18.11.06
Pagando o pato
Ontem, em sua coluna no Globo, Renato Maurí?cio Prado protestou contra o constrangimento pelo qual passou a equipe do Sportv que transmitiu o jogo Remo x Paulista, realizado no Baenão, estádio do azulão de Belém do Pará. Os coleguinhas foram cercados após o jogo e tiveram que ouvir muitas e ruins dos torcedores remistas, saindo escoltados pela polí?cia.
Prado atribuiu o incidente à revolta dos torcedores do Remo com a arbitragem, que eles acusavam de ter roubado o time da casa (vi o jogo. Roubou mesmo. O pênalti que deu o empate ao time de São Paulo claramente não existiu). O colunista também atribuiu o fato à? falta de segurança que hoje existe nos campos de futebol.
Realmente, os dois pontos apontados são pertinentes, mas há outro: o mal-estar da população com a imprensa, por tabela com os jornalistas. Afinal, que culpa teria a equipe do Sportv pelos erros do juiz? Até porque os três profissionais eram da terra e, como manda a praxe, torceram descaradamente para o Remo (essa atitude dos coleguinhas de esporte ocorre em todo o Brasil, com exceção do Rio, onde eles se esforçam ao máximo para manter de pé mito da imparcialidade jornalística).
Os coleguinhas da Sportv somente pagaram o pato. Os remistas estavam furiosos com o trio de arbitragem (que, também como manda a praxe, saiu do campo e do estádio escoltado), mas aproveitaram, já que estavam com a mão na massa, para pegarem pesado com os jornalistas. Afinal, no Pará o Nove-Dedos não só teve mais de 80% dos votos, como ainda elegeu a governadora do estado. Ou seja, boa parte da população local certamente não gostou nada do comportamento da mídia durante a eleição. E como na camisa das equipes do Sportv TV tem aquele logo da Rede Globo...