30.4.05

 

Axim pode?


   Essa estava na coluna do Renato Maurício Prado de ontem:

      No dia do jogo contra a Guatemala, Robinho ligou cinco vezes para Ronaldo, em Madri. Estava nervoso por ter de jogar ao lado de Romário e pedia conselhos. O Fenômeno, que também teve seu dia de estréia ao lado do Baixinho, acalmou o jovem amigo:

      — Romário é tranqüilo.

      Se vc fizer o seu e deixar ele fazer o dele, vai dar certo.E deu.


   Esperei ver hoje naquele pé da página 2 alguma reprimenda do Luís Garcia, defensor dos bons costumes da língua (mas também só disso) no Globo. Como não há sequer uma menção, quanto mais crítica, devo entender que naum tem problema iscrevê axim nu Globo.

29.4.05

 

Troca na terra de Marlboro


   O DJ Marlboro, que domina na FM O Dia e em uma coluna sobre funk no jornal, está assina-não-assina com a 98 FM, das Organizações Globo. A maior dúvida é se o Extra vai publicar a coluna também.

 

Fui!


   Cláudia Belém deixou a sociedade com Beth Garcia e Sérgio Pugliese na Aproach. Levou seis dos dez funcionários da área de cultura e gastronomia, a qual chefiava, e boa parte das contas.

27.4.05

 

Gestação após os 40


   Se eu fosse paranóico - o que não sou, apesar de todos os que estão conta mim dizerem isso - juraria que foi de propósito. Hoje, exatamente um dia após a Rede Globo completar 40 anos, o Nove-Dedos assinou decreto datado de ontem - ou seja, dia do aniversário de nascimento da Estrela da Morte - criando um grupo de trabalho interministerial que elaborará projeto de lei para regulamentar os artigos 221 e 222 da Constituição Federal (os que tratam da comunicação social), e estabelecer regras para a exploração e organização dos serviços de comunicação social eletrônica no país. Como você talvez se lembre, essa foi a promessa do Lula aos setores democráticos que ficaram frustrados com o naufrágio do projeto de criação da Ancinav, torpedeado pelo lobby das empresas de comunicação capitaneado pelas Organizações Globo.

   O GT terá a representantes de nove ministérios - Casa Civil, Cultura, Comunicações, Fazenda, Justiça, Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Educação, Relações Exteriores e Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica (Secom) - e da Advocacia-Geral da União. A Casa Civil terá dois representantes, um de políticas governamentais e o outro advogado, e a prerrogativa de indicar quem vai coordenar os trabalhos. Para evitar as acusações de que não ouviu a sociedade civil, o GT terá a assessoria de um comitê consultivo que poderá enviar contribuições ao grupo. O comitê será composto por especialistas e entidades do setor audiovisual de comunicação eletrônica.

   O prazo para que o GT envie o anteprojeto à Câmara de Política Cultural e de Política de Infra-estrutura do Conselho de Governo será de 180 dias, prorrogáveis por mais 90, tempo que começará a contar somente após a nomeação oficial dos membros do grupo. Ou seja, GT terá nove meses para gestar o anteprojeto da Lei de Comunicação Social Eletrônica do Brasil. Espero que venha à luz um rebento forte, saudável e, principalmente, muito democrático.

26.4.05

 

Notícia do afro-brasileiro neurologicamente prejudicado - II


   Essa entrou no Globo on line às 17h36:

      Diego não viaja e treina no Flu

      AgÊncia Placar

      RIO DE JANEIRO - Ao contrário do que noticiaram alguns veículos de comunicação, o apoiador Diego, do Fluminense, não viajou para Portugal na última segunda-feira a fim de fazer exames médicos no clube que supostamente o estaria contratando. O jogador participou normalmente do treino da tarde desta terça, fato que, caso Diego tivesse viajado à Europa, não seria possível.

 

Meus 40 anos de Globo


   A Globo completa 40 anos hoje. É um pouco mais nova do que eu e por isso a vi nascer. E dessa época trago uma memória afetiva.

 

Notícia do afro-brasileiro neurologicamente prejudicado


   Essa entrou no Globo on line às 10h15:

      Ecclestone nega participação em assalto ao trem pagador
      Clic RBS

      LONDRES - Bernie Ecclestone, chefão da Fórmula-1, negou ter participado do assalto ao trem pagador, ocorrido em 1960 na Grã-Bretanha. Na ação, os ladrões roubaram cerca de US$ 30 milhões.

      - Não havia dinheiro suficiente para mim naquele trem - brincou Ecclestone.

      Ecclestone revelou ainda que conseguiu um emprego para James assim que ele cumpriu sua pena pelo assalto. Roy James era piloto e amigo do grande campeão Graham Hill.


   Quem? Quê? Quando? Onde? Por quê?

 

Bola dentro


   O Colunista da Rio mandou lá no ângulo com a nota abaixo. É que na matéria sobre a guerra das vans de ontem - e de hoje também - O Globo não quis dar nomes aos bois.

