30.3.04
Quem leu a minha coluna de despedida no Comunique-se certamente não vai se surpreender com o fim deste Picadinho. Afinal, a falta de saco para falar da mídia de Bruzundanga não poderia ser diferente. Aqui, porém, há uma possibilidade que não há no C-se: se eu não postar, outros podem fazê-lo em meu lugar.
Aí na coluna do lado há sites que são obras de mais de uma pessoa (o Cocadaboa, por exemplo) e é esse o caminho que proponho para a continuação do Picadinho. Quem quisesse postar aqui me mandaria o emeio e o nome (ou pseudônimo, que será mantido em sigilo como sempre fiz com as colaborações ao longo do tempo) e eu cadastraria no Blogger. A pessoa poderia postar e mexer em seus posts, mas não no de outros colegas que porventura também se inscrevessem.
Creio que além de manter o Picadinho na Rede, esta fórmula teria duas vantagens adicionais:
1. Aprofundaria a idéia de comunidade que sempre norteou tudo o que procurei fazer na Internet, embora sem muito sucesso;
2. Aumentaria o leque de visões diferentes no blog, tornando-o mais rico.
Bom, é isso. Quem quiser aderir à idéia acima é só me mandar um emeio.
Ah! A Coleguinhas Por Mail não mudará. A única alteração perceptível será que a newsletter eletrônica se tornará mais devezemquandária do que nunca.
Bem, como encerramento, um número com a Allman Brothers Band:
End Of The Line (G. Allman, W. Haynes, A. Woody e J. Jaworowicz)
And now the gravity of trouble was more than I could bear,
At times my luck was so bad, I had to fold my hands,
Almost lost my soul, rarely I could find my head,
Wake up early in the morning, feeling nearly dead.
I was never afraid of danger, took trouble on the chin,
Mountains I have climbed, that have killed a thousand men,
Spent most of my lifetime downtown, sleepin' behind the wheel,
Never needed anybody, I was king of the hill.
[Chorus:]
Oh, when I think about the old days,
Lord, it sends chills up and down my spine,
Yeah life ain't what it seems, on the boulevard of broken dreams,
Guess I opened my eyes in the nick of time,
'Cause it sure felt like the end of the line.
No matter how hard I run, I just can't get away
I try to do my best, but the devil gets in my way
Spent most of my lifetime downtown, sleepin' behind the wheel
'Till it all came down to kill or be killed
[Chorus]
Aí na coluna do lado há sites que são obras de mais de uma pessoa (o Cocadaboa, por exemplo) e é esse o caminho que proponho para a continuação do Picadinho. Quem quisesse postar aqui me mandaria o emeio e o nome (ou pseudônimo, que será mantido em sigilo como sempre fiz com as colaborações ao longo do tempo) e eu cadastraria no Blogger. A pessoa poderia postar e mexer em seus posts, mas não no de outros colegas que porventura também se inscrevessem.
Creio que além de manter o Picadinho na Rede, esta fórmula teria duas vantagens adicionais:
1. Aprofundaria a idéia de comunidade que sempre norteou tudo o que procurei fazer na Internet, embora sem muito sucesso;
2. Aumentaria o leque de visões diferentes no blog, tornando-o mais rico.
Bom, é isso. Quem quiser aderir à idéia acima é só me mandar um emeio.
Ah! A Coleguinhas Por Mail não mudará. A única alteração perceptível será que a newsletter eletrônica se tornará mais devezemquandária do que nunca.
Bem, como encerramento, um número com a Allman Brothers Band:
End Of The Line (G. Allman, W. Haynes, A. Woody e J. Jaworowicz)
And now the gravity of trouble was more than I could bear,
At times my luck was so bad, I had to fold my hands,
Almost lost my soul, rarely I could find my head,
Wake up early in the morning, feeling nearly dead.
I was never afraid of danger, took trouble on the chin,
Mountains I have climbed, that have killed a thousand men,
Spent most of my lifetime downtown, sleepin' behind the wheel,
Never needed anybody, I was king of the hill.
[Chorus:]
Oh, when I think about the old days,
Lord, it sends chills up and down my spine,
Yeah life ain't what it seems, on the boulevard of broken dreams,
Guess I opened my eyes in the nick of time,
'Cause it sure felt like the end of the line.
No matter how hard I run, I just can't get away
I try to do my best, but the devil gets in my way
Spent most of my lifetime downtown, sleepin' behind the wheel
'Till it all came down to kill or be killed
[Chorus]
Conselheira estava folheando um relatório de um grande cliente quando deu de cara com uma revelação que a deixou pasma: na pesquisa CNT/Sensus, apenas 9,8% dos entrevistados culpam o Nove-Dedos pelo desempego, enquanto 31,5% põem a culpa no FHC.
Sei lá, posso estar distraída. Mas você leu isso ontem nos online e hoje em algum órgão de nossa brava imprensa?, pergunta a Conselheira.
Se ela estava, eu também, pois não vi nada sobre este dado em lugar nenhum, apesar de toda a badalação em torno da tal pesquisa.
Sei lá, posso estar distraída. Mas você leu isso ontem nos online e hoje em algum órgão de nossa brava imprensa?, pergunta a Conselheira.
Se ela estava, eu também, pois não vi nada sobre este dado em lugar nenhum, apesar de toda a badalação em torno da tal pesquisa.
Terminou a eleição do King of the Kings/2003. Como já estava na cara desde a primeira semana, Ali Kamel ganhou facilmente o título de maior cascateiro do ano passado, com a sua defesa da isenção da Rede Globo na cobertura das Diretas-Já. Ali obteve 49 dos 72 votos depositados na urna virtual, ou 68,06% dos sufrágios. Em seguida, veio Gugu Liberato com as entrevistas com os falsos bandidos do PCC, ficando em terceiro, com oito votos, as matérias em que Cacá Diegues dizia haver dirigismo cultural na política do Governo do Nove-Dedos para o setor. Em quarto, terminou o resgate fajuto da soldado Jessica Lych no Iraque (três votos) e, em último, dividindo a lanterna, Dona Míriam e sua defesa das cotas para negros em universidades e as matérias do Jason Blair, no NYT, com um votinho.
Parabéns, Ali, pela esmagadora e merecidíssima vitória! Victor Combo certamente teria orgulho de lhe entregar o troféu, réplica do balão gigante que nunca existiu.
Parabéns, Ali, pela esmagadora e merecidíssima vitória! Victor Combo certamente teria orgulho de lhe entregar o troféu, réplica do balão gigante que nunca existiu.
Conselheiro de cabelos brancos levanta uma objeção ao caderno sobre o Golpe de 64 do Globo:
Sabe de que senti falta no caderno do Globo? Do Brizola. Falaram com um monte de gente com papel periférico nos acontecimentos e não ouviram o velho Briza? Somente ele poderia contar como foi a decisão de Jango em não resistir contra o golpe lá no Rio Grande. Custa a crer que tenha sido incompetência. Tem mais a cara do velho ranço do Globo com o Brizola. Lamentável que ainda se faça jornalismo assim. Se foi incompetência é até passível de perdão. Mas se não foi...
Sabe de que senti falta no caderno do Globo? Do Brizola. Falaram com um monte de gente com papel periférico nos acontecimentos e não ouviram o velho Briza? Somente ele poderia contar como foi a decisão de Jango em não resistir contra o golpe lá no Rio Grande. Custa a crer que tenha sido incompetência. Tem mais a cara do velho ranço do Globo com o Brizola. Lamentável que ainda se faça jornalismo assim. Se foi incompetência é até passível de perdão. Mas se não foi...
Mudanças no Esporte d'O Dia. Rafael Maranhão chega para o Ataque, vindo do Globo Online, e os boas-praças Carlos Silva e Ricardo Gonzalez deixam o jornal da Rua do Riachuelo.
29.3.04
A matéria da Carta Capital com o ex-chefe do FBI no Brasil é um bom argumento para o Luiz Fernando Veríssimo defender uma opinião dele: a de que o Bob Fernandes é o único repórter investigativo de verdade do Brasil. E se isso aqui não fosse o Bananão, o Nove-Dedos demitiria toda a cúpula da Polícia Federal.
Quanto à revelação de que a nossa mídia é "influenciável" demais...Bem, isso é não chega a ser muito surpreendente, né?
Vamos, vai lá e compra a Carta Capital de novo, vai...
Quanto à revelação de que a nossa mídia é "influenciável" demais...Bem, isso é não chega a ser muito surpreendente, né?
Vamos, vai lá e compra a Carta Capital de novo, vai...
Nesta quarta-feira, dia 31, às 19h30, no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Humaitá, será lançado no Rio o livro "Cães de Guarda - Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 88", de Beatriz Kushnir. Na obra, Beatriz, historiadora e professora da Unicamp, mostra o papel censores nas redações dos jornais durante da ditadura militar, incluindo jornalistas que também censuraram (naquele tempo a autocensura e o pensamento único ainda não eram moda nas redações). Para marcar o lançamento, haverá ainda um debate reunindo a autora, o historiador Daniel Aarão Reis Filho e os jornalistas Denise Rollemberg e João Bastista Abreu.
28.3.04
Agora é esperar o caderno dos 20 anos das Diretas-Já e a versão do jornal para a própria cobertura e a da Rede Globo. Se é que vai ter alguma versão...
Apesar da falta de autocrítica, o caderno do Golpe de 64 do Globo foi bem feito, nos moldes de "caderno para ganhar prêmio" do jornal da Irineu Marinho - bem apurado, bem escrito, bem editado -, e ainda contando com uma revelação importante (a de que a bomba do Riocentro devia ter explodido em 80). Boa aposta em um monte de prêmios este ano.
