31.7.05
JB amava Bob
Como tem que gente não deve ter visto a chamada num dos comentários abaixo, o blog-irmão Avenida Brasil analisa o editorial em que o "jotinha" declara toda a sua alucinada - e até hoje oculta - paixão por Roberto Marinho.
Abril financiou tucanos
Não tô dizendo que se cavar fundo vamos encontrar informações que não surpreendem, mas explicam um monte de coisas? Uma dela é essa: A Abril, editora da Veja, ajudou a financiar três candidatos tucanos na eleição de 2002, sendo que um deles foi o relator de uma lei que a beneficiou diretamente. Leia aqui.
Siga o Leão da Montanha
Provavelmente em seu melhor texto desde que substitiu Bernardo Kucinski nas Cartas Ácidas, Flávio Aguiar mostra a única saída para o PT. E, como diria o Leão da Montanha, ela é pela esquerda.
Classe média quem, cara-pálida?
Maria Luzia, a senhora que trabalha na casa do Musa do Blog, acha a Revista do Globo "surreal". Não dá pra discordar dessa avaliação quando se lê a matéria de capa dessa semana, "Mulheres especiais - O que pensam, o que sonham e como vivem as brasileiras de classe média". Mostrando quem o jornal considera a típi ca brasileira de classe média, a capa traz Patrícia Pilar (atriz de sucesso e mulher do ministro Ciro Gomes), Nélida Piñon (presidenta da Associação Brasileira de Letras), Marieta Severo (atriz de sucesso e dona de teatro), Malu Mader (atriz de sucesso) e Camila Pitanga (modelo, atriz e enteada de ex-ministra). Sei não, mas acho que essas mulheres não são exatamente representativas das mulheres de classe média do país...
Rádios livres no Recife
Os "sumamente revoltosos" pernambucanos voltam a atacar. Dessa vez, os conterrâneos criaram o projeto "Liberdade nas Ondas do Rádio", que, com respaldo da Prefeitura, da Câmara dos Vereadores e do Ministério Público, tem por objetivo “ fazer com que as comunidades passem a produzir e veicular programações que tenham a ver com a sua vida e não com que os grupos de mídia acham que elas devem ouvir. Os primeiros beneficiados serão os grupos musicais, já que, nas rádios comunitárias, não há o instituto do "jabá", aquela graninha que as gravadoras botam nas mãos dos "comunicadores" para que eles toquem as músicas que interessam a elas.
30.7.05
Cuba, Paraguai, nós...
Ok, tá tudo muito divertido, mas o mundo continua girando (enquanto a Lusitana roda), como nos lembra este artigo de José Arbex Jr e que, na minha pra lá de discutível opinião, vem bem a calhar ler no momento em que George W. cria uma comissão para cuidar da "transição" em Cuba, instala uma base militar bem sob as nossas fuças e nós passamos por um crise política (oops! não é que voltei à diversão?).
Enquanto isso, nos isteites...
Depois do Garganta Profunda, adivinha que outro personagem central de Watergate ressurge das sombras? Henry Kissinger! E como reaparece o, na época do escândalo (aquilo sim merecia o nome), secretário de Estado de Nixon? Essa você não vai acreditar...Como presidente da comissão "independente" criada por George W., por pressão das famílias das vítimas, para investigar o atentado de 11 de Setembro!
Tá achando que eu estou brincando... Então leia aqui.
Tá achando que eu estou brincando... Então leia aqui.
29.7.05
O Estadão também está impossível
Como a Veja, o Estado de São Paulo está pouco se lixando para o jornalismo sério no afã de detonar a Administração do Nove-Dedos. Se estiver na frente e for de esquerda, vai ser atropelado como o foi o diretor da Fase e da Associação Brasileira de ONGs (Abong), Jorge Saavedra Durão, cujo nome foi jogado no escândalo do "mensalão" pelo diário paulista. A defesa completa de Saavedra Durão você vai ter que ler aqui, porque se depender da nossa imprensa vai conseguir, no máximo, umas cinco linhas e ainda assim se procurar com muita atenção.
Ué? Não vale pra todo mundo não?
E essa agora! Os Estados Unidos querem censurar a Telesur! Mas...Mas...E a tal da liberdade de expressão? E aquela outra, de imprensa? Não valem abaixo da linha do Equador não?
Corrupção política e capital financeiro
Você já deve ter notado que em todo o escândalo político, do PC para cá, tem banco e doleiro envolvido. O motivo é explicado nesta excelente matéria, publicada originalmente no site Oficina de Informações
28.7.05
Fé, dinheiro e política
Gustavo Barreto é um dos cabeças da revista eletrônica consciencia.net e marxista de carteirinha. Isso não o impede de ver a exploração da fé de uma maneira bem mais ampla do que a maior parte dos não-marxistas. Eu diria até de uma perspectiva quase weberiana, com perdão da má-palavra...;)
Foto publicitária
A matéria paga da Telemig Celular e da Amazônia Celular, aliás, mostra bem o motivo pelo qual a chamada grande imprensa precisa tanto de verbas do governo, seja via publicidade, seja via financiamento, como aquele tentado no BNDES. Dos veículos citados, apenas (cito de memória, mas não escapa muito disso) as tevês Globo e SBT e a Veja são nacionais (a MTV também, mas é por assinatura). O restante é formado por veículos regionais e muito outdoor e busdoor.
Bom negócio
As crises geram bons negócios, como sabem todos que já viveram tempos de guerra. A atual abriu um novo campo para o comercial dos jornais. Como as revistas semanais acusam as empresas de malfeitos e não lhe dão direito a defender-se (até ouvem os argumentos, mas só publicam o que lhes convêm, quando publicam algo), as acusadas são praticamente forçadas a comprar espaço nos diários a fim de dar a público a sua versão.
Não é nada, não é nada, é sempre um dinheirinho que entra num momento em que a publicidade convencional anda estagnada. E como o mundo caminha sinergicamente, como dizem (deve ser, tem até comédia romântica falando do assunto), longe não há de estar o tempo em que a revista de um grupo de mídia veiculará matéria deturpada e o jornal do mesmo grupo publicará o lado dos acusados como matéria paga. Pensando bem, talvez esse tempo até já tenha chegado...
Não é nada, não é nada, é sempre um dinheirinho que entra num momento em que a publicidade convencional anda estagnada. E como o mundo caminha sinergicamente, como dizem (deve ser, tem até comédia romântica falando do assunto), longe não há de estar o tempo em que a revista de um grupo de mídia veiculará matéria deturpada e o jornal do mesmo grupo publicará o lado dos acusados como matéria paga. Pensando bem, talvez esse tempo até já tenha chegado...
Pior é que verdade
O caso é que é verdade a alegação das empresas de que suas relações com Valério são legais (no sentido jurídico do termo). Não é porque várias pessoas contam uma mesma história que ela é falsa, simplesmente pode ser verdade...
Segundo um publicitário amigo, o sistema da publicidade funciona assim:
1. O cliente paga R$ 100 mil para uma agência veicular anúncios em veículos que atinjam seu/s público/s-alvo/s;
2. A agência paga ao veículo R$ 80 mil, ficando com 20% de comissão. A agência deveria ficar com eles, mas como os clientes sabem que elas estão na pindaíba, fazem leilão e há uma guerra de descontos. No fim, os 20% de comissão ficam em apenas uns10%;
3. Como as empresas de comunicação estão na pindaíba ("tá ruim pra todo mundo, mermão!"), oferecem um BV (Bônus de Veiculação) para que as agências levem seus clientes para elas. Esse BV é calculado em cima do total de anúncios veiculados pela agência no veículo, não por cliente individual - é claro, porém, que quanto mais clientes grandes uma agência tiver, maior será a verba que irá gerir e, portanto, mais irá receber de BV dos veículos.
O BV é o típico "segredo de polichinelo": todo mundo sabe que existe, é eticamente questionável, mas todo mundo olha pro outro lado. A razão é que, com a guerra de preços no lado do cliente, os bônus é que mantêm as agências vivas. Na luta pela sobrevivência, elas chegam a trair o cliente, programando anúncios em veículos grandes que não acertam em cheio o público-alvo (já vi algumas apresentações de campanhas e só agora entendi a insistência dos publicitários em botar anúncios em revistas como a Veja, claramente mais caras e sem retorno tão certeiro quanto outras menores, de nicho, que atingem em cheio o público da empresa).
Segundo meu amigo, "só o BV daria uma CPI inteira", mas para que ela fosse válida teria que chamar todos os diretores comerciais das empresas e aí adivinha o que aconteceria? Pois é. Seria acusada de estar atacando a liberdade de imprensa...
Assim, as perguntas 1, 5 e 6 feitas por mim ontem estão satisfatoriamente respondidas, creio. Faltam as 2, 3 e 4.
Segundo um publicitário amigo, o sistema da publicidade funciona assim:
1. O cliente paga R$ 100 mil para uma agência veicular anúncios em veículos que atinjam seu/s público/s-alvo/s;
2. A agência paga ao veículo R$ 80 mil, ficando com 20% de comissão. A agência deveria ficar com eles, mas como os clientes sabem que elas estão na pindaíba, fazem leilão e há uma guerra de descontos. No fim, os 20% de comissão ficam em apenas uns10%;
3. Como as empresas de comunicação estão na pindaíba ("tá ruim pra todo mundo, mermão!"), oferecem um BV (Bônus de Veiculação) para que as agências levem seus clientes para elas. Esse BV é calculado em cima do total de anúncios veiculados pela agência no veículo, não por cliente individual - é claro, porém, que quanto mais clientes grandes uma agência tiver, maior será a verba que irá gerir e, portanto, mais irá receber de BV dos veículos.
O BV é o típico "segredo de polichinelo": todo mundo sabe que existe, é eticamente questionável, mas todo mundo olha pro outro lado. A razão é que, com a guerra de preços no lado do cliente, os bônus é que mantêm as agências vivas. Na luta pela sobrevivência, elas chegam a trair o cliente, programando anúncios em veículos grandes que não acertam em cheio o público-alvo (já vi algumas apresentações de campanhas e só agora entendi a insistência dos publicitários em botar anúncios em revistas como a Veja, claramente mais caras e sem retorno tão certeiro quanto outras menores, de nicho, que atingem em cheio o público da empresa).
Segundo meu amigo, "só o BV daria uma CPI inteira", mas para que ela fosse válida teria que chamar todos os diretores comerciais das empresas e aí adivinha o que aconteceria? Pois é. Seria acusada de estar atacando a liberdade de imprensa...
Assim, as perguntas 1, 5 e 6 feitas por mim ontem estão satisfatoriamente respondidas, creio. Faltam as 2, 3 e 4.
Raciocínio
As empresas de comunicação que depositaram grana na conta do Marcos Valério deram todas a mesma versão: de que a bufunfa seria em pagamento dos 20% de comissão pela veiculação dos anúncios - o chamado BV, de bônus de veiculação. Assim dado que:
1.Como todos os que tiveram negócios com Valério são suspeitos de corrupção;
2.Se os suspeitos contam a mesma história é prova de que ela é falsa, tendo sido acertada pelos corruptos;
3.Segue-se que as empresas de comunicação de comunicação são suspeitas de corrupção e a história que elas contaram de suas relações com Valério são falsas;
4. Donde não são apenas suspeitas, mas corruptas mesmo;
5. c.q.d
Um raciocínio absurdo? Sem a menor dúvida. Mas é o mesmo tipo de silogismo que as matérias têm usado no ataque ao governo.
1.Como todos os que tiveram negócios com Valério são suspeitos de corrupção;
2.Se os suspeitos contam a mesma história é prova de que ela é falsa, tendo sido acertada pelos corruptos;
3.Segue-se que as empresas de comunicação de comunicação são suspeitas de corrupção e a história que elas contaram de suas relações com Valério são falsas;
4. Donde não são apenas suspeitas, mas corruptas mesmo;
5. c.q.d
Um raciocínio absurdo? Sem a menor dúvida. Mas é o mesmo tipo de silogismo que as matérias têm usado no ataque ao governo.
27.7.05
História prescrita
E o FHC dizendo que a abundante corrupção em seus dois governos (magnificamente lembrada por Aldir Blanc aqui) não deve ser apurada por já pertencer à História? Ou seja, reconhece o crime, mas apela para a sua prescrição.
Os impolutos
Essa saiu na Folha de São Paulo:
DNA recebeu de empresas de comunicação
27/07/2005
Na movimentação de duas contas da DNA Propaganda no Banco do Brasil, a CPI identificou depósitos de pelo menos quatro empresas de comunicação em favor de uma das agências do publicitário Marcos Valério.
A CPI detectou uma transferência eletrônica da Empresa Folha da Manhã, que edita a Folha, no valor de R$ 223 mil. A TED foi devolvida, registra levantamento feito pela comissão, que não aponta datas dos depósitos.
Os depósitos de valores mais elevados entre as empresas de comunicação foram feitos pela TV Globo. Em duas transferências eletrônicas, foram pagos R$ 4,625 milhões. A Editora Abril depositou R$ 303 mil, e a Editora JB, R$ 30 mil.
A CPI avalia que os depósitos referem-se a pagamentos de comissão devidas a agências de publicidade por veiculação de anúncios. Agências como a DNA são remuneradas por um percentual -geralmente 20%- dos anúncios que veiculam em canais de TV e rádio, jornais e revistas, além de comissão sobre a produção de comerciais e eventos, de 5%.
A lista dos depósitos é resultado da quebra do sigilo bancário de Valério. O relatório obtido pela CPI ontem é parcial.
Comentários:
1. Não conheço muito de publicidade, mas sempre pensei que quem pagava o BV para as agências fossem os anunciantes. Nunca soube que os veículos também o fizessem. E se o fazem, isso não está errado não? O cara deveria escolher os veículos de acordo com os interesses do cliente, não é não? Não haveria conflito de interesses? E será que os anunciantes sabiam dessa negociação do outro lado do balcão?
2. Por falar nisso, e já que o negócio é esclarecer tudo, que tal o Careca voltar à CPI e/ou depor perante o MP esclarecendo que critérios usou para definir que empresas receberiam as tais verbas publicitárias?
3. Seria bom a CPI levar a público todas as empresas de comunicação que pagaram ou receberam do Valério desde 98 e quando os pagamentos e recebimentos ocorreram. Seria interessante para saber se as empresas grandes, como a Abril, começaram a ser preteridas por outras menores depois da ascensão do Nove-Dedos à Presidência e, desse modo, passaram a perder dinheiro. Isso não colocaria as suas "neutralidade", "isenção" e "objetividade" sob suspeição?
4. Quem seriam as empresas que veicularam os supostos anúncios nas empresas de comunicação citadas e em outras? Os Correios, por exemplo, estaria entre os clientes?
5. TV Globo, R$ 4,625 milhões em comissão?
6. Tá, Folha, o TED voltou, mas o problema não é esse, né? O problema é que houve um TED, certo?
7 Se o valerioduto, em especial a conexão tucana via Minas, for investigada seriamente, esse negócio vai longe. Até...Sei lá...Caratinga, quem sabe?
DNA recebeu de empresas de comunicação
27/07/2005
Na movimentação de duas contas da DNA Propaganda no Banco do Brasil, a CPI identificou depósitos de pelo menos quatro empresas de comunicação em favor de uma das agências do publicitário Marcos Valério.
A CPI detectou uma transferência eletrônica da Empresa Folha da Manhã, que edita a Folha, no valor de R$ 223 mil. A TED foi devolvida, registra levantamento feito pela comissão, que não aponta datas dos depósitos.
Os depósitos de valores mais elevados entre as empresas de comunicação foram feitos pela TV Globo. Em duas transferências eletrônicas, foram pagos R$ 4,625 milhões. A Editora Abril depositou R$ 303 mil, e a Editora JB, R$ 30 mil.
