27.6.06
Zarolha e perna-de-pau
O Sportv tem uma predileção por mesas-redongas que chega às raias da tara. São três por dia e uma ou outra - como a "Bem, amigos", do Galvão - semanais. Nessa Copa, porém, esse fanatismo acabou por criar um problema: foi necessário arrumar um time reserva de mesa-redondistas, pois o principal está na Alemanha. A solução foi chamar alguns convidados para se juntarem aos reservas imediatos, como o hilário conterrâneo Zé do Carmo. Na maior parte das vezes deu certo, em especial com o Geninho, técnico do Corinthians que tem se mostrado bom de estúdio. No entanto, deu erradíssimo com uma certa Milly Lacombe.
A moça já tinha sido da responsável por aquela detonação do Marcelo Barreto registrada mais abaixo, mas hoje ela estabeleceu uma marca. Quando perguntada o que achara de bom no time brasileiro em sua vitória sobre Gana, respondeu na lata: "Ricardinho. Fez em oito minuitos mais do que o Kaká em mais de oitenta".
Bem, vamos lá:
1. Kaká deu o passe para o primeiro gol;
2. Kaká foi fundamental no segundo gol, quando tomou a frente de Cafu para puxar o contra-ataque iniciado por Lúcio;
3. Ricadinho entrou faltando oito minutos contra um time com dez, que perdia de 2 a 0 do considerado (até segunda ordem) melhor time de futebol do planeta.
Na boa, não sei de onde essa senhora saiu, mas bem que podia voltar pra lá bem rápido.
A moça já tinha sido da responsável por aquela detonação do Marcelo Barreto registrada mais abaixo, mas hoje ela estabeleceu uma marca. Quando perguntada o que achara de bom no time brasileiro em sua vitória sobre Gana, respondeu na lata: "Ricardinho. Fez em oito minuitos mais do que o Kaká em mais de oitenta".
Bem, vamos lá:
1. Kaká deu o passe para o primeiro gol;
2. Kaká foi fundamental no segundo gol, quando tomou a frente de Cafu para puxar o contra-ataque iniciado por Lúcio;
3. Ricadinho entrou faltando oito minutos contra um time com dez, que perdia de 2 a 0 do considerado (até segunda ordem) melhor time de futebol do planeta.
Na boa, não sei de onde essa senhora saiu, mas bem que podia voltar pra lá bem rápido.
23.6.06
Despedida lamentável
O Galinho Chorão de Osaka se despediu de maneira melacólica da Copa 2006 jogando a culpa do fracasso (o quinto dele em Copas do Mundo) nos jogadores japoneses, acusados de falta de profissionalismo. Um típico treinador da escola "eu ganho, nós empatamos e eles perdem". E nem assim sofreu qualquer crítica da imprensa esportiva.
22.6.06
Vai tarde...
A revista Primeira Leitura fechou as portas por falta de bufunfa. Definhou depois que o cara da grana, Luiz Carlos Mendonça de Barros - ministro das Comunicações no governo FHC ao tempo da estranhíssima privatização do Sistema Telebrás - abandonou o barco, em 2004.
Menos uma publicação cascateira nas bancas.
Menos uma publicação cascateira nas bancas.
Cony, Nassif e o Entrelinhas
O coleguinha Luiz Antônio Magalhães é crítico de mídia profissional, fazendo parte da equipe do Oberservatório da Imprensa. Ele também mantém um blog, o Entrelinhas. Nele estão esses textos de Carlos Heitor Cony e Luiz Nassif. Merecem ser lidos.
21.6.06
Palmas pro Marcelo!
O papo ia animado no Sportv, quando uma moça disse que a ambição dos jogadores brasileiros de quebrarem recordes ia acabar levando o time à derrota. Marcelo Barreto, coleguinha sensato e inteligente (duas qualidades cada vez mais em falta no mercado jornalístico), não aguentou e, lá da Alemanha (a moça está no Brasil), quando a bola voltou, mandou de bate-pronto:
- Quem inventou esse negócio de recordes foi a imprensa e agora ela cobra dos jogadores.
Choque. Todo mundo calado. Marcelo vai em frente e, virando-se para Aydano André Motta, que estava ao lado, continuou :
- Se você é Cafu e te perguntam se quer bater o recorde de jogos na seleção, você vai responder o quê?
