28.2.05

 
Enquanto isso, no JB...

   Nos próximos dias, certamente antes dos idos de março, haverá mudanças no JB. Um colega recém-demitido de outro jornal carioca irá para o aquário em substituição a um outro coleguinha. Este, porém, não deixará o jornal, apenas cairá para uma editoria. Ao mesmo tempo, a Economia e a Opinião terão alguns aumentos salariais. Para arcar com esse aumento de despesas, algumas editorias serão objeto de um passaralho, cujo tamanho ainda está sendo mensurado.

 
Goebbels e o futebol

   Quem assiste futebol pela tevê, depois de mais de 20 anos de Galvão Bueno já está acostumado a ouvir locutor falar besteira partida após partida. Por isso, nem liguei muito quando a besta que narrou o jogo do Flusão contra o Vasco pelo Sportv disse que o maior clube da galáxia está há cinco anos sem vencer os cruzmaltinos. Então o que foram as vitórias de 2 a 1, no Brasileiro de 2002, e de 1 a 0 no Brasileiro do ano passado? Mas tudo bem, o cara é locutor de futebol na tevê... Mas aí abro O Globo de hoje e, bingo!, lá está a mesma besteira escrita! O cara que escreveu a matéria não se deu ao trabalho nem de verificar a informação no sistema de banco de dados do jornal.

É bem como dizia o padroeiro dos publicitários, São Goebbels: "repita uma mentira mil vezes e ela se torna verdade". E isso vale para meias-verdades também, e não só no futebol.


 
"O horror... O horror..."

   Depoimento de um soldado americano que está preso por se recusar a voltar ao Iraque. Complemento da triste matéria da Dorrit Harazim no Globo de ontem sobre os militares estadunidenses dopados com ectasy para conseguirem viver com as lembranças dos horrores da carnificina na antiga Mesopotâmia.

26.2.05

 
Qual a novidade?

   O Nove-Dedos falou demais, como sempre, mas não disse nada mais do que é sabido por um monte de gente. Ou o termo privataria, cunhado pelo Companheiro Gáspari, quer dizer algo diferente do que foi externado por N-D no Espírito Santo?

 
O outro encontro de Davos

   Você sabia que existe um encontro paralelo em Davos? Pois existe, embora solenemente ignorado pela grande mídia, ocupada demais em se babar toda diante de megaempresários, estrelas de cinema e políticos que se julgam grandes. No "contra-Davos", foram distribuídos prêmios às multinacionais mais irresponsáveis do mundo. Veja os "agraciados".

 
"Dr. Sachs, I presume"

   ONU mandou o economista ultraliberal Jeffrey Sachs à África para traçar planos de "combate à pobreza" no continente. Veja o que saiu no texto de Demétrio Magnoli.

25.2.05

 
Razões há...

   para os americanos se preocuparem com as atividades de Hugo Chávez em seu histórico quintal. Veja aqui uma delas.

 
Cabeça a prêmio?

   Hugo Chávez denunciou que os americanos estão tramando seu assassinato. Como era de se esperar, a mídia correu a ridicularizá-lo. Realmente, pode ser mais uma das bravatas políticas do presidente venezuelano, mas pode não ser. Afinal, os do Norte várias vezes já tentaram mandar Fidel Castro desta pra melhor e há algumas indicações que tem gente realmente preparando terreno para usar a mesma opção contra Chávez. É o que argumenta Ignacio Ramonet neste artigo.

 
Hilária!

   Charge enviada pela Leilinha Couceiro, do Stuck in Sac:



24.2.05

 
O severinos avançam

   Eduardo Cunha - deputado fluminense que agora anda pelo PMDB - está cotadíssimo para assumir a presidência da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados. Cunha, que foi presidente da Telerj durante o governo Collor, de vez em quando aparece nas páginas e quase sempre envolvido em coisas esquisitas. Exemplos mais notórios: o "grampo" do BNDES, em 1998 (aquele caso em que se gravaram as estripulias de Luis Carlos Mendonça de Barros durante a privataria das telecomunicações) e as denúncias de superfaturamento de uma ponte em Barra do Piraí (RJ), em 2000, quando era presidente da Cehab, já no governo Garotinho.

