28.11.06

 

Matando na canela - II



   A busca incessante por heróis muitas vezes vitima a verdade. Veja o caso da matéria do Esporte do Globo de hoje. Lá tem o André Moritz sendo chamado de salvador do Fluzão por ter feito o segundo gol na vitória por 2 a 1 sobre o Santa Cruz, no domingo. Segundo a matéria, o gol teria acabado com a agonia do tricolor, ameçado de cair para a Segundona novamento . Bacana. O problema com essa história é que ela não é verdadeira. No momento em que Moritz fez o seu gol, o Goiás vencia a Ponte Preta por 2 a 0, faltando menos de 10 minutos para o fim da partida, e o empate já garantia o Fluzão na primeira divisão no ano que vem. Se alguém tinha que ser chamado de herói era o Cláudio Pitbul, autor do gol de empate. Mas o Moritz é boa-pinta, fotogênico, e o Pitbul...Bem, vamos dizer que o sobrenome artístico tem muita razão de ser...

 

Matando na canela - I



   Para não dizer que são só os coleguinhas da política e da economia vacilam...No domingo, o JB vem lá com uma matéria sobre Petkovic que voltava ao Fluzão como salvação contra o rebaixamento. E vinha bem credenciado, segundo o coleguinha, por ter salvado Flamengo e Vasco quando eles estavam na mesma situação em 2001 e 2003, repectivamente. Quer dizer então que, em seis campeonatos, o gringo era o craque de três times que ficaram à beira da Segundona. Um índice de 50%. Não seria mais lógico pensar que o fato de ele estar nesses times os ajudaram a ficar na rabeira da tabela ? Ou seja, em vez de salvador, Pet não teria sido o afundador dessas equipes?

26.11.06

 

Segundo tempo



   Enquanto estava na Bahia, soube que começou o segundo tempo da campanha pró-privatização. E começou com aquela falta de imaginação e a preguiça que caracterizam as redações nos últimos anos. No caso, com ataques do Globo à Petrobras, novamente mostrada como valhacouto de ladrões do dinheiro público e antro de vagabundos que ganha um salário enorme para fazer nada. E para deixar bem claro que o nível de esculhambação está atingindo novos patamares nos veículos, a pauta é uma cópia de outra da Folha, realizada durante a campanha eleitoral, com o mesmo fito.

   Menos mal que esse tipo de pauta acaba tendo efeito exatamente exatamente contrário a que se propõe, por dois motivos:

      1. Como a Petrobras (e outras estatais) é caracteriza como paraíso de quem quer fazer arranjos, os políticos, sejam da hoje situação, sejam da hoje oposição, jamais vão privatizá-la, pois estariam jogando contra si mesmos ao jogarem fora uma arma assim supostamente tão poderosa;

      2. Como os empregados da empresa são tachados de bando de indolentes que ganham rios de dinheiro para nada fazer, matérias como essas do Globo aumentam o interesse pelo concursos da Petrobras (e de outras estatais). Assim, aumenta a base social dos que são contra a privatização. Afinal, quem é que não tem interesse de se aproveitar dessa suposta mamata apontada pelos jornais?

   Não admira que, com mentes brilhantes assim a defendê-la, a privatização tenha sido massacrada no plebiscito do segundo turno das eleições presidenciais.

18.11.06

 

