30.7.06
Te cuida, caipira velho!
Iniciando mais uma camapanha para cassar mais direitos dos mais pobres, a Globo botou no JN de onte uma matéria na qual tenta provar que pagar aposentadorias a trabalhadores rurais que não contribuíram para a Previdência é um ato perdulário do Estado brasileiro que sacrifica a pobre da classe média pagadora de impostos. Se você só olhar um lado da questão, está certo, mas, como sempre acontece, há outros lados, que ou não são levados em consideração ou, quando o são, não recebem o peso que merecem.
Um deles, nesse caso, os números do IBGE já flagararam e estudos o Ipea e da FGV já analisaram. Trata-se do fato de que foram as aposentadorias rurais que, quase 15 anos após começarem a ser pagas - no início dos 90 -, propiciaram as bases materiais para a explosão da economia do interior. Com os velhinhos consumindo mais e, principalmente, ajudando os netos a estudar, a economia do interior ganhou músculos e conhecimento para sustentar o tal agribusiness.
Para os Organizações Globo, porém, isso não tem importância. O essencial é tungar dinheiro dos mais pobres para dá-lo aos empresários aumentarem seus ganhos a custa de financiamentos a leite de pato.
Um deles, nesse caso, os números do IBGE já flagararam e estudos o Ipea e da FGV já analisaram. Trata-se do fato de que foram as aposentadorias rurais que, quase 15 anos após começarem a ser pagas - no início dos 90 -, propiciaram as bases materiais para a explosão da economia do interior. Com os velhinhos consumindo mais e, principalmente, ajudando os netos a estudar, a economia do interior ganhou músculos e conhecimento para sustentar o tal agribusiness.
Para os Organizações Globo, porém, isso não tem importância. O essencial é tungar dinheiro dos mais pobres para dá-lo aos empresários aumentarem seus ganhos a custa de financiamentos a leite de pato.
28.7.06
Em campanha
O Colunista da Rio entrou de vez na campanha de Alckmin à Presidência. Hoje, ele dá vezo à irritação tucana com Aécio Neves, que recebeu o Nove-Dedos em Minas. Ao comentar uma foto em que um sósia do Ulisses Guimarães aparece entre os dois, o colunista diz que o Velho Timoneiro do PMDB estava ali para condenar o "namorico". Mas como ele pode saber disso? Poderia ter baixado também para abençoar o encontro, pois não? Além disso, o que Ulisses teria a ver com o encontro de um tucano com um petista, se ele era cacicão do PMDB?
E olha que ainda nem chegamos a agosto...
E olha que ainda nem chegamos a agosto...
Ali x Elio
Muito engraçada essa briga entre Ali Kamel e Elio Gaspari em torno das cotas para negros na universidade. Hoje, Ali rebate o texto de anteontem do Companheiro Gaspari, que o acusava de ter deturpado as palavras de Martin Luther King. Na verdade, tenta rebater, mas, na defensiva, acaba se enrolando todo e dando mais um de seus pontapés na lógica ao dizer que não se poderia afirmar se King seria ou não a favor das cotas nas universidades - ou outras ações afirmativas. A questão é que Ali escreveu exatamente que King não aprovaria as cotas no texto detonado por Gaspari. Quem conhece Ali, porém, não ficou muito espantado com esse alopramento lógico e amnésico. Afinal, não foi o diretor da Globo que, há dois anos, tentou provar que a emissora cobrira com isenção a campanha das Diretas-Já?
O pior para o Ali é que o Gaspari ele não pode mandar calar a boca como fez com Dona Míriam, que hoje deixou os negros quase lado para se dedicar a luta ecológica, sempre mais amena por consensual. Nem acho que o Companheiro vá prosseguir no bate-teclado, mas, de agora em diante, Ali sabe que terá alguém com cacife sempre pronto a lhe dar uma porretada se ele escrever mais bobagem do que de costume. E essa pressão bem poderá fazê-lo realmente escrever mais besteiras, para gáudio da galera.