 
Pancada à vista

   Nove-Dedos defendeu um salário justo para os servidores, de acordo com as qualificações profissionais de cada um. Amanhã ou depois vai ter jornal reclamando.

 
O Pará é aqui. Tá. E o lide?

   Desabafo de uma conselheira:

      (...)Sabe o que dá raiva? É que o cara só ganhou manchete pelo que estava acontecendo no Pará. Se não fosse isso, seria uma notinha perdida na editoria Rio. O Pará é aqui faz tempo. Aliás, o Pará está em todo o lugar e ninguém nunca se importou, muito menos os jornais.

23.2.05

 
Publinalismo ou Jornalicidade?

   Prêmio de jornalismo existe, em especial aqueles setoriais, com a função precípua de fazer um agradinho aos coleguinhas e, no caso dos setoriais, também de direcionar as coberturas para assuntos de interesse da empresa/setor que oferecem o galardão. Em Porto Alegre, porém, vai para sexta edição - só soube agora - um prêmio que, na minha opinião, bate todos os recordes.

   É o 6º Prêmio de Jornalismo da Liqüida Porto Alegre, que oferece uma grana (pouca, mas não é esse o ponto) para quem fizer a melhor matéria sobre a liqüidação de início de ano realizada pelos lojistas porto-alegrenses. Ou seja, para quem vender melhor a "queima de estoques" (acho que nem se usa mais isso...) para os leitores, que recebem, como se fossem notícias, informações publicitárias pagas (ou que podem vir a ser pagas, caso premiadas). O mais fantástico é que o tal prêmio é apoiado pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Rio Grande do Sul.

   O regulamento do prêmio você pode ler aqui .

 
Dúvida cruel

   O Gustavo Barreto, do Consciência.net, pega pesado logo no lide, mas isso não lhe tira a razão sobre a dúvida. E ela poderia se estender às outras editorias, além da Internacional.

22.2.05

 
Direitas a granel

   Os planos e as contradições das "direitas" que reelegeram Bush, segundo Immanuel Wallerstein.

 
Assim é mole

   Ontem, Certo Colunista do Globo - o mesmo que deu cinco notas a favor de José Serra em três dias - disse que a briga entre o Instituto Benjamim Constant (federal) e o Centro de Ensino Supletivo Benjamin Constant (estadual) - o primeiro ameçava tirar o segundo do espaço que ocupa há quatro anos - era mais um faceta da picuinha entre Lula e Garotinho.

   Hoje, algum profissional decente foi apurar e constatou que o litígio arrasta-se há mais de seis meses devido ao fim do convênio entre as duas instituições. A renovação tinha emperrado devido alguma questão burocrática, algo comuníssimo em qualquer renovação de convênio, e que, no caso, já está quase superada. Mas, para não perder a chance de desmoralizar dois futuros adversários de tucanos, o Certo Colunista do Globo botou a malevolência na sua coluna. Não apurou, não checou, não ouviu lado nenhum...Assim é mole ser colunista, porém não se é jornalista. Mas também o Certo Colunista não está ali pra fazer jornalismo mesmo, né?

21.2.05

 
Menos...

   De sexta para cá, um certo colunista do Globo deu nada menos que cinco notas positivas sobre o prefeito de São Paulo, José Serra. Tá certo que a gente tem que faturar, que a vida não está fácil pra ninguém, mas - caramba! - não dava pra ser mais sutil, não?

20.2.05

 
Valeu!

   Agradecimento aos amigos e amigas que assinam a Coleguinhas via Bloglet. Graças a vocês, este desvalioso blog está entre os mil mais assinados do Bloglet. Não é nada, não é nada, o site de assinaturas lista outros 17.371 blogs em seu portifólio.