Pagando o pato


      Ontem, em sua coluna no Globo, Renato Maurí?cio Prado protestou contra o constrangimento pelo qual passou a equipe do Sportv que transmitiu o jogo Remo x Paulista, realizado no Baenão, estádio do azulão de Belém do Pará. Os coleguinhas foram cercados após o jogo e tiveram que ouvir muitas e ruins dos torcedores remistas, saindo escoltados pela polí?cia.
      Prado atribuiu o incidente à revolta dos torcedores do Remo com a arbitragem, que eles acusavam de ter roubado o time da casa (vi o jogo. Roubou mesmo. O pênalti que deu o empate ao time de São Paulo claramente não existiu). O colunista também atribuiu o fato à? falta de segurança que hoje existe nos campos de futebol.
     Realmente, os dois pontos apontados são pertinentes, mas há outro: o mal-estar da população com a imprensa, por tabela com os jornalistas. Afinal, que culpa teria a equipe do Sportv pelos erros do juiz? Até porque os três profissionais eram da terra e, como manda a praxe, torceram descaradamente para o Remo (essa atitude dos coleguinhas de esporte ocorre em todo o Brasil, com exceção do Rio, onde eles se esforçam ao máximo para manter de pé mito da imparcialidade jornalística).
      Os coleguinhas da Sportv somente pagaram o pato. Os remistas estavam furiosos com o trio de arbitragem (que, também como manda a praxe, saiu do campo e do estádio escoltado), mas aproveitaram, já que estavam com a mão na massa, para pegarem pesado com os jornalistas. Afinal, no Pará o Nove-Dedos não só teve mais de 80% dos votos, como ainda elegeu a governadora do estado. Ou seja, boa parte da população local certamente não gostou nada do comportamento da mídia durante a eleição. E como na camisa das equipes do Sportv TV tem aquele logo da Rede Globo...

16.11.06

 

Dúvida rubiácea



   Coleguinha está atormentado por uma dúvida:

      Salve Ivson!

      Será que existe alguma relação entre a chegada do Starbucks ao Brasil e a enxurrada de matérias exaltando o café que começam a sair na nossa imprensa?

   Pouco provável, né? O mais certo é haver um bom trabalho de assessoria de imprensa por trás.

 

A mídia e a direita, um belo casamento



   Mais um reflexão sobre a derrocada da imprensa nesta campanha eleitoral (já está merecendo um livro...). Dessa vez do professor Gilson Caroni Filho, da Facha. Leia aqui.

 

Dossiê Serra: Segue o baile


   O bravo Gustavo Barreto mandou essa, com data de ontem, mas que serve para toda a cobertura desse caso do Dossiê Serra.

      Caso Dossiê segue com tratamento desonesto

      O jornal O GLOBO publicou nesta quarta-feira (15/11) mais uma matéria sobre o “Caso Dossiê”, documento que teria sido alvo de petistas para prejudicar tucanos durante a campanha eleitoral. O GLOBO destaca então o que interessa para a campanha de difamação que organiza. Título da página 12, em destaque: “Piloto do dossiê é servidor do governo petista”. Subtítulo: “Tito Lívio, que ia transportar parte do R$ 1,7 milhão, foi cedido anteontem para gabinete de tucano na Assembléia”.

      Lide: “O piloto Tito Lívio Ferreira Júnior, procurado por petistas para transportar de São Paulo para Cuiabá parte do R$ 1,7 milhão que seria usado para comprar o dossiê contra tucanos, é funcionário do governo petista de Mato Grosso do Sul, lotado na Agência Estadual de Empreendimentos (Agesul). O Diário Oficial do estado de anteontem publicou portaria cedendo-o para a Assembléia”. Caixa ao lado, supostamente relacionada com o tema, o sugestivo título “Pizza no forno” e a mudança repentina de assunto: “Processo de Janene pode ser arquivado”. Tratava da quebra de decoro parlamentar no Congresso Nacional de um deputado do PP do Paraná. Na linguagem gráfica jornalística, a nota foi tratada como complementação da matéria (box).

      De posse destas informações, até o mundo mineral chegará à conclusão que o “governo petista” (título) tentou efetivamente prejudicar os tucanos na campanha eleitoral e – veja que país corrupto! – conseguiu. Registra-se que os jornalistas não possuem informações adequadas para falar em “dossiê contra tucanos” (linha 6), simplesmente pelo fato de que não conhecem o conteúdo do dossiê.