O Globo de hoje me fez sentir o peso da idade. A linda matéria de Toninho Nascimento e Márcio Tavares lembrou-me da primeira decisão de futebol que acompanhei na vida - pelo rádio, mas acompanhei -, a vitória do Bangu sobre o Flamengo, em 66, e dos jogadores dos quais ouvi falar por bom tempo como Fidélis, o "Touro Sentado", o Paulo Borges, a "Gazela", e Aladim (adivinha o apelido...). Esse foi o lado bom.
O ruim foi o caderno de 40 anos do Golpe de 64. Assim mesmo, com essa palavra, golpe. Me senti velho, pois sou do tempo em que o Globo chamava o golpe de Movimento de Março de 64. Felizmente, quem escreveu o editorial lembrou dos velhos tempos e manteve essa denominação oficial do jornal para a quartelada. No editorial, é claro, nada de pedido de desculpas aos leitores e ao país por ter sido o jornal um dos esteios do regime ditatorial, mas seria pedir demais mesmo, né?
O ruim foi o caderno de 40 anos do Golpe de 64. Assim mesmo, com essa palavra, golpe. Me senti velho, pois sou do tempo em que o Globo chamava o golpe de Movimento de Março de 64. Felizmente, quem escreveu o editorial lembrou dos velhos tempos e manteve essa denominação oficial do jornal para a quartelada. No editorial, é claro, nada de pedido de desculpas aos leitores e ao país por ter sido o jornal um dos esteios do regime ditatorial, mas seria pedir demais mesmo, né?
27.3.04
Hermés Galvão deixou a coluna de Lu Lacerda, em O Dia.
26.3.04
Antônio Maria Filho não é grande só no físico. Disso sei desde que tomei uma volta dele sem o Maria ter saído do lugar ou eu ter deixado um segundo de vigiá-lo, isso há quase 20 anos. Se ler o depoimento dele no Globo sobre o musical que fala da vida do pai dele, o Velho Maria, você vai concordar comigo.
A coluna da Tereza Cruvinel hoje é uma aula de como a política é feita no Brasil e, principalmente, como um jornalista deve abordar as questões para pelo menos diminuir a fragmentação da realidade que a mídia, estruturalmente, realiza. A colunista se propõe a botar os pingos nos is nas origens da tal crise política e o faz com a competência exemplar de sempre.
25.3.04
Essa está no blog da Tereza Cruvinel no site do Globo online
Oi pessoal,
Primeiro um recado pro Borges: acho que vale a pena pensar sobre isso. você levanta restrições a mim todos os dias, vive me espinafrando mas continua em minha companhia...No fundo, alguma coisa do que faço lhe agrada, não?
Não, Tereza. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Você deve lembrar daqueles velhinhos que não tinham mais nada a fazer da vida e passavam o tempo escrevendo cartas para jornais. Pois o pessoal que vive acessando blogs só para discordar do blogueiro é a versão Século XXI deles. É pura falta do que fazer mesmo.
E pelo que vi no seu blog, sou até um cara de sorte, pois as minhas malas pelo menos são divertidas de vez em quando, além de serem em número infinitamente menor.
Oi pessoal,
Primeiro um recado pro Borges: acho que vale a pena pensar sobre isso. você levanta restrições a mim todos os dias, vive me espinafrando mas continua em minha companhia...No fundo, alguma coisa do que faço lhe agrada, não?
Não, Tereza. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Você deve lembrar daqueles velhinhos que não tinham mais nada a fazer da vida e passavam o tempo escrevendo cartas para jornais. Pois o pessoal que vive acessando blogs só para discordar do blogueiro é a versão Século XXI deles. É pura falta do que fazer mesmo.
E pelo que vi no seu blog, sou até um cara de sorte, pois as minhas malas pelo menos são divertidas de vez em quando, além de serem em número infinitamente menor.
Só a Folha deu informações mais relevantes sobre o Pró-Mídia, usando como fonte Aloízio "Boca Nervosa" Mercandante. Ele disse que uma empresa só terá 25% do total da linha de crédito. Isso faria com que o empréstimo máximo para cada empresa fosse de R$ 1 bilhão.
Mercadante disse ainda, segundo a Folha, que R$ 700 milhões dos R$ 4 bi serão concedidos a editoras de jornais e revistas para a compra de papel. Ou seja, sobrariam R$ 3,3 bilhões para as linhas de investimento e pagamento de dívidas. Assim, no fim é bem possível que a Globopar, para quem esta operação toda foi montada, acabe sem o suficiente para se salvar. Pelo cara da rapadura, a Viúva corre o grande risco de botar uma grana preta na empresa, mas não conseguir salvá-la da falência, o que seria o pior dos mundos possíveis para o contribuinte.
Mercadante disse ainda, segundo a Folha, que R$ 700 milhões dos R$ 4 bi serão concedidos a editoras de jornais e revistas para a compra de papel. Ou seja, sobrariam R$ 3,3 bilhões para as linhas de investimento e pagamento de dívidas. Assim, no fim é bem possível que a Globopar, para quem esta operação toda foi montada, acabe sem o suficiente para se salvar. Pelo cara da rapadura, a Viúva corre o grande risco de botar uma grana preta na empresa, mas não conseguir salvá-la da falência, o que seria o pior dos mundos possíveis para o contribuinte.
A facada dos barões da mídia na Viúva ficará então por volta de R$ 4 bilhões. Poderia ser mais, mas ainda assim é uma baita grana. Na audiência de ontem no Senado, ficou claro que ela vai sair de qualquer maneira, sob o argumento de que a indústria de comunicação é estratégica para o país. Fora Cristóvam Buarque, ninguém mais falou em contrapartidas mínimas, como democratização do controle das empresas, governança corporativa, regionalização do conteúdo e coisas do tipo. Afinal, é tempo de eleição municipal e nenhum senador ou deputado vai querer brigar com a mídia emberreirando a concessão do empréstimo, certo?
Assim, como o previsto, o contribuinte - aquele que a mídia diz tanto defender - vai pagar a conta pela incompetência gerencial e estrabismo estratégico dos donos das empresas de comunicação.
Como disse outro dia um conselheiro a respeito de outro assunto: "Ah, Brasil!..."
Assim, como o previsto, o contribuinte - aquele que a mídia diz tanto defender - vai pagar a conta pela incompetência gerencial e estrabismo estratégico dos donos das empresas de comunicação.
Como disse outro dia um conselheiro a respeito de outro assunto: "Ah, Brasil!..."
24.3.04
O pau comeu hoje na audiência pública na Comissão de Educação do Senado, onde o BNDES apresentou as linhas de financiamento para as empresas de comunicação. Vamos ver como serão as coberturas amanhã.
O que o Zuenir escreveu é realmente verdade: tem estudante de jornalismo imbecil. Mas tem algumas coisas aí:
1. São poucos os que se firmam na profissão. A maior parte dos que ficam pode não ser gênio, mas também está longe de ser idiota;
2. Os jovens até têm responsabilidade nas bobagens que perguntam, por preguiça, principalmente, mas não creio que sejam os maiores culpados. Afinal, será que foram incentivados a tomarem cuidados com a sua formação? Que cuidados os pais tiveram com a formação deles? E os professores, não deviam exigir mais deles? E o governo e a comunidade acadêmica, que permitem a proliferação de cursos de jornalismo nos quais os professores bons são desencorajados a fazer bem o seu trabalho?
É aquela coisa: denunciar é legal para criar consciência dos males, mas só apontar o dedo para um elo da cadeia, ainda mais quando ele é o mais frágil, não é tão bom.
1. São poucos os que se firmam na profissão. A maior parte dos que ficam pode não ser gênio, mas também está longe de ser idiota;
2. Os jovens até têm responsabilidade nas bobagens que perguntam, por preguiça, principalmente, mas não creio que sejam os maiores culpados. Afinal, será que foram incentivados a tomarem cuidados com a sua formação? Que cuidados os pais tiveram com a formação deles? E os professores, não deviam exigir mais deles? E o governo e a comunidade acadêmica, que permitem a proliferação de cursos de jornalismo nos quais os professores bons são desencorajados a fazer bem o seu trabalho?
É aquela coisa: denunciar é legal para criar consciência dos males, mas só apontar o dedo para um elo da cadeia, ainda mais quando ele é o mais frágil, não é tão bom.
Comentário de conselheira-professora sobre a coluna do Véio Zuza:
São observações realmente corrosivas. Só gostaria de saber se o mestre Zu teria coragem de referir-se nos mesmos termos, e publicamente, ao início da carreira de certos companheiros, coetâneos ou quase, que fizeram sucesso e há muitos anos assinam colunas nos mais prestigiosos jornais.
São observações realmente corrosivas. Só gostaria de saber se o mestre Zu teria coragem de referir-se nos mesmos termos, e publicamente, ao início da carreira de certos companheiros, coetâneos ou quase, que fizeram sucesso e há muitos anos assinam colunas nos mais prestigiosos jornais.
Do Zuenir, no nominino, enviado por um conselheiro-professor:
E isso de ser jornalista?
Uma vez chamei de ?Samba do diálogo doido? as entrevistas que alguns estudantes fazem com a gente. São conversas sem pé nem cabeça, em que não se sabe o que irrita mais, se o despreparo do entrevistador ou a falta de orientação por parte do professor. Chegam sabendo por alto quem você é ou o que faz e tendo apenas uma vaga idéia do assunto sobre o qual devem perguntar. Não são todos assim, evidentemente; há alunos excelentes que entrevistam melhor do que muitos profissionais.
