30.1.05

 
O DNA da literatura

A Paris Review está pondo todo o seu acervo de entrevistas com mais de 300 escritores na internet para ser consultado de graça. É o projeto DNA da Literatura. Pode agradecer por essa dica à Suprema Conselheira, Musa deste blog e meu Amor Eterno Além do Tempo. É tão fantástica que vai se tornar atalho fixo aí o lado.

 
Duelo ao sol em 2005: sociedade x barões da comunicação

   O pau geral em torno da Lei Geral da Comunicação de Massa - pautada pelo governo depois do linchamento da Ancinav - fará de 2005 um bangue-bangue entre os que querem uma sociedade brasileira mais justa e democrática também em termos de comunicação e os empresários do setor, que querem continuar mandando na área sem dar satisfações a ninguém.

 
Marxistas na Rede

   Um grupo de revistas marxistas da América Latina criou a Rede X. Veja o que é.

 
Fotógrafo de ouvidos espertos

   O Globo chegou à Dona Milena, a gordinha theco-ítalo-carioca que o nosso Larry afirmou ser uma garota de Ipanema, por acidente. Um fotógrafo experiente do jornal estava fazendo uma outra matéria e ouviu uma amiga da Dona Milena que ela estava pê da vida com o matutino por ele ter posto a foto dela na primeira página. O colega fez o contato e o resto você sabe.

 
Ressurreição

   Depois de ser dada como morta, volta à vida a Lide, a revista do sindicato dos jornalistas do Rio, que contou com a modesta colaboração deste que vos digita em sua primeira encarnação. A reportagem de capa da edição que marca a ressurreição é sobre a agonia do JB.




29.1.05

 
Antigas do Larry

   Para quem acha que Larry Rohter é só um folclórico jornalista preguiçoso e mal-informado:

      Village Voice
      Third World Traveller
      NarcoNews
      Ag Observatory (do Institute for Agriculture and Trade Policy)


   Bem, acho que já chega. Embora admita que possa ser um porre, seria bom que todos os artigos fossem lidos de cabo a rabo. Além de dar um excelente foto de quem é e como age o nosso Larry, servem também para lançar uma luz sobre outros coleguinhas americanos e suas estripulias não muito jornalísticas.

28.1.05

 
Despedidas oficiais

   Os emeios da direção do Infoglobo - com a designação de Bruno Thys como interino - e de Eucimar Oliveira na despedida deste como diretor de redação do Extra.

      -----Mensagem original-----
      De: Comunicação Interna - Infoglobo
      Enviada em: sexta-feira, 28 de janeiro de 2005 14:37
      Para: Usuários Infoglobo
      Assunto: MUDANÇA DE ESTRUTURA - DIRETORIA EXECUTIVA O GLOBO/ EXTRA
      Prioridade: Alta

      DIRETORIA EXECUTIVA O GLOBO/ EXTRA

      Comunico que Eucimar Oliveira, Diretor de Redação e Editor Responsável do EXTRA, decidiu deixar a empresa a partir de 1º de fevereiro de 2005 para enfrentar novos desafios profissionais.

      Eucimar, que se juntou ao projeto do EXTRA desde o início, dedicou sua competência e talento ao processo de construção e consolidação deste jornal da Infoglobo nestes últimos sete anos, transformando-o em uma referência mundial.

      Entre os mais valiosos ativos do EXTRA desenvolvidos ao longo de sua jovem história, está sua equipe de alto valor profissional responsável por conquistar e garantir a liderança de mercado no Rio de Janeiro. E é com esta equipe que continuaremos contando para prosseguir a trajetória de sucesso deste nosso jornal.

      Bruno Thys, Editor Executivo do EXTRA, ficará responsável pela coordenação de todas as atividades do jornal até que seja nomeado o novo Diretor de Redação e Editor Responsável.

      Em nome da diretoria da Infoglobo agradeço ao Eucimar pela dedicação e profissionalismo com que liderou a redação do EXTRA nestes anos e desejamos sucesso na sua nova etapa de vida.

      Paulo C. Novis
      Diretor Geral

_+_+_+_+_+_+_+_+_+_+_++_+_+_+

      -----Mensagem original-----
      De: Eucimar Oliveira - Diretoria da Redacao EXTRA - Infoglobo
      Enviada em: sexta-feira, 28 de janeiro de 2005 14:43


      Foram sete anos, recordes, consolidação, prêmios, milhares de edições. Mas chegou ao fim. E de uma forma imprópria e incomum. É como estivesse me separando de quem eu mais gosto. Sim, estou deixando o EXTRA, mas levo parte da história que escrevi aqui. Se foi pouco importante, terá sido apenas por responsabilidade minha. Se foi relevante, terá sido pela ajuda de cada repórter, cada fotógrafo, cada diagramador, cada redator, contínuo, secretária, motorista. Isso aqui foi forjado por vocês sob orientação segura e talentosa do Bruno, do Octávio, do Alzer, dos editores Gilmar, Marlon, Daniella Clark, Juninho, dos subs, dos chefes de reportagem Denise e Auler, da Karlinha, Flávia, do Senninha, do Ze Emílio, Falcão, Marco, Carlão, Paola, Roberta e seu time, Hérica e sua equipe, Vitinho, a arte do Ivan, o olho do Theobald/Wania/Alvarenga , Henrique e quem mais que não esteja citando aqui. Vocês querem saber a verdade? Estou profundamente emocionado, coração apertado, alma enevoada, nervos em frangalhos. Mas o destino cuidou de tudo com precisão e não me deixou a mínima chance de recusa. Estou indo para O Dia, mas não para trabalhar contra o EXTRA. Estou indo para trabalhar pelo Dia, sem rancor algum. Vou com muito afeto, saudade e admiração pelo o que estou deixando para trás. Esta é uma empresa ética e respeitável pelo que faz. Acreditem de verdade nos gestores judiciosos que são o Luiz Eduardo, Novis, Agostinho, Ana Paula Pessoa, Novaes, Mauro; Gandour acreditem em todos os gerentes. São competentes e manterão a rota de crescimento e de um futuro de vitórias. Mas vida que segue. Sei que a batalha vai ser dura, mas tenho o espírito epicurista e me animo: "Os navegadores devem sua reputação às grandes tempestades". Espero não naufragar e para isso é preciso pensar comos os sábios e agir como os simples. Sintam-se todos beijados, afagados e tenham para sempre minha amizade e afeição. O EXTRA que será maior é de vocês.

