26.11.06

 

Segundo tempo



   Enquanto estava na Bahia, soube que começou o segundo tempo da campanha pró-privatização. E começou com aquela falta de imaginação e a preguiça que caracterizam as redações nos últimos anos. No caso, com ataques do Globo à Petrobras, novamente mostrada como valhacouto de ladrões do dinheiro público e antro de vagabundos que ganha um salário enorme para fazer nada. E para deixar bem claro que o nível de esculhambação está atingindo novos patamares nos veículos, a pauta é uma cópia de outra da Folha, realizada durante a campanha eleitoral, com o mesmo fito.

   Menos mal que esse tipo de pauta acaba tendo efeito exatamente exatamente contrário a que se propõe, por dois motivos:

      1. Como a Petrobras (e outras estatais) é caracteriza como paraíso de quem quer fazer arranjos, os políticos, sejam da hoje situação, sejam da hoje oposição, jamais vão privatizá-la, pois estariam jogando contra si mesmos ao jogarem fora uma arma assim supostamente tão poderosa;

      2. Como os empregados da empresa são tachados de bando de indolentes que ganham rios de dinheiro para nada fazer, matérias como essas do Globo aumentam o interesse pelo concursos da Petrobras (e de outras estatais). Assim, aumenta a base social dos que são contra a privatização. Afinal, quem é que não tem interesse de se aproveitar dessa suposta mamata apontada pelos jornais?

   Não admira que, com mentes brilhantes assim a defendê-la, a privatização tenha sido massacrada no plebiscito do segundo turno das eleições presidenciais.

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