29.2.04

 
   Novas relações sindicais. Como este é um assunto que só raramente, e sempre com pouco espaço e não muita boa-fé, é focalizado pela nossa mídia, uma matéria como essa da Agência Carta Maior é sempre importante.

 
   Bom, neste dia em que será entregue o Oscar-2004, começa a votação para um galardão tão importante quanto - o King of The Kings, que premiará a maior cascata publicada em 2003 na opinião dos leitores do Picadinho Diário. Vamos lá! Vote e eleja o/a maior cascateiro/a do ano passado! O pleito vai até 31 de março, singela homenagem pela passagem do 40º aniversário da cascata gigante que foi o Golpe de 64.

   A votação passada - que queria saber o que os leitores achavam dos prêmios de jornalismo - teve o seguinte resultado:

       Ruins porque provocam ciumeira e dividem ainda mais a categoria - 15 votos

      Válidos porque reconhecem os profissionais, que ainda reforçam o orçamento - 12 votos

      Toleráveis porque reforçam o orçamento dos profissionais - 6 votos

      Seriam válidos se não houvesse premiação em dinheiro - 3 votos

 
   Pois é, Nove-Dedos, tenho que concordar com a Flávia Oliveira: que raio de sistema de administração é esse que só se move se tomar um escândalo no pé do ouvido? Do jeito que vai, seria preciso uns oito waldomiros por ano para você botar em prática o que prometeu durante as quatro campanhas presidenciais das quais participou.

28.2.04

 
   Conselheiro flagrou numa matéria de hoje da Folha um novo tipo de jornalismo:

      Amigo, é imperdível a matéria de hoje da Folha sobre um suposto encontro do Delúbio Soares com o Anderson Adauto e um empreiteiro no Palácio do Planalto. Sem assinatura, o texto enrola, enrola, para, no fim, concluir que não sabe o que o Delúbio fazia lá (e insinuar que boa coisa não era).

      Não quero entrar no mérito das peripécias do Delúbio, mas ressaltar o que considero a morte da apuração. Desde quando a gente publica uma página de matéria para dizer que não sabe o que houve? Decaímos a cada dia nesta profissão: do jornalismo de investigação para o de denúncia, desse para o de suspeita e, agora, o novíssimo jornalismo de insinuação ou de enrolação pura e simples.

      Veja, não estou defendendo ninguém (mesmo porque este governicho, parece, não merece isso), apenas gostaria que se fizesse bom jornalismo, apurando, checando etc. O que vi publicado foi uma pauta, até boa, para uma investigação (não gosto dessa palavra) jornalística. Mas só. Informação que é boa, neca.

      O Lula devia ter ficado para aquele cafezinho na Folha, durante a campanha...


   É, mas a Folha disputa com o Estadão o título de maior "viúva do FHC" na imprensa. Nem se o Nove-Dedos tomasse toda a safra de café de São Paulo com os Frias, a Folha deixaria de marretar o governo dele.

27.2.04

 
   Conselheiro pegou uma coincidência estranhíssima, coisa como ganhar em cinco loterias com os mesmos números, entre a coluna Gente Boa, do Globo, e da Mônica Bérgamo, da Folha:

      Gente Boa - 22/2/04 - Alheia aos boatos de que estaria namorando um
homem mais velho, Sandy não quis saber de carnaval e viajou para o interior
de São Paulo com família e grupo de amigos. Entre eles, o ex-namorado, Lucas
Lima, músico da Família Lima.

      Monica Bergamo - 27/02/04 - Alheia aos boatos de que estaria
namorando um homem casado, a cantora Sandy passou o Carnaval numa bucólica
fazenda. Ela estava acompanhada da família e de amigos mais chegados -entre
eles, o ex-namorado Lucas Lima.

 
   Conselheiro do JC pede ajuda para resolver um mistério:

      Ivson,
      Será que você pode me ajudar a resolver um mistério colocando uma notinha no Picadinho? Há um sujeito supostamente chamado Paulo Menezes circulando por aí como repórter do Jornal do Commercio. Ele está na lista dos credenciados para a Telexpo ("pelo JC") e se apresentou como repórter do JC a um conhecido meu. Até já ligaram para o JC procurando por ele. Perguntei a várias pessoas, inclusive à chefia de reportagem, e ninguém tem idéia de quem se trata.


   Alguém conhece a figura?

 
   Conselheira pegou na Época:

      TURISMO

Maurício de Noronha

Pousadas de luxo e decoradores famosos começam a mudar o perfil do arquipélago pernambucano


   Vai ver o redator é muito versado em história e confundiu o cristão-novo português Fernando (Fernão) de Noronha com o holandês Maurício de Nassau.

26.2.04

 
   Olha só...O prédio da Eletrobrás está queimando, mas, para a tristeza de muitos e alegria de outros tantos (espero), ainda estou por aqui, vivo e chutando, ok?

   O pessoal da Economia pode esperar várias ligações minhas nos próximos dias. É que minha agenda profissional virou cinzas e vou ter que remontá-la.

 
   Não sei, mas tenho a impressão que o júri do Globo que distribui o Estandarte de Ouro raramente acerta a escola campeã...

25.2.04

 
   Por uma série de problemas provocados pela Telemar e pelo estado de caduquice avançada deste blogueiro, não postei a mensagem abaixo, do Conselheiro Marcus Pessoa, que reproduz carta enviada por ele ao ombudsman da Folha, a respeito matéria publicada no dia 16 de fevereiro. Posto agora porque as questões levantadas pertinentes não só sobre a matéria em questão, mas sobre toda a cobertura da imprensa brasileira sobre o assunto em tela e muitos outros. E segue, claro, as diretrizes do post abaixo, claro, exceto pelo tamanho. Mas isso tem explicação - foi escrito antes das novas determinações do ESP (Ente Supremo do Picadinho):

      Prezado Ombudsman,

      A Folha cometeu o seu primeiro escorregão sério na cobertura do caso
Waldomiro. Matéria publicada hoje tenta fazer uma ligação entre o os
atos do ex-assessor e os do PT, sem fatos reais que a motivem.

      O título da matéria publicada hoje ("Bicheiro venceu licitação do PT
gaúcho") está incorreto, por dois motivos:

      a) a licitação não era do "PT gaúcho", mas do Governo do Rio Grande do
Sul. A Folha tem patrocinado esse tipo de confusão, principalmente
quando o enfoque do título é negativo.

      b) a informação principal da matéria não é a vitória na licitação. O
resultado foi revogado pelo próprio governo. Houve desdobramentos
posteriores, como a liminar na Justiça. A Folha destacou o fato mais
antigo, uma vitória numa licitação que não valeu. Deixou no ar a
suspeita de que o governo gaúcho queria contratar a empresa de Carlinhos
Cachoeira, quando é justamente o contrário.

      Aliás, as suspeitas do governo contra a empresa, que ensejaram a
revogação da licitação, tinham um certo fundamento. É uma empresa
pequena, com uma grande quantidade de áreas de atuação definidas no
contrato social, e que fez um depósito em dinheiro pouco menor que todo
o seu capital.

      A matéria também é confusa, pois em dado momento afirma que o Movimento
de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) do Rio Grande do Sul possui
"documentos que atestam que o bicheiro de Goiás entrou no mercado
lotérico do Rio Grande do Sul". Que documentos são esses? A matéria não
esclarece. Como foi essa entrada? Será que não foi através da própria
liminar judicial, contra a vontade do governo estadual? A matéria não
esclarece.

      Uma falha gravíssima foi transcrever a fala do presidente do MDJH, Jair
Krischke, sem ouvir o outro lado. O sr. Krischke disse que "há tempos"
existe "o envolvimento do PT com o bicho".