A CPI avalia que os depósitos referem-se a pagamentos de comissão devidas a agências de publicidade por veiculação de anúncios. Agências como a DNA são remuneradas por um percentual -geralmente 20%- dos anúncios que veiculam em canais de TV e rádio, jornais e revistas, além de comissão sobre a produção de comerciais e eventos, de 5%.
A lista dos depósitos é resultado da quebra do sigilo bancário de Valério. O relatório obtido pela CPI ontem é parcial.
Comentários:
1. Não conheço muito de publicidade, mas sempre pensei que quem pagava o BV para as agências fossem os anunciantes. Nunca soube que os veículos também o fizessem. E se o fazem, isso não está errado não? O cara deveria escolher os veículos de acordo com os interesses do cliente, não é não? Não haveria conflito de interesses? E será que os anunciantes sabiam dessa negociação do outro lado do balcão?
2. Por falar nisso, e já que o negócio é esclarecer tudo, que tal o Careca voltar à CPI e/ou depor perante o MP esclarecendo que critérios usou para definir que empresas receberiam as tais verbas publicitárias?
3. Seria bom a CPI levar a público todas as empresas de comunicação que pagaram ou receberam do Valério desde 98 e quando os pagamentos e recebimentos ocorreram. Seria interessante para saber se as empresas grandes, como a Abril, começaram a ser preteridas por outras menores depois da ascensão do Nove-Dedos à Presidência e, desse modo, passaram a perder dinheiro. Isso não colocaria as suas "neutralidade", "isenção" e "objetividade" sob suspeição?
4. Quem seriam as empresas que veicularam os supostos anúncios nas empresas de comunicação citadas e em outras? Os Correios, por exemplo, estaria entre os clientes?
5. TV Globo, R$ 4,625 milhões em comissão?
6. Tá, Folha, o TED voltou, mas o problema não é esse, né? O problema é que houve um TED, certo?
7 Se o valerioduto, em especial a conexão tucana via Minas, for investigada seriamente, esse negócio vai longe. Até...Sei lá...Caratinga, quem sabe?
26.7.05
A próxima vítima
O próximo alvo da Veja é a Dona Marisa, mulher do Nove-Dedos. A revista está urdindo matéria segundo a qual ela teria feito compras com cartão de crédito de uma empresa do Marcos Valério. O problema é que até agora a revista do Civita ainda não encontrou qualquer indício para afirmar tal coisa, mesmo contando com o apoio de toda a tropa de choque tucano-pefelê trabalhando horas e horas nas últimas duas semanas. Mas mesmo que não ache nem o mais leve indício, a revista deve publicar algo neste sentido em breve, pois é essencial atingir o N-D no seu esteio mais forte, que é a família, especificamente a sua companheira. Isso, pelos cálculos da oposição tucano-pefelê, faria com que N-D ou ficasse cego de ódio, reagindo descontroladamente, ou caísse em depressão, deixando o barco à deriva. De qualquer maneira, ficaria em desvantagem séria na hora de reagir a um pedido de impeachment.
A Veja está impossível
Depois da Petrobras, agora foi a vez do instituto Ipsos Opinion acusar a revista dos Civita de faltar com a verdade. O instituto foi o responsável pela pesquisa publicada como capa da Veja, que dizia que a popularidade do Nove-Dedos teria caído devido às denúncias mensalão. Pois a pesquisa diz exatamente o contrário, segundo os técnicos do Ipsos. "Os dados mostram que os escândalos não tiveram um efeito negativo sobre o presidente Lula", afirmam eles. A correção da matéria foi pedida em carta à Veja, que simplesmente ignorou a correspondência. Veja (hahaha) todo o caso aqui.
O idiota
Pena que a maior parte dos leitores deste desvalioso blog seja formada por jornalistas e por isso a afirmativa não vai causar lá muita estranheza. Mas se você não é coleguinha, pode ficar ciente de uma coisa: tem muito jornalista que acha que você é um "cidadão especial".
Duvida? Então leia a manchete d'O Globo de hoje - "Esquema de Valério com PT foi usado em 1998 pelo PSDB-MG". Ou seja, o PT é sempre o PT, não há separação, entidade total, sem partes. A cueca do assessor do irmão do Genoino não é responsabilidade do PT-CE, mas do PT todo. Já um dos veios do valerioduto em Minas não é coisa do PSDB, mas do PSDB-MG. Nada tem a ver com os varões de Plutarco que formam o resto do partido, em especial a seção paulista (Ricardo Sérgio? Quem é Ricardo Sérgio?).
E o pessoal do Globo tem tanta certeza de de que você é incapaz de notar a diferença de tratamento para assuntos semelhantes que a escancara na manchete do jornal.
Duvida? Então leia a manchete d'O Globo de hoje - "Esquema de Valério com PT foi usado em 1998 pelo PSDB-MG". Ou seja, o PT é sempre o PT, não há separação, entidade total, sem partes. A cueca do assessor do irmão do Genoino não é responsabilidade do PT-CE, mas do PT todo. Já um dos veios do valerioduto em Minas não é coisa do PSDB, mas do PSDB-MG. Nada tem a ver com os varões de Plutarco que formam o resto do partido, em especial a seção paulista (Ricardo Sérgio? Quem é Ricardo Sérgio?).
E o pessoal do Globo tem tanta certeza de de que você é incapaz de notar a diferença de tratamento para assuntos semelhantes que a escancara na manchete do jornal.
Aldir Blanc: recordar é viver
O genial Aldir Blanc, em grande forma, lembra, no JB, alguns casos dos novos defensores da moralidade pública, os tucanos. Aqui.
25.7.05
Globo e SBT fora da lei
Globo e SBT descumprem o artigo 12 do Decreto-Lei 236/67, que determina que uma mesma entidade só pode ter até dez concessões de radiodifusão de som e imagem em (tevê aberta, em português castiço) em todo o território nacional. Pois a Globo tem 20 e a tevê do "homem do sorriso", 11. Os dados foram compilados pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) em consulta ao Sistema de Controle de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, órgão que, teoricamente (muito teoricamente), teria que impedir essa burla à lei. Mas como o atual titular do Minicom foi empregado da tevê por longos anos antes de se tornar político...
Menos compreensível é a omissão do Ministério Público Federal, que, pela Constituição, é o fiscal de lei, tendo, assim, plenos poderes para investir contra os que afrontam a dita cuja. Afinal, o que estão esperando os procuradores para atacar, destemidamente como sempre, mais essa violação legal?
Menos compreensível é a omissão do Ministério Público Federal, que, pela Constituição, é o fiscal de lei, tendo, assim, plenos poderes para investir contra os que afrontam a dita cuja. Afinal, o que estão esperando os procuradores para atacar, destemidamente como sempre, mais essa violação legal?
Trabalho voluntário
Centro de Ação Voluntária de Curitiba procura coleguinha que esteja a fim de prestar serviço voluntário por seis horas semanais. Veja aqui.
Quem não se comunica...
Projeto começa a construir rede de comunicadores populares a fim de unir as populações ribeirinhas do Amazonas. Conheça mais este avanço na democratização da comunicação.
24.7.05
Fica vermelha, cara sem-vergonha!
Semana passada, botei um atalho aí ao lado para um escritório que agencia jornalistas. A única pessoa que se mostrou escandalizada com o fato de coleguinhas serem anunciados no mesmo portifólio em pé de igualdade com "modelos e atrizes" foi a Musa do Blog, que é professora. Creio que a naturalidade com que se encara o fato de jornalistas darem palestras e conferências para empresas e associações de classe, que podem vir a ter que criticar em seu trabalho normal, explica o ponto a que o jornalismo pátrio chegou.
Só para ter medida de comparação, Paul Krugman teve que devolver os US$ 50 mil que ganhou por ter dado palestras para empresários quando já era colunista do NYT. O jornal considerou que essa atividade era incompatível com a coluna que ele mantinha por colocar a sua independência sob suspeita. E olha que Krugman nem é profissional de jornalismo. É economista e professor universitário.
Pensei em tirar o atalho, mas mudei de idéia. Fica como serviço aos coleguinhas que quiserem se juntar ao plantel da agência.
Só para ter medida de comparação, Paul Krugman teve que devolver os US$ 50 mil que ganhou por ter dado palestras para empresários quando já era colunista do NYT. O jornal considerou que essa atividade era incompatível com a coluna que ele mantinha por colocar a sua independência sob suspeita. E olha que Krugman nem é profissional de jornalismo. É economista e professor universitário.
Pensei em tirar o atalho, mas mudei de idéia. Fica como serviço aos coleguinhas que quiserem se juntar ao plantel da agência.
Os conselheiros e o "Hoje"
Por falar em manipulações, conselheiro rebate outro a respeito da cobertura da Operação Confraria feita pelo jornal Hoje:
Iv, o Hoje deu que o larápio era tucano e que fora ministro de FHC, sim. Vejo esta droga quase todos os dias. Confesso que só os minutos iniciais. O lance da Globo, no caso, foi dizer que o larápio é tucano e, no dia seguinte, dar amplo espaço ao senador Vírgilio não-sei-o-que descendo de um jatinho, indo às pressas socorrer o colega e sendo recebido por um bando de reportaralho, inclusive câmaras da Globo, dizendo, mais uma vez, que o governo está perseguindo os adversários para desviar a atenção do seu mar de lama.
O lance da Globo não é esconder na TV (no jornal, sim. Também reparei a notinha escondinha sobre PFL e PSDB), mas noticiar e rebater com acusações do comando da direita, batendo na história de perseguição etc...
Iv, o Hoje deu que o larápio era tucano e que fora ministro de FHC, sim. Vejo esta droga quase todos os dias. Confesso que só os minutos iniciais. O lance da Globo, no caso, foi dizer que o larápio é tucano e, no dia seguinte, dar amplo espaço ao senador Vírgilio não-sei-o-que descendo de um jatinho, indo às pressas socorrer o colega e sendo recebido por um bando de reportaralho, inclusive câmaras da Globo, dizendo, mais uma vez, que o governo está perseguindo os adversários para desviar a atenção do seu mar de lama.
O lance da Globo não é esconder na TV (no jornal, sim. Também reparei a notinha escondinha sobre PFL e PSDB), mas noticiar e rebater com acusações do comando da direita, batendo na história de perseguição etc...
"Assim é se lhe parece"
A interpretação d'O Globo sobre a pesquisa do Datafolha a respeito do Nove-Dedos é pirandelliana e, por isso, pode ser lida de outra maneira:
1. Queda na percepção de honestidade: Caiu de 73% para 62% em um mês, mas depois de tanto ataque e dois anos e meio de governo, ela se manter acima dos 60 pontos percentuais é um feito e tanto. Mas pode cair mais a continuar o ataque direto da oposição, mas pode subir se a tática do "nós x eles" der resultado;
2. Sinceridade x falsidade: Também por volta dos 60%. A registrar o fato de que a percepão de falsidade subiu de apenas 3 pontos. Ou seja, como a margem de erro é de 2% dentro de um parâmetro nível de confiança de 95% (modo bacana de dizer que há cinco chances em 100 de uma determinada resposta ter sido computada erradamente, para um lado ou para o outro), há uma boa chance de ter ficado exatamente onde estava;
3. Bom x Ruim: Apesar da pancadaria, Nove-Dedos mantém uma vantagem confortável de 12 pontos percentuais (35 a 23) na avaliação de seu governo. Isso, repeito, dois anos e meio após a eleição e sem Plano Real e âncora cambial para dar turbinada;
4. Queda?: A análise mais gozada. A diferença entre Nove-Dedos e Serra, num hipotético segundo turno em 2006, de acordo com a pesquisa, é de 45% a 41%. Era de 46% x 40%. Como a margem de erro é de 2% dentro de um parâmetro de nível de confiança de 5%, essa variação quer dizer exatamente o que parece: nada. Para o Globo, porém, houve queda, indiscutivelmente.
5. Big boy: Como será que os tucanos se sentem vendo o seu principal líder vencendo o Garotinho por apenas um ponto percentual - 17% a 16% - na hipótese do Nove-Dedos não concorrer em 2006? (Com pesquisa com 2% de margem de erro etc etc etc...). E Serra bota 24% a 14% sobre o sumido primeiro-marido fluminense, o que não chega a ser uma vantagem lá muito confortável, ainda mais sabendo que boa parte do eleitorado lulista tenderia a passar para o lado do petit garçon.
1. Queda na percepção de honestidade: Caiu de 73% para 62% em um mês, mas depois de tanto ataque e dois anos e meio de governo, ela se manter acima dos 60 pontos percentuais é um feito e tanto. Mas pode cair mais a continuar o ataque direto da oposição, mas pode subir se a tática do "nós x eles" der resultado;
2. Sinceridade x falsidade: Também por volta dos 60%. A registrar o fato de que a percepão de falsidade subiu de apenas 3 pontos. Ou seja, como a margem de erro é de 2% dentro de um parâmetro nível de confiança de 95% (modo bacana de dizer que há cinco chances em 100 de uma determinada resposta ter sido computada erradamente, para um lado ou para o outro), há uma boa chance de ter ficado exatamente onde estava;
3. Bom x Ruim: Apesar da pancadaria, Nove-Dedos mantém uma vantagem confortável de 12 pontos percentuais (35 a 23) na avaliação de seu governo. Isso, repeito, dois anos e meio após a eleição e sem Plano Real e âncora cambial para dar turbinada;
4. Queda?: A análise mais gozada. A diferença entre Nove-Dedos e Serra, num hipotético segundo turno em 2006, de acordo com a pesquisa, é de 45% a 41%. Era de 46% x 40%. Como a margem de erro é de 2% dentro de um parâmetro de nível de confiança de 5%, essa variação quer dizer exatamente o que parece: nada. Para o Globo, porém, houve queda, indiscutivelmente.
5. Big boy: Como será que os tucanos se sentem vendo o seu principal líder vencendo o Garotinho por apenas um ponto percentual - 17% a 16% - na hipótese do Nove-Dedos não concorrer em 2006? (Com pesquisa com 2% de margem de erro etc etc etc...). E Serra bota 24% a 14% sobre o sumido primeiro-marido fluminense, o que não chega a ser uma vantagem lá muito confortável, ainda mais sabendo que boa parte do eleitorado lulista tenderia a passar para o lado do petit garçon.
"Nós x eles" - II
Agora os meus comentários sobre o post do conselheiro, reproduzido abaixo:
1. Acho mesmo que o povão se vê no Lula, principalmente, desconfio, devido a suas dificuldades pessoais. Ele "não ter tido estudo", não falar nenhuma língua de gringo, ficar vermelho de raiva e fazer careta na hora dos desabafos e até suar em bicas faz com que a galera, como escrevi outro dia, não apenas se identifique com ele, mas ache que é ele;
2. Essa identificação, porém, é muito a nível pessoal, de convicção de foro íntimo, que se expressaria (expressou; expressará?) na solidão diante da máquina de votar. Em termos de posição política, porém, é fraca, inorgância, no jargão gramsciano. Se houvesse esse chamado aludido pelo conselheiro, iria um monte de gente de branco, sim, mas a direita, muito mais orgânica e com muito mais grana para mobilizar seus grupos de pressão, iria de preto. E, como domina a mídia, seria declarada vencedora do embate, mesmo que não o fosse.
3. Esse discurso de "nós x eles" realmente funciona muito bem diante da distância histórica que existe entre a elite - incluindo aí boa parte da classe média - da massa pobre do país, o que faz da expressão "povo brasileiro" uma ficção de gosto duvidoso. O problema é que o Nove-Dedos não tem a base parlamentar que, por exemplo, o Chávez tem na Venezuela para fazer com que esse discurso repercuta no Congresso, ainda mais agora que o PT está com a espinha partida (esse é o principal objetivo da campanha contra o partido). Além disso, Chávez tem ainda um canal de tevê muito visto no país e U$ 30 bilhões em barris de petróleo para bancar sozinho os programas sociais dele, sem precisar de ajuda de ninguém. Ou seja, o "nós x eles" tem boa chance de manter o N-D onde está, mas não lhe dará muita condição de governar num hipotético segundo governo.
4. A oposição, porém, também tem problemas. A identificação (correta) dos tucanos com a elite mais esnobe do país, e a dos pefelês (mais correta ainda) com a elite que simplesmente fez do Brasil o que o Brasil é hoje, não dá a ela muita opção. A chance é mesmo investir direto contra o Nove-Dedos, mas correndo um risco grande: o de ele crescer na crise. Depois de meses levando cacete e ainda se mantendo em boa posição na avaliação popular (depois comento a hilária leitura d'O Globo sobre a pesquisa Datafolha divulgada hoje), estou começando a ter sensação de que N-D herdou aquela capacidade do velho Brizola, que, como o bolo, quanto mais apanhava, mais crescia. A conferir até o fim do ano.
1. Acho mesmo que o povão se vê no Lula, principalmente, desconfio, devido a suas dificuldades pessoais. Ele "não ter tido estudo", não falar nenhuma língua de gringo, ficar vermelho de raiva e fazer careta na hora dos desabafos e até suar em bicas faz com que a galera, como escrevi outro dia, não apenas se identifique com ele, mas ache que é ele;
2. Essa identificação, porém, é muito a nível pessoal, de convicção de foro íntimo, que se expressaria (expressou; expressará?) na solidão diante da máquina de votar. Em termos de posição política, porém, é fraca, inorgância, no jargão gramsciano. Se houvesse esse chamado aludido pelo conselheiro, iria um monte de gente de branco, sim, mas a direita, muito mais orgânica e com muito mais grana para mobilizar seus grupos de pressão, iria de preto. E, como domina a mídia, seria declarada vencedora do embate, mesmo que não o fosse.
3. Esse discurso de "nós x eles" realmente funciona muito bem diante da distância histórica que existe entre a elite - incluindo aí boa parte da classe média - da massa pobre do país, o que faz da expressão "povo brasileiro" uma ficção de gosto duvidoso. O problema é que o Nove-Dedos não tem a base parlamentar que, por exemplo, o Chávez tem na Venezuela para fazer com que esse discurso repercuta no Congresso, ainda mais agora que o PT está com a espinha partida (esse é o principal objetivo da campanha contra o partido). Além disso, Chávez tem ainda um canal de tevê muito visto no país e U$ 30 bilhões em barris de petróleo para bancar sozinho os programas sociais dele, sem precisar de ajuda de ninguém. Ou seja, o "nós x eles" tem boa chance de manter o N-D onde está, mas não lhe dará muita condição de governar num hipotético segundo governo.
4. A oposição, porém, também tem problemas. A identificação (correta) dos tucanos com a elite mais esnobe do país, e a dos pefelês (mais correta ainda) com a elite que simplesmente fez do Brasil o que o Brasil é hoje, não dá a ela muita opção. A chance é mesmo investir direto contra o Nove-Dedos, mas correndo um risco grande: o de ele crescer na crise. Depois de meses levando cacete e ainda se mantendo em boa posição na avaliação popular (depois comento a hilária leitura d'O Globo sobre a pesquisa Datafolha divulgada hoje), estou começando a ter sensação de que N-D herdou aquela capacidade do velho Brizola, que, como o bolo, quanto mais apanhava, mais crescia. A conferir até o fim do ano.
"Nós x eles"
Conselheiro comenta o post sobre o desabafo do Nove-Dedos contra as elites que estão jogando sujo para tirá-lo daquela cadeira lá do Planalto:
Meu caro, faço pesquisas informais o tempo todo com as pessoas: mecânico de carro, caixas e atendentes de supermercado, pessoal do banco, professores, quem encontro no clube e por aí vai. Resultado: a classe média inteligente, que lê, mas sabe o que está lendo, e que faz questão de não acreditar em tudo que lhe dizem, tem a noção exata do golpe armado entre a direita e a imprensa. Os menos esclarecidos, que só lêem manchete de jornal, assim mesmo pendurado nas bancas, e assistem à TV, afirmam que confiam em Lula, que ele foi enganado por gente que vinha de muito tempo com ele. Acreditam que o PT está apodrecido, mas estão gostando demais do trabalho da Federal, afirmam que Lula está levando o nome do Brasil ao exterior como nenhum outro presidente o fez. Muitos lembram que FHC só ia receber "dipromas" no exterior. Que nunca viram multidão aplaudir o FHC como fizeram com Lula na França.
Ufanista pra caramba, o povão está adorando o Lula falar em português "com os caras que mandam no mundo". Frase de uma enfermeira: "Ué, quando eles vem aqui não falam na língua deles. Então o Lula está certo. Tem que falar na nossa língua também."
Embora a imprensa tenha pego a frase de Lula sobre "ninguém aqui tem mais moral do que eu... etc..", as pessoas entenderam que ele é igual a todo mundo. Verdade, cara, o mecânico do meu carro disse isso. Agora, bateu forte mesmo a frase "A elite brasileira não vai me fazer abaixar a cabeça!" O povão adorou e concorda. O Brasil ainda é, e o será por muito tempo, um país profundamente dividido entre a elite e o povão. E Lula é o presidente do povão, conforme este entende. Um cara que era analfabeto, pobre de jó, que não tem diploma, batalhou e chegou a presidente do Brasil. Agora, a elite quer tirar ele de lá?
Ivson, tenho a percepção de que, se Lula conclamar o povo a sair às ruas de branco (o vermelho está associado ao PT), para apoiá-lo, vai lotar as cidades.
Bom, você podia levantar uma lebre aí? Gostaria de saber se, apesar de tanto esforço, de tanto malabarismo, esta imprensa leviana e preguiçosa conseguiu aumentar sua vendagem, tanto em assinaturas quanto em bancas.
Meu caro, faço pesquisas informais o tempo todo com as pessoas: mecânico de carro, caixas e atendentes de supermercado, pessoal do banco, professores, quem encontro no clube e por aí vai. Resultado: a classe média inteligente, que lê, mas sabe o que está lendo, e que faz questão de não acreditar em tudo que lhe dizem, tem a noção exata do golpe armado entre a direita e a imprensa. Os menos esclarecidos, que só lêem manchete de jornal, assim mesmo pendurado nas bancas, e assistem à TV, afirmam que confiam em Lula, que ele foi enganado por gente que vinha de muito tempo com ele. Acreditam que o PT está apodrecido, mas estão gostando demais do trabalho da Federal, afirmam que Lula está levando o nome do Brasil ao exterior como nenhum outro presidente o fez. Muitos lembram que FHC só ia receber "dipromas" no exterior. Que nunca viram multidão aplaudir o FHC como fizeram com Lula na França.
Ufanista pra caramba, o povão está adorando o Lula falar em português "com os caras que mandam no mundo". Frase de uma enfermeira: "Ué, quando eles vem aqui não falam na língua deles. Então o Lula está certo. Tem que falar na nossa língua também."
Embora a imprensa tenha pego a frase de Lula sobre "ninguém aqui tem mais moral do que eu... etc..", as pessoas entenderam que ele é igual a todo mundo. Verdade, cara, o mecânico do meu carro disse isso. Agora, bateu forte mesmo a frase "A elite brasileira não vai me fazer abaixar a cabeça!" O povão adorou e concorda. O Brasil ainda é, e o será por muito tempo, um país profundamente dividido entre a elite e o povão. E Lula é o presidente do povão, conforme este entende. Um cara que era analfabeto, pobre de jó, que não tem diploma, batalhou e chegou a presidente do Brasil. Agora, a elite quer tirar ele de lá?
Ivson, tenho a percepção de que, se Lula conclamar o povo a sair às ruas de branco (o vermelho está associado ao PT), para apoiá-lo, vai lotar as cidades.
Bom, você podia levantar uma lebre aí? Gostaria de saber se, apesar de tanto esforço, de tanto malabarismo, esta imprensa leviana e preguiçosa conseguiu aumentar sua vendagem, tanto em assinaturas quanto em bancas.
23.7.05
Nove-Dedos e os dois povos brasileiros
Não gosto muito desses destampatórios do Nove-Dedos. Acho-os desnecessários e não condizentes com um político do nível dele, que deve ter, no meu modo de ver, o sangue tão quente quanto o de uma enguia. Mas tenho que ver o lado do cara também. E esse lado vi hoje na filial do laboratório Labs, na rua Sorocaba, em Botafogo.
Estava lá para o teste ergométrico do meu exame periódico. Entraram na sala de espera dois casais - um mais velho e outro novo. A mulher mais nova tinha ido fazer um exame qualquer. Pelo papo e pelo sotaque, percebi que os jovens moravam no Rio, mas não eram daqui e os velhos também eram de fora e estavam aqui de visita. Pelo que entendi, residem em Rondônia, mas o homem viaja muito para Cuiabá a negócios.
Quando a moça, acompanhada da mulher mais velha, foi fazer o exame, os dois homens continuaram a conversar, mas o papo, que estava em modelos de celulares, logo chegou à crise política. Ambos acham que o Nove-Dedos não tem nada com mensalão e o resto, mas o mais velho crê que ele enganou o povo, pois teria sido eleito com um compromisso com os bancos de manter os juros altos. " E isso ferra o povo", afirmou.
- Mas tudo o que está acontecendo é bom - disse o rapaz, brincando com o celular de flip.
- É. Isso vai acabar com esses petistas. Um monte de intelectuais. Eles ficavam dizendo que a esperança estava no povo....A gente que lida todo dia com esse pessoal é que sabe...
Pois é. E o Nove-Dedos, a julgar pelo desabafo de ontem, parece que também sabe com que pessoal lida todo dia.
Estava lá para o teste ergométrico do meu exame periódico. Entraram na sala de espera dois casais - um mais velho e outro novo. A mulher mais nova tinha ido fazer um exame qualquer. Pelo papo e pelo sotaque, percebi que os jovens moravam no Rio, mas não eram daqui e os velhos também eram de fora e estavam aqui de visita. Pelo que entendi, residem em Rondônia, mas o homem viaja muito para Cuiabá a negócios.
Quando a moça, acompanhada da mulher mais velha, foi fazer o exame, os dois homens continuaram a conversar, mas o papo, que estava em modelos de celulares, logo chegou à crise política. Ambos acham que o Nove-Dedos não tem nada com mensalão e o resto, mas o mais velho crê que ele enganou o povo, pois teria sido eleito com um compromisso com os bancos de manter os juros altos. " E isso ferra o povo", afirmou.
- Mas tudo o que está acontecendo é bom - disse o rapaz, brincando com o celular de flip.
- É. Isso vai acabar com esses petistas. Um monte de intelectuais. Eles ficavam dizendo que a esperança estava no povo....A gente que lida todo dia com esse pessoal é que sabe...
Pois é. E o Nove-Dedos, a julgar pelo desabafo de ontem, parece que também sabe com que pessoal lida todo dia.
22.7.05
Jornalismo orkut
Não se pode negar que essa crise política tem sido profícua para o desenvolvimento do jornalismo pátrio. O jornalismo investigativo praticamente não existe, mas os coleguinhas estão sendo supercriativos para substituí-lo por outros. Depois do 'jornalismo-tá-com-o-maior-jeitão", que enfoquei ontem, vimos hoje a definição de um tipo de jornalismo que estava apenas insinuado, o "jornalismo orkut".
Você pode ver como ele é praticado na matéria, publicada por O Globo, Folha e Estadão, sobre o dinheiro encontrado na cueca de José Adalberto Vieira da Silva, assessor do irmão do ex-presidente do PT, José Genoino. Ele encontrou em São Paulo com um sujeito, que é diretor de uma empresa, que vem a pertencer ao grupo Alusa, que é sócio da estatal de energia Chesf na construção de uma linha de transmissão no Nordeste. Assim, logicamente, a grana da cueca veio de uma estatal, ou seja, do Nove-Dedos.
Esta cadeia obedece à Lei dos Seis Graus de Kevin Bacon - "Qualquer pessoa está a seis graus de distância de todas as outras do planeta" -, cuja única aplicação prática era o Orkut. Até agora, pois os jornalistas brasileiros descobriram mais uma: escrever reportagens.
Você pode ver como ele é praticado na matéria, publicada por O Globo, Folha e Estadão, sobre o dinheiro encontrado na cueca de José Adalberto Vieira da Silva, assessor do irmão do ex-presidente do PT, José Genoino. Ele encontrou em São Paulo com um sujeito, que é diretor de uma empresa, que vem a pertencer ao grupo Alusa, que é sócio da estatal de energia Chesf na construção de uma linha de transmissão no Nordeste. Assim, logicamente, a grana da cueca veio de uma estatal, ou seja, do Nove-Dedos.
Esta cadeia obedece à Lei dos Seis Graus de Kevin Bacon - "Qualquer pessoa está a seis graus de distância de todas as outras do planeta" -, cuja única aplicação prática era o Orkut. Até agora, pois os jornalistas brasileiros descobriram mais uma: escrever reportagens.
Esquecimentos
Por falar em esquecimentos, um toque que me foi enviado ontem por conselheiro e que eu esqueci de publicar:
Jornal HOJE desta quinta-feira:
Longa notícia sobre a Operação Confraria e a prisão do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.
Só não diz que o ex-prefeito:
É do PSDB
Aliás, é presidente regional do PSDB
Foi ministro de Fernando Henrique
Imagine se fosse do PT....
Hoje, porém, as Organizações Globo se recuperaram da amnésia e a informação foi publicada no Globo na matéria sobre mais essa operação da PF.
Jornal HOJE desta quinta-feira:
Longa notícia sobre a Operação Confraria e a prisão do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.
Só não diz que o ex-prefeito:
É do PSDB
Aliás, é presidente regional do PSDB
Foi ministro de Fernando Henrique
Imagine se fosse do PT....
Hoje, porém, as Organizações Globo se recuperaram da amnésia e a informação foi publicada no Globo na matéria sobre mais essa operação da PF.
Só com lupa
Viram onde saiu, na primeira do Globo, a revelação de que um deputado do PFL recebeu grana do Marcos Valério? No canto inferior direito, quase saindo da página.
Mais hilário é que só a Tereza Cruvinel lembra que Roberto Brandt (PFL-MG) foi ministro da Previdência. Ela esquece, porém, de dizer de que Administração. Parece até que foi a de Campos Sales e não a de FHC.
Mais hilário é que só a Tereza Cruvinel lembra que Roberto Brandt (PFL-MG) foi ministro da Previdência. Ela esquece, porém, de dizer de que Administração. Parece até que foi a de Campos Sales e não a de FHC.
Obediência devida - II
Outra do colunista da Rio do Globo:
Diário de bordo
Em 2001, Ciro Gomes usou o jatinho do Banco Rural.
Não é nada, não é nada...Não é nada mesmo.
Diário de bordo
Em 2001, Ciro Gomes usou o jatinho do Banco Rural.
Não é nada, não é nada...Não é nada mesmo.
Obediência devida - I
Obedecendo à decisão do Estado- Maior tucano-pefelê de derrubar o Nove-Dedos por mal, já que por bem (nas urnas) parece que vai ser mesmo difícil, colunista da editoria Rio do Globo mandou essa hoje:
291382780001-050
Veja como Lula protege os seus. Às 15h42m de 28 de junho, uma terça, Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu, RJ, deu entrada em Brasília no processo 291382780001-050. Pedia R$ 2 milhões para o Hospital da Posse.
Acredite: 72 horas depois, dia 1 de julho, sexta, o dinheiro estava liberado.
Como se o sujeito, sob a pressão em que está fosse pensar em demandas de prefeitos, por mais justa que fosse (essa é ou o colunista é contra a liberação de verbas para hospital público?)
291382780001-050
Veja como Lula protege os seus. Às 15h42m de 28 de junho, uma terça, Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu, RJ, deu entrada em Brasília no processo 291382780001-050. Pedia R$ 2 milhões para o Hospital da Posse.
Acredite: 72 horas depois, dia 1 de julho, sexta, o dinheiro estava liberado.
Como se o sujeito, sob a pressão em que está fosse pensar em demandas de prefeitos, por mais justa que fosse (essa é ou o colunista é contra a liberação de verbas para hospital público?)
O desabafo de Melissa
A coleguinha Melissa Monteiro, que entrevistou o Nove-Dedos em Paris, desabafa em artigo publicado hoje na Folha. Acusa os coleguinhas de inveja por ter obtido um furo. Gostaria de ouvir outros lados da história, mas, conhecendo. para o bem e para o mal, a cabeça dos jornalistas brasileiros como conheço, creio que a acusação tem muito fundamento. Leia o texto de Melissa aqui.
21.7.05
Globopar melhora imagem
Depois de três anos de negociação - incluindo dois de moratória unilateral -, a Globopar e a TV Globo anunciaram a conclusão da reestruturação das suas dívidas, non valor total de US$ 1,3 bilhão. Pelo acordo com os credores, os papéis antigos serão trocados por novos, em condições bem mais legais, especialmente no que se refere a prazos (alguns só vencem em 2012). Como compensação, os credores receberão parte da dívida em grana viva, com o devido deságio, claro. Esse deságio será definido em um leilão reverso (dutch auction) que deverá ocorrer até o fim do ano.
O acordo fez com que a Standard & Poor's subisse o rating da Globopar, a holding do grupo, de D (de default, em moratória) para CCC-, com perspectiva de revisão para melhor. O aumento no rating só não foi maior porque a renegociação foi fechada sob segredo absoluto, o que impediu a análise por parte da agência de rating.
O acordo fez com que a Standard & Poor's subisse o rating da Globopar, a holding do grupo, de D (de default, em moratória) para CCC-, com perspectiva de revisão para melhor. O aumento no rating só não foi maior porque a renegociação foi fechada sob segredo absoluto, o que impediu a análise por parte da agência de rating.
Pela democracia na Grande Rede
Que os EUA mandam e desmandam na Internet é fato sabidíssimo. Mas agora tem gente protestando contra este domínio sobre uma conquista de toda a Humanidade. Informações aqui.
A ONU sabe, mas os brasileiros...
Por falar nos índios, lideranças dos Truká, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a ONG Justiça Global, denunciaram à ONU a onda de assassinatos contra líderes dos povos Truká, Guarani e Guajajara. Já que a imprensa só se interessa por índio quando criancinhas morrem de fome - e assim mesmo só para culpar o governo - se você estiver interessado no assunto terá que ler aqui.
Índio quer tevê
A TV Aldeia Virtual entra o ar no dia 26, às 21 horas. É a primeira tevê indígena do país e fruto de uma parceria entre as ONGs Fundação Raoni e a União Planetária. A Aldeia Virtual pode ser sintonizada pelo canal 21 da Mais TV, operadora de MMDS pertencente ao Grupo Itsa, que atua em 12 mercados, entre eles Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Belém, Porto Velho e Vitória.
"No limite da irresponsabilidade"
A expressão acima, imortalizada por Ricardo Sérgio de Oliveira - o Delúbio tucano -, cabe direitinho na legenda da primeira página d'O Globo, onde se lê, sob a foto do verdadeiro Delúbio, que um suposto olhar perdido deste teria levado parlamentares a dizerem que ele estaria dopado ao dar depoimento na CPI dos Correios. Na boa, isso é lá coisa que se diga, ou mesmo avente, sem um tipo de prova qualquer?
Depois do "jornalismo insinuativo", a imprensa brasileira entroniza de vez o "jornalismo do pode-ser-quem-sabe-tá-com-o-maior jeitão".
Depois do "jornalismo insinuativo", a imprensa brasileira entroniza de vez o "jornalismo do pode-ser-quem-sabe-tá-com-o-maior jeitão".
"Ele voltou...
O Wilson Tosta voltou novamente!"...Ele estava de férias, mas retornou inspirado ao seu Vida&Política.
Lembrai-vos da Escola Base
Os donos da Escola Base, há 11 anos apontados por um delegado midiático como pedófilos e massacrados pela mídia sem direito a defesa, ganharam mais uma na Justiça. Agora da IstoÉ. Veja aqui (grato ao conselheiro que me passou o link)
Apertem o controle! Os números sumiram!
Conselheiro observou um pequeno espetáculo de prestidigitação numérica no JN de anteontem (estou escrevendo já na quinta):
Ivson, cá entre nós, em off: é impressão minha ou o JN não exibiu ontem toda a pesquisa Ibope, que saiu mais completa na Globonews? Por quê? Tive tb a impressão de que a parte em que o Lula derrota todos os adversários não foi exibida no jornal de maior audiência do País. Cheque aí, meu filho...
Obedeci a ordem e vi que, realmente, a transcrição da matéria no site do JN a parte da pesquisa mencionada pelo conselheiro não existia. Infelizmente, não pude fazer a comparação com a Globonews, pois no site desta não há transcrição. Eu teria que ver a matéria, mas como não sou assinante da Globo.com, não posso fazê-lo (ah, a sinergia!).
De qualquer forma, fica o registro para quem tenha tido a mesma impressão do conselheiro.
Ivson, cá entre nós, em off: é impressão minha ou o JN não exibiu ontem toda a pesquisa Ibope, que saiu mais completa na Globonews? Por quê? Tive tb a impressão de que a parte em que o Lula derrota todos os adversários não foi exibida no jornal de maior audiência do País. Cheque aí, meu filho...
Obedeci a ordem e vi que, realmente, a transcrição da matéria no site do JN a parte da pesquisa mencionada pelo conselheiro não existia. Infelizmente, não pude fazer a comparação com a Globonews, pois no site desta não há transcrição. Eu teria que ver a matéria, mas como não sou assinante da Globo.com, não posso fazê-lo (ah, a sinergia!).
De qualquer forma, fica o registro para quem tenha tido a mesma impressão do conselheiro.
19.7.05
Manchete no microondas
Conselheiro ficou indignado com a manchete do Globo de hoje, caso clássico de título "esquentado" na redação:
Ivson, como você e a torcida do Flamengo devem ter visto, O Globo saiu hoje com a seguinte manchete e chamada:
Valério conseguiu R$ 45 milhões para PT com garantia de estatais
Com juros inferiores aos de mercado, empréstimos têm aval de Eletronorte e Correios
Para quem só lê capa de jornal nas bancas fica claro que, no mínimo, os presidentes ou algum diretor autorizou e assinou o aval para os empréstimos contraídos pelo publicitário, certo? Pois é. Mas quem se dá ao trabalho de comprar o jornal, abrir suas páginas e ler a matéria, vai encontrar informação competamente diferente:
1) A CPI dos Correios já identificou pelo menos cinco empréstimos bancários tomados pelas empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza nos bancos BMG e Rural cujas garantias eram contratos de publicidade com empresas estatais (os destaques são meus).
2) Fontes do próprio BMG confirmaram que a SMP&B, uma das agências de Valério, obteve junto à instituição um empréstimo que, em valores atualizados, chegaria a R$ 18 milhões. Foi oferecido como aval o contrato de publicidade firmado com a Eletronorte.
3) A CPI recebeu documentos sobre outro empréstimo de R$ 19,7 milhões concedido pelo Banco Rural às empresas de Valério ainda em 2003. Os documentos que chegaram ontem à Comissão revelam que o contrato de publicidade da SMP&B com os Correios serviu como aval para, pelo menos, dois empréstimos concedidos às empresas de Valério pelo Banco BMG.
4) Integrantes da CPI identificaram o mesmo procedimento em todos os empréstimos concedidos às empresas de Valério. Como garantia, o publicitário oferecia os contratos que mantinha com empresas estatais.
5) No caso do empréstimo de R$ 15,7 milhões feito pela Graffiti junto ao BMG, foram encontrados dois documentos que garantem a operação. Um deles registrado na Junta Comercial de Minas Gerais no dia 22 de março de 2004 e um instrumento particular feito em 6 de janeiro, no qual os sócios da agência transformam o banco que concedeu o empréstimo em seu procurador para o fim específico de receber os créditos referentes aos direitos creditórios ou de títulos da ECT dos quais a SMP&B é titular em decorrência do contrato 12371", assinado em dezembro de 2003.
6) Os avalistas da operação são os próprios sócios das agências de Valério que, além do direito sobre os recursos que seriam recebidos dos Correios, assinaram nota promissória no valor de R$ 20,446 milhões.
7) A CPI recebeu ainda ofício enviado por Valério no dia 26 de janeiro do ano passado aos Correios no qual ele pede que os recursos devidos à SMP&B sejam repassados à Grafiti. O documento contém o de acordo do então chefe do departamento de marketing dos Correios, José Otaviano Pereira, que atualmente dirige a área comercial da estatal.
Como se vê, a matéria publicada desmente 7 (sete) vezes a manchete do próprio jornal. Ninguém achou aval de estatal nenhuma nos empréstimos de Valério, todos os avais foram dados pelo próprio publicitário e seus sócios. E foram aceitos pelos bancos, que assumiram o risco, inclusive de jogar dinheiro fora caso as estatais roessem a corda suspendendo os contratos, não é verdade? E em se tratando de empréstimos tomados a bancos privados, o que é que a choldra tem a ver com isso? Não seria mais objetivo O Globo começar a chamar seus leitores de imbecis com todas as letras logo de uma vez?
Ivson, como você e a torcida do Flamengo devem ter visto, O Globo saiu hoje com a seguinte manchete e chamada:
Valério conseguiu R$ 45 milhões para PT com garantia de estatais
Com juros inferiores aos de mercado, empréstimos têm aval de Eletronorte e Correios
Para quem só lê capa de jornal nas bancas fica claro que, no mínimo, os presidentes ou algum diretor autorizou e assinou o aval para os empréstimos contraídos pelo publicitário, certo? Pois é. Mas quem se dá ao trabalho de comprar o jornal, abrir suas páginas e ler a matéria, vai encontrar informação competamente diferente:
1) A CPI dos Correios já identificou pelo menos cinco empréstimos bancários tomados pelas empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza nos bancos BMG e Rural cujas garantias eram contratos de publicidade com empresas estatais (os destaques são meus).
2) Fontes do próprio BMG confirmaram que a SMP&B, uma das agências de Valério, obteve junto à instituição um empréstimo que, em valores atualizados, chegaria a R$ 18 milhões. Foi oferecido como aval o contrato de publicidade firmado com a Eletronorte.
3) A CPI recebeu documentos sobre outro empréstimo de R$ 19,7 milhões concedido pelo Banco Rural às empresas de Valério ainda em 2003. Os documentos que chegaram ontem à Comissão revelam que o contrato de publicidade da SMP&B com os Correios serviu como aval para, pelo menos, dois empréstimos concedidos às empresas de Valério pelo Banco BMG.
4) Integrantes da CPI identificaram o mesmo procedimento em todos os empréstimos concedidos às empresas de Valério. Como garantia, o publicitário oferecia os contratos que mantinha com empresas estatais.
5) No caso do empréstimo de R$ 15,7 milhões feito pela Graffiti junto ao BMG, foram encontrados dois documentos que garantem a operação. Um deles registrado na Junta Comercial de Minas Gerais no dia 22 de março de 2004 e um instrumento particular feito em 6 de janeiro, no qual os sócios da agência transformam o banco que concedeu o empréstimo em seu procurador para o fim específico de receber os créditos referentes aos direitos creditórios ou de títulos da ECT dos quais a SMP&B é titular em decorrência do contrato 12371", assinado em dezembro de 2003.
6) Os avalistas da operação são os próprios sócios das agências de Valério que, além do direito sobre os recursos que seriam recebidos dos Correios, assinaram nota promissória no valor de R$ 20,446 milhões.
7) A CPI recebeu ainda ofício enviado por Valério no dia 26 de janeiro do ano passado aos Correios no qual ele pede que os recursos devidos à SMP&B sejam repassados à Grafiti. O documento contém o de acordo do então chefe do departamento de marketing dos Correios, José Otaviano Pereira, que atualmente dirige a área comercial da estatal.
Como se vê, a matéria publicada desmente 7 (sete) vezes a manchete do próprio jornal. Ninguém achou aval de estatal nenhuma nos empréstimos de Valério, todos os avais foram dados pelo próprio publicitário e seus sócios. E foram aceitos pelos bancos, que assumiram o risco, inclusive de jogar dinheiro fora caso as estatais roessem a corda suspendendo os contratos, não é verdade? E em se tratando de empréstimos tomados a bancos privados, o que é que a choldra tem a ver com isso? Não seria mais objetivo O Globo começar a chamar seus leitores de imbecis com todas as letras logo de uma vez?
Monty Phyton e a crise
Conselheiro há muito sumido reapareceu em grande estilo:
Saudações, camarada. Segue para seu divertimento.
O Globo ON Line – às 17h22
19/07/2005 - 17h22m
Carta da executiva do PT admitirá erros do partido e até desvio de recursos públicos
Tereza Cruvinel - O Globo
SÃO PAULO - A nova executiva do PT, reunida na tarde desta terça-feira em São Paulo, divulgará ainda nesta terça-feira uma carta aberta à militância petista e à sociedade brasileira sobre a crise que o partido enfrenta.
A carta criticará os responsáveis pela montagem do caixa 2 eleitoral, mas não tentará atribuir todos os problemas a uma questão estrutural do sistema eleitoral brasileiro, reconhecendo que o partido cometeu erros e enfrenta uma crise interna. Nem tentará, segundo membros da executiva, resumir tudo a um crime eleitoral, como dirigentes do partido vêm dizendo, admitindo que pode ter havido desvios de outra natureza. Ou seja, casos de corrupção e desvio de recursos públicos, mesmo ressalvando que, se ocorreram, foram isolados e praticados individualmente, não pelo partido.
Site do PT – às 16h59 (23 minutos antes)
A Comissão Executiva Nacional do PT, reunida nesta terça-feira, na sede do diretório nacional do partido em São Paulo, divulgou nota na qual reafirma a necessidade das investigações e manifesta certeza de que os instrumentos públicos, como as CPIs e órgãos como o Ministério Público "saberão, de forma isenta, estabelecer a verdade dos fatos".
Leia a íntegra:
NOTA DA EXECUTIVA NACIONAL DO PT
A Executiva Nacional do PT, reunida em 19 de julho, aprova a seguinte resolução:
1 – Em face das denúncias que são de amplo conhecimento público, o PT reitera a necessidade das investigações em curso e manifesta a certeza de que tanto as CPIs quanto os instrumentos do governo e o Ministério Público saberão, de forma isenta, estabelecer a verdade dos fatos, separando o que são indícios consistentes a serem investigados do mero denuncismo que visa prejudicar o governo Lula e suas conquistas e antecipar o disputa eleitoral das eleições de 2006;
2 – O PT não aceita a tentativa de setores da oposição que pretendem cassar o registro do partido e suspender o direito ao fundo partidário. Trata-se de uma atitude claramente antidemocrática, oportunista que fere a liberdade de organização política e partidária;
3 – A Executiva do PT determinou a instalação da Comissão de Ética para investigar todas as denúncias que pesam sobre o PT e alguns de seus integrantes. O PT sabe reconhecer seus erros e adotar medidas para superá-los. O PT agirá de forma transparente e prestará contas à opinião pública de sua investigação interna;
4 – O PT entende que a atual crise política só terá uma solução positiva se, além das investigações isentas e transparentes e da punição de eventuais culpados, o Congresso Nacional realizar uma ampla reforma política, com destaque para os pontos do financiamento público de campanhas e fidelidade partidária;
5 – Por fim, o PT se mobilizará para defender o governo Lula e suas realizações e não aceitará que setores da oposição transformem a atual crise política, que é fundamentalmente partidária e congressual, numa crise para inviabilizar a governabilidade e bloquear o processo de mudanças em curso no país.
