31.8.05

 

" A união é poderosa"


   Como disse aqui uma vez, depois de todos esses anos o meu espaço no servidor está acabando, principalmente por causa de umas imagens grandes e dos textos que deixei aí à esquerda para quem se interessar. Mas a solidariedade ainda existe e Gustavo Barreto, da consciencia.net, está aí mesmo para provar. Ele me ofereceu o espaço que eu quisesse para hospedar os textos que achasse importantes. Aceitei a oferta e agora os atalhos da esquerda apontam para uma pasta Picadinho dentro do servidor da consciencia.net. Abusando da bondade do companheiro, botei mais um texto - de Bernardo Kucinski - à disposição.

   Muito obrigado, Gustavo. É como diz o Paul Weller (Style Council) em Walls come tumbling down:

      Governments crack and systems fall
      'cause Unity is powerful -
      Lights go out - walls come tumbling down!

30.8.05

 

Feitiço contra o feiticeiro


   Lá atrás, mais precisamente no dia 11 de março, dei conta da punição do Cade contra o cartel formado há anos por jornais cariocas e incrivelmente noticiada pelo Globo (aqui).

   Só que de lá para cá, muita coisa aconteceu no país. Uma delas foi que os informes publicitários, antes solenemente ignorados pelos leitores, passaram a ser pelo menos checados por eles. É que o leitorado está aprendendo que, nesta crise política, os veículos de comunicação só publicam o que for de seu interesse (como no caso Veja x Palocci, citado abaixo em diversos posts). Assim, as pessoas passaram a ler os informes publicitários porque neles podem encontrar a versão dos acusados que a imprensa escamoteou. Ou seja, o informe publicitário que Cade obrigou os jornais do Rio a publicarem dando conta de sua própria punição provavelmente seria ignorado se a própria imprensa não tivesse criado o hábito de se ler esse tipo de anúncio.

   Como disse um conselheiro, comentando o assunto, "uma delícia!".

 

"Vendetta" da Veja


   Conselheiro flagra uma "vendetta" dos Civita:

      Vc, nessa nota [NdC: post "Um dia não ia dar certo, Veja..."], cita um artigo de Luis Weis. Nunca tinha ouvido falar no sujeito, até domingo. Abro a Veja e está lá uma coluna sobre pessoas que trocaram de nome com ajuda da numerologia e fracassaram. No meio de gente verdadeiramente famosa está esse tal de Luis Wejs, que trocou o sobrenome para Weis. Dê uma olhada. Não te parece que a nota inteira é para mostrar rancor contra o tal coleguinha? Ou eu estou pegando seu vírus paranóico?

      Se vc souber a razão disso, me explique.

 

Daniel Dantas, a imprensa e as oportunidades bem aproveitadas


   Conselheiro que, qual um Jim das Selvas corporativo, é afeito às feras empresariais faz uma observação das mais interessantes:

      Tenho acompanhado essa batalha entre fundos de pensão, Opportunity, Citibank e Telecom Italia. O fato que vou citar apareceu timidamente em um dos capítulos da discussão entre Nassif e Mainardi: a verba em publicidade que vem sendo gasta pelas empresas de telecom que têm o Opportunity no comando e que estão no meio desta crise.

      Nas três últimas semanas, revistas e jornais têm estampado, alegremente, páginas e páginas de publicidade da Telemig Celular, Amazônia Celular e Brasil Telecom. Todas as peças seguem a mesma linha institucional, mostrando como as empresas cresceram e estão bem depois de sete anos de privatização. Coincidentemente, essas mesmas revistas e jornais vêm poupando o banqueiro [NdC: Daniel Dantas] de maiores críticas em suas matérias. Em alguns casos até publicando material de interesse dele, como foi o caso da "Isto É" neste fim de semana, que estampou na capa uma história velha (acordo da Previ com o Citi) como se fosse uma grande novidade. Na mesma edição estavam lá as seis páginas de anúncio da Telemig Celular e Amazônia Celular.

      Já foram brindados com os anúncios (sempre de seis ou sete páginas) Veja, Época, Isto É, Valor...

      Deve ser isso que eles chamam de "blindar" os veículos....

29.8.05

 

Um dia não ia dar certo, Veja...- III


   Num momento de sua aula de como se faz jornalismo sério, o ministro Palocci mandou:

      (...)Eu só não posso provar o que não houve. (...)

   A essa exigência chama-se "prova diabólica". O nome vem do fato de que ela era exigida das pessoas - principalmente mulheres - acusadas de bruxaria pela Inquisição. O inquisidor dizia: "prove que você não é bruxa". Como a pobre não podia provar que não era - pela lógica, você só pode provar algo que ocorreu e não o que não ocorreu - era devidamente assada em fogo alto (quer dizer, quase sempre nem estava viva. Era assassinada primeiro e assada depois. Só em casos mais exemplares - os de Joana D'Arc e Giordano Bruno, por exemplo - os supliciados eram mesmo queimados vivos).

 

Um dia não ia dar certo, Veja...- II


   E o show de Palocci (com introdução do Dines).

 

Um dia não ia dar certo, Veja...


   Um show de Mauro Malin no Observatório da Imprensa, com uma boa coadjuvada de Luiz Weis.

28.8.05

 

Esse Jornal do Commercio...


   A minha fonte além-túmulo especializada no JC manda mais uma história hilariante do jornal carioca dos Diários Associados:

      (...)na quarta-feira (24 ) o jornal publicou que o presidente da Petros era o Carlos Flory. Na quinta (25), publicou correção dizendo que o presidente era Wagner Pinheiro, "que assumiu em 13 de fevereiro último". Na sexta (26 ), publicou nova correção, esclarecendo que ele na verdade assumiu em 13 de fevereiro de 2003.

      Satisfeito? Pois na mesma sexta, em outra materia, o jornal publicou que Pinheiro é presidente do Funcef e Guilherme Lacerda, do Petros ( na verdade, o inverso). Por isso, no sábado temos correção de novo: "Na materia 'Ampliada quebra de sigilo..', publicada na página A-10"...

      Último detalhe? A matéria não saiu na A-10, mas sim na A-12......


   O fantasminha, porém, dá uma outra informação, também referente ao JC, mas sem nenhuma graça: a redação não receberá dobrado por trabalhar no domingo para fazer a edição de segunda (até esta semana, o JC não circulava neste dia).

 

Frustração global


   Consternação no Globo. Semana passada, a Exame informou que o jornal dos Marinho foi mais um vez desclassificado da disputa para entrar no grupo das 150 melhores empresas para se trabalhar no país. Há anos o diário da Irineu Marinho tenta sem sucesso figurar na lista e a frustração deve continuar ainda por longo tempo. É que entre as variáveis estudadas pela consultoria contratada pela Exame estão a extensão dos benefícios concedidos pela empresas e o nível de satisfação dos funconários, e o jornal cortou benefícios dos empregados o que, obviamente, aumentou o nível de insatisfação deles. Aí fica mesmo difícil.

   Melhor faria O Globo se seguisse seus concorrentes do setor de comunicação. Eles nem entram na disputa para não pagar esse mico.

 

É isso aí...


   A gente vai se ver livre desta raça por, pelo menos, 30 anos” (Jorge Bornhausen, senador pelo PFL e banqueiro).

   Ok, não é frase das mais elegantes e menos ainda politicamente correta, mas pelo menos o político catarinense botou o que está acontecendo no país dentro da perspectiva correta. Aqui a análise desse momento freudiano do Alemão (como é conhecido Bornhausen) por Emir Sader.

26.8.05

 

Por falar em Paraguai...


   Olha que exemplo interessante de propaganda subliminar...

   Fui ver a segunda versão de "A Fantástica Fábrica de Chocolates" com minhas sobrinhas. No filme, como na primeira versão, há uma tentativa de fraudar o concurso promovido por Willy Wonka por meio da falsificação do último convite dourado. Só que na fita dos anos 70, a tentativa foi feita no Paraguai, mas, na que está em cartaz, ela é realizada na Rússia.

 

Tirando o atraso - IV


   Agora que os EUA reforçaram a sua base militar no Paraguai, não custa lembrar um pouco da História de nosso pobre vizinho.

 

Tirando o atraso - III


   Conselheiro do Além mandou essa no dia 14 de agosto:

      saudacoes nobre ivson

      ta na primeira pagina do jc deste domingo o jornal deixa de circular no domingo (a edicao de sabado passa a sabado/domingo) e passa a circular na segunda (no lugar da edicao que atualmente eh de domingo/segunda).

      vale o sindicato ficar de olho pra ver se vao pagar o dia em dobro no domingo, ja que havera agora trabalho quase normal nesta data.



 

Tirando o atraso - II


   Pesquisa feita pela revista Imprensa, pelo site MaxPress e pela Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial (Aberje) mostra que 76% dos jornalistas acompanham os depoimentos e notícias sobre as CPIs pelas tevês Câmara e Senado. Em outra pesquisa, realizada pelo instituto Qualibest, informa que 13% das pessoas interessadas nos escândalos da hora preferem a TV Senado.

   E ainda tem gente que acha - e escreve - que o sistema de informação das Casas Legislativas é simples sinecura para coleguinhas.

 

Tirando o atraso - I


   Ô preguiça...Esse negócio de férias é bom mesmo. Devia ter mais de um por ano...Mas vamos lá, tentando tirar um pouco do atraso no blog.

   Começando com mensagem de um conselheiro carioca:

      Ivson, para quem não acredita em orquestração e denuncismo, aí vai esta pérola de informação precisa e objetiva que acaba de sair no Globo Online:

         20/08/2005 - 14h06m
         Promotor diz que não há provas contra Palocci em documento da Leão Leão

         
Jornal Hoje

         RIO - O Ministério Publico de Ribeirão Preto informou que documentos apreendidos na empresa Leão Leão comprovam que o advogado Rogério Buratti pode ter falado a verdade. O promotor Aroldo Costa Filho, no entanto, afirmou que nos documentos não existem provas contra o ministro Antonio Palocci.

         - Alguns documentos apreendidos na empresa Leão Leão são indicativos de que aquilo que o Buratti falou é verdadeiro, mas nós entendemos que os fatos devem ser melhor investigados. Deverão ser encaminhados ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria Geral da República para prosseguimento.

         O promotor reforçou que nos documentos encontrados não existem indícios de ligação do ministro Antonio Palocci com o esquema de fraude de licitações.

         - Não há esta informação. Apenas neste documento há a referência sobre valores que eram pagos aqui à prefeitura de Ribeirão Preto - finalizou.
(...)

25.8.05

 

Época de fraude


   Carta Capital acusa Época de fraude. Segundo a revista de Mino Carta, a revista dos Marinho teria requentado a matéria de capa em que Waldemar Costa Neto afirma que o acordo entre PT e PL para a coligação dos dois partidos em 2002 custou R$ 10 milhões aos petistas. Época diz que a matéria seria um furo. A história completa está aqui.

 

De volta ao que chamam de Brasil


   Ainda de férias, mas já de retorno da Bahia, leio o meu analista político favorito, Wilson Tosta. Recomendo.

12.8.05

 

Amigos, amigos, negócios à parte


   EUA planejam detonar a família Saud, manda-chuvas da Arábia Saudita há mais de dois séculos e velhos amigos dos Bush. Aqui.

 

Nas urnas


   Parece que o julgamento vai ser político e nas urnas. Aqui.

11.8.05

 

Corrupção e percepção da corrupção


   Aqui? Não. No Chile.

 

Crime novo


   Na Globonews hoje:

      O deputado Paulo Pimenta, do PT do Rio Grande do Sul, renunciou ao cargo que tinha na CPI dos Correios. Ele foi acusado de ter pegado carona com o publicitário Marcos Valério. (...)

   Pronto! Eu não dirijo e por isso pego um monte de caronas. Como agora pegar carona é crime, segundo a Globonews, acho que vou ter que andar de táxi ou aprender a dirigir se quiser andar de carro.


 

Crise de identidade


   Conselheiro observou algo curioso nesse artigo publicado no blog de um coleguinha famoso. É que o jornalista que o assina pode até escrever mesmo para a revista da Fapesp, mas onde ele ganha o pão de cada dia é na Petrobras.

9.8.05

 

Dando mole


   Depois não reclama, Nove-Dedos...

 

Roriz, Estadão, Veja, FHC...


   Lembra daquela matéria que a Veja estava armando para tentar incriminar Dona Marisa a fim de desestabilizar emocionalmente o Nove-Dedos? Não rolou lá ainda, mas já apareceu um ensaio no Correio Braziliense (jornal do Roriz) e hoje no Estadão, a Veja diária. Neguinho ainda não desistiu de derrubar o cara para não enfrentar o risco de encará-lo nas urnas, conforme se viu no artigo do FHC de domingo no Globo.

 

Bob Jeff e os uspianos


   A matéria sobre a palestra do Bob Jeff na faculdade de Direito da USP ficou esquisitona no Globo: na chamada e no lide vem que ele foi ovado e laranjado pelos estudantes, mas no resto da matéria só são citados momentos em que ele foi aplaudido, todas as vezes quando falou mal do governo e do Nove-Dedos, claro.

   O caso fica ainda mais estranho quando se vê a matéria levada ao ar pela Globonews. Nas imagens, Bob Jeff fala mal do Lula, mas não é aplaudido. É até xingado e tem gente que manda dos xingadores calarem a boca, mas aplauso não tem. E depois (ou antes, nunca se sabe em se tratando de edição, não é?), ele é chamado de "picareta" por quase todos no auditório (aliás, lotado). Nada disso é mencionado na matéria do jornal.

7.8.05

 

Férias!


   Vou usar aquele direito garantido pela Constituição que os patrões dizem ser o motivo pelo qual o Bananão não vai para frente: vou entrar em férias. Assim, até o início de setembro, as atualizações se tornarão bem espaçadas. Quem assina o blog via Bloglet não terá problemas, mas os outros que me honram com suas paciência e atenção vão ter que vir aqui todo dia para ver se postei alguma bobagem nova.

   Os conselheiros e conselheiras, se quiserem continuar a fazer esta imensa gentileza que não mereço, podem mandar seus auxílios durante o período, que acessarei a caixa postal sempre que for possível. Desde já, muitoobrigado a todos.

   Até a próxima e fique na paz.

 

O nosso lugar na História


   Ao comentar um post do Edu do Brooklyn (aqui), escrevi sobre a tese que defendo há algum tempo a respeito do nosso lugar na História das civilizações:

      (...)Vc deve ter ouvido sempre falar, como eu, que o Brasil estava fadado a um futuro extraordinário, um país com encontro marcado com o futuro, com a História, né? Pois é verdade, velho. Seremos conhecidos como o maior fracasso coletivo da História, o incrível país que escorreu pelo ralo. (...)

   Explico melhor a tese na Pensata.

 

Os jornais, segundo a consciência


   Por falar na consciencia.net, aqui está a análise dos jornais de sexta feira por Gustavo Barreto, editor da revista eletrônica. Apesar do atraso, vale porque o método é usado diariamente pelos jornais e tevês e semanalmente pelas revistas.

 

Agência Consciência na Rede


   A revista eletrônica consciencia.net, que está na Rede há cinco anos, lança, nesta segunda-feira, dia 8, a Agência Consciência, que tem por objetivo é melhorar o fluxo de informações entre os movimentos sociais e dar destaque a pautas que a grande imprensa ignora. Mais informações neste endereço.

5.8.05

 

Chorão


   Beto Chorão é um atacante que o Flu descolou lá no Treze de Campina Grande. Tem a alcunha porque, aconteça o que acontecer no jogo - dar passe errado, perder ou fazer gols, levar ou fazer faltas - ele continua com cara de quem vai abrir o berreiro. Uma cara de paraíba sofredor de dar dó em coronel alagoano.

   Chorão não sabe chutar, não sabe passar e até hoje não descobrimos se sabe cabecear porque tem menos de 1,60m e não ganha de ninguém no alto. Ainda assim, adivinha... A torcida gosta dele! É que corre feito um alucinado, marca o adversário na saída de bola e quando a tem parte velozmente em direção ao gol, geralmente levando vantagem na corrida sobre os adversários (depois não sabe o que fazer, mas isso é detalhe). E ainda tenta umas jogadas muito doidas que, inacreditavelmente, às vezes dão certo. Com ele em campo pode até ter placar em branco, mas a diversão é garantida assim mesmo.