      Ele não esclarece que envolvimento é esse, e nem o PT foi ouvido para
falar sobre o assunto. Existe apenas uma outra matéria, onde o
ex-subsecretário de Fazenda do estado restringe-se a explicar a
licitação realizada e posteriormente revogada.

      Por outro lado, a matéria contém uma informação importantíssima, que não
tinha sido dada aos leitores antes, e que não recebeu qualquer destaque.
É citado o depoimento de um ex-sócio de Cachoeira, "prestado cerca de
dez dias atrás" a alguns "procuradores", (...) "já no decorrer das
investigações sobre o vídeo".

      Embora a Folha não esclareça, trata-se de membros do Ministério Público
Federal, o que significa que já estavam investigando o caso antes da
matéria da revista Época. É o caso de perguntar: por que só após a
publicação do vídeo é que o caso veio à tona? O inquérito corre em
segredo de justiça? Se é esse o caso, das duas uma:

      a) um Procurador da República quebrou o segredo judicial e entregou uma
cópia do vídeo à revista;

      b) o vídeo foi entregue pelo PSDB, sendo mentirosa a informação do
senador Antero de Barros de que entregou o vídeo ao MP sem saber de seu
conteúdo.

      Em qualquer dos casos a situação não fica boa para os acusadores. Os
indícios de um conluio para aumentar a repercussão do escândalo são
grandes. Seria o caso da Folha investigar isso, em vez de ficar forçando
ilações sem base em fatos reais.

      Aguardando ansiosamente sua resposta,

      Marcus Pessoa de Araújo
      Belém - Pará

 
   É possível, esperto/a como é, que você tenha notado que ando botando muitos comentários de Conselheiros e Conselheiras no blog nos últimos tempos. Deve ter ficado se perguntando a razão disso. Bem, para explicar tenho que voltar uma era do mundo, mais precisamente aos idos de maio de 1996.

   Quem me acompanha desde a época da antiga Coleguinhas (há mais masoquistas do que supõem a nossa vã filosofia e as sex shops), sabe que ela surgiu para impressionar a minha ex-namorada Andréa, a quem estava tentando conquistar (até deu certo, já que ficamos juntos seis anos). Aos poucos, a página, no entanto, foi se configurando, meio atabalhoadamente, como um projeto maior, pois muita gente colaborava enviando notas, sugerindo discussões, apontando caminhos ou simplesmente mandando mensagens para bater papo. Todos os escritos continuavam sob minha responsabilidade, naturalmente, mas muita gente se reconhecia neles por ter ajudado a desenvolvê-los.

   Assim foi por mais de cinco anos, até que a Coleguinhas se tornou parte do Comunique-se. A maior parte dos meus colaboradores voluntários se afastou após a mudança, acreditando, até com certa razão, que a Coleguinhas tinha deixado de ser o projeto semi-coletivo que fora até então. Confesso que senti falta dessa interação. Foi para tentar reviver pelo menos um pouco daquele espírito que criei o Picadinho Diário. Até há pouco, no entanto, não sentia muita firmeza nas colaborações, que vinham mais de antigos amigos e amigas, que sabem como sou, como ajo e no que acredito, e, mesmo sem concordar com muita coisa, são generosos/as e me ajudam.

   De umas semanas para cá, porém, notei que pessoas que são ou estavam mais afastadas ou mesmo realmente desconhecidas começaram a colaborar mais. Por isso, achei que estava na hora de dar início ao segundo tempo do Picadinho. Assim, quem quiser colaborar - ou só sugerir idéias -, esteja à vontade, mas, como tudo no mundo há regras a serem seguidas:

      1. Só publicarei o que achar pertinente. Por isso, posso não publicar o que me for enviado e espero que não haja ressentimentos por quem não vir sua colaboração na Rede por meio do Picadinho;

      2. Por padrão, TODAS as colaborações serão ANÔNIMAS. Quem quiser vê-las assinadas, deverá escrever a permissão explicitamente na mensagem em que ela for enviada. No Picadinho, o off é que é a regra; on só a pedido. Esse fato, porém, não isenta ninguém de enviar a mensagem assinada. Como no Washington Post, o editor tem que saber quem é a fonte mesmo no off;

      3. Peço encarecidamente que as colaborações não tenham mais que 1500 caracteres, contando os espaços. Se forem maiores que isso, correm o risco de serem cortadas. E sabe como é copy...

   Bom, é isso. Quem quiser colaborar, sou todo olhos.

 
   Conselheiro comenta o post sobre as críticas a respeito do novo modelo elétrico feitas pelas mesmas pessoas que levaram o país ao racionamento em 2001:

      Ô Ivson, isso aí é só a ponta do iceberg. Vc já percebeu a quantidade inacreditável de ex-alguma coisa no governo FHC sendo ouvidos sobre o governo Lula? Tá certo que a administração do nosso presidente está fraquinha, com uma gestão econômica que o Milton Friedman daqui a pouco acusa de fundamentalista e afundada aí neste lodaçal do dr. Waldomiro, mas nada justifica que a cada coisa que o novo governo faça os coleguinhas a repercutam com ex-ministros, por exemplo. Desde qdo essa turma é modelo de alguma coisa? Isso (essa repercussão com o passado) era feito em outros governos? É feito em governos estaduais? Não, né? Trata-se de armadilha ideológica: qdo a coisa, na visão dos jornais, dá certo, é porque repetiu o FHC (o que não é verdade nem na economia, onde o Lula fez um ajuste mais duro que o do antecessor) e aí é acusado de plagiar o ex-presidente; se não dá certo, é porque não repetiu o FHC e aí é acusado de não repetir o FHC. Difícil de agradar essa imprensa falida nacional, hein?

 
   O artigo do Chico Alencar e do Biscaia hoje no Globo aponta de novo para uma pauta que está caindo de madura: o que aconteceu com aquele excelente "controle de qualidade" que havia nos diretórios petistas e que levou o Márcio Moreira Alves a cunhar a frase definidora "no PT tem muito maluco, mas pouco ladrão"?

 
   Bom, então vamos lá. Aqui vai a lista dos concorrentes ao King of The Kings/2003. Quem quiser fazer algum adendo, a hora é essa!:

      Defesa das cotas para os negros por Dona Míriam

      Ali Kamel afirma que Rede Globo cobriu Diretas-Já com isenção

      Entrevista de membros do PCC para o Gugu Liberato

      Cacá Diegues afirma que governo petista defende o "dirigismo cultural"

      Resgate de Jessica Lynch por tropas de elite dos EUA durante a invasão do Iraque

      Entrevistas de Jason Blair


   No domingo começa a votação!


 
   Conselheiro testemunha o que parece ser um caso nunca antes relatado de "dupla personalidade midiática": o Segundo Colunista do Globo, que detona o governo do Nove -Dedos no jornal, o defende com igual determinação em suas aparições na TVE, que, como se sabe, pertence ao governo federal. Coisa de louco, sô!

 
   Bacana os dois artigos de ontem no Globo mostrando o racismo no Brasil. Pena que tenham sido publicados numa terça de carnaval, quando os jornais não são muito lidos. Enfim...

 
   Para quem tem saco de se interessar pelo debate a respeito do novo modelo do setor elétrico, uma informação: Adriano Pires, que nas matérias e artigos assinados é apresentado apenas como mero especialista em energia do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura e professor, foi assessor do diretor-geral da ANP e um dos caras que deu suporte à montagem do modelo de setor que atingiu seu momento de glória no racionamento de 2001.

   O site do CBIE, aliás, é um caso estranho: é mais interessante pelo que não mostra do que pelo que mostra. Exemplos: o nome do tal diretor-geral da ANP de quem Pires foi assessor e a lista de clientes do Centro. O primeiro mistério, pelo menos, eu posso desvendar: Pires assessorou diretamente David Zilberstjain, aquele ex-genro do FHC que tomou conta da ANP durante boa parte do governo do sogrão.