São Paulo, 19 de Julho de 2005.
CADÊ O PT ADMITINDO “ATÉ DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS”????
Realmente, a cobertura da crise, o posicionamento do PT e a indignação de tucanos e pefelês com o sistema de corrupção que eles mesmo armaram quando no poder por oito anos estão de morrer de rir. Como comentei com o conselheiro, não me divirto tanto desde que assisti "Monty Phyton e o Cálice Sagrado" pela primeira vez.
Aliás, terá sido por alguma intuição genial ou devido a um insuspeito e profundo conhecimento de nossa terra, nossa cultura e nossa gente que um dos fundadores do Monty, Terry Gilliam, pôs o nome de "Brazil" ao filme que lançou em 1985? (20 anos! Data redonda! Caras, isso não é uma pauta?). Só perguntando ao sujeito, mas que veio bem a calhar, isso veio...
Saudações, camarada. Segue para seu divertimento.
O Globo ON Line – às 17h22
19/07/2005 - 17h22m
Carta da executiva do PT admitirá erros do partido e até desvio de recursos públicos
Tereza Cruvinel - O Globo
SÃO PAULO - A nova executiva do PT, reunida na tarde desta terça-feira em São Paulo, divulgará ainda nesta terça-feira uma carta aberta à militância petista e à sociedade brasileira sobre a crise que o partido enfrenta.
A carta criticará os responsáveis pela montagem do caixa 2 eleitoral, mas não tentará atribuir todos os problemas a uma questão estrutural do sistema eleitoral brasileiro, reconhecendo que o partido cometeu erros e enfrenta uma crise interna. Nem tentará, segundo membros da executiva, resumir tudo a um crime eleitoral, como dirigentes do partido vêm dizendo, admitindo que pode ter havido desvios de outra natureza. Ou seja, casos de corrupção e desvio de recursos públicos, mesmo ressalvando que, se ocorreram, foram isolados e praticados individualmente, não pelo partido.
Site do PT – às 16h59 (23 minutos antes)
A Comissão Executiva Nacional do PT, reunida nesta terça-feira, na sede do diretório nacional do partido em São Paulo, divulgou nota na qual reafirma a necessidade das investigações e manifesta certeza de que os instrumentos públicos, como as CPIs e órgãos como o Ministério Público "saberão, de forma isenta, estabelecer a verdade dos fatos".
Leia a íntegra:
NOTA DA EXECUTIVA NACIONAL DO PT
A Executiva Nacional do PT, reunida em 19 de julho, aprova a seguinte resolução:
1 – Em face das denúncias que são de amplo conhecimento público, o PT reitera a necessidade das investigações em curso e manifesta a certeza de que tanto as CPIs quanto os instrumentos do governo e o Ministério Público saberão, de forma isenta, estabelecer a verdade dos fatos, separando o que são indícios consistentes a serem investigados do mero denuncismo que visa prejudicar o governo Lula e suas conquistas e antecipar o disputa eleitoral das eleições de 2006;
2 – O PT não aceita a tentativa de setores da oposição que pretendem cassar o registro do partido e suspender o direito ao fundo partidário. Trata-se de uma atitude claramente antidemocrática, oportunista que fere a liberdade de organização política e partidária;
3 – A Executiva do PT determinou a instalação da Comissão de Ética para investigar todas as denúncias que pesam sobre o PT e alguns de seus integrantes. O PT sabe reconhecer seus erros e adotar medidas para superá-los. O PT agirá de forma transparente e prestará contas à opinião pública de sua investigação interna;
4 – O PT entende que a atual crise política só terá uma solução positiva se, além das investigações isentas e transparentes e da punição de eventuais culpados, o Congresso Nacional realizar uma ampla reforma política, com destaque para os pontos do financiamento público de campanhas e fidelidade partidária;
5 – Por fim, o PT se mobilizará para defender o governo Lula e suas realizações e não aceitará que setores da oposição transformem a atual crise política, que é fundamentalmente partidária e congressual, numa crise para inviabilizar a governabilidade e bloquear o processo de mudanças em curso no país.
São Paulo, 19 de Julho de 2005.
CADÊ O PT ADMITINDO “ATÉ DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS”????
Realmente, a cobertura da crise, o posicionamento do PT e a indignação de tucanos e pefelês com o sistema de corrupção que eles mesmo armaram quando no poder por oito anos estão de morrer de rir. Como comentei com o conselheiro, não me divirto tanto desde que assisti "Monty Phyton e o Cálice Sagrado" pela primeira vez.
Aliás, terá sido por alguma intuição genial ou devido a um insuspeito e profundo conhecimento de nossa terra, nossa cultura e nossa gente que um dos fundadores do Monty, Terry Gilliam, pôs o nome de "Brazil" ao filme que lançou em 1985? (20 anos! Data redonda! Caras, isso não é uma pauta?). Só perguntando ao sujeito, mas que veio bem a calhar, isso veio...
Deu no Financial Times
Finalmente os coleguinhas brasileiros conseguiram: a imprensa estrangeira curvou-se diante de nossa malemolência, tanto a dos jornalistas de redação quanto a dos assessores de comunicação do PT. Pena que não exatamente em homenagem, como se vê na parte final desta matéria da edição on line do Financial Times:
(...) For weeks the three leading newspapers O Estado, Folha de São Paulo and O Globo have dedicated as many as 12 of their 16 front section news pages to detailed reporting of the affair. Veja, the leading news weekly that also led coverage of a corruption scandal that ousted Mr Collor has come up with a succession of cover stories. Its competitors Epoca, Istoe E and Carta Capital are struggling to keep up. TV news bulletins focus on little else.
Media competition is driving interest. The search for scoops helps win readers and shore up prestige among advertisers, in a tough market. Brazil's reading public is relatively small and many media groups are indebted, having spent heavily to expand into cable TV and the internet in the late 1990s.
“You win readers with exclusive information and there aren't that many readers,” says Mr Pinheiro “[So] this is all becoming quite feverish and it has its own dynamic.” [Mr Pinheiro é o Flávio, editor-chefe de O Estado de São Paulo]
Media critics say that by not properly investigating allegations, reporters are contributing to a feeding frenzy and simply amplifying allegations rather than attempting to examine their seriousness. “There is a tendency to publish or broadcast allegations without any follow-up,” says Alberto Dines, of Observatorio da Imprensa, a São Paulo-based media watch group. “It creates a snowball effect.”
Having escaped the grip of censorship more than 20 years ago, Brazilian media have still to find a way to report accusations of corruption without assuming that all those accused of corruption are necessarily guilty. Mr Pinheiro says “denouncing corruption is a good thing” but concedes that what he calls denuncismo a term that might be roughly translated as denouncing for denouncing's sake can “be a vice”.
Mr Lula da Silva and the Workers party, though, are not helping their own cause. Perceptions of corruption are particularly damaging for a party that in opposition promised a new more ethical approach to politics.
Although very many Brazilian journalists are sympathetic to the PT, relations with the media have not been good. Mr Lula da Silva talked often to the press before his election but he has since proved to be elusive, having given just one collective interview in two and a half years.
To cap it all the party's media management has been unimpressive. Workers party leaders have flip-flopped, first accusing the media of launching a rightwing conspiracy, then promising investigation. Mr Lula da Silva simply looks tired and seems to prefer not to talk about the matter at all. “The Workers party just don't know how to relate to the media,” says a sympathetic television presenter. “They just don't know how to defend themselves.”
A matéria toda você pode ler aqui.
(...) For weeks the three leading newspapers O Estado, Folha de São Paulo and O Globo have dedicated as many as 12 of their 16 front section news pages to detailed reporting of the affair. Veja, the leading news weekly that also led coverage of a corruption scandal that ousted Mr Collor has come up with a succession of cover stories. Its competitors Epoca, Istoe E and Carta Capital are struggling to keep up. TV news bulletins focus on little else.
Media competition is driving interest. The search for scoops helps win readers and shore up prestige among advertisers, in a tough market. Brazil's reading public is relatively small and many media groups are indebted, having spent heavily to expand into cable TV and the internet in the late 1990s.
“You win readers with exclusive information and there aren't that many readers,” says Mr Pinheiro “[So] this is all becoming quite feverish and it has its own dynamic.” [Mr Pinheiro é o Flávio, editor-chefe de O Estado de São Paulo]
Media critics say that by not properly investigating allegations, reporters are contributing to a feeding frenzy and simply amplifying allegations rather than attempting to examine their seriousness. “There is a tendency to publish or broadcast allegations without any follow-up,” says Alberto Dines, of Observatorio da Imprensa, a São Paulo-based media watch group. “It creates a snowball effect.”
Having escaped the grip of censorship more than 20 years ago, Brazilian media have still to find a way to report accusations of corruption without assuming that all those accused of corruption are necessarily guilty. Mr Pinheiro says “denouncing corruption is a good thing” but concedes that what he calls denuncismo a term that might be roughly translated as denouncing for denouncing's sake can “be a vice”.
Mr Lula da Silva and the Workers party, though, are not helping their own cause. Perceptions of corruption are particularly damaging for a party that in opposition promised a new more ethical approach to politics.
Although very many Brazilian journalists are sympathetic to the PT, relations with the media have not been good. Mr Lula da Silva talked often to the press before his election but he has since proved to be elusive, having given just one collective interview in two and a half years.
To cap it all the party's media management has been unimpressive. Workers party leaders have flip-flopped, first accusing the media of launching a rightwing conspiracy, then promising investigation. Mr Lula da Silva simply looks tired and seems to prefer not to talk about the matter at all. “The Workers party just don't know how to relate to the media,” says a sympathetic television presenter. “They just don't know how to defend themselves.”
A matéria toda você pode ler aqui.
18.7.05
Comunicação popular nas Alagoas
O bravo companheiro Vitto Giannotti, do Núcleo Piratininga de Comunicação, esteve em Maceió nos dias 13 e 14 de julho a fim de coordenar II Encontro de Comunicação Popular de Alagoas, cujas discussões foram centradas na necessidade de os movimentos populares criarem seus instrumentos de comunicação, do jornal às rádios comunitárias. Participaram do encontro militantes ligados ao movimento popular, ONGs, associações de moradores, profissionais da área de comunicação e estudantes de comunicação.
Direito humano
O direito do ser humano de se comunicar livremente com seus semelhantes será um dos principais temas do primeiro Encontro Nacional de Direitos Humanos, que acontecerá no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília, nos dias 17 e 18 de agosto. Mais informações aqui.
Os dois lados de Judy
Já postei o meu ponto de vista sobre o Caso Judith Miller. Aqui vão duas visões divergentes entre si: aqui contra a prisão da coleguinhas (em português) e aqui a favor da cana-dura (em inglês).
17.7.05
Vai aí um pouco de isenção?
Quer um pouco (ou muito) de isenção, objetividade e imparcialidade? Seus problemas acabaram! Botei aí do lado um atalho para quem estiver precisando alugar um coleguinha para palestras, congressos, recepções, batizados, festas de casamento e aniversário, despedidas de solteiro etc. Conforme for, pode rolar até um acerto mais permanente...
Para dar uma balizada na questão, uma boa é ler esse texto do Dines, de quem discordo um monte de vezes, mas não dessa.
Para dar uma balizada na questão, uma boa é ler esse texto do Dines, de quem discordo um monte de vezes, mas não dessa.
N'O DiaNet
Aliás, conselheiro observa que só O Dia deu a colaboração de Valério com tucanos e pefelistas, que todos os outros jornais preferiram deixar pra lá. O interessante é que o conselheiro mandou a mensagem ontem às 17h24, tendo o cuidado de reproduzir uma parte da matéria:
Um desses depósitos, por exemplo, foi para o deputado mineiro Custódio de Mattos (PSDB), ex-líder do PSDB na Câmara, que foi agraciado com dois pagamentos - um de R$ 20 mil e outro de R$ 5 mil, que lhe chegaram pelo Banco Rural. Um segundo recibo, no valor de R$ 100 mil, foi para a conta de um deputado do PP mineiro, Romel Anízio. Um terceiro teve como destinatário outro deputado do PP, Gil Pereira (MG), que ficou com R$ 25 mil. Nenhum desses políticos declarou, em suas prestações de contas à Justiça Eleitoral, os valores recebidos de Valério.
As informações estão em reportagem da revista Época que circulou hoje nas bancas. Segundo a revista, as transferências aconteceram durante 13 dias, entre 26 de setembro e 8 de outubro de 1998, exatamente na linha de chegada das eleições parlamentares daquele ano. Feitas as contas, as contribuições - todas partidas da agência SMPB - totalizaram R$ 10,6 milhões. Desse valor, o PT teria recebido R$ 850 mil, em quatro pagamentos. Quem ficou com a maior cota, no entanto, foi o PFL, que recebeu R$ 1,3 milhão dividido entre vários candidatos. Ao PSDB couberam, prossegue a denúncia, R$ 647 mil.
Hoje, quando abri o emeio, fui dar uma olhada no site do jornal. Olhem o que está escrito agora, às 21h45:
A edição da revista Época desta semana revela documentos em que Marcos Valério faz doações não declaradas a campanhas de parlamentares do PSDB e do PP. Em um dos documentos, o deputado Custódio de Mattos, ex-líder do PSDB na Câmara, aparece recebendo dois depósitos do publicitário, um de R$ 20 mil e outro de R$ 5 mil. O dinheiro teria saído da conta do Banco Rural da SMP&B, agência de Marcos Valério, para a conta pessoal do deputado no Banco do Brasil em 22 de outubro de 1998.
Delúbio Soares disse que boa parte do dinheiro foi obtida por empréstimos feitos por Valério, que repassava os recursos para o PT. O ex-tesoureiro não especificou os candidatos do PT que receberam dinheiro clandestino e isentou só a campanha presidencial de Lula, em 2002.
Notou as mudanças?
Um desses depósitos, por exemplo, foi para o deputado mineiro Custódio de Mattos (PSDB), ex-líder do PSDB na Câmara, que foi agraciado com dois pagamentos - um de R$ 20 mil e outro de R$ 5 mil, que lhe chegaram pelo Banco Rural. Um segundo recibo, no valor de R$ 100 mil, foi para a conta de um deputado do PP mineiro, Romel Anízio. Um terceiro teve como destinatário outro deputado do PP, Gil Pereira (MG), que ficou com R$ 25 mil. Nenhum desses políticos declarou, em suas prestações de contas à Justiça Eleitoral, os valores recebidos de Valério.
As informações estão em reportagem da revista Época que circulou hoje nas bancas. Segundo a revista, as transferências aconteceram durante 13 dias, entre 26 de setembro e 8 de outubro de 1998, exatamente na linha de chegada das eleições parlamentares daquele ano. Feitas as contas, as contribuições - todas partidas da agência SMPB - totalizaram R$ 10,6 milhões. Desse valor, o PT teria recebido R$ 850 mil, em quatro pagamentos. Quem ficou com a maior cota, no entanto, foi o PFL, que recebeu R$ 1,3 milhão dividido entre vários candidatos. Ao PSDB couberam, prossegue a denúncia, R$ 647 mil.
Hoje, quando abri o emeio, fui dar uma olhada no site do jornal. Olhem o que está escrito agora, às 21h45:
A edição da revista Época desta semana revela documentos em que Marcos Valério faz doações não declaradas a campanhas de parlamentares do PSDB e do PP. Em um dos documentos, o deputado Custódio de Mattos, ex-líder do PSDB na Câmara, aparece recebendo dois depósitos do publicitário, um de R$ 20 mil e outro de R$ 5 mil. O dinheiro teria saído da conta do Banco Rural da SMP&B, agência de Marcos Valério, para a conta pessoal do deputado no Banco do Brasil em 22 de outubro de 1998.
Delúbio Soares disse que boa parte do dinheiro foi obtida por empréstimos feitos por Valério, que repassava os recursos para o PT. O ex-tesoureiro não especificou os candidatos do PT que receberam dinheiro clandestino e isentou só a campanha presidencial de Lula, em 2002.
Notou as mudanças?
No terreno da galhofa
Depois dos depoimentos do Delúbio e do Marcos Valério dizendo que tucanos e pefelistas também receberam grana do carequinha vemos o porquê da oposição ter ficado mais pianinha com esse ângulo da guerra, pretendendo agora ver se consegue detonar (ainda mais) o PT via estatais (o que, de quebra, ajuda na volta da ladainha de que privatização resolve tudo, "até unha encravada", como disse um comentador aqui do blog).
Aliás, falando em comentário, num deles disse que esse negócio de mensalão já está em marcha batida para entrar no folclore político nacional, junto com aquelas histórias de políticos mineiros. Prova disso é que a Sinaf, conhecida pela habilidade em usar o humor negro em sua publicidade, já tem outdoors na Avenida Brasil, em pontos estratégicos para atingir em cheio seu público - em Guadalupe, no sentido Baixada; perto de Irajá, no sentido contrário - gozando a história: ao lado da palavra "mensalão" está um simpático e sorridente negão e, embaixo, a frase "Sinaf, agora com uma graninha todo mês".
Aliás, falando em comentário, num deles disse que esse negócio de mensalão já está em marcha batida para entrar no folclore político nacional, junto com aquelas histórias de políticos mineiros. Prova disso é que a Sinaf, conhecida pela habilidade em usar o humor negro em sua publicidade, já tem outdoors na Avenida Brasil, em pontos estratégicos para atingir em cheio seu público - em Guadalupe, no sentido Baixada; perto de Irajá, no sentido contrário - gozando a história: ao lado da palavra "mensalão" está um simpático e sorridente negão e, embaixo, a frase "Sinaf, agora com uma graninha todo mês".
Lamento perplexo
No dia em que foi divulgada a pesquisa que mostrou ter o Nove-Dedos a confiança de 60% da população e o FHC 60% de rejeição da mesma população, um jornalista bambambã d'O Globo não se conteve:
- Não é possível! Essa pesquisa está errada! Tem que refazer...Não é possível... -
- Não é possível! Essa pesquisa está errada! Tem que refazer...Não é possível... -
15.7.05
PF no dos outros...
Primeiro foram os advogados, agora são os clientes da Daslu. Quando o país ameaça se transformar numa República de verdade, vêm os que o dominam há 500 anos e armam poderoso fogo de barragem. Mas como (ainda) estamos num dos nossos raros interregnos democráticos, aqui e aqui estão duas opiniões divergentes daquela dos bacháreis e "coronéis" de sempre.
Ordem unida
Nem bem chegou ao Ministério, Hélio Costa vai levar uma enquadrada. O novel ministro entrou com a corda toda a fim de mostrar serviço aos barões da mídia: detonou a idéia de um padrão brasileiro de TV Digital e reivindicou a volta para o Minicom das discussões sobre a Lei de Comunicação Social Eletrônica. O problema é que ambos os pontos foram definidos por decreto presidencial depois de muitas discussões dentro do governo. Por isso, Costa vai levar uma chamada. Resta a ele torcer para que a carraspana seja dada por outra pessoa que não a ministra-chefe da Casa Civil. Se for a Dona Dilma a escalada para enquadrá-lo, o ex-repórter da Globo pode se preparar para passar por uma experiência que o fará lembrar das broncas da época em que usava calças curtas e da qual jamais esquecerá.
14.7.05
Fazendo presença
Constatação de um conselheiro:
Todo dia em que nasce o sol, o Jornal Nacional entrevista o Rodrigo Maia e o Eduardo Paes. Im-pres-sio-nan-te!!!
Todo dia em que nasce o sol, o Jornal Nacional entrevista o Rodrigo Maia e o Eduardo Paes. Im-pres-sio-nan-te!!!
cOItada...
Parece que a decisão do trio tucano-pefelê-barão é mesmo partir pra cima do Nove-Dedos, via filho, a fim de tentar detoná-lo de vez. O Globo hoje faz um esforço imenso para manter essa história do contrato da pequena empresa em que o filho Fábio assinou com a Telemar. Apela até para um especialista anônimo para estranhar o alto valor da transação. Só para recordar, foram R$ 5 milhões. O tal especialista diz que esse valor é alto pelo que movimenta o mercado de games para celulares.
Creio que esse especialista pediu para permanecer anônimo para não ser demitido ou perder todos os clientes. Se ele fosse competente mesmo, diria que a Telemar fez um negócio excelente, pois o jogo para celular é o produto que vai alavancar a tecnologia 3G, que acaba de desembarcar aqui, via Vivo e Claro - com apoio das Organizações Globo (ó surpresa!): é muito mais fácil vender joguinhos para garotos e garotas do que gols do Brasileiro para adultos. Esse movimento faz ainda mais sentido no caso da Telemar, dona a Oi, cuja estratégia é ganhar espaço entre o público mais jovem (vá à loja da Oi do Rio Sul e depois compare com as da Vivo e da TIM, no mesmo andar. Veja a diferença de faixas etárias. E observe também os garotos-propaganda da companhia e as cores oficiais dela).
O mal da Telemar é que ela realizou um movimento que era apenas especulado e, já neste estágio, provocava pesadelos góticos aos barões da mídia: que as ricas telecoms começassem a entrar na produção de conteúdos para celulares. Como já postei várias vezes aqui, os radiodifusores querem dirigir o caminho da convergência digital para seu quintal e agora ganharam um aliado de peso, o próprio ministro das Comunicações, Hélio Costa, ex-empregado das Organizações Globo (ó surpresa!). Vivo, Claro e TIM fizeram um movimento neste sentido, ao mesmo tempo conciliatório e exploratório, assinando provimento de conteúdo com Rede Globo (as duas primeiras) e Band (a última) - não irritaram os barões e ganharam tempo para avaliar o mercado para ver se vale a pena investir em conteúdo próprio. A Oi preferiu outro caminho e atraiu a ira do baronato. E como deu azar - ou não foi cuidadosa o suficiente - acabou sendo envolvida na guerra dos reacionários ao Nove-Dedos.
Creio que esse especialista pediu para permanecer anônimo para não ser demitido ou perder todos os clientes. Se ele fosse competente mesmo, diria que a Telemar fez um negócio excelente, pois o jogo para celular é o produto que vai alavancar a tecnologia 3G, que acaba de desembarcar aqui, via Vivo e Claro - com apoio das Organizações Globo (ó surpresa!): é muito mais fácil vender joguinhos para garotos e garotas do que gols do Brasileiro para adultos. Esse movimento faz ainda mais sentido no caso da Telemar, dona a Oi, cuja estratégia é ganhar espaço entre o público mais jovem (vá à loja da Oi do Rio Sul e depois compare com as da Vivo e da TIM, no mesmo andar. Veja a diferença de faixas etárias. E observe também os garotos-propaganda da companhia e as cores oficiais dela).
O mal da Telemar é que ela realizou um movimento que era apenas especulado e, já neste estágio, provocava pesadelos góticos aos barões da mídia: que as ricas telecoms começassem a entrar na produção de conteúdos para celulares. Como já postei várias vezes aqui, os radiodifusores querem dirigir o caminho da convergência digital para seu quintal e agora ganharam um aliado de peso, o próprio ministro das Comunicações, Hélio Costa, ex-empregado das Organizações Globo (ó surpresa!). Vivo, Claro e TIM fizeram um movimento neste sentido, ao mesmo tempo conciliatório e exploratório, assinando provimento de conteúdo com Rede Globo (as duas primeiras) e Band (a última) - não irritaram os barões e ganharam tempo para avaliar o mercado para ver se vale a pena investir em conteúdo próprio. A Oi preferiu outro caminho e atraiu a ira do baronato. E como deu azar - ou não foi cuidadosa o suficiente - acabou sendo envolvida na guerra dos reacionários ao Nove-Dedos.
Damas de honra
Como ontem não pude postar, aí vão dois comentários atrasados:
1. Dona Míriam é realmente magnífica. Foi a primeira a reagir ao "tsunami de água fria" (expressão de Fernando Rodrigues, da Folha) que atingiu a oposição com a pesquisa CNT/Sensus. Manipulando o dados e percentagens com a maestria de quem faz isso há anos, a colunista do Globo procurou levantar o moral das tropas tucano-pefelistas, mas parece não ter ainda conseguido, pela reações do comandantes Serra e Rodrigo Maia, registradas hoje pela Tereza Cruvinel;
2. Abaixo nota mandada por uma conselheira:
Karina diz que pode se candidatar a deputada federal
KÁTIA BRASIL
da Agência Folha
Depois de ter ido à CPI dos Correios, em meio à crise política, depor como testemunha sobre o suposto pagamento de "mensalão" a parlamentares, a secretária Fernanda Karina Somaggio decidiu ser candidata a deputada federal pelo PSDB nas eleições de 2006.
Por que será que essa informação não me surpreende?
1. Dona Míriam é realmente magnífica. Foi a primeira a reagir ao "tsunami de água fria" (expressão de Fernando Rodrigues, da Folha) que atingiu a oposição com a pesquisa CNT/Sensus. Manipulando o dados e percentagens com a maestria de quem faz isso há anos, a colunista do Globo procurou levantar o moral das tropas tucano-pefelistas, mas parece não ter ainda conseguido, pela reações do comandantes Serra e Rodrigo Maia, registradas hoje pela Tereza Cruvinel;
2. Abaixo nota mandada por uma conselheira:
Karina diz que pode se candidatar a deputada federal
KÁTIA BRASIL
da Agência Folha
Depois de ter ido à CPI dos Correios, em meio à crise política, depor como testemunha sobre o suposto pagamento de "mensalão" a parlamentares, a secretária Fernanda Karina Somaggio decidiu ser candidata a deputada federal pelo PSDB nas eleições de 2006.
Por que será que essa informação não me surpreende?
12.7.05
Mais uma tentativa
Diz-se em BSB que o governador Marconi Perillo (GO) vai dizer amanhã que avisou diretamente, com todas as letras, o Nove-Dedos sobre a existência do mensalão. Ele até já disse que falou de cooptação de seus deputados, mas nunca mencionou aviso direto. Vai ver se lembrou desse detalhe - pequenininho, você deve convir - só agora.
A encruzilhada
Nem tudo, porém, pode continuar tão engraçado. A direita está agora numa encruzilhada: ou parte pra cima do Nove-Dedos de vez, armando até para a família (como se ensaia fazer como filho gamemaníaco do sujeito) ou se retrai e se dedica a quebrar de vez a espinha do PT, preparando o terreno para, em caso de segundo governo, Lula, impedi-lo de governar, bloqueando todas as suas iniciativas no Congresso, levando a um acirramento político do tipo venezuelano/boliviano, com conseqüências imprevisíveis. Vamos aguardar o que farão Estadão, Folha, O Globo, Época e Veja, a vanguarda direitista, ver como se encaminhará a coisa.
O enjeitadinho
O mais engraçado da pesquisa da CNT/Sensus, porém, é o item que aponta o candidato a presidente mais rejeitado. Até o Garotinho - com 57% de rejeição - é mais aceito que o FHC (58%). Como disse um conselheiro comentando a questão, "o povo quer tudo, menos ele".
Jims Jones nipo-baianos
Fico imaginando como deve estar a redação da Veja. O clima deve andar péssimo. Periga neguinho imitar o Jim Jones (lembra?), com a diferença de que, em vez de tomarem veneno em conjunto, cometerem um "haraquiri baiano" coletivo
Como pensa o brasileirinho
Chegam a ser hilárias a decepção e a perplexidade da direita com o resultado da pesquisa CNT/Sensus que relata não só que o Nove-Dedos não passou a ser mais rejeitado pela população, como a sua aprovação -e a do governo - subiu mesmo após o massacre midiático das últimas semanas. Na verdade, há vários motivos de gargalhadas com essa pesquisa e vou ter que dividi-los em vários posts.
O primeiro é o mais óbvio: como é que pode um cara que vêm sendo, junto com seu trabalho, humilhado, espezinhado, sacaneado, xingado e o escambau por todos os jornais, revistas, rádios, tevês e sites durante todas as horas do dia, nas últimas quatro semanas, ver sua pessoa e seu trabalho subir no nível de aprovação da população? Vou tentar explicar usando o carioquês castiço, dialeto que domino melhor, mas que pode ser traduzido pra todos os vários falares deste imenso país varonil. O carioquinha - aquele que entra em fila de banco, fica nas paradas dos ônibus e só lê jornal em banca - pensa mais ou menos assim sobre os últimos acontecimentos:
Pô, sacanearam o Lula. Deram uma volta nele. Também ele foi mané em confiar naqueles f...d.. p.... É, mas eu não posso falar muito não... Eu confiei naquela vadia [naquele/a miserável do meu irmão/ã,sobrinho/a, tio/a, amigo/a...] e me estrepei. E eu dormia com aquela p...! É, acontece com todo mundo. Coitado. Ele tinha mais era que f... a vida desses vagabundo todo. Mas não vai fazer nada. É gente boa de mais pra isso...
Meus caros companheiros de elite, o povão não se identifica com o Nove-Dedos. O povão acredita que É o Nove-Dedos.
O primeiro é o mais óbvio: como é que pode um cara que vêm sendo, junto com seu trabalho, humilhado, espezinhado, sacaneado, xingado e o escambau por todos os jornais, revistas, rádios, tevês e sites durante todas as horas do dia, nas últimas quatro semanas, ver sua pessoa e seu trabalho subir no nível de aprovação da população? Vou tentar explicar usando o carioquês castiço, dialeto que domino melhor, mas que pode ser traduzido pra todos os vários falares deste imenso país varonil. O carioquinha - aquele que entra em fila de banco, fica nas paradas dos ônibus e só lê jornal em banca - pensa mais ou menos assim sobre os últimos acontecimentos:
Pô, sacanearam o Lula. Deram uma volta nele. Também ele foi mané em confiar naqueles f...d.. p.... É, mas eu não posso falar muito não... Eu confiei naquela vadia [naquele/a miserável do meu irmão/ã,sobrinho/a, tio/a, amigo/a...] e me estrepei. E eu dormia com aquela p...! É, acontece com todo mundo. Coitado. Ele tinha mais era que f... a vida desses vagabundo todo. Mas não vai fazer nada. É gente boa de mais pra isso...
Meus caros companheiros de elite, o povão não se identifica com o Nove-Dedos. O povão acredita que É o Nove-Dedos.
11.7.05
Vizinhança barra-pesada - III
Adolfo Pérez Esquivel analisa a permissão do governo paraguaio para que tropas americanas fiquem aquarteladas em seu território e tenham imunidade perante as leis do país.
Aliás, quando a grande imprensa brasileira vai dar a atenção que esse assunto merece?
Aliás, quando a grande imprensa brasileira vai dar a atenção que esse assunto merece?