Nestas últimas semanas, porém, com a aproximação do 40o aniversário do golpe militar, intensificou-se o assédio a mim e, pelo que sei, a vários colegas, de jovens atrás de informações sobre a ditadura militar. Há casos em que a confusão e o desconhecimento são de dar pena ou fazer rir. Entre os despreparados, há pelo menos duas categorias: a dos humildes, que pedem desculpas pelo que não sabem e acabam despertando a nossa paciência. E a dos ignorantes espertos e cheios de si, dos quais aí vai uma amostra.
? Como é que era aquela época?
Achei que depois dessa viria outra do gênero: ?Como é que é essa coisa de ser jornalista??. Com o tempo aprendi a dar respostas igualmente vagas ou desconcertantes: ?Ah, depende?. Ou então: ?É como essa coisa de ser estudante de jornalismo?. Quando o jovem começou assim a entrevista, eu estava de mau humor. Resolvi então gozá-lo, respondendo mais ou menos assim:
- Era uma época parecida com a atual, só que muito diferente. Como todas, aliás, variando conforme o ponto de vista.
Não queria dizer absolutamente nada, e eu esperava que ele replicasse com um ?como assim??, ou ?explica melhor?. Nada. Ele se deu por satisfeito, o que aumentou minha irritação.
? O senhor escreveu um livro sobre o período, não é?
? Sobre que período?
? Sobre o período em que aconteceu tudo aquilo.
? Tudo aquilo o quê?
? Toda aquela confusão.
? Escrevi um livro sobre 1968.
? Ah, sim: ?O ano que não aconteceu?.
? Não. ?O ano que não terminou?.
Você pensa que ele se encabulou? Nem aí.
? É verdade. Fale um pouco sobre ele.
? Você não leu?
? Com esses trabalhos todos para fazer, ainda não tive tempo.
? Mas o livro foi lançado há mais de 15 anos.
? É verdade.
O que mais me irritava era que ele não dava o braço a torcer. Tinha sempre um ?é verdade?, como se minha palavra dependesse do crivo dele. Era como se o que eu dizia só tivesse validade quando ele endossava: ?é verdade?.
? E você não teve tempo de ler?
? Não, mas faz um resumo para os nossos leitores.
Aí tive que rir. Era tão folgado que ficava engraçado. Além do resumo, ele queria imprimir mais realismo à entrevista e falava como se milhares de leitores, ?os nossos leitores?, fossem ler este emocionante diálogo. Foi quando me dei conta do seguinte:
? Escuta aqui: se a pesquisa é sobre 64, o que 68 tem a ver com isso?
? É que eu quero fazer um trabalho abrangente. Sou assim: quando escolho um tema vou fundo, quero saber tudo.
Vi que ele era imbatível, não tinha jeito. Um grande debochado, só podia ser. Desisti de tentar gozá-lo, já que eu estava perdendo todas, e propus:
? Vamos nos concentrar em 64.
? Como o senhor quiser. Pra mim tanto faz. Pode começar.
Ele não só estava mandando no jogo como agora me dava ordens e permitia que, nesse duelo, eu escolhesse as armas: ?Como o senhor quiser?. Penso na crônica que escrevi há oito anos e percebo que nada mudou: parece o mesmo aluno de então, com as mesmas perguntas, a mesma cara de pau. Será que o outro virou coleguinha? E este de agora, será que vai conseguir o diploma? Respondo qualquer coisa e fico à espera da indefectível pergunta, que costuma ser ou a primeira ou a última. Ela vem.
? Agora vamos falar um pouco do senhor: como é que começou?
Vou à forra. Já tenho a resposta pronta.
? Estou quase indo embora e você vem me perguntar como comecei?
Ele diz ?é verdade?, me manda um abraço e, antes de desligar, ameaça: ?Quando o trabalho estiver pronto, envio uma cópia para o senhor. Qual é o seu endereço?? Não devia confessar, porque isso não se faz, mas dei o endereço errado.
E isso de ser jornalista?
Uma vez chamei de ?Samba do diálogo doido? as entrevistas que alguns estudantes fazem com a gente. São conversas sem pé nem cabeça, em que não se sabe o que irrita mais, se o despreparo do entrevistador ou a falta de orientação por parte do professor. Chegam sabendo por alto quem você é ou o que faz e tendo apenas uma vaga idéia do assunto sobre o qual devem perguntar. Não são todos assim, evidentemente; há alunos excelentes que entrevistam melhor do que muitos profissionais.
Nestas últimas semanas, porém, com a aproximação do 40o aniversário do golpe militar, intensificou-se o assédio a mim e, pelo que sei, a vários colegas, de jovens atrás de informações sobre a ditadura militar. Há casos em que a confusão e o desconhecimento são de dar pena ou fazer rir. Entre os despreparados, há pelo menos duas categorias: a dos humildes, que pedem desculpas pelo que não sabem e acabam despertando a nossa paciência. E a dos ignorantes espertos e cheios de si, dos quais aí vai uma amostra.
? Como é que era aquela época?
Achei que depois dessa viria outra do gênero: ?Como é que é essa coisa de ser jornalista??. Com o tempo aprendi a dar respostas igualmente vagas ou desconcertantes: ?Ah, depende?. Ou então: ?É como essa coisa de ser estudante de jornalismo?. Quando o jovem começou assim a entrevista, eu estava de mau humor. Resolvi então gozá-lo, respondendo mais ou menos assim:
- Era uma época parecida com a atual, só que muito diferente. Como todas, aliás, variando conforme o ponto de vista.
Não queria dizer absolutamente nada, e eu esperava que ele replicasse com um ?como assim??, ou ?explica melhor?. Nada. Ele se deu por satisfeito, o que aumentou minha irritação.
? O senhor escreveu um livro sobre o período, não é?
? Sobre que período?
? Sobre o período em que aconteceu tudo aquilo.
? Tudo aquilo o quê?
? Toda aquela confusão.
? Escrevi um livro sobre 1968.
? Ah, sim: ?O ano que não aconteceu?.
? Não. ?O ano que não terminou?.
Você pensa que ele se encabulou? Nem aí.
? É verdade. Fale um pouco sobre ele.
? Você não leu?
? Com esses trabalhos todos para fazer, ainda não tive tempo.
? Mas o livro foi lançado há mais de 15 anos.
? É verdade.
O que mais me irritava era que ele não dava o braço a torcer. Tinha sempre um ?é verdade?, como se minha palavra dependesse do crivo dele. Era como se o que eu dizia só tivesse validade quando ele endossava: ?é verdade?.
? E você não teve tempo de ler?
? Não, mas faz um resumo para os nossos leitores.
Aí tive que rir. Era tão folgado que ficava engraçado. Além do resumo, ele queria imprimir mais realismo à entrevista e falava como se milhares de leitores, ?os nossos leitores?, fossem ler este emocionante diálogo. Foi quando me dei conta do seguinte:
? Escuta aqui: se a pesquisa é sobre 64, o que 68 tem a ver com isso?
? É que eu quero fazer um trabalho abrangente. Sou assim: quando escolho um tema vou fundo, quero saber tudo.
Vi que ele era imbatível, não tinha jeito. Um grande debochado, só podia ser. Desisti de tentar gozá-lo, já que eu estava perdendo todas, e propus:
? Vamos nos concentrar em 64.
? Como o senhor quiser. Pra mim tanto faz. Pode começar.
Ele não só estava mandando no jogo como agora me dava ordens e permitia que, nesse duelo, eu escolhesse as armas: ?Como o senhor quiser?. Penso na crônica que escrevi há oito anos e percebo que nada mudou: parece o mesmo aluno de então, com as mesmas perguntas, a mesma cara de pau. Será que o outro virou coleguinha? E este de agora, será que vai conseguir o diploma? Respondo qualquer coisa e fico à espera da indefectível pergunta, que costuma ser ou a primeira ou a última. Ela vem.
? Agora vamos falar um pouco do senhor: como é que começou?
Vou à forra. Já tenho a resposta pronta.
? Estou quase indo embora e você vem me perguntar como comecei?
Ele diz ?é verdade?, me manda um abraço e, antes de desligar, ameaça: ?Quando o trabalho estiver pronto, envio uma cópia para o senhor. Qual é o seu endereço?? Não devia confessar, porque isso não se faz, mas dei o endereço errado.
23.3.04
Manchete da Tribuna da Imprensa: "Dirceu admite: modelo econômico é perverso".
Bem, Zé, como eu disse tem casos de mau-caratismo mesmo...
Bem, Zé, como eu disse tem casos de mau-caratismo mesmo...
Dois comentários sobre seu desabafo, Zé Poderoso:
1. Você não é exatamente o melhor julgador de caracteres da República, né?
2. Tem jornalista mau-caráter mesmo, demais até. Mas a maioria da categoria é formada por pais e mães de família decentes, apenas trabalham num ramo que se deteriora a olhos vistos em todos os sentidos. Creio que você deveria ver "Estrada para Perdição", no qual o Tom Hanks faz um pai para garoto nenhum botar defeito, só que pagava as contas com um trabalho um tanto heterodoxo. Para aprofundar em outra direção, e dar um contraponto teórico à questão, seria legal ler, além do "Império", de Hardt e Negri (é enorme, mas você só precisaria ler o capítulo que fala de nós, lá pelo final), "A corrosão do caráter", do sociólgo americano Richard Sennet.
