22.10.06
"Arrecua os arfe pra evitar a catastre!"
Era o que berrava o Neném Prancha, segundo o João Saldanha, quando o time do Juventus, que ele treinava, ameaçava tomar um balaio nas areias de Copacabana. Pois foi exatamente o que fizeram nossos jornais e revistas neste fim de semana: "arrecuaram os arfe pra evitar a catastre" que está sendo a retumbante derrota política da tese de que a privatização é a solução para todos os males (inclusive lumbago) e que Estado bom é Estado tetraplégico.
Época, Veja (que surpresa!), JB e Estado de São Paulo (não li a Folha) saíram em defesa da privatização, tese que, em menos de uma semana, demoliu a candidatura Alckmin, a favorita dessas empresas (e de praticamente todas do setor, aliás). Os veículos lembraram os dados como os que dizem que agora todos podem ter linhas telefônicas fixas e celulares, ao contrário do que era na época estatal. Esqueceram, óbvio, de dizer que há 10 milhões de linhas fixas mofando nas prateleiras por terem sido devolvidas pelos felizes ex-proprietários que não puderam pagar as tarifas determinadas pelos monopólios privados que dominam cada região do país. Também contaram que mais de 80% dos celulares são pré-pagos, a maioria dos quais na maior parte do tempo operando no "modo pai-de-santo" - só recebendo.
Nas matérias, os veículos fizeram o que geralmente fazem quando as teses que defendem são humilhadas politicamente: atacaram o povo. Mas tudo bem. Estamos em boa companhia. Afinal, o Estado sonhado pelos donos das empresas de comunicação do Brasil só existe na cabeça deles. Nem nos EUA o Estado deixa de intervir na economia em praticamente todos os setores.
Comments:
<< Home
Sem falar na fibra ótica, que o governo da octatéride tucana custeou para depois vender (barato, não custa dizer). TSc, tsc, tsc. E os nossos colunistas endossam a tese ...
E hoje, na capa do Globo, uma provocação relaciona a compra da Inco pela Vale com a declaração do Lula de que não privatizaria a empresa. Juro que na hora achei que o jornal estava, repentinamente, "anti-privatário", porque pensei: "Bem, então o Lula faria certo, porque a empresa valia o suficiente para continuar estatal e, possivelmente, faria grandes negócios". Porém, como conhecemos o jornal, sabemos que não é bem isso. Então a relação é sofismática. Insinua que, se não fosse privatizada, a Vale nunca faria aquele grande negócio. Quem garante?
Postar um comentário
<< Home