 
Vida real

   Parece que não tem jeito: é triste o rame-rame da vida de redação, com seus vaivéns, futricas, rasteiras, vaidades, mesquinharias...

   Bem, sem esquecer deste lado - até para efeito de contraste - tentarei continuar no objetivo (totalmente megalô) deste desvalioso blog, que é mostrar que o mundo é mais vasto e muito mais inteligente do que o panorama visto das redações.

 
Fim de papo?

   Neguinho acha que sou paranóico porque digo que o Larry Rohter está aqui para nos desmoralizar diante do público americano a fim deste achar apenas mais uma maluquice nossa ser contra a Alca. Bem, depois de o cara ter sido pego em flagrante num golpe, se não for removido daqui em uma semana e demitido sumariamente é porque as costas dele são mais quentes que verão na caatinga, né?

 
Casa de ferreiro...

   Dona Milena, a gordinha tcheco-ítalo-carioca, ameaça processar O Globo. Alegação: publicou as fotos dela sem permissão. Que nem o desacreditado NYT.

 
A sucessão

   Se o Extra for que nem O Globo, onde o sub fica no lugar do titular quando este sai, Bruno Thys sentaria na cadeira de diretor de redação. Ainda nada foi definido porque a perplexidade com a saída de Eucimar é enorme e porque o sumo-sacerdote do Infoglobo, Agostinho Vieira, está de férias.

 
Mudando de lado

   Eucimar Oliveira, um dos principais responsáveis diretos pelo sucesso do Extra (a outra foi Ruth de Aquino, que dirigia o rival O Dia na época de criação do jornal popular dos Marinho) mudou de lado. Ele é o novo diretor de redação do diário da Rua do Riachuelo, para completa perplexidade das hostes do Infoglobo. Eucimar é um dos mais competentes editores de jornais populares do Rio - na definição de um ex-amigo (os tem em quantidade), "ele sabe do que o crioulo gosta". Agora, sua capacidade será testada do máximo, pois vai enfrentar a poderosa máquina do Império, incluindo os pacotes de anúncios casados O Globo-Extra com descontos incríveis que a concorrência - leia-se O Dia e o JB - juram só serem concedidos a quem não anuncia nela.

   Além de uma briga bacana, a ida de Eucimar para O Dia indica que o jornal pretende dar mais força ao seu lado popular do que à "qualificação" inventada ainda no tempo da Ruth e que facilitou sobremaneira o sucesso do Extra. Quanto a Sérgio Costa, que ocupava o cargo que agora é de Eucimar, caiu para cima: foi ser diretor de projetos especiais, o que, no organograma das empresas de comunicação brasileiras, quer dizer aposentadoria precoce bem remunerada.

   Em tempo: a chegada de Eucimar já provocou a primeira - e até agora única - degola n'O Dia. O editor-executivo Oscar Valporto teve sua cabeça pedida pelo novo diretor antes mesmo de assumir.

27.1.05

 
A "barriga" do Larry

   Dois pontos sobre a hilária matéria do Globo sobre as "gordinhas cariocas" do Larry Rohter, que na verdade são tchecas:

      1. O correspondente do New York Times não está nem aí por se tornar motivo de piada por aqui. Afinal, ele não está neste trópico triste para fazer jornalismo mesmo. O objetivo dele é outro, como procurei explicar na Pensata na época. Apenas vacilou por não checar as fontes - como faria qualquer jornalista de verdade ou um personagem do John Le Carré - e deu um azar dos diabos: como ele poderia imaginar que dentre aquelas robustas senhoras, que obviamente não são brasileiras, havia uma que morava parte do ano aqui e tinha parentes e amigos brasileiros?

      2. Dona Milena, de passagem, recoloca uma questão importante, que nossos coleguinhas e as empresas para as quais trabalham fazem questão de ignorar. Ela afirma que os "jornalistas" do NYT invadiram sua privacidade e de suas amiga ao tirar fotos delas sem as suas permissões explícitas. Esse é um entendimento que se espalha entre os cidadãos e os juízes em todo o mundo. Sei de pelo menos um caso, ocorrido no Canadá, que um jornal foi obrigado a pagar gorda (com trocadilho, por favor) indenização por ter tirado a foto de uma menina na porta de um colégio para uma matéria sobre o perigo que correm as crianças ao esperarem pelos pais nas portas das escolas. Assim, quando esse entendimento chegar aqui na perifa do mundo, não me venham falar, surpreendidos, de "indústria do dano moral", ok?