   Aliás, entre os dez mais assinados, nove são sobre sexo. Sem surpresas, certo? É, mas todos são do Oriente Médio, a maior parte do Irã. Exemplos aqui, aqui e aqui. Não valia uma materinha, não?

19.2.05

 
O crime do padre Amaro

   Ameçado de morte, José Amaro Lopes de Sousa, o padre Amaro, da CPT, é outro condenado à morte no Pará. Motivo? O de sempre: luta em favor da reforma agrária.

 
Jornalismo e futuro

   Prosseguindo naquele papo sobre o jornalismo do futuro...

 
Cimitarra gira n'O Dia

   Eucimar Oliveira mostra ao que veio. A nota abaixo é do Sindicato:

      Hoje (quinta-feira, 17/02), o jornal O Dia demitiu 25 jornalistas – 17 no
Rio e os demais lotados nas sucursais em Volta Redonda e Petrópolis. Essas
demisssões foram justificadas como necessárias para cortar despesas.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro já
solicitou uma reunião com a direção do jornal para discutir a questão.

Entre os que deixaram o jornal estão:

Ana Maria Pessoa e Lúcio Santos (Economia)

Sabrina Wurm, Mariana Salime e Elzébio Galvão (Caderno D)

Melissa Ribeiro, Viviane Barreto e Pedro Mota Lima (Geral)

Rafael Maranhão (Ataque)

Patrícia Melo (Política)

17.2.05

 
Dário Lourenço, um fenômeno do futebol

O treinador do Volta Redonda, Dário Lourenço, é um fenômeno. Não por ter levado o time da Cidade do Aço até à final da Taça Guanabara disputada por babas, mas por ter sido jogador de um time profissional com 12 anos, no máximo.

É o que se pode deduzir da principal matéria do caderno de esportes do Globo de hoje. Lá está escrito que Dário jogou contra Pelé e Coutinho quando atuava pelo Rio Branco, do Espírito Santo. No mesmo texto, o repórter informa que o treinador tem 51 anos. Assim, ele nasceu em 1953 ou 1954. Como Pelé e Coutinho jogaram no Santos até 1965, segue-se que Dário os enfrentou quando tinha entre 11 e 12 anos.

O planeta é grande e vasto é o mundo do futebol, mas um jogador atuar num time profissional de futebol com essa idade é muito raro. Assim, pelo que se aprende na faculdade, essa informação deveria ter vindo no lide da matéria e não lá pelo meio. Obviamente, a informação pode estar errada, mas acho essa hipótese improvável, já que o repórter deve tê-la checado por achar estranho que uma pessoa recém-passada dos 50 anos tenha enfrentado uma dupla que fez sucesso na primeira metade da década de 60, ou seja, há mais de 40 anos. Não posso crer que um profissional de um jornal como O Globo fosse descuidado a ponto de não ter sua atenção despertada por um fato singular como esse.

16.2.05

 
Os jornais (americanos) começam a ficar muito preocupados

Grande Conselheiro dá ótima dica para ajudar a entender o post sobre o jornal do futuro anunciado pelo Google News, que postei mais abaixo. Na dica, tem ainda um link para esse estudo (está em .pdf) da Online Publishers Association com jovens entre 18 e 34 anos sobre as opiniões e comportamentos deles em relação aos veículos impressos.

15.2.05

 
Silvio Santos vem aí...em um cinema perto de você

   O SBT lança amanhã a SBT Filmes, uma parceria com a gigante da distribuição Warner e a produtora Diler&Associados, de Diler Trindade (o cara dos filmes da Xuxa). A idéia, é óbvio, é seguir o caminho aberto pela Globo Filmes, que hoje domina mais de 90% da produção cinematográfica nacional (se contarmos o resto do setor audiovisual, esse quase-monopólio fica ainda mais flagrante). A primeira empreitada do "homem do sorriso indestrutível" deve dar o mote para o tipo de produções da novel empresa: Coisa de Mulher terá como astros Adriane Galisteu e Evandro Mesquita, e Hebe Camargo como convidada especial.

