Picadinho diário de jornalismo e mídia em geral. Na Rede desde 1996
30.9.07
Bem boa
Até que a matéria de hoje do Globo sobre a escola do MST na região do Contestado não está muito preconceituosa, para os padrões das OG, bem entendido. Escorregada mesmo só no último parágrafo, o que não chegou a comprometer.
As Organizações Globo informam: quem se meter a ameaçar a candidatura tucana em 2010, vai tomar chumbo grosso assim que botar a cabeça pra fora.
O claro aviso foi dado pela matéria de capa da Época dessa semana no qual a revista procura vincular Ciro Gomes a um amigo - dito arrecadador de sua campanha em 2002 -, que supostamente teria facilitado um acordo espúrio de redução de dívida de uma empresa. A matéria é publicada exatamente uma semana depois de a Carta Capital ter lançado Ciro a candidato à sucessão do Nove-Dedos e duas semanas após a pesquisa Ipsos-Estadão ter posto o ex-governador do Ceará como vice-líder da corrida presidencial, com 12% das intenções de votos. O líder é o tucano José Serra com 34%. Mesmo diante dessa disparidade, as OG mostram que não vão dar sopa pro azar: se alguém tentar se criar como opção, será recebido à bala.
São Paulo primeiro (dias 1º e 2) e Rio depois (4) - no Canecão - receberão mais uma vez a visita de um habituée muito do bem-vindo: o gaitista (ok, harmonista...) Toots Thielemans. Aos 85 anos, o belga de Bruxelas continua a esbanjar o talento e a classe que o fez tocar com gente como Benny Goodman (na turnê deste à Europa, em 50), Charlie Parker (uma influência fortíssima), Ella Fitzgerald, Bill Evans, Paul Simon e um monte de outros. Talento e classe que você pode ouvir em "Stars fell on Alabama", de Frank Perkins, que Pavuna '73 traz para seu deleite, caro audionauta (ou internetouvinte, sei lá).
A escolha de Tereza Cruvinel para presidente da TV Brasil (ou lá que nome tenha a nova tevê pública) foi um golaço do Franklin Martins, pela capacidade da profissional. E deve ter acabado com o desconforto da coleguinha que mostrava há tempos não estar bem enquadrada nos ditames de oposicionismo a qualquer preço do Globo. Tanto que, das poucas vezes em que tentou se jogar esse jogo, acabou dando de canela como apontei aqui, estranhando o comportamento.
E o Correio Braziliense fazendo política com a tentativa de assassinato de Amaury Ribeiro Filho? Se eu não esperasse qualquer coisa dos donos de empresas de comunicação, ficaria enojado.
A Conferência Nacional Preparatória de Comunicações, que terminou ontem, em Brasília, foi um tremendo barata-voa:
- Hélio Costa propôs que a Conferência sobre Comunicação de verdade fosse adiada para 2008 (pelo menos) para que se pudesse fazer encontros preparatórios regionais. Pois não é a mesma proposta do Coletivo Intervozes?
O Intervozes, porém, exige a ampla presença da sociedade nos encontros regionais, o que Costa, claro, não mencionou em sua proposta.
- Deputados como Walter Pinheiro (PT-BA), Jorge Bittar (PT-RJ) e Paulo Bornhausem (DEM-SC) pularam nas tamancas contra a proposta ministerial. Nas mesmas tamancas subiram as telecoms, desconfiadíssimas que a idéia de Costa seja mais uma jogada dele para ajudar seus patrões da Rede Globo. Todos querem Conferência já.
- Essa, acompanhada por todos os radiodifusores, por sua vez, deu um pau no Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) que propôs a criação de uma rede pública sobre a qual trafegariam os conteúdos. Os barões não querem que se mude um tal de "sistema federativo", que é o atual, no qual, obviamente, eles mandam e desmandam.
- Já a Rede Bandeirantes baixou o cacete na Globo e o poder que ela tem na TV paga por ser sócia ao mesmo tempo da Sky e da Net e ainda por cima da única programadora que realmente pode ser chamada por esse nome (a Globosat).
- A Band e a Globo, porém, concordam em discordar do Intervozes e do FNDC que desejam a regionalização das produções a serem exibidas no vídeo. Afirma que isso é inviável devido à pobreza dos mercados fora do eixo Via Dutra.
- Os radiodifusores também concordam em defender uma cota mínima de 50% de conteúdo nacional nos vídeos, proposta atacada pelas telecoms.
- Os radiodifusores, no entanto, brigam entre si porque os de TV aberta querem acabar com o "must carry" deve acabar. "Must carry" é a determinação da lei do Cabo que obriga as tevês a cabo (mas não via MMDS ou DTH) a entregarem os canais de TV aberta da região. Como é uma obrigação legal, os canais a cabo nada pagam aos "abertos". Estes, então, querem acabar com a obrigação e impedir que ela se estenda às outras tecnologias para poderem cobrar o sinal dos "
Por aí vai.
