31.3.05

 
Novo terremoto também n' O Dia

   Não demorou muito para a chegada, em força, poder e glória, de Eucimar Oliveira a O Dia provocasse problemas nas altas esferas. Marcos Pinto da Cruz, diretor-executivo e segundo em comando no grupo, abaixo apenas da diretora-presidente Gigi Carvalho, pediu afastamento do cargo por discordar das decisões que o novo diretor editorial de mídia impressa tomou em relação à redação. A gota d'água teria sido a intenção de Eucimar de tirar uma titular de coluna.

   "Odiólogos", porém, crêem que o pedido de afastamento é uma tentativa de Marcos de brecar a força de Eucimar, que tem sido irresistível. É jogada de risco porque, se der errado, o recém-chegado diretor ficará ainda mais poderoso. O primeiro efeito foi favorável a Eucimar: o nome de Marcos já não apareceu no expediente de hoje.

   Vamos ver no que dá.

 
Educação, ainda viva e chutando

   Como a notícia não recebeu destaque na grande mídia - isso quando chegou a ser publicada - aqui vai ela, pois creio que é de interesse público.

30.3.05

 
Edição exemplar

   Exemplar a edição do Globo de hoje. No sentido de ser um exemplo de como se passam mensagens subliminares ao leitor.

   Na página 3, há mais uma matéria atacando os supostos altos gastos do governo. Nela, merecendo o destaque de um "olho" há fala do empresário - presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) - e deputado Armando Monteiro Neto se queixando que a tal elevação de gastos "ocupa o espaço dos investimentos no sistema logí­stico e de infra-estrutura , das estradas, dos portos". Assim, para o deputado - e para o jornal que dá destaque a essas palavras - gastos públicos com esses setores não são gastos, são investimentos.

   Então o que estaria ocasionado a "gastança" - expressiva e antiga palavra tirada do limbo pelo competentes editores do veíÃ?­culo - lembrada mais uma vez pelo jornal dos Marinho no artiguete da capa da parte de Economia? A resposta está na página 12. A manchete dela dá conta que o ministro da Fazenda diz não ter dinheiro para bancar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb), cujo quilométrico nome é auto-explicativo. Não há protesto algum - mesmo que indireto - por parte do jornal sobre a ameaça de a Educação ser, mais uma vez, escanteada com a desculpa da falta de grana.

   Assim, o leitor do Globo é doutrinado a acreditar que dinheiro aplicado em demandas sociais são desperdíÃ?­cio de dinheiro público. E este objetivo é atingido sem que, em nenhum momento, o jornal assuma a sua posição de maneira clara, direta e franca. Dessa maneira, fica livre para, por exemplo, protestar contra o caos na saúde, a falência do ensino público ou a falta de segurança, como se esses problemas não fossem causados diretamente pelas escolhas de investimento do dinheiro público que o veí­culo defende.

29.3.05

 
Respeito não tem idade

   Acho que já escrevi, mas vai de novo, por valer a pena: há algum tempo, a revista Megazine é das poucas coisas boas do jornalismo carioca. A publicação para adolescentes do Globo trata a inteligência de seu público-alvo com um respeito que o resto do jornal deveria ter com a dos mais velhos. Megazine não faz mais do que permitem os limites ideológicos, políticos e mercadológicos do principal jornal da família Marinho, mas também não faz menos. Prova que o jornalismo sério e decente é possível desde que se tenha talento e vontade para praticá-lo.

 
Sonhos não envelhecem

   Há 15 anos, junto com mais dois ou três colegas da então diretoria do sindicato, cheguei a conversar com dois especialistas da FGV sobre a criação de fundo de pensão só para os jornalistas. A curta visão política de outros membros da mesma direção acabou por abortar o processo praticamente no nascedouro.

   Mas boas idéias são dificeís de matar, certo? Daí recebo com enorme satisfação a mensagem abaixo, na qual vejo muito próximo a concretização desse sonho. Embora, por já pertencer a um fundo de pensão estatal - nem de longe tão poderoso quanto a Petros, mas também sólido - muito provavelmente não vá aderir ao fundo, dou meu total a apoio a ele e aconselho a todos os colegas, mesmo os mais jovens, a aderir. Ao longo de três anos como assessor do sindicato, vi casos dolorosos de colegas veteranos, alguns com passado de chefia, tendo que pedir dinheiro emprestado à entidade para comer. Por isso, mesmo que você seja um menino ou menina na casa dos 20 anos, preste atenção a este processo, interesse-se por ele porque é o seu destino que está em jogo. Afinal, lembre-se que aos 40 anos, jornalista já é considerado velho e acabado pelos patrões.

      Os jornalistas brasileiros deverão se juntar este ano em um plano nacional de previdência complementar, com rentabilidade bem superior aos planos privados que somos forçados a buscar nos bancos comerciais. Em reunião de sua diretoria e do Conselho de Representantes neste feriado em Brasília, a Fenaj apresentou aos 31 sindicatos filiados o resultado de dois anos de estudos sobre o assunto. Tudo caminha para a formação de um fundo administrado pela Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, um dos mais seguros do país, com 270 mil pessoas, patrimônio de R$ 21 bilhões e 33 anos de compromissos pagos pontualmente.

      Os estudos mostram que a Petros apresenta uma perspectiva de rentabilidade bem maior do que a de outros bancos e fundos de pensão. Para aderir, será obrigatório um tempo mínimo de filiação ao sindicato. Não perca tempo. Se você está interessado, fique ligado nos nossos informes e acesse sempre o nosso site www.jornalistas.org.br. Em breve teremos um encontro com um especialista no assunto em nosso auditório para tirar as dúvidas.

      O sindicato de Brasília está fazendo as últimas consultas a outros bancos e fundos de pensão para que não reste dúvida sobre o melhor caminho. Todos os 31 sindicatos do país estão juntos neste esforço. É fundamental que o processo seja liderado pela Fenaj para que o fundo congregue o maior número possível de jornalistas. Quanto mais integrantes, maiores serão o patrimônio, a capacidade de investimento e o retorno das aplicações. Se fôssemos criar um fundo só no Rio, o patrimônio seria bem menor, assim como a rentabilidade.

      É importante ressaltar que nossa luta por uma previdência pública de qualidade para todos continua. Nada ameaça mais o futuro do trabalhador do que a quebra insistente do direito à aposentadoria pública de qualidade. Mas não podemos cruzar os braços e deixar os jornalistas que representamos à deriva diante do furacão. Temos de nos proteger nesses tempos inóspitos para a aposentadoria pública.

      Além de representar uma grande vantagem para cada jornalista, a articulação nacional dos jornalistas profissionais, que ganhará corpo com uma ampla campanha de valorização da profissão (outra decisão das reuniões de Brasília), abre perspectivas sem paralelo para a conquista de melhorias das nossas condições de trabalho.

      Não fique só. Fique sócio!

      Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

27.3.05

 
Iraque, os primeiros dois anos da guerra sem fim

   Coleguinha argentino mostra, num texto pequeno e direto, como é a vida no protetorado americano, dois anos depois da invasão.

 
Quando nós somos os imperialistas

   Depois da Petrobras estar ao lado das multinacionais para ter o seu quinhão no gás da Bolívia, agora os brasileiros são acusados de violar direitos humanos no Haiti. Não custa lembrar que o comandante das tropas de intervenção recebeu o tal prêmio "Faz a Diferença" do Globo.

25.3.05

 
Oxford contra o sensacionalismo

    Oxford vai criar um Instituto de Jornalismo para tentar combater o sensacionalismo e/ou o celebrismo que estão matando a credibilidade da imprensa. Dois comentários:

    1. Onde ficam aqueles que, no Bananão, acham que jornalismo não é assunto digno de estudos superiores?

   2. Na Inglaterra, a iniciativa da multicentenária instituição de ensino recebeu o apoio dos melhores órgãos da imprensa. Aqui isso seria difícil porque os tais melhores órgãos de imprensa do Bananão são exatamente os que exploram o sensacionalismo.

21.3.05

 
Professores debatem formação
e responsabilidade dos jornalistas


   De 21 a 24 de abril estará sendo realizado, em Maceió, o 8º Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, cujo tema-base tem tudo a ver com o momento: "Formação e Responsabilidade". O encontro é promovido pela Universidade Federal de Alagoas e pelo Sindicato dos Jornalistas do estado nordestino. Mais informações em www.8forum.ufal.br.

 
JN x Chávez

   O vigilante Gustavo Barreto, da consciência.net, mostra como o JN joga sujo contra o presidente da Venezuela.

   Aliás, quem admirar o trabalho da galera da consciencia.net pode ajudar sem grande esforço. É só doar R$ 12,00/ano (doze "real" por ano) para ajudar a manter o site.

19.3.05

 
Saída à argentina

   As Organizações Globo estão, aos poucos, mas solidamente, equacionando suas dívidas. Como está hoje nos jornais, 75% dos credores aceitaram a proposta de renegociação da dívida da Globopar, empresa que reúne a maior parte das operações do grupo, com exceção das de tevê aberta, rádio e jornais (estas são controladas diretamente pela Família Marinho). A adesão foi uma surpresa muito agradável para o Império, pois se esperava que a reunião do dia 17 fosse pró-forma. Nela seriam apresentadas apenas a proposta final de reestruturação, mas como ela, na prática joga para as calendas o pagamento de cerca de US$ 180 milhões vencidos em 2004 da dívida da empresa - calculada em torno US$ 1,3 bilhão -, não se acreditava que muitos credores as aceitassem. A meta era aprovar a reestruturação numa outra reunião, quando o quórum cairia para 25% dos credores.

   A surpreendente adesão dos credores se deve ao resultado da renegociação da dívida da Argentina - que as empresas de mídia do grupo Globo gostam de chamar de calote - com a qual a reestruturação da Globopar tem fortes semelhanças em seus fundamentos. Assim, como a Argentina, a holding dos Marinho declarou moratória em 2002 e sentou-se à mesa de negociações com propostas que levariam a perdas para os credores, seja por recompra dos papéis com deságio, seja por significativo alongamento da dívida com juros menores.

   A princípio, como era de se esperar e ocorreu com os argentinos, os credores rebarbaram as propostas, mas, aos poucos, e vendo que acabariam ficando um king-kong na mão, foram cedendo, assim como aconteceu na negociação com "los hermanitos". Da mesma maneira que eles, os Marinho devem obter uma tremenda redução da dívida total - analistas acreditam que dos US$ 1,3 bilhão virarão pó entre US$ 300 milhões e U$ 400 milhões, ou seja, entre um quarto e um terço da dívida original. O resultado da operação mesmo só deve ser totalizado mesmo lá para junho e o que sobrar da dívida será paga, com juros camaradas, até 2012.

   Na verdade, os Marinho foram até mais felizes que o presidente Kirchner na renegociação.. É que o Marty Feldman portenho ainda terá que se ver com o FMI, enquanto que os cidadãos kanes brasileiros, pelos termos das propostas já aceitas pelos credores, terão ampla liberdade para gerir suas empresas. Os credores não participarão da gestão delas, nem mesmo haverá uma meta para EBITDA. Só há, a rigor, uma exigência: geração de caixa maior que US$ 75 milhões, o que está longe de ser um absurdo para uma holding com tal domínio de mercado.

   Assim, no fim das contas, o que resta agora aos Marinho é enviar um agradecimento ao presidente Kirchner e ao povo argentino. Sem eles, cortariam um dobrado muito maior para se safar da bancarrota.

 
Dona Míriam recupera a fala

   Alvíssaras! Dona Míriam voltou ao bom combate pelas cotas para os negros na universidade!

   Agora é esperar que o Ali Kamel não a mande calar a boca de novo. Não deve acontecer porque se Dona Míriam voltou a escrever sobre o assunto é porque foi liberada pelas altas esferas da redação. Mas se ele insistir, espero que ela o mande ir lamber sabão e pregar noutra freguesia.

18.3.05

 
Zorra Total - II

   Conselheira comenta a Folha:

      Você tem dado uma passeada no "Erramos" da Folha de S. Paulo? É impressionante a mostra de falta de apuração e de (in)formação dos repórteres, revisores ou quem mais veja as matérias antes de liberar.

      Exemplos:

      Diferentemente do publicado na matéria "Imigrantes se trancam em protesto pacífico em Barcelona" (Mundo - 12/03/2005 -21h16), quem nasce na Índia é indiano, não índio.

      Diferentemente do informado na reportagem "Testemunha descreve Neverland como um 'antro de vícios"', o rancho Neverland, propriedade do cantor Michael Jackson, é conhecido como a ilha encantada de Peter Pan, e não de Pinóquio, como informado no texto.

      Diferente do informado na reportagem "Teles e bancos são as empresas que mais recebem reclamações" (Dinheiro 15/03/2005 - 10h13), o concurso do Procon-SP para a contratação de novos servidores já foi realizado em dezembro do ano passado.

      Diferentemente do informado na reportagem "Para sindicato, ônibus incendiados são 'sabotagem de empresários'", o terminal de ônibus Vila Nova Cachoeirinha fica na zona norte, e não na zona sul como informava o texto.

      Diferentemente do que foi publicado na matéria Justiça adia depoimento de Duda Mendonça e envolvidos em rinha de galo (Cotidiano- 14/03/2005), o nome do vereador Babu é Jorge Hauat, e não Eduardo José de Arruda Buregio, como havia sido informado.

      Diferentemente do informado na matéria "Em casa, Santo André empata com o Cerro pela Libertadores" (Esporte - 10/03/2005 - 20h5), o Cerro Porteño é paraguaio, e não venezuelano.

 
Zorra total - I

Quando eu digo que a imprensa brasileira virou uma zorra, neguinho diz que eu exagero. Os fatos, porém, não me deixam mentir. Prova disso são as páginas 2 do caderno principal do Valor e 2 do caderno de Finanças do mesmo jornal, ambas da ediçao de hoje. As duas são rigorosamente iguais! Agradeço à conselheira que me deu a dica.

 
Moralização meia-boca

   Como era fácil de se prever desde o início, o tal "escândalo" de doping no vôlei do Rio vai estourar todinho na mão da atleta Estefânia. Muito provavelmente, ela vai ser punida pela segunda vez por um mesmo delito, o que, se acontecer, se tornará um marco no mundo jurídico de todo o planeta.

   Para demonstrar como é impoluta e isenta a Justiça de Desportiva, o atleta Junior Baiano, nacionalmente conhecido por sua violência e pelo pouco caso que faz das regras do futebol, dos juízes e dos adversários, ganhou efeito suspensivo depois de ter sido punido com cinco jogos por ter xingado o juiz da partida entre o Flamengo e o Volta Redonda. Nenhuma matéria lembrou o que disse esse símbolo do saber jurídico, Luiz Zveiter, presidente do STJD, ao avisar que não daria efeito suspensivo a Felipe para que ele participasse do jogo Fluminense e Botafogo. "Só em casos especiais", disse na época, ele concede esse tipo de benefício. Imagino que tipo de "caso especial" teria levado Zveiter ser tão clemente com Junior Baiano.

   Agora é esperar que os nossos igualmente impolutos e isentos jornais se ergam em uníssono contra mais esta prova de impunidade no esporte brasileiro.

17.3.05

 
"Os assinantes pagam, Veja mente"

   Texto de José Arbex Jr desconstrói mais um panfleto da revista dos Civita contra o MST. Dica de Gustavo Barreto, da consciencia.net.

16.3.05

 
Eduardo Eugênio, a Saúde e O Globo

   Conselheiro faz interessante observação, que me escapou por completo:


      Oi, Ivson, tudo bem?

      Um dos pré-candidatos ao governo do Rio é o presidente da Firjan, o Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. Não sei nem por qual partido ele concorreria, nem quem está bancando a candidatura dele. Só sei que, nos últimos tempos, ele tem aparecido bastante no noticiário, especialmente no Globo. De forma sutil, é verdade, mas que não escapou aos meus olhos.

      Hoje, na matéria "Pelo direito de atender", a principal da editoria Rio, há várias declarações de autoridades sobre a crise da saúde. Presidentes de sindicatos de médicos, do Cremerj e até da OAB deram seus pitacos. As aspas dos médicos são óbvias, as da OAB acho razoável uma vez que a Justiça já entrou no meio da pendenga.

      Agora, por que uma declaração do presidente da Firjan? Por que não entrevistou, assim, alguém da Fecomércio, da Federação Agrícola, da Rio Ônibus e de outras entidades civis dissociadas da Saúde?

      Achei esquisito. Nada a ver mesmo.

 
"The yes men"

   Sen-sa-cio-nal! Onde está o Grupo Estação que não o traz pro FestRio?!

15.3.05

 
Mudanças n'O Fluminense

   Não, não no maior clube do Universo... No tradicional jornal localizado em Nikit...

   A editora-responsável Liliane Saouzella e a subeditora, Simone Porto, foram substituídas por Marcelo Leite e Renato Garcia (ambos ex-Globo) e transferidas para o site do jornal . Saíram ainda os editores Sérgio Braga (Política) - para a assessoria da prefeitura de Itaguaí -, Barros (Fotografia), Bremer Lemos (Esportes) e os chefes de reportagem Flavio Araújo e Eduardo Garnier. Entraram Fernanda Rocha (Política), Paulo Alvarenga, ex-Extra (Fotografia) e Sérgio Soares e Lilian Daise (chefias de reportagem).

 
Um cara errado no lugar errado

   Quem é John Bolton, embaixador dos EUA nas Nações Unidas.

 
Os espanhóis e a Amazônia

   Vivendo e aprendendo: 86,5% da madeira importada pela Espanha é proveniente do Pará. Como 66% da madeira que sai de lá, segundo a Administração federal, é ilegal...A conclusão está aqui.

 
Presença constante

   Por que O Globo não dá logo uma coluna sobre direito desportivo ao presidente do STJD, Luiz Zveiter? Afinal, se vai ficar dando manchetes de páginas dia sim dia não para ele nas páginas de esporte, creio que facilitaria o fechamento fazê-lo colunista de uma vez.

14.3.05

 
O Sindicato e a MP 232

   O Sindicato dos Jornalistas do Rio juntou-se ao lobby contra a MP 232, que, entre outras coisas, aumenta a carga tributária sobre os prestadores de serviço. O surpreendente na atitude é que tenha demorado tanto, já que boa parte da base, sem falar de muitos membros da diretoria, são prestadores de serviço. Aqui as explicações da diretoria da entidade:

      O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro vê com preocupação as negociações em torno da Medida Provisória 232, que eleva os impostos para as empresas prestadoras de serviços. Apesar da intenção meritória de impedir a evasão fiscal, a medida, que onera as empresas, traz um erro de avaliação que certamente redundaria em mais injustiça social, afetando milhões de brasileiros.

      É fato reconhecido o fenômeno da desoneração das folhas de pagamento, efetuada por um largo número de empresas como forma de sonegarem impostos e se livrarem das obrigações da CLT. Os empregados são obrigados a se transformar em empresas prestadoras de serviços se não quiserem ser demitidos. Como, na prática, continuam vinculados às empresas, na mesma função, obviamente não podem se constituir em novas fontes empregadoras. Por isso, serão os maiores penalizados pela MP, que não dará qualquer desconto nos tributos para as empresas prestadoras de serviços que não têm empregados.

      Esses brasileiros, vítimas de uma "reforma trabalhista" feita na marra, na lei da selva, já foram penalizados antes, ao perderem todos os seus direitos trabalhistas. A imprensa tem dado fartos exemplos de brasileiros com salários ínfimos, inferiores a R$ 1 mil, e que também estão sendo obrigados a se transformar em "empresas". Até bilheteiros de empresas de ônibus estão nesses casos. A Justiça Trabalhista deu ganho de causa a um desses bilheteiros, reconhecendo que o seu vínculo trabalhista está intacto e que a "empresa" que foi obrigado a criar é uma fraude.

      É fácil provar o vínculo empregatício e a Justiça tem se manifestado favoravelmente aos "prestadores de serviços", que cumprem atividades-fim e não atividades-meio — muitas vezes em cargos de confiança — nas empresas das quais foram obrigados formalmente a se desligar. No entanto, por sobrevivência econômica, essas pessoas só podem acionar a Justiça quando têm seus "serviços" dispensados. Ao não reconhecer esse fato social, o Fisco faz injustiça e não justiça fiscal, penalizando duplamente um grande número de trabalhadores.

      As empresas que se utilizam da esperteza ilegal para se livrarem dos encargos trabalhistas é que deveriam ser punidas, através da fiscalização — hoje muito falha ou quase inexistente — ou com a criação de novos mecanismos fiscais para desestimular sua insistência na prática fraudulenta.

      Nosso sindicato e outras organizações sociais estão se movimentando para impedir que essa injustiça seja concretizada. Esperamos que o Executivo e o Congresso sejam sensíveis a esse clamor e entendam que não se faz justiça perseguindo os injustiçados.

      Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro




 
Longe das capitais

   É perigosa - e esquecida - a vida dos coleguinhas que batalham no Brasil profundo. Aqui, aqui e aqui.

 
O outro lado - Rádios Comunitárias

    Como não se dá voz aos defensores das rádios comunitárias para que eles apresentem seus pontos de vista, aqui está (em pdf), para quem se interessar, um dossiê enviado à Presidência da República, ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Geral da União sobre o assunto, enfocando principalmente a repressão, na maior parte das vezes ilegal e truculenta, contra as RCs. De passagem, logo no início do documento, há um pequeno levantamento sobre a propriedade de canais de tevês e emissoras de rádio.

13.3.05

 
Carta dos leitores, editoria comum

   Na introdução à carta enviada (atalho válido teoricamente por sete dias) à Veja pelo diretor de redação do Globo, Rodolfo Fernandes, para responder às acusações da revista dos Civita de que O Globo não publicou as fotos de Chico Buarque com a namorada casada dele devido à amizade entre Fernandes e o artista, há uma leve reclamação de que o texto não foi publicado pela revista. Bem, isso não deveria ser surpresa. Como lembrou uma colega há tempos, a seção de Cartas dos Leitores é uma editoria como outra qualquer, sujeita à mesma linha editorial do jornal, incluindo aí os truques (tipo dar cinco cartas a favor da opinião do veículo e uma contra). O que a Veja faz é apenas exagerar na dose e simplesmente não publicar cartas que a contrariem - ou fazê-lo muito depois do fato gerador.

   Ah! E também não é só a Veja que passa as cartas recebidas desmentindo notas publicadas pelos seus colunistas para que eles decidam se elas saem ou vão para a cesta do lixo.

 
O futuro do jornalismo (e dos jornalistas)

   Interessante artigo de Jacob Weisberg, editor da Slate, publicado no Globo de hoje sobre as mudanças provocadas na internet no conceito de quem é ou não é jornalista. Os pontos abordados são bons, mas há diferenças importantes entre os EUA e o resto do mundo na questão. É uma questão que aqui deve demorar um pouco a chegar, devido ao nosso atraso em relação no que tange o acesso à Rede, mas já seria legal ser discutida, nem que seja por nós mesmos.

   Uma curiosidade interessante: parece que lá como aqui os jornalistas não se acham profissionais, mas alguma coisa na área da arte ou da intelectualidade. É uma maneira de ver o jornalismo que sempre achei muito estranha, mas, pelo que dá a entender o texto de Weisberg, também é popular nos EUA.

   Reproduzo o texto no Pensata, cujo atalho está na coluna ao lado.

12.3.05

 
Pule de dez

   No dia 17 de janeiro escrevi este post:

   A bola da vez
   Conheça aqui o próximo líder popular a ser esculachado pela grande imprensa latino-americana.


   O atalho era para uma matéria sobre o líder aymará Evo Morales, que agora, menos de dois meses depois do post, começa a ser demonizado pelo Globo no artiguete da página 50 da edição de hoje.

 
Brincando com o perigo

Hoje, na coluna Panorama Esportivo, saiu que Caruaru fica na Paraíba (PB). Fica em Pernambuco (PE). Como Caruaru e Campina Grande, que fica na Paraíba, brigam pelo título de "melhor São João do mundo", muitos de meus conterrâneos, especialmente os caruaruenses, achariam a gafe um caso clássico para peixeirada no bucho do cabra que escreveu a nota.

 
Bernardo, aprende com Severino!

   O treinador Bernardinho ficou furioso porque O Globo levantou o fato de que a punição por doping da atleta Estefânia por parte da federação de vôlei e do Tribunal de Justiça Desportiva não foi publicada em lugar nenhum. Ora, o fato existiu e houve realmente o desrespeito do Estatuto do Torcedor. O que é discutível é a aura de escândalo dada ao caso, mas isso faz parte do showrnarlismo - palavra criada por José Arbex Jr. da mistura de show e jornalismo - que é praticado hoje nas grandes redações. O campeão olímpíco deve entender que 90% das notícias, na verdade, fazem parte de um show. Se ajudarem a melhorar as normas e o funcionamento da sociedade, tanto melhor, mas esse não é, nem de longe, o objetivo principal.