Ele explica porque trabalhadores perfeitamente honestos fazem coisas que em outras condições condenariam em seus semelhantes. E a explicação é simples: se não fizerem, perdem o emprego e terão imensa dificuldade em arrumar outro, por melhores que sejam profissionalmente, ainda mais se tiverem passado de certa idade (algo em torno de 35 anos, no caso do jornalismo)
1. Você não é exatamente o melhor julgador de caracteres da República, né?
2. Tem jornalista mau-caráter mesmo, demais até. Mas a maioria da categoria é formada por pais e mães de família decentes, apenas trabalham num ramo que se deteriora a olhos vistos em todos os sentidos. Creio que você deveria ver "Estrada para Perdição", no qual o Tom Hanks faz um pai para garoto nenhum botar defeito, só que pagava as contas com um trabalho um tanto heterodoxo. Para aprofundar em outra direção, e dar um contraponto teórico à questão, seria legal ler, além do "Império", de Hardt e Negri (é enorme, mas você só precisaria ler o capítulo que fala de nós, lá pelo final), "A corrosão do caráter", do sociólgo americano Richard Sennet.
Ele explica porque trabalhadores perfeitamente honestos fazem coisas que em outras condições condenariam em seus semelhantes. E a explicação é simples: se não fizerem, perdem o emprego e terão imensa dificuldade em arrumar outro, por melhores que sejam profissionalmente, ainda mais se tiverem passado de certa idade (algo em torno de 35 anos, no caso do jornalismo)
22.3.04
Fernanda da Escóssia, ex-Folha, é a nova sub de política do Globo.
21.3.04
Não é que o governo do Nove-Dedos esconda o que faz de bom e só mostre o seu lado ruim, Tereza. Tenta-se até mostrar o que é legal, mas a mídia simplesmente não quer saber de notícias boas, e não só do governo. E não é porque os jornalistas só gozem com notícia ruim (alguns são assim mesmo, mas são minoria), nem que isso seja só aqui no Bananão. É que a mídia hoje faz parte das tropas da repressão. A sua missão principal é criar e manter esse medo difuso da sociedade em vivemos. Um medo que permite quem está no poder obter mais facilmente um consenso social que antigamente era conseguido com muito maior dificuldade.
Creio que este é o sentido tanto das falas do Saramago como a de Jean-Christophe Rufin, o francês que escreveu Globalia, algo que já tinha sido mencionado por Negri e Hardt no livro "Império", editado em 2000, bem antes do 11 de setembro.
Creio que este é o sentido tanto das falas do Saramago como a de Jean-Christophe Rufin, o francês que escreveu Globalia, algo que já tinha sido mencionado por Negri e Hardt no livro "Império", editado em 2000, bem antes do 11 de setembro.
20.3.04
Alvíssaras! O Prosa&Verso veio hoje sem boiolices editoriais - que, confesso, me fizeram afastar-me do caderno - e por isso com espaço para matérias que fizeram com tesão de partir para dentro de uma livraria a fim de meter a mão no livro sobre o meu pensador marxista favorito e do tal português Gândavo de quem já ouvi falar muito por meio de citações. Sem contar o desejo de ver logo editado aqui o tal "Globalia", que está na página 3, no qual tem uma idéia que vendo desenvolvendo para explicar o porquê a mídia detesta dar notícia boa. E, claro, a entrevista do Zé Saramago, essa figura sensacional.
É, Nacib Kamel, a idéia mais profunda é essa mesmo. O cara olhar no espelho, se encarar e dizer para si mesmo "sou negro", "sou branco", "sou verde". E a partir daí olhar em volta, ver seu lugar no mundo, enxergar o outro pensar suas relações com o seu próximo de todas as cores e credos. A idéia-fim é fazer pensar e, pensando, fazer acontecer algo de independente, humano e bom.
Ou seja, exatamente o contrário do projeto da Rede Globo.
Ou seja, exatamente o contrário do projeto da Rede Globo.
19.3.04
Para pôr nos favoritos: site de aconselhamento para jornalistas angustiados por questões éticas.
Dono de jornal é flagrado sendo corrompido e jornalistas pedem demissão coletiva. No México.
A carnificina chega às assessorias. No caso, a da gravadora Warner - a empresa demitiu todos os jornalistas no Rio e em São Paulo, com desculpa de sempre: corte de custos. O artista que quiser manter um assessor de imprensa vai ter que bancar do próprio bolso. Quanto ao pessoal da redação, terá que se entender com o departamento de marketing quando precisar de alguma informação.
18.3.04
Outro que mandou bem, mas ontem, foi o Zuenir. O Véio Zuza redimiu O Globo de ter publicado aquelas asneiras do Ali sobre a eleição na Espanha ao botar as coisas nos seus devidos lugares: Aznar perdeu a eleição por ser mentiroso demais até para os padrões dos políticos e não por causa das bombas dos maníacos da Al-Qaeda.
Aliás, Tia Cora, que já é boa pacas normalmente, hoje manda bem demais!
Lendo a Tia Cora hoje me toquei de uma coisa: o Zeca Pagodinho é amigão do Nove-Dedos. Se é que você me entende...
Outra atrasada, que tinha esquecido... "Olho" da matéria "Loyola: modelo elétrico é 'equivocado'", publicada no Estadão de anteontem, dia 16, na página B4:
"Aumenta o risco de tráfego de influência"
"Aumenta o risco de tráfego de influência"
17.3.04
Outra notícia retroativa. O grande Felipe Benício deixou saudades lá na Eletrobrás ao se transferir de mala e cuia para a assessoria da BR, para onde também tinha passado em concurso feito em 2002.
Desde 1º de março, Lucila de Beaurepaire, ex-Bairros-Niterói, está na coordenação da Economia do Globo, no lugar de Chico Aguiar. Este foi para o fechamento da ECO, no lugar de Nelson Vasconcellos, que se mudou para o Info&Etc, ficando no posto de Marcelo Balbio, há algum tempo no Boa Viagem. Ufa!!
16.3.04
Infelizmente, a Carta Capital com a entrevista com Greg Palast já não está nas bancas, mas se alguém conseguir pôr as mãos num exemplar não vai se arrepender.
Acho que matei a charada: Ali Kamel faz parte de uma experiência científica cujo objetivo é medir até que ponto a fragmentação do cotidiano operada pela mídia altera a percepção mnemônica dos seres humanos expostos aos meios de comunicação (ou seja, nós). Só isso pode explicar o revisionismo sobre a cobertura das Diretas-Já pela Rede Globo (com o qual concorre como favorito absoluto ao King of the King/2003) e o artigo de hoje no Globo, intitulado "Como queria Bin Laden"
No artigo, Ali dedica-se a tentar provar que o povo espanhol fez o que a Al-Qaeda queria ao eleger os socialistas no pleito de último domingo. Uma tese defensável, apesar de duvidosa, que ele tenta enquadrar na tal pesquisa científica. É que no texto ele simplesmente omite que o ex-primeiro-ministro Aznar apoiou a invasão do Iraque, com tropas e logística, indo contra 80% dos espanhóis (segundo muitas pesquisas feitas na época), que foram aos milhões às ruas para clamar contra a entrada da Espanha na invasão (as imagens estão no arquivo do Jornal Nacional certamente). Ao ir de encontro aos desejos do povo de seu país, Aznar, implicitamente, garantiu aos espanhóis que eles poderiam ficar tranqüilos que a adesão ao ataque dos EUA contra os iraquianos não os afetaria. Era uma mentira e o governo Aznar sabia disso, tanto quanto o de Berlusconi, na Itália, o de Blair, na Inglaterra, e o do primeiro-ministro turco do qual nem desconfio o nome. Não há como garantir segurança contra o terrorismo. Simples assim.
A jogada de risco de Aznar se tornou tão evidente que poucos minutos após a carnificina de 11 de março, o governo espanhol apontou o dedo para o ETA, inimigo interno que ele decidira destruir na pancada, tentando se livrar da culpa de ter posto a Espanha na mira de Osama. Fez isso mesmo com a maior parte dos peritos em terrorismo achando pouco provável que os culpados fossem os doidos do ETA , pois o modus operandi era muito diferente do deles e parecidíssimo com o dos malucos islâmicos. Ou seja, Aznar tentou mentir mais uma vez ao seu povo.
Assim, seria estranho é que os espanhóis votassem num sujeito que os arrastou para uma guerra que eles não queriam, prometendo uma segurança que não lhes poderia garantir, e que, depois de desmascarado, ainda tentou enganá-los de novo. Seria um fenômeno de amnésia coletiva que poucos depois dias depois de tudo isso ter vindo à tona da maneira mais estúpida e violenta os eleitores apoiassem um mentiroso dessa marca.
O resultado da eleição, no entanto, deve ter sido bem útil aos cientistas que estão ao lado de Ali na pesquisa. Mostrou a eles que ainda há limites para a mentira e a manipulação, mesmo na nossa sociedade midiática
No artigo, Ali dedica-se a tentar provar que o povo espanhol fez o que a Al-Qaeda queria ao eleger os socialistas no pleito de último domingo. Uma tese defensável, apesar de duvidosa, que ele tenta enquadrar na tal pesquisa científica. É que no texto ele simplesmente omite que o ex-primeiro-ministro Aznar apoiou a invasão do Iraque, com tropas e logística, indo contra 80% dos espanhóis (segundo muitas pesquisas feitas na época), que foram aos milhões às ruas para clamar contra a entrada da Espanha na invasão (as imagens estão no arquivo do Jornal Nacional certamente). Ao ir de encontro aos desejos do povo de seu país, Aznar, implicitamente, garantiu aos espanhóis que eles poderiam ficar tranqüilos que a adesão ao ataque dos EUA contra os iraquianos não os afetaria. Era uma mentira e o governo Aznar sabia disso, tanto quanto o de Berlusconi, na Itália, o de Blair, na Inglaterra, e o do primeiro-ministro turco do qual nem desconfio o nome. Não há como garantir segurança contra o terrorismo. Simples assim.