      O que não interessa

      Agora as informações que não interessam: Ferreira é piloto concursado. Não é uma indicação política, pelo contrário (como veremos abaixo). Foi para a Assembléia porque o governo estadual vendeu em 1996 seus aviões. Cito: “Segundo a Assembléia Legislativa, Ferreira está à disposição do gabinete do deputado estadual Waldir Neves (PSDB), eleito deputado federal este ano. O piloto trabalhou para os tucanos na campanha eleitoral”.

      Atenção, porque não é invenção: o piloto trabalhou para os tucanos na campanha eleitoral. Então, segundo O GLOBO formula na chamada, um funcionário de campanha tucano, concursado, é o “piloto do dossiê” (título) e “servidor do governo petista” (título). Não seria importante destacar que fazia campanha eleitoral para os tucanos?

      Se fosse jornalismo.

14.11.06

 

O mal-estar em campo


   Quando o Marco Aurélio Garcia falou do mal-estar que existiria entre leitores-telespectadores-ouvintes e as redações, foi acusado de incitar a violência contra jornalistas, em mais uma das acusações ridículas que têm caracterizado a mídia neste momento que vem apanhando (merecidamente) de todos os lados. Só que este mal-estar existe mesmo e domingo testemunhei um caso que o revela.

   Na coletiva após a vitória sobre o Goiás que deixou o seu time a apenas mais uma do título brasileiro, o treinador Muricy Ramalho, do São Paulo, exaltava o trabalho que vem sendo feito no Morumbi. "Estamos no fim da temporada e não viu um caso de indisciplina desse por parte desse grupo de atletas". (Paradinha). "É até chato para vocês, né? Não tem notícia". (Paradinha). "Quer dizer, não tem ruim. Só tem notícia boa".

   Muricy, sujeito conhecido por não ter papas na língua, foi cruel ao usar as paradinhas para tripudiar sobre os coleguinhas que o entrevistavam, mas não disse nada mais do que pensa a maior parte da classe média brasileira sobre o que lê, vê e ouve sempre, especialmente em tempos de eleição para presidente. Um sentimento que é apenas de mal-estar ainda, mas já começa a dar mostras que pode descambar para a raiva. E quando essa extravasa, os veículos culpam o PT, o Lula, a quadratura entre Marte, Júpiter, Urano e o rebaixado Plutão...Tudo, menos a própria arrogância e falta de competência.

10.11.06

 

O PT, a mídia e os formadores de opinião


   Em entrevista à Agência Carta Maior, Marco Aurélio Garcia, presidente em exercício do PT e assessor do Nove-Dedos, fala da relação do PT e do N-D com a mídia. Leia na Pensata.

 

"Quem está cuidando do loja?"


   Coleguinha veterano e já fora das redações tomou um susto na quarta-feira: todo - todo mesmo - "aquário" do Globo estava se maravilhando com a apresentação do Cirque du Soleil exatamente na hora do fechamento.
   Depois saem na primeira sandices como aquela que descrevi abaixo e a culpa é somente da pobre alma escalada para a tarefa.



9.11.06

 

Vitimização


   A Folha fazendo o que mais gosta: posando de perseguida guardiã das liberdades democráticas:

      PF quebrou sigilo telefônico da Folha na investigação do caso dossiê

   Foi o seguinte: a PF quebrou o sigilo de todo mundo que ligou pro tal Gedimar Passos, um dos petistas aloprados, na época da tal negociação do dossuê - pouco antes, pouco depois. Na onda, foi um celular da sucursal de BSB da Folha. Era uma repórter querendo falar com o cara. Tudo esclarecido, a investigação prosseguiu.

   Pelo que entendi, a grita era para a PF investigar tudo, sem abafar nada. Pois então...

 

Corrupção e percepções


   O amigo José Truda mandou essa:

      Ivson,

      Sobre a tal pesquisa de percepção da corrupção: imagina se, diante de um resultado desses, O Globo perderia a oportunidade de tentar mostrar que as falcatruas aumentaram no governo Lula?