O pior para o Ali é que o Gaspari ele não pode mandar calar a boca como fez com Dona Míriam, que hoje deixou os negros quase lado para se dedicar a luta ecológica, sempre mais amena por consensual. Nem acho que o Companheiro vá prosseguir no bate-teclado, mas, de agora em diante, Ali sabe que terá alguém com cacife sempre pronto a lhe dar uma porretada se ele escrever mais bobagem do que de costume. E essa pressão bem poderá fazê-lo realmente escrever mais besteiras, para gáudio da galera.
27.7.06
Sonho de estatístico
Por falar na questão das cotas, pesquisa do Datafolha publicada na Folha de São Paulo no domingo é o sonho de qualquer estatístico: a distribuição e os gráficos falam por si. Não precisam de explicação de tão claros.
A pesquisa mostra que 65% dos entrevistados são a favor as cotas para os negros nas universidades e 20% é contra. Entre os que são a favor, 71% tem somente o nível Fundamental de ensino, 65% o Médio e 42% o superior. Ainda entre a maioria a favor, 70% ganha até dois salários-mínimos, 67% está entre os que recebem entre dois e cinco salários, 52% entre cinco e dez, e 39% ganha acima de dez salários-mínimos.
Já entre 20% contrários às cotas, 16% tem apenas o Ensino Fundamental, 30% o Médio e 55% o superior. Por renda, os mais ricos (acima de dez mínimos) são maioria com 57%, vindo depois, com 42%, e os que recebem mensalmente entre cinco e dez mínimos, com 28% os que ganham entre dois e cinco salários. Finalmente, entre os que percebem por mês menos de dois salários-mínimos, apenas 17% são contra as cotas para os afro-brasileiros.
A pesquisa mostra, com clareza impressionante, que quem é contra as cotas tende a estar no topo da pirâmide social e, logicamente, pretende continuar ali e garantir que seus descendentes ocupem o mesmo lugar. Já os mais pobres possuem a consciência de que só as cotas farão com que eles e seus filhos e netos tenham alguma chance de atingir o curso superior e, assim, galgar um lugar melhor na estratificada sociedade brasileira.
Com esse resultado é claro que a pesquisa publicada na Folha, apesar de ter sido manchete do jornal no domingo, foi solenemente ignorada por todos os demais veículos, fato inusual quando se trata de assunto polêmico. Nem a campeã (ou ex-campeã) da causa na imprensa, Dona Miriam, se dignou a tocar no assunto, preferindo o menos desgastante tema ecológico.
Mas nem tudo foi legal na matéria. A Folha, para não perder o hábito, deu uma cascateada básica. Reduziu o Estatuto da Igualdade Racial, que se encontra em discussão no Congresso, à questão das cotas. E, logo na primeira página, diz que o assunto ainda precisa ser muito debatido, apesar da clareza com que os números que o próprio jornal publica demonstram que a questão têm uma correlação socioeconômica tão poderosa que o debate pode durar 100 anos, mas se a sociedade brasileira não mudar, os números também não mudarão.
A pesquisa mostra que 65% dos entrevistados são a favor as cotas para os negros nas universidades e 20% é contra. Entre os que são a favor, 71% tem somente o nível Fundamental de ensino, 65% o Médio e 42% o superior. Ainda entre a maioria a favor, 70% ganha até dois salários-mínimos, 67% está entre os que recebem entre dois e cinco salários, 52% entre cinco e dez, e 39% ganha acima de dez salários-mínimos.
Já entre 20% contrários às cotas, 16% tem apenas o Ensino Fundamental, 30% o Médio e 55% o superior. Por renda, os mais ricos (acima de dez mínimos) são maioria com 57%, vindo depois, com 42%, e os que recebem mensalmente entre cinco e dez mínimos, com 28% os que ganham entre dois e cinco salários. Finalmente, entre os que percebem por mês menos de dois salários-mínimos, apenas 17% são contra as cotas para os afro-brasileiros.
