18.1.09

 

O distinto público leitor


   A simpática Logo, aquela página móvel de O Globo, trouxe hoje um desabafo chocado do coleguinha Rodrigo Pinto, responsável pelo blog "MPB Player" do Globo on line. Em seu texto, Rodrigo mostra-se surpreso com a maneira tacanha com que os leitores do site opinaram sobre seu post a respeito de uma lei do ínclito Álvaro Lins (é, ele mesmo, o deputado e ex-chefe de polícia processado por se chefe de gangue) que ciminaliza o funk (e a música eletrônica também). O nosso colega ficou abismado com a a fala antidemocrática e preconceituosa dos comentários. Bem, três considerações a respeito:

   1. Rodrigo não deve estar lendo - ou pelo menos lendo sem a devida atenção - os post de outros locais do Globo on line, especialmente política e economia. Se o fizesse, veria que os comentários sobre vários assuntos, principalmente quando dizem respeito ao Nove-Dedos, não são melhores do aqueles que o chocaram (não falo do esporte porque aí seria covardia);
   2. Talvez Rodrigo - e outros coleguinhas de O Globo - devessem perguntar-se o quanto o jornal em que trabalham não reforçou o preconceito e o fascismo de seus leitores por ter, durante muito tempo, feito uma cobertura criminalizante do funk e qualquer outra manfestação popular (como ocupações urbanas e rurais e greves, por exemplo), sem contar a manutenção de colunistas como Dona Míriam, Merval, Jabour e Tia Cora (de quem gosto pessoalmente, o que me faz lamentar ainda mais suas posições neoconservadoras). Obviamente, não foi só O Globo não é o único veículo que ataca manifestações populares, mas é do Globo e de seus leitores que estamos falando aqui.
   3. E não é caso de culpar a internet e sua capacidade de tornar todos anônimos. Nas cartas do jornal de papel, embora o conteúdo não seja o mesmo (o filtro é bem mais rigoroso), o tom fascista da maior parte das manifestações sobre assuntos populares é o mesmo.

   Assim, Rodrigo e os outros colegas não devem sentir-se chocados com a reação dos leitores do Globo. Eles são esses aí, pensam exatamente assim, sem tirar nem pôr. E tem mais uma má notícia: o jornal não vai desafiá-los. Afinal, democracia é ok, mas negócios são negócios.

Ah! O post que originou a emergência dos fascistas é esse aqui.

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Comentários:
Aff Ivson, desculpe a crueza de palavras, mas até parece que em baile funk não rola droga, putaria e apologia ao crime. A verdade do movimento funk é que tem a "versão furacão", que é o CD que sai bonitinho com capinha, regulamentado pra sociedade ver, e o proibidão, que é o que toca de verdade nesses bailes. Chamar funk de manifestação popular é marcar esse o povo carioca como um povo que traz a cultura do crime e da apologia ao desrespeito contra ao feminino no sangue. Olhe para as funkeiras - elas apanham de seus homens e encaram isso como briguinha normal de namoro. Elas engravidam sem saber de quem e bola pra frente. Estou cansada de gente como esse autor aí que finge que essas coisas não existem e que o funk é um movimento popular, lindo e belo. Não, não é.
 
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