Aydano responde, rindo:
- Não...Tô a fim não...
Os outros participantes do programa, aqui e lá, continuam calados. Marcelo engata a quinta:
E quem disse que a seleção ia dar espetáculo na Copa fomos nós da imprensa. Ninguém na seleção nunca disse isso.
Alguém mudou de assunto.
Pois é. Jornalista com autocrítica. Não é comum, mas aparece de vez em quando. Muito de vez em quando.
- Quem inventou esse negócio de recordes foi a imprensa e agora ela cobra dos jogadores.
Choque. Todo mundo calado. Marcelo vai em frente e, virando-se para Aydano André Motta, que estava ao lado, continuou :
- Se você é Cafu e te perguntam se quer bater o recorde de jogos na seleção, você vai responder o quê?
Aydano responde, rindo:
- Não...Tô a fim não...
Os outros participantes do programa, aqui e lá, continuam calados. Marcelo engata a quinta:
E quem disse que a seleção ia dar espetáculo na Copa fomos nós da imprensa. Ninguém na seleção nunca disse isso.
Alguém mudou de assunto.
Pois é. Jornalista com autocrítica. Não é comum, mas aparece de vez em quando. Muito de vez em quando.
Galinho chorão
Essa Copa está um porre até agora. Entre as poucas coisas divertidas estão as entrevistas do Zico. O galinho de Osaka culpa tudo e todos pela desclassificação do Japão - pelas minhas notas, só escaparam por enquanto o Bush, o bin Laden e o Papa (mas como ainda tem entrevista coletiva amanhã, eles não podem se considerar livres ainda). O interessante é que os coleguinhas não fazem perguntas simples como:
Zico, o horário dos jogos é conhecido há quase um ano. Você não planejou uma adaptação ao calor que se espera às 15 horas?
Zico, você disse que Sérvia e Togo também sentiram o peso do calor da hora em que jogaram. Duas perguntas: 1. Os togoleses, nascidos e criados na zona equatorial, sentiram o calor alemão? 2. A Argentina teve a melhor atuação de um time nessa Copa jogando contra a Sérvia no horário das 15 horas. Para você, então, só havia calor num lado do gramado e esse lado mudou do primeiro para o segundo tempo, junto com os times?
Na boa, o Japão fracassou porque tem um técnico ruim. O resto é conversa da galeto chorão.
Zico, o horário dos jogos é conhecido há quase um ano. Você não planejou uma adaptação ao calor que se espera às 15 horas?
Zico, você disse que Sérvia e Togo também sentiram o peso do calor da hora em que jogaram. Duas perguntas: 1. Os togoleses, nascidos e criados na zona equatorial, sentiram o calor alemão? 2. A Argentina teve a melhor atuação de um time nessa Copa jogando contra a Sérvia no horário das 15 horas. Para você, então, só havia calor num lado do gramado e esse lado mudou do primeiro para o segundo tempo, junto com os times?
Na boa, o Japão fracassou porque tem um técnico ruim. O resto é conversa da galeto chorão.
19.6.06
Indicados aos Oscatzos!
Depois de profundos debates e maduras reflexões, os acadêmicos responsáveis pels indicação aos Oscartzos! - troféus para os vencedores do King of the King 2006 para as maiores cascatas e cascateiros deste ano - decidiram por dois concorrentes:
A Guerra dos Porões (Márcio Aith - Veja, edição 1956)
América garante estar perto de ter Rivaldo (O Globo, Gazeta Esportiva e outros jornais)
Essas duas matérias já estão classificadas para a final que será realizada no fim do ano.
Também foram indicados para menções honrosas Ali Kamel (conjunto da obra), Diogo Mainardi (revelação) e Cora Rónai (pelas colunas na Copa). Eles levarão Oscatzos! de prata.
A Guerra dos Porões (Márcio Aith - Veja, edição 1956)
América garante estar perto de ter Rivaldo (O Globo, Gazeta Esportiva e outros jornais)
Essas duas matérias já estão classificadas para a final que será realizada no fim do ano.
Também foram indicados para menções honrosas Ali Kamel (conjunto da obra), Diogo Mainardi (revelação) e Cora Rónai (pelas colunas na Copa). Eles levarão Oscatzos! de prata.
14.6.06
Como sofre o torcedor canarinho...
