27.11.07

 

Bela, jazzista e cara


   Em outros tempos, um monte de ortodoxos torceria o nariz para a pianista canadense que se metia a tocar jazz tendo nascido muito ao Norte e - meu Deus! - sendo ainda por cima loura, linda e vindo de família estruturada. Graças ao Senhor, porém, nesses tempos pós-modernos nem tudo é ruim e Diana Jean Krall não teve que enfrentar muitos problemas para ser reconhecida, aos 43 anos, como uma das melhores cantoras de jazz em atividade. Em menos de 24 horas, ela se apresentará aqui no Rio, no Vivo, a um preço proibitivo para este pobre fã - o ingresso mais barato custa R$ 120, sem direito ao binóculo necessário para se enxergar o palco da distância em que dele se encontra a arquibancada. E como estamos no Brasil, este show de ingressos caríssimos foi produzido com a ajuda do meu, do seu, do nosso dinheirinho, via renúncia fiscal da Lei Rouanet, mais um ponto para os gênios financeiros do Bradesco, que têm em seu currículo ainda a inclusão do Cirque du Soleil na Rouanet.

  Mas a mulher do também grande Elvis Costello - pai dos seus gêmeos - não tem nada com nossas mazelas de país subdesenvolvido. Daí, Pavuna ´73 traz Diana Krall cantando "How insensitive", nossa conhecidíssima "Insensatez", de Tom e Vinícius, cujos versos tiveram tradução de Norman Gimbel.


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25.11.07

 

Tele-Rio editorial


   O povo do marketing deve estar até emocionado (dentro do que alguém de mkt pode se emocionar com alguma coisa, claro...). A edição do Globo de hoje traz para a realidade o sonho que papas do mkt, como Kotler e outros, não confessavam nem para si mesmos: transformar os jornalistas em força de vendas, expressão bacana que substitui o velho e individualista vendedor.

   Pois vender foi o que fizeram os coleguinhas que participaram da matéria sobre TV Digital no principal jornal das Organizações Globo. E, vamos dizer logo, o fizeram com uma competência extraordinária. Mostrando amplo domínio dos métiers jornalístico e vendedor, eles não esconderam que a TV Digital no Brasil só vai ser realidade lá para a Copa de 2014 (se tudo der certo), mas colocaram o seu melhor mesmo em seduzir o futuro comprador com informações sobre a melhoria da imagem, do som e possibilidade de interatividade etc da tecnologia digital.Falaram apenas de passagem sobre o elevadíssimo custo da transição - e mesmo assim quase que só para o consumidor final, reservando poucas palavras para os incentivos (no último parágrafo da primeira matéria) - que será pago por toda a sociedade (é, acabaremos pagando duas vezes).

   Os cuidados acima, claro, foram esquecidos na superreco com o ministro da Globo. Nessa, as levantadas de bola foram de fazer babar de inveja o Ricardinho, mas o ministro, coitado, não é o Giba. Vai daí que acusou as empresas européias de estarem sabotando o sistema brasileiro ao cobrarem o preço real dos conversores (R$ 1 mil contra os R$ 200 prometidos por ele) e, na sua fúria, arrebentou a geografia: botou a Coréia (origem da Samnsung) e o Japão (berço da Sony) na Europa.

   Essa bobagem, porém, não é importante. É apenas mais um "causo" para o já extenso anedotário do ministro da Globo. O importante mesmo - como diria o Banco Real, já que estamos falando de mkt bem-feito - é que, finalmente, a sinergia das Organizações Globo mostrou seu lado bom para os coleguinhas, cuja empregabilidade aumentou. Agora, além de emprego como jornalistas, poderão se candidatar a postos na Tele-Rio. Talento para vendas, pelo menos a galera que assinou as matérias do Globo de hoje mostrou que tem de sobra.

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23.11.07

 

Prensa


   Outro dia, Alto Conselheiro, cuja fúria antiestatal só é comparável a um tucano classe-média de Sampa, me perguntou o que eu achava da série de matérias sobre as mordomias do Globo. Minha resposta vai abaixo:

      1. Falta de assunto - desde 1976, quando o Kotscho fez a primeira, de tempos em tempos tem iguais a essa.
      2. Mais importante: a pesquisa Ipsos-Estadão que mostra que 62% da população brasileira são contra a privatização (a percentagem é média, mas o desvio é pequeno e, surpresa!, o maior índice ficoui com o grupo maior renda-escolaridade). Ou seja, um ano depois da eleição, parece estar mesmo firmemente ancorada na sociedade brasileira que a privatização foi privataria, com pouquíssimo retorno para a população em geral. Tinha que ter uma resposta ideológica: a série e a matéria de hoje ( NC: a resposta foi escrita dia 20) dos tucanos fazem parte dela (aliás, nunca vi matéria com tese de congresso de partido em jornal. É muito útil, pena que não vá continuar, né? )E o "agora" do título foi sensacional - diz "agora, né, seu bostas, quando o paraíba ganhou de novo de lavada!". Hilário!