26.1.05

 
Escondendo o público do público

   Dona Míriam diz hoje que um dos motivos de a Coppead estar em 86º lugar entre as melhores instituições de pós-graduação do mundo, segundo o Financial Times, é que há muitas mulheres entre seus alunos. Não duvido que esse fato tenha sido levado em consideração, mas o relativizo. É que não é a primeira vez em que a Coppead está na lista e em todas as outras ocasiões, o que contou mesmo foi o fato de a instituição ser pública e gratuita. Mas como esses dois quesitos vão contra o que Dona Míriam defende, ela resolveu não expô-los aos seus leitores.

25.1.05

 
Como a Globo detonou a Ancinav

   Palinha - com entrevista do Gilberto Gil - da matéria da Carta Capital sobre a maneira como o Império detonou mais uma tentativa de se democratizar o audiovisual no Brasil. A íntegra está na versão impressa e eu dou a maior força para você ler.

 
Apostas abertas

   Quando vai começar o lobby apocalíptico da indústria farmacêutica (falar em falsificação não vale. É levinho demais pra esse povo) contra essa última medida do Nove-Dedos para baratear o acesso aos medicamentos à população mais pobre?

 
A crise do jornalismo. Agora em vernáculo.

   Quem não teve saco para ler em espanhol o artigo do Ignacio Ramonet no Le Monde Diplomatique sobre a crise mundial do jornalismo, que postei há umas semanas, pode ficar mais animado/a agora com o texto em português.

24.1.05

 
Barão da comunicação do Pará agride jornalista

   Ronaldo Maiorana, diretor das Organizações Rômulo Maiorana, o maior grupo de mídia do Pará, atacou, dentro de um restaurante, o coleguinha Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal (título auto-explicativo) e colaborador da Agência Adital. A ORM é a associada local das Organizações Globo. Detalhes aqui.

 
A paz vista da Ásia

   Um belo discurso sobre paz, justiça e que-tais, proferido pela indiana Arundhati Roy, autora do romance "O deus das pequenas coisas" (Cia das Letras), ganhador do Booker Prize de 97, ao receber o Prêmio Pela Paz de Sydney.

23.1.05

 
Enterrando o nível

   É, não podemos acusar a Veja de manter um alto nível profissional em nenhum assunto, e ainda menos quando se trata do PT, mas a capa dessa semana estabeleceu um recorde difícil de ser batido em termos de grosseria.

 
Governo Bush paga propina a coleguinha

A dica é do blog Stuck in sac, da "carioca exilada" Leila Couceiro. Quem sabe um dia nossos coleguinhas correspondentes nos informem a respeito desse caso em português.

22.1.05

 
Uma outra voz, mais poderosa

   Bem, já que O Globo trouxe de volta um antropólogo de direita há muito posto em animação suspensa no campus da conservadora Notre Dame University, em Indiana, convoco dos mortos uma voz de esquerda para dar sua visão do porquê o Brasil é como é. Por favor, baixe este arquivo (está em txt) de Darcy Ribeiro. É a transcrição de uma palestra de 1977, mas que poderia ter sido psicograda há 20 minutos, exceto pelo fato de parecer uma profecia ao enfocar o Brasil do ano 2000. É um texto tão incrível que vou manter um atalho aí ao lado para que não se perca no meio dos posts.

20.1.05

 
Chomsky e a "não-eleição" americana de 2004

   Bush não os mencionou no discurso de posse, mas foram os seus marqueteiros, melhores que os de Kerry, que o puseram naquela tribuna. Leia a (pra variar) longa análise de Noam Chomsky a respeito.

 
Decodificando George

   O que Bush realmente quis dizer em seu discurso de posse, segundo o sociólogo e coleguinha James Petras.

 
Ataque preventivo

   Os jornais usaram bem a Doutrina Bush e, antes que a Administração batesse seu bumbo com os elogios do Bird ao Bolsa Família e com a assinatura de convênio com o MP para vigiar a distribuição dos recursos, saiu em ofensiva geral detonando o programa. As OG usaram o Globo - há ataques hoje numa coluna, num artiguete e numa matéria, pelo menos - e o Hoje, na Estrela da Morte.

   Os ataques do Globo, porém, mostraram descoordenação. Na sua coluna, Tereza Cruvinel, obedecendo as ordens de atirar, mandou bala no programa, mas, talvez com a consciência doendo, deu voz ao ministro Patrus Ananias, que disse que está estudando o relatório do Bird, que ao lado dos elogios, faz sugestões para melhorar o B-F.

   No artiguete da página 32, porém, o editorialista - que parece não ter muitos problemas com sua consciência, nem mesmo a profissional - afirma que o Bolsa-Família é uma "farra com gastos sociais" e que isso não vai mudar porque o Nove-Dedos não iria dar atenção às sugestões do Bird. O pior - para o jornal, claro, pois pro leitor esse tipo de coisa é sempre muito divertido - é que a matéria que acompanha o artiguete afirma exatamente o contrário: que o governo já tinha identificado os problemas apontado pela agência internacional e ia acolher as idéias do banco.

   É de bom alvitre essa coordenação do jornal melhorar na hora de fazer campanha, pois em 2006, quando o leitorado está mais atento, um erro desses, dependendo da hora, pode ficar realmente mal para O Globo.

