27.10.06

 

"Salvem a privatização!!"



   É o grito de guerra dos veículos de comunicação, O Globo em particular, neste últimos dias de campanha. A manchete de hoje do jornal dos Marinho, dizendo que o Nove-Dedos vai privatizar estradas, é um insulto à inteligência do leitor e mais uma prova de que o pessoal da redação não entra em fila de banco e anda de ônibus e quando pega táxi não bate papo com o motorista. Porque se fizesse isso saberia que privatizar para o pessoal da rua significa "vender" (e por preço baixo). Isso que o N-D vai fazer, a galera conhece pelo nome de "alugar".

24.10.06

 

Segue o baile!



   Carta Capital bate mais em Ali Kamel. Eruditamente. Leia aqui.


23.10.06

 

Tá ficando animado!


   PH Amorim continua o bate-tecla com Ali Kamel (leia aqui) e Ricardo Boechat também entra na briga pra tascar o Prepúcio (é o apelido do Ali em Brasília...) - leia aqui

 

O cachimbo do Estadão



   De tanto distorcer os fatos, isso virou um hábito no Estado de São Paulo. Hoje, na divulgação da pesquisa do Ibope, vem na primeira um "olho" dizendo que 45% aprovam o governo Lula. Aí você vai na matéria e descobre que são 50% os que aprovam o governo do Nove-Dedos.

22.10.06

 

Veja aos sábados e piscando


   A Veja anuncia com estardalhaço que agora está nas bancas e nas casas aos sábados. O bumbo é areia nos olhos para esconder algo muito ruim: a perda de assinantes.

   Há duas décadas, a Folha descobriu que quanto mais tempo um jornal permanece exposto na banca, mais ele vende - daí os fechamentos cada mais adiantados e as edições engana-trouxa de domingo que circulam sábado à tarde. Com mais gente se recusando a pagar para receber em casa o seu pasquim impresso em cuchê, a Abril foi obrigada a - depois de apelar para os "esteróides" do "ganhe alguma coisa para assinar" - ir brigar nas bancas para substituir esses ex-assinantes.

   É um caminho difícil de levar a algum lugar porque é circular. Tem que ter manchetes cada vez mais "quentes" para atrair a atenção; assim tem exagerar cada vez mais nas capas, chamadas e matérias; isso leva a matérias cada piores, o que tende a afugentar ainda mais os leitores "bons" do ponto de vista publicitário (classe A, maior escolaridade e maior poder aquisitivo, etc), que são substituídos por leitores "ruins" (classes B, BC e C, menor escolaridade, poder aquisitivo mais baixo...), que não assinam revista ou, quando assinam, tendem a cortar a assinatura a qualquer balanço no orçamento. Para mantê-los, haja mais manchetes "quentes", exagero nas chamadas, capas e matérias e o ciclo recomeça.

   A Abril, é claro, sabe disso e por esse motivo, paralelamente, anda implorando aos antigos assinantes para voltar. Segundo amigos, eles receberam, logo depois que desistiram da revista dos Civita, ofertas de retorno de R$ 300,00 (6xR$ 50,00) anuais. Semana passada, a oferta já chegou a R$ 204,00 (6 x R$ 34,00). Muitos voltarão, mas muitos não (e o investimento para recuperar cliente é 16 vezes maior do que para mantê-lo). E como o nível da publicação continuará piorando pelos motivos acima, os que retornarem cairão fora de novo e de vez. Classicamente, em momentos como esse, o próximo passo é um ou mais "passaralhos" para ajustar a folha salarial ao declínio do faturamento. Isso faz com que a qualidade caia ainda mais e piora a situação, em vez de melhorar.

   Uma outra forma de lutar é usar a marca em outros produtos. Por esse motivo, a Abril está iniciando processo de dar um gás no site a Veja on line, com a criação de versões virtuais das colunas mais lidas, serviços diferenciados etc. Pode funcionar, mas não é certo. Afinal, o que causou o problema não foi o meio revista, mas o conteúdo. E se este for apenas transposto para a internet, o que faria um cara que não gosta do que lê na revista passar a gostar no site? E se o conteúdo for diferente, melhor, por que não publicá-lo na revista? Além disso, o público internet é bem o perfil da Veja - de gente mais velha e conservadora - e não dá para um substituir o outro.

   Enfim, vamos ver o futuro que espera a ex-menina dos olhos dos Civita.

 

Quem não te conhece...


   Estou eu posto em sossego lendo a Época, quando dou de cara com artigo assinado por Ruth de Aquino. Depois da surpresa - jurava que ela ainda era aspone na Abril -, começo a ler o texto e tomo outro susto: ele defende o voto nulo! Não que eu seja contra a tese, muito pelo contrário. Mas a Ruth defendendo-a?! E numa revista "major"?!!