   Produtos deste tipo dão razão ao desespero do pessoal da produção independente com a união tevê-cinema.

 
O jornal do futuro avança

Há um ano e meio só havia nos EUA. Hoje, já há 22 edições, incluindo as de Argentina, Chile e México. Daqui a pouco chega aqui. Aí...

14.2.05

 
Matadouro nº 5 de volta

   Matadouro nº 5, que citei no post abaixo, por coincidência, foi relançado hoje pela L&PM. A informação é do Márcio Pinheiro, Grande Conselheiro do Sul, que, outra coincidência, é marido da responsável pela tradução, a também coleguinha Cássia Zanon.

 
O massacre de Dresden

   Vamos separar as coisas nessa história do bombardeio de Dresden. O ataque foi sem sentido não porque não houvesse o que atacar - havia sim algumas fábricas de armamento, mas tão insignificantes que até fevereiro de 1945 (uns três meses antes do fim da guerra) tinham sido ignoradas pelos Aliados e que ficavam distante da cidade histórica. A questão é que a violência do ataque foi desproporcional à insignificância dos alvos - foram 3.300 toneladas de bombas, a maior parte delas incendiárias, jogadas em locais que jamais poderiam sediar fábricas de armamentos, como museus, escolas, igrejas etc localizadas na parte antiga de Dresden. No ataque morreram um número até hoje impreciso de pessoas - uns dizem que foram 35 mil mortos, outros que chegaram a 135 mil -, mas certamente 90% civis. Por que os neonazistas estão fazendo uma festa com o aniversário deste massacre, que, no fim das contas, foi causado por eles mesmos? É que os Aliados jamais admitiram a sua culpa nesse imenso churrasco de carne humana a céu aberto.

   Se quiser mais informações, você pode ir aqui, aqui (resenha do livro Dresden 1945: The Devil's Tinderbox, de Alexander McKee, um historiador militar inglês insuspeito de nazismo) e aqui (testemunho de uma sobrevivente do bombardeio publicado no também insuspeito Idaho Observer) e também ler o romance Matadouro nº 5, de Kurt Vonnegut Jr., que fala sobre o assunto (mas só deve ser encontrado em sebos hoje em dia).

 
Direto de hipocrisia no nariz

Ok, eu devia estar acostumado. Afinal, já são 44 anos de estada na Terra, metade deles no jornalismo. Mas sabecumé - segunda de manhã, depois de fim de semana agradável, tendo a abaixar a guarda, ficar desprevenido. Foi por isso que fiquei chocado com a hipocrisia do Globo na cobertura do assassinato da irmã Dorothy Stang.

O Globo mostra, mais uma vez, que é um campeão intergalático de desfaçatez ao protestar contra mais esse assassinato causado pela falta de reforma agrária no país. Sim, porque o jornal dos Marinho - e todos os veículos pertencentes às Organizações Globo, aliás - tem por política dizer que a luta pela terra no Brasil é travada entre honestos latifundiários tementes a Deus e um bando de criminosos ligados a "máfias" de sem-terra, principalmente ao MST. Ora, se as Organizações Globo dizem que quem quer um pedaço de terra é bandido, obviamente está dando sinal verde para que os "mocinhos" peguem suas armas e fuzilem qualquer um que acharem por bem.

Na boa, qual a diferença entre o assassinato da missionária da Ordem de Notre Dame - aliás, uma ordem das mais conservadoras - e a de centenas de outros ocorridos no Brasil há anos? A diferença é que Dorothy Stang era americana e, por isso, com direito garantido à vida. Os brasileiros miseráveis, principalmente os do campo, como se sabe, não têm direito garantido a existir. Só o mantêm enquanto aceitarem a miséria que seus pais e avós aceitaram. Se tentarem mudar as coisas, levarão bala com a bênção disfarçada - e às vezes nem tanto - das Organizações Globo.