   Nada contra ouvir o Pires, pois ele tem um ponto de vista que merece ser levado em consideração, mas bem que os coleguinhas que o ouvissem poderiam apresentá-lo de maneira completa - algo como "especialista do CBIE que trabalhou no governo federal na gestão Fernando Henrique Cardoso". Afinal, todo mundo que cobre o setor de energia sabe quem é o cara e o que ele fez, e não me parece justo esconder os fatos do distinto público, induzindo-o a pensar que o especialista não tem interesses em jogo quando defende sua posição.

 
   Não entendi o raciocínio do Companheiro Gáspari para ser contra o financiamento público de campanha. Ele diz que não fecha as portas para a corrupção. Bem, nenhuma lei fecha as portas para nenhum tipo de corrupção, se o fizesse não haveria corrupção no mundo desde o Império Romano, né? O máximo que uma lei pode fazer é dificultar a corrupção e o crime, dando ainda meios para combatê-los. Me parece que o financiamento permite ambas as coisas. Afinal, se você recebe R$ 100 para financiar um campanha e viaja de jatinho, tem um programa eleitoral com um monte de efeitos especiais e espalha outdoors por todas as capitais do país e diz que só gastou os R$ 100, você está mentindo e é fácil provar isso - precisa apenas fazer uma cotação em empresas de aluguel de jatinhos e produtoras de vídeo. E se uma empresa de jatinho disser que cobrou R$ 1 por mês pelo avião cedido a um candidato, os outros vão poder ir à Justiça exigindo isonomia, levando a tal companhia à falência antes da data do pleito.

   O Companheiro parece que é contra a idéia apenas para ser contra, a maneira mais fácil de fazer jornalismo que existe.

 
   Bom, depois de a Telemar me deixado fora do ar desde sábado de carnaval, volto às lides. Espero que tudo tenha corrido nos conformes com você e toda a família durante o Tríduo Momesco.

   Aliás, retiro todo o meu apoio à Dona Míriam quando ela comemora o sucesso da privatização da telefonia. Só funcionou a celular, pois na fixa houve troca de monopólio público pelo privado. O serviço mesmo continua uma joça: antigamente, a Telerda demorava uma semana para mandar um técnico resolver um problema de telefone mudo. A privatizada Tele(me)rda manda rapidamente quatro e o telefone continua mudo.

   Mas, qualquer maneira, foi uma chance de testar mais uma grande invenção tucana: as agências reguladoras. Me queixei à Anatel e vamos ver o que acontece (só voltei à rede porque liguei de novo para a Telemerda que mandou o quarto técnico diferente, que deduziu que o problema era no cabo da telefônica na rua e não na linha interna de minha casa ou do prédio).

21.2.04

 
   Tá legal, mas qual é a acusação nova contra o Waldomiro? Ele se encontrou com os dois diretores da Gtech e aí? Pediu grana? Ofereceu serviços? Cadê o vídeo? Pois tem isso agora, né? Sem vídeo, não tem acusação. Se não tiver vídeo (gravação só de áudio pode servir tambpem), vão ter que achar algum motorista ou secretária para manter essa pipa no ar.

 
   Num box da matéria do Samuel Possebon, vem também a explicação do porque Preto Gil entrou na alça de mira das astronaves do Império.

 
   Nos Estados Unidos, decobriu-se que jornalistas ganhavam muito dinheiro na bolsa com "inside informations". Foi um escândalo. Vendo as oscilações da Bolsa ontem causadas pelas denúncias da Época e da Veja, fiquei com uma curiosidade danada de saber onde os coleguinhas mais bem postados nas redações aplicam suas economias.

 
   Beleza, Nove-Dedos. Fez o que devia atrasado, mas fez. Agora, espero que você tenha visto muito filme policial na vida para saber que uma vez caindo na pressão dos chantagistas, não haverá BNDES que chegue.

 
   Corra e compre a revista. Não, não a Época, nem a Veja. A Carta Capital. Vá direto à página 26 e leia a análise do excelente Samuel Possebon (numa participação especial, pois labuta mesmo na Pay TV, Tela Viva e Teletime, todas da Editora Glasberg). O que está escrito lá, somado ao que foi descrito pela Elvira Lobato na semana passada na Folha, explica o porquê das capas da Época e da Veja.

20.2.04

 
   Para ser menos escandaloso, esse empréstimo do BNDES à mídia devia prever, pelo menos, que as empresas seriam obrigadas a pôr um mínimo de 51% de suas ações na Bolsa, com governança corporativa nível 1. Isso para quem quisesse o empréstimo de emergência. Quem pleiteasse acesso às linhas de longo prazo, teria que, em três anos (vá lá, cinco anos...) ir para governança nível 2. Só assim, a Viúva teria alguma coisa palpável como garantia de que não vai tomar um calote dessas famílias "sopranos".

 

   Do Painel S.A., da Folha:

      Mídia
      Luiz Gushiken (Comunicação e Gestão Estratégica) se reuniu ontem com Carlos Lessa e Darc Costa, presidente e vice do BNDES. Na pauta, o programa de financiamento do BNDES à mídia. O projeto será acelerado.


   Parece que o "dá-ou-desce" que os veículos de comunicação - Organizações Globo à frente - estão dando no governo vai funcionar.

   Esse escândalo certamente não vai aparecer no JN...

 
   Agora o escândalo Waldomiro vai ter seu desdobramento nas empresas de comunicação. Ou você acha que as Organizações Globo vão deixar passar essa chance de pegar da Igreja Universal, dona da Record? Afinal, a rede dos televangelistas já avisou que não vai aceitar que o Império seja o maior beneficiado - para não dizer único - com aquela mão amiga do BNDES.

 
   O dólar sobe com a crise política. Notícia ruim para quem tem dívidas em dólar, como as empresas de comunicação, por exemplo.

   Tiro no pé? Nada. Rajada inteira, isso sim.

 
   Interessante análise de Marco Weissheimer sobre o momento político (sempre quis escrever isso...).

19.2.04

 
   O que é aquela foto do Nove-Dedos na capa do Globo, rapaz?! Parece que o jornal o está comparando a JC, que, como você deve estar lembrado, foi traído por Judas.

 
   Aliás, a novela da demora para a aprovação da abertura da mídia brasileira ao capital externo parece estar agora tendo um remake nesse tal empréstimo do BNDES. A abertura só saiu em 2002, quatro anos após as primeiras negociações, porque as Organizações Globo e seus concorrentes tinham opiniões bem diferentes a respeito de se ela devia acontecer, e, em caso positivo, como. Parece que os barões da mídia jamais entram em acordo com facilidade, exceto, claro, quando se trata de detonar o nosso fiofó.

 
   Estava para comentar há um tempão, mas sempre esquecia: a Hollinger, essa companhia de mídia que teve o seu principal executivo, Conrad Black acusado de maracutaias, andou negociando, pelo que me lembro em 1998, a compra do JB com José Antônio Nascimento Brito. O negócio - entabulado porque se achava que a permissão para a participação de estrangeiros na mídia iria sair no máximo em 99 - só não rolou porque o Manoel Nascimento Brito, o Kiko, impediu.

18.2.04

 
   Conselheiro corrige: o nome do caixa da campanha do Serra e homem que agiu "no limite da irresponsabilidade" na privatização do Sistema Telebrás é Ricardo Sérgio

 
   No caso de a Polícia Federal fazer seu trabalho direito - investigar a fundo o Waldomiro, levantando o que ela andou fazendo antes e depois de entrar no governo federal e apontando suas ligações - a mídia vai tratar disso como? Vai dar a mão à palmatória e considerar que o governo agiu de maneira diferente dos outros, sendo, portanto, melhor no quesito moralidade pública, ou vai preferir mostrar a PF como uma autarquia que responde ao governo de Júpiter? Ou ainda vai dizer que os federais não fizeram nada, toda a apuração sendo devido aos cavaleiros e damas sem mácula ou desonra do Ministério Público?

   Se for o contrário, a PF mostrar a incompetência conhecida em casos semelhantes, e não apurar nada, aí já sabemos como a mídia vai tratar o assunto, né?

 
   O companheiro Gaspari lembrou bem e propõe mais uma pauta: matérias com a ala esquerda do PT do Rio que foi detonada pela dupla Zé Poderoso e Nove-Dedos quando tentou impedir a aliança com a serpente populista fluminense Anthony Garotinho. Está na hora de ouvir Wladimir Palmeira, Milton Temer e outros. Afinal, eles têm direito de repetir aquele carrinho do desenho "Carangos&Motocas" (vem com essa, não. Você lembra sim): "Eu te disse! Eu te disse!"

 
   Rapaz, agora é que eu estou tendo toda a dimensão do lucro da Petrobras! Essa estatal - bom repetir para aqueles coleguinhas que professam o anarquismo capitalista: es-ta-tal - lucrou quase 40% a mais que o conjunto de 18 dos maiores bancos do país!

   Esse número já seria suficiente para uma enxurrada de matérias sobre distribuição de lucros para a União, gestão industrial, financeira e de recursos humanos, relações internacionais, o escambau. O problema para que essas pautas sejam feitas é aquele apontado lá de cima: para a maior parte dos coleguinhas e seus patrões, é do Estado, é ruim. Ponto final.

17.2.04

 
   Alto Conselheiro, também rubro-negro, tem visão oposta àquele seu companheiro de sofrimento sobre a entrevista de Romário ao Kajuru:

      Achava que o Kajuru era vítima de preconceito por ser de fora do eixo Rio-São Paulo (apesar de ter nascido no interior de São Paulo, ele, na verdade, construiu sua carreira em Goiás). Se ele não é corrupto (continuo acreditando que não seja), é, sim, sensacionalista. A entrevista do Romário é sensacionalismo baixo, porque abre o microfone para xingamentos do entrevistado sem que o entrevistador interponha qualquer pergunta. O Romário xingou, ofendeu, pôs a honestidade de algumas pessoas em xeque - e o Kajuru ficou rindo!!!! Isso é jornalismo?!?!?! Por que o Kajuru silenciou quando seu guru, Juca Kfouri, escreveu coluna no Lance, celebrando a paz entre o diário e Ricardo Teixeira?? Ele só é corajoso quando não é amigo dele???

      Além disso, crítico existe para criticar. Os colunistas existem para escrever suas opiniões, passíveis de críticas, reclamações e choramingos, mas de um jeito civilizado, dentro dos padrões da ética. Se o Kajuru queria pôr o Romário no ar esculhambando colegas dele, Kajuru, ou quaisquer outras pessoas, estava obrigado pela ética a ouvir o outro lado. Ou ética é só para os outros???!!?!?

      Ridículo qualquer colega nosso achar que o jornalismo vai melhorar com entrevistas-palanque onde o sujeito ganha espaço pra xingar os outros sem contestação...


 
   Enquanto Tereza Cruvinel e Helena Chagas se preocupam com a muito provável, embora ainda não certa, derrocada moral do governo do Nove-Dedos, o Segundo Colunista e o Colunista da 4 estão mais felizes que pinto no lixo com a possibilidade. Fato explicável não só pela diferença de categoria entre as moças e os rapazes. Há que se ver também que, como diz o da 4, "o nivelamento dos partidos políticos por baixo, transformando-os todos em 'farinha do mesmo saco', só pode agradar aos que vivem melhor em ambientes contaminados (...)".

   Autocrítica é coisa muito bacana mesmo, ainda vinda carregada de tanta indignação moral. Muito forte até por estar sendo exercida pela primeira vez na vida.

 
   Agora, é claro, Nove-Dedos, que alguém de seu povo no Congresso vai fazer um requerimento para que seja ouvido em terceiro lugar na CPI, logo depois do Waldomiro e do Waterfall, o Luiz Sérgio, né? Para quem aí não tá ligando o nome à pessoa é o tesoureiro das campanhas do Serra e o homem por trás do escândalo da venda do Sistema Telebrás.

 
   Nove-Dedos demonstrou apreço à Tereza Cruvinel ao marcar aquele papo com os jornalistas na casa dela. Espero que esteja lendo a colunista do Globo (e a também excelente Helena Chagas) porque o roteiro dela para sair desta crise é o melhor mesmo - botar pra rachar em cima da cabeça desse tal Waldomiro e de quem mais estiver no caminho. Vai cair a aprovação? Vai. Perder-se-á algumas prefeituras em outubro? Pode até ser. Mas daqui a um ano a aprovação volta quando a mídia não tiver outro jeito se não admitir que este governo era mesmo diferente e, pra falar a verdade, quem liga para perder umas prefeituras (mesmo a de Sampa)?

   É isso, Nove-Dedos, a Providência voltou a te espichar uma bola na cara do gol, só com o goleiro pela frente. Vamos ver como você vai se sair.

 
   Na mesma semana em que a mídia bota a boca no trombone sobre um assessor malandro do Zé Poderoso a matéria de capa da Meio&Mensagem é o Carlos Lessa dizendo que o empréstimo para as empresas de comunicação deve ser apreciado pelo Congresso, mas que, por ele, o banco não entra nessa roubada. Você pode achar coincidência, mas eu, como criador da AMPLIAR (Análise Ampla Poli-Linear da Realidade), infelizmente, não posso ter essa crença.

16.2.04

 
   Ah! Quem quiser ler a matéria da IstoÉ Dinheiro que detonou a ira do Grupo Folhas pode clicar aqui.

 
   Do jeito que as privatizações tucanas foram feitas, está ficando muito difícil os veículos de comunicação defenderem qualquer uma delas.

 
   Nessas brigas entre as empresas de comunicação, com umas contando os podres das outras, ganha o distinto público, que fica sabendo o que nós, empregados delas, sabemos desde sempre: que os donos de nossa auto-proclamada impoluta mídia são tão incompetentes quanto aqueles que seus veículos vivem criticando.

 
   Como dizia minha sábia vózinha Sinhá: "Casa onde não tem pão, todo mundo grita e ninguém tem razão". Veja o que saiu no UOL hoje (valeu, EP!):

      UOL processa IstoÉ Dinheiro por calúnia e difamação - 18h40 - 15/02/2004

      Da Redação

      O UOL decidiu processar a revista "IstoÉ Dinheiro" por calúnia e difamação, em função da reportagem publicada na edição desta semana, com data de 18/2.

      A revista, em reportagem assinada pelo editor-executivo Joaquim Castanheira e pelo editor-adjunto Manoel Fernandes, publicou uma série de informações falsas e difamatórias sobre a saúde financeira do UOL.

      O UOL é o maior portal e provedor de acesso à Internet do país. É líder em audiência, faturamento e assinantes pagantes.

      Fundado em 1996, o UOL alcançou o equilíbrio financeiro em abril do ano passado. O último balanço auditado pela Price Waterhouse, do segundo trimestre de 2003, apresenta Ebitda positivo (em português, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 10,3 milhões. O balanço do segundo semestre de 2003, em processo de auditoria, apresenta um Ebitda positivo de R$ 36,8 milhões. O UOL não possui nem dívida bancária nem dívida com fornecedores. O UOL tem atualmente cerca de R$ 60 milhões aplicados em bancos.

      Pedido negado

      Na quinta-feira, 29 de janeiro, um grupo de empresários, entre eles Domingo Alzugaray, dono da Editora Três, que publica "IstoÉ Dinheiro", foi recebido em almoço na Folha.

      Durante o almoço, realizado a pedido do grupo, Alzugaray solicitou reservadamente a dirigentes da Folha que retirassem o nome da sua empresa da reportagem sobre Refis (programa de refinanciamento fiscal) que estava sendo preparada pelo jornalista Josias de Souza, diretor da Sucursal da Folha em Brasília, para a publicação no domingo seguinte. A Folha não atendeu o pedido.

      O não atendimento do pedido de Alzugaray pode ser a razão que motivou a reportagem extemporânea e difamatória contra o UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha.

      A reportagem da Folha "Governo parcela dívidas em 8.900 séculos" tratava de processos do Refis cuja idoneidade a Controladoria da União considerou duvidosa. Refis é o programa de parcelamento de débitos tributários criado em 2000.

      A Editora Três conseguiu dividir uma dívida tributária de R$ 222,4 milhões em parcelas que, a depender do faturamento da empresa, podem ser alongadas por até 344 anos.

      Ouvido pela reportagem da Folha, Alzugaray levantou dúvidas sobre os números da Procuradoria da Fazenda: "Creio que devemos a metade disso". Alzugaray disse ainda o seguinte: "Não tem fundamento a alegação de fraude. Pagamos religiosamente pelo faturamento. O que acontece é que esse faturamento não é suficiente. O país está parado. O prazo de 344 anos é até otimista. Ou começamos a faturar novamente como há cinco, seis anos, ou não vamos pagar nunca. Vamos afundar em dívidas".


 
   O conterrâneo Anderson Campos foi o meu primeiro chefe de redação, no Jornal dos Sports, em 82. Descanse em paz, velho.

 
   E aí, Nacib Kamel? O filho de criação de Caetano Veloso é expulso de shopping de bacana apenas por estar de bobeira esperando a volta de dois amigos que tinham ido comprar água (um deles o irmão de criação Zeca Veloso). O rapaz é negro, mas, pelo que consta, não é um "pobre de marré de ci". Portanto, não foi "discriminação social" - aquela que você aceita. Sobra, então, outra possibilidade. Qual é, Nacib?

15.2.04

 
   Lendo a matéria da Elvira dá pra desconfiar de onde sairam as informações da nota do Companheiro Gáspari citada abaixo.

 
   Primeira matéria séria sobre o empréstimo do BNDES às empresas de comunicação. Está na Folha, foi escrita pela brilhante Elvira Lobato e pode ser lida por quem não assinante da Folha ou do UOL aqui na Pensata (no total são quatro matérias)

 
   E O Globo continua sua série "Ei, tucano, cadê você?". Depois de Serra, semana passada, hoje é dia do Primeiro Colunista do jornal falar mal do governo do sucessor, que lhe segue todas as políticas importantes.

 
   Meio escondida e um tanto tardia, mas ainda assim válida a matéria sobre a terceirização que tunga o contribuinte que saiu hoje no Globo, na página 8.

 
   Bacana, companheiro Gáspari, a informação sobre a destruição dos postos de trabalho organizada pelos patrões da mídia nacional. Mas senti falta do serviço, isto é, de onde o senhor tirou aquelas informações. Afinal, o companheiro sempre se esmera em indicar as suas fontes, como no caso de mais uma nota sobre o Aerolula, na qual há duas referências.

   A notinha do companheiro sobre o terremoto trabalhista que vitimou tantos jornalistas nos dois primeiros anos do milênio é a seguinte:

      Na rua

      Em dois anos (2001 e 2002) as empresas de televisão brasileiras fecharam 3.600 postos formais de trabalho. A mão de obra caiu de 43.300 pessoas para 39.700.

      Nesse mesmo período o número de trabalhadores empregados na impressão e na edição de jornais caiu de 48.200 para 37.300. Sumiram 10.900 empregos formais (23%).


 
   Sem entrar no mérito da questão, achei muito desequilibrada a matéria do Globo sobre o uso de embriões para a chamada clonagem terapêutica. Pelo menos o dobro de espaço total e todas as entrevistas da retranca principal ficaram com quem defende a mudança no projeto da Lei de Biossegurança, que veta a utilização. Os defensores do projeto ficaram apenas com um quadrinho e os seus argumentos ficaram restritos apenas à questão religiosa (se é esse mesmo o único argumento, deveria ter sido dado destaque ao fato).

   Outra coisa de que senti falta na matéria foi um questionamento objetivo dos defensores do uso dos embriões sobre se eles acreditam mesmo que é possível separar a clonagem terapêutica da clonagem com fins reprodutivos. Afinal, na história da ciência eu não conheço caso de que uma possibilidade de uso de descoberta científica ter sido barrada por leis. Nestes casos, sempre valeu a máxima de que se há dinheiro grosso envolvido, as considerações éticas e possíveis conseqüencias funestas são solenemente desconsideradas. Em muitos casos, em primeiro lugar pelos cientistas.

14.2.04

 
   Duas coisas sobre este lucro histórico da Petrobras:

      1. Não valia uma matéria sobre quanto o distinto contribuinte brasileiro leva nisso? Afinal, pelo que sei, boa parte deste lucro de quase R$ 18 bi vai para a União, a acionista majoritária, né?

      2. Impressionante o presidente da empresa, o senador José Eduardo Dutra. O cara não aparece nem pra dar notícia boa! A continuar assim, se aposenta na função.

 
   Alto Conselheiro, que é rubro-negro, mas mesmo assim é inteligente e bom sujeito, ficou espantado com a reação dos comentaristas esportivos à entrevista do Romário ao Jorge Kajuru:


      Brincadeiras à parte (afinal, você não tem culpa de não ser Flamengo. Aliás, pelas suas colunas, bom texto e bom humor, você é Flamengo, só não sabe disso), ontem andei vendo as colunas de esporte depois da entrevista do Romário ao Kajuru.

      É engraçado como sujeitos que dizem, sem nenhuma análise científica, que uns e outros são pernas-de-pau, que não podem exercer a profissão de zagueiro, centro-avante ou lateral no Flamengo, Fluminense e Botafogo, e depois ficam emburradinhos quando vem outro sujeito, mais famoso, mais bem-sucedido em sua profissão e com tanto direito à idiotice quanto eles, dizer que os cronistas falam bobagem, dão botinadas e perdem gols.

      Corporativismo é muito engraçado mesmo. Também acho o Júnior Baiano uma lástima, mas também acho que ele, ou o Romário ou qualquer outro, tem o direito de dizer que o Calazans e o Renato são perebas em seus ofícios.

      Se tem uma coisa que me chateia é ver o Calazans dizendo que futebol bom é o que só ele, o Trajano e o Noronha viram. Que todo mundo é uma porcaria. Sempre sonhei ver um jogador dizendo que crônica boa era a que o pai dele lia...

      E o Romário, que me irrita toda vez que dribla minha dupla de zaga, me faz o favor de incomodar essa turma a ponto de merecer resposta corporativa do Renato. Eu até acho que, falando, o jogador do PTL (Pequeno Time das Laranjeiras) produz mais besteiras que qualquer outra coisa. Mas que ele mostrou como essa turma é corporativa, isso mostrou.

      Nessa história de colunistas/comentaristas esportivos só gosto do Tostão e do Casão, outro atacado pelo Romário.

 
   Evoé, Momo! O carnaval começou uma semana mais cedo na mídia nacional com a descoberta do primeiro escândalo do governo Lula! Tá certo que o acusado, apesar de amigo do Zé do Poder, tem um cargo no Planalto que não manda nada, mas para quem estava na seca há um ano, sem condições nem tentar encurralar o governo para conseguir benesses como sempre foi, qualquer coisa é bem-vinda.

13.2.04

 
   O Minas Gerais vai ser desmontado para servir de alimento a altos-fornos na China, de acordo com o Segundo Colunista do Globo. Meu pai fez parte da guarnição que foi buscá-lo na Inglaterra em 1960, após ele ter passado por reformas.

 
   Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas fiquei cabreiro essa pajelança cultural que as Organizações Globo montaram lá em Sampa. É que muito me engano ou o objetivo dos Marinho é mostrarem as OGs como supremas guardiãs da Cultura Nacional - seja lá o que isso for - e, portanto, não podendo ficar sujeitas a coisas mesquinhas, como ir à falência por não ter dinheiro para pagar as suas dívidas gigantescas.

   Lendo a matéria de hoje no Globo - e vendo as fotos dos artistas globais que a enfeitavam - me veio à cabeça aquela frase, se não me engano de um filme do Godard: "Quando ouço falar em cultura, saco logo o meu talão de cheques".

 
   Um toque de quem entende do assunto: esses pobres-diabos que estão sendo libertados pelo governo de fazendas por todo o Brasil não são escravos. São servos. A diferença é que eles não são vendidos ou comprados como os escravos, mas ficam presos aos patrões-bandidos por dívidas ou incapacidade de sair da terra por estarem longe das regiões de origem, o que caracteriza servidão.

   Não muda a situação deles, nem diminui a culpa dos bandidos, claro, mas é bom que a palavra usada seja a certa porque, ao que consta, há situações como essas, de servidão, aqui mesmo no Estado do Rio, na região dos laranjais, Rio Bonito e arredores.

12.2.04

 
   Bom, por enquanto temos quatro concorrentes ao King of The Kings-2003:

      Dona Míriam defendendo as cotas para os negros

      Ali Kamel dizendo que a Rede Globo cobriu com isenção as Diretas-Já

      Jason Blair e suas matérias inventadas

      Gugu LIberato e as falsas entrevistas com os PCCistas.

   Vamos lá! Apresentem mais candidatos ou votem em um desses acima! O prazo vai até 22 de fevereiro, domingão de carnaval!

 
   Conselheiro pegou essa:

      Segundo Colunista hoje:
         Líbano na Sapucaí
         Émile Lahoud, presidente do Líbano, vai assistir aos desfiles na Sapucaí.
         Aceitou convite de Rosinha e Garotinho, neto de libaneses.

      Gente Boa, de 29 de janeiro:
         O presidente do Líbano, general Emile Lahoud, debutará na Marquês de Sapucaí neste carnaval. Com viagem marcada para o Brasil em fevereiro, ele agendou um encontro com a governadora Rosinha Matheus no dia 20 e manifestou, através dos canais diplomáticos, seu interesse em conhecer nossa maior festa. Rosinha convidou-o para assistir ao desfile em seu camarote.


 
   Essa é a quarta vez na minha vida que ouço essa história de "mexicanização" do processo político brasileiro, que, segundo a Tereza Cruvinel, anda sendo falada pela Oposição. A primeira vez foi no início dos 70, quando o MDB chegou até pensar em auto-dissolução e dizia que a Arena iria ser o PRI à brasileira. Depois foi nos 80, quando o PRI da vez seria o PMDB, que cavalgava o Plano Cruzado e elegeu 23 de 24 governadores (na época ainda havia os territórios de Amapá, Rondônia e Roraima, lembra?). A terceira, por fim, foi agora há pouco, quando o Real promovia a farra dos importados (para os ricos) e do frango (para os pobres), e os "mexicanos", segundo os petistas, seriam os tucanos, os mesmos que vaticinam o advento eterno de Nueve Dedos e sus Mariachis del PT.

   Pô, os caras bem que podiam ser mais criativos. Afinal, nem o México é mais mexicanizado.

 
   Do Informe do Dia:

      Carona
Mais uma vez o Rio será caroneado pelos barbudinhos do Planalto.

É pule de dez em Brasília que o ex-ministro dos Transportes de FHC, o piauiense João Henrique Souza, assumirá a cobiçadíssima presidência dos Correios.


   É pule de dez há uns três meses, como informaram todas as outras colunas de politica dos concorrentes.


11.2.04

 
   Ainda do Informe do Dia, na edição on line:

      Expansão

      O casamento entre os conglomerados Sendas e Pão de Açúcar vai ser formalizado para valer dia 25 de março, quanto vão inaugurar um hipermercado em São Gonçalo.

      Não é nada, não é nada, são 500 abençoados empregos.

 
   Do Informe do Dia, na edição on line (não vi a impressa):

      Mazela

      O Datasus constatou que, ano passado, 51 brasileiras com idade entre 55 e 59 anos derão à luz filhos vivos. Seis delas são fluminenses.

      Antes de ser um trófeu à fertilidade, isso mostra o quanto o País é capenga em termos de planejamento familiar.

 
   Do Globo Online, às 18h42 (mas tendo entrado em Rede às 10h55):

       A falha permite que hackers entrem em computadores pessoais, roubem ou apaguem documentos e executem programas suspeitos, disseram Maiffret e outros especialistas.
      - Contatamos a Microsoft sobre estas vulnerabilidades há 200 dias, o que é insano. Mesmo as mais seguras redes Windows são vulneráveis a esta falha, que é muito única - disse.


   Ter entrado em contato com a Microsoft há 200 dias é insano?

   O que significa a expressão "muito única"?

 
   Seu Nacib Kamel volta a atacar hoje de especialista em racismo no Brasil, respondendo à coluna de Dona Míriam de domingo. Mais ou menos o de sempre, com o uso e abuso de estatísticas tiradas não se sabe de onde, misturadas com citações sem pé nem cabeça. O texto, porém, tem uma pérola digna de entrar no Guiness de Cabotinismo:

      Até pouco tempo atrás, os defensores de cotas raciais trabalhavam com os números relativos aos negros de tal modo que chegavam a dizer que o Brasil tinha a maior população negra depois da Nigéria e que os negros eram a maioria entre os pobres brasileiros, razão pela qual mereciam ações afirmativas que os retirassem dessa situação. Diante disso, esclareci em diversos artigos que os negros são apenas 6,2% dos brasileiros segundo o Censo de 2000, e 7% dos pobres, e que os números citados pelos defensores de cotas raciais só ficam tão dilatados porque eles consideram que os negros são a soma de pretos e pardos (estes são 39% da população e 57% dos pobres).

      Fiz tal esclarecimento porque temia que os pardos fossem usados para engordar as justificativas para as cotas, mas, na hora de se beneficiar delas, ficassem de fora. E lembrei o exemplo da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, que instituiu cotas para negros e barrou 76 inscritos porque suas fotos denunciavam que eles não cumpriam as exigências: não tinham a pele negra, nem o nariz achatado e nem cabelo pixaim. Eram pardos. Eu temia também que as cotas trouxessem ao Brasil o que não conhecemos — o ódio racial — e relegasse à própria sorte, além dos pardos, 19 milhões de brancos pobres.

      Agora que o esclarecimento foi feito por mim, e não por eles (...)


   Diante dessa egotrip, reforço o pedido feito ontem por um Alto Conselheiro: Nacib Kamel devia pedir uma entrevista com a família do dentista Flávio Sant'Anna, assassinado em São Paulo para explicar-lhes que ele foi morto pela PM não porque fosse negro, mas porque era pobre. Tenho certeza de que Nacib fará ver o erro dos pais e amigos do rapaz que têm certeza de que o jovem foi assassinado por ser "um elemento da cor padrão" (era assim que os tiras do Rio se referiam aos negros na época em que o Brizola proibiu referências pejorativas contra os negros pelo rádio da PM, corporação, como deve saber Nacib, completamente isenta de preconceito racial em todo o Brasil).

   O novel "especialista" em questão racial do Globo, com sua extraordinária técnica argumentativa, certamente contornará o fato de que Flávio não era pobre, mas de classe média, e, portanto, segundo a tese seguidamente exposta por Nacib Kamel em seus artigos, não deveria ter sido abatido como um cão raivoso.

10.2.04

 
   A secretária do muy operoso secretário de Energia, Petróleo e Indústria Naval do Estado do Rio, Wagner Victer, teve muito trabalho ontem. Ela passou o dia no telefone ligando para as redações a fim de convidar coleguinhas para desfilar numa ala do Salgueiro, fantasiados de gotas de petróleo, numa alusão à campanha A Refinaria É Nossa. As fantasias sairiam "de grátis" para os convidados, pois seriam bancadas pelo festivo secretário - com seu próprio dinheiro e não com o do contribuinte, certamente. Será interessante observar na Avenida quem aceitou a oferta.

 
   Conselheiro acredita que o velório do dentista assassinado por ser negro em São Paulo seria uma ótima oportunidade de Nacib Kamel mostrar mais uma vez, dessa vez a uma platéia atenta, que não há discriminação racial no Brasil, mas "apenas" ódio social.

 
   Chega a ser constrangedor o quanto a Carta Capital é melhor do que as outras revistas semanais de informação.

 
   Depois que passou a campanha de lançamento de "Da Cor do Pecado", foi permitido ao Globo voltar a mostrar que existe racismo no Brasil. Até na primeira página.

 
   Como você talvez saiba, faço parte do grupo de discussão Núcleo de Inteligência Tricolor (NIT), um pé-sujo virtual onde se encontram jornalistas, diplomatas, publicitários, roqueiros, financistas e pelo menos uma figura do governo do Nove-Dedos. Como nosso patrono é o Nelson Rodrigues, acreditamos que toda unanimidade é burra e nunca concordamos uns com os outros. No momento, a polêmica é se Romário é útil ou não ao Maior Clube de Futebol da Galáxia. A discussão inspirou o samba deste ano do "Desunidos do NIT", um dos blocos mais legais do Rio até pelo fato de nem chegar a se concentrar e, portanto, não encher o saco de ninguém. Como em toda grande agremiação, o samba é um frankstein formado por versos feitos por compositores diferentes. Com vocês, "Barbarella do Brasil", de autoria de Comandante Garcia, Djanot e Platão:

      Barbarella do Brasil

      (Comandante Garcia, Djanot e Platão)


      Vejam essa maravilha de Romário
      Fica paradão como um armário
      E vive da fama de genial
      Ele espirra e já vira carnaval
      E o Maraca como passarela
      De sua panela
      Romário só corre na banguela.

      Passeando pela defesa adversária
      Surpreendeu com seus dribles geniais
      Do Viajandão a Ilha de Marajó
      De nenhum goleiro ele tem dó

      E ficou radiante de alegria
      Dedicou o gol ao Serginho Garcia e ao Ivson Alves
      Aqueles dois manés
      Que não enxergaram a magia
      Que vem dos seus pés

      Depois de marcar mais um pro Flu
      Assistiu com seu eunuco
      Mais um fracasso do urubu.

      Fiquei radiante de alegria
      Com sua aposentadoria
      No Rio, com morenas e mulatas, noitadas e batucadas
      E o trabalho, infeliz?

      Baixinho
      Depois de tantos gols de placa
      Bicicleta no Maraca
      Deu de cinco no Canil
      E o manto tricolor ele vestiu
      Para encher de alegria
      O meu Brasil

      La-la-la-la-la/ La-la-la-la-la/ RO-MÁ-RIO!

 
   Por algum tempo (quanto?) teremos na terça-feira a melhor configuração de colunas que pode apresentar a Economia do Globo: Flávia Oliveira, no Paneco, e Nélson Vasconcelos, na Conexão Global. É aproveitar a conjunção astral como fiz hoje.

9.2.04

 
   Parágrafo do editorial-barraco do JB:

      Também os menos jovens recordam que, nos anos 80, a empresa tentou matar no nascedouro a campanha pela restauração das eleições diretas para a Presidência da República. O comício de 25 de janeiro de 1984, considerado o marco inicial da campanha, foi apresentado no noticiário do Jornal Nacional como ''parte das solenidades comemorativas do aniversário de São Paulo''. O grupo decidiu mudar de lado só depois de constatar a popularidade irreversível da palavra de ordem ''Diretas Já''. A essa altura, veículos com o logotipo odiado eram atacados nas ruas por multidões enfurecidas. ''O povo não é bobo: abaixo a Rede Globo'', bradavam os manifestantes.

   Como não sou mesmo muito jovem, lembro também que o JB malufou logo depois disso.

 
   Tá bom, tá bom, você já leu, mas o editorial de hoje do JB não é comum. É um documento. Algo que precisa ficar para sempre na internet. Espero que aquele site (esqueci o endereço) que cataloga as páginas da Rede para formar um museu não perca essa.

      Império em decomposição

      Organizações Globo

      Em suas reuniões semanais, diretores das Organizações Globo têm consumido tempo, neurônios e cabelos na tentativa de encontrar saídas para o impasse teimosamente apontado por levantamentos promovidos pela própria empresa ou encomendados a institutos de pesquisas de opinião: por que a ampla maioria dos brasileiros demonstra tamanha antipatia pela marca famosa? Milhões de espectadores vêem a emissora de TV. Milhares de leitores compram jornais e revistas editados pela empresa. Outros tantos devem ouvir suas emissoras de rádio. Mas o povo não gosta da Globo. E vem reiterando nas pesquisas que não gosta sobretudo por não acreditar no que a Globo diz. Em matéria de credibilidade jornalística, a empresa sofre de anemia crônica.
Tais pesquisas contêm detalhes tão relevantes quanto desalentadores para os encarregados de buscar soluções. Mostram, por exemplo, que os brasileiros não conseguem esquecer episódios desastrosos protagonizados pela Globo. Os mais vividos lembram a obscura gestação da TV nos anos 60, e o parto patrocinado pelo grupo americano Time-Life, sem que houvesse explicações verossímeis para o acasalamento. Lembram que, nos anos 70, só jornais subservientes escaparam à censura imposta pela ditadura. Publicações como o Jornal do Brasil resistiram com altivez aos senhores da noite, e sofreram as habituais agressões desferidas pelos donos do poder. Já O Globo cumpriu ordens obedientemente, às vezes com animação, e se tornou o jornal preferido do governo autoritário.

      Também os menos jovens recordam que, nos anos 80, a empresa tentou matar no nascedouro a campanha pela restauração das eleições diretas para a Presidência da República. O comício de 25 de janeiro de 1984, considerado o marco inicial da campanha, foi apresentado no noticiário do Jornal Nacional como ''parte das solenidades comemorativas do aniversário de São Paulo''. O grupo decidiu mudar de lado só depois de constatar a popularidade irreversível da palavra de ordem ''Diretas Já''. A essa altura, veículos com o logotipo odiado eram atacados nas ruas por multidões enfurecidas. ''O povo não é bobo: abaixo a Rede Globo'', bradavam os manifestantes. Hoje, em espertas campanhas publicitárias motivadas pelas pesquisas mencionadas no início deste editorial, a TV tenta reinventar a História e convencer os brasileiros de que não foi bem assim. É tarde. Além do mais, agora como antes, o povo não é bobo.

      Em 6 de setembro de 1987, num discurso em Aracaju, o então deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva incluiu ''o grupo de seu Roberto Marinho'' (na definição do orador) entre os grandes males da vida nacional. ''A Rede Globo mente vinte e quatro horas por dia'', afirmou o atual presidente da República. A frase continha um erro: pausas impostas no meio da madrugada por trabalhos de manutenção impedem que a emissora funcione ininterruptamente. Mas a retaliação viria com a campanha de 1989, quando Lula disputou a Presidência da República com Fernando Collor.

      O clímax da vingança se materializou na versão, editada sob instruções da cúpula da empresa, do último debate entre Lula e Collor. Essa manipulação televisiva, hoje célebre, catalogada em todas as antologias das grandes torpezas jornalísticas ocorridas no Brasil, aparece de modo sistemático na lista das explicações para a má imagem da Globo. Paradoxalmente, entre os motivos da antipatia recorrente, também figura a vocação governista da empresa, acentuada pelo sistema de concessões de emissoras de TV e aguçada desmesuradamente por trapalhadas na condução dos negócios.

      Os veículos do grupo têm sido a favor de todos os governos. Como apoiaram o regime militar, apóiam agora a administração de Lula, um homem que os diretores da Globo, a começar pelo fundador, sempre consideraram ''limitado demais para exercer funções executivas importantes''. É um tipo de apoio lucrativo para ambas as partes. O governo tem ganhos políticos com o noticiário amistoso, indulgente, amigo. A empresa tem vantagens pecuniárias nada desprezíveis quando assume funções semelhantes à de uma Telebrás oficiosa.

      Atropelando quaisquer ''critérios técnicos'', os responsáveis pela distribuição das verbas publicitárias federais reservam às Organizações Globo fatias descaradamente superiores às dos concorrentes. E órgãos da área econômica federal abrem mais facilmente os cofres para empréstimos cuja premência é crescente. A Globo, insista-se, anda precisando de muito dinheiro, em quantias que se avultam e encurtam calendários. O grupo enfrenta um quadro evidente de insolvência econômico-financeira, desenhado pelos próprios balanços publicados periodicamente.

      Um pedido de falência contra a empresa tramita na Corte de Nova York. Os credores estão perdendo a paciência. Quem apostou no sucesso genético começa a sentir muito medo. A trajetória das ações da Globopar configura um caso de naufrágio só comparável à aventura da TeleMontecarlo, o braço italiano da rede, amputado quando a gangrena ia longe. A Editora Globo é árvore que não dá frutos. Embora recorrendo à prática do dumping e a pressões quase criminosas contra os anunciantes, os jornais da Globo claudicam. O gigante envelhecido se apóia numa perna só: a TV Globo, ainda lucrativa, graças às novelas. Essa fonte dá sinais de esgotamento, e diminui a cada ano a chuva de verbas nas cabeceiras. Se tal rio secar, o Império caminhará para o fim.

      Distantes da simpatia dos brasileiros, afundados em dívidas, enredados na teia de incompetências que eles próprios forjaram, os diretores da Globo têm sucumbido, com freqüência, à tentação dos disparos insensatos. Isso talvez explique a insistência na publicação de ''notícias'' e ''reportagens'' supostamente prejudiciais ao Jornal do Brasil. Os textos são invariavelmente manchados pela falsidade e sublinhados pela mesquinhez. A melhor resposta está no comportamento do público e dos anunciantes. Enquanto os veículos da Editora JB ganham musculatura, as ramificações da Globo seguem definhando.

      Desde que o mundo existe, em todos os setores da atividade humana, impérios nascem e morrem. Mas só os derradeiros ocupantes do trono, com o drama já em seu epílogo, percebem que governavam, havia tempos, um universo em estado de decomposição. Sobram sinais de que a Globo percorre esse roteiro tristonho.

      A frase cunhada nos anos 80, por multidões de democratas brasileiros que se manifestavam nas ruas, parecia apenas um grito de indignação contra a arrogância e a mentira. Era muito mais que isso. Era uma profecia.


 
   Sugestão pro pessoal do C-se, caso alguém me leia fora de lá: botar a Letícia Lins, do Globo, naquele chat da quarta. A conterrânea é uma brava por cobrir praticamente sozinha o Nordeste inteiro, se metendo Sertão a dentro sempre que pode.

 
   Olha só, quem for apontar cascateiros - e não cascatas específicas - tem que dar como exemplo pelo menos uma matéria que mostre ser cascata insofismável, viu? Se não vira bagunça, com neguinho chamando desafetos de cascateiro. Tem que ter prova, se não é cascata.

 
   Do Informe do Dia de ontem:

      De fora
      Bem na surdina, como a questão exige, Furnas, Chesf e Eletronorte foram retiradas do programa de privatização do Governo Lula.

      Aliás, essa conversa de desestatização continua provocando urticária nos barbudinhos.


   O assunto saiu em pelo menos cinco jornais e nas três principais revistas semanais.

8.2.04

 
   Bom, já estamos em fevereiro e creio que podemos iniciar o processo para a escolha do vencedor/a do King of the Kings/2003, prêmio da comunidade picadiana ao/a maior ou maiores cascateiros/as da imprensa pátria do ano passado.

   Como este prêmio é completamente democrático, a primeira parte do processo, a indicação (nominação não!!!) já vai ser por voto direto. Até o dia 22, domingo de carnaval, todos podem enviar sugestões de matérias, séries ou pessoas cascateiras por meio dos pitacos ou por emeio direto e confidencial. Os quatro mais votados vão para a final, que se encerrará em 7 de março. Durante o processo, vou dando as parciais nos posts, mas a votação final será pelo enquete.com.br

   Inicio o processo votando na Dona Míriam, por sua defesa das ações afirmativas para negros que não aguentou a pressão de Nacib Kamel (apesar da coluna de hoje); e o próprio Ali, por ter escrito que a Rede Globo cobriu correta e isentamente as Diretas-Já em 84. Esses são os meus dois candidatos, mas não se acanhe e mande os seus. Não há limite para as indicações, ok?

   Ah! E em março será iniciado um novo e sensacional concurso! Aguardem!

 
   Para desanuviar o ambiente, aqui vai parte da hilária matéria de capa deste sábado do Prosa&Verso, mais um produto da indústria de narizes-de-cera que se instalou no caderno de livros do Globo:

      Ah, a humana riqueza de um coração generoso. Misteriosamente, com o auxílio dos anjos da guarda que o protegeram em vida, é capaz de milagres e de grandiosas e infindas dádivas e doações, mesmo estando morto. Carlos Scliar partiu da Terra pouco antes de completar 81 anos, em 2001, tendo ido morar com seus pincéis, artefatos, vasilhas, gravuras, vidros, potes e telas na fosforescência das estrelas que iluminam o azul do cosmos. Mas deixou em nosso sofrido Brasil um legado valioso como os veios de ouro de uma mina inesgotável. Deixou-nos paz, simplicidade, cor, textura e beleza, enfim, uma arte magnânima como o seu sanguinolento órgão de artista sensível tocado no peito pelos finos dedos, pelo hálito e pelo sopro divinos. Fossem os seus deuses os profanos ou os sagrados, que olho privilegiado! Que visão, que dom, que pensamento ágil, perceptivo, agudo, sempre vivo. Cheio de amor pela natureza, pelo sol, pelo mar, pela dourada areia, pelos barcos e suas velas de nata, pelo verde úmido ou o marrom-mousse das montanhas ouro-pretianas. Morros enigmáticos que escondem em seus ventres barrocos tocas de gnomos. Cheio de amor pelos frágeis mortais que habitam esta terra desolada, essa edênica natureza violada pelo caos da ignorância e os maus-tratos.

      Ah, coração generoso, batendo no ritmo de um tamborim cuja pele é a emoção. Mãos capazes de transformar fios e linhas em quadros frescos como orvalho ou auroras. Mãos hábeis que criam telas azuis, vermelhas ou malvas como frutas maduras, onde cintilam comezinhos utensílios do cinza cotidiano humano. Desenhista de crepúsculos iluminados por sóis púrpuras a naufragarem como hóstia machucada no leito de um mar purificador.
(...)"


 
   Comentários sobre o barraco abaixo:

   1. O tal ex-funcionário do JB deve ