12.1.07
A falta que faz
Hilaridade à parte, o destampatório de Merval mostra o quanto faz falta um colunista político de verdade, do tipo do primo do pai da Carla, o mestre Carlos Castello Branco. Castellinho não teria se surpreendido, muito menos se ofendido, com a adesão da ala tucana comandada por Jutahy Magalhães. Afinal, para que existe partido político? Para ganhar e manter o poder. Simplesmente isso. Ora, o PSDB tinha esperanças de derrotar o Nove-Dedos ano passado. Não deu. Mas os tucanos sabem que agora eles são a bola da vez, já que o PT não tem ninguém para substituir Lula, enquanto eles têm José Serra e Aécio Neves. Assim, não interessa a esses dois detonar o Nove-Dedos agora. Melhor é deixar o cara trabalhar em paz e preparar o país para um salto que se dará no governo de quem assumir depois. Quem ganharia na continuação da malhação de Lula seriam o PFL (que está quase sumindo) e a ala não-serrista do PSDB de São Paulo (chefiada por FHC).
Esse seria o tipo de raciocínio (embora não esse exatamente, talvez) do Castellinho e de outros analistas políticos dignos do nome. Gente como Merval acredita que está investido de um poder profético que infalivelmente sabe o que é certo e dá com os burros n'água. Como mostra, aliás, o fim da coluna de hoje, no qual ele defende os "deputados éticos" do Congresso. Pois Raul Jungmann, um dos líderes do "grupo ético", foi denunciado também ontem pelo MP por desvio de dinheiro público no governo de FHC, mentor do colunista.
Ô fase, hein, Merval?