Mesmo dentro da desfaçatez geral da cobertura do Globo, tem gente que ainda consegue se destacar no quesito cara-de-pau. É o caso de Ilimar Franco. Além de resumir toda a hipocrisia da posição do jornal no Panorama Político de hoje, ele ainda teve o descaramento de usar como título da coluna a mesma palavra utilizada pelo JB na manchete sobre o massacre de Eldorado dos Carajás, em 96 - com ponto de exclamação e tudo!

Com essa obra-prima da caradurice, o Ilimar deve ter marcado pontos à beça com os "aquarianos" do Globo e até com o pessoal mais acima.

12.2.05

 
Os números e a defesa do Estandarte de Ouro

   O conselheiro Raphael Perret, jornalista com fortes pendores matemáticos (fez mestrado em Informática na UFRJ), atendeu meu pedido e fez uma estatística do número de vezes em que o júri do Estandarte de Ouro acertou a escola campeã do Carnaval. Segundo ele, em 34 anos de existência - começou em 72 - o prêmio foi atribuído à campeã 14 vezes, ou seja, uma taxa de coincidência de 41%, o que dá um erro de quase seis vezes em cada dez. Raphael lembra ainda que das 14 vezes em que júri da Avenida e júri d'O Globo concordaram, em duas houve mais de uma campeã - 1980 (três escolas) e 1998 (duas).

   Apesar dos números algo negativos, o conselheiro faz uma boa defesa do prêmio. Transcrevo-a:

      Bem ou mal, acho que o Estandarte tem como mérito a possibilidade de premiar a escola com o desfile mais emocionante. Não à toa que em 1985, 1989 e 1995 o prêmio foi dado às escolas que tiveram desfiles tão ou mais marcantes que o das campeãs: Caprichosos ("E por falar em saudade", com o inesquecível "Tem bumbum de fora pra chuchu/Qualquer dia é todo mundo nu"), Beija-Flor ("Ratos e urubus, larguem minha fantasia", o carnaval dos mendigos) e Portela ("Gosto que me enrosco", com a volta de Paulinho da Viola, João Nogueira e outros portelenses históricos), respectivamente. Na mesma ordem, as campeãs foram Mocidade, Imperatriz e Imperatriz.

11.2.05

 
Kucinski e a ética possível

   Reflexão de Bernardo Kucinski sobre a ética jornalística no mundo de hoje.

 
Bananão sofisticado

   Para você ver o quanto os americanos têm a aprender conosco em matéria de corrupção de jornalista, o esquema do post abaixo funciona também para empresas privadas - desconfio até que foram elas que o inventaram.

   Neste caso, pega-se um laranja - agência de assessoria ou de publicidade, por exemplo - e opera-se da mesma maneira: chama-se o/a coleguinha para dar um media training e lhes pagam uma quantia que fará com que ele/ela seja mais "receptivo/a" a pôr um notinha desejável ou, mais frequentemente, enfiar na gaveta uma informação que não interessa à companhia ver divulgada. Tudo muito limpo e discreto.

10.2.05

 
Ô falta de sofisticação!

   Uma das coisas que mais se detesta nos americanos é sua falta de finesse, de savoir faire. Esses casos dos coleguinhas que faziam um frilinha pra Casa Branca sem contar pra ninguém mostram isso. Se a equipe de Bush tivesse se dado ao trabalho de fazer uma pesquisa aqui no Bananão teria descoberto uma maneira melhor de fazer a coisa. É só pedir a uma associação de classe ou a uma empresa privada amiga para convidar coleguinhas famosos a prestar "consultoria", realizar "palestras" ou participar de "media trainings", recebendo módicas - mas regulares - retribuições pecuniárias para ficar tudo certo.

