19.8.06

 

Do bom (ou da boa)...

   Ao ler a superreco publicada hoje no Prosa&Verso, do Globo, sobre o livro "Não somos racistas", do Ali Kamel, fiquei a me perguntar sobre os botecos da PUC. Sabe como é: faculdade de comunicação que é faculdade de comunicação tem aqueles pés-sujos (ou nem tanto) em que a galera vai meditar sobre os grandes problemas da humanidade antes e após as aulas (bem...Muitas vezes durante mesmo). Lá na UFF tínhamos quatro: os três do Triângulo Alcoólico, que ficavam numa das pontas da rua Laura Vilela, há uns 200 metros do IACS, e o saudosíssimo Natal, pertinho do ICHF, onde tínhamos várias cadeiras, especialmente nos dois primeiros anos da faculdade. Já na UFRJ, o point era o bucólico (pelo menos para nós, de fora) Sujinho, no campus da Praia Vermelha.

   A minha curiosidade sobre o boteco (ou botecos) da PUC é que nos cinco coirmãos citados não se vendiam (que eu soubesse) nada tão incrível que fosse capaz jogar um vivente para fora da realidade de maneira tão radical que, mesmo décadas após a saída da faculdade, o coleguinha continuasse sem se dar conta de onde está e do que ocorre em volta, como acontece com o Ali. O sujeito escreveu um livro com o título que está lá em cima num país em que há mais de 50 anos há uma lei que pune o racismo (Lei Afonso Arinos). E não é lei em desuso, não...A ela recorrem todos os anos centenas de brasileiros que se sentem discriminados devido a cor de sua pele e muitos são os juízes que em sua carreira já condenaram outros brasileiros com base nela (não sei de estatísticas a respeito, mas bem que gostaria de saber). Ora, como sabe qualquer curioso de História, Ciências Sociais ou Direito, se uma sociedade edita uma lei tipificando um crime é porque ele não só é cometido, como o é numa escala ameaçadora para a ordem social ou, pelo menos, para o ethos da tal sociedade e sua visão de si mesma. É a faceta repressora da lei tentando agir de maneira a educar o cidadão para o convívio civilizado.

   Porém, ao escrever um livro desses - em que, sofismando, tenta esconder o óbvio - editá-lo por uma casa importante como a Nova Fronteira e ganhar espaços em um jornal do grupo em que é um dos dirigentes do momento (além de numa revista retrógrada como a Veja, aliás, na edição em que a capa era um mulher negra, pobre e eleitora), Ali acaba realmente por prestar um serviço à causa dos negros no país. Ele mostra o quanto o racismo é poderoso e enraizado na nossa elite e o quanto os negros e seus descendentes terão ainda que lutar para serem reconhecidos como cidadãos de verdade.

   Agora...Vamos, Ali...Conta aí... O que você tomou (ou toma) naqueles botecos da Gávea? E onde eles ficam, hein?

Comments:
nao estudei na puc, mas meus amigos que la estudaram iam ao pires. agora, nem sei se isso ajuda sua pesquisa...
 
Acho que isso tem pouco a ver com a PUC ou com os bares próximos. É caso para psiquiatra mesmo.

Lembremos que na lógica de Ali uma pessoa que nasce numa família capaz de lhe oferecer do bom e do melhor, porém chefiada por alguém que trabalhou muito para chegar lá, não nasce em berço de ouro. Só nasce em berço de ouro quando o dinheiro vem de mão beijada.

Ai, meus sais.
 
Valeu, Lagarta! Temos agora um lugar para começar a investigar! Vou chamar uns amigos CSIs para colher umas amotras no local qualquer dia desses.
 
Oba, Phagroso!
Pois é...Já tinha pensado nessa possibilidade psiquiátrica.Acho que também merece ser investigada. Alguém aí conhece um/a psi especializado/a em psicoses?
 
Só para acrescentar à discussão. Saiu na Folha Online:

"Se há um povo que não tem preconceito é o povo brasileiro", afirmou Alckmin, na escola de samba Império da Casa Verde, na zona norte de São Paulo.
 
Hahahahahaha haha ha HA AH AHhaHaHaH aHa aH ah ah ah HAhahahHAHA Ha ah ahhHaHahAhhHahahHAHahAhHahahahahaha haha ha HA AH AHhaHaHaH aHa aH ah ah ah HAhahahHAHA Ha ah ahhHaHahAhhHahahHAHahAhHahahahahaha haha ha HA AH AHhaHaHaH aHa aH ah ah ah HAhahahHAHA Ha ah ahhHaHahAhhHahahHAHahAhHahahahahaha haha ha HA AH AHhaHaHaH aHa aH ah ah ah HAhahahHAHA Ha ah ahhHaHahAhhHahahHAHahAh

(Sobre a frase do Alckmin)

Rio pra não chorar.
 
Finalmente a grande mentira que sustenta a política racista do governo Lula ganhou a publicidade necessária e expôs a verdade: PARDO NÃO É NEGRO. O sistema racial de mentira do governo, difundida principalmente pela SEPPIR, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, inclui, p. ex., os pardos caboclos (mestiços de índios e brancos) e os mestiços de "japonês" e branco entre os negros, categoria inexistente no IBGE. No Brasil já existe movimento pardo (www.nacaomestica.org), combatido pela SEPPIR, pelo PT e movimentos negros, o qual tem denunciado o racismo estatal - que mostra a face autoritária do pensamento petista.
 
Movimento Pardo?! Caraca! Agora só falta o Movimento das Meio-Grávidas!
 
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