A jogada de risco de Aznar se tornou tão evidente que poucos minutos após a carnificina de 11 de março, o governo espanhol apontou o dedo para o ETA, inimigo interno que ele decidira destruir na pancada, tentando se livrar da culpa de ter posto a Espanha na mira de Osama. Fez isso mesmo com a maior parte dos peritos em terrorismo achando pouco provável que os culpados fossem os doidos do ETA , pois o modus operandi era muito diferente do deles e parecidíssimo com o dos malucos islâmicos. Ou seja, Aznar tentou mentir mais uma vez ao seu povo.
Assim, seria estranho é que os espanhóis votassem num sujeito que os arrastou para uma guerra que eles não queriam, prometendo uma segurança que não lhes poderia garantir, e que, depois de desmascarado, ainda tentou enganá-los de novo. Seria um fenômeno de amnésia coletiva que poucos depois dias depois de tudo isso ter vindo à tona da maneira mais estúpida e violenta os eleitores apoiassem um mentiroso dessa marca.
O resultado da eleição, no entanto, deve ter sido bem útil aos cientistas que estão ao lado de Ali na pesquisa. Mostrou a eles que ainda há limites para a mentira e a manipulação, mesmo na nossa sociedade midiática
15.3.04
Vamos lá, que ainda está nas bancas a Carta Capital da semana, com uma matéria enorme de Maurício Stycer com o americano Greg Palast, uma espécie de Michael Moore das pretinhas. Um aperitivo você pode ler aqui.
De Marcus Barros Pinto, um dos chefes da redação do JB:
Foto transgênica
Em 11 de março, ao fechar a capa da edição do JB de sexta-feira, optei pela foto de Pablo Torres Guerrero. Pedi que fosse alterada digitalmente. Não queria jogar na mesa do café da manhã dos leitores um naco mutilado de carne humana. O detalhe não acrescentava ou reduzia o conhecimento e compreensão do fato, o brutal ataque terrorista em Madri. Errei ao não avisar aos leitores que a foto fora modificada digitalmente. Alterar o DNA original de uma imagem levanta o debate sobre limites e ética. Tanto quanto alterar qualquer outro DNA. Ainda não há respostas definitivas. Cabe a nós persegui-las, conscientes da nossa humanidade, sujeita a erros e acertos.
Um reconhecimento de erro que só engrandece o Marcus, como homem e jornalista.
Foto transgênica
Em 11 de março, ao fechar a capa da edição do JB de sexta-feira, optei pela foto de Pablo Torres Guerrero. Pedi que fosse alterada digitalmente. Não queria jogar na mesa do café da manhã dos leitores um naco mutilado de carne humana. O detalhe não acrescentava ou reduzia o conhecimento e compreensão do fato, o brutal ataque terrorista em Madri. Errei ao não avisar aos leitores que a foto fora modificada digitalmente. Alterar o DNA original de uma imagem levanta o debate sobre limites e ética. Tanto quanto alterar qualquer outro DNA. Ainda não há respostas definitivas. Cabe a nós persegui-las, conscientes da nossa humanidade, sujeita a erros e acertos.
Um reconhecimento de erro que só engrandece o Marcus, como homem e jornalista.
14.3.04
Ah! Ia esquecendo...Emocionante matéria de Maurício Fonseca e Pedro Motta Gueiros com Nilton Santos, a Enciclopédia. Houve um tempo bom para se viver nesta cidade e, talvez, até neste mundo.
Cláudia Afflalo deixou a ADois Comunicação, onde era sócia de Anna Accioly, e partiu para um solo na Afflalo Comunicação. Contatos com ela por (21) 9156-7545 ou por claudia@afflalo.com.br
Faltando duas semanas para o fim da votação do King of The Kings-2003, Ali Kamel amplia sua vantagem sobre os outros cascateiros. O poderoso da Rede Globo obteve 32 dos 45 votos computados até agora, muito à frente de Gugu Liberato, que se manteve nos sete votos e já vê no retrovisor a chegada da cascata do Globo sobre o dirigismo cultural petista "denunciado" por Cacá Diegues.
Temos, portanto, duas interrogações para esta penúltima semana de votação:
1. Ali romperá a barreira mágica dos 80% de preferência?
2. O Globo tomará o segundo lugar do Gugu Liberato?
Vamos lá! Vote e ajude a responder a essas perguntas! O pleito vai até o dia 31 de março!
Temos, portanto, duas interrogações para esta penúltima semana de votação:
1. Ali romperá a barreira mágica dos 80% de preferência?
2. O Globo tomará o segundo lugar do Gugu Liberato?
Vamos lá! Vote e ajude a responder a essas perguntas! O pleito vai até o dia 31 de março!
Voltando à Folha. O jornal está apelando para tudo a fim de arrumar algo para chantagear o Nove-Dedos como fez com os outros presidentes desde Sarney. Mas como não dá para pegar o Sapo Barbudo diretamente, está tentando paralisá-lo via ataques ao Zé Poderoso e ao Doutor Zen. O problema é que tendo acostumado o distinto público com denúncias baseadas numa soma de documentos vazados e interpretações mais ou menos tendenciosas deles, o jornal está passando por dificuldades porque não tem conseguido nada de substancioso no primeiro termo da equação, até agora. Esse fato o obriga a publicar incríveis antimatérias como as de hoje sobre um assessor de priscas era do Doutor Zen e uma sem pé, nem cabeça do inacreditável Josias de Souza.
É jogo perigoso, mas como a Folha tem se jogado de cabeça nele, o ganho deve valer o risco.
É jogo perigoso, mas como a Folha tem se jogado de cabeça nele, o ganho deve valer o risco.
Atrasado, mas vá lá...Para quem não sabe, o Antônio Lavareda entrevistado pelo Jorge Bastos Moreno semana passada e que disse que o caso Waldomiro atingiu a imagem do Nove-Dedos é o mesmo Antônio Lavareda que durante anos foi o "psicanalista de povo" (copyright Companheiro Gaspari) do FHC. Claro que este "detalhe" foi convenientemente esquecido pelo Globo na apresentação do moço, distinguido apenas como um cientista social, sem vínculos ou interesses.
Tudo bem, o Zeca Pagodinho é maneiro pacas, mas dois altos de primeira página para ele e a rasteira do Nizan Guanaes no Eduardo Fischer não é demais, não? Caramba, não tem nada mais importante para a coletividade acontecendo no país?
E vai me dizer que o Globo vai tentar ganhar o prêmio com esse furo-celebridade?
E vai me dizer que o Globo vai tentar ganhar o prêmio com esse furo-celebridade?
Antimatéria sobre o Delúbio Soares no Globo. O mesmo Delúbio (com esse nome é difícil ter outro, mesmo no governo do Nove-Dedos) que a Folha tentou meter em alguma daquelas insinuações malandras dela e não conseguiu.
Depois do Zeca Poderosinho, outra assuntada da Folha procurando algo para chantagear o Nove-Dedos, e do Delúbio, tô quase trocando de jornal: se é para ler as pautas da Folha sendo requentadas peo Globo, o melhor é ir logo no original, né?
Depois do Zeca Poderosinho, outra assuntada da Folha procurando algo para chantagear o Nove-Dedos, e do Delúbio, tô quase trocando de jornal: se é para ler as pautas da Folha sendo requentadas peo Globo, o melhor é ir logo no original, né?
13.3.04
Eu não tinha lido e talvez você também não. Por isso, aqui está mais um possível caso de relação promíscua governo-mídia..
Análise diferente de Emir Sader sobre o mercado editorial mundial.
Conselheiro pegou uma na Rio Show desta semana:
Importante revisão histórica na revista Rio Show do Globo de hoje: uma reportagem sobre o Carpaccio diz
que ele foi criado no século XV, no Harry's Bar, surpreendendo a todos que achavam que o Carpaccio teria sido criado na década de 50 e que seria meio difícil ter Harry's Bar no século XV em Veneza. Ou será que não? Será que foi no Harry's Bar que Otelo encheu a cara achando que estava levando uma bola nas costas de Desdemôna? É possível imaginarmos Iago, enquanto envenenava a alma do Mouro de Veneza, dizer a ele, enquanto desdobrava uma cadeira de metal da Schincariol, "não fique assim não por causa daquela vagaba, experimenta esse pratinho aqui que parece uma coisa legal, foi inventado por aquele tal de Carpaccio, um pintor que não está dando muito certo na profissão e está pensando em se dedicar à culinária".
Importante revisão histórica na revista Rio Show do Globo de hoje: uma reportagem sobre o Carpaccio diz
que ele foi criado no século XV, no Harry's Bar, surpreendendo a todos que achavam que o Carpaccio teria sido criado na década de 50 e que seria meio difícil ter Harry's Bar no século XV em Veneza. Ou será que não? Será que foi no Harry's Bar que Otelo encheu a cara achando que estava levando uma bola nas costas de Desdemôna? É possível imaginarmos Iago, enquanto envenenava a alma do Mouro de Veneza, dizer a ele, enquanto desdobrava uma cadeira de metal da Schincariol, "não fique assim não por causa daquela vagaba, experimenta esse pratinho aqui que parece uma coisa legal, foi inventado por aquele tal de Carpaccio, um pintor que não está dando muito certo na profissão e está pensando em se dedicar à culinária".
Alexandre Carauta é o novo editor do JB Barra. Paulo Gramado voltou para a redação da Rio Branco.
Ah, Dona Míriam! Que saudade! Aquele hábito ultrapassado da Flávia Oliveira de dar notícias sobre assuntos relevantes é mais legal para o leitorado, admito, mas confesso que sinto falta da senhora. Principalmente de sua hipocrisia. Que colunista, a não ser a senhora, teria a cara-de-pau de cobrar empenho do governo em apurar o que houve com os corpos dos guerrlheiros do Araguaia depois de nada falar sobre o assunto durante a Era FHC? E não foi por falta de oportunidade. A sua colega de jornal Tereza Cruvinel sempre que tinha uma chance falava do assunto.