 
Os coleguinhas de Bush

   A Casa Branca, já se sabia, tinha na folha coleguinhas pagos para defender seus pontos de vista sem dizerem aos seus leitores. Agora descobriu-se que foi além e credenciou como jornalista um cara chamado Jeff Gannon que, além de não ser coleguinha, nem Jeff Gannon se chamava, mas sim James Guckert. O escândalo todo - com direito aos nomes dos coleguinhas de verdade que estavam dando uma bicicleta no distinto público - você pode ler na CNN e na Salon.com.

   Muchas gracias à coleguinha Leila Couceiro, do Stuck in Sac, por mais esta dica.

 
Não dá pra entender

   Quando os turistas são assaltados no Rio, os jornais fazem um escândalo, dizendo que isso vai prejudicar a imagem da cidade - e do país - no exterior. Mas quando uma personalidade internacional - como a Miss Universo, Jenniffer Hawkins, mas não só ela - prestigia a ex-Cidade Maravilhosa, participando ativamente de sua vida social, é sacaneada como "arroz de festa".

 
Dois pesos

   O Salgueiro homenageia dois bicheiros que mandavam na escola na Avenida e que já têm sucessor da mesma família; o presidente da Mocidade faz discurso exaltando um dos ramos do clã dos Andrade, atualmente em alta na Zona Oeste; a festa do tri da Beija-Flor é comandada pelo Aniz Abrahão, que é citado, indiretamente, como poderoso chefão até em "Senhora do Destino". O Globo, mui corretamente, protesta contra a cumplicidade mais do que conhecida, mas não chama todos os que participam do mundo das escolas de samba de criminosos ou cúmplices de criminosos. Em compensação, um assassinato ainda não esclarecido e não muito bem contado nos confins do Brasil é suficiente para o jornal chamar todos os sem-terras de bandidos, como está no encerramento do artiguete da 5 de hoje.

   Depois se dizem imparciais, isentos e objetivos...

9.2.05

 
Estatística carnavalesca

   Não me ligo muito em carnaval, mas gosto de estatística. Daí faço um pedido para aqueles conselheiros e conselheiras que curtem os festejos de Momo: alguém poderia me dizer quantas vezes, nestes 20 e tantos anos, o júri do Estandarte de Ouro do Globo acertou a escola vencedora do desfile do grupo principal?

   A minha sensação é que errou sete em cada dez vezes...

 
Uma nota.

   Comunicamos o falecimento da coluna Salto Agulha, d'O Dia, cuja titular era Cláudia Cecília. Foi abatida pelo novo diretor de redação, Eucimar Oliveira. A responsável pela extinta coluna continuará no aquário e os repórteres serão distribuídos pelas editorias do jornal.

8.2.05

 
Estudantes se organizam pelo Passe Livre Nacional

   Durante o FSM, os estudantes de vários estados do Brasil começaram a se organizar para lutar por uma lei de âmbito federal que regulamente o passe-livre para eles. Só por isso os donos de empresas de ônibus já gostariam de lhes passar o rodo, mas os garotos querem mais. Desejam mesmo é discutir uma nova concepção coletiva (com trocadilho, por favor) dos transportes públicos. Aqui.

 
Movimento social e reciclagem

   Os catadores de materiais recicláveis (latinha, papelão etc) não só se organizam em associações como até já realizam encontros internacionais. Um dia os coleguinhas da "grande" imprensa descobrem isso e tratarão o assunto da maneira condescendente de costume. O que já será bem melhor do que tratá-los como criminosos como vivem fazendo com o MST.

7.2.05

 
Leitor (des)atento

   Creio que o Joaquim Ferreira dos Santos deveria fazer um esforço para ler o jornal em que trabalha. É que, desde que a Miss Universo Jennifer Hawkins aterrisou no Rio, tem um repórter do Globo na cola da moça e todos concordam em dois pontos: ela é bonita à beça e é australiana. Então de onde será que o JFS tirou que a menina é equatoriana?

