27.2.09
Ponto histórico
Uma mudança significativa poderá ocorrer se realmente o controle de frequência for adotado nas redações, como desejam os jornalistas que compareceram à assembléia do Sind, no dia 19 (aqui a notícia). Significativa porque marcaria uma mudança de mentalidade da categoria, cuja idéia a respeito do seu trabalho tem sido, tradicionalmente, a de que este é intelectual e, portanto, acima dessa coisa operária de marcar ponto.
Uma historinha para ver como os jornalistas viam (veem?) sua profissão.
No início dos 90, a comissão de redação do JB, da qual fazia parte, negociou com a empresa a realização de um plebiscito sobre a adoção do controle de frequência, usando o cartão de ponto. Achávamos que a aprovação seria tranquila, mas eis que, urnas abertas, veio o choque: derrota da proposta por larga margem. Tontos ainda, fomos averiguar como havíamos perdido e constatamos - pasmos - que a derrota ocorrera na Geral, chamada internamente de "Zona Oeste" por ter o maior número de profissionais, que trabalhavam mais tempo e recebeiam menos. Conversando aqui e ali, descobrimos que a maior parte dos jornalistas que votaram contra o controle o fizeram para não sentirem-se iguais a peões de obra.
Assim, a adoção do controle de frequencia pode significar que, finalmente, os jornalistas descobriram o óbvio: que são trabalhadores como outros quaisquer.
Uma historinha para ver como os jornalistas viam (veem?) sua profissão.
No início dos 90, a comissão de redação do JB, da qual fazia parte, negociou com a empresa a realização de um plebiscito sobre a adoção do controle de frequência, usando o cartão de ponto. Achávamos que a aprovação seria tranquila, mas eis que, urnas abertas, veio o choque: derrota da proposta por larga margem. Tontos ainda, fomos averiguar como havíamos perdido e constatamos - pasmos - que a derrota ocorrera na Geral, chamada internamente de "Zona Oeste" por ter o maior número de profissionais, que trabalhavam mais tempo e recebeiam menos. Conversando aqui e ali, descobrimos que a maior parte dos jornalistas que votaram contra o controle o fizeram para não sentirem-se iguais a peões de obra.
Assim, a adoção do controle de frequencia pode significar que, finalmente, os jornalistas descobriram o óbvio: que são trabalhadores como outros quaisquer.
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26.2.09
Poderosíssima
Tiro o chapéu para o pessoal de RP do Obama. Mostrar os musculosos braços de Mrs.Obama num momento de crise, vale um semestre inteiro de análise semiológica do discurso na Era Midiática.
E que dupla essa, Barack e Michelle, hein? Melhor que Pelé e Coutinho.
E que dupla essa, Barack e Michelle, hein? Melhor que Pelé e Coutinho.
Marcadores: Perspectiva
Mágoa, muita mágoa
O carnaval em São Lourenço já seria reconfortante em si, mas tornou-se simplesmente memorável por dois motivos:
1. A hilariante desclassificação do framengo, diante do Resende, em pleno Maracanã, no sábado; e
2. Os doridos minieditoriais da página 2 da Folha de segunda, assinados por dois Fernandos - o de Barros Silva e o Rodrigues.
Do primeiro motivo de gáudio, é ocioso falar, mas o segundo merece um pequeno comentário.
Como Noblat (post "à beira de um ataque", pouco abaixo), os Fernandos também estão que é um pote até aqui de mágoa. O motivo maior, claro, são os 84% de aprovação popular do Nove-Dedos, mas também há algo mais amplo - uma espécie de desencanto com a espécie humana, que é capaz de levar Serra a fazer o possível para não ser oposição, a crise não atingir o Brasil com a força necessária para destruir o N-D e o Obama pensar em estatizar bancos nos EUA.
Os textos dos folhosos foram tão sofridos, mas tão sofridos, que quase me fizeram ficar com pena deles. Mas só quase.
1. A hilariante desclassificação do framengo, diante do Resende, em pleno Maracanã, no sábado; e
2. Os doridos minieditoriais da página 2 da Folha de segunda, assinados por dois Fernandos - o de Barros Silva e o Rodrigues.
Do primeiro motivo de gáudio, é ocioso falar, mas o segundo merece um pequeno comentário.