Enquanto isso, como se pode ver nos posts abaixo, o chão de move.
Por falar em TV na internet, lembra do Joost, aquela nova jogada dos cybervikings Zennström & Friis ? Pois ela está chegando ao Brasil. Pelo menos a empresa Elo Audiovisual já está vendendo anúncios para a nova plataforma, cujo lançamento oficial será mês que vem. E os caras já vão avisando: o Brasil é mercado prioritário. A Elo você pode conhecer aquie o Joost aqui (vale a pena).
A Universidade de São Paulo (USP) lançou a sua televisão na internet. A IPTV USP tem seis canais Saúde, Arte e Cultura, Ciências, Humanidades, Tecnologia e IPTV USP (este dedicado à própria universidade). O conteúdo ficará disponível para o público, que terá possibilidade de acessar um arquivo que, de cara, já conta com 1206 horas de eventos, 603 horas de produção própria e 201 horas de aulas gravadas. Quem quiser dar uma olhada é só clicar aqui.
Na mesma semana em que o excelente Déo Rian lançou CD com músicas inéditas do grande mestre Jacob do Bandolim, os brutamontes do futebol defenderam agressões contra o garoto Kerlon, do Cruzeiro, que ousa levar criatividade e alegria aos gramados com seu "drible da foca" (equilibrar a bola na testa e sair correndo em direção ao gol adversário). O que tem uma coisa a ver com outra? Ouça "Na ginga do Mané", homenagem do craque do bandolim ao Anjo das Pernas Tortas.
Blue Bus informa que amanhã sai a última coluna de César Giobbi, no Estadão. Só não comemoro mais porque, sabendo como são os donos de empresas jornalísticas e seus prepostos nos aquários, eles muitas vezes conseguem piorar o que já é ruim. Minha esperança é que, no caso de Giobbi, isso seja muito, muito difícil. O BB diz que ele seria substituído pela Sônia Racy. Beleza. Mas e quem ficaria no lugar da Turca na coluna de economia?
Era possível combater Margareth Thatcher, pregar a Revolução e permanecer completamente cool? Bem, Paul Weller (guitarrista, ex-Jam) e Mick Talbot (tecladista) achavam que sim e criaram o Style Council, que, mais tarde, ganhou o reforço do garoto (16 anos) baterista Steve White. Impecavelmente vestidos - afinal, eram legítimos descendentes do mod revival do fim dos anos 70 -, Paul e Mick mandavam bala em cima de tories e assemelhados sem perder a classe, casando letras duras com um som soft que não soa estranho aos ouvidos brasileiros, combinação bem representada por "With everythig to lose", do disco "Our favorite shop", de 85.
Começou hoje, na Câmara Federal, a Conferência Nacional Preparatória de Comunicações, que o Minicom, a Anatel, a Câmara e o Senado preparam visando discutir temas como convergência digital, democratização da mídia, produção de conteúdo, etc. O bravo Coletivo Intervozes, claro, está em cima do lance. Leia aqui.
Os coleguinhas dos grandes veículos vão ficar felizes: terão nova oportunidade de esconder uma boa notícia dos seus leitores/ouvintes/espectadores. Se você quiser ser estraga-prazeres, leia aqui.
A manifestação pela mídia plural - ou contra a manipulação de notícias pelos veículos - reuniu cerca de 200 pessoas no sábado, em frente à sede da Folha. Segundo o Blue Bus, os manifestantes protocolaram um abaixo-assinado na portaria do jornal para entrega à diretoria da empresa. Não deve ter passado do lixo do primeiro andar, mas agora não se pode dizer que não houve aviso.
Vídeos da manifestaçação você pode encontrar aqui e aqui.
Cole Porter não era de economizar menções sexuais em suas letras, o que, na América da primeira metade do século passado, era clamar por problemas, ainda mais se o cara era um boiolaço. Assim, não causou surpresa a ninguém que "Too darn hot", que escreveu para a peça "Kiss me, Kate", em 48, tivesse sido censurada pela MGM quando a obra foi levada à tela em 53. A tesoura puritana cortou o verso em que era mencionado o Relatório Kinsey sobre a sexualidade, que levou rubores intensos às bochechas americanas. O estúdio mandou trocar "according to the Kinsey report" para "according to the latest report".
A versão que a Pavuna '73 apresenta hoje, porém, é fiel ao original. Ela é de Mel Tormé, um menino-prodígio que começou a cantar profissionalmente aos quatro anos e não parou mais, tornando-se um dos grandes "jazz singers" de todos os tempos, além de compositor e arranjador. Dono de múltiplos talentos, Tormé foi ainda ator de rádio e cinema e escritor, com cinco livros publicados.
