23.7.05
Nove-Dedos e os dois povos brasileiros
Não gosto muito desses destampatórios do Nove-Dedos. Acho-os desnecessários e não condizentes com um político do nível dele, que deve ter, no meu modo de ver, o sangue tão quente quanto o de uma enguia. Mas tenho que ver o lado do cara também. E esse lado vi hoje na filial do laboratório Labs, na rua Sorocaba, em Botafogo.
Estava lá para o teste ergométrico do meu exame periódico. Entraram na sala de espera dois casais - um mais velho e outro novo. A mulher mais nova tinha ido fazer um exame qualquer. Pelo papo e pelo sotaque, percebi que os jovens moravam no Rio, mas não eram daqui e os velhos também eram de fora e estavam aqui de visita. Pelo que entendi, residem em Rondônia, mas o homem viaja muito para Cuiabá a negócios.
Quando a moça, acompanhada da mulher mais velha, foi fazer o exame, os dois homens continuaram a conversar, mas o papo, que estava em modelos de celulares, logo chegou à crise política. Ambos acham que o Nove-Dedos não tem nada com mensalão e o resto, mas o mais velho crê que ele enganou o povo, pois teria sido eleito com um compromisso com os bancos de manter os juros altos. " E isso ferra o povo", afirmou.
- Mas tudo o que está acontecendo é bom - disse o rapaz, brincando com o celular de flip.
- É. Isso vai acabar com esses petistas. Um monte de intelectuais. Eles ficavam dizendo que a esperança estava no povo....A gente que lida todo dia com esse pessoal é que sabe...
Pois é. E o Nove-Dedos, a julgar pelo desabafo de ontem, parece que também sabe com que pessoal lida todo dia.
Estava lá para o teste ergométrico do meu exame periódico. Entraram na sala de espera dois casais - um mais velho e outro novo. A mulher mais nova tinha ido fazer um exame qualquer. Pelo papo e pelo sotaque, percebi que os jovens moravam no Rio, mas não eram daqui e os velhos também eram de fora e estavam aqui de visita. Pelo que entendi, residem em Rondônia, mas o homem viaja muito para Cuiabá a negócios.
Quando a moça, acompanhada da mulher mais velha, foi fazer o exame, os dois homens continuaram a conversar, mas o papo, que estava em modelos de celulares, logo chegou à crise política. Ambos acham que o Nove-Dedos não tem nada com mensalão e o resto, mas o mais velho crê que ele enganou o povo, pois teria sido eleito com um compromisso com os bancos de manter os juros altos. " E isso ferra o povo", afirmou.
- Mas tudo o que está acontecendo é bom - disse o rapaz, brincando com o celular de flip.
- É. Isso vai acabar com esses petistas. Um monte de intelectuais. Eles ficavam dizendo que a esperança estava no povo....A gente que lida todo dia com esse pessoal é que sabe...
Pois é. E o Nove-Dedos, a julgar pelo desabafo de ontem, parece que também sabe com que pessoal lida todo dia.
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