19.1.05

 
Larry terminou em samba

   O samba "O Larry Rohter, será que ele é?", de Marceu Vieira (que um concorrente derrotado chamou de "Silas de Oliveira do Imprensa"), João "Janjão" Pimentel e Fábio Nascimento venceu o concurso de samba-enredo do Imprensa Que Eu Gamo, que este ano completa dez anos de carnaval, e será levado pelos jornalistas no desfile de sábado, em Laranjeiras. A letra é a seguinte:

      O LARRY ROHTER, SERÁ QUE ELE É?

(Marceu, Janjão, Fábio Nascimento, "Larry Rohter" e "Harry Potter")

Deu no New York Times
que a Garota de Ipanema é fofa
E viram nas morenas bundas flácidas
Com celulites e culotes retumbantes
Que a nossa musa agora é uma baleia
Sereia de antigos carnavais
"O Brazil não conhece o Brasil"
O Lula é presidente ou um barril?

Não gosta de cachaça
Não entende de mulher BIS
O Larry Rohter, será que ele é?

VEJA, ISTO É a nossa ÉPOCA
Só tem PLAYBOY, não há MANCHETE nem VISÃO
Já não tenho mais emprego
Mas pelo menos me livrei do pescoção
No carnaval, eu faço frila
No Mercadinho, em liquidação
(Imprensa, meu bem)

 
O que é ruim para imprensa é bom para o mundo

   Lembra do Bolsa-Família, aquele programa sem foco, mal gerido e desnecessário da Administração federal que a imprensa está há mais de um ano esculachando? Pois virou modelo de projeto social do Bird, que quer levar consultores brasileiros para o Egito a fim de implantá-lo por lá.

18.1.05

 
Bush bota a imprensa em seu devido lugar

   Ok, o cara é uma besta e um canalha da pior espécie, mas a pergunta que ele fez - citada nesta matéria do Paulo Sotero, correspondente no Estadão em Washington - é perfeita. Não dá para ser feita aqui, onde praticamente não existe concorrência na mídia (o mercado parece mais um clube seletivo), a democracia é jovem e a sociedade civil muito débil para se defender daqueles que querem usurpar seu lugar no jogo político. Ainda assim é a pergunta certa.

   Já a matéria de Ken Auletta, que traz a pergunta citada pelo Sotero logo na abertura, você pode ler aqui.

   Gratíssimo à Conselheira que me informou da matéria do Estadão e depois correu atrás para consegui-la. Valeu mesmo, chérie!

 
Contra o público

   Pronto! Foi só a Administração aumentar o piso do funcionalismo público - que há quase dez anos não recebia um aumento decente - de R$ 400 e poucos pra R$ 700 e picos e anunciar a contratação de três mil professores para a rede pública federal - incluindo universidades - para começar o coro das empresas de comunicação contra "os gastos excessivos do governo federal" e o "inchaço da máquina pública".


17.1.05

 
Música-tema midiática

   Proposta aos organizadores do I Fórum Mundial de Informação e Comunicação: que tal usar essa música com,o tema do encontro? Vejam se não casa direitinho...

 
A bola da vez
   Conheça aqui o próximo líder popular a ser esculachado pela grande imprensa latino-americana.

 
Coincidência legal

   Box assinado pelo correspondente do Globo em Londres, Fernando Duarte, se refere ao estudo sobre a obesidade dos britânicos citado no artigo do Diplô que liguei aqui.

 
Coleguinhas de luto

   Morreu o grande Bezerra da Silva. Sambista, malandro do bem e pernambucano. Descanse em paz.

 
A CIA e o Brasil-Potência

   Análise ANPLIAR sobre a manchete do Globo de hoje.

16.1.05

 
Chomsky e a escritura da História

   Em boa matéria hoje no Globo, a correspondente do jornal em Nova York, Helena Celestino, informa que a direita hidrófoba dos EUA está tentando reescrever a história, tanto a humana quanto a geológica. Também o Globo,e e em outros jornais, publicam a decisão israelense de romper relações com o novo governo da Autoridade Nacional Palestina, que nem ainda tomara posse, acusando-a de nada fazer para deter os ataques contra o território de Israel.

   Esse texto de Noah Chomsky une as questões de saber quem escreve a História, especialmente a da Palestina. É um escrito longo e em espanhol, mas quem se interessa em ver as coisas em perspectiva deveria dispender um pouco de tempo para lê-lo.

 
Viúva processa e incomoda Bush

   Não são só cineastas premiados e intelectuais que duvidam que todos os fatos sobre o 11 de setembro tenham sido divulgados. Pessoas comuns como essa senhora também não crêem que toda a verdade tenha vindo à tona e estão fazendo algo a respeito.

15.1.05

 
Enquanto isso, no México...


   Aniversário de 11 anos de insurgência em Chiapas. Ninguém lembrou. Nem eu.

 
E já que falei no assunto...

   Por falar nesse negócio de comunicação democrática e plural, é sempre bom lembrar: dia 25 rolará em Porto Alegre o I Fórum Mundial de Informação e Comunicação.

 
A castração da Ancinav: a democracia perde de novo.

   Vamos encarar os fatos. A Administração bateu em retirada mais uma vez diante das violentas pressões dos barões da comunicação do Bananão ao esvaziar a Ancinav, deixando a ver navios o pessoal que realmente rala nas artes audiovisuais e que sempre deu apoio ao Nove-Dedos ao longo dos anos (enquanto os barões sempre fizeram - e fazem - tudo para botá-lo para baixo).

