17.5.09

 

Saia-justa


   Os veículos de comunicação estão numa saia-justa dupla atualmente por conta de uma prática que mantêm desde o início do governo do Nove-Dedos. Este, como se sabe, jamais faz nada certo, na ótica da mídia brasileira. No máximo, acerta, porém sempre com um "mas". Pois esta maneira de ver o mundo - e, vamos lá, fazer política oposicionista - acabou criando dois problemas nos últimos dias:

      1. Taxação da Poupança: Por sua impopularidade, esse é assunto de ótimo potencial para baixar o cacete no N-D. O problema é que, ao que parece, ela é necessária, de uma forma ou de outra, para continuar a baixa dos juros pelo Banco Central. Ora, baixar os juros é decisão que merece todo apoio dos veículos de comunicação, empresas privadas que são. Assim, a questão para as empresas de comunicação é: como apoiar uma causa que lhes é estratégica, mas impopular, a ser tomada por um governo cuja imensa popularidade sempre foi o principal alvo da sua ação oposicionista?

      2. CPI da Petrobras: Essa parece mais fácil, mas não muito. Bater em estatal é de lei para os veiculos brasileiros e, durante esse governo, um verdadeiro jardim das delícias. Mas num momento de crise, a situação não é tão clara. A Petrobras, afinal, não só é uma grande anunciante individualmente, como é a base de cadeias produtivas em que estão alinhados outros grande anunciantes, sem falar que a petroleira é, junto com a Vale, um dos esteios da Bovespa, um lugar muito propenso à histeria, ainda mais nesse momento da economia mundial.

   Nesse segundo caso, pelo menos O Globo já tomou uma posição, embora sem muita convicção: aderiu à tese de que a CPI da Petobras é uma jogada política dos tucanos. E o fez de maneira até engraçada - desqualificando uma acusação que o próprio jornal levantara, no caso, as acusações de manipulação dos royalties pagos a municípios cariocas. Mas essa posição do principal jornal dos Marinho pode não ser a que prevaleça entre os barões da mídia e, ainda, quem sabe, possa a vir a ser mudada mesmo por ele. A conferir.

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Comentários:
Eu vejo outra contradição com a qual os jornais vão ter de lidar (ou fingir ignorar). Há muito tempo os jornais ecoam os protestos da Fiesp. A taxa de juros, como grande vilã, garantidora de lucros fáceis, em detrimento dos investimentos produtivos. E agora que os juros caíram e os fundos perderam atratividade? Os jornais vão apoiar a redução do IR, e possíveis outras alterações, para os fundos (vale dizer que a classe média alta deseja muito isso) continuarem rendendo? Botar dinheiro em fundo é "produtivo"? Não é uma renda fácil que não gera emprego, não movimenta a economia, não nada?
 
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