   Bom, tem mais uma razão.

   Como foi previsto pelo Intevozes, pelo Consciencia.net, pela editora Glasberg em suas revistas (Tela Viva, Teletime, Pay TV), pelo Telesíntese e, mais modestamente, por este escrevinhador que abusa de vossa paciência, o conversor para a TV Digital vai custar uns R$ 1 mil, contra os R$ 200 jurados pelo ministro da Globo, Hélio Costa. Era fácil ver que isso era absurdo porque o escolhido modelo nipo-brasileiro é que nem jabuticaba - só tem aqui - e por isso não possui a escala do modelo europeu, portanto ia ser caro pacas.

   Também foi previsto por todo mundo o que veio hoje na primeira página do Globo - que neguinho está querendo uma mãozinha do BNDES para subsidiar a caixinha. Como esse subsídio teria que ser uma grana preta - 80% para manter a previsão do Seu Costa -, certamente tem gente do governo chiando. Daí, nada melhor do que dizer que o Estado brasileiro é perdulário de cima a baixo (nas matérias, não há diferenciação entre os altos funcionários e os barnabés) para dar uma prensa em que tem que soltar a grana, pois não?

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19.11.07

 

Cavoucando


   Como a audiência do programa está derretendo, a Rede Globo tenta dar uma sobrevida à marca e lançará a Revista Fantástico, uma trimestral que, no primeiro número, sai com 196 páginas, sendo 39 de publicidade. É um esforço conjunto das OG reunindo  Editora Globo, Globo Marcas e Rede Globo, sob a coordenação jornalista José Ruy Gandra, da EdGlobo.

 

Veja, cada vez mais esquisita


  Estranha a reação de Diogo Schelp, da Veja (e também de Reinaldo Azevedo, no site da Veja), com a carta do norte-americano Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara, sobre a matéria que o primeiro escreveu a respeito do médico guerrilheiro argentino. Schelp (e Azevedo, que lhe tomou as dores), ficaram zangados porque Anderson escreveu um texto reclamando - em termos educados, porém duros - da matéria. O argumento principal da dupla vejosa é que o gringo teria sido antiético por ter divulgado que Schelp havia lhe pedido uma entrevista.
 
  Esquisito isso. Salvo melhor juízo, se uma das partes de uma correspondência quiser divulgá-la nada a impede, mas a queixa da dupla Diogo&Ronaldo é ainda mais estranha, pois Anderson não divulgou a correspondência, apenas fez menção a ela.  Informou apenas que recebera um pedido de entrevista, que respondera afirmativamente e que o entrevistador nunca mais retornara com as perguntas. No mais,  faz uma apreciação crítica da matéria, apreciação esta que, ressalte-se, nem Diogo, e muito menos Azevedo, rebatem. Provavelmente porque, pelo que se lê no texto,  não têm mesmo como responder.
 
  O C-se publicou o bate-email. Leia aqui.

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14.11.07

 

Que não se perca pelo sobrenome


   Olavo Calheiros, mano dileto de Renan, conseguiu de uma juíza que seu nome não seja citado em matérias jornalísticas em todo o estado de Alagoas pelo tempo que durar o processo que impetrou contra o jornal "Novo Extra", de Maceió. O nome da meritíssima que concedeu a tutela antecipada de direito pedida pelo deputado alagoano: Maria Valéria Lins Calheiros.

   Minha irmã conta e analisa mais esse clássico das Alagoas. Leia aqui.

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13.11.07

 

Recuperando


   No dia 10, sábado, o Movimento dos Sem-Mídia tentou entregar o manifesto "A Globo e a TV de que precisamos" a representantes da Estrela da Morte. Veja o que aconteceu no Jornalirismo.

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Está ficando tão óbvio...


Quando dei uma olhada nos títulos da primeira página do Globo de hoje - especialmente o incrível "Planalto quer saber o que ética" de um box, à direita e embaixo - pensei com meus zíperes: "alguma coisa que está rolando deve afetar a Globo de imediato".

Não deu outra. Está prevista para hoje - mas deve ser adiada para as últimas negociações de praxe - a votação, na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara do parecer do relator Wellington Fagundes (PR/MT) sobre o PL 29/2007. O projeto de lei dispõe sobre novas regras para o setor de distribuição de TV por assinatura e para a produção, programação e empacotamento de conteúdos. Entre essas novas regras  está a que proíbe a propriedade cruzada de empresas de telecom e programadoras e produtoras de conteúdo, inscrita por emenda do Vanderlei Macris (PSDB/SP). Obviamente, a aprovação dessa emenda em muito interessa à Globo, daí a pressão adicional da primeira página do Globo de hoje.

No entanto, a batalha não será fácil, pois mesmo as OG estão sentindo o bafo quente do poder econômico das teles no cangote. Assim, o Império já admite negociar a saída da NET (distribuidora) e a entrada das adversárias em empresas de conteúdo, desde que até o limite de 30% do controle (como é na TVaberta) e que elas não possam - atenção - adquirir eventos esportivos e nem contratar artistas ou direitos sobre obras brasileiras, pelo menos diretamente.

