3.11.06
Veja x PF
Para começar, acredito mesmo que o delegado da PF tenha constrangido os coleguinhas da Veja. Minha crença vem de dois fatos:
1.Marcelo Carneiro é um dos coleguinhas. Trabalhei com ele no JB e é um sujeito honesto e jornalista competente. Pode-se argumentar que está na Veja há tempo demais (cinco ou seis anos, pelos meus cálculos) e jornalistas honestos e competentes não ficam tando tempo nessa revista (nas Vejinhas, não há problema). É um ponto a ser considerado, mas, no caso do Marcelo, pode se dever aos terríveis problemas familiares pelos quais passou neste período. E como não tenho relatos desabonadores a sua conduta profissional ou pessoal, fico com o que conheço.
2.Polícia no Brasil truculenta desde a Colônia (taí um bom tema para livro do Eduardo Bueno). Os jornalistas sabem disso, mas não ligam muito se essa violência se voltar contra negros e/ou pobres, como é a praxe. No caso em tela, as vítimas estão entre os "homens bons" da sociedade - ainda por cima da corporação (algo também execrado quando não é com jornalista) - e por isso o pessoal está chiando.
Dito isto, vamos aos aspectos propriamente técnicos do caso.
Normalmente quando se acusa alguém de algo desabonador, a imprensa bota lá um "suposto" e segue em frente. Essa regra, porém, é muitas vezes esquecida quando se trata de órgãos e servidores do Estado. Na maior parte das matérias, esse tipo de acusado é tratado como culpado desde o lide da primeira matéria e, mesmo quando inocentado depois, os jornalistas não só não pedem desculpas, como ficam catando indícios esparsos para manter a acusação. Exemplo recente: o tal Freud do caso do Dossiê Serra. No caso dos coleguinhas da Veja, a PF já foi julgada e condenada pelos jornais e jornalistas. O Merval Pereira (ó surpresa!) até escreveu uma coluna inteira massacrando a polícia.
Isenção? Outro lado? Princípio da Inculpabilidade (todos são inocentes etc etc)? Bem, isso não vale quando o caso põe de um lado os jornalistas de uma grande publicação e de outro servidores públicos, ainda mais se o governo é de esquerda. Nesse caso, manda-se belas idéias acima às favas, junto como os escrúpulos de consciência.