A pesquisa mostra, com clareza impressionante, que quem é contra as cotas tende a estar no topo da pirâmide social e, logicamente, pretende continuar ali e garantir que seus descendentes ocupem o mesmo lugar. Já os mais pobres possuem a consciência de que só as cotas farão com que eles e seus filhos e netos tenham alguma chance de atingir o curso superior e, assim, galgar um lugar melhor na estratificada sociedade brasileira.
Com esse resultado é claro que a pesquisa publicada na Folha, apesar de ter sido manchete do jornal no domingo, foi solenemente ignorada por todos os demais veículos, fato inusual quando se trata de assunto polêmico. Nem a campeã (ou ex-campeã) da causa na imprensa, Dona Miriam, se dignou a tocar no assunto, preferindo o menos desgastante tema ecológico.
Mas nem tudo foi legal na matéria. A Folha, para não perder o hábito, deu uma cascateada básica. Reduziu o Estatuto da Igualdade Racial, que se encontra em discussão no Congresso, à questão das cotas. E, logo na primeira página, diz que o assunto ainda precisa ser muito debatido, apesar da clareza com que os números que o próprio jornal publica demonstram que a questão têm uma correlação socioeconômica tão poderosa que o debate pode durar 100 anos, mas se a sociedade brasileira não mudar, os números também não mudarão.
26.7.06
De placa
Tenho que tirar o chapéu pro Companheiro Gaspari. O artigo de hoje é de placa. Não pelo uso de exemplo gringo, artifício que ele sempre usa para mostrar-se como evoluído homem do mundo, superior aos botucodos de Bruzundanga. Nada disso. Mas por sacanear o Ali Kamel, sem lhe citar o nome e sequer o (como sempre) estapafúrdio texto publicado ontem, também na página de opinião do Globo, no qual ele ataca a idéia das políticas de ação afirmativa (aqui reduzidas às cotas para negros na universidade) manipulando percentagens, conceitos e, principalmente, os medos da classe média.
Golaço, companheiro.
Golaço, companheiro.
25.7.06
Mocinha em perigo
Você lembra que, há uns dois meses, houve a prisão em massa de um monte de fiscais da DRT-RJ pela Polícia Federal? Pois bem. A delegada regional do Trabalho, Lívia Arueira, que levou a investigação à frente, agora só sai de casa sob a proteção de um casal de agentes federais. É que a PF soube que empresários que se davam bem com o esquema contrataram assassinos para apagar a servidora pública. Vamos ver se sai alguma matéria sobre o assunto, apesar de um pequeno obstáculo. É que o pessoal do esquema desbaratado pela PF é ligadíssimo ao ex-deputado Roberto Jefferson que, de um ano para cá, ganhou uma espécie de imunidade dos veículos de comunicação.
20.7.06
Outro lado: soltura dos presos do MLST
O procuradores protestaram contra a libertação dos militantes do MLST que invadiram o Congresso e receberam ampla cobertura da imprensa. Pois a Comissão Pastoral da Terra (CPT) prostesta contra os procuradores que indiciaram os miltantes na Lei de Segurança Nacional. Leia aqui.
Com cão ou sem cão
Não sou muito de ter pena do Nove-Dedos, pois não sou de ter pena de vacilão, mas até meu coração de ouro (duro, frio e amarelo) admite que o cara é muito sacaneado pelos veículos de comunicação. Veja esse caso do FGTS para as domésticas. Ele vetou e a imprensa diz que fez isso para não contrariar a classe média perto da eleição. Agora, se ele não veta, iam dizer que ele mateve o FGTS para agradar das domésticas perto da eleição.
Tá errado por ter cão e tá errado por não ter cão.
Tá errado por ter cão e tá errado por não ter cão.
Mostrando a cobra
O título da matéria do Estado de Minas que lancei para concorrer ao Oscatzo!- 2006 é "SABOTAGEM - Atentado mira blecaute nacional" e foi perpetrada por Lucas Figueiredo.