   Claro que há agora a promessa de uma Lei Geral de Comunicação. Mas, na boa, você acredita que ela vá sair? Certo, as empresas de comunicação têm interesse numa LGC, mas em apenas dois pontos: barrar a possibilidade das telecoms produzirem seu próprio conteúdo e manter a atual lógica do sistema de concessões e poder quando da passagem para a tecnologia digital - a maior chance de democratizar a comunicação audiovisual que jamais existiu por aqui neste triste trópico. Só que, insisto, você acredita que uma Administração que nunca tem coragem política para enfrentar a matilha da comunicação vai conseguir aprovar uma LGC que realmente torne a comunicação democrática e plural no Brasil?

   Eu não.

14.1.05

 
Murdoch é um pai para os Marinho...

   Ou Rupert Murdoch enlouqueceu ou então tem muita carne de primeira embaixo do angu que é o acordo entre as Organizações Globo e o miliardário australiano-britânico-americano da mídia.

   Na fusão entre Sky e Direct TV, apesar da News Corp, de Murdoch, deter a maioria absoluta das ações, 72%, as OG seguirão tendo o controle total do que for exibido pelas operadoras, só perdendo esse poder se um dia tiver menos de 5% dos papéis. Esse ponto do acordo foi revelado agora e mostra que, pelo que está escrito, foi um acerto de pai (Murdoch) para filhos (os Irmãos Marinho). Do jeito que a coisa ficou, a News não tem o acesso de seus conteúdos garantido aqui, mas a Globo pode botar os seus em todos os mercados relevantes do mundo.

   Bem, pode ser também que esse acordo incrivelmente bom, principalmente para uma empresa endividada, tenha sido obra da capacidade de negociação da equipe das OG. Nesse caso, fica a proposta: pedi-la emprestado e mandá-la sentar à mesa com FMI, Bird e União Européia e nas rodadas da OMC, do Mercosul e da Alca. Em cinco anos, estaríamos dominando o mundo.

 
Do que Larry não fala. E nós também não

   Sobre as causas da obesidade, Larry Rohter não dá um pio. Até aí tudo bem, está no papel dele. O que realmente lamento é que os coleguinhas daqui também fiquem calados a respeito.

 
A última do Larry

   O coleguinha Larry Rohter, correspondente do NYT no Brasil, está se tornando uma figura folclórica. Em matéria amplamente repercutida pelo Globo de hoje, ele afirma que as cariocas - que ele toma como resumo da mulher brasileira - são obesas ao ponto da deformidade. A pauta e o tipo criado por Rohter, porém, estão longe de serem folclóricos. Tento explicar essa opinião na Pensata.

13.1.05

 
O esquisito suicídio de um jornalista investigativo americano

   Gary Webb, coleguinha americano que denunciou como a CIA distribuiu crack nos guetos negros americanos para financiar a guerrilha dos contras na Niacarágua, foi encontrado morto em sua casa, na Califórnia, com duas balas na cabeça, em dezembro. Conclusão do legista: suicídio.

   A morte do colega não foi mencionada nem no site da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), nem no da Knight Center of Journalism in the Americas. Aqui matéria sobre o assunto.

 
Apocalypse soon (II): Deus e a mídia americana

   Se fosse feito por encomenda, esse artigo de Norman Solomon, publicado no site da F.A.I.R., dificilmente casaria tão bem com os que cito no post abaixo. Vale muito a leitura.

   E por falar em Solomon, ele deve estar no Fórum Social Mundial, que começa em Porto Alegre no dia 26, onde pela primeira vez será discutido o papel desempenhado pela mídia na globalização, sua relação com o poderes econômicos e políticos e sua colaboração para a perpetuação das injustiças cometidas em todo o mundo.

 
Apocalypse soon: O fundamentalismo americano e o mundo

   Pensei em comentar esse artigo do William Safire, articulista do NY Times e ex-escritor de discursos de Nixon em seu governo pré-Watergate, publicado no Globo ontem. Acabei esquecendo, mas ele me voltou à mente ao ler essa análise francamente apavorante.

 
O mapa do Leão

   Aliás, se você quiser ter uma boa idéia do assunto Leão x Coleguinhas, dê um pulo aqui e clique na aba "Jornalistas".

 
O Conselheiro, a ANPLIAR e o Leão

   Grande Conselheiro usa, com maestria característica, as ferramentas da ANPLIAR (Análise Polilinear da Realidade) na questão do flagra da Receita em coleguinhas famosos que fingem ser empresas para burlar o Imposto de Renda e outras taxas:

      "O governo poderia usar o flagra para diminuir a pressão desses coleguinhas com vistas à eleição de 2006".

   Como diz o outro, é, pode ser...

12.1.05

 
Tragédias invisíveis

   Uma boa pergunta sobre este fato esquisito: morre gente à beça em maremotos e, principalmente, em guerras, mas se vê mais sangue em filme "muderno" de samurai.

 
Outra de Fisk sobre o Iraque

   O Globo nos brinda hoje com excelente texto do coleguinha Robert Fisk, correspondente do Independent, de Londres, sobre o clima de terror em Bagdá (muito útil também para os jornais cariocas pararem com essa boilice de dizer que Bagdá é aqui...). Aqui outro texto de Fisk sobre a questão iraquiana, no qual ele mostra como se armou o desastre geral que se anuncia por lá.

