21.12.06
Decupando missivas
Lendo as duas missivas abaixo, faço as seguintes (e tremendamente incompletas) reflexões:
1. Correta a pergunta do Latgé: se o Rodrigo estava tão incomodado com a manipulação da Globo, por que não saiu logo?
2. A correção da pergunta, porém, não desqualifica as acusações, especialmente uma não respondida (e que já tinha sido feita antes e ficado sem respoata satisfatória): por que os detalhes da colaboração do delegado paulistas na revelação sobre a pilha de dinheiro que teriam sido levadas por petistas para a compra do Dossiê Serra?
3. Concordo com Latgé que Rodrigo quis sair como mártir político. Mas isso também não desqualifica as acusações. Mal comparando, Dom Tomaso Buschetta se mostrou "arrependido" de seu passado mafioso em troca de clemência e uma vida nova, mas nem por isso suas informações que forneceu eram menos verdadeiras. Rodrigo também parece estar buscando nossa (do público) clemência pelo seu passado global e, se não uma vida, pelo menos um emprego novo. Como no caso de Dom Tomaso, sua informações também podem ser verdadeiras.
4. Latgé não diz os motivos pelos quais a empresa resolveu demitir Rodrigo. O diretor da Globo deixa a entender que eles são relevantes. Para que os pratos ficassem bem limpos, seria bom que a empresa viesse a público para informar o porquê da demissão. Não tomando essa atitude, pode-se ficar pensando que o jornalista perdeu o emprego, por exemplo, por ter se recusado a assinar o tal manifesto em defesa da cobertura que ele agora ataca.
5. Passou despercebida a denúncia de que um diretor da Globo estaria impedindo que os negros sejam chamados assim nos telejornais da emissora, obrigando-os a serem referidos como "pretos e pardos". Essa denúncia também é grave, pois revela a mesma manipulação num assunto não muito percebido e, se o nome do diretor for Ali Kamel, o uso do jornalismo da Rede Globo para defender uma tese pessoal que Ali defende até em livro.
Certamente há mais coisas a serem pensadas, mas haverá tempo para isso.