   Aos poucos, porém, ela vai revelando o que vai pelo fundo de sua alma - é uma dolorosa frustração. Ela vai votar nulo não porque - como os companheiros anaquistas e comunistas - não reconhecem a legitimidade do pleito ou, pelo menos, das teses defendidas pelos candidatos. Ruth não quer é votar nos homens que estão disputando - Lula e Alckmin. Se em lugar deste último fosse, por exemplo, o Serra, ela jamais pensaria em anular o voto, quanto mais pregá-lo publicamente.

 

"Arrecua os arfe pra evitar a catastre!"


   Era o que berrava o Neném Prancha, segundo o João Saldanha, quando o time do Juventus, que ele treinava, ameaçava tomar um balaio nas areias de Copacabana. Pois foi exatamente o que fizeram nossos jornais e revistas neste fim de semana: "arrecuaram os arfe pra evitar a catastre" que está sendo a retumbante derrota política da tese de que a privatização é a solução para todos os males (inclusive lumbago) e que Estado bom é Estado tetraplégico.

   Época, Veja (que surpresa!), JB e Estado de São Paulo (não li a Folha) saíram em defesa da privatização, tese que, em menos de uma semana, demoliu a candidatura Alckmin, a favorita dessas empresas (e de praticamente todas do setor, aliás). Os veículos lembraram os dados como os que dizem que agora todos podem ter linhas telefônicas fixas e celulares, ao contrário do que era na época estatal. Esqueceram, óbvio, de dizer que há 10 milhões de linhas fixas mofando nas prateleiras por terem sido devolvidas pelos felizes ex-proprietários que não puderam pagar as tarifas determinadas pelos monopólios privados que dominam cada região do país. Também contaram que mais de 80% dos celulares são pré-pagos, a maioria dos quais na maior parte do tempo operando no "modo pai-de-santo" - só recebendo.

   Nas matérias, os veículos fizeram o que geralmente fazem quando as teses que defendem são humilhadas politicamente: atacaram o povo. Mas tudo bem. Estamos em boa companhia. Afinal, o Estado sonhado pelos donos das empresas de comunicação do Brasil só existe na cabeça deles. Nem nos EUA o Estado deixa de intervir na economia em praticamente todos os setores.

20.10.06

 

Como diria o Milton Leite...


   "Mas que beleza!" é a nossa imprensa...
   Provavelmente você já leu (um monte de gente deve ter entupido a sua caixa até com o texto todo), mas se não, aqui está a transcrição da negociata que deu origem à série de matérias sobre o Dossiê Serra (aliás, o que diz o raio desse dossiê?) no blog do Paulo Henrique Amorim.

15.10.06

 

Qual a razão?



   O Estadão hoje solta uma cascata que sobe um tom do normal de sua cobertura (?!) sobre as eleições. Assinada por uma pra lá de experiente repórter da suscusal do Rio (é chefe lá), a reportagem afirma que os gastos sociais do governo feito por estatais e outras agências da administração indireta não fiscalizadas pelo Congresso e por isso a atual Administração federal as usa para fazer clientelismo político.

   O problema com essa argumentação é que ela ignora que todos - mas todos mesmo - contratos e convênios assinados pelas tais agências passam pelo crivo do Tribunal de Contas da União. E o que o é o TCU? Não, não é um tribunal. É um órgão auxiliar do Congresso Nacional, segundo o artigo 71 do Constituição Federal.

   A pergunta do título é resultado de outras duas: a chefe da sucursal Rio de um dos jornais mais importantes do país, com quase 30 anos de experiência, não sabe desse fato e, por conseguinte, é uma incompetente que não poderia sequer estar empregada quanto mais ser chefe? Ou sabe - como é o mais provável - então por que fez uma matéria inteira baseada num erro?

11.10.06

 

Preguiça



   Só pode ser por isso que os coleguinhas ainda dão atenção aos conselhos do César Maia. Caraca! Se o cara entendesse mesmo tanto assim de eleição, o candidato dele ao governo do Estado do Rio não teria passado o vexame de ficar atrás do Vladimir!


2.10.06

 

Hilariante


   Eu devia ficar indignado, enojado ou ter qualquer uma dessas sensações negativas, mas não consigo mais. Só acho engraçado. Deve ser uma espécie de Síndrome de Hiena. Exemplo foi minha reação diante da cobertura da eleição na Globonews. O mais gozado não foi a cara de risonha satisfação da Leila Steremberg quando começou a se desenhar o segundo turno, nem as tentativas do Sidney Rezende de fingir sobriedade quando estava louco para gritar "Geraldo!" a plenos pulmões. O realmente hilariante foi a Lúcia Hippolito - a cientista política oficial das Organizações Globo - passando praticamente 24 horas no ar (será que teve tempo de tomar um banhozinho?) dizendo coisas como "o eleitor ao votar pensa na formação das bancadas". Uma coisa!

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