15.9.08

 

Só Dona Míriam


   Muito bem. Esperei uma semana para que as campeãs do neoliberalismo na imprensa - Dona Míriam, Tia Suely e Sônia Turca - falassem sobre a estatização de Fannie Mae e Fraddie Mac, as duas superempresas hipotecárias americanas. Das três, só Dona Míriam encarou o problema, o que é um ponto para ela. E a sinceiridade, num primeiro momento, foi outro: a colunista do Globo mostrou sua perplexidade ao perguntar, até com certa ingenuidade, o que o fazer com o discurso que defende menos intervenção dos governos na economia.
   Infelizmente, Dona Míriam perdeu pontos, no sábado, ao dizer que o tal discurso era do Partido Republicano dos EUA. No entanto, pelo que me consta, quem defendeu essa tese, em primeiro lugar, foi a baronesa Margareth Thatcher, e ela não fazia (nem faz até hoje) parte dos quadros do partido norte-americano. Assim como não o fazem o francês Nicolas Sarkozy, o italiano Silvio Berlusconi e o ídolo de Dona Míriam (e de Tia Suely e de Sônia Turca), Fernando Henrique Cardoso.
   A defesa do Estado mínimo não é privilégio dos republicanos, mas dos conservadores de todos os partidos, em todo o mundo. Dona Míriam tem dificuldades para admitir isso porque, bem sabe ela, iria contra todo aquele passado de militância política de esquerda do qual tanto se orgulha.

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