      Guerra das vans

      Esta guerra das vans em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, que já deixou três mortos, põe em campos opostos o vereador Jerominho e um ex-policial civil de nome Mazinho.


   Tá vendo? Não é difícil...

25.4.05

 

O holocausto esquecido


Foi ontem, mas nunca é tarde para lembrar.

 

Ruídos


   Ué, as redações ouvem as faixas da polícia - e dos bombeiros - desde que o mundo é mundo. Os tiras até usam-nas para passar recadinhos aos jornalistas quando estão agastados com algum governo que tente botar um pouco de ordem na casa...Então por que o escândalo quando os bandidos entram nas mesmas faixas? Quem ouve pode falar, desde que tenha o equipamento necessário, oras.

 

Não diga!!!


   Comentários sobre duas notas de hoje do Colunista da Rio:


      Política na TV

      O Brasil já tem financiamento público de campanha. Lula enviou ao Congresso as diretrizes para o orçamento de 2006.

      No documento, a Receita estima em R$ 352 milhões o valor que as emissoras de rádio e TV vão abater no Imposto de Renda, por força da legislação, para abrir espaço ao horário eleitoral.


   Isso ocorre desde o primeiro horário eleitoral gratuito, lá pelos idos dos anos 70. É por essa razão que o apresentadores de tevê fazem muxoxo na hora de falar do horário, mas as empresas nunca realizaram uma campanha contra ele - é um dinheirinho mole que ganham sem fazer o menor esforço. Não precisam nem vender anúncio.

       Por falar em ....

      Pode-se não gostar de Lula. Pode-se não gostar de Lúcio Gutierrez. Mas é correta a decisão do Brasil de conceder asilo político ao ex-presidente do Equador. Em 1964, centenas de brasileiros escaparam da ditadura militar pedindo asilo em embaixadas. José Serra, por exemplo.


   Aqui uma subdivisão:

   1. O Brasil não deu asilo ao ex-presidente do Equador apenas por razões históricas, embora elas pudessem até ser suficientes. O fez porque a Constituição Federal prevê a concessão de asilo em seu Artigo 4, parágrafo X, desde que o candidato não tenha cometido atos previstos na legislação penal comum, e porque o país é signatário de duas convebções internacionais que o obrigam a concedê-lo desde que cumpridas as formalidades previstas. As convenções são a de 1951, da ONU, que estabeleceu o Estatuto dos Refugiados, e a de Caracas, de 1954, da OEA. (valeu, Google!)

   2. O que raios faz José Serra nessa nota?!

 

Biruta (de vento...)


Conselheiro observa:

       Já reparaste na quantidade de notas que o segundo colunista publica do governador de Minas, Aécio Neves?

      É, no mínimo, dia sim outro não.


   O Segundo Colunista - que passarei a chamar de Colunista da Rio, já que a coluna anda tão fraca que já perdeu a posição há muito - realmente tem dado muita atenção ao governador de Minas. Talvez seja porque o PSDB parece estar tentando jogá-lo na disputa em 2006 contra o Nove-Dedos. Antes, o colunista tinha dado a mesma atenção ao Alckmin, de São Paulo, e ao Serra, quando os dois, cada um por seu turno, estavam sob exame tucano. E, claro, FHC nunca foi esquecido, porque sempre é uma opção. Em suma: o Colunista da Rio usa o espaço para lançar balões de ensaio para os peesedebistas ver se algum nome decola para a disputa da Presidência.

24.4.05

 

Santa pergunta, Batman!


   Bento XVI disse que vai manter um diálogo aberto com a mídia. E nem poderia ser de outra forma, né? Afinal, para o bem e para o mal, a mídia é um interlocutor essencial no mundo moderno. Resta, porém, uma pergunta: nos termos de quem esse "diálogo aberto" será travado?

 

Contra o quê mesmo?


   O mesmo conselheiro que analisou a matéria sobre a "fazenda-modelo de Lula", pegou essa:

      Ivson, aí vai a outra do Globo:

      Com a tomada de dois policiais federais como reféns pelos índios de Roraima, não posso deixar de notar a cara-de-pau com que O Globo aproveita para baixar a lenha no governo. Não que o governo não mereça críticas, mas um pouquinho de honestidade e compromisso com a verdade não fazem mal a ninguém. Em sua edição de ontem, o Globo Online abriu a primeira página com as seguintes manchete e chamada:

         Índios exigem presença de Lula para soltar reféns

         Quatro policiais federais estão seqüestrados desde sexta-feira. Índigenas protestam contra demarcação de reserva em Roraima

      Na segunda página, novo personagem na manchete e a repetição da mentira na chamada:

         Índios exigem presença de Lula ou Thomaz Bastos para libertar reféns

         Quatro agentes da PF são mantidos reféns por índios contrários à demarcação da reserva Raposa Serra do Sol em Roraima

      A verdade aparece na terceira página, esta assinada pela Agência Brasil:

         23/04/2005 - 16h35m
         Índios exigem presença de Lula ou de Thomaz Bastos para libertar reféns

         Agência Brasil

         BOA VISTA (RR) - Os índios da comunidade Flechal, que mantêm quatro policiais federais seqüestrados desde a tarde desta sexta-feira, só libertarão os reféns se o presidente Luís Inácio Lula da Silva ou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, forem ao local. A informação foi transmitida pelo secretário estadual do Índio de Roraima, Adriano Francisco Nascimento, que passou a noite na comunidade.