      Mas no blog do Noblat há um interessantíssimo resumo da entrevista de Ricardo Boechat com Antônio Lavareda onde o sociólogo explica, didaticamente, porquê o Brasil perdeu posições e ainda ensina:

      "O governo deveria enfatizar mais as ações da Corregedoria da União e da Polícia Federal para evitar a percepção de que a corrupção aumentou. E evitar a instalação de CPIs."

      Lavareda ainda mostra que, aos olhos desatentos, a percepção é de que o Congresso investiga o governo. A CPMI dos Correios é um bom exemplo. Toda a investigação foi feita pelo Ministério Público e Polícia Federal e a CPMI foi a reboque. Mas as investigações de verdade passaram quase despercebidas.

      Uma regrinha básica de análise de comportamento social diz que o combate ao crime sempre mostra que ele existe. Quando o crime não aparece na televisão é porque não está sendo combatido, momento em que as pessoas devem começar a se preocupar mais ainda.


   Um adendo: Antônio Lavareda é o especialista em pesquisas ("psicanalista de povo" conforme o companheiro Gáspari) favorito dos tucanos.

 

Nove dedos para a imprensa - II


   A prova de que o Nove-Dedos tem essa idéia do poder da imprensa é que ontem fui surpreendido ao ver o sujeito no meio daquele tipo de entrevista em que os coleguinhas enfiam gravadores e microfones nas fuças da vít...entrevistado. No primeiro mandato, é bom lembrar, o Kotscho vivia dizendo para ele falar com a imprensa e o N-D se recusava - não abria exceção nem para colunista político que, como se sabe, não pode ver um poderoso de perto que se abre em sorrisos (só falou com eles uma vez). Mudou por quê? Porque viu que o demônio não é tão feio quanto se auto-pintava.

 

Nove dedos para a imprensa - I


   Tereza Cruvinel, no fim de sua coluna de hoje, diz que o presidente da República deve entender que a imprensa vai cobrir as articulações dele para formar o novo ministério. Não vi, mas esse tipo de recadinho, com um característico travo de prepotência, deve ter ocorrido porque o Nove-Dedos andou chiando do tipo de matéria a que se refere o post abaixo.

   Tereza - que é das colunistas mais honestas, como demonstram os números do levantamento do Observaório da Mídia citado em post abaixo - pode tirar o cavalo da chuva: N-D não vai entender. Poucos políticos da idade dele entendem, pois foram criados em outros tempos da história do país e da imprensa. Mas nada que vá criar atrito. E sabe por quê? Porque N-D descobriu que os veículos de comunicação - com a possível exceção da Globo - e os jornalistas são irrelevantes. Sacou isso depois de ter sido anarquizado durante dois anos e ter perdido meio ponto percentual de votos. Esse é o tamanho do eleitorado da imprensa brasileira - uns 600 mil votos. Então para quê se preocupar? pensa - com toda a razão - o presidente. Podem falar o que quiserem que poucos lêem e desses quase ninguém leva a sério o que está escrito.

 

Santa incompetência, Batman!



   Alguém precisa dizer a quem fecha que a primeira do Globo que não é assim que se faz. Hoje, em duas chamadas (uma ao lado da outra!) vem escrito que o PTB é o partido presidido pelo Roberto Jefferson. Na boa, que leitor do Globo não sabe disso? E, aliás, essa menção é o quê? Uma denúncia? É crime pertencer ao PTB como é ser do PCC ou do Comando Vermelho? Se for, o Globo devia denunciá-lo à Justiça. Não é, né? A idéia é lembrar que o cara denunciou o mensalão? Mas o cara, segundo a própria imprensa (incluindo O Globo) - que lhe concedeu amplo espaço à época - prestou um serviço à Nação, fossem quais fossem seus motivos, não? Quando é que foi que O Globo passou a considerar Jefferson um vilão e não um herói? É bom sempre lembrar desse momento porque o leitor do Globo que não é cromossômicamente contra o Nove-Dedos (e portanto um convertido para o qual é inútil pregar) pode esquecer - ou ter perdido o capítulo - e ficar confuso. E, nesse estado, acabar achando que o jornal dos Marinho deixou de lado a sua suposta e sempre tão decantada isenção para tentar ser um dos líderes da oposição.


8.11.06

 

Até prova em contrário?


   Coleguinha morador do Catete mandou essa observação das mais pertinentes, que se encontra num manifesto:


      Salve, Ivson.

      Ontem os muros aqui do Catete, Flamengo e adjacências apareceram com cartazes convocando para uma manifestação contra o preconceito (quinta, 13h, na Praça José de Alencar). O gancho é o caso da aposentada que deu um tiro num morador de rua.

      O manifesto chama a atenção para um detalhe importante. Toda a mídia fala do cara (Alexandre Cardoso Pereira, o Nem) como "ladrão". Tudo bem, segundo a polícia ele já tinha sido pego roubando antes. Mas por esse caso especificamente, ele não foi julgado ainda. E ele diz que ia apenas pedir dinheiro. Só que ouvir o outro lado, ainda mais sendo preto e pobre, nem pensar, né? Vale a palavra da nossa condecorada e ponto final.

7.11.06

 

Terceiro turno



   Os tucanos e os pefelistas, depois da tunda de 29 de outubro, abaixaram a cabeça diante do resultado das urnas e esqueceram a idéia de um "terceiro turno". Os barões da imprensa, porém, como não estão nem aí para a democracia mesmo, mostram que são a verdadeira oposição ao Nove-Dedos (e a tudo o que ele, bem ou mal, representa) e levam a tese à frente. A capa da Veja desta semana - "A última chance" (claro que é, né? Ele não vai poder ser mais reeleito, ó pá!) - e essa histeria sobre a suposta intimidação dos coleguinhas da mesma revista mostram que para os barões o terceiro turno só terminará uns dois anos depois do N-D sair do poder.

 

Leitor-coruja


   O pobre do leitor-telespectador-ouvinte tem que ser que nem coruja: prestar uma atenção danada. De outro modo acaba por perder pontos importantes das histórias, que não são devidamente apontadas pelos veículos com a atenção que merecem.

   Veja esse caso da suposta intimidação dos coleguinhas da Veja por parte de um delegado da PF. Se a gente não presta uma baita atenção e lê o jornal bem direitinho, ficaria sem saber que a procuradora da República, Elizabeth Kobayashi, que investiga os supostos desvios de conduta da PF denunciados pela revista dos Civita, acompanhou o interrogatório dos coleguinhas e desmentiu, em nota assinada, que tenha havido qualquer tipo de intimidação.

6.11.06

 

Bom dia, cultura do medo



   Minha irmã inicia o seu blog já batendo um bolão. Leia o comentário jurídico que ela faz sobre um notícia veiculada no Bom Dia, Brasil pelo quase inacreditável (a gente só crê porque vivemos no Bananão) Alexandre Garcia sobre a greve dos controladores de vôo.

5.11.06

 

Negligências



   A coleguinha Olga de Mello comenta, no seu Arenas Cariocas, essa notícia sobre Madonna, que teria admitido ser uma mãe negligente.

       Jamais imaginaria que um dia faria a defesa de Maddona e que condenaria um jornalista apressado.

      Está no Globo on line de hoje que a cantora admite ser uma mãe negligente. A princípio, achei que era mais uma jogada de marketing dela, depois da adoção do menininho africano. Ou que fosse algum erro de tradução, já que Maddona diz que não se contentaria em dedicar-se apenas à família, pois quer provocar mudanças no mundo (!).

      As mudanças que Maddona pretende promover no planeta não me afetam. Mas me afeta essa incorporação da ideologia norte-americana de que mulher precisa ser mãe 24h por dia, que não pode conciliar carreira com maternidade, como se cuidar de filho fosse uma tarefa que se relegue a segundo plano quando seus interesses não estão focados apenas na educação deles. Classificar isso como negligência é, no mínimo, sensacionalismo de redação.

