata sobre orgasmos eletrônicos).

17.1.07

 

Dúvida olímpica


   Por que raios a Rede Globo chama o Pan do Rio de Pan do Brasil? Não pode ser por ignorância da norma do Comitê Olímpico Internacional que determina que os seus eventos sejam oficialmente ligados às cidades que os sediam e não ao país (motivo: nos Jogos Olímpicos antigos era assim, já que na Grécia as cidades eram estados). Exemplo: Pequim 2008, Londres 2012, Santo Domingo 2003, Caracas 83, Vancouver 2010 (Jogos de Inverno) etc.

15.1.07

 

No buraco e na lama


   Coleguinha corrige uma omissão minha:

      Caro,

      Como você não tocou no assunto... Imagine as manchetes sobre o afundamento da obra do metrô se o governo de SP estivesse há longos anos nas mãos do PT em vez do PSDB? Ou se a obra fosse federal? "Metrô de Lula desaba e mata oito".

      E se o PT governasse Minas? Certamente nossos probos analistas políticos e econômicos juntariam o caso do vazamento de lama ao desabamento do metrô em miríades de analogias sobre "os resultados do aparelhamento do estado" ou "a falta de um choque de gestão" e, claro, lembrar a falta de investimento em infraestrutura.

      Fico aqui imaginando trocadilhos que Jabor e Mainardi cometeriam em cima de "mar de lama" e "Brasil no buraco". Como os dois casos foram em estados governados por tucanos, certamente o tema passará em branco. Afinal, culpa é da mineradora e de uma falha geológica, respectivamente...



14.1.07

 

Perguntinha da semana



   No post abaixo menciono o IPES e o IBAD. O que eram eles?

 

Tirando o chapéu



   Tenho que tirar o chapéu pro pessoal de estratégia das Organizações Globo. Só hoje entendi o real interesse de O Globo entrar com tal ferocidade na campanha pela tal terceira via na eleição da Câmara (e, se não rolar, a do Aldo Rebelo serve). A resposta me foi dada pela coluna do Ilimar Franco de hoje. Nela, o colunista escreve sobre as discussões que existem por aí sobre o nascente fenômeno do lulismo, um movimento social mais do que político-partidário que estaria se criando entre os mais pobres e os futuros ex-pobres (o pessoal do ProUni, por exemplo). Essas pessoas diretamente beneficiadas pelos programas do governo estariam se identificando cada vez mais com o Nove-Dedos, o que, segundo alguns analistas (Marco Aurélio Garcia, do PT, por exemplo), seria uma versão brasileira do peronismo argentino, com a diferença que o lulismo teria um componente partidário forte por conta do PT.

   Bom, nesse contexto, entendo a opção do Globo de tentar a todo custo criar problemas para o governo por meio de um presidente da Câmara hostil. É que assim continuaria o clima de guerrilha parlamentar que consumiria a atenção do governo, desviando-a das metas de desenvolvimento do país. Esse é o objetivo central: impedir que o país cresça nos próximos quatro anos com a concomitante distribuição de renda, pessoal e interregional, como tem ocorrido nos últimos quatro anos. Se isso ocorre, Nove-Dedos sai coberto de glória do Planalto, entra direto na história do país e, pior para as Organizações Globo e o resto da direita, no imaginário da maioria esmagadora da população.

   É, ainda tem na direita que segue a tradição do complexo IPES/IBAD e enxerga longe.


13.1.07

 

Por falar em perda de credbilidade...


   Estou realmente curioso como nossos veículos vão abafar a ligação de Ricardo Noblat com o escândalo de desvio de verbas que envolve o ex-ministro Raul Jungmann e a empresa da mulher do coleguinha.

 

Vai dar, não...


   Aí a gente lê na Lide, a revista do Sindicato do Rio, o prócer principal da redação do Globo dizendo-se tranqüilo com o estapeamento que a imprensa levou de todos os lados após a eleição. "Isso passa", diz ele. É. Que nem as ondas da praia de Atafona (RJ) que sempre voltam para o mar. Só que levam junto a areia.

   Com um dirigente como esse, os veículos realmente têm um futuro negro pela frente.

 

Marido traído - 3


   A matéria do Globo tem como base a nota de FHC atacando o acordo PSDB-PT (repercutida só com aliados do ex-presidente, como o ex-ministro Paulo Renato). Aliás, não me admiraria que a nota tivesse sido uma tabela FHC-Organizações Globo, pois há tempos O Globo faz campanha discreta (para os padrões da casa) pela eleição do sociólogo para a presidência do PSDB.

 

Marido traído - 2



   O Globo resolveu passar recibo da corneada que tomou da bancada tucana na Câmara. A edição de hoje seria vergonhosa, se não fosse tão divertida. Praticamente uma página inteira batendo na decisão dos deputados de apoiarem Arlindo Chinaglia, com direito a artiguete com o tiítulo "Baixo Tucanato". O grupo de José Serra, que está por trás da posição dos tucanos ao lado de Aécio Neves, só tiveram cinco linhas no fim da matéria principal.

12.1.07

 

Por falar em ética...