18.7.06
Obviedade
Acadêmico comenta algo que eu também notei assim que vi O Globo hoje:
Viu a manchetona do Globo de hoje?
"Estradas têm mais roubos após o começo das férias"
Tudo bem, o tema é adequado, o assunto é importante, rende notícia, mas... Não é óbvio demais para ser publicado como matéria mais importante do dia? É uma questão lógica: época de férias, mais viagens, maior uso das estradas, mais assaltos.
Ou não?
Acho que sim.
Viu a manchetona do Globo de hoje?
"Estradas têm mais roubos após o começo das férias"
Tudo bem, o tema é adequado, o assunto é importante, rende notícia, mas... Não é óbvio demais para ser publicado como matéria mais importante do dia? É uma questão lógica: época de férias, mais viagens, maior uso das estradas, mais assaltos.
Ou não?
Acho que sim.
16.7.06
Duas pautinhas
Idéias de um ex-pauteiro agora semiviciado em séries de tevês:
"CSI brasileiros": Sou tarado no CSI Las Vegas (não gosto do Miami e não vi muitos do Nova York). E como será a vida de CSI de Terceiro Mundo, mais especificamente do Rio? Terão eles aqueles aparelhos legais? Qual a formação deles? Quais os furo nos filmes da série? Duas fontes que gostaria de ver nessa matéria (se estiverem vivos) são o Mauro Ricart, um diretor do Carlos Éboli, um tanto canalha e vaidoso, mas que uma vez resolveu um caso de um "atirador fantasma" de Vila Isabel num típico raciocínio CSI, usando raio laser, e Jamil Warwar, que chegou a ser numa época o único policial civil carioca que investigava cenas de crime e por isso desvendou, por exemplo, o assassinato de Cláudia Lessin Rodrigues.
"Eu quero ser House!": O que os médicos acham do mau-humorado, arrogante, manipulador e brilhante doutor Gregory House? Acreditam também que todo paciente é um mentiroso? Já tiveram vontade de sacanear pacientes que têm apenas e tão-somente frescurite? E o que acham do hospital e dos métodos um tanto heterodoxo do colega da ficção?
"CSI brasileiros": Sou tarado no CSI Las Vegas (não gosto do Miami e não vi muitos do Nova York). E como será a vida de CSI de Terceiro Mundo, mais especificamente do Rio? Terão eles aqueles aparelhos legais? Qual a formação deles? Quais os furo nos filmes da série? Duas fontes que gostaria de ver nessa matéria (se estiverem vivos) são o Mauro Ricart, um diretor do Carlos Éboli, um tanto canalha e vaidoso, mas que uma vez resolveu um caso de um "atirador fantasma" de Vila Isabel num típico raciocínio CSI, usando raio laser, e Jamil Warwar, que chegou a ser numa época o único policial civil carioca que investigava cenas de crime e por isso desvendou, por exemplo, o assassinato de Cláudia Lessin Rodrigues.
"Eu quero ser House!": O que os médicos acham do mau-humorado, arrogante, manipulador e brilhante doutor Gregory House? Acreditam também que todo paciente é um mentiroso? Já tiveram vontade de sacanear pacientes que têm apenas e tão-somente frescurite? E o que acham do hospital e dos métodos um tanto heterodoxo do colega da ficção?
15.7.06
Outro lado: atualização da lei do diploma para o exercício do jornalismo
Para você saber, já que os veículos de comunicação não dão mesmo esse outro lado (como fazem, aliás, quando os interessam), aqui estão os argumentos dos que defendem a atualização o Decreto que regulamenta a profissão de jornalista:
1 - Repórteres fotográficos, cinematográficos, ilustradores e diagramadores passam as ser enquadrados como profissionais de nível superior. Isso dá conta de antiga reivindicação do segmento destes profissionais, que no serviço público são contratados como nível técnico. Mas atenção: a lei não retroage! Todos os jornalistas de imagem que estão em atuação e possuem registro têm direito adquirido. Ou seja, seus registros são profissionais e definitivos.