         Segundo ele, o protesto está sendo coordenado pela Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur), uma organização indígena com 48 associados que é contra a homologação em forma contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol.


      No meu parco entendimento, há abissal diferença entre ser contra a demarcação de uma reserva e ser contra a homologação em forma contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, não é verdade?

      Depois, reclamamos de falta de credibilidade. Mas se o próprio jornal se desmente...

 

Garrafa ao mar


   A coleguinha de Rio Verde (GO) Regina Guanaes Bittencourt pede que se alguém souber do paradeiro do também coleguinha Erly Welton Ricci entre em contato com ela por guanaes7@hotmail.com.

 

Olhar latino-americano


   Em cerca de três meses, deverá estar no ar a Telesur, emissora via satélite criada em conjunto pelos governos da Venezuela, Argentina e Uruguai. Com correspondentes no Brasil, na Colômbia, no México, em Cuba, na Argentina, no Uruguai e nos EUA, a nova tevê se propõe a olhar o mundo, em especial a América Latina, com os olhos dos latino-americanos e não com os dos estrangeiros, sendo uma opção às coberturas da CNN e da TVE (da Espanha). A emissora, que tem sede em Caracas e transmitirá 24 horas em espanhol, não conta com a adesão formal do governo do Brasil, mas receberá material da Radiobrás. A Telesur tem uma diretoria internacional da qual faz parte do brasileiro Beto Almeida, da TV Comunitária de Brasília.

   Atualmente, EUA e União Européia controlam cerca de 90% da difusão de informação no mundo, sendo que das 300 principais agência de informação do mundo, 144 são norte-americanas, 80 européias e 49 japonesas.

 

Peta


   Eu ia comentar, com atraso, a manchete de ontem da editoria País d'O Globo, mas um conselheiro se antecipou e a analisou tão bem que apenas vou reproduzir o seu texto:

      Ivson, dê uma olhadinha na matéria Fome na fazenda-modelo de Lula, do Pedro Motta Gueiros, no Globo de hoje. A xxxx (omitido para não denunciar o conselheiro), para variar, aproveita para sentar o pau no governo, junto com a questão do asilo ao Gutierrez. Postei no blog dela o comentário abaixo e, como sei que você adora denunciar essas petas do pessoal da Irineu Marinho...

         "O que acontece com a "fazenda-modelo" é o mesmo de sempre. O Globo é especialista em torcer a realidade. As 450 famílias de sem terra viviam em acampamentos à beira da estrada, ao deus-dará. Hoje tem terras, lavouras, água, mortadela, arroz, feijão, milho, costela farta, emprego, sacolé, coco, cuscuz, acerola, goiaba, caju, bicicletas e bolas, para citar só o que Pedro Motta Gueiros relacionou na matéria. Encontrou cama coberta por colcha azul engomada e com babados e a dona-de-casa enfeitadinha com brincos e batom. Mas isto não é suficiente. Na opinião do Globo, o governo precisa fazer no mínimo um conjunto residencial com água encanada, esgotamento sanitário, energia elétrica e, ao menos, um aparelho de ar-condicionado para cada habitação. Aí, sim, vai poder dizer que esses benefícios foram feitos só para favorecer a turma do MST com o seu, o meu, o nosso dinheirinho, enquanto os favelados aqui da vizinhança continuam roubando, com suas velozes bicicletas, as bolsas de grife das madames no calçadão da Vieira Souto. É a velha história: se é para bater, tanto pode ser pelo que fez como pelo que não fez..."

22.4.05

 

O Tuta da Casa Branca


   Conheça Mr. Richard Armitage, subsecretário do Departamento de Estado dos EUA, que tem na diplomacia um estilo semelhante ao do artilheiro do Flusão num campo de futebol.

 

Cara-de-pau


   Você acha que um colunista de jornal é aquele sujeito que lê com atenção se não o jornal inteiro, pelo menos as manchetes de página, não é? Ah, tolinho/a...Isso pode acontecer em outros jornais, mas n'O Globo não. Mais uma prova dessa pouca importância dada à informação correta e bem apurada é fornecida hoje na coluna publicada na Editoria Rio (página 12). Lá está escrito que o partido Pachakutik tem " elos antigos" com o PT e "apoiava o presidente deposto Lúcio Gutierrez, do Equador".

   Pois veja o que saiu escrito ontem na página 27 do mesmo jornal, no quinto parágrafo da matéria "Equador: presidente cai, crise fica", manchete da editoria Mundo:

      (...)Com 62 votos, de um total de 100 membros do Parlamento, a oposição, liderada por Partido Social Cristão, Esquerda Democrática e Pachakutik (um dos principais movimentos indígenas do país), derrubou o governo".

   Na boa, não sei como é que alguém pode botar a cabeça no travesseiro e dormir tranqüilo sabendo que está abusando, conscientemente, da boa-fé de milhares de pessoas. E esse colunista ainda critica muito os políticos...

21.4.05

 

Suspiro de alívio



   Os últimos grupos de credores da Globopar aceitaram hoje a reestruturação da dívida de cerca de US$ 1,2 bilhão proposta pela holding dos Marinho. O próximo passo será a realização de um "leilão reverso" - no qual novos papéis com diferentes deságios serão oferecidos - que deverá levar a um abatimento de alguma coisa entre 30% e 50% da dívida, o que significa algo em torno de US$ 400 milhões. Outra parte da operação será trocar bônus que estão vencidos - a holding está em moratória desde 2002 - por outros cujos vencimento variam de 2005 a 2012, com concentração de amortizações entre 2009 e 2011. Esses papéis estão garantidos pela Globopar e pela Rede Globo.

 
De canela

   Trabalhar no Globo acaba influindo mesmo nas melhores cabeças. Tereza Cruvinel, por exemplo, dá de canela hoje. A colunista, a quem admiro pela análises em geral lúcidas e agudas, dá duas caneladas horrorosas hoje:

   1. Passa à frente a análise de FHC (quem mais?) de que as populações indígenas da América do Sul poderá ser "fator de instabilidade" política para a região;

   2. Confunde os índios cocaleros com narcotraficantes.

   Isso mostra como a ideologia da casa acaba penetrando na mente mesmo dos bons jornalistas. Claro que as populações indígenas serão fator de instabilidade política na América Latina (e não só a do Sul não). Os caras são massacrados há 500 anos e FHC e Tereza acham que nunca iriam reagir? Eles são maioria em quase todos os países andinos e querem influir nos destinos deles. É assim que funciona um negócio chamado democracia.

   Quanto a botar a culpar os índios cocaleros pelo tráfico de cocaína, Tereza teria que apontar o dedo primeiro para o Lavoisier. Afinal, ele é o "pai da química", ciência que permitiu tirar um entorpecente de uma planta medicinal usada há milênios nos altiplanos dos Andes e que já fazia parte da cultura local antes dos incas.

 
O hábito faz o leitor

   Conselheira de BSB ficou pasma com a coluna de ontem do companheiro Gáspari:

      Oi, Ivson, um desavisado que leia a abertura (ou a chamada) do Elio Gaspari de hoje vai pensar que a política externa do Lula tá um caos. Não sei porque insisto em ler esse cara ...

   Creio que a resposta é hábito. De meu lado, o combato usando um estratagema: leio a abertura da coluna do companheiro. Quando vejo que ele vai fazer uma crítica mais consistente - geralmente calcada nas análises de seus amigos José Serra e Delfim Netto -, vou em frente. Quando saco que é só campanha tucana contra a Administração, viro a página. Fica a dica.

19.4.05

 
Será o Benedito? - III

   Lembra do Intrade, aquele site de apostas via web mencionado outro dia no artigo do coleguinha americano John Tierney? Pois é. Os caras acertaram de novo: o Ratzinger era favoritaço.

 
Será o Benedito? - II

   O mais gozado é que os veículos de comunicação pintaram o Ratzinger como um demo reacionário - no que tinham razão, ele é mesmo - por ter determinado o silêncio total dos cardeais durante a votação, aliás uma decisão das mais óbvias. No fim, a mídia teve que dar graças a Deus por a decisão ter sido rápida. Imagina a tortura dos coleguinhas com uma semana de fumaça preta?

 
Será o Benedito? - I

   Conselheiro está admirado como o mundo da mídia dá voltas rápidas:

      Talvez mais admirável que toda a campanha de imprensa para tornar a morte de JP II um Rock in Rio e transformá-lo num santo seja a tentativa de tornar Ratzinger algo palatável. As voltas que o Jornal Nacional deu para explicar a participação dele no exercito nazista foram comoventes.

 
Ligadão

   Boa análise de mestre Nelson Vasconcelos publicada no Globo de hoje.

 
Tá lá, no placar!

   A Globo já está vendendo os jogos do Brasileirão de 2006 para o exterior, mais especificamente para a Ásia. A Estrela da Morte pode fazer isso graças ao contrato assinado no fim do ano passado com o Clube dos 13, que prevê ainda exclusividade para a emissora sobre qualquer tipo de empacotamento de conteúdo que envolva os maiores clubes brasileiros.

18.4.05

 
Menos, colunista, menos

   Confesso que em pleno idílio tricolor não fiquei prestando atenção em coluna assinada por rubro-negro. Mas tenho conselheiros atentos e um deles pegou essa:

      Salve,

      Talvez vc tenha se incomodado com a primeira nota do Ancelmo de hoje, tanto quanto eu:

         Menos, Lula, menos

         Lúcio Gutiérrez, o presidente do Equador que fechou a Suprema Corte, já foi elogiado por Lula como exemplo de líder de esquerda devoto da democracia.

         Foi, acredite, na OAB no dia 19 de dezembro de 2002 quando o então presidente eleito anunciou o nome de Márcio Thomaz Bastos para a pasta da Justiça.


      É de doer. Vale comparar com outro elogio, muito mais aberto, fraterno, feito por FH a Kissinger. Está em artigo do Arbex na Caros Amigos: http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed97/jose_arbexjr.asp

   Kissinger, como se sabe, é considerado, por alguns historiadores latino-americanos, como um dos maiores genocidas do século passado na região, devido à política externa norte-americana implementada por ele, que entre outras ações, contou com o planejamento e execução de golpes de estado no Chile e na Argentina e suporte político e operacional à Operação Condor, que uniu as ditaduras do Cone Sul num consórcio de assassinatos de militantes que não concordavam com o fim da democracia na região.

 
Par ou ímpar

   Depois de ouvir o zagueiro Antônio Carlos, herói de mais um épico tricolor, o repórter do Sportv, conhecido por adorar citar estatísticas, vira-se para câmera e manda:

      - Esse foi Antônio Carlos, herói do trigésimo título estadual do Fluminense. Coincidência ou não, o décimo conquistado em anos ímpares.

   E os outros 20, foram conquistados em anos o quê, hein?

17.4.05

 
Gastos vilanescos

   Conselheiro manda interessante atalho que mostra que ainda existem jornalistas equilibrados no páis:

      Oi Ivson, quem escreve é um leitor antigo seu, que recentemente voltou a ler o seu blog, está lembrado?

      Saiu uma matéria na Folha Online que deve interessar a você. Pela primeira vez, que eu lembre, um jornalista de um grande veículo fez uma crítica a essa "vilanização" dos gastos de custeio do governo, que tem sido feita pelo Globo.

      O texto é do Kennedy Alencar, e o endereço é http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/brasiliaonline/ult2307u47.shtml

      Linkei o seu blog na minha lista. Abraços,


16.4.05

 
Desculpas históricas - II

   Dona Míriam faz bonita coluna em favor do pedido de desculpas do Lula aos africanos (um papo dela com os editorialistas do Globo seria interessante). No entanto, lá pelas tantas ela informa que um cara de 32 anos, "bem-informado e inteligente", diz que os brasileiros nunca escravizaram ninguém e por isso a fala do presidente estaria incorreta. Com a devida vênia, Dona Míriam, um brasileiro de 32 anos que afirma isso, pode ser muita coisa - racista, por exemplo -, mas não é bem-informado e muito menos inteligente.

 
Desculpas históricas- I

   Tem vezes - raras, mas tem - que à vontade de vomitar ao ler os editoriais grandes e pequenos do Globo se sobrepõe a admiração profissional pela maneira com os editorialistas da empresa conseguem torcer os fatos para que caibam nas visões do jornal. Hoje há um caso desses. Está na página 10, no artiguete que comenta sobre o pedido de perdão do presidente Lula ao povo africano pela escravidão de mais de 350 anos.

   Como o post ficou grande, a continuação foi para a Pensata.

15.4.05

 
Muda o ângulo do fotojornalismo

   Artigo de Christian Cajoulle, fundador e diretor da agência e da galeria VU, de Paris, para o Le Monde Diplomatique. O autor crê que o fotojornalismo deixou de ser privilégio de jornalistas profissionais com o advento das câmeras digitais.

 
América de verdade

   A coleguinha Heloísa Galvão reside em Boston e resolveu contar como é a vida de onze mulheres que foram tentar a sorte na terra dos Bush quando aqui reinava Collor I, de triste memória. O livro "As viajantes do Século XXI" sai pela H. P. Comunicação Editora.

 
Cinqüentona

   A Coleguinhas chega aos 50 assinantes, ficando em 736º entre os 19.784 sites inscritos no Bloglet. Gratíssimo aos amigos e amigas pela companhia e pela paciência.

14.4.05

 
"Condenados pela História"

   É o título da análise de Gustavo Barreto, da consciencia.net, sobre matéria do Globo de hoje a respeito da condenação de uma jornalista venezuelana por difamação.

 
Boiando

   Conselheira atentíssima pegou essa na internet (o post é de ontem, às 14h58)

      Oi, caro.

      Às vezes fico impressionada com a soberba dos grandes jornais - todos eles. Hoje, no GloboOn, está uma chamada para o blog do Jorge Bastos Moreno, dizendo que Fernando Morais vai escrever a biografia de Paulo Coelho. Tchã tchãn!
      No texto, o colunista ainda diz:

         
"Acabo de saber que você vai escrever a biografia de Paulo Coelho. É verdade? Conte-nos isso, por favor."

      Pois até os camelos do deserto já sabem disso, desde que Cassiano Elek Machado noticiou isso na Folha de S. Paulo, em matéria do dia 1º de abril:

         
"Ele já perfilou o "mago" da imprensa, Chatô, o "mago" da publicidade, Olivetto, e tem sempre em mente um projeto de biografia do "mago" da política, Antonio Carlos Magalhães, mas é o mais "mago" de todos o próximo alvo de Fernando Morais. O escritor fechou no começo deste ano com a editora Planeta e inicia ainda em abril uma biografia do "mago" das letras, Paulo Coelho."

      Na boa? Eu teria vergonha de ter um colunista que diz que "acabou de saber" uma notícia que o Brasil já sabe e já comentou (li isso em sites e em outros jornais) há quase 15 dias.

 
Paris, toujour Paris

   Sem levantar-me da cadeira, em menos de cinco minutos, apurei o que os ministros de Estado e o presidente do BNDES foram fazer em Paris (post abaixo). Estão lá para participarem do Fórum Econômico França-Brasil, promovido pela Câmara de Comércio França-Brasil, pelo Movimento de Empresas Francesas (uma organização privada que promove contatos entre empresas gaulesas e estrangeiras) e pela brasileira Confederação Nacional da Indústria (programa aqui, em francês e pdf).

   A roteiro da navegação: achei a agenda de um dos personagens da nota do Ancelmo Góis (no caso, Guido Mantega). Lá dizia que ele estaria no Fórum. Googlei "Ano do Brasil na França" e achei uma lista dos eventos no belo site Parisiando, da coleguinha niteroiense radicada na Cidade-Luz Fernanda Levy. Simples assim.


 
Gerador de notas 2.0

   Um aviso aos estudiosos que criaram o Gerador de Notas (post abaixo): está na hora de lançar a versão 2.0, pelo menos para a coluna do Ancelmo Góis. Apesar de a versão 1.0 ainda ser operacional (tanto que seu uso pode ser visto na edição de hoje), ela precisa ser melhorada com um módulo de "maledicência jornalística com objetivos políticos".

   Detectei essa necessidade há dias, mais precisamente em 5 de abril, quando numa nota - "Serra é Mercadante" - o colunista diz que José Serra tinha virado cabo eleitoral de Aloísio Mercadante e João Paulo Cunha por suas denúncias contra a Adminsitração Marta Suplicy. Nada demais a princípio, exceto que, na mesma semana, a IstoÉ apresentava matéria de capa sobre as denúncias e, na página 30, afirma também que o dois cardeais petistas se beneficiam das "dificuldades de Marta". Como não creio em coincidência, fiquei com a pulga atrás da orelha.

   Hoje, porém, vi que o Gerador de Notas - de cuja criação só soube depois do dia 5 - precisa incorporar o módulo que mencionei acima. A nota "Paris é uma festa" só se explica como maledicência jornalística com fins políticos:

      Paris é uma festa

      Com a temperatura amena, na faixa dos 12 graus, Paris recebe as simpáticas visitas dos ministros Furlan e Paulo Bernardo, além de Guido Mantega, presidente do BNDES. Boa estada.


   Então, dois ministros de Estado da área econômica e o presidente do maior - se não único - banco de fomento estatal do país estão em Paris. Certo. E o que estão fazendo lá, que mal pergunte? Estão de flosô? Se estiverem é dever do jornalista denunciá-los com as indespensáveis provas. Mas e se estiverem na Cidade-Luz a trabalho? Representando o país em alguma solenidade - já que é Ano do Brasil na França, como o colunista certamente sabe - por exemplo? Ou se tiverem viajado para a capital francesa tentando manter e ampliar o excelente desempenho do comércio exterior do país nos últimos tempos? É assim, com viagens e conversas oficiais com altos funcionários de um país, que se assinam convênios e contratos que abrem mercados e garantem empregos. E se estas duas últimas possibilidade forem as corretas, como fica então a honra e a imagem públicas desses servidores públicos? Ok, é pergunta acadêmica para alguns jornalistas, mas gosto muito desse tipo de questão, pois nos obrigam a pensar, não é?

13.4.05

 
Quanto mais o pessoal reza...

   Artigo legal do coleguinha do NYT, John Tierney, publicado hoje n'O Globo, sobre mais uma fonte de informação heterodoxa surgida para atormentar a vida dos coleguinhas mais chegados a uma sombra com aguinha fresca. O site a que se refere o texto é esse (a Coleguinhas avisa: visitar esse site pode fazer mal a quem tiver problemas com jogo)

 
Santa e pecadora

   Para quem estiver interessado na história da Igreja sugiro "Tu és Pedro", de Georges Suffert (Ed. Objetiva). O autor é católico conservador, francês, e escreve no Le Figaro. Essas características fazem com que o texto seja fácil de ler, mas que, no fim, descambe visivelmente para a idolatria ao falecido JP2. Fora esse senão - e a tentativa de desqualificar as acusações de colaboracionismo de Pio XII com os nazistas - o livro é realmente uma boa biografia da "Ecclesia Mater, sancta et peccata".

12.4.05

 
Voto de silêncio

   Finalmente algo interessante em Roma. O post, porém, ficou enorme e foi parar na Pensata.

11.4.05

 
O rabo que balança o elefante

   Márcio Pochmann, respeitável economista petista que só é citado (principalmente pelo companheiro Gáspari) quando fala mal da atual Administração, coloca em perspectiva a cruzada anti-pobres de veículos de comunicação, disfarçada em protesto contra o aumento de gastos do governo (exemplo desse tipo de enfoque está hoje na primeira página do Globo).

 
Gerador de notas

   Stanislaw Ponte Preta sempre advertia que o problema começa quando algo descamba para o "perigoso terreno da galhofa". Pois parece que é o que está ocorrendo com as colunas. Um coleguinha recebeu o seguinte emeio:


      As novidades andam escassas ultimamente no "planeta Leblon-Ipanema". Logo, para facilitar a vida de nossos amigos colunistas de cada dia, criamos o...

      FAÇA VOCÊ MESMO SUA NOTA DE COLUNA DO ANCELMO/JOAQUIM FERREIRA (seu leitor nunca saberá a diferença)

      - Escolha um bar da Zona Sul, em especial um que seja batizado com algum nome morto da MPB (não é obrigatório, mas tem que ser da Zona Sul; no máximo o Capela).

      - Fulano de tal, do (Bracarense, Jobi, Belmonte ou qualquer outro bar que faça pendura para jornalista e que seja da Zona Sul) está fazendo sucesso com seus quitutes tais (qualquer iguaria de fácil confecção, mas faça parecer a recente descoberta da cuisine francesa, caso contrário o colunista e seus amigos da editoria de cultura não vão poder desfrutar da permuta).

      - Os frequentadores da casa batizaram a iguaria de (fazer alguma piada com algum político cuja administração vai mal, ou citar algum personagem da novela das oito ou a Daniela Cicarelli).

      - Observações: ao se referir ao garçom use adjetivos desgastados pelo tempo, daqueles que remetem o leitor a um Rio de Janeiro que só existe na cabeça do Walt Disney, exemplo: bamba, boa-praça, mestre (quando estivermos falando de Chico Buarque).

      - Alternativas para outros assuntos incluem: Frutos da árvore de alguma esquina da Visconde de Pirajá ou Ataulfo de Paiva; Cocô de cachorro na calçada de alguma dessas duas ruas; Eventos "incomuns", como assaltos, e ... cocôs de cachorro, em alguma dessas duas ruas.

      Abraços,
      Eduardo Dantas/ Antonio Bastos

10.4.05

 
Estágio em ONG

   A Casa da Cultura - Centro de Formação Artística e Cultural da Baixada Fluminense seleciona estudante para estágio na assessoria de imprensa e comunicação da entidade. É preciso estar cursando o 3º ou 4º período de jornalismo ou relações públicas. O/A selecionado/a deverá atualizar e supervisionar a confecção do site da instituição, auxiliar na produção de programa de rádio comunitária, produzir releases para a imprensa, auxiliar na comunicação interna e atuar como assistente em produção de eventos.

   A carga horária é de 16 horas semanais e a organização oferece refeição, auxílio para transporte e cursos. Será dada preferência para quem mora na Baixada Fluminense. As pessoas interessadas devem enviar currículo para comunicacao@casadaculturabaixada.org.br, colocando “Oportunidade de estágio” no campo de assunto da mensagem.

 
Dora em direção à cumeeira

   A colunista Dora Kramer está subindo no telhado do prédio d'O Dia. A coluna dela, além de ser cara, não atende ao perfil nitidamente popular a ser implementado por Eucimar Oliveira, que, também, não é muito chegado à política. Pelo menos não como editoria.

8.4.05

 
O golpe de estado de 2012

   Uma ficção política que se passa na América, mas não a do Sul...

 
Foi para o trono

   O texto de mestre Perseu Abramo Significado político da manipulação na grande imprensa é tão seminal que resolvi fixá-lo aí do lado, junto com Sobre o óbvio, de Darcy Ribeiro.

7.4.05

 
Mais atalhos

   Dei um gás nos links. Espero que sahib goste.

 
In vino, non veritas

   Conselheira me mandou essa há dois dias, mas só agora tive tempo de postar com a dignidade que a nota merece:

      Saiu no Eu& do Valor de hoje [NR: dia 5 de abril] uma inacreditável entrevista com o documentarista americano Jonathan Nossiter, que balançou Cannes com seu documentário Mondovino, considerado o Farenheit 9/11 do mundo dos vinhos. Eu sabia que o Nossiter vive no Brasil porque li no blog da xxxx [NR: Se publicar o nome da blogueira poderia abrir a identidade da conselheira]. Mas não acredito que seja informação disseminada - ele, afinal, não é nenhum Calvin Klein ou Naomi Campbell. Pois o tal Jorge Lucki, articulista de vinhos do Valor, faz um abre e não fala nada. Faz um pingue-pongue com o Nossiter, e nada. Na última pergunta, o Lucki manda: e um novo longa-metragem? Aí é que o diretor conta que casou-se com uma paulistana, Paula Prandini, que está para parir gêmeos a qualquer momento, e que ele mora no Rio!

      Por que ele veio para cá? Por que se fixou aqui a ponto de ter filhos brasileiros, e cariocas? Mistério. O Lucki não achou importante. Acho que se o Nossiter não citasse isso, o leitor do Valor nem sonharia que o cara mora no Brasil.

5.4.05

 
Rádios públicas têm encontro em BSB

   Começa amanhã, dia 6, e vai até quinta o IV Encontro Latino-americano de Rádios Nacionais, promovido pela Radiobrás e pela Associação de Rádios Nacionais de Serviço Público da América Latina (Arnaspal). Entre os principais temas em discussão no encontro estão a crise do rádio informativo e do jornalismo interpretativo na sua programação; a rádio pública como instrumento para o desenvolvimento e a cidadania; rádio pública como alternativa no contexto midiático e a radiodifusão púbica a serviço da sociedade e não de grupos políticos. Mais informações pelo telefone (61) 224-9173 e pelo emeio presidenciaarnaspal@radiobras.gov.br.

 
Dever de casa

   Lição para ser sempre lembrada do também inesquecível mestre Perseu Abramo.

 
Ilusões miríacas

   Comovente a defesa que a Dona Miriam faz dos malandros que arrumaram uma grana preta no Caso Caso Marka-FonteCindam . A meritíssima juíza Ana Paula Vieira de Carvalho deveria ter ouvido a colunista do Globo. Quem sabe a coleguinha pudesse ter convencido a magistrada de que o que aconteceu na verdade não aconteceu? Que o sumiço de R$ 1,5 billhão dos cofres públicos foi apenas uma ilusão de ótica operada pelos amigos da Dona Miriam que na época eram os responsáveis pela economia brasileira?

4.4.05

 
Chávez na mira

   Não só não estão escondendo mais, como até dão entrevistas sobre o assunto. Agora se entende melhor aquele rompante do Nove-Dedos outro dia...

 
A última a saber

   Conselheiro estava na frente da tevê quando desta passagem:

   Sábado, pouco antes das 17h, Fátima Bernardes entra no ar em um plantão da TV Globo para informar a morte do Papa. São exibidas imagens da vida de JP2 e em seguida Fátima chama a correspondente no Vaticano, Ilze Scamparini. A repórter começa um daqueles seus textos tradicionais onde descreve, chorosa, as imagens da telinha "as bandeiras tremulavam na praça de são pedro, as pesoas comovidas rezam...". Até que Fátima resolve interromper aquele lero-lero com uma pergunta direta:

   - Ilze, como foi o anúncio da morte do Papa?

   - Não sei. Estava com os jornalistas quando todo mundo saiu correndo e não vi nada. E vocês, como souberam por aí?

   - Soubemos pelas agências internacionais - respondeu Fátima, secamente, e continuou da mesma forma - A qualquer momento voltaremos com novas informações sobre a morte do papa...


   No dia seguinte, William Bonner estava no Vaticano.

3.4.05

 
Cheiro de nepotismo n'O Globo

   A Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro concede desde 1967 (e sem interrupção desde 1976) o prêmio Golfinho de Ouro à personalidades que se destacam em diversos campos da Cultura. No setor da Comunicação, o agraciado deste ano foi o colunista do Globo, Merval Pereira. Até aí nada demais. Exceto que a assessora de imprensa da Secretaria de Cultura chama-se Camila Pereira, que vem a ser irmã do premiado. Se fosse o Severino Cavalcanti, seria matéria de primeira página, mas como foi com um dos próceres da casa, O Globo não deu nem uma nota sobre o assunto - a fotolegenda sobre a solenidade de entrega da láurea, publicada na página 16 da editoria Rio no dia 31 de março, só mostra dona Lily Marinho recebendo o prêmio Estácio de Sá, que homenageia as pessoas jurídicas, em nome do Globo.

   Outro ponto interessante é que, ano passado, a então editora do Prosa&Verso, Cecília Costa foi demitida por ter aceito o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, que é presidida pelo marido dela, Ivan Junqueira. Mais uma questão: Cecília, depois de pega em flagrante, devolveu os R$ 40 mil de prêmio e Dona Lily doou os R$ 60 mil do Estácio de Sá a uma obra social do governo do Estado do Rio. Merval, porém, ao que conste, não doou o prêmio, nem o devolveu. Vejo duas possibilidades para a diferença de atitude:

      1. As relações de parentesco não foram flagradas no caso do articulista;
      2. O Globo, por intermédio de Dona Lily, pode prescindir do prêmio. Merval não. Afinal, os condomínios dos apartamentos do colunista na Viera Souto e em Manhattan devem ser realmente altíssimos.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Assinar Postagens [Atom]