 
Dona Míriam se anima

   A colunista do Globo se mostra hoje mais contentinha com a leitura que fez das pesquisas da CNI e do IBGE. Estas mostram que a indústria de uma parada no crescimento, afetando a criação de empregos. Nada que não fosse previsto, após um crescimento seguido de 15 meses (essa informação está na matéria sobre o assunto, na página seguinte a da coluna, não nesta), mas, de qualquer maneira, é sempre um alento para os planos de Dona Míriam de voltar ao poder, por via indireta, em 2007.

11.1.05

 
Olha o Imprensa Que Eu Gamo aí, geeente!!


   Dia 18, a partir das 21 horas, será escolhido o samba do Imprensa Que Eu Gamo - o bloco dos jornalistas do Rio, para quem não é coleguinha - que este ano comemora dez anos de desfile. A escolha será no Theatro Odisséia (Rua Mem de Sá, 66, Lapa) e o bloco vai à rua no dia 22, com concentração no lugar de sempre - Mercadinho São José das Artes, na Rua das Laranjeiras, às 16 horas.

   Os sambas concorrentes foram compostos por:

      1. Cláudia Maximino, Fernanda Borges, Thomas Traumann, João Gabriel de Lima, Ronaldo França, Sérgio Garcia e Ricardo Amorin;

      2. Célia Abend

      3. Márcio Ferreira, Léo Vianna, Flávio Queiroga e Fabiano Ribeiro

      4. Alexandre Alves

      5. Ricardo Rabelo

      6. Fernando Molica e Alexandre Medeiros

      7. Júlio Moura, Lui Coimbra e Admar Branco

      8. Custódio Coimbra e Cristina Chacel

      9. Ivan Accioly, Gustavo Martins e Cláudio Uchoa

 
Dona Míriam e a literatura

   Por falar em coleguinha PJ, até eu estou começando a ter pena da Dona Míriam. Tendo que pegar pela proa um aumento de IR e ainda vendo a economia funcionar, apesar de toda a sua torcida contra, ela tem mesmo que se apegar, como fez hoje, a detalhes literários para bater de alguma forma na atual Administração.

 
Estrelas do jornalismo sentem o bafo quente do Leão

   A profunda irritação de alguns coleguinhas com o aumento do IR sobre as "firmas do eu-sozinho" criadas por eles para se livrarem do pagamento de impostos pode se transformar em fúria brevemente. É que os computadores da Receita flagraram algumas estrelas do jornalismo pátrio, que podem - pelo menos deveriam - ser processadas por sonegação. Agora, se o Leão vai rugir para esses coleguinhas famosos como faz para os pobres mortais ou se vai miar como um gatinho, só o tempo dirá.

10.1.05

 
Conselho de Comunicação Social...da Globo

   Criado depois de mais de uma década de luta para ser um órgão independente de assessoramento do Congresso nas questões referentes à Comunicação Social do Brasil, o CCS se transformou em correia de transmissão do maior conglomerado de mídia do país. Veja como foi feita a armação.

 
Por uma História diferente

   Ok, é completamente off topic, mas se você gosta de História como eu, não vai se importar com detalhes e lerá este artigo de Eric Hobsbawn que saiu no Diplô.

 
Bush x CIA

   Vamos ver quanto tempo os correspondentes brasileiros nos EUA vão levar para dar a notícia que você pode ler aqui.

 
Outro lado das eleições palestinas

   Já que, se depender de nossos jornais, rádios e tevês, você só vai saber o que está rolando nas eleições na Palestina sob o ponto de vista americano, aqui vai um outro lado.

9.1.05

 
A próxima do Jarrão

   Olha só o que Michael Moore anda aprontando.

 
Mais uma americana com noção

   Conheça a coleguinha Amy Goodman, apresentadora e produtora-executiva do programa Democracy Now!

 
Mira dos caça-jornalistas melhorou em 2004

   A ONG Repórteres Sem Fronteiras contou 53 assassinatos de coleguinhas em 2004 (dois no Brasil). Foi o maior número da década. Aqui.

 
Brasil decide em 2005 a Comunicação Social que vai querer ter


   Uma boa geral da batalha que está sendo travada dentro e fora do governo no campo da Comunicação Social, você pode ler aqui. E o artigo do professor Venício citado na matéria é este aqui.

7.1.05

 
Pensata volta à área também

Aproveitando o embalo da volta da Coleguinhas, pus também de volta na Rede o blog-irmão Pensata. Para marcar a reestréia, botei algumas da resenhas que fiz no Multiply quando andava por lá. O atalho está aí do lado.

 
De carona na popularidade do Nove-Dedos

   Fiquei todo cheio quando vi que, mesmo com o site desativado por quase um ano, a média de visitas diárias era de 39 pessoas. Mais orgulhoso ainda fiquei quando esses acessos saltaram pra cima de 100 por dia na rentrée da Coleguinhas.

   Bem, a bola murchou quando vi, na lista de referências do Site Meter - que aponta de onde vieram os visitantes -, que a maior parte dos 122 transeuntes de hoje (número até o momento) tinha dado com os costados aqui depois de digitar "déspota cachaceiro" no Google, aquela sacanagem que algum tucano ou outro direitista mais esperto fez com o Nove-Dedos. O vivente digita isso, vê um site chamado "Coleguinhas, Uni-vos!" e, pimba!, dá um pulo aqui, inflando o número de acessos e o meu ego.

 
Oi, conteúdo!