E quanto à cobrança de critérios de nomeações para postos importantes do governo? Que beleza! A senhora jamais questionou, por exemplo, qual o critério para a nomeação de Luiz Carlos Mendonça de Barros para o Ministério das Telecomunicações, mesmo depois que ele teve que se demitir em meio a um escândalo de uns milhares de waldomiros - a privatização do Sistema Telebrás, lembra? Se não, procure nos arquivos do maridão. Afinal, ele foi um dos mais ativos membros do conselho que levou avante as privatizações. Aquelas que iriam transformar o serviço público brasileiro de uma maniera que deixariam os suecos verdes de inveja.
Bem-vinda, Dona Míriam!
E quanto à cobrança de critérios de nomeações para postos importantes do governo? Que beleza! A senhora jamais questionou, por exemplo, qual o critério para a nomeação de Luiz Carlos Mendonça de Barros para o Ministério das Telecomunicações, mesmo depois que ele teve que se demitir em meio a um escândalo de uns milhares de waldomiros - a privatização do Sistema Telebrás, lembra? Se não, procure nos arquivos do maridão. Afinal, ele foi um dos mais ativos membros do conselho que levou avante as privatizações. Aquelas que iriam transformar o serviço público brasileiro de uma maniera que deixariam os suecos verdes de inveja.
Bem-vinda, Dona Míriam!
Na boa, não tem uma defesa decente essa manipulação - chamemos as coisas pelo nome - da foto da primeira de ontem sobre o massacre de Madri. O jornal tem um contrato tácito (mandato não, viu, Folha? Ninguém elegeu ninguém): o que ele lê ou vê nas páginas é a mais fiel expressão da verdade que o jornal houve por bem publicar. Pode editar, mas botar nas páginas algo deliberadamente falsificado não pode. É quebra de contrato.
Burra, ainda por cima, pois a foto devia ter sido tão melhor que as outras que a quase totalidade dos jornais a publicaram na primeira. Assim, era mais do que provável que alguém observasse a manipulação. Mais: agora que leitor do JB vai acreditar no jornal de agora em diante? Vai se perguntar sempre se a foto não foi manipulada ou se o texto não é falso. E a estupidez ainda pode custar grana ao jornal: a Reuters e/ou o autor da foto podem processar a empresa com base na Lei de Direito Autoral. Ganham mole. Não vão levar um níquel porque Nélson Tanure é um escroque, mas ganhar, ganham.
Burra, ainda por cima, pois a foto devia ter sido tão melhor que as outras que a quase totalidade dos jornais a publicaram na primeira. Assim, era mais do que provável que alguém observasse a manipulação. Mais: agora que leitor do JB vai acreditar no jornal de agora em diante? Vai se perguntar sempre se a foto não foi manipulada ou se o texto não é falso. E a estupidez ainda pode custar grana ao jornal: a Reuters e/ou o autor da foto podem processar a empresa com base na Lei de Direito Autoral. Ganham mole. Não vão levar um níquel porque Nélson Tanure é um escroque, mas ganhar, ganham.
12.3.04
Por falar em Economia, estou meio perplexo com um fenômeno. Na época da superinflação, como você deve se lembrar, a gente ficava de olho grelado nos índices. Saber se a inflação ia ser de 30% ou 35% era essencial porque afetava diretamente a nossa capacidade de pagar as contas no fim do mês e de fazer o preço de nossos frilas de cada dia.
Depois do Real, porém, os índices de inflação foram meio relegados a segundo plano por serem bem baixinhos. No máximo, quando havia um repique, vinha a notícia, sempre acompanhada de um daqueles inefáveis especialistas dizendo que a tal elevação não se sustentaria. Pois agora os índices continuam baixos, mas a dança dos índices voltou, dessa vez com a explicação de que são importantes para saber se a taxa de juros vai cair ou não.
Tudo bem que não sou de economia - trabalhei pouco na área - mas essa dança de índices - na qual incluo também a da Selic - me sabe à falta de imaginação nas pautas, quiçá preguiça mesmo. E mesmo se não for nem uma coisa nem outra, é certamente um porre para o distinto público leitor.
Depois do Real, porém, os índices de inflação foram meio relegados a segundo plano por serem bem baixinhos. No máximo, quando havia um repique, vinha a notícia, sempre acompanhada de um daqueles inefáveis especialistas dizendo que a tal elevação não se sustentaria. Pois agora os índices continuam baixos, mas a dança dos índices voltou, dessa vez com a explicação de que são importantes para saber se a taxa de juros vai cair ou não.
Tudo bem que não sou de economia - trabalhei pouco na área - mas essa dança de índices - na qual incluo também a da Selic - me sabe à falta de imaginação nas pautas, quiçá preguiça mesmo. E mesmo se não for nem uma coisa nem outra, é certamente um porre para o distinto público leitor.
Da boa matéria de Anabela Paiva com o grande Boaventura Santos, no B.
- O senhor ainda representa uma geração de intelectuais que aliou o trabalho científico à defesa de questões éticas e políticas. Hoje, parece haver poucos intelectuais envolvidos com a militância política.
- Há um grupo que pensa: se a ciência é rigorosa, eu não tenho de tomar posição. Sou fiel à ciência e me isolo da sociedade. Isso é um paradigma que veio a ganhar algum peso nos últimos 20 ou 30 anos. Por exemplo, insiste-se que a ciência econômica, defendida por instituições internacionais, é rigorosa e neutra. Não é a favor nem contra o Brasil e a Argentina. Sabemos que esta é uma falsidade da pior espécie. Não há nenhuma ciência neutra. Mas uma geração de cientistas se deixou iludir por esta vertigem da neutralidade. Não usam métodos qualitativos, entrevistas com pessoas, mas apenas dados estatísticos. Mas esta corrente hoje não é dominante. Está a surgir uma outra, que propõe uma ciência envolvida com a sociedade. Mas de forma diferente da dos anos 60, quando o intelectual era dono de um conhecimento privilegiado e se constituía como vanguarda. Hoje os intelectuais não são vanguarda, são facilitadores. Não posso ser um cínico. Os intelectuais que se quiseram neutros estão hoje deprimidos. Pensam que o mundo não tem solução. Eu sou um otimista trágico. Tenho consciência das dificuldades do mundo mas por todos os lugares em que vou, vejo gente lutando por alternativas.
Tem coleguinha, principalmente da área de economia, que devia refletir sobre as duas afirmativas do sábio português.
- O senhor ainda representa uma geração de intelectuais que aliou o trabalho científico à defesa de questões éticas e políticas. Hoje, parece haver poucos intelectuais envolvidos com a militância política.
- Há um grupo que pensa: se a ciência é rigorosa, eu não tenho de tomar posição. Sou fiel à ciência e me isolo da sociedade. Isso é um paradigma que veio a ganhar algum peso nos últimos 20 ou 30 anos. Por exemplo, insiste-se que a ciência econômica, defendida por instituições internacionais, é rigorosa e neutra. Não é a favor nem contra o Brasil e a Argentina. Sabemos que esta é uma falsidade da pior espécie. Não há nenhuma ciência neutra. Mas uma geração de cientistas se deixou iludir por esta vertigem da neutralidade. Não usam métodos qualitativos, entrevistas com pessoas, mas apenas dados estatísticos. Mas esta corrente hoje não é dominante. Está a surgir uma outra, que propõe uma ciência envolvida com a sociedade. Mas de forma diferente da dos anos 60, quando o intelectual era dono de um conhecimento privilegiado e se constituía como vanguarda. Hoje os intelectuais não são vanguarda, são facilitadores. Não posso ser um cínico. Os intelectuais que se quiseram neutros estão hoje deprimidos. Pensam que o mundo não tem solução. Eu sou um otimista trágico. Tenho consciência das dificuldades do mundo mas por todos os lugares em que vou, vejo gente lutando por alternativas.
Tem coleguinha, principalmente da área de economia, que devia refletir sobre as duas afirmativas do sábio português.
11.3.04
A diferença de assunto e enfoque nas matérias de capa do Segundo Caderno e do Caderno B – Gianecchini e cia x Otávio Augusto - mostra que o caderno de variedades do JB tem um caminho a seguir. Investir nos vazios do discurso global, aqueles que silenciam as contradições da indústria cultural do Bananão, basicamente dependente da Rede Globo, seria uma opção que aumentaria a qualidade do caderno, agradando uma grande parcela dos formadores de opinião que apenas agüentam a ex-Vênus Platinada e sua grande cria, a Globo Filmes, por falta de escolha.
Um pensamento crítico, não só em forma de texto, mas de pautas e enfoques, creio, faria muito bem ao B. Nas demais partes do jornal, não vejo como seguir este caminho – já que os interesses econômicos e políticos de Nelson Tanure caem com muito peso sobre a redação -, mas na parte cultural há pelo menos uma chance de se fazer um bom trabalho.
Um pensamento crítico, não só em forma de texto, mas de pautas e enfoques, creio, faria muito bem ao B. Nas demais partes do jornal, não vejo como seguir este caminho – já que os interesses econômicos e políticos de Nelson Tanure caem com muito peso sobre a redação -, mas na parte cultural há pelo menos uma chance de se fazer um bom trabalho.
10.3.04
O Globo começou a escalar o seu time para os Jogos de Atenas com uma craque: Dorrit Harazim.
8.3.04
Senta que lá vem história!
Aí pelos meados dos anos 90, uma recém-concursada auditora do trabalho, cheia de gás, resolveu fazer uma fiscalização forte em um estaleiro, em Niterói. Chegou às cinco na porta do estaleiro, desdobrou uma mesinha e, junto com outro recém-concursado, passou a pedir a carteira de trabalho e o cartão de ponto dos operários que chegavam para o turno da manhã. Foi um auê. Como ninguém tinha, a moça e o colega começaram a multar a empresa por cada irregularidade como manda a lei. Seguiu-se o comum em Bruzundanga: um diretor desceu, gritou com os funcionários públicos, seguranças os ameaçaram de morte, essas coisas. Os dois agüentaram firmes e chamaram a PM. Deram sorte - os policiais eram honestos e, diante da ameaça de todo mundo ir conversar com o doutor delpol, os fiscais puderam continuar seu trabalho.
Entusiasmada com o sucesso, a jovem montou outra operação. Chamou uma colega especialista em saúde e se mandou para redação do Globo. Encheu o jornal de multas por irregularidades por falta de móveis ergonômicos, iluminação ruim, ventilação deficiente, etc. Foi embora feliz da vida.
No dia seguinte, foi chamada ao gabinete do chefe do departamento:
- O que a senhora pensa que está fazendo? ? mandou o chefe mal ela entrou na sala.
- O quê ? respondeu a moça, perplexa com o tom agressivo.
- Não se fala de desentendida! ? gritou o chefe.
- Eu não estou entendendo...
- Está sim! Só porque a senhora é concursada acha que pode fazer o que bem entender! Não pode não! Não pode criar dificuldade por doutor Jefferson! (referia-se ao deputado Roberto Jefferson, um dos donatários da DRT-RJ). Nunca mais, ouviu? Nunca mais a senhora vai multar uma firma do doutor Roberto Marinho!
- Mas...
- Não tem mas nenhum! Não vai e pronto! E para garantir, a senhora vai ser transferida para o setor de registros e não vai mais sair à rua!
E assim foi feito. Pelo que sei, até hoje a jovem está lá carimbando papéis.
O Globo, como se sabe, é, desde domingo, um paladino em defesa da saúde dos trabalhadores.
Aí pelos meados dos anos 90, uma recém-concursada auditora do trabalho, cheia de gás, resolveu fazer uma fiscalização forte em um estaleiro, em Niterói. Chegou às cinco na porta do estaleiro, desdobrou uma mesinha e, junto com outro recém-concursado, passou a pedir a carteira de trabalho e o cartão de ponto dos operários que chegavam para o turno da manhã. Foi um auê. Como ninguém tinha, a moça e o colega começaram a multar a empresa por cada irregularidade como manda a lei. Seguiu-se o comum em Bruzundanga: um diretor desceu, gritou com os funcionários públicos, seguranças os ameaçaram de morte, essas coisas. Os dois agüentaram firmes e chamaram a PM. Deram sorte - os policiais eram honestos e, diante da ameaça de todo mundo ir conversar com o doutor delpol, os fiscais puderam continuar seu trabalho.
Entusiasmada com o sucesso, a jovem montou outra operação. Chamou uma colega especialista em saúde e se mandou para redação do Globo. Encheu o jornal de multas por irregularidades por falta de móveis ergonômicos, iluminação ruim, ventilação deficiente, etc. Foi embora feliz da vida.
No dia seguinte, foi chamada ao gabinete do chefe do departamento:
- O que a senhora pensa que está fazendo? ? mandou o chefe mal ela entrou na sala.
- O quê ? respondeu a moça, perplexa com o tom agressivo.
- Não se fala de desentendida! ? gritou o chefe.
- Eu não estou entendendo...
- Está sim! Só porque a senhora é concursada acha que pode fazer o que bem entender! Não pode não! Não pode criar dificuldade por doutor Jefferson! (referia-se ao deputado Roberto Jefferson, um dos donatários da DRT-RJ). Nunca mais, ouviu? Nunca mais a senhora vai multar uma firma do doutor Roberto Marinho!
- Mas...
- Não tem mas nenhum! Não vai e pronto! E para garantir, a senhora vai ser transferida para o setor de registros e não vai mais sair à rua!
E assim foi feito. Pelo que sei, até hoje a jovem está lá carimbando papéis.
O Globo, como se sabe, é, desde domingo, um paladino em defesa da saúde dos trabalhadores.
Botei um adendo que me parece importante nas Regras do Conselho.
Depois da primeira semana de votação para o King of the Kings-2003, Ali Kamel e sua defesa da isenção da cobertura da Rede Globo nas Diretas-Já, lidera folgadamente como maior cascata do ano passado. Ali obteve 17 dos 27 já depositados na urna virtual. Em segundo, bem distante com sete sufrágios, vêm as entrevistas de Gugu Liberato com os falsos bandidos do PCC.
Você até 31 de março para votar, mas não deixe para útlima hora! A fila pode estar grande...
Você até 31 de março para votar, mas não deixe para útlima hora! A fila pode estar grande...
7.3.04
Conselheiro pegou duas, uma na Folha e outra no Globo:
Na excelente reportagem da edição de domingo da Folha, "INSS encontra por acaso obra de Picasso", há uma sub-retranca que quase põe a perder o trabalho de Marta Salomon. A sub, escrita por algum gênio interno de redação, já começa errada quando diz que "pintor espanhol foi o precursor do cubismo", quando ele foi o fundador do cubismo com Braque. A cacetada é forte, mas quase perde para outra que está no corpo do texto: diz que o cubismo "conseguia criar na tela um aspecto tridimensional". O tal "aspecto tridimensional", no qual você cria a ilusão de comprimento, largura e profundidade, foi introduzido na arte ocidental por um sujeito chamado Giotto, alguns séculos (seis, sete?) antes e praticado por outros artistas também não muito conhecidos, mas que têm alguma importância, como uns tais de Michelangelo, Leonardo da Vinci e Delacroix - na verdade, toda a pintura ocidental foi tridimensional até o fim do século XIX, quando a pintura começou a voltar-se para as características próprias do seu meio (sua estrutura plana, em duas dimensões). E um dos movimentos que ajudou a pintura moderna a abandonar isso, foi, olha só a coincidência, o cubismo.
Por falar em citações erradas, a última coluna chiqueréssima e hiper-culta de Renato Machado sobre vinhos na revista "Programa" do Globo atribuiu a frase "O que é um nome?" a Romeu. A fala é de Julieta, na cena do balcão. Em conversa de gente normal, uma distração dessa seria perdoável. Mas vindo da pena de um jornalista tão sofisticado, tão entendido de vinhos, ostras e nós de gravata, tão cheio de tanino, tão frutado, tão envelhecido em barris de carvalho, é crime lesa-pátria a ser punido com uma injeção de cicuta misturado com uma garrafa de vinho Cata-Festa safra 1999. Branco.
Na excelente reportagem da edição de domingo da Folha, "INSS encontra por acaso obra de Picasso", há uma sub-retranca que quase põe a perder o trabalho de Marta Salomon. A sub, escrita por algum gênio interno de redação, já começa errada quando diz que "pintor espanhol foi o precursor do cubismo", quando ele foi o fundador do cubismo com Braque. A cacetada é forte, mas quase perde para outra que está no corpo do texto: diz que o cubismo "conseguia criar na tela um aspecto tridimensional". O tal "aspecto tridimensional", no qual você cria a ilusão de comprimento, largura e profundidade, foi introduzido na arte ocidental por um sujeito chamado Giotto, alguns séculos (seis, sete?) antes e praticado por outros artistas também não muito conhecidos, mas que têm alguma importância, como uns tais de Michelangelo, Leonardo da Vinci e Delacroix - na verdade, toda a pintura ocidental foi tridimensional até o fim do século XIX, quando a pintura começou a voltar-se para as características próprias do seu meio (sua estrutura plana, em duas dimensões). E um dos movimentos que ajudou a pintura moderna a abandonar isso, foi, olha só a coincidência, o cubismo.
Por falar em citações erradas, a última coluna chiqueréssima e hiper-culta de Renato Machado sobre vinhos na revista "Programa" do Globo atribuiu a frase "O que é um nome?" a Romeu. A fala é de Julieta, na cena do balcão. Em conversa de gente normal, uma distração dessa seria perdoável. Mas vindo da pena de um jornalista tão sofisticado, tão entendido de vinhos, ostras e nós de gravata, tão cheio de tanino, tão frutado, tão envelhecido em barris de carvalho, é crime lesa-pátria a ser punido com uma injeção de cicuta misturado com uma garrafa de vinho Cata-Festa safra 1999. Branco.
6.3.04
O/A amigo/a está a fim de chamar alguém de antiético, cínico e traidor, pero sin perder la ternura? Pois então mire-se neste exemplo de Leandro Konder, publicado no JB de hoje.
5.3.04
E por falar nas mulheres, você sabe que dia 8, segunda, é o Dia Internacional delas, certo? Mas sabe a origem da data? Pois veja aqui as duas versões que rolam por aí segundo a brava Cláudia Santiago, da CUT-RJ e do Núcleo Piratininga de Comunicação.
De 25 a 28 de março será realizada no Rio a II Conferência Latino-Americana de Mulheres Jornalistas, com o objetivo de ver a quantas andam os problemas das coleguinhas nos locais de trabalho e as barreiras existentes ao seu desenvolvimento profissional. Mais informações no Sindicato do Município do Rio pelo telefone 2544-2100 ou pelo emeio sindicato-rio@jornalistas.org.br.
O pau continua quebrando na Abert. Agora foi a vez da Rede TV! pular fora da associação alegando o mesmo motivo da Record, que pedira o boné pouco antes do carnaval: a discordância com a proposta da Abert para o empréstimo do BNDES ao setor de mídia. Tanto para a Record quanto para Rede TV! o projeto foi feito sob medida para Rede Globo.
Na cartinha que mandou para o presidente da Abert, Paulo Machado de Carvalho Neto, Amílcare Dallevo Júnior, dono da Rede TV! chegou junto ao criticar a maneira como a entidade se portou no caso BNDES:
O recente episódio do BNDES mostrou que os projetos continuam a ser desenvolvidos às escuras e apresentados prontos no momento final, apenas com a finalidade de ganharem o cunho de projetos 'do setor' .(Meio&Mensagem)
Na cartinha que mandou para o presidente da Abert, Paulo Machado de Carvalho Neto, Amílcare Dallevo Júnior, dono da Rede TV! chegou junto ao criticar a maneira como a entidade se portou no caso BNDES:
O recente episódio do BNDES mostrou que os projetos continuam a ser desenvolvidos às escuras e apresentados prontos no momento final, apenas com a finalidade de ganharem o cunho de projetos 'do setor' .(Meio&Mensagem)
A Atlântica Editora está lançando a revista Brasilis, que reunirá ensaios da historiadores, filósofos e outros estudiosos ligados às ciências humanas. A revista será bimestral e vendida apenas por meio do sistema de assinaturas, pelo menos no começo. Os contatos podem ser feitos pelo telefone: (21) 2221-4164 ou pelo emeio: atlantica@atlanticaeditora.com.br. A Atlântica Editora, fundada por Jean-Louis Peytavin e René Delpy, é especialista em publicações científicas profissionais, nas áreas de ciências e saúde.
Uma das coisas mais legais da coluna "Filme em questão", do caderno B do JB, é que ele faz você ficar com vontade ver o filme, mesmo que já tenham dito que ele não é essa coca-cola toda. Nessa semana, esse efeito aconteceu comigo a respeito de "Peixe Grande", analisado por três contadores de histórias. Dois elogiaram o filme e uma criticou. Observação: os dois que elogiaram são mais ligados à imagem (um quadrinhista, outro animador), enquanto a que criticou é escritora. Visões diferentes que são a riqueza dessa seção e que faltam normalmente nos jornais.
Do Segundo Colunista:
Lar, doce lar
Jorginho Guinle deixou ontem o Hospital de Ipanema. Está no Copacabana Palace, hotel construído por sua família.
Na chegada, pediu milk shake de baunilha para brindar.
Hoje, no Globo online:
Jorginho Guinle morre aos 88 anos
O Globo
Globo Online
RIO - O playboy Jorginho Guinle morreu na manhã desta sexta-feira no Rio de Janeiro de um aneurisma na aorta, aos 88 anos. Jorginho Guinle havia deixado na quinta-feira o Hospital de Ipanema, após assinar um termo assumindo a responsabilidade por não querer operar o aneurisma.
Não apurar direito abre possibilidade para a pagação desse tipo de micos.
Lar, doce lar
Jorginho Guinle deixou ontem o Hospital de Ipanema. Está no Copacabana Palace, hotel construído por sua família.
Na chegada, pediu milk shake de baunilha para brindar.
Hoje, no Globo online:
Jorginho Guinle morre aos 88 anos
O Globo
Globo Online
RIO - O playboy Jorginho Guinle morreu na manhã desta sexta-feira no Rio de Janeiro de um aneurisma na aorta, aos 88 anos. Jorginho Guinle havia deixado na quinta-feira o Hospital de Ipanema, após assinar um termo assumindo a responsabilidade por não querer operar o aneurisma.
Não apurar direito abre possibilidade para a pagação desse tipo de micos.
Já começam a ficar engraçadas a revolta dos jornais e a tentativa deles de manterem o Waldomirogate nas páginas. Ficou claro neste episódio todo que a mídia faz realmente parte da luta política no Brasil, no sentido de partido político mesmo. Esse fato é óbvio há anos para quem é profissional de imprensa ou mais bem-informado e/ou sagaz. O perigo - para a mídia em geral - é que tentando manter bola murcha no ar, acabe fazendo esse fato ser percebido por outras esferas da sociedade brasileira, que hoje reconhece apenas a Rede Globo como sendo um "partido", no sentido de defender interesses específicos - no caso, os seus em primeiro lugar, e os da elite brasileira em geral depois - em detrimento do resto da população. Este processo de "globolização" já começa a ocorrer com a Veja, que tem perdido leitores aos borbotões por isso, mas seria muito mais grave se atingisse um jornal (qualquer um), que tem poucos leitores e não pode se dar ao luxo de perder nem uma pequena parte deles.
4.3.04
Conselheira pegou essa num pop-up do C-se:
Caros clientes e usuários,
Estamos corrigindo uma falha em nosso sistema e durante esse processo só estarão disponíveis dados (matérias, pautas, mailings, etc) até o dia 20 de fevereiro.
Pedimos desculpas pelo transtorno e estamos focando todos os nossos esforços na solução desse problema.
Contamos com a sua compreensão.
Equipe Comunique-se."
Focando? Comprando focas? Equilibrando bolas no nariz? Ou será que ninguém mais usa o bom e velho concentrando? Que praga...
Caros clientes e usuários,
Estamos corrigindo uma falha em nosso sistema e durante esse processo só estarão disponíveis dados (matérias, pautas, mailings, etc) até o dia 20 de fevereiro.
Pedimos desculpas pelo transtorno e estamos focando todos os nossos esforços na solução desse problema.
Contamos com a sua compreensão.
Equipe Comunique-se."
Focando? Comprando focas? Equilibrando bolas no nariz? Ou será que ninguém mais usa o bom e velho concentrando? Que praga...
3.3.04
Conselheiro pegou essa confusão:
O redator da matéria sobre o estrago feito por Ronaldinho Gaúcho na Catedral de Compostela no Globo deu uma pequena escorregada no texto. O diretor Emil Samper, citado no segundo parágrafo, vira Emil Sader no quarto,
provavelmente em uma singela homenagem ao sociólogo e articulista...
O redator da matéria sobre o estrago feito por Ronaldinho Gaúcho na Catedral de Compostela no Globo deu uma pequena escorregada no texto. O diretor Emil Samper, citado no segundo parágrafo, vira Emil Sader no quarto,
provavelmente em uma singela homenagem ao sociólogo e articulista...
Aliás a grande revolta dos jornais - em especial do Colunista da 4 do Globo - com o senador Almir Lima demonstra que a nossa mídia detesta concorrência de "rolando leros" amadores.
BNDES muda suas regras a fim de poder financiar as empresas de mídia com a grana Viúva. E depois só botam o Waldomiro na lista de escândalos.
2.3.04
   O momento pelo qual a gente passa exerce influência sobre as nossas avaliações, mesmo nas que se baseiam em convicções e preconceitos. O caso da matéria de capa da Veja desta semana, por exemplo. Não gosto da revista e tenho restrições ao trabalho da repórter-crítica que a escreveu, mas o personagem, a escritora Lya Luft, que virou fenômeno editorial, passou por cima do que possa pensar e o texto acabou por me tocar profundamente. Em especial o lindo poema em que ela externa o pesar pela morte do segundo marido, o psicanalista Hélio Pelegrino. Em minha parcial - como sempre - opinião, vale a pena ler.
   Mas como não sou de deixar as coisas pela metade, aí vai o poema em que Lya fala da perda do amado e está no livro "O Lado Fatal":
   Insensato eu estar aqui, e viva
   O rosto dele me contempla
   vincado e triste no retrato sobre minha mesa;
   em outros, sorri para mim, apaixonado e feliz.
   Insensato, isso de sobreviver:
   mas cá estou, na aparência inteira.
   Vou à janela esperando que ele apareça
   e me acene com aquele seu gesto largo e generoso
   que ao acordar esteja ao meu lado
   e que ao telefone seja sempre a sua voz.
   Sei e não sei que tudo isso é impossível,
   que a morte é um abismo sem pontes
   (ao menos por algum tempo).
   Sobrevivo, mas pela insensatez.
   Mas como não sou de deixar as coisas pela metade, aí vai o poema em que Lya fala da perda do amado e está no livro "O Lado Fatal":
   Insensato eu estar aqui, e viva
   O rosto dele me contempla
   vincado e triste no retrato sobre minha mesa;
   em outros, sorri para mim, apaixonado e feliz.
   Insensato, isso de sobreviver:
   mas cá estou, na aparência inteira.
   Vou à janela esperando que ele apareça
   e me acene com aquele seu gesto largo e generoso
   que ao acordar esteja ao meu lado
   e que ao telefone seja sempre a sua voz.
   Sei e não sei que tudo isso é impossível,
   que a morte é um abismo sem pontes
   (ao menos por algum tempo).
   Sobrevivo, mas pela insensatez.
1.3.04
Conselheira sensata ficou cabreiríssima com esse negócio do Nove-Dedos dizer que o Bolsa-Família será o maior programa social da Terra:
E a Índia e a China? Qualquer programinha social naqueles lados põe o do Brasil no bolso.
C'est vrai, M. Dudá...
E a Índia e a China? Qualquer programinha social naqueles lados põe o do Brasil no bolso.
C'est vrai, M. Dudá...
Conselheira pegou essa de coleguinha "da latinha":
Pérola da Andréia Tavares (de Brasília), que ancorava a Revista Brasil, programa da Rádio Nacional. Ao comentar a alta do preço do café no mercado internacional, ela inovou:
"O que tem de produtor de café rindo de boca a boca..."
Fico imaginando que sorriso seria esse - melhor nem imaginar, né?"
Pérola da Andréia Tavares (de Brasília), que ancorava a Revista Brasil, programa da Rádio Nacional. Ao comentar a alta do preço do café no mercado internacional, ela inovou:
"O que tem de produtor de café rindo de boca a boca..."
Fico imaginando que sorriso seria esse - melhor nem imaginar, né?"
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