2 - Comentários jornalísticos já estavam previstos como atividades de jornalista profissional na legislação em vigor (artigo 2º, inciso II do decreto 83.284/79). O novo projeto mantém a atividade entre as 23 funções específicas. Mas tanto o decreto em vigor desde 1979 quanto o novo projeto-de-lei prevêem a figura do colaborador, especialista. Não há mudança, só marola das empresas. Qualquer um pode escrever em jornal. Desde que o dono permita. Mas o jornalismo só deve ser exercido por jornalistas. Qualquer um pode falar sobre Justiça, mas o exercício da profissão do Direito é exclusivo dos advogados e nunca a mídia se levantou para argumentar que a regulamentação da advocacia ameaça as liberdades individuais, tão preciosas como a liberdade de expressão.
3 - A coordenação de arquivos jornalísticos já é função exclusiva de jornalista profissional (artigo 11, inciso VI). Já é lei. A desinformação e o desconhecimento só provam o desprezo pela qualidade da informação nas empresas de comunicação.
4 - O mesmo ocorre com a função de professor de jornalismo (artigo 2º, inciso VI). A lei atual já prevê que o ensino de técnicas e teorias jornalísticas é privativo de jornalista profissional. Também não há qualquer mudança. Alguma vez você já ouviu dizer que uma mentira repetida mil vezes acaba virando verdade? É o que estão tentando fazer nessa cruzada santa contra o diploma e a regulamentação da sua profissão. Fique atento e reaja.
5 - A inclusão da função de assessor de imprensa é, sim, uma importante mudança. Nesse caso, o projeto reconhece uma situação de fato: quase todo o mercado é ocupado por jornalistas, que profissionalizaram e moralizaram este segmento. Em nações democráticas, é comum os bons costumes se transformarem em leis. Sem a aprovação do novo projeto, os jornalistas continuarão sob a ameaça de perder seus postos de trabalho. Os jornalistas de assessoria de imprensa estão sendo multados pelo Conselho de Relações Públicas, que decidiu perseguir a categoria e tomar conta do mercado. Você já viu algum ataque dos nossos jornais contra o Conselho Federal dos Relações Públicas?
Desmascaradas as mentiras, vamos à verdade.
A verdade é que o projeto - discutido desde 1987 na categoria e que tramitou (esta versão) desde 2003 no Congresso - atualiza a regulamentação e consolida o conceito de que Jornalismo é atividade de nível superior e o acesso à profissão dever ser através de curso de Jornalismo. Os críticos do PLC 079/04 são contra a regulamentação profissional e contra o diploma.
Também são contra o que significa, para os jornalistas e para a sociedade, fazer do Jornalismo uma profissão. O que está em disputa, por trás de todos os ataques, é se o Jornalismo será mesmo uma profissão regulamentada pelo parlamento ou pelas nove famílias que controlam 90% da mídia brasileira. Não existe profissão sem regulamentação. Assim como seria um desastre para a sociedade brasileira ser servida por engenheiros, arquitetos e advogados sem formação qualificada e regulamentação, a desregulamentação da profissão do jornalista também representa uma ameaça ao jornalismo, à liberdade de imprensa e à liberdade de expressão.
1 - Repórteres fotográficos, cinematográficos, ilustradores e diagramadores passam as ser enquadrados como profissionais de nível superior. Isso dá conta de antiga reivindicação do segmento destes profissionais, que no serviço público são contratados como nível técnico. Mas atenção: a lei não retroage! Todos os jornalistas de imagem que estão em atuação e possuem registro têm direito adquirido. Ou seja, seus registros são profissionais e definitivos.