Vai ser legal ver a maneira como os veículos vão tentar esconder que o Cacciola ganhou de presente R$ 1,6 bilhão do governo FHC. Aposto que a tática será falar como se o BC daquela época nada tivesse a ver com o governo de então. Como se atuasse sob o comando de jupiterianos. Mas vamos ver. Afinal, pessoal é criativo. De repente, até conseguem culpar o Zé Dirceu disso também.
A Veja ainda acaba arrumando um papel pro Zé Dirceu em filme do James Bond. Tá certo que o cara nunca foi flor que se cheirasse - um sujeito que dorme com uma mulher por quatro anos mentindo a identidade não pode ser uma pessoa confiável -, mas - caraca! - não pode ser culpado de tudo quanto é falcatrua que tenha, ou pudesse ter, ocorrido no país nos últimos anos.
Amanhã, dia 15, haverá um protesto contra a manipulação das notícais realizada pela mídia brasileira em frente à sede da Folha, na rua Barão de Limeira, no centro de Sampa. Mas para quem pensa que isso é coisa de maluco ou que só no Bananão se está descobrindo que jornais, rádios e tevês mentem descaradamente para seu público, leia aqui o que escreve o bravo Luiz Carlos Azenha no seu blog "Vi o mundo".
...querido pai", diria o Bóbi Filho se o Bibo Pai fosse um cachorro como Tanure (quer dizer, o Bibo Pai e Bóbi Filho eram cachorrinhos mesmo, já o Tanure...Bem, este tem forma humanóide). Mas certamente o gente-boa Bibo Pai nunca seria ameaçado de despejo da casinha onde morava com o filhote por falta de pagamento, como é o caso da TV JB, segundo nota do Blue Bus:
TV JB está ameaçada de despejo pela produtora do Gugu, nota no Daniel 09:13 A TV JB, que há uma semana perdeu o sinal da CNT, anterior aqui, pode ficar sem os estúdios que utiliza em Sao Paulo. Nota do Daniel Castro, diz que a produtora GGP, do Gugu Liberato, alugou para a emissora suas instalaçoes em Alphaville, na Grande Sao Paulo, mas entrou com ação de despejo.
Já que estamos no assunto, a manutenção da coleguinha pela empreiteira como favor ao Renan é caso grave. Mas pior é a acusação de ele ter usado laranja para comprar tevês e rádios em Alagoas. Entao por que será que essa tem sido até agora a acusação menos esmiuçada pelos coleguinhas? Só a Veja e (um pouco) a Folha chegaram no assunto, mas assim mesmo sem aquela gana que seria de se esperar. É esquisito.
Li na Análise Política, um serviço da Broadcast, por sua vez um serviço da Agência Estado:
(...)
A imprensa vaiou Renan na saída do plenário, de forma emocional, chocante. (...).
Não aconteceu, certo? Coleguinhas não vaiaram o Renan, correto? O cara é um salafrário que tinha a amásia (o caso é de polícia, portanto vai essa palavra) bancada por uma empreiteira e até um tijolo desviado de obra sabe disso. Tudo bem. Mas não dá direito de coleguinha vaiar, quando em serviço. Nem o Renan, nem a seleção do Dunga, nem show do Calcinha Preta.
Quer vaiar? Ok. Tá indignado? Muito bem. Então, pede folga (ou demissão) e vai apupar lá do gramado do Congresso, junto com a Heloísa Helena. Ou então vaia de bloquinho na mão, mas pára de bancar o isento, imparcial e objetivo. E aproveita pra aplaudir o Obina e vaiar o Somália, ou vice-versa.
Os cybervikings Niklas Zennström (sueco) e Janus Friis (dinamarquês) voltam a atacar. Depois de invadirem as praias da indústria da música com o KaZaa e das telecoms com o Skype, os nórdicos mais terríveis que Hagar, o Horrível, resolveram dar um refresco para essas últimas e partiram para cima de outra poderosa mídia. Veja qual e como aqui.
Na boa, esse Nélson Tanure é muito ruim de roda. Não consegue nem ser escroque direito. Esse caso da TV JB é ridículo. Agora não será vista pelos canais UHF 45 (Grande Sampa), 34 (Rio), 13 (BSB) e 17 (BH), sem contar, é claro, os poderosos 59 (Cotia) e 45 (o de Itapecirica da Serra).
Até o Greenspan já disse que a crise financeira de hoje é parecida com as de 87 e 98, mas os coleguinhas brasileiros insistem na mania de contextualizar o mínimo possível, fazendo qualquer acontecimento parecer a-histórico, encerrado em si próprio.