5.2.05

 
A Independência vista do Nordeste

   O livro A outra Independência: o federalismo pernambucano, de Evaldo Cabral de Mello, conta a história da Independência do Brasil do ângulo dos meus meus conterrâneos, que como estavam longe da Corte (hoje Sul Maravilha), foram esquecidos pela historiografia oficial.

4.2.05

 
O aumento da Light e a falta de memória da imprensa

   Se a imprensa brasileira fosse mesmo um serviço de utilidade pública como vive apregoando, lembraria como aconteceu a estatização da Light, lá pelos fins dos anos 70. Os mais caquéticos hão de lembrar-se que o governo militar pagou uma fábula aos donos canadenses - aqui representados pela família Gallotti -, mesmo sabendo que, por contrato, a empresa voltaria ao Estado brasileiro em poucos anos devido ao fim da concessão. Mas como a imprensa só existe para servir a si mesma, deixa pra lá.

   Agora, fazendo justiça ao companheiro Gáspari, quando da privataria das empresas de distribuição de energia, em fins dos 90, ele - provavelmente com o auxílio de seus amigos economistas Delfim Netto e José Serra, este, na época, membro do governo privatizador - avisou que em dez anos, no máximo, teria que haver uma reestatização. Como estamos mais ou menos na metade do período, por enquanto a conta vai sendo passada aos poucos para "nós, os bananas" (copyleft Veríssimo de ontem).

 
Os cérebros de George W.

   Conheça o Center for Strategic and International Studies (CSIS), há mais de 40 anos um dos mais influentes think tanks americanos.

2.2.05

 
Toque de um franciscano medieval para jornalistas de hoje

Guilherme de Ockham é uma das minhas admirações. Esse franciscano porreta, que viveu entre os séculos XIII e XIV, foi o primeiro a propor a separação entre a razão e a teologia, algo tão revolucionário na época quanto a maior parte das teses do FSM hoje em dia. Por causa dessa idéia, é óbvio, teve que buscar refúgio com inimigos do Papado, do contrário viraria churrasquinho.

O que tem isso a ver com você, coleguinha? É que Guilherme era um cético, um empirista, tão bom que sua maneira de pensar acabou por batizar um método de pensamento, conhecido como Navalha de Ockham, que, grosso modo, diz que entre várias hipóteses que expliquem um mesmo fenômeno, aquela que tiver menos pressupostos, ou seja, for mais simples e direta, tende a ser a verdadeira.

Não entendeu a relação ainda? Bem, é que nas redações hoje em dia ocorre exatamente o contrário: quanto mais enroladas forem as explicações, mais credibilidade elas têm. Isso ocorre do futebol - com aquele palavreado empolado dos treinadores - até a economia, onde as hipóteses as mais estapafúrdias vendidas por consultores e especialistas da oposição e da situação são engolidas com caroço e tudo pelos jornalistas, sem o mínimo de questionamento.

O mote para este post é o Projeto Ockham, levado à frente por um grupo de engenheiros que detestam o que chamam de pseudociência (astrologia, florais, ufologia etc). Como são engenheiros, o objetivo do projeto não poderia deixar de ser megalô - "prestar um humilde (?!) serviço à humanidade" desmascarando mitos e lendas. Mas, afinal, quem sou eu para criticar alguém por ser megalô, né? No sítio, você encontra esta biografia do mestre de Ockham, que - informação do próprio autor - foi homenageado por Umberto Eco, ao dar o nome de Guilherme de Baskerville, também pertencente à Ordem de Francisco de Assis, ao personagem principal de "O Nome da Rosa".

1.2.05

 
Paulo Freire, referência esquecida

   Os coleguinhas que trabalham com educação, mesmo que esporadicamente, deveriam conhecer pelo menos o básico da visão de Paulo Freire. Ele é uma referência fundamental no assunto em todo mundo, mesmo no Brasil, mas lamentavelmente esquecido - ou quando lembrado taxado de superado - nas redações. Aqui uma colaboração para quem quer vencer tanto o esquecimento quanto o preconceito.

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