Costa bota as garras pra fora
Nem bem assumiu o Ministério das Comunicações, o ministro Hélio Costa já começa a mostrar a que veio, ou seja, a trabalhar pelos barões da mídia. Assim:
1. Externou opinião de que as discussões sobre a nova Lei Geral de Comunicação deveriam voltar à alçada do Minicom, saindo da Casa Civil. Elas foram para lá porque os radiodifusores influenciam diretamente este ministério, impedindo qualquer avanço na discussão. Foi assim durante os oito anos da Administração FHC e no primeiro ano da administração atual;
2. O ministro iniciou o bombardeio direto da idéia de se criar um padrão brasileiro para a TV Digital. Essa idéia foi lançada no tempo de Miro Teixeira e avançou durante a gestão Eunício de Oliveira, sempre contando com a oposição dos radiodifusores, que defendem a implementação de um dos três sistemas já existentes - americano, europeu e japonês. A implementação seria mais rápida, porém, uma vez escolhido o sistema, o Brasil pagaria para sempre royalties aos detentores das patentes do sistema escolhido. As pesquisas sobre o sistema brasileiro estão adiantadas e prevê-se sua conclusão em início de 2006. Parando agora, seriam dois anos de trabalho - e muito dinheiro - jogado fora;
3. Como se sabe (escrevi várias vezes aqui), os radiodifusores têm medo pânico que as telecoms entrem no negócio de provimento de conteúdo para celulares. Para ajudar os seus ex-patrões, Costa aventou a idéia de taxar os serviços de difusão de conteúdo pelo telefones móveis, o que, na melhor das hipóteses, transformaria um negócio que tende a ser de massa em um de nicho.
1. Externou opinião de que as discussões sobre a nova Lei Geral de Comunicação deveriam voltar à alçada do Minicom, saindo da Casa Civil. Elas foram para lá porque os radiodifusores influenciam diretamente este ministério, impedindo qualquer avanço na discussão. Foi assim durante os oito anos da Administração FHC e no primeiro ano da administração atual;
2. O ministro iniciou o bombardeio direto da idéia de se criar um padrão brasileiro para a TV Digital. Essa idéia foi lançada no tempo de Miro Teixeira e avançou durante a gestão Eunício de Oliveira, sempre contando com a oposição dos radiodifusores, que defendem a implementação de um dos três sistemas já existentes - americano, europeu e japonês. A implementação seria mais rápida, porém, uma vez escolhido o sistema, o Brasil pagaria para sempre royalties aos detentores das patentes do sistema escolhido. As pesquisas sobre o sistema brasileiro estão adiantadas e prevê-se sua conclusão em início de 2006. Parando agora, seriam dois anos de trabalho - e muito dinheiro - jogado fora;
3. Como se sabe (escrevi várias vezes aqui), os radiodifusores têm medo pânico que as telecoms entrem no negócio de provimento de conteúdo para celulares. Para ajudar os seus ex-patrões, Costa aventou a idéia de taxar os serviços de difusão de conteúdo pelo telefones móveis, o que, na melhor das hipóteses, transformaria um negócio que tende a ser de massa em um de nicho.
10.7.05
Vivo e chutando...na Bolívia
Quem disse que o jornalismo de verdade morreu? Só pra você, filho (brasileiro) ingrato! No altiplano boliviano ele continua vivinho da silva. Aqui.
Bin Laden e Bush, os parceiros inimigos
Outro ponto de vista a respeito do pano de fundo do atentado em Londres.
Dúvida jurídica
Os extratos dos cartões corporativos dos próceres do BB não estão protegidos pelo sigilo bancário, não?
9.7.05
A fronda dos mazombos
Estou terminando A Fronda dos Mazombos, de Evaldo Cabral de Mello (Editora 34). É sobre a chamada Guerra dos Mascates, uma disputa entre a nascente Recife reinol (portuguesa e comerciante) e a Olinda mazomba (brasileira e a açucarocrata). Livro para quem gosta mesmo de História: não tem historinha e demanda realmente gosto pelo assunto. Ainda assim recomendo fortemente. Talvez você descubra as origens de algumas características de nossa sociedade, como as que encontrei:
Provavelmente os mais doutos que eu acharão correlações mais sutis, mas acho que a amostra já é de muito excitante, não? Para jornalistas, porém, há ainda outros dois motivos para se lerA Fronda dos Mazombos:
Quanto a mim, depois de um descanso para melhor digestão da obra (tempo que usarei para ler "Contos americanos - Clássicos" presenteados pela Musa do Blog), partirei para outra obra de Evaldo Cabral de Mello . A dúvida fica por conta de qual: Olinda restaurada ou Rubro veio?
- Das leis que "não pegam";
- Dos motivos pelos quais por mais que se façam CPIs (na época eram conhecidas como "devassas", hoje nome de cerveja) nada realmente muda em nossos costumes políticos;
- Da razão por que as disputas políticas são tão destrutivas - muitas vezes levando a assassinatos - e delas não sai nenhuma efetiva melhoria no sistema político vigente, qualquer que seja ele;
- De como as elites usam a população analfabeta - de letra e política - como massa de manobra para golpes e contragolpes, e até mudanças de regime;
- Da razão por que o sistema judiciário só funciona num sentido, quando funciona;
- Da razão pela qual não se deve acreditar em quase nada do que se lê (hoje também vê-se e ouve-se) para explicar as disputas políticas entre as elites;
- Do porquê nós, os pernambucanos, para o bem e para o mal, somos tão avessos a receber ordens e reconhecer qualquer poder ("sumamente revoltosos", como descreve um documento português da época).
Provavelmente os mais doutos que eu acharão correlações mais sutis, mas acho que a amostra já é de muito excitante, não? Para jornalistas, porém, há ainda outros dois motivos para se lerA Fronda dos Mazombos:
- O cuidadoso rigor na apuração dos fatos pelo autor;
- A admirável precisão vocabular, que, sinceramente, fez-me emoção mais de uma dezena de vezes. Precisão essa que não chega a ser inesperada dada as ligações familiares do autor, irmão do poeta João
Quanto a mim, depois de um descanso para melhor digestão da obra (tempo que usarei para ler "Contos americanos - Clássicos" presenteados pela Musa do Blog), partirei para outra obra de Evaldo Cabral de Mello . A dúvida fica por conta de qual: Olinda restaurada ou Rubro veio?
Ali explica o 7/7
Calma! Tá me estranhando? Esse Ali é sério, culto e escreve bem. É o Tariq.
O vizinho do cara
Conselheira de Brasília - alguém devia processar Dom Bosco por ter tido a idéia dessa cidade - manda essa dica: http://vizinhodojefferson.blogger.com.br/
Mais uma mostra de que o Andy Warhol sabia do que estava falando...
Mais uma mostra de que o Andy Warhol sabia do que estava falando...
Cachorro quente
O conselheiro espiritual especialista em Jornal do Commercio mandou essa nota quente pra cachorro:
Caro ivson,
sei que meu decadente jornal nao interessa muito dentro do grande esquema das coisas, mas uma nota na pagina a-14 de quinta me pareceu hilariante:
"Já está em vigor a lei publicada ontem no Diário Oficial que restringe a circulação de cães das raças pitbull, doberman, fila e hotvailler, por serem consideradas raças ferozes."
Caro ivson,
sei que meu decadente jornal nao interessa muito dentro do grande esquema das coisas, mas uma nota na pagina a-14 de quinta me pareceu hilariante:
"Já está em vigor a lei publicada ontem no Diário Oficial que restringe a circulação de cães das raças pitbull, doberman, fila e hotvailler, por serem consideradas raças ferozes."
8.7.05
Coincidência
A Rede Globo começará a exibir conteúdos para celulares nos aparelhos da Claro e da Vivo. O primeiro será os gols do Campeonato Brasileiro. No dia seguinte ao anúncio oficial do início do serviço, o jornal O Globo divulga matéria em que questiona o contrato entre uma empresa que tem como sócio um dos filhos do Neve-Dedos e a Telemar, dona operadora de celulare Oi. A empresa em que o filho do Nove-Dedos é sócio produz conteúdo para celulares.
O Caso das Malas Invisíveis
Um conselheiro treinado na antiga - e cada vez mais esquecida - arte de pensar logicamente, postou essa no blog da coleguinha Helena Chagas, no Globo on line. De passagem, ele toca no mistério das "malas invisíveis" abordado com mais profundidade no texto dos estudantes de engenharia lincado em post abaixo:
Ivson, a Helena Chagas reclama em seu blog que em seu depoimento na CPI dos Correios, Marcos Valério não justificou a movimentação de grandes somas nas contas de suas empresas. Aliás, a imprensa toda, e os parlamentares também, fizeram de conta que não ouviram o que o publicitário disse. Então postei no blog da Helena o seguinte comentário:
A mim pareceu que Marcos Valério justificou, sim, as movimentações financeiras. Disse ele que os pagamentos efetuados a fornecedores eram feitos em cheque e que estes, na boca do caixa, remetiam os pagamentos como DOC para suas contas em outros bancos ou os depositavam em suas contas na própria agência do Banco Rural. Ora, operações desse tipo são validadas como dinheiro, embora nem mesmo o caixa do banco pegue em uma só moedinha. Parece incrível que ninguém conheça uma operação simples como essa, que, imagino, todo mundo já deva tê-la feito algum dia na vida. Incrível como ninguém da imprensa tenha pensado até o momento para onde foi o dinheiro. As respostas estão todas lá na compensação da agência do Banco Rural. E mais uma coisa: Se foram feitas retiradas em dinheiro vivo, ou seja, notas de dinheiro, carregadas em malas - suponho que uma quantia como R$ 100 mil deva ocupar algum espaço físico - o sistema de câmeras da agência bancária deve ter guardado alguma imagem dessas, né não?
Ivson, a Helena Chagas reclama em seu blog que em seu depoimento na CPI dos Correios, Marcos Valério não justificou a movimentação de grandes somas nas contas de suas empresas. Aliás, a imprensa toda, e os parlamentares também, fizeram de conta que não ouviram o que o publicitário disse. Então postei no blog da Helena o seguinte comentário:
A mim pareceu que Marcos Valério justificou, sim, as movimentações financeiras. Disse ele que os pagamentos efetuados a fornecedores eram feitos em cheque e que estes, na boca do caixa, remetiam os pagamentos como DOC para suas contas em outros bancos ou os depositavam em suas contas na própria agência do Banco Rural. Ora, operações desse tipo são validadas como dinheiro, embora nem mesmo o caixa do banco pegue em uma só moedinha. Parece incrível que ninguém conheça uma operação simples como essa, que, imagino, todo mundo já deva tê-la feito algum dia na vida. Incrível como ninguém da imprensa tenha pensado até o momento para onde foi o dinheiro. As respostas estão todas lá na compensação da agência do Banco Rural. E mais uma coisa: Se foram feitas retiradas em dinheiro vivo, ou seja, notas de dinheiro, carregadas em malas - suponho que uma quantia como R$ 100 mil deva ocupar algum espaço físico - o sistema de câmeras da agência bancária deve ter guardado alguma imagem dessas, né não?
Olavo é fichinha
Você acha o Olavo de Carvalho um direitista paranóico? Pois esse texto talvez o/a faça rever seus conceitos.
7.7.05
A engenharia do mensalão
Ok, não gosto muito de engenheiros em geral. Talvez por serem mais arrogantes que jornalistas (talvez não, é por isso mesmo). Mas tenho que tirar o chapéu para os estudantes de engenharia por esse texto. É o mais hilariante que li em anos. E o mais incrível: tem sentido. (Coleguinhas, atenção para o final. A conclusão é mais do que correta, não é mesmo?)
Surdez epidêmica
Conselheiro crê que houve uma rara epidemia de surdez no Planalto Central:
Ivson, em sua coluna publicada na seção Bom Dia, na Globo.com, Alexandre Garcia reclama dos problemas auditivos que afligem algumas personagens ligadas ao escândalo do mensalão na Câmara Federal:
"No depoimento de Marcos Valério, mais um que nunca ouviu falar em mensalão. O vice-líder do PMDB, deputado Wladimir Costa, diz que mensalão era o assunto dos corredores, do plenário, do cafezinho da Câmara, muito antes de Roberto Jefferson falar.
Além da CPI, isso é caso para otorrino. Marcos Valério, por 14 horas, deixou fora o essencial: por que, sendo a agência em Belo Horizonte, tantos saques milionários em Brasília e em dinheiro vivo e coincidindo com a ida ao Banco Rural de políticos e funcionários partidários, como o senhor Genu do PP e agora o então tesoureiro do PL, chamado Jacinto Lamas."
Garcia deve estar certo já que o assunto só veio a público depois de o deputado Roberto Jefferson atear fogo às vestes. Mas se antes disso o assunto era assim tão comentado nos corredores e até no cafezinho da Câmara, não seria o caso de as empresas jornalísticas mandarem também ao otorrino as equipes de repórteres encarregadas de cobrir os trabalhos no Congresso Nacional?
Ivson, em sua coluna publicada na seção Bom Dia, na Globo.com, Alexandre Garcia reclama dos problemas auditivos que afligem algumas personagens ligadas ao escândalo do mensalão na Câmara Federal:
"No depoimento de Marcos Valério, mais um que nunca ouviu falar em mensalão. O vice-líder do PMDB, deputado Wladimir Costa, diz que mensalão era o assunto dos corredores, do plenário, do cafezinho da Câmara, muito antes de Roberto Jefferson falar.
Além da CPI, isso é caso para otorrino. Marcos Valério, por 14 horas, deixou fora o essencial: por que, sendo a agência em Belo Horizonte, tantos saques milionários em Brasília e em dinheiro vivo e coincidindo com a ida ao Banco Rural de políticos e funcionários partidários, como o senhor Genu do PP e agora o então tesoureiro do PL, chamado Jacinto Lamas."
Garcia deve estar certo já que o assunto só veio a público depois de o deputado Roberto Jefferson atear fogo às vestes. Mas se antes disso o assunto era assim tão comentado nos corredores e até no cafezinho da Câmara, não seria o caso de as empresas jornalísticas mandarem também ao otorrino as equipes de repórteres encarregadas de cobrir os trabalhos no Congresso Nacional?
O JB e os privilégios dos advogados
O coleguinha Paulo França ficou indignado com uma matéria do JB do sábado, dia 2. Mandou essa mensagem ao ex-jornal da Condessa:
Na p. A5 do JB de sábado passado, a manchete "Justiça decreta regras para ações da PF" omite que, na verdade, as regras só valem para escritórios de advogados! Por que a escamoteação do jornal? E por que advogados são melhores do que dentistas, médicos e jornalistas? Quem está indo mais para a cadeia por crimes diversos, inclusive juízes? Ora, se a OAB se julga paladina da liberdade e da democracia, não devia exigir tantos privilégios para os seus associados. Parece querer dificultar a ação da PF sobre si."
Paulo França de Carvalho - Jornalista
Na p. A5 do JB de sábado passado, a manchete "Justiça decreta regras para ações da PF" omite que, na verdade, as regras só valem para escritórios de advogados! Por que a escamoteação do jornal? E por que advogados são melhores do que dentistas, médicos e jornalistas? Quem está indo mais para a cadeia por crimes diversos, inclusive juízes? Ora, se a OAB se julga paladina da liberdade e da democracia, não devia exigir tantos privilégios para os seus associados. Parece querer dificultar a ação da PF sobre si."
Paulo França de Carvalho - Jornalista
Pingos na Judy
Uns pingos nos is do Caso Judith Miller:
1.Ela não foi em cana por ter defendido uma fonte que revelara um malfeito do governo Bush II - o qual, aliás, apóia ferrenhamente -, alguma falcatrua (como aquelas em que Bushinho se meteu nos anos 80) ou atentado aos fundamentos da democracia americana, como Watergate. Foi às galés porque está sendo cúmplice de um crime - revelar agentes do Serviço Secreto lá é um (aqui não é, tanto que eles depõem publicamente em CPIs) - e, no caso, cometido por "motivo fútil", como se diria aqui: vingança. A espiã foi entregue por gente da Casa Branca porque o marido dela, diplomata de carreira, ousou dizer que o Bush estava mentindo ao povo americano a fim de conseguir seu consentimento para invadir o Iraque (nesse crime político, Judith também foi cúmplice, aliás);
2.Depois que aquela senhora televisiva, que dava dicas de investimentos a donas de casa enquanto faturava à beça com inside informations, ganhou mais dinheiro presa do que quando solta, ir para atrás das grades lá não abala mais ninguém;
3.Por falar nisso, "ir para atrás das grades" pode ser apenas força de expressão. Em que prisão Judy vai cumprir pena? Como se sabe, há prisões privadas lá que pouco diferem de um Club Med. De repente, a coleguinha vai é ganhar 120 dias de férias com tudo pago. Seria interessante os nossos correspondentes apurarem esse ângulo, né?
1.Ela não foi em cana por ter defendido uma fonte que revelara um malfeito do governo Bush II - o qual, aliás, apóia ferrenhamente -, alguma falcatrua (como aquelas em que Bushinho se meteu nos anos 80) ou atentado aos fundamentos da democracia americana, como Watergate. Foi às galés porque está sendo cúmplice de um crime - revelar agentes do Serviço Secreto lá é um (aqui não é, tanto que eles depõem publicamente em CPIs) - e, no caso, cometido por "motivo fútil", como se diria aqui: vingança. A espiã foi entregue por gente da Casa Branca porque o marido dela, diplomata de carreira, ousou dizer que o Bush estava mentindo ao povo americano a fim de conseguir seu consentimento para invadir o Iraque (nesse crime político, Judith também foi cúmplice, aliás);
2.Depois que aquela senhora televisiva, que dava dicas de investimentos a donas de casa enquanto faturava à beça com inside informations, ganhou mais dinheiro presa do que quando solta, ir para atrás das grades lá não abala mais ninguém;
3.Por falar nisso, "ir para atrás das grades" pode ser apenas força de expressão. Em que prisão Judy vai cumprir pena? Como se sabe, há prisões privadas lá que pouco diferem de um Club Med. De repente, a coleguinha vai é ganhar 120 dias de férias com tudo pago. Seria interessante os nossos correspondentes apurarem esse ângulo, né?
6.7.05
01/04 em 07/07
Por falar em Folha, dizem que amanhã ela vai finalizar o golpe, aproveitando a ausência do país do sujeito a ser deposto.
Cadê?
A Folha deu uma materola de pé de página sobre o depoimento de Jairo Martins - incluindo o aspecto "jornalístico" do trabalho de arapongagem - e o JB citou a presença do cara na CPI - sem "jornalismo" no meio - (o Estadão não li), mas O Globo conseguiu ignorar completamente um sujeito que passou quatro horas e meia depondo diante de deputados,senadores e câmeras de tevê. Deve ser um recorde.
5.7.05
Lembrai-vos de 54, 60, 64, 89...
Novo expediente da Veja
A principal revista dos Civita tem nova editoria. É a de arapongagem, cujo responsável é Policarpo "Araponga" Junior, que tem como estagiário Jairo Martins de Souza.
4.7.05
Olavo se despede. De novo.
Abaixo a despedida de Olavo de Carvalho, demitido do Globo.
Adeus ao Globo
Quando fui demitido da revista Época, a explicação que recebi foi "corte de despesas" - medida de ordem administrativa, sem qualquer sentido político ou mesmo jornalístico. Logo depois, o diretor de redação, Paulo Moreira Leite, deu com a língua nos dentes, quando, em resposta a um leitor, expressou toda a raiva política que a minha pessoa lhe inspirava.
Agora, acabo de ser demitido do Globo com a mesma desculpa. Recebi o aviso do editor de opinião, Aluizio Maranhão, hoje de manhã.
Terá sido pura coincidência o fato de que na semana passada o jornal, através da coluna de Merval Pereira, reconheceu pela primeira vez a existência e a importância do Foro de São Paulo, que ali denunciei por anos a fio enquanto o restante da publicação tratava de ocultá-las metodicamente?
Ou, ao contrário, o jornal, ao admitir implicitamente que mentiu para os leitores durante uma década e meia, decidiu com lógica exemplar dar sumiço à prova do crime, para poder fingir naturalidade ao falar do Foro doravante, como se o assunto sempre tivesse estado presente nas suas páginas, com a regularidade das colunas de turfe e das cotações da bolsa?
A hipocrisia brasileira é a oitava maravilha do mundo. Ela vai além de tudo o que Tartufo, Iago, Maquiavel e Macunaíma, juntos, poderiam inventar. Se tento explicar o fenômeno aos americanos, eles instintivamente entendem errado. O limite do que podem conceber é Bill Clinton jurando que não comeu Mônica nenhuma. Não conseguem imaginar uma cultura nacional inteira feita de milhões de clintonzinhos.
Mas, enfim, não há nada de estranho no que aconteceu. Ninguém ignora que O Globo é o Diário Oficial do lulismo, que minha presença lá era uma aberração e uma incomodidade. Agora voltou tudo ao normal.
Querem saber do que mais? O corte brutal do meu orçamento doméstico é, nas presentes condições, uma libertação. Vou mais é para Virginia Beach tomar banho de mar, ouvir as bandas, ver a queima de fogos e participar da alegria nacional deste país hospitaleiro e generoso. O Globo que se dane.
Richmond, VA, 4 de julho de 2005
Olavo de Carvalho
Adeus ao Globo
Quando fui demitido da revista Época, a explicação que recebi foi "corte de despesas" - medida de ordem administrativa, sem qualquer sentido político ou mesmo jornalístico. Logo depois, o diretor de redação, Paulo Moreira Leite, deu com a língua nos dentes, quando, em resposta a um leitor, expressou toda a raiva política que a minha pessoa lhe inspirava.
Agora, acabo de ser demitido do Globo com a mesma desculpa. Recebi o aviso do editor de opinião, Aluizio Maranhão, hoje de manhã.
Terá sido pura coincidência o fato de que na semana passada o jornal, através da coluna de Merval Pereira, reconheceu pela primeira vez a existência e a importância do Foro de São Paulo, que ali denunciei por anos a fio enquanto o restante da publicação tratava de ocultá-las metodicamente?
Ou, ao contrário, o jornal, ao admitir implicitamente que mentiu para os leitores durante uma década e meia, decidiu com lógica exemplar dar sumiço à prova do crime, para poder fingir naturalidade ao falar do Foro doravante, como se o assunto sempre tivesse estado presente nas suas páginas, com a regularidade das colunas de turfe e das cotações da bolsa?
A hipocrisia brasileira é a oitava maravilha do mundo. Ela vai além de tudo o que Tartufo, Iago, Maquiavel e Macunaíma, juntos, poderiam inventar. Se tento explicar o fenômeno aos americanos, eles instintivamente entendem errado. O limite do que podem conceber é Bill Clinton jurando que não comeu Mônica nenhuma. Não conseguem imaginar uma cultura nacional inteira feita de milhões de clintonzinhos.
Mas, enfim, não há nada de estranho no que aconteceu. Ninguém ignora que O Globo é o Diário Oficial do lulismo, que minha presença lá era uma aberração e uma incomodidade. Agora voltou tudo ao normal.
Querem saber do que mais? O corte brutal do meu orçamento doméstico é, nas presentes condições, uma libertação. Vou mais é para Virginia Beach tomar banho de mar, ouvir as bandas, ver a queima de fogos e participar da alegria nacional deste país hospitaleiro e generoso. O Globo que se dane.
Richmond, VA, 4 de julho de 2005
Olavo de Carvalho
No banco dos réus
A Justiça do Pará vai julgar os cinco acusados pelo assassinato da freira Dorothy Stang, em fevereiro. É bom ficar de olho, pois o histórico da Justiça paraense nos julgamento de crimes cometidos contra trabalhadores rurais e quem os apóia não é muito bom, para dizer o mínimo.
Mídia negra - II
E por falar em mídia afro-descendente, atalho para a Afropress - Agência Afro-étnica de Notícias está aí ao lado.
Mídia negra
Jornalistas e comunicadores negros criam grupo para dar força à mídia alternativa afro-descendente. Aqui.
3.7.05
Barões bem na reforma
Os barões da mídia vão acabar se dando bem na reforma ministerial do Nove-Dedos. É que Hélio Costa (PMDB-MG), repórter da Globo nos anos 70, deverá ser o novo ministro das Comunicações, no lugar do também peemedebista Eunício de Oliveira, que voltará à Câmara. Caso seja confirmada a indicação, os radiodifusores terão o ministro ao seu lado na cruzada para impedir que as telecoms entrem no mercado de conteúdo na Era da Convergência. Eunício é a favor do fim da reserva de mercado do baronato.
Destino da democracia em debate no RS
Como vai a democracia na Amérca Latina em tempos bushianos é o tema do Congresso da Associação Latinoamericana de Sociologia que se realiza em Porto Alegre, de 22 a 26 de agosto. Mais informações aqui.
Vizinhança barra-pesada - II
Seguiu os links do primeiro post com esse título? Bem, mesmo que tenha seguido é uma boa idéia dar uma olhada nessa suíte (dessa vez em português).
Aliás, será que algum veículo da grande imprensa do Bananão um dia vai informar seus leitores/telespectadores sobre o assunto?
Aliás, será que algum veículo da grande imprensa do Bananão um dia vai informar seus leitores/telespectadores sobre o assunto?
Passarinho influente
Há ONGs do bem, porém. Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, por exemplo, fez excelente trabalho de levantamento - um dos investigadores foi o coleguinha Carlos Tautz - sobre a influência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird), um dos braços do Banco Mundial que nos dão "braços-de-tamanduá" Veja o que foi descoberto.
ONGs do mal
2.7.05
Ao que interessa
Dona Míriam abre o jogo na coluna de hoje e se junta aos fundamentalistas do Estadão na campanha pelo que realmente interessa: o butim do Estado brasileiro. Depois de uns anos envergonhada pelo fracasso da privataria (copyleft Companheiro Gaspari), Dona Míriam retoma hoje o canto de sereia (embora ela esteja bem longe de parecer uma) de que para acabar com a corrupção no país basta entregar empresas estatais para a iniciativa privada.
É um ponto de vista. Mas gostaria muito de vê-la defendendo-o numa praça de Recife, por exemplo. Ela teria oportunidade de explicar aos meus conterrêneos porque a Celpe, empresa privatizada para o grupo Neoenergia, compra energia da Termopernambuco por mais ou menos R$ 137,00 o megawatt/hora, enquanto a estatal Chesf vende o mesmo produto por algo em torno de R$ 57,00. Um detalhe: a Termopernambuco também pertence à Neoenergia. Essa brincadeira entre empresas irmãs levou o reajuste do preço da energia para o consumidor na minha terra a mais de 34% (brecado provisoriamente na Justiça depois de várias manifestações de desobediência civil) . Seria uma bela prova de talento oratório da articulista d'O Globo se ela convencesse os pernambucanos de que esse tipo de acerto não só é normal como é para o benefício deles. Depois de convencê-los disso, poderia tentar também no Ceará (aumento de até 32%), Minas (21%), Mato Grosso do Sul (17%) e, aproveitando o embalo, explicar por que o BNDES deu mais de R$ 700 milhões de dinheiro público para salvar a privada Light.
Usei os exemplos da área de energia porque sou empregado público da Eletrobrás (não servidor. Servidor só público. Quem trabalha em estatal é celetista como a maioria dos trabalhadores) e, portanto, parte interessada na questão. Daí, seria bom você dar um desconto na minha opinião. Agora, os dados do problema são esses mesmos e você pode conferir aqui mesmo na Rede.
É um ponto de vista. Mas gostaria muito de vê-la defendendo-o numa praça de Recife, por exemplo. Ela teria oportunidade de explicar aos meus conterrêneos porque a Celpe, empresa privatizada para o grupo Neoenergia, compra energia da Termopernambuco por mais ou menos R$ 137,00 o megawatt/hora, enquanto a estatal Chesf vende o mesmo produto por algo em torno de R$ 57,00. Um detalhe: a Termopernambuco também pertence à Neoenergia. Essa brincadeira entre empresas irmãs levou o reajuste do preço da energia para o consumidor na minha terra a mais de 34% (brecado provisoriamente na Justiça depois de várias manifestações de desobediência civil) . Seria uma bela prova de talento oratório da articulista d'O Globo se ela convencesse os pernambucanos de que esse tipo de acerto não só é normal como é para o benefício deles. Depois de convencê-los disso, poderia tentar também no Ceará (aumento de até 32%), Minas (21%), Mato Grosso do Sul (17%) e, aproveitando o embalo, explicar por que o BNDES deu mais de R$ 700 milhões de dinheiro público para salvar a privada Light.
Usei os exemplos da área de energia porque sou empregado público da Eletrobrás (não servidor. Servidor só público. Quem trabalha em estatal é celetista como a maioria dos trabalhadores) e, portanto, parte interessada na questão. Daí, seria bom você dar um desconto na minha opinião. Agora, os dados do problema são esses mesmos e você pode conferir aqui mesmo na Rede.
1.7.05
Tem mato queimando
Tá sentindo um cheiro esquisito? Renato Rovai está.
Isto é duro
Por falar em IstoÉ, a revista parece estar devendo alguma obrigação aos santos. Nos últimos meses, entrou num barraco público com a concorrente Veja - durante o qual foi chamada de "QuantoÉ" - , foi citada como suscetível à "blidagem" por meio de anúncios pelo dono de uma das mais importantes agências publicitárias do país e agora vê um de seus editores travestido de conselheiro secreto de uma testemunha de CPI.
Perguntinha
Por que e sobre o quê a secretária Fernanda Somaggio queria se aconselhar por emeio com Leonardo Attuch, editor de Economia da IstoÉ?
Cinismo + oportunismo = jornalismo
Artiguete de hoje no Globo:
Opinião: Divisão de culpas
POUCOS DIAS antes de passar o cargo de procurador-geral da República, Claudio Fonteles criticou o “manchetismo” da imprensa na cobertura da crise política.
O TEMPO que lhe restava no posto era curto, mas Fonteles poderia ter tomado pelo menos uma medida contra o sensacionalismo da mídia.
BASTARIA TER instaurado uma investigação para todos sabermos por que um procurador, sem provas, pediu a prisão do diretor do Ibama, Antônio Carlos Hummel, na Operação Curupira.
SEM EXIMIR a imprensa de culpas, a manchete da prisão desse alto funcionário do governo federal só existiu por causa da decisão equivocada de um representante do Ministério Público.
CABE LEMBRAR que muito do “manchetismo” dos últimos anos teve por trás um promotor ou procurador interessado em usar repórteres para justificar a abertura de algum inquérito ou apressar o andamento de processos.
Estamos combinados, portanto: é só um procurador ou promotor (ou delegado, deputado, secretária...) falar alguma coisa que os jornalistas publicam. Não precisa checar, cruzar dados...Nem ouvir o(s) outro(s) lado(s) é necessário. É só publicar que o dever profissional está cumprido.
Então tá.
Enquanto isso, no Brasil real...
Mais índios são assassinados sem que nenhuma voz se levante na chamada grande imprensa. Aqui e aqui.
O lado bom
Um dos motivos pelos quais esta Adminsitração desperta ódios tão profundos.
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