   Bernardinho poderia aprender com Severino Cavalcanti. Na coluna do Jorge Bastos Moreno de hoje, o presidente da Câmara mostrou como se deve lidar com a mídia e os jornalistas: simplesmente não ligando para o que eles digam ou deixem de dizer. Porque nada do que aparece neste tipo de cobertura é realmente sério. É tudo hype. Seriedade, coisas decisivas mesmo, só nas entrelinhas das editorias de Economia e Internacional, pois elas tratam do poder real, aquele garantido pelo capital e pelas armas. Assim, se a cobertura é hype, os resultados também são. Nada é permanente, tudo é fluido, sem consistência, fantasmagórico como uma paisagem iluminada por neons piscantes. Esse é o objetivo estratégico: deixar tudo em meio a uma névoa ofuscante para que o leitor/ouvinte/telespectador não saiba mais onde está, perdindo num labirinto do qual ele não nota nem mesmo as paredes.

   Outro ponto que deveria ser ponderado pelo Bernardinho: ele levaria a sério um treinador que ganhasse três a cada 10 partidas que disputasse? Provavelmente não, certo? Pois é. Esta é a proporção de pessoas que crêem totalmente na imprensa, em pesquisa realizada há uns cinco anos pela Associação Nacional de Jornais, e que vem sendo confirmada, variando em dois ou três pontos percentuais, por outras realizadas deste tempo para cá.

   Então fica frio, campeão! E te preparara, pois os coleguinhas que te achavam o melhor do mundo irão mudar de opinião. Agora, se você vacilar, vai apanhar como nunca antes. Lembra como te livraram a cara depois daquela derrota pra Venezuela no Pan de Santo Domingo? Pois é. Não vai ter mais essa moleza não. Quando o pau descer no teu lombo, porém, deixa pra lá. Lembre-se: quem estiver atacando você não estará falando sério. Só cumprindo um script showrnalístico.

 
Guerra aos gastos em favor dos mais pobres

   É, parece que aquilo de que me avisaram em dezembro está sendo implementado: O Globo decidiu travar uma guerra contra os gastos sociais. Pelo terceiro dia consecutivo, o jornal destina chamadas de primeira para atacar o aumento dos investimentos na reconstrução e melhoria da máquina pública, aquela que serve ao mais pobres - mal, sem dúvida, até porque não recebe investimentos há dezenas de anos.

   Segundo me foi passado, o jornal, depois de alguns anos hesitando sobre se deveria ou não ter uma faceta mais preocupada com o social ou não, decidiu mandar a consciência às favas (copyright Jarbas Passarinho na reunião que decidiu pelo AI-5) e voltou a apoiar irrestritamente a burguesia internacional e associados brasileiros. O objetivo é aproveitar a fase de expansão econômica para se apropriar da maior parte da riqueza a ser produzida neste período. O discurso, como sempre, é o de que gastos sociais são dinheiro jogado fora, pois a grana seria melhor usada em investimentos em infra-estrutura (já privada em sua grande parte),até porque esses investimentos acabariam por dar retornos econômicos que melhorariam o quadro social do país num futuro incerto. Em suma, a tese do "primeiro fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo", defendida pelo ministro Delfim Netto durante a ditadura militar tão apoiada pelas Organizações Globo.

   Como se vê, "o mundo muda, a gente muda", como diz o Karnak, "mas nada tanto assim", como pondera o Kid Abelha.

11.3.05

 
Patronato imutável

   Por falar em sindicato, o do Rio começou a campanha salarial de 2005. Os patrões, como sempre, não querem dar aumento real mesmo tendo ganhado uma grana preta ano passado. Abaixo, o relato de como anda a negociação:

      Nos últimos cinco anos o Brasil viveu momentos recessivos e as empresas de comunicação passaram desconfortos. Os jornalistas profissionais cariocas compreenderam a situação e aceitaram o sacrifício, com reajustes salariais inferiores à inflação. Em 2004, o Brasil cresceu muito e os veículos de comunicação, mais ainda. O faturamento com propaganda em rádios, TVs e jornais cariocas foi mais alto do que a média nacional. Para você ter idéia, no 1o. semestre de 2004 este faturamento nas rádios e TVs foi de R$ 494 milhões — um crescimento de 37,91% nas rádios e de 33,15% nas TVs. Os jornais cresceram 20,61%. Você sabia?

      Pois bem. O sindicato começou a negociar o acordo de 2005 aberto, como sempre, ao diálogo. Esperávamos que, pela lógica, se tivemos reajuste negativo (abaixo da inflação) na época das vacas magras, os patrões tivessem a decência de reconhecer a diferença da conjuntura. Foi com surpresa que ouvimos de seus representantes que, por princípio, faça chuva ou faça sol, não admitem corrigir os salários acima da inflação.

      A maioria dos trabalhadores está recebendo reajustes acima da inflação porque seus patrões respeitam a lógica, entendem que não faz sentido desvalorizar seus trabalhadores, negando-lhes a compensação pelos anos de sacrifício. No nosso caso só reconhecem os 5,86% com alguns abonos para provocar uma ilusória redução da sensação de perda. O abono daria para você comprar de um liquificador a uma bicicleta importada, dependendo da empresa e do seu salário. Liquidificadores e bicicletas se quebram e você não terá o reajuste no salário nem no FGTS, nas férias, nas rescisões. Se abrirmos mão do aumento agora, estaremos concordando com um princípio xiita e sem lógica: o de que jornalista carioca jamais pode ter aumento. Por acaso somos trabalhadores de segunda categoria?

      Nossa proposta foi de reposição das perdas (o sacrifício que fizemos na ilusão de que os reajustes negativos não eram um princípio religioso) de 14,5% para rádio e tv e 11,99% para jornais e revistas, a inflação de 5,86% (INPC) e aumento de 5%.

      As contrapropostas dos patrões são tão ruins que o Sindicato decidiu recusá-las de pronto. Estamos agora esperando os representantes patronais decidirem se vão ou não abrir mão do fundamentalismo do aumento real zero. Com a resposta, marcaremos a próxima reunião com eles e convocaremos uma grande assembléia para avaliar o movimento.

      Esperamos contar com você na campanha para substituir pela lógica e pelo respeito o tal princípio sagrado do aumento real zero. Temos dado o máximo para manter a qualidade do jornalismo no Rio, a despeito de todas as irregularidades trabalhistas que corroem as redações: contratações irregulares de PJs, exploração da mão de obra dos estagiários, demissões em massa, não pagamento de horas extras, obrigação de repórter sair às ruas com câmeras digitais para desempregar fotógrafo etc.

