11.2.07
Catarse inútil
Quase (e põe quase nisso) tão nojenta e covarde quanto o assassinato de menino João está sendo a cobertura do caso. Como sempre, a imprensa joga com a indignação e o horror das pessoas levando-as a uma catarse, com pedidos de leis mais duras - como se a mesma Justiça que não pune com as penas "moles" fosse punir com as "duras" -, diminuição da idade de responsabilidade penal - como se a diferença de 18 para 16 anos fosse diminuir os índices de violência - e outros do tipo, já ouvidos todas as vezes que ocorre um crime muito violento.
O mau serviço que a imprensa faz à sociedade brasileira é repetir e repetir esse ritual catártico que, de tanto ser repetido, leva à letargia. Não há o menor esforço de se oferecer reflexão ampla, procura de causas profundas ou soluções diferentes daquelas de sempre. Busca-se a catarse em vez da "fúria consciente" que realmente muda as bases de uma sociedade.
Bom, vai ver que a imprensa não quer que mude mesmo nada, não é mesmo?
Comments:
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Acredito que sim, Marcos. O grande mote desse assassinato, o que faz babar os coleguinhas, é que o garoto foi arrastado por sete quilômetros por um carro. Se tivesse morrido, digamos, por ter batido com a cabeça no meio-fio após os bandidos terem arrancado com o automóvel, daria, no máximo, um colunão n'O Povo. Afinal, seria apenas mais um menino de classe média média que morava em Oswaldo Cruz.
Rapaz, será que a Portaria do MJ para classificação etária na TV não está influenciando nessa virulência televisiva?
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