2 - Comentários jornalísticos já estavam previstos como atividades de jornalista profissional na legislação em vigor (artigo 2º, inciso II do decreto 83.284/79). O novo projeto mantém a atividade entre as 23 funções específicas. Mas tanto o decreto em vigor desde 1979 quanto o novo projeto-de-lei prevêem a figura do colaborador, especialista. Não há mudança, só marola das empresas. Qualquer um pode escrever em jornal. Desde que o dono permita. Mas o jornalismo só deve ser exercido por jornalistas. Qualquer um pode falar sobre Justiça, mas o exercício da profissão do Direito é exclusivo dos advogados e nunca a mídia se levantou para argumentar que a regulamentação da advocacia ameaça as liberdades individuais, tão preciosas como a liberdade de expressão.
3 - A coordenação de arquivos jornalísticos já é função exclusiva de jornalista profissional (artigo 11, inciso VI). Já é lei. A desinformação e o desconhecimento só provam o desprezo pela qualidade da informação nas empresas de comunicação.
4 - O mesmo ocorre com a função de professor de jornalismo (artigo 2º, inciso VI). A lei atual já prevê que o ensino de técnicas e teorias jornalísticas é privativo de jornalista profissional. Também não há qualquer mudança. Alguma vez você já ouviu dizer que uma mentira repetida mil vezes acaba virando verdade? É o que estão tentando fazer nessa cruzada santa contra o diploma e a regulamentação da sua profissão. Fique atento e reaja.
5 - A inclusão da função de assessor de imprensa é, sim, uma importante mudança. Nesse caso, o projeto reconhece uma situação de fato: quase todo o mercado é ocupado por jornalistas, que profissionalizaram e moralizaram este segmento. Em nações democráticas, é comum os bons costumes se transformarem em leis. Sem a aprovação do novo projeto, os jornalistas continuarão sob a ameaça de perder seus postos de trabalho. Os jornalistas de assessoria de imprensa estão sendo multados pelo Conselho de Relações Públicas, que decidiu perseguir a categoria e tomar conta do mercado. Você já viu algum ataque dos nossos jornais contra o Conselho Federal dos Relações Públicas?
Desmascaradas as mentiras, vamos à verdade.
A verdade é que o projeto - discutido desde 1987 na categoria e que tramitou (esta versão) desde 2003 no Congresso - atualiza a regulamentação e consolida o conceito de que Jornalismo é atividade de nível superior e o acesso à profissão dever ser através de curso de Jornalismo. Os críticos do PLC 079/04 são contra a regulamentação profissional e contra o diploma.
Também são contra o que significa, para os jornalistas e para a sociedade, fazer do Jornalismo uma profissão. O que está em disputa, por trás de todos os ataques, é se o Jornalismo será mesmo uma profissão regulamentada pelo parlamento ou pelas nove famílias que controlam 90% da mídia brasileira. Não existe profissão sem regulamentação. Assim como seria um desastre para a sociedade brasileira ser servida por engenheiros, arquitetos e advogados sem formação qualificada e regulamentação, a desregulamentação da profissão do jornalista também representa uma ameaça ao jornalismo, à liberdade de imprensa e à liberdade de expressão.
13.7.06
A capivara e a PAR
A redação do Globo anda cabreira. Tem neguinho achando que a PAR - o nome da participação nos lucros no jornal - desse ano pode ter sido seriamente debilitada pela cobertura da Copa. Explico. É foi gasto muito dinheiro nela e como o pessoal do Parreira fracassou redondamente, adivinha quem vai dançar ? O fato de a equipe de "estrelas" da redação ter ficado na Alemanha até o fim da Copa, ganhando diárias em euros, com a desculpa oficial de que os hotéis já estavam pagos mesmo, provocou ainda mais irritação as galés.
