30.8.06
A dor da derrota
Mais do que o começo dos xingamentos por parte de Geraldo Alckmin, o que me deu bem a dimensão do desespero tucano - e, portanto, dos meios de comunicação - com a possível vitória em primeiro turno do Nove-Dedos foi a coluna de hoje do Merval. Ela supura frustração e é a primeira manfestação que vi a buscar culpados pela derrota. O único fato que irá minorar a dor de corno de Merval & cia é que o ND não será eleito neste primeiro turno com os 62% de sufrágios válidos que obteve no segundo em 2002. Com a artilharia deste fim de campanha, ele vai terminar com uns 55%, 56%. Aí os jornais e tevês pelo menos poderão dizer que o cara perdeu parte da confiança da população.
19.8.06
Do bom (ou da boa)...
Ao ler a superreco publicada hoje no Prosa&Verso, do Globo, sobre o livro "Não somos racistas", do Ali Kamel, fiquei a me perguntar sobre os botecos da PUC. Sabe como é: faculdade de comunicação que é faculdade de comunicação tem aqueles pés-sujos (ou nem tanto) em que a galera vai meditar sobre os grandes problemas da humanidade antes e após as aulas (bem...Muitas vezes durante mesmo). Lá na UFF tínhamos quatro: os três do Triângulo Alcoólico, que ficavam numa das pontas da rua Laura Vilela, há uns 200 metros do IACS, e o saudosíssimo Natal, pertinho do ICHF, onde tínhamos várias cadeiras, especialmente nos dois primeiros anos da faculdade. Já na UFRJ, o point era o bucólico (pelo menos para nós, de fora) Sujinho, no campus da Praia Vermelha.
A minha curiosidade sobre o boteco (ou botecos) da PUC é que nos cinco coirmãos citados não se vendiam (que eu soubesse) nada tão incrível que fosse capaz jogar um vivente para fora da realidade de maneira tão radical que, mesmo décadas após a saída da faculdade, o coleguinha continuasse sem se dar conta de onde está e do que ocorre em volta, como acontece com o Ali. O sujeito escreveu um livro com o título que está lá em cima num país em que há mais de 50 anos há uma lei que pune o racismo (Lei Afonso Arinos). E não é lei em desuso, não...A ela recorrem todos os anos centenas de brasileiros que se sentem discriminados devido a cor de sua pele e muitos são os juízes que em sua carreira já condenaram outros brasileiros com base nela (não sei de estatísticas a respeito, mas bem que gostaria de saber). Ora, como sabe qualquer curioso de História, Ciências Sociais ou Direito, se uma sociedade edita uma lei tipificando um crime é porque ele não só é cometido, como o é numa escala ameaçadora para a ordem social ou, pelo menos, para o ethos da tal sociedade e sua visão de si mesma. É a faceta repressora da lei tentando agir de maneira a educar o cidadão para o convívio civilizado.
Porém, ao escrever um livro desses - em que, sofismando, tenta esconder o óbvio - editá-lo por uma casa importante como a Nova Fronteira e ganhar espaços em um jornal do grupo em que é um dos dirigentes do momento (além de numa revista retrógrada como a Veja, aliás, na edição em que a capa era um mulher negra, pobre e eleitora), Ali acaba realmente por prestar um serviço à causa dos negros no país. Ele mostra o quanto o racismo é poderoso e enraizado na nossa elite e o quanto os negros e seus descendentes terão ainda que lutar para serem reconhecidos como cidadãos de verdade.
Agora...Vamos, Ali...Conta aí... O que você tomou (ou toma) naqueles botecos da Gávea? E onde eles ficam, hein?
A minha curiosidade sobre o boteco (ou botecos) da PUC é que nos cinco coirmãos citados não se vendiam (que eu soubesse) nada tão incrível que fosse capaz jogar um vivente para fora da realidade de maneira tão radical que, mesmo décadas após a saída da faculdade, o coleguinha continuasse sem se dar conta de onde está e do que ocorre em volta, como acontece com o Ali. O sujeito escreveu um livro com o título que está lá em cima num país em que há mais de 50 anos há uma lei que pune o racismo (Lei Afonso Arinos). E não é lei em desuso, não...A ela recorrem todos os anos centenas de brasileiros que se sentem discriminados devido a cor de sua pele e muitos são os juízes que em sua carreira já condenaram outros brasileiros com base nela (não sei de estatísticas a respeito, mas bem que gostaria de saber). Ora, como sabe qualquer curioso de História, Ciências Sociais ou Direito, se uma sociedade edita uma lei tipificando um crime é porque ele não só é cometido, como o é numa escala ameaçadora para a ordem social ou, pelo menos, para o ethos da tal sociedade e sua visão de si mesma. É a faceta repressora da lei tentando agir de maneira a educar o cidadão para o convívio civilizado.
Porém, ao escrever um livro desses - em que, sofismando, tenta esconder o óbvio - editá-lo por uma casa importante como a Nova Fronteira e ganhar espaços em um jornal do grupo em que é um dos dirigentes do momento (além de numa revista retrógrada como a Veja, aliás, na edição em que a capa era um mulher negra, pobre e eleitora), Ali acaba realmente por prestar um serviço à causa dos negros no país. Ele mostra o quanto o racismo é poderoso e enraizado na nossa elite e o quanto os negros e seus descendentes terão ainda que lutar para serem reconhecidos como cidadãos de verdade.
Agora...Vamos, Ali...Conta aí... O que você tomou (ou toma) naqueles botecos da Gávea? E onde eles ficam, hein?
13.8.06
Em xeque
O seqüestro do repórter Guilherme Portanova, da Rede Globo, coloca os jornalistas em xeque com mais vigor do que o assassinato de Tim Lopes. A resposta da categoria no Caso Tim foi pífia - nem cobrar mais segurança nas coberturas, as redações pediram, com se viu há umas semanas quando de um tiroteio o Morro da Providência. Vamos ver agora.