14.1.07

 

Tirando o chapéu



   Tenho que tirar o chapéu pro pessoal de estratégia das Organizações Globo. Só hoje entendi o real interesse de O Globo entrar com tal ferocidade na campanha pela tal terceira via na eleição da Câmara (e, se não rolar, a do Aldo Rebelo serve). A resposta me foi dada pela coluna do Ilimar Franco de hoje. Nela, o colunista escreve sobre as discussões que existem por aí sobre o nascente fenômeno do lulismo, um movimento social mais do que político-partidário que estaria se criando entre os mais pobres e os futuros ex-pobres (o pessoal do ProUni, por exemplo). Essas pessoas diretamente beneficiadas pelos programas do governo estariam se identificando cada vez mais com o Nove-Dedos, o que, segundo alguns analistas (Marco Aurélio Garcia, do PT, por exemplo), seria uma versão brasileira do peronismo argentino, com a diferença que o lulismo teria um componente partidário forte por conta do PT.

   Bom, nesse contexto, entendo a opção do Globo de tentar a todo custo criar problemas para o governo por meio de um presidente da Câmara hostil. É que assim continuaria o clima de guerrilha parlamentar que consumiria a atenção do governo, desviando-a das metas de desenvolvimento do país. Esse é o objetivo central: impedir que o país cresça nos próximos quatro anos com a concomitante distribuição de renda, pessoal e interregional, como tem ocorrido nos últimos quatro anos. Se isso ocorre, Nove-Dedos sai coberto de glória do Planalto, entra direto na história do país e, pior para as Organizações Globo e o resto da direita, no imaginário da maioria esmagadora da população.

   É, ainda tem na direita que segue a tradição do complexo IPES/IBAD e enxerga longe.


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