   Aliás, por falar em jornalista paladino da ética, a empresa de comunicação RRN, acusada de ter se locupletado com as supostas falcatruas de Jungamnn à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário, tem como uma de suas proprietárias Rebeca Scatrut, que vem a ser mulher do coleguinha blogueiro Ricardo Noblat (O RRN são as iniciais dos cônjuges e do sobrenome do mais famoso deles).

 

A falta que faz


   Hilaridade à parte, o destampatório de Merval mostra o quanto faz falta um colunista político de verdade, do tipo do primo do pai da Carla, o mestre Carlos Castello Branco. Castellinho não teria se surpreendido, muito menos se ofendido, com a adesão da ala tucana comandada por Jutahy Magalhães. Afinal, para que existe partido político? Para ganhar e manter o poder. Simplesmente isso. Ora, o PSDB tinha esperanças de derrotar o Nove-Dedos ano passado. Não deu. Mas os tucanos sabem que agora eles são a bola da vez, já que o PT não tem ninguém para substituir Lula, enquanto eles têm José Serra e Aécio Neves. Assim, não interessa a esses dois detonar o Nove-Dedos agora. Melhor é deixar o cara trabalhar em paz e preparar o país para um salto que se dará no governo de quem assumir depois. Quem ganharia na continuação da malhação de Lula seriam o PFL (que está quase sumindo) e a ala não-serrista do PSDB de São Paulo (chefiada por FHC).

   Esse seria o tipo de raciocínio (embora não esse exatamente, talvez) do Castellinho e de outros analistas políticos dignos do nome. Gente como Merval acredita que está investido de um poder profético que infalivelmente sabe o que é certo e dá com os burros n'água. Como mostra, aliás, o fim da coluna de hoje, no qual ele defende os "deputados éticos" do Congresso. Pois Raul Jungmann, um dos líderes do "grupo ético", foi denunciado também ontem pelo MP por desvio de dinheiro público no governo de FHC, mentor do colunista.

   Ô fase, hein, Merval?

 

Marido traído


   Não, não precisa chamar Gil Grissom e seus fantásticos CSIs de Las Vegas. Eu confesso logo: li com enorme prazer a coluna do Merval Pereira de hoje. O texto iracundo me arrancou gargalhadas no café da manhã. A raiva de marido traído do colunista emplumado do Globo com a decisão de boa parte do PSDB de apoiar o candidato do PT à presidência da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, foi hilariante. Ainda mais para quem conhece o passado de Merval, egresso do antigo PCB, partido político que fazia acordos com qualquer um para garantir um cargo.

   A-do-rei! Me deliciei mais do que ler análise de atuações depois que o framengo perde para time pequeno.

10.1.07

 

Explicação do óbvio - 2


   Coleguinha manda comentário sobre o post "Mágica besta", da Coleguinhas, mas que vale para esse aí de baixo:

      E saiu no G1, portal de notícias da Globo, no dia 22/12/2006:

      ----------------------------------------------

      Cuba divulgou nesta sexta-feira (22) que a economia do país cresceu 12,5% este ano, o ritmo mais rápido no hemisfério ocidental, e que o déficit orçamentário continua sob controle apesar de um aumento de 32% nos gastos públicos. (...)

      A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Eclac), da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou este mês que a fórmula cubana ainda está sendo avaliada e é baseada em estimativas do valor de mercado de serviços sociais gratuitos e bens subsidiados, assim como em serviços médicos e de outros produtos exportados principalmente para a Venezuela. (...)

      Cuba alegou ter crescido 11,8% no ano passado, enquanto fontes como a Unidade de Inteligência Econômica e a CIA avaliam que a fórmula aumenta o crescimento entre 3 e 4 pontos percentuais.(...)

      --------------------------------------------------

      Então vamos lá, fazendo as continhas: pelo cálculo mais pessimista da insuspeita CIA, o PIB de Cuba teria crescido 8,5% em 2006.... Alguém publicou isso? E se alguém publicar, tens dúvida que vão dizer que "o afastamento do Fidel já começa a surtir bons efeitos na economia cubana"?


   "Mas por que saiu no site da Globo e não nos outro veículos do Império?", perguntará você. Taí. Não sei. Pode ser pelo fato de que pouca gente lê o site G1, até pelo motivo prosaico de não saber de sua existência.

8.1.07

 

Explicação do óbvio


   Depois os jornais e revistas se perguntam porque estão perdendo circulação e as tevês e rádios audiência...Na boa, qual ser humano razoavelmente inteligente que pode acreditar em quem esconde a notícia abaixo, divulgada com fanfarras na quinta-feira passada, dia 4, no lidíssimo (pelos editores de veículos) sistema Broadcast da Agência Estado?

      Buenos Aires, 4 - A Argentina é o segundo país da América Latina com maior crescimento econômico registrado em 2006, segundo relatório elaborado pelo BBVA Banco Francês e divulgado há pouco. Segundo o estudo, as principais economias latinas cresceram 5,2% no terceiro trimestre de 2006, comparando com o mesmo período do ano anterior. Os países que mostraram um maior dinamismo foram Venezuela (+10,2%), Argentina e Peru (+8,7%) e Colômbia (+7,6%), afirmou o banco.