A Copa começou e um acadêmico faz um pequeno retrospecto das sandices já ditas e publicadas na imprensa pátria:
Pois começou a Copa do Mundo e antes de começar tivemos aquele festival de falta de notícia que acomete jornais e televisões na busca de enganar leitores e espectadores enquanto a bola não rola.
O caderno do GLOBO é um caso especial no mundo do exagero. Tinha 18 páginas até quarta-feira quando alguém deve ter descoberto que papel custa caro e baixou para 14. Nesses dias de 18, teve uma capa e uma central sobre a garotada tricolor em Xerém ?!?!? No dia seguinte, a capa era dos adversários do Brasil, com foto-poster na central de um grupo musical que toca na oktoberfest. Aliás, até agora são indigentes as coberturas de croatas (de difícil apuração), australianos (de pouco assunto) e japoneses.
No mesmo caderno, tivemos colunas consecutivas de xexéo, cora e veríssimo sobre morangos.
Renato Maurício Prado revelou a atenção de Cora sobre futebol na redação do Globo na Alemanha. "Quando começa a Copa?", perguntou a quatro dias do começo. "E o Brasil joga?"
Para piorar, tivemos duas páginas sobre as bolhas de Ronaldo e mais duas sobre a febre de Ronaldo. O Fenômeno - sempre tão solícito com os jornalistas que anunciou seu primeiro casamento numa coletiva e o segundo em entrevista exclusiva ao Fantástico - acabou ficando puto. E ainda sobrou para o Lula.
Parêntesis: o presidente defende o Ronaldo ("eu encontro o Ronaldo e vejo que ele está magro. Aí a gente lê na imprensa que ele está gordo. Afinal, Parreira, ela está gordo ou não está?") e os jornais (ou os coleguinhas?) criam um clima de que ele criticou o sujeito. Má fé ou falta de assunto mesmo?
Mas começou a Copa. E a Globo anda atacada.
Sergio Noronha no sábado (N.R.: jogo Suécia x Trinidad-Tobago): "Dizem que esse Ibrahimovich joga muito". Dizem???? O sujeito joga na Juventus, da Itália; está toda semana na televisão. Como dizem?
Galvão Bueno no domingo (N.R.: Jogo Sérvia e Montenegro x Holanda): "Fico sempre na dúvida: o Petkovic é sérvio ou croata?" se não sabe essa...
e olha que não sou daqueles que tem horror ao galvão. pior é ouvir as obviedades de falcão, incapaz de dar qualquer informação sobre os jogadores que entram ou saem, sejam na seleção da holanda, sejam na da inglaterra.
vamos precisar de sorte. copa do mundo na europa é sempre esse trem da alegria. vai jornalista brasileiro demais para notícia de menos. e essa gente tende ao oba-oba. espero que a seleção os ignore.
Pois começou a Copa do Mundo e antes de começar tivemos aquele festival de falta de notícia que acomete jornais e televisões na busca de enganar leitores e espectadores enquanto a bola não rola.
O caderno do GLOBO é um caso especial no mundo do exagero. Tinha 18 páginas até quarta-feira quando alguém deve ter descoberto que papel custa caro e baixou para 14. Nesses dias de 18, teve uma capa e uma central sobre a garotada tricolor em Xerém ?!?!? No dia seguinte, a capa era dos adversários do Brasil, com foto-poster na central de um grupo musical que toca na oktoberfest. Aliás, até agora são indigentes as coberturas de croatas (de difícil apuração), australianos (de pouco assunto) e japoneses.
No mesmo caderno, tivemos colunas consecutivas de xexéo, cora e veríssimo sobre morangos.
Renato Maurício Prado revelou a atenção de Cora sobre futebol na redação do Globo na Alemanha. "Quando começa a Copa?", perguntou a quatro dias do começo. "E o Brasil joga?"
Para piorar, tivemos duas páginas sobre as bolhas de Ronaldo e mais duas sobre a febre de Ronaldo. O Fenômeno - sempre tão solícito com os jornalistas que anunciou seu primeiro casamento numa coletiva e o segundo em entrevista exclusiva ao Fantástico - acabou ficando puto. E ainda sobrou para o Lula.
Parêntesis: o presidente defende o Ronaldo ("eu encontro o Ronaldo e vejo que ele está magro. Aí a gente lê na imprensa que ele está gordo. Afinal, Parreira, ela está gordo ou não está?") e os jornais (ou os coleguinhas?) criam um clima de que ele criticou o sujeito. Má fé ou falta de assunto mesmo?