A desconfiança é tanta que já até um slogan explicativo para o caso de a participação ser menor do que no ano passado, ou mesmo nem existir: "A capivara comeu minha PAR"
A desconfiança é tanta que já até um slogan explicativo para o caso de a participação ser menor do que no ano passado, ou mesmo nem existir: "A capivara comeu minha PAR"
10.7.06
Cascata interna
Se você pensa que a cascata se destina apenas ao leitor, está enganado. Como o hábito é poderoso, ela acaba se virando para dentro da própria redação, como prova o emeio abaixo. comunicando que a cobertura da Copa foi o que de melhor O Globo entregou aos seus leitores:
De: Ascanio Seleme - Editoria Executiva - Infoglobo
Enviada em: quinta-feira, 6 de julho de 2006 16:02
Para: Usuarios Redacao - O GLOBO; Sucursal Brasilia; Sucursal São Paulo
Assunto: melhores do mês
MELHORES DE JUNHO
A cobertura da Copa foi a grande vencedora das melhores do mês. Os editores elegeram por aclamação os cadernos editados pelo Toninho como o melhor material produzido pelo Globo em junho. A primeira menção honrosa foi para Ana Lúcia Azevedo, pelo caderno do Clima, editado na Civida. A segunda menção coube ao Mauro Ventura, pela reportagem dos 50 anos do livro Encontro Marcado, de Fernando Sabino, publicada no Segundo Caderno.
Entre os suplementos, a Revista O Globo ficou com o prêmio do mês pela capa dos 100 brasileiros geniais. O trabalho, coordenado por Marília Martins, foi obra conjunta da redação, já que todas as editorias participaram da sua produção. A primeira menção honrosa foi atribuída a André Miranda pela matéria Orla Sem Lei, publicada no Zona Sul. A segunda menção foi para Jefferson Lessa e Eduardo Fradkin, pela capa Para Tudo Tem Concerto, do Rio Show.
O prêmio gráfico foi para o Toninho, o Télio Navega e o Alvim, pelas capas dos cadernos da Copa.
A foto mês é de Marco Antônio Cavalcanti, com a imagem de PMs pegando carona numa kombi de frete.
Parabéns a todos!
Só para você saber, foi ouvido muito ranger de dentes na redação.
De: Ascanio Seleme - Editoria Executiva - Infoglobo
Enviada em: quinta-feira, 6 de julho de 2006 16:02
Para: Usuarios Redacao - O GLOBO; Sucursal Brasilia; Sucursal São Paulo
Assunto: melhores do mês
MELHORES DE JUNHO
A cobertura da Copa foi a grande vencedora das melhores do mês. Os editores elegeram por aclamação os cadernos editados pelo Toninho como o melhor material produzido pelo Globo em junho. A primeira menção honrosa foi para Ana Lúcia Azevedo, pelo caderno do Clima, editado na Civida. A segunda menção coube ao Mauro Ventura, pela reportagem dos 50 anos do livro Encontro Marcado, de Fernando Sabino, publicada no Segundo Caderno.
Entre os suplementos, a Revista O Globo ficou com o prêmio do mês pela capa dos 100 brasileiros geniais. O trabalho, coordenado por Marília Martins, foi obra conjunta da redação, já que todas as editorias participaram da sua produção. A primeira menção honrosa foi atribuída a André Miranda pela matéria Orla Sem Lei, publicada no Zona Sul. A segunda menção foi para Jefferson Lessa e Eduardo Fradkin, pela capa Para Tudo Tem Concerto, do Rio Show.
O prêmio gráfico foi para o Toninho, o Télio Navega e o Alvim, pelas capas dos cadernos da Copa.
A foto mês é de Marco Antônio Cavalcanti, com a imagem de PMs pegando carona numa kombi de frete.
Parabéns a todos!
Só para você saber, foi ouvido muito ranger de dentes na redação.
8.7.06
Verde de vergonha
Chamada da Globonews para um dos programas da série Espaço Aberto:
"Há anos, as ervas sãoi usadas em tratamentos fitoterápicos..."
"Há anos, as ervas sãoi usadas em tratamentos fitoterápicos..."
7.7.06
Vai se duro
Neguinho vem cheio de amor para dar nessa campanha, a julgar pelo noticiário primeiro dia. Experimente trocar PMDB por Zilda Arns e/ou Pastroral da Criança na manchete do Globo de hoje e veja se o resultado não é o mesmo.
Meu Deus, como outubro está longe...
Meu Deus, como outubro está longe...