      Exigimos o reconhecimento desse esforço. E respeito.

      Repasse essa mensagem para seus colegas, comente no seu trabalho, amplie nosso movimento. A hora é essa. Compareça às nossas reuniões e receba com atenção na sua empresa o pessoal do Sindicato. São pessoas que lutam pelo seu interesse, pelas condições de trabalho na sua redação, por sua qualidade de vida e de sua família.

      Não fique só. Fique sócio!

      Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro



 
Polícia para quem precisa: Tanure

   O Sindicato de São Paulo entrou com nova queixa-crime contra a Gazeta Mercantil, jornal da Editora JB, empresa de Nélson Tanure. Veja o porquê.

 
Elogio atrasado

   É tão raro que não se pode perder a oportunidade de elogiar os jornais. Ontem, no Globo, saiu materola dando conta que o jornal e os concorrentes Jornal do Brasil e O Globo foram punidos pelo Conselho de Administrativo de Direito Econômico por infração aos artigos 20 e 21 da Lei 8.884/94 que proíbem a prática de acordos de preços com concorrentes, atitude considerada como formação de cartel.

   A causa do processo, movido pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, foi o aumento, com os mesmos percentuais, realizado pelas empresas em conjunto, no dia 6 de março de 1999, sob o argumento de que o dólar havia subido provocando forte impacto nos preços dos insumos (papel e tinta, principalmente). Pelo que saiu no jornal, os problemas foram a data e o percentual iguais. Assim, se formos seguir ao pé da letra, no próximo aumento, as empresas podem elevar os preços em dias seguidos e com percentuais com diferença de 0,1% que estará tudo bem...

   Segundo O Globo, as empresas terão que pagar de multa 1% do faturamento da venda em banca relativo a 1999. O acórdão do julgamento, realizado no dia 9, ainda não foi publicado, mas quem quiser acompanhar o caso, o processo tem o número 08012.002097/1999-81e pode ser acessado por esta página.

10.3.05

 
As leis do esporte

Agora que está praticamente acabado o linchamento do Felipe - tem gente no STJD que ainda quer botar a carcaça no microondas e fazê-la torrar por 440 dias e não 180 - deixo aqui os textos do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol e do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Faço isso porque, pelo que foi escrito e falado durante todo o episódio, observei que nenhum coleguinha os leu. Só isso para explicar a maneira como falam desses códigos, como se a aplicação deles em todo o seu rigor fosse a salvação do desporto nacional. Só para você ter uma idéia da filosofia que permeia os dois textos, veja o artigo 20 do CBJD:

Art. 20. O auditor tem livre acesso a todas as dependências do local, seja público ou particular, onde esteja sendo realizada qualquer competição da modalidade do órgão judicante a que pertença, devendo ser-lhe reservado assento em setor designado para as autoridades sejam desportivas ou não.

Parágrafo único - Em caso de descumprimento do previsto no caput deste artigo, deverá ser imediatamente comunicado o fato ao Presidente do STJD que poderá interditar, liminarmente, o local para a prática de qualquer atividade relativa à respectiva modalidade intimando a Entidade Nacional de Administração do Desporto para que incontinenti tome as medidas necessárias ao cumprimento da decisão sob pena de suspensão até que o faça.


É a legalização da carteirada e do carona. Com ameça até de punição liminar, sem direito a julgamento.

Com base em códigos que prevêem esse tipo de coisa é que os coleguinhas de esporte, mas não só eles, querem moralizar o futebol e os outros esportes do país.

 
A crise boliviana - III

   Então estamos combinados: Para O Globo, Evo Morales é chefe, que nem chefe de bando, do MAS, segundo partido da Bolívia, enquanto Carlos Mesa é líder político.

   Caras, vou me divertir muito na palestra para a qual fui convidado na UFF, em abril. Vou falar da edição sob o ponto de vista do assessor de imprensa. Vai ser uma festa!

9.3.05

 
A crise boliviana - II

Os outros lados da crise na Bolívia:

Carta aberta de entidades indígenas ao presidente Carlos Mesa, análise que nega a questão étnica como central na crise boliviana e outra que aponta fortes tendências ditatoriais nas últimas atitudes de Mesa.

 
Unidade de negociata

   O JB foi dividido em unidades de negócios. Procurando entrar no espírito da coisa, Hildegard Angel termina uma nota de ontem sobre a reforma do Rio Sul (aliás, assunto do qual todo mundo já falou) com o seguinte:

      Para fazer esse lifting na imagem do Shopping, foram investidos R$ 7 milhões. O filme foi produzido pela Conspiração e só na TV serão 500 inserções no primeiro mês. E na Hildezinha não vai nada...?

    Ou Hildezinha não entendeu o conceito de unidade de negócios, ou então entendeu bem demais.

 
Mágica retórica

   Dona Míriam bem que tentou se fingir de morta, mas deve ter levado um pito e hoje fala sobre a vitória dos argentinos sobre o FMI e o restante do mercado financeiro. Seguindo a linha dos chefes, tenta menosprezar a façanha dos "hermanos", usando as judiciosas palavras do presidente Kirchner, para tentar fazer do sucesso um fracasso. No processo retórico de transformação, claro, ela esconde o motivo pelo qual a Argentina foi à breca - ter seguido ortodoxamente as ordens do FMI.

8.3.05

 
A crise boliviana

Uma visão do que está acontecendo na Bolívia.

 
Edição nas coxas

Conselheiro atento acha que o Globo está precisando urgentemente que o responsável final pela edição leia o jornal que faz. É que na página 10, editoria O País, tem uma matéria com o título "Idoso morre após passar a noite na fila do INSS"; já o texto de abertura da página 20, editoria Rio, tem o título "Pedreiro morre em frente a agência do INSS".

Não, não é apenas o mesmo fato editado duas vezes. É a mesma matéria, o mesmo texto. Apenas o da página 10 foi mais cortado do que o da página 20. E não tem a desculpa de que foi uma troca para a segunda edição. O meu jornal é de primeira edição e o do Conselheiro de segunda, mas ambos contêm o erro ridículo.

7.3.05

 
Briga boa

   Os policiais sabem que nada melhor para desconstruir uma quadrilha do que briga entre os bandidos. Essa verdade pode ser mais uma vez constatada na matéria "Operação Abafa", da Veja desta semana. Nela, a principal revista da editora Abril abre fogo contra O Globo e a Folha por estes veículos não terem publicado as fotos de Chico Buarque com a bela morena casada que ele está namorando, durante um banho de mar no Leblon.

