10.12.06

 

Ilusões perdidas



   Quando se diz que os interesses das empresas de comunicação mais e mais se distanciam daqueles da sociedade, dando preferência quase absoluta aos seus próprios, alguns coleguinhas sobem nas tamancas e, mesmo admitindo erros dos veículos em que trabalham, os atribuem ao azar, às forças do além ou ao zodíaco. Tudo bem, creio que muita gente precisa se auto-iludir para poder dormir sossegado. Muitas vezes são os melhores, aqueles que ainda têm consciência, que agem assim. Mas o tempo passa e está cada vez mais difícil manter esse tipo de posição.

   Antes de prosseguir, um aviso. Quem está escrevendo isso é um cara que trabalhou mais de dez anos com esporte e viu como essa atividade humana tem um potencial incrível para mudar a vida de um número enorme de pessoas com investimentos mínimos de tempo e dinheiro. Prossigamos


    Como dizia, os veículos comunicação, em especial os ligados aos grandes grupos de mídia, se voltam cada vez mais claramente seus interesses, mesmo que estes sejam contra o interesse geral da sociedade. É o que acontece agora mesmo com O Globo e sua sórdida campanha para impedir a aprovação da lei que permitirá o desconto no Imposto de Renda dos investimentos nessa área realizados por empresas. O prinicpal jornal das Organizações Globo, no caso, defende os interesses da Rede Globo. A aprovação da lei, que já passou na Câmara e vai ao Senado, atinge a Globo em dois pontos:

      1. Fortalece o poder de barganha das entidades esportivas, que, com mais possibilidade de negociar seus eventos, não ficarão inteiramente à mercê da Rede, que ainda terá de enfrentar empresas tão duras na negociação quanto ela;
      2. Com a muito provável migração das empresas privadas para os eventos esportivos, os investimentos da emissora em cultura terã que aumentar muito, pois, melhor do que ninguém, a empresa dos Marinho sabe da voracidade insaciável dos artistas por dinheiro. Eles exigirão mais para continuarem a ser a linha auxiliar da Rede no sua estratégia de apresentar-se como defensora dos valores brasileiros....Ok, já parou de rir? Obrigado...Como eu dizia, na estratégia da empresa de se mostrar como defensora do Brasil contra o suposto perigo representado por estrangeiros (leia-se telecoms) que querem produzir conteúdos no país. Hoje, os artistam aceitam que a Globo entre apenas como "promoção" do espetáculo, mas, com o dinheiro mais curto, vão exigir que ela entre com grana mesmo e não apenas com o nome.

   É, caros e bons coleguinhas que não conseguem viver com a idéia de que são meras peças de uma máquina que apenas os usa para fins que vocês não querem nem saber quais são. Já está na hora de vocês começarem a providenciar receitas de Lex 6, pois apenas as ilusões não vão mais ajudá-los na hora de botar a cabeça no travesseiro.

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