      Por este motivo, o Serviço de Estudos do BBVA prevê que a economia da América Latina crescerá 4,5% em 2007, enquanto que a inflação se manteria em níveis reduzidos em termos históricos, na casa de 5,3%. Segundo o banco, a região "acelerou seu crescimento na segunda metade de 2006 e poderia fechar o ano com um avanço do PIB da ordem de 5,1%".

      O relatório destacou ainda que, ao longo de 2006, o comportamento da inflação na região "foi positivo", mas ressalta que houve "episódios pontuais devido a fatores estacionais, e a tendência é claramente descendente desde meados de 2005". O BBVA Banco Francês destaca ainda que "a grande maioria de países mostra hoje taxas próprias de países desenvolvidos, com menção especial ao Chile (2,1%) e Peru (1,5%)". (Marina Guimarães)

7.1.07

 

Advogados jornalísticos



   Ainda nas discussões sobre a cobertura pró-Marcão (aqui tomada como exemplo da cobertura parcial) no NIT, sobrou para a assessoria do Marcão, cuja ação detalhei abaixo. Não tenho certeza de que os assessores do jogador cometeram algum desvio ético, caso realmente tenham aconselhado o atleta a fazer agrados às torcidas organizadas. Mas se nos ativermos apenas no lado jornalístico não não cabe, a meu ver, os protestos dos meus amigos nitianos contra a ação da assessoria do Marcão. Minhas razões, expostas em mensagem no grupo, vai abaixo:

       Os assessores são um mal necessário da mesma maneira que os advogados. Como o tal "tribunal da opinão pública" de tornou uma entidade quase real, as instituições, e agora até as pessoas, passaram a necessitar de técnicos que conheçam os códigos da instituição jornalística. O problema é que os coleguinhas de redação simplesmente abdicaram do dever de procurar mais fontes, de contrapor verdades, de procurar vazios nos discursos etc. Preferem deitar na sopa e ficar seguindo pautas pré-fabricadas em vez de pensar com a própria cabeça.

      Esse quadro se agrava com o fato de que, em todos os tempos, redação é dos locais mais emburrecedores do mundo. O coleguinha trabalha 10, 12 horas por dia e mal tem tempo de cuidar da própria vida, quanto mais se informar sobre o que vai fora do mundinho do setor que cobre. Sempre foi mais ou menos assim, como escrevi, mas a diferença é que, antigamente, o cara tinha que pelo menos ir à rua se informar sobre o mundinho. Agora, não. O mundinho vem a ele na forma de releases e pautas, poupando um tempão. E como o ser humano funciona sempre pela lei do menor esforço...

      Em tempo: sou assessor de imprensa. :)




 

Leitor, o culpado de sempre


   A cobertura do "affair" Marcão provocou justa indignação no Núcleo de Inteligência Tricolor, nome um tanto tautológico (se é tricolor é inteligente...) do grupo de discussão de que participo. O NIT é formado, em sua maioria, por jornalistas, mas há músicos, diplomatas, advogados, publicitários...e todos ficaram irritados com a cobertura parcial pró-Marcão. Alguns coleguinhas ainda quiseram defender as edições argumentando que os jornalistas estavam tentando "agradar ao leitor". Minha observação:

       E o gozado é que, ao tentar agradar esse ser mítico, os meios tradicionais vêm, há anos, perdendo gradativamente a participação no mercado e sendo trocados por sites, blogs, etc. E com toda a razão: se o leitor é quem manda em jornais e revistas, então pra quê ter jornalista como intermediário? Ele mesmo produz o conteúdo e publica, ora!

5.1.07

 

Escracho



   Caiu a máscara mesmo. Os coleguinhas finalmente chutaram pro alto aquela bobagem de jornalismo isento e escracharam de vez. Virou um tremendo salve-se-quem-puder. A prova da vez dessa verdade é a cobertura da saída do volante Marcão do elenco do Fluminense.

   Jogador medíocre em seus melhores momentos e completamente decadente há pelo menos dois anos, Marcão tem dois trunfos: um sorriso encantador e uma assessoria de relações públicas muito talentosa. Ensinado pelos assessores, Marcão jamais recusa uma entrevista e nunca perdeu a oportunidade de declarar seu suposto amor ao tricolor.

   Mas a assessoria foi além. Sabendo da força cada vez maior das torcidas organizadas dentro dos clubes, onde agem como se fossem guardas pretorianas de dirigentes em troca de ingressos e outras regalias, os assessores de Marcão passaram a pagar freqüentes churrascos para as torcidas organizadas. Essa iniciativa é do conhecimento de todos os que freqüentam o clube, incluindo aí os repórteres. No entanto, nenhuma linha foi escrita sobre ela nas matérias sobre as manifestações das torcidas organizadas exigindo a permanência do "ídolo" demitido nas Laranjeiras. Em vez disso, tóneis de tinta foram usados e hectares de florestas foram derrubadas para documentar a manifestação espontânea em prol do "jogador-símbolo" do Fluminense.

   Virou zona. Completamente.


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