Mas não tema! Tem gente que ainda que informar bem o pobre leitor, dando-lhe ferramentas para pensar. Como esse nosso amigo aqui.
Pavuna ´73 manda ver no ritmo símbolo do Brasil. E vai do meu conterrâneo Bezerra da Silva ao carioca Nei Lopes passando pelos também carioquíssimos Noel (na voz de Araci de Almeida) e Xangô da Mangueira (que nasceu no Estácio). Aliás, sobre a música "Quando eu vim de Minas", ela tem a ver com queridos coleguinhas: foi retirada do CD que acompanha o livro "Xangô da Mangueira", escrito por Marceu Vieira e fotografado por Bruno Veiga, e é cantada por Tânia Malheiros, em dueto com o mestre. Outra coisa: na hilariante Parsifal, Nei Lopes, que a compôs com Guinga, é acompanhado por Chico Buarque.
A Ericsson, a Endemol International e a holandesa Triple IT desenvolveram um software chamado Me-On-TV que permite o usuário publicar vídeos diretamente de dispositivos móveis (celulares e smartphones, por exemplo). O sistema permite também que sejam gravadas nas imagens as marcas de emissores, sites ou operadoras de telecom que esteja fornecendo o serviço. Pelo acordo, a Ericsson hospeda e gerencia o serviço e Endemol licencia o produto. O Me-On-TV está sendo usado pelo participantes do Big Brother atualmente em cartaz na Holanda.
Cada vez aumenta o número de ferramentas para qualquer um que quiser produzir seus próprios programas, incluindo aí, é claro, os jornalísticos.
Eita! O deputado potiguar João Maia (PR) é cabra macho. O conterrêneo de mamãe apresentou semana passada projeto de lei que permite às telecoms atuar em toda a cadeia do audiovisual para TV paga e internet, incluindo a produção, retira qualquer restrição ao capital estrangeiro em empresas deste setor e define como produtor independente brasileiro qualquer um que esteja no país há mais de três anos. Em troca, afirma que a produção nacional deve ser de pelo menos 50% grade, sendo que ao menos 10% do total exibido deve vir de produtores independentes. Duvido que o PL passe, mas só de tê-lo apresentado , João Maia certamente se tornou inimigo do Império Global.
Com a Flor de volta ao meu jardim, a Pavuna '73 retorna para onde tinha parado e cumpre a promessa de botar na caixa a soul music brasileira. Neste set temos então a Banda Black Rio (a qual tive a honra de ver em seus inícios em dois shows, um no Pavunense F.C. e outro no Esporte Clube Anchieta), um clássico do grande Cassiano, a irmã Sandra de Sá e um dos primeiros sucessos do síndico Tim Maia. Infelizmente, perdi o disco do rei Gerson King Combo e não pude apresentá-lo aqui (sorry, Mulberry Kid).
As Organizações Globo estão ficando realmente estressadas nesse tempos de convergência e aumento da concorrências em todos os campos da comunicação. Agora, sobrou para as programadoras estrangeiras. Leia aqui.
As Organizações Globo estão perdendo as estribeiras no monte de disputas causadas pela convergência digital. Como se não bastasse ficar trocando cotoveladas com as teles, o Império resolveu bater também nas concorrentes da Globosat no campo da produção de conteúdo. Em debate no Senado, no dia 23, o vice-presidente de relações institucionais das Organizações Globo, Evandro Guimarães, chamou de contrabandistas os programadores estrangeiros.
É que os gringos compram publicidade lá fora e as OG protestam contra a exportação de empregos no setor de produção audiovisuial. Como ocorre em 9,5 em cada dez vezes, o discurso dos globais não têm a ver com o que realmente os interessam. O problema mesmo é que quando vão pagar os comerciais importados, os programadores estrangeiros podem escolher entre pagar o Condecine (um imposto sobre o pagamento das compras de material audiovisual no exterior) ou aplicar 3% do valor do pagamento em produções nacionais.
Ora, é claro que as programadoras sempre escolhem a segunda opção. Afinal, aqueles três por cento ficam em suas mãos e não nas do governo, capitalizando o seus setores de produção - ou de compra de conteúdo de terceiros. Como o custo dos comerciais é e dólares, mas o cálculo dos 3% é em real, segue-se que em uma remessa de, digamos, US$ 1 milhão, os programadores ganham U$ 30 mil (algo em torno de R$ 60 mil) para aplicar em produções próprias. Como o valor das remessas é várias vezes um milhão de dólares, vê-se o potencial da coisa para criar um mercado de produção de boa qualidade para TV paga, aberta ou, claro, teles. E é esse potencial que faz com que a Globo se arrepie.