      Negligência foi editar assim a matéria.

4.11.06

 

Nassif e o suicídio da mídia



   Em entrevista aos companheiros do site Vermelho.org já no fim do processo eleitoral, Luis Nassif afirma que com a cobertura da eleição desse ano injetou veneno em suas próprias veias. Leia aqui.

 

Os colunistas



   O levantamento do Observatório Brasileiro de Mídia termina em 29 de setembro, mas como começou em 6 de julho, é muito representativo de como os colunistas dos maiores jornais do país, cobriram as eleições. Leia aqui o levantamento.

 

O dia em que Ali Kamel chorou



   Coleguinha da Globo afirma, em reportagem da Agência Carta Maior, que isso ocorreu de fato. Não vou duvidar, mas deve ter sido de raiva. Leia a matéria da Agência CM aqui.



3.11.06

 

Pronúncia perfeita



   Por falar em Eduardo Bueno, o Caderno de Idéias do JB publicou entrevista com ele na semana passada. Lá pelas tantas, o coleguinha metido a historiador (não é nem de longe...) disse que, numa passada feira literária de Parati, recebeu calorosos cumprimentos do historiador inglês Eric Hobsbawn por um de seus livros. Beleza. Só que o sobrenome do eminente intelectual inglês pronuncia-se "Robsbaun". Isso enrolou o cérebro da repórter do JB que tascou lá "Eric Robsbawn".

 

Charada



   A última frase do post abaixo é citação enviesada de uma famosa outra. Quem a disse e em que circunstância? Dica: teve a ver com a ditadura militar.

 

Veja x PF


   Para começar, acredito mesmo que o delegado da PF tenha constrangido os coleguinhas da Veja. Minha crença vem de dois fatos:

   1.Marcelo Carneiro é um dos coleguinhas. Trabalhei com ele no JB e é um sujeito honesto e jornalista competente. Pode-se argumentar que está na Veja há tempo demais (cinco ou seis anos, pelos meus cálculos) e jornalistas honestos e competentes não ficam tando tempo nessa revista (nas Vejinhas, não há problema). É um ponto a ser considerado, mas, no caso do Marcelo, pode se dever aos terríveis problemas familiares pelos quais passou neste período. E como não tenho relatos desabonadores a sua conduta profissional ou pessoal, fico com o que conheço.

   2.Polícia no Brasil truculenta desde a Colônia (taí um bom tema para livro do Eduardo Bueno). Os jornalistas sabem disso, mas não ligam muito se essa violência se voltar contra negros e/ou pobres, como é a praxe. No caso em tela, as vítimas estão entre os "homens bons" da sociedade - ainda por cima da corporação (algo também execrado quando não é com jornalista) - e por isso o pessoal está chiando.

   Dito isto, vamos aos aspectos propriamente técnicos do caso.

   Normalmente quando se acusa alguém de algo desabonador, a imprensa bota lá um "suposto" e segue em frente. Essa regra, porém, é muitas vezes esquecida quando se trata de órgãos e servidores do Estado. Na maior parte das matérias, esse tipo de acusado é tratado como culpado desde o lide da primeira matéria e, mesmo quando inocentado depois, os jornalistas não só não pedem desculpas, como ficam catando indícios esparsos para manter a acusação. Exemplo recente: o tal Freud do caso do Dossiê Serra. No caso dos coleguinhas da Veja, a PF já foi julgada e condenada pelos jornais e jornalistas. O Merval Pereira (ó surpresa!) até escreveu uma coluna inteira massacrando a polícia.

   Isenção? Outro lado? Princípio da Inculpabilidade (todos são inocentes etc etc)? Bem, isso não vale quando o caso põe de um lado os jornalistas de uma grande publicação e de outro servidores públicos, ainda mais se o governo é de esquerda. Nesse caso, manda-se belas idéias acima às favas, junto como os escrúpulos de consciência.

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