   Entrou no ar ontem, em BH, a rádio Oi, uma parceria entre o grupo Bel, que tem a concessão, e a operadora de celular. Imagino o que deve estar pela cabeça dos donos da empresas de comunicação eletrônica. Deve ser algo como um filme de terror, porque esse é obviamente um passo exploratório das telecoms no caminho de passarem a usar o celular como emissor de conteúdo próprio. Se a Anatel, por pressão da Abert, não embarreirar, o próximo passo será uma telecom - a Oi e/ou outra - começar a "patrocinar" produtoras independentes de rádio e tevê para fornecer conteúdo para os celulares e/ou sites de banda larga. E, de repente - não mais que de repente - as empresas de mídia que reinavam sozinhas no espectro terão pela frente um grupo de mamutes prontos para passar por cima delas.

 
Mico na Palestina. Estrelando: Richard Gere

   Essa está no blog da coleguinha Leila Couceiro, que mora em Sacramento (EUA). Mais uma prova que os americanos, como diriam os jovens, "não têm noção".

 
Dona Míriam, o público e o privado

   Bem, a partir de hoje Dona Míriam não pode mais criticar o MST por invadir terras e nem protestar, como fez hoje, da mistura entre o público e o privado.

   É que ao defender que os profissionais liberais se transformem em empresas para sonegar impostos, o que é crime, devido à cobrança de encargos trabalhista, injusta para com as empresas, na opinião da colunista, ela perde a autoridade moral para acusar de criminosas as invasões dos camponeses que lutam contra a igualmente injusta distribuição de terras no Bananão.

   Da mesma forma, a moral dela fica abalada para criticar os amigos dos filhos do Nove-Dedos por confundir o privado com o público ao usar um avião da FAB porque ela também tornou-se pessoa jurídica para burlar a legislação e não contou nada aos seus leitores. Ou seja, está usando sua tribuna pública - não esquecer que ela, como muitos outros coleguinhas, dizem que jornalismo é serviço público - para defender seus ganhos privados.

 
Curso prático de jornalismo investigativo brasileiro - I

   Está no segundo parágrafo da matéria Anatel recua e vai investigar funcionário, página 12, de O Globo, no bloco dedicado ao piloto de helicóptero que recebia do estado e de um particular, no caso o traficante Dudu.

      Na opinião de um advogado especializado em direito administrativo, no entanto, o ato é passível de punição, por ter características de improbidade administrativa.

   Que advogado? Que características?

6.1.05

 
Sindicato e Rede Tv! fecham acordo

   Informe do Sindicato sobre a mesa-redonda ocorrida na DRT-RJ hoje:


      O Sindicato e a Rede TV fecharam hoje um acordo na sede da Delegacia Regional do Trabalho. A empresa se comprometeu a retomar em fevereiro o depósito regular do FGTS e escalonar o pagamento da dívida junto à CEF. O mesmo será feito com o INSS. O terço adicional das férias dos que não receberam em 2004 também será pago e os jornalistas que tirarem férias a partir de agora terão o direito garantido. Os contratos irregulares de 40 horas semanais dos 2 estagiários da redação carioca serão reduzidos para 20h semanais e os estagiários não mais exercerão funções exclusivas de jornalistas profissionais. O Sindicato deu um voto de confiança à empresa e fechou o acordo, ressalvando que, em caso de não cumprimento de qualquer cláusula, fará denúncia ao Ministério Público do Trabalho, a exemplo do que foi feito contra o Jornal do Brasil. O JB descumpriu o acordo de pagar em dia o décimo-terceiro das Pessoas Jurídicas. O editor chefe do jornal, Marcus Barros Pinto, de férias, garantiu hoje ao Sindicato que o pagamento será feito ao longo deste mês.

 
Relação de anunciantes que financiam baixaria na tevê sai este mês

   Pelo menos essa é a promessa da Comissão de de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, que leva à frente a campanha Quem financia a baixaria é contra a cidadania, coordenada pelo deputado Orlando Fantazzini (PT-SP). Veja aqui.

 
Jornais em crise mundo afora

   Acho que essa análise vai sair no Diplô-Brasil, mas é tão pertinente que não resisti à tentação de passá-la rápido adiante em espanhol mesmo.

5.1.05

 
O Leão está à espreita dos J-PJ (Jornalistas-Pessoas Jurídicas)

   Aproveitando o aumento da mordida do Leão sobre as empresas de prestação de serviço, o Sindicato manda um alerta:

      A decisão do governo de aumentar em até 30% a tributação sobre prestador de serviços torna ainda menos interessante a "operação PJ" para pagar menos impostos. O Sindicato se sente no dever de alertar a todos os jornalistas sobre as desvantagens, cada vez maiores, da opção pelo regime falso de PJ, além do perigo de configurar sonegação fiscal. Alerta também as empresas adeptas da prática para o risco de danosas ações trabalhistas exigindo o pagamento retroativo dos direitos. A Justiça não tem deixado dúvidas: nenhum contrato pode se sobrepor às leis brasileiras, segundo as quais trabalhador deve ter carteira de trabalho. Em tempo: o Departamento Jurídico do Sindicato está, como sempre, à disposição de todos os que decidirem cobrar seus direitos na Justiça.

 
Yes, nós também temos atoleiro

   Analista avisa que, se bobearmos, vamos ficar indefinidamente encalacrados no Haiti, com os americanos brincando de soldadinho de chumbo com o nosso pessoal.