Como Noblat (post "à beira de um ataque", pouco abaixo), os Fernandos também estão que é um pote até aqui de mágoa. O motivo maior, claro, são os 84% de aprovação popular do Nove-Dedos, mas também há algo mais amplo - uma espécie de desencanto com a espécie humana, que é capaz de levar Serra a fazer o possível para não ser oposição, a crise não atingir o Brasil com a força necessária para destruir o N-D e o Obama pensar em estatizar bancos nos EUA.
Os textos dos folhosos foram tão sofridos, mas tão sofridos, que quase me fizeram ficar com pena deles. Mas só quase.
Marcadores: Perspectiva
20.2.09
Nobláblá e o KofK
Alto Conselheiro lembra que coube ao blogueiro - e, acrescento eu, quase ex-jornalista em atividade - Ricardo Noblat o "furo" da brasileira que teria sido atacada por neonazistas e abortara por isso. Como você deve saber, era tudo cascata e nenhum coleguinha, a começar de Noblat, preocupou-se em apurar a veracidade (ou mesmo verossimilhança) das acusações. Com a palavra, o Alto Conselheiro:
Salve Ivson
O melhor desse episódio da brasileira na Suíça é o comportamento do Noblat, o herói do novo jornalismo... Cada vez mais ele inventa malabarismos pra se safar do mico. É inacreditável. A última pérola foi um post que é "assinado" por uma leitora: "Jornalista trabalha com os fatos de que dispõe naquele momento. Informação é mais ou menos como nuvem. Você olha e ela se parece com um coelho, você, então, descreve um coelho. Se mudar depois, e se parecer com outro bicho, aí é sua obrigação mudar também."
Se amanhã o porteiro do prédio ligar pro Noblat dizendo que o síndico chamou ele de macaco, sai de baixo. E se uma menina de 12 anos mandar uma carta pra ele acusando alguém de pedofilia, também sai de baixo. Ou seja, se é "verossímel", se rende uma "boa história", se a nuvem parece com um coelho, pra que apurar?
Pra olhar pras nuvens não precisa de repórter, fotógrafo, diagramador etc.
Salve Ivson
O melhor desse episódio da brasileira na Suíça é o comportamento do Noblat, o herói do novo jornalismo... Cada vez mais ele inventa malabarismos pra se safar do mico. É inacreditável. A última pérola foi um post que é "assinado" por uma leitora: "Jornalista trabalha com os fatos de que dispõe naquele momento. Informação é mais ou menos como nuvem. Você olha e ela se parece com um coelho, você, então, descreve um coelho. Se mudar depois, e se parecer com outro bicho, aí é sua obrigação mudar também."
Se amanhã o porteiro do prédio ligar pro Noblat dizendo que o síndico chamou ele de macaco, sai de baixo. E se uma menina de 12 anos mandar uma carta pra ele acusando alguém de pedofilia, também sai de baixo. Ou seja, se é "verossímel", se rende uma "boa história", se a nuvem parece com um coelho, pra que apurar?
Pra olhar pras nuvens não precisa de repórter, fotógrafo, diagramador etc.
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16.2.09
Corvos
Fico meio assim de dar uma notícia como essa, num momento desses, mas vamos lá: consultores da Booz Allen foram vistos rondando a Irineu Marinho.
Os consultores dessa empresa são conhecidos mundialmente por sempre recomendarem cortes de pessoal às companhias que pedem seus conselhos.
Os consultores dessa empresa são conhecidos mundialmente por sempre recomendarem cortes de pessoal às companhias que pedem seus conselhos.
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15.2.09
KofK, segunda concorrente
Fevereiro e a segunda candidata ao prêmio King of the Kings-2009 apresenta-se. É a cobertura do caso da brasileira que se disse atacada por neonazista na Suíça. Pode até ser que a moça tenha sido vítima dos skinheads, como sustentou - embora essa acusação me pareça a cada dia mais difícil de ser mantida -, mas não é esse o meu ponto. O problema foi a maneira como a nossa mídia tratou o caso, na base do ouvi falar, sem qualquer preocupação em checar as circunstâncias do episódio. Operou-se da mesma maneira que se faz aqui: acusa-se, sem dar direito a uma defesa justa; caso a acusação de mostre-se falsa, tudo bem - ou se ignora ou acusa-se alguém de ter feito os ingênuos e crédulos jornalistas de bobos.