Mas começou a Copa. E a Globo anda atacada.
Sergio Noronha no sábado (N.R.: jogo Suécia x Trinidad-Tobago): "Dizem que esse Ibrahimovich joga muito". Dizem???? O sujeito joga na Juventus, da Itália; está toda semana na televisão. Como dizem?
Galvão Bueno no domingo (N.R.: Jogo Sérvia e Montenegro x Holanda): "Fico sempre na dúvida: o Petkovic é sérvio ou croata?" se não sabe essa...
e olha que não sou daqueles que tem horror ao galvão. pior é ouvir as obviedades de falcão, incapaz de dar qualquer informação sobre os jogadores que entram ou saem, sejam na seleção da holanda, sejam na da inglaterra.
vamos precisar de sorte. copa do mundo na europa é sempre esse trem da alegria. vai jornalista brasileiro demais para notícia de menos. e essa gente tende ao oba-oba. espero que a seleção os ignore.
11.6.06
Vitória escondida
Na semana passada, o STF tomou uma decisão histórica e rara no Brasil por ser contra os poderosos. Por 9 a 2, os ministros julgaram improcedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) promovida pelo setor financeiro, que pedia que o Código de Defesa do Consumidor não fosse aplicado aos bancos. Com a decisão, as atividades de natureza bancária, financeira, de crédito e securitárias devem ser incluídas no conceito de serviço abrangido pelas relações de consumo.
Os veículos de comunicação, é claro, esconderam como puderam essa vitória, uma das maiores de que me lembro dos cidadãos nos últimos dez anos.
Os veículos de comunicação, é claro, esconderam como puderam essa vitória, uma das maiores de que me lembro dos cidadãos nos últimos dez anos.
8.6.06
O sagrado e o profano
A cara Tereza Cruvinel ao comentar ontem a invasão do Congresso pelo MLST (quem?) chamou o ataque de "profanação" da "sacralidade" daquela casa legislativa, tomada, pois, como templo da democracia e, na verdade, confundida com ela (daí o "ataque à democracia", também invocado pela colunista e por quase todos os jornais, rádio e tevês). Três comentários:
1. O sagrado, em qualquer religião, é posto necessariamente fora do alcance dos mortais. Ora, a democracia, por definição, não pode ser posta longe dos mortais, já que são eles que a põem em prática. Segue-se que ou bem o Parlamento é democrático e por isso não pode ser um templo sagrado, ou bem é um templo sagrado e não é democrático;
2. Na mesma linha de raciocínio, mas seguindo a direção oposta, as metáforas religiosas demonstram com precisão o problema central que leva a violências como as ocorridas anteontem em BSB: os democratas brasileiros procuram, a todo custo, se manter distante do povo brasileiro (e com sucesso). Assim, a população simplesmente não reconhece o tal templo da democracia, onde se aninham os tais democratas, como algo que se deva preservar. Pior. Identifica aquele lugar como o templo de uma seita odiosa, que merece mesmo ser destruído.
3. E que seita seria essa? Ora, a dos fariseus, gente que, como dizia aquele outro, parecem templos caiados por fora, mas que estão podres por dentro.
Portanto, se a idéia de que aquele prédio lá em Brasília é algum tipo de templo continua se propagando, podemos esperar maiores e mais violentas invasões. Fariam melhor os jornalistas se incentivassem a população a participar da vida democrática nas escolas, nos sindicatos, nas associações de moradores e em outras organizações da sociedade civil, e também passasse a reivindicar os seus direitos e cumprir os seus deveres. Assim, um dia, quem sabe, o Bananão acabe se tornando uma boa democracia popular, republicana e leiga.
1. O sagrado, em qualquer religião, é posto necessariamente fora do alcance dos mortais. Ora, a democracia, por definição, não pode ser posta longe dos mortais, já que são eles que a põem em prática. Segue-se que ou bem o Parlamento é democrático e por isso não pode ser um templo sagrado, ou bem é um templo sagrado e não é democrático;
2. Na mesma linha de raciocínio, mas seguindo a direção oposta, as metáforas religiosas demonstram com precisão o problema central que leva a violências como as ocorridas anteontem em BSB: os democratas brasileiros procuram, a todo custo, se manter distante do povo brasileiro (e com sucesso). Assim, a população simplesmente não reconhece o tal templo da democracia, onde se aninham os tais democratas, como algo que se deva preservar. Pior. Identifica aquele lugar como o templo de uma seita odiosa, que merece mesmo ser destruído.