   Na boa, já não é hora de algum dos nossos veículos mandar um dos bravos repórteres investigativos dar um pulo no Haiti para ver in loco o que está realmente acontecendo?

 

Tucano é mau que nem pica-pau

   Digita aí no Google "déspota cachaceiro" (com as aspas).

   O problema é o substantivo e não o adjetivo, é claro.

4.1.05

 
PT se torna sócio da Folha

   Calma, pessoal!! Não é "o" PT, é "a" PT - a Portugal Telecom. Ainda assim é notável, pois a telecom portuguesa é a primeira empresa de capital estrangeiro a se tornar sócia de uma empresa jornalística brasileira (ok, ok, a Abril tem 13,8% em poder do Capital International Inc, mas este é um fundo, não uma empresa). A nova Folha-UOL S/A surgiu com a decisão da Folha de dar um tiro na testa do sempre deficitário UOL, fundindo-se ao portal. Como a PT era sócia minoritária do UOL, com 28% das ações, se tornou minoritária também na nova empresa, com 21,09%. Pela Constituição, gringos podem ser donos de 30% das ações de empresas jornalísticas.

   A idéia é abrir o capital em bolsa. A data ainda não foi definida, mas não deve ser nada imediato. É que no seu último balanço registrado, em 2002, o UOL teve um prejuízo de pouco mais de R$ 317 milhões (em 2003 e 2004, o UOL decidiu deixar de sangrar em praça pública e nem registrou o balanço na CVM). Enquanto isso, a Folha faturou R$ 196 milhões em 2003, segundo os dados levados ao BNDES na época em que as empresas de comunicação tentavam dar uma facada na Viúva (resultado mesmo - lucro ou prejú - eles não abrem de jeito nenhum). Assim, vai levar um tempo para sanear as dívidas porque, pelo que se sabe, ninguém se coçou para capitalizar a nova companhia.

   Além da Folha, o Grupo Folha-UOL é composto pelo jornal Agora São Paulo, pelo Folha Online, pelo instituto Datafolha, pela Agência Folha e pela editora de livros e vídeos Publifolha. O grupo possui ainda em seu portifólio 50% do Jornal Valor (ao lado do grupo Globo) e 51% da gráfica Plural (ao lado da americana Quad Graphics, a maior gráfica de capital privado das Américas).

 
A democracia segundo Saramago


   Reflexão do grande escritor português sobre a democracia nossa de cada dia.

3.1.05

 
Ano novo, cota de tela nova


   Saiu a cota de tela para o cinema nacional. Foi publicada no DOU de 30 de dezembro. Teve uma mudança importante: ano passado, independente do número de salas que tivesse o exibidor, ela teria que exibir filmes brasileiros por 63 dias durante o ano. Em 2005, passou a haver uma escala, variando de acordo com o número de sala que tiver o circuito exibidor. A reserva ficou assim:

* Uma sala – 35 dias, com no mínimo dois titulos;
* Duas salas – 84 dias, com no mínimo dois títulos;
* Três salas – 147 dias, com no mínimo três títulos;
* Quatro salas – 224 dias, com no mínimo quatro títulos;
* Cinco salas – 280 dias, com no mínimo cinco títulos;
* Seis salas – 378 dias, com no mínimo seis títulos;
* Sete salas – 441 dias, com no mínimo sete títulos;
* Oito salas – 448 dias, com no mínimo oito títulos:
* Nove salas - 448 dias, com no mínimo nove títulos;
* Dez salas – 455 dias, com no mínimo dez títulos;
* Onze salas – 462 dias, com no mínimo 11 títulos;
* Mais de onze salas – 462 dias e mais 7 dias por sala adicional, com no mínimo 11 títulos.


   Para variar, deve ter choradeira de exibidor, achando um abuso por parte da Administração, e de cineasta, afirmando que é muito pouco e que mesmo esse pouco não será cumprido por não haver fiscalização da Ancine.

 
O Globo usa TCU para fazer lobby em favor da Globo Filmes

Se voce é leitor do Globo, uma dica para não perder seu tempo: o importante da matéria com o novo presidente do TCU, Adylson Motta, está nas respostas aas duas primeiras perguntas. Na primeira, ele diz que não basta ao Poder Público aplicar os recursos com correção, mas também com eficiência. Na segunda, Motta aponta a Petrobras como uma das empresas resistentes à fiscalização do TCU.

Por trás da matéria e das duas respostas, está a resolução do TCU, dada a público em novembro, de que as estatais apliquem a verba em cultura levando em conta principalmente o retorno financeiro. Essa recomendação limita em muito a aplicação em formas de arte com retorno inexistente ou muito baixo - artes plásticas, manifestações populares, boa parte das artes cênicas e até muito do cinema nacional - deixando às empresas praticamente o audiovisual de massa.

Bem, adivinha quem domina essa vertente do mercado? Pô, tu és esperto/a mesmo, hein? Isso aí. As Organizações Globo, que, por intermédio da Globo Filmes, produz cerca de 90% dos filmes e videos no país. E qual a empresa que detém a maior parte do financiamento do cinema pátrio? Caramba! Tu és bom/boa mesmo! É, a Petrobras.

E de lambuja, a matéria, ao reforçar essa idéia de que cultura é igual a dinheiro, ainda cutuca no pessoal que mais defende a Ancinav, que é exatamente a galera que produz audiovisual fora do Esquema Globo.

Bacaninha, né?

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