   A Veja gasta duas páginas para defender a fofocada como grande feito jornalístico a fim de livrar a cara (com trocadilho por favor) da Contigo, revista do mesmo grupo que botou as fotos do chamego nas páginas. Na peça de defesa, a revista dos Civita atinge a credibilidade de um coleguinha importante revelando as relações de íntima amizade entre ele e o poeta de olhos verdes, insinuando que O Globo não publicou a matéria porque o jornalista quis manter a vaguinha na pelada (de futebol!) do artista.

   Assim, o leitorado ganhou mais uma oportunidade de ver como é independente, objetivo, isento e imparcial o jornalismo praticado aqui no Bananão.

 
Fim de papo

"O público para o jornalismo sério está aumentando, mas jornalismo sério é seriamente caro" (Declaração de Robert Thomson, editor do "The Times", reproduzida pelo Estado de São Paulo, na sexta-feira, dia 4, e citada por Marcelo Beraba, ombudsman da Folha na edição de domingo, dia 6).

 
Giuliana Sgrena viveu para contar

   O depoimento da jornalista italiana que foi libertada pelos seqüestradores no Iraque e quase assassinada por soldados americanos em emboscada.

6.3.05

 
Aids e Comunicação

   A Rede do Terceiro Setor informa:

      Acontece em Recife, de 9 a 11 de março, o seminário "Políticas de comunicação em Aids – estratégias para o controle social – Comunicaids", que reunirá ativistas, estudantes de comunicação, profissionais e interessados no tema de diversos estados. O evento tem o objetivo de socializar compreensões e potencializar as propostas da sociedade civil organizada sobre a democratização das políticas públicas de comunicação no Brasil, com enfoque em saúde e HIV/aids. O seminário será realizado no Hotel Jangadeiro, que fica na Av. Boa Viagem, 3114, em Boa Viagem, Recife (PE). A abertura está prevista para as 9h da quarta-feira, dia 9 de março. Mais informações pelo telefone (81) 3465-3540.

 
Um caminho para a sobrevivência do meio jornal

    Becos e Vielas. Esse é o título do veículo editado por jovens do Jardim Ângela, Zona Sul de São Paulo, dentro do projeto Ação de Incentivo à Comunicação Papel Jornal. Algo mais importante para a sobrevivência deste tipo de mídia do que quaisquer daquelas campanhas da Associação Nacional dos Jornais.

 
Cadeia mundial de rádio contra a discriminação

   No dia 21 de março, Dia Internacional pela Eliminação do Racismo e da Discriminação, Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) realiza mais uma edição da campanha Vozes sem Fronteiras. Veja o que é aqui e aqui.

4.3.05

 
Internet impressa

   A Musa me lembrou de algo que tinha visto e esquecido de comentar. Na coluna Gente Boa, a nota sobre a publicação no Japão do livro Meu nome não é Johnny, do confrade nitiano Guilherme Fiúza, que trata de tráfico de cocaina, termina com a frase: "Os japoneses largam os dois pauzinhos e pegam os canudinhos. Rs rs rs."

   A ironia, que antes era marcada com as reticências, agora é com três "rs", que nem na internet? Eu, hein...

 
Unesco premia agência de notícias social

   A Agência de Informação Frei Tito para a América Latina (Adital) - link aí do lado - foi reconhecida pela Unesco como uma das 20 melhores iniciativas de comunicação da América Latina. Parabéns aos honrados coleguinhas.

 
História torcida

   Hoje, na página 27 do Globo, há uma pequena matéria - "Modelo a não ser seguido" - que é uma jóia de manipulação. A matéria destina-se a provar que o caminho seguido pela Argentina em sua renegociação da dívida não pode ser seguido pelo Brasil. Uma tese respeitável e que poderia ser defendida de maneira honesta apenas sendo lembrada a abissal diferença entre as economias dos dois países e também, subsidiariamente, de cultura entre nós e "los hermanos del Plata".

   Mas para quê fazer algo mais profundo e circunstanciado se é possível ir pelo caminho mais fácil da manipulaçao? Assim, foram ouvidos quatro economistas que afirmaram que o caos social no país vizinho ocorreu devido à moratória e sua continuação, a renegociação. Ou seja, os quatro entrevistados torceram a História. Afinal, não faz mais de quatro anos que vimos todos que a moratória foi decidida exatamente porque a Argentina vivia um caos social (ela foi decretada por um presidente que ficou uma semana no cargo).

   E o que causou o caos na Argentina? A aplicação ortordoxa das receitas do Fundo Monetário Internacional, todas, sempre, avalizadas pelos tais economistas. Assim, não é de se estranhar que eles se sintam irritados, frustrados, inseguros e invejosos do sucesso dos "hermanitos" que deram uma banana para a instituição que tanto amam.

   O mais triste é que a matéria - editada logo acima de um artiguete que passa claramente a condenação do jornal à idéia de o Brasil seguir o caminho portenho - nem precisava ser feita. No texto principal, Nestor Kirchner, dublê de presidente e irmão mais esperto de Marty Feldman, diz claramente que nenhum país deveria se guiar pela experiência dos argentinos, apenas procurar o seu caminho de maneira independente como eles fizeram.

   Mas, no fundo, a possibilidade de outros países, inclusive no nosso, seguirem o conselho de Kirchner é que realmente apavora os economistas e O Globo.

3.3.05

 
Perdida no tempo

   O que há algum tempo eu já achava, agora tenho certeza: ficar longe dos donos do poder fez Dona Míriam pirar, coitada. Só uma grande confusão mental para ela dizer, como está hoje na sua coluna, que as obras de Itaipu começaram "no fim dos anos 70 e começo dos 80" (sexto parágrafo do texto, contando a abertura). Veja o que está escrito na parte histórica do site de Itaipu:

         Em 1970, o consórcio formado pelas empresas IECO (dos Estados Unidos da América) e ELC (da Itália) venceu a concorrência internacional para a realização dos estudos de viabilidade e para a elaboração do projeto da obra. O início do trabalho se deu em fevereiro de 1971. Em 26 de abril de 1973, Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, instrumento legal para o aproveitamento hidrelétrico do Rio Paraná pelos dois países. Em maio de 1974, foi criada a entidade binacional Itaipu, para gerenciar a construção da usina. O início efetivo das obras ocorreu em janeiro do ano seguinte.(negrito meu)

   Ou seja, as obras foram iniciadas em 1975 e não "no fim dos anos 70 e começo dos 80".

