20.8.08
Sintomas de histeria
É impressão minha ou você também notou que as matérias auto-congratulatórias dos jornais sobre o aumento de circulação e a importância do veículos impressos para o destino da Humanidade estão cada vez maiores e um tanto mais histéricas?
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Venho reparando em inúmeras barbaridades que a imprensa vem fazendo. É impossível enumerá-las. Só não abandono de vez a leitura da mídia comercial impressa porque no meio de tanto lixo ainda encontramos coisas boas, coisas que valem à pena, que além de informar, nos convidam a meditar. Exemplos?
Exemplo da mídia perniciosa:
A Veja, na última edição de agosto (desculpe, mas esqueci o número e não estou com a revista aqui), que traz na capa um menino de costas escrevendo num quadro algo sobre o ?inssino?, mostrou até que ponto é capaz de chegar um jornalismo de país de quinto mundo. As meninas que escreveram a matéria, certamente encomendada por algum dos senhores- de-engenho da Abril/Globo, deram um show de ignorância, grosseria. Na capa e sumário prometeram uma análise do problema do baixo nível da educação brasileira. Lá dentro da revista, na matéria ?Prontos para o século XIX?, mudaram de idéia e entraram no campo de uma educação sem doutrinação em salas de aula, ofendendo professores por estarem colocando idéias comunistas na cabecinha das pobres e indefesas criancinhas. Foram absurdamente grosseiras ao se referirem a Karl Marx e Paulo Freire. Enfim... foram tantos jatos de dejetos mentais que nem vale repeti-los agora. Um dos colégios cujo professor foi ofendido por terem deturpado parte de sua aula colocou uma nota de repúdio a Veja em seu site (o Colégio Anchieta, de Porto Alegre). A matéria chegou ao público como uma campanha anti-comunista mal articulada, mal projetada, antipática e ofensiva. Lembrou o tempo da ditadura militar... Para quê tudo isso? A impressão que a Veja vem deixando é de que os ?comunas, os propagadores da miséria global? vêm aí e quem puder, que se salve! O que é mais grave e deu até vontade de chorar, é que teve gente que gostou! Teve gente que achou linda a matéria. Que esvaziamento esse o do intelecto brasileiro! Só falta perder a alma também.
Exemplo da mídia positiva: A matéria ?A enfermaria entre a vida e a morte?, publicada na Época, escrita pela Eliane Brum. O texto conseguiu informar com humanidade, gentileza e poesia. Ela falou da morte, o que é real e genuinamente certo em nossas vidas, e dos cuidados paliativos, coisa que ainda não é praticada rotineiramente nos hospitais brasileiros, mas que já dá sinais de estar chegando. A beleza do texto revela do que é capaz um ser humano quando fala com o próprio coração. A matéria foi excelente para os profissionais de saúde (afirmo porque convivo com eles por força do trabalho), para os estudantes, para o povo. A coragem de Época ao falar e fotografar a morte foi surpreendente. Nada de perseguir comunas, nada de proteger neuroticamente o deus capital, nada de mentir ou distorcer o real para alimentar o poder enfraquecido, que está fadado a terminar um dia. Tudo colocado em nome do ser humano. Somos mais que produção ? consumo. Somos vida e morte. Morte e vida.
Obrigada
Maria de Fátima S. M. Fonseca
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Exemplo da mídia perniciosa:
A Veja, na última edição de agosto (desculpe, mas esqueci o número e não estou com a revista aqui), que traz na capa um menino de costas escrevendo num quadro algo sobre o ?inssino?, mostrou até que ponto é capaz de chegar um jornalismo de país de quinto mundo. As meninas que escreveram a matéria, certamente encomendada por algum dos senhores- de-engenho da Abril/Globo, deram um show de ignorância, grosseria. Na capa e sumário prometeram uma análise do problema do baixo nível da educação brasileira. Lá dentro da revista, na matéria ?Prontos para o século XIX?, mudaram de idéia e entraram no campo de uma educação sem doutrinação em salas de aula, ofendendo professores por estarem colocando idéias comunistas na cabecinha das pobres e indefesas criancinhas. Foram absurdamente grosseiras ao se referirem a Karl Marx e Paulo Freire. Enfim... foram tantos jatos de dejetos mentais que nem vale repeti-los agora. Um dos colégios cujo professor foi ofendido por terem deturpado parte de sua aula colocou uma nota de repúdio a Veja em seu site (o Colégio Anchieta, de Porto Alegre). A matéria chegou ao público como uma campanha anti-comunista mal articulada, mal projetada, antipática e ofensiva. Lembrou o tempo da ditadura militar... Para quê tudo isso? A impressão que a Veja vem deixando é de que os ?comunas, os propagadores da miséria global? vêm aí e quem puder, que se salve! O que é mais grave e deu até vontade de chorar, é que teve gente que gostou! Teve gente que achou linda a matéria. Que esvaziamento esse o do intelecto brasileiro! Só falta perder a alma também.
Exemplo da mídia positiva: A matéria ?A enfermaria entre a vida e a morte?, publicada na Época, escrita pela Eliane Brum. O texto conseguiu informar com humanidade, gentileza e poesia. Ela falou da morte, o que é real e genuinamente certo em nossas vidas, e dos cuidados paliativos, coisa que ainda não é praticada rotineiramente nos hospitais brasileiros, mas que já dá sinais de estar chegando. A beleza do texto revela do que é capaz um ser humano quando fala com o próprio coração. A matéria foi excelente para os profissionais de saúde (afirmo porque convivo com eles por força do trabalho), para os estudantes, para o povo. A coragem de Época ao falar e fotografar a morte foi surpreendente. Nada de perseguir comunas, nada de proteger neuroticamente o deus capital, nada de mentir ou distorcer o real para alimentar o poder enfraquecido, que está fadado a terminar um dia. Tudo colocado em nome do ser humano. Somos mais que produção ? consumo. Somos vida e morte. Morte e vida.
Obrigada
Maria de Fátima S. M. Fonseca
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