   Beto é candidato seriíssimo a suceder nas graças da torcida ao mito Marcão, que acabou de deixar o clube para ir ganhar um dinheirinho de fim de carreira no Catar. Marcão só marcou 12 gols em 333 jogos com a camisa tricolor e foi responsável direto por termos levado pelo menos três vezes este número no mesmo período. O segredo do amor das arquibancadas por ele? Um sorriso largo, a humildade e a dedicação à camisa. Era ruim, mas boa-praça e confiável.

   Agora, vá tentar explicar o amor da galera por Chorão e Marcão para os tucano-pefelês e o resto da elite brasileira....

 

Números no ar


   Sei não, mas deve ter alguma pesquisa pra rolar por aí. Só isso para explicar duas maluquices:

   1. Nove-Dedos no palanque: Tá certo que não foi ele que começou - a oposição é que resolveu antecipar a eleição -, mas aboletar-se em cima dos palanques como tem feito nos últimos dias só se for muito doido (o que não parece o caso) ou souber com as certezas dos números de mais de uma pesquisa que a galera está mesmo com ele e de saco cheio de Bob Jeff, Dirceu, FH et caterva.

   2. A paúra tucano-pefelê: Está n'O Globo há dois dias: a oposição não esperava que N-D partisse pra luta aberta. Achava que, como FH em boa parte do seu mandato, ele ficasse escondido embaixo de uma escrivaninha no Planalto ou viajando para Paris. Mas mesmo surpreendida, a oposição não daria a bandeira de usar os seus colunistas globais mais lidos - Dona Miriam, Colunista da Rio e Terezona - e ainda um editorial para dizer que Nove-Dedos está fazendo errado ao sair no tapa com os tucano-pefelês se não tivesse algo por trás. Isso só se explica se os números das pesquisas confirmarem a tese da correspondente d'El Clarín que a galera gosta do presidente como os descamisados argentinos veneravam Evita e que oposição está para ser sovada porque não tem o menor cheiro de povo.

4.8.05

 

Desculpem a minha falha...


   Desculpas a quem tentou acessar o post do Pensata sobre a briga dos barões com as teles que mandei ontem. É que o meu servidor estava cheio. Tive que deletar algumas coisas (creio que vou ter que zipar os textos do Darcy e do Perseu também). Agora, porém, tá tudo certo. Se estiver interessado ainda, pode clicar aqui.

 

Erro de informação (mais um...)


   A festa do Sindicato para angariar fundos a fim de pagar os advogados na batalha judicial movida por Nelson Tanure contra a entidade não foi na segunda passada, não, como (des)informou o Colunista da Rio. Será na segunda que vem. O local e a hora pelo menos estavam certos: Teatro Odisséia (Rua Mem de Sá, 66), às 19h.

 

Faça você mesmo!


   O coleguinha Gustavo Barreto, editor da consciencia.net, prestou um grande favor aos jornalistas, aos professores das escolas de comunicação e ao público em geral. Ele compilou algumas fórmulas básicas para a criação de escândalos jornalísticos que permitem que qualquer um, sem necessitar de conhecimento ou qualquer habilidade, jogar a vida e a honra de qualquer um na lama com o mínimo de esforço. Vamos lá! Siga as dicas e, como diriam os punks, faça você mesmo o seu escândalo!

      1. Um boato, dito por algum assessor com intenções "não-declaradas", pode virar um "fato", que, por sua vez, vira notícia de destaque e papo de barzinho. Surge nos jornais como "Segundo a revista X apurou..." Essa você mesmo pode fazer em casa. Exemplo: a fofoqueira do 206, que já nasceu fofoqueira, disse que o seu Roberval, do 405, está sendo traído por sua mulher, a Euclésia. Então, que conste no jornalzinho do prédio: "Segundo a Tribuna do Condomínio Palmeiras apurou, seu Roberval está sendo traído por sua mulher, Euclésia". Sugestão de título: "Seu Roberval é corno, afirma fonte".

      2. Duas pessoas "suspeitas" de alguma coisa, estando no mesmo lugar (ou até na mesma cidade) em um determinado dia, se transformam automaticamente em duas pessoas que estiveram lá para conversar a sós e, pior, para falar sobre o mensalão ou financiamento ilícito de campanha. Mesmo que o horário não bata e que ninguém tenha ouvido a conversa. São culpados até que provem o contrário. E não vai ser provado, já que manchetes são espaços apenas para acusações grosseiras, nunca para ponderações feitas com bom senso.

      3. Esta é uma variante do tópico 2. Uma visita oficial de uma empresa que tenha funcionários corruptos (e não são poucas) a um governo que tenha funcionários corruptos (e todos têm, em qualquer país) vira, automaticamente, um encontro de acerto de contas de um esquema de corrupção meticulosamente planejado em pleno Palácio do Planalto, pelo mais alto escalão do governo federal. Nessa hora, na ânsia por provar uma tese, ninguém pára para pensar que aqueles funcionários estivessem tratando de outros assuntos, tal como sustentam.

      4. "Fulano negou tudo" ou "Fulano nega que tenha articulado caixa 2". O leitor comum mal sabia da acusação - ou toma contato com o tema pela primeira vez por meio da manchete. O acusado vira culpado por negar e pelo fato de ser político (que no Brasil "é tudo ladrão", já que "são todos iguais").

      5. Jornalistas são deuses e, como tais, onipresentes. Desta forma podem esquecer uma das necessidades jornalísticas mais elementares, que é a de ouvir os envolvidos na denúncia. Até porque possui toda a "verdade" em suas mãos. É a panfletagem que, sem o devido controle público, só faz aumentar. Ouvir o acusado é muito perigoso, já que a publicação pode ter a "desagradável surpresa" de que a acusação é falsa ou parcial. Alguém que recebe uma denúncia contra o PT ou contra o governo, faz a checagem e descobre que a acusação é falsa pode se tornar, a esta altura do campeonato, um jornalista que "desperdiçou" mais um ataque ao alvo prioritário.

      6. Um corruptor é um legítimo corruptor desde que cite algum alvo prioritário. E este corruptor, por menos crédito que mereça - já que não se trata de uma pessoa muito ética - estará sempre dizendo a verdade quando afirma que está falando em nome de um ministro, presidente de partido ou dirigente de estatal. No momento da denúncia, ninguém pára para pensar que a citação de fulano ou beltrano pode ser uma tática do corruptor para conseguir o que quer.

3.8.05

 

A fábula do Mia


   Edu Graça, grande figura radicada em Nova Iorque, faz um paralelo entre uma fábula do moçambicano Mia Couto e, como diria o mítico Crioulo Doido pontepretano (o Stanislaw, não o time), a atual conjuntura.

 

Barões da mídia ao lado povo


   É, nesses tempos estranhos até isso pode acontecer. Na sua briga de morte com as teles, os barões da mídia acabam por ajudar os seres que mais desprezam: nosotros. Veja como.

 

A barriga do Moreno


   Conselheiro mandou essa:


      Salve Ivson,

      Só para te ajudar em observar algo de nossa imprensa que foi bastante comentado hoje. Ontem, segunda, véspera do depoimento de José Dirceu, já quase de madrugada, Moreno publica em seu blog que Dirceu deve renunciar antes de se apresentar na Comissão de Ética, abalado com as notícias do envolvimento de sua ex-mulher com Marcos Valério. A nota do blog foi repercutida no Globo, que deu destaque em alto da página 10 para a renúncia. A nota de ontem no blog:


         JOSÉ DIRCEU JÁ ADMITE RENUNCIAR AO MANDATO DE DEPUTADO

         Profundamente abalado e dizendo que desconhecia totalmente o envolvimento da ex-mulher nos negócios de Marcos Valério, o ex-ministro e deputado José Dirceu passou a admitir, desde hoje à tarde, a possibilidade de renunciar ao mandato para não perder o direito de se manter elegível no ano que vem.
Zé Dirceu, até no domingo, não admitia a hipótese de ser cassado. Mas depois que foi procurado pela ex-mulher Ângela Saragoça, que lhe revelou toda a transação comercial e apadrinhamento de Marcos Valério para conseguir emprego, sentiu que não tem mais a menor chance de se defender das acusações. Ele repetiu o argumento da nota em que dizia estar sendo vítima de um linchamento político jamais visto na história do país para reconhecer que não tem outra saída, a não ser a renúncia.
José Dirceu esperava apenas uma conversa com o presidente Lula para anunciar sua decisão. O raciocínio mais lógico, uma vez estando convencido da renúncia, é que ele a apresente antes do depoimento desta terça-feira na Comissão de Ética da Câmara. Assim, se livraria de uma exposição inútil e totalmente desgastante para ele, para a sua família e para o próprio governo.

       Hoje, Moreno confessa frustração e explica que não errou, mas foram os advogados de Dirceu que descobriram uma brecha à noite: o fato de que Dirceu não estava como deputado no momento onde supostamente aconteceram os crimes, mas como ministro.

      Quer dizer, a barriga foi feia, mas a explicação é totalmente bisonha. Os advogados estão há dias trabalhando e só ontem descobrem que Dirceu era ministro. Leia só:


         RESUMO DO DIA

         1-- Este blog não errou quando repassou informações de amigos de que José Dirceu pensou em renunciar. É que seus advogados encontraram uma brecha para diferenciar seu caso dos demais deputados: se eventualmente praticou crime, não foi no exercício do mandato, mas como ministro.

         2-- Como disse Paulo Delgado, é preciso parar de jogar para a opinião pública e começar a jogar para dentro. Tanto José Dirceu como Jefferson diziam estar falando ao povo brasileiro. Jefferson, de denunciado, a acusador. Jefferson não apresentou provas, só acusou. No empate técnico, vale as biografias. A de Dirceu, sem entrar no mérito das ações que teria praticado, é muito melhor do que a de Jefferson. Ponto para ele.

         3-- O importante são os fatos. Eu poderia enumerar centenas deles que estão aparecendo. Mas vou ficar só num: é no mínimo esquisito um partido dar dinheiro para outro partido.


   Essa é mais uma mostra de como os medalhões do jornalismo têm dificuldade em caminhar pela blogosfera. Os do Globo várias vezes se mostram desconfortáveis com a sem-cerimônia, falta de conhecimento e até mesmo a falta de educação dos comentadores. É hilariante vê-los reclamando a agressividade dos comentários, algo que, como sabem todos que andam nesse ciibermundo selvagem, é arroz-de-festa. Outra coisa comum nos blogs é erro de avaliação e até mesmo de informação. Não tem nada demais: é fácil corrigir o erro e isso em nada desmerece o blogueiro, desde que o leitor sinta que ele não errou por mal. Esse ponto talvez seja o mais difícil para os medalhões: como se consideram - e são considerados muitas vezes - semideuses nas redações, descobrirem-se humanos - falíveis, portanto - diante de milhares de pessoas supostamente inferiores é um choque muito doloroso e daí esse mico pago pelo Moreno.

2.8.05

 

Artigo de conselheiro no OI


   Por falar no conselheiro insulano e em cobertura dos escândalos, aqui está o artigo dele no Observatório da Imprensa sobre alguns episódios em que a imprensa andou pisando na bola (melhor: dando bandeira) nas matérias sobre a atual conjuntura.

 

Números significativos


   Matéria do site Coletiva.net mostra que, apesar das manchetes, a vendagem dos jornais não aumentou significantivamente nestes tempos de mensalão. Os números interessantes, proém, são outros:

      1. A maioria dos parte dos leitores acham que os jornais estão fazendo uma cobertura sensacionalista (39%) ou a realizam visando "interesses próprios". Ou seja, 60% das pessoas criticam a cobertura;

      2. Dado ainda mais importante: 55% dos leitores não crêem na seriedade dos jornais (dado que apenas 45% acreditam que eles são fontes sérias de informação) .

   A matéria completa está aqui. E seria interessante que as mesmas perguntas fossem feitas aos leitores de revistas.

   Gracias ao conselheiro insulano Paulo França pela dica.

 

Sindicato pelo JS


   Nota do Sindicato do Rio sobre a agonia do Jornal dos Sports

      Uma briga comercial entre o O Dia e o Jornal dos Sports impediu que o JS circulasse nos últimos quatro dias, voltando às bancas somente hoje, impresso na gráfica do Monitor Mercantil. Preocupado com a situação dos jornalistas da empresa, com o mercado de trabalho no Rio de Janeiro e com os 75 anos de história de um dos mais importantes títulos da imprensa carioca, o Sindicato se reuniu hoje com a diretora de conteúdo do JS, Cristina Konder. O Sindicato acompanhará atentamente a evolução dos fatos e fará o for possível para defender os direitos dos jornalistas da empresa e evitar o desaparecimento de mais um importante jornal da cidade.


      Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro
      www.jornalistas.org.br



 

O mineiro Graciliano


   Duas ótimas relacionadas com a posse do novo presidente lá da empresa:

   1. No discurso, o presidente citou alguns escritores - Gonçalves Dias, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Drummond. Após o fim da coletiva, naquela reunião regulamentar para se combinar o lide, duas coleguinhas conferiam os nomes:

   - Ele citou Graciliano Ramos, Gonçalves Dias, Drummond...Alguém mais?

   Antes que a outra respondesse, antecipou-se uma distraída coleguinha:

   - Essa é a nova diretoria?

   2. Essa saiu hojeno Valor, na matéria sobre a posse(página B9):

   " (...) fez referências a grandes escritores mineiros como Guimarães Rosa. Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos (...)"

   Graciliano era alagoano.

 

Solidariedade ao Colunista da Rio


   Minha solidariedade ao Colunista da Rio do Globo. Até acho que ele merece ser processado de vez em quando pela leviandade das notinhas que publica - muitas atacando a honra alheia de maneira agressivas e/ou maledicente -, mas dessa vez ele tem razão: desembargador que dá voz de prisão à juíza acusando-a de prevaricação, e depois é obrigado a indenizá-la por isso, é notícia.

   A situação, porém, estará malparada para CdaR se a tese de defesa dele se sustentar em que o segredo de justiça foi determinado indevidamente. É que os casos em que um juiz pode determinar segredo de justiça estão conceituados de maneira tão elástica na lei que a decisão de determiná-lo é tão arbitrária que um outro muito dificilmente a consideraria incorreta.

1.8.05

 

Passando nos cobres


   Quando a pindaíba está brava, o que a gente faz? Vendemos alguns de nossos pertences para dar uma aliviada, certo? Pois é o que a Abril vai fazer com a TVA, a maior bobagem já feita pelos Civita. A candidata que se apresenta no momento é a Telemar, embora a tele jure de pés juntos que nem está pensando no assunto. Fazendo esse movimento, a Abril segue os passos das Organizações Globo, que passaram adiante a NET para o grupo Telmex. Até agora, a Lei do Cabo proíbe que teles controlem este tipo de serviço, mas ninguém acredita que esse impedimento continue por muito tempo, pois a Lei já tem dez anos e foi feita quando a convergência era coisa de professor Pardal. Tanto é assim que a Embratel já realiza testes de telefonia via cabos da NET em Sampa.

 

Gol contra de FH


   No seu blog Vida&Política, Wilson Tosta faz uma análise que eu assinaria embaixo, em cima e de ambos os lados.

 

Agonia cor-de-rosa


   Ninguém notou, mas de sexta até hoje o Jornal dos Sports não circulou. É que O Dia recusou-se a rodar as edições devido à falta de pagamento. A redação, por questões legais, continuou preparando jornais que sabia jamais iriam à rua, numa situação bunueliana (embora entrassem na internet, onde há capas de edições que não chegaram às bancas). Hoje, finalmente, conseguiu-se descolar uma gráfica para imprimir a edição de amanhã. A de quarta, porém, ainda não está garantida.

   É doloroso para mim dar esta notícia porque comecei no glorioso cor-de-rosa em 1982, mas parece que o jornal criado em 1931 por Bastos Tigre não chegará a cobrir o Pan de 2007. Muito triste.

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