19.8.07

 

Temos um acordo


   Carla Rocha, Custódio Coimbra, Dimmi Amora, Fábio Vasconcellos e Sérgio Ramalho, sob o comando de Angelina Nunes. Esse foi o "scratch" que o Globo escalou para conquistar mais um Prêmio Esso de Reportagem. E pelo que se viu na primeira matéria da série de reportagens sobre o regime de terror em que vivem os pobres do Rio de Janeiro (sobre o medo dos não tão pobres, o Globo sempre fala), esse grande time tem mesmo chance de conquistar o título almejado.
   Você já deve saber - e se não sabe, saberá agora - que tenho profundas críticas ao "premismo" que proliferou nos últimos anos, com tudo quanto é entidade oferecendo galardões, como forma de influenciar a agenda pública via pautas de jornal. No entanto, dado o semi-autismo que acomete a imprensa brasileira, se é preciso que haja um prêmio para que um jornal mobilize o melhor que tem para falar de um assunto fundamental como esse que O Globo começou a enfocar hoje, que remédio?
   Fico na torcida para que as matérias continuem boas como as de hoje, aprofundando mais o tema e - pelamordedeus - evitando de culpar apenas a atual Administração federal pelo atual estado de coisas. Diante da capacidade da equipe citada lá em cima, creio que o bom caminho será trilhado.

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Comentários:
Ivson, discordo de vc. Os profissionais, obviamente, são ótimos, e o assunto merece reportagem. Mas o enfoque, comparando o que ocorre nas favelas com a ditadura militar, é errado, infeliz e forçado. Típica "pauta-para-ganhar-prêmio", necessária a um jornal de credibilidade questionável - entre outros motivos, porque APOIOU a ditadura militar. Será que o Globo vai lembrar isso? Vai fazer autocrítica? O que, nas suas edições atuais, o jornal vai usar para comparar o tempo em que publicava, sem questionar, os comunicados em que a repressão anunciava a morte "em tiroteio" de "subversivos" que todos sabiam estar presos e sob tortura?
 
Bom argumento, Anônimo. É verdade que a comparação pode ser considerada forçada, mas não muito - há realmente uma ditadura nos morros. Além disso, vale como artifício para aproximar a classe média de uma realidade para a qual ela normalmente se lixa.
Com relação á autocrítica, creio que se formos esperar por isso para que o jornal faça boas matérias, essas nunca serão realizadas.
Quanto a ser "matéria-para-prêmio" é uma crítica que também faço, mas faço a ressalva que, se esse é o preço cobrado pelo Globo para investir talentos, dinheiro, tempo e espaço editorial em um assunto realmente importante sobre uma classe à qual o jornal jamais dá essa atenção, então tudo bem para mim.
 
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