O governo também agiu precipitadamente? Ué, mas esse governo não é um poço de incompetência irremediável em toda e qualquer área mesmo? Então não é de admirar que tenha pisado na bola, certo? O estranho é que a "uma das melhores imprensas do mundo" (como O Globo proclamou a brasileira há dois ou três anos) tenha agido igual ao estabanado governo do Nove-Dedos.
O governo também agiu precipitadamente? Ué, mas esse governo não é um poço de incompetência irremediável em toda e qualquer área mesmo? Então não é de admirar que tenha pisado na bola, certo? O estranho é que a "uma das melhores imprensas do mundo" (como O Globo proclamou a brasileira há dois ou três anos) tenha agido igual ao estabanado governo do Nove-Dedos.
Marcadores: Cascata
12.2.09
"Notícia, um produto à venda"
O título do post é o de um livro da professora Cremilda Medina. Esse texto, cuja publicação mereceu alto de página no Globo neste semana, discute a necessidade que têm os jornais e revistas de cobrarem pelas notícias e análises que põem na internet. É uma discussão interessante. O autor defende uma "volta ao básico" - as publicações passariam a pensar no interesse de seus leitores (em vez de nos dos anunciantes) e eles renovariam seu interesse em pagar por essa atitude.
O problema básico da tese é que o mundo em que vivemos - e, consequentemente, a nossa vida - fragmentou-se tanto que qualquer veículo teria (tem)tremenda dificuldade de cobrir os pontos de real interesse de seus leitores. Seria muita notícia e, como perguntou Caetano há 30 anos, quem as leria (lê)? E se você não sabe responder a essa pergunta (que atualmente talvez nem tenha mesmo uma resposta), não saberá também responder às indagações seguintes: "quem tem interesse em pagar?" e "quanto?"
Obrigado ao Alto Conselheiro que mandou a colaboração.
O problema básico da tese é que o mundo em que vivemos - e, consequentemente, a nossa vida - fragmentou-se tanto que qualquer veículo teria (tem)tremenda dificuldade de cobrir os pontos de real interesse de seus leitores. Seria muita notícia e, como perguntou Caetano há 30 anos, quem as leria (lê)? E se você não sabe responder a essa pergunta (que atualmente talvez nem tenha mesmo uma resposta), não saberá também responder às indagações seguintes: "quem tem interesse em pagar?" e "quanto?"
Obrigado ao Alto Conselheiro que mandou a colaboração.
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À beira de um ataque
O Noblat está perdendo a cabeça. Mais um pouco e vai surtar. Se você duvida, leia esse post do seu (dele) blog.
Marcadores: Perspectiva
4.2.09
Ah, fala sério!...
O Globo foi o único dos grandes jornais com pretensões nacionais (os outros são Folha, Estadão e , vá lá, JB) a não pôr o novo recorde de popularidade do Nove-Dedos na primeira. E olha que mesmo na pesquisa do Globon - aquele point virtual da classe média mais preconceituosa e reacionária do Rio - o barbudo teve mais de 50% de ótimo e bom (50,79% contra 34,62% de ruim e péssimo, às 11h de hoje).
Se o jornal dos Marinho puser a queda de popularidade do sujeito - que virá, inevitavelmente, devido à crise - na primeira, aí é caso de "hours concours" do King of the King deste ano.
3.2.09
Dona Míriam piscou
Estava eu navegando em sossego quando dei de cara com a chamadinha do blog da Dona Míriam: "Investimento público sim, mas com eficiência". Hein?! Como é que é? Não me contive, fui ler e quase caí da cadeira - era isso mesmo, Dona Míriam admitia investimento público na economia. Nada de obsessão pelo investimento privado. Ok, ela clama por eficiência, mas desde quando há discordância quanto isso? Chega a ser mesmo uma tautologia: qualquer investimento requer eficiência, seja na iniciativa privada, seja na estatal. A adversativa acaciana não deve nos enganar: Dona Míriam piscou! Veja aqui.
1.2.09
Tasca!
A Record está se metendo a besta e ganhando as concorrências por eventos esportivos na América Latina. A manobra ousada bate de frente com vários grupos de mídia da região. O golpe foi acusado, como demonstram as duas páginas atacando a Universal que sairam hoje no Globo, com a assinatura do tal Grupo de Diários da América (GDA), uma aliança entre alguns dos maiores grupos de mídia da AL. É briga de dez (ou mais) contra um.
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Na medida
Respeitosa e carinhosa a matéria de capa da Revista do Globo sobre os cantores de churrascaria, assinada por Renatro Lemos. Muito legal.
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