As teles, porém, querem mais - defendem que essas restrições sejam apenas para empresas nacionais. Qual a vantagem? Bem, elas não poderiam comprar eventos esportivos aqui, mas poderiam distribui-lo, via IPTV o que suas matrizes comprassem (e transmitissem) lá fora.

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8.11.07

 

De volta ao batente


   Bem que eu tentei ficar mais light, mas o povo de redação não deixa. Os caras insistem em distorcer, iludir e esconder informações, dando apenas um lado da história e fingindo que lados como esse aqui não existem.

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Lá também...


   Nos Estados Unidos o jornalismo também passa por uma grande crise de credibilidade - e, conseqüentemente, de falta de grana, já que os veículos de comunicação vendem mesmo é credibilidade. Mas há esperança, pelo menos na opinião de Chuck Lewis, fundador do Centre for Public Integrity. Leia aqui, mas não se anime muito: Lewis se mostra preocupado com o "jornalismo de profundidade", especialmente o investigativo. Nós, bananenses, ainda estamos no estágio de exigir que os jornais contem direito o número de títulos de um clube de futebol.

   Obrigado ao Alto Conselheiro que passou a dica.

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Ceguim


   Pior é que o Globo publicou o caso dos executivos de bancos suíços presos pela PF. Deu até um alto de página na Economia. Primeira, porém, só para os barnabés mesmo.

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7.11.07

 

Proteção


   Os leitores do Globo e do JB souberam hoje que servidores do Ministério da Cultura foram presos em operação da Polícia Federal (o do Globo foi informado que funcionários de Detrans também dançaram em outra batida). No entanto, precisariam ter lido a Folha, O Estadão, a Gazeta Mercantil ou o Valor para saber que os federais fizeram um erceiro arrastão, pegando, nesse caso, os peixes graúdos dos bancos suíços UBS, AIG Pirvate Bank e Clariden.

   Cara, como está difícil ler jornal no Rio.


5.11.07

 

Mi Buenos Aires querido!


   Estive com minha Flor em Buenos Aires no feriado. Cidade bonita, agradável, espaçosa, mas, com exceção de Puerto Madero, um tanto decadente. Como bons turistas, estivemos na Calle Florida e na Esquina Gardel. Nós e um monte de brasileiros. Definitivamente estamos devolvendo com juros e correção monetária (em reais) a invasão deles nos anos 80. De recuerdo, entre otras cositas, trouxe um disco com tangos gravados pelo próprio Carlos Gardel e é um deles (o meu favorito) que Pavuna '73 traz esta semana. "Por una cabeza" é do mito e de Alfredo Le Pera, foi gravado pelo primeiro em 1935 e ganho maior popularidade internacional por ter feito parte da trilha sonora de filmes de sucesso como "Perfume de mulher", "True Lies" e "A Lista de Schindler".

   Mas não é só. Dessa vez, como homenagem à bela capital argentina (e - vá lá! - aos hermanos), Pavuna '73 apresenta um programa duplo. "Concerto para quinteto" (do disco "Tango Zero Hour", de 86) é um típico Astor Piazzolla - sofisticado sem perder a passión tanguera que o fez ser tão bela e ferozmente dançado pelos milongueros da Esquina Gardel.


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   Ah! Uma dica de turista: quando for sua vez de invadir as calles deles, leve "Guia Buenos Aires para brasileiros", das coleguinhas Márcia Carmo (grande figura com quem trabalhei no JB na década de 80), correspondente da BBC Brasil em terras portenhas, e Cláudia Trevisan, que morou anos lá, trabalhando para a Folha. É muito bom!

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Coleguinha na mira


   O coleguinha Janir Junior, de O Dia, está sendo ameaçado de morte por ter denunciado a rave em que morreu um garoto, há poucos dias. Seria muito bom que o jornal, como instituição, tomasse uma posição pública a respeito, exigindo a ação das administrações estadual e federal visando manter a integridade física do cidadão, além de tomar providências efetivas a fim de defender seu empregado. Boa idéia seria também denunciar as ameaças à ONGs que defendem os jornalistas e também à Sociedade Interamericana de Prensa.

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1.11.07

 

Castellinho na Rede


  A coluna de Carlos Castello Branco, publicada no Jornal do Brasil de 1962 até a morte do jornalista em 93, chega à internet em novembro, em dia ainda a ser definido. No site www.carloscastellobranco.com.br, estarão as 7.446 colunas nas quais o mestre do jornalismo político descreveu e analisou um período turbulento de nossa história, além de contos, entrevistas e até a participação do jornalista no filme a Idade da Terra, de Glauber Rocha. A iniciativa de levar Castellinho para Rede é de sua filha, Luciana, em parceria com a Refazenda Produções, de André Vallias e Flora Gil.

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