3. E que seita seria essa? Ora, a dos fariseus, gente que, como dizia aquele outro, parecem templos caiados por fora, mas que estão podres por dentro.
Portanto, se a idéia de que aquele prédio lá em Brasília é algum tipo de templo continua se propagando, podemos esperar maiores e mais violentas invasões. Fariam melhor os jornalistas se incentivassem a população a participar da vida democrática nas escolas, nos sindicatos, nas associações de moradores e em outras organizações da sociedade civil, e também passasse a reivindicar os seus direitos e cumprir os seus deveres. Assim, um dia, quem sabe, o Bananão acabe se tornando uma boa democracia popular, republicana e leiga.
4.6.06
"Cascata-novela"
Nem sempre a cascata nasce cascata. Às vezes, uma matéria se torna cascata aos poucos. É o caso típico da "cascata-novela", muito encontrada em séries de reportagens, especialmente naquelas desenhadas para ganhar prêmios (Esso, Embratel...). Exemplo: essa série sobre os Cieps, do Globo.
A idéia é cascata? Não acho. O tema é importante (Educação), o gancho existia - fraquinho, pois datas são normalmente ganhos forçados, mas existia - e os repórteres escalados para fazer as matérias são experientes e sérios. Os ingredientes sugerem uma boa reportagem, só que, ao ser esticada para dar ibope (prêmio), vira "cascata-novela". A série sobre os 21 anos dos Cieps tinha fôlego para três reportagens - a) identificação do problema, com histórico; b) comparações e explicações para a existência do problema; c) debate e proposição de soluções para o problema. Tudo podendo ou não ser salpicado com "casos reais".
Mas o que aconteceu? A série virou uma novela de semana inteira, com direito pieguíssimos "casos humanos" para atender àquela praga dos jornais que são os "personagens", "gente como a gente" que, supostamente, fazem com que o leitor se identifique com a matéria - e, na verdade, servem, no máximo, para catarse individual, e sempre à despolitização do tema e consequente eternização do problema. Vai ganhar prêmio? Vai. Vai ajudar a resolver o problema dos Cieps que não estão sendo a escolas de excelência que deveriam? Duvido. Mas também, quem liga? Afinal quem estuda em Ciep é pobre e quem liga pra pobre?
A idéia é cascata? Não acho. O tema é importante (Educação), o gancho existia - fraquinho, pois datas são normalmente ganhos forçados, mas existia - e os repórteres escalados para fazer as matérias são experientes e sérios. Os ingredientes sugerem uma boa reportagem, só que, ao ser esticada para dar ibope (prêmio), vira "cascata-novela". A série sobre os 21 anos dos Cieps tinha fôlego para três reportagens - a) identificação do problema, com histórico; b) comparações e explicações para a existência do problema; c) debate e proposição de soluções para o problema. Tudo podendo ou não ser salpicado com "casos reais".
Mas o que aconteceu? A série virou uma novela de semana inteira, com direito pieguíssimos "casos humanos" para atender àquela praga dos jornais que são os "personagens", "gente como a gente" que, supostamente, fazem com que o leitor se identifique com a matéria - e, na verdade, servem, no máximo, para catarse individual, e sempre à despolitização do tema e consequente eternização do problema. Vai ganhar prêmio? Vai. Vai ajudar a resolver o problema dos Cieps que não estão sendo a escolas de excelência que deveriam? Duvido. Mas também, quem liga? Afinal quem estuda em Ciep é pobre e quem liga pra pobre?
3.6.06
Cascata elétrica
Ou neguinho é muito otário ou é muito preguiçoso. Fico sempre nessa dúvida quando vejo matérias como essas em que a ONS diz ter um esquema contra apagão durante os jogos do Brasil. Tremenda cascata! Não tem como evitar apagão mesmo, daqueles que acontecem de vez quando, porque o sistema é interligado. Caiu um raio numa subestação errada no interior de São Paulo, deu uma vetania mais forte e derrubou linha de alta tensão que não tenha backup (são um monte) no meio de Minas e babau... Não tem esquema que dê jeito.