   O que houve na época aludida pela Dona Míriam foi a assinatura do Acordo Tripartite, como está no site:

      Acordo de três países

      Outro marco importante, na área diplomática, foi a assinatura do Acordo Tripartite entre Brasil, Paraguai e Argentina, em 19 de outubro de 1979, para aproveitamento dos recursos hidráulicos no trecho do Rio Paraná desde as Sete Quedas até a foz do Rio da Prata. Este acordo estabeleceu os níveis do rio e as variações permitidas para os diferentes empreendimentos hidrelétricos na bacia comum aos três países
(negrito meu).

   Ou seja, o acordo fala apenas do aproveitamento dos recursos hídricos das saudosas Sete Quedas até a Foz do Prata (a bacia comum). Nada ver com a construção de Itaipu, que naquela altura do campeonato já entrava na reta final (a hidrelétrica começou a gerar energia em 5 de maio de 1984).

   Na sua mania de mostrar-se mais importante do que é - "como jornalista, eu acompanhei todo o trabalho de tessitura que a diplomacia brasileira fez" -, Dona Míriam resolveu mudar a História. Muito triste.

 
Agora é a diferença

   Essa homenagem do Globo a dona Ione Machado - a que devolveu o Bolsa-Família depois que o marido arrumou emprego - é bacana, politicamente correta e tal, mas me parece um tanto desanimadora. É que quando era moleque ouvi o João Saldanha dizer algumas vezes que discordava dos que lamentavam que os jornais só trouxessem notícias sobre bandidagens. Ele argumentava que jornal trabalha com o que é diferente, o que não é natural. "Só vou me preocupar quando derem manchete para os honestos", arrematava.

   Parece que esse tempo chegou.

 
Aquele abraço!

   Ô, ministro Gil...Até parece que você nasceu ontem...A imprensa está cavando de tudo quanto é maneira para criar crises a fim de minimizar o efeito dos sucessos econômicos do Nove-Dedos e aí aparece você falando de Orçamento. O que você queria que os coleguinhas fizessem? Reproduzissem suas declarações como você as fez, com o devido contexto? Mas eles não são pagos para isso, nego. São pagos para cumprir pautas e a pauta diz, há dias (como, creio, sua assessoria o avisou), que a idéia é não deixar N-D disparar nas pesquisas e com isso fazer com que os tucanos-pefelistas nem entrem na raia em 2006.

   Tem jeito, não, Gil. Você deu mole.

2.3.05

 
Eduardo Jorge 4 x 0 imprensa

   Em sua quarta vitória na Justiça, Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência da República, derrotou a Veja, que foi condenada a pagar R$ 150 mil ao mandarim da Administração FHC por tê-lo acusado de estar envolvido no Esquema Lalau (aquele do superfaturamento nas obras do TRT-SP). No total, contando com a vitória sobre os Civita, Eduardo Jorge já amealhou R$ 490 mil em ressarcimento moral. Além da Veja, dançaram ainda Isto É, Correio Braziliense e O Globo. Todos recorreram à segunda instância. Mais informações também no Consultor Jurídico

 
Kajuru condenado

   Jorge Kajuru, coleguinha que fez da criação de polêmicas seu ganha-pão, foi condenado pela juíza Graciella Salzman de Almeida, da 1ª Vara de Barueri (SP), por ter chamado Milton Neves, da tevê Record, de "rei do jabá". A pena foi de três meses de detenção e 10 dias-multa, sendo que a detenção foi transformada em outros 10 dias-multa. Mais informações no site Consultor Jurídico.

 
Dom Tomás na roda-viva

   Para quem deseja ver o outro lado da entrevista de Dom Tomás Balduíno ao Roda-Vida, da TV Cultura, reportada hoje no Globo por um dos entrevistadores.

 
Mudança semântica

   Então ficamos combinados: segundo O Globo, denunciar a privataria e a corrupção na Administração FHC é gafe.

   Tá bom.

1.3.05

 
Culatra dá sinais de que vai estourar

   A tática de criar uma crise com aquela bocada do Nove-Dedos começa a dar errado. Vamos ver como os jornais vão publicar essa notícia amanhã.

   Dica do Gustavo, da Consciência.net

 
Correção e pedido de desculpas

   Rubro-negro atento (e parte interessada na questão) reviu o jogo entre Flusão e Vasco e jura que o locutor do Sportv falou quatro vezes na escrita entre o maior clube do Universo e o da Cruz de Malta. Em duas vezes, citou que era apenas em estaduais e duas vezes não. Portanto, peço desculpas pelo meu erro e pelo julgamento errado de posts abaixo. Ainda assim recomendo que o locutor tenha mais atenção ao trabalho, citando a informação completa todas as vezes, e vá aos barbadinhos - é que foi um baita azar dele que eu e o cara do Globo que fez a crônica da partida tenhamos prestado atenção apenas nas duas vezes em que ele NÃO mencionou a questão dos estaduais.

 
Aberto o jogo

   O jogo da Oposição e da grande mídia com essa pseudocrise política armada pela boquirrotagem do Nove-Dedos foi aberto hoje pela principal colunista de oposição do principal jornal oposicionista do Rio. Lendo-se pelo reverso a coluna de Míriam Leitão vê-se qual é a estratégia dos tucanos - fazer com que a instabilidade política contamine o bom momento econômico do país (do povo, nem tanto). Boazinha como ela só, Dona Míriam pelo menos não força os que não lhe aguentam o texto e arrogância (não sabem o que perdem, ó tolos! Não se devem desperdiçar chances de risadas nesta vida...) e revela logo o seu objetivo no título da coluna: "Perder ano bom".

   O problema a ser enfrentado pela estratégia oposicionista esposada (boa essa, hein?) por Dona Míriam e pelo Globo pode ser visto, porém, exatamente na capa do caderno de Economia do jornal. As matérias sobre os investimentos dos supermercados no Rio - um estado que se putrefaz à luz do dia - e da parceria entre Itaú e Lojas Americanas para aumentar a oferta de crédito à populalção de baixa renda demonstram que para que seis planos funcionem, os opositores à reeleição do N-D vão ter que suar um litro certo. O tempo corre contra a Oposição, pois 2006 está chegando e desestabilizar o país de maneira impedir que a renovação de contrato do inquilino do Alvorada é difícil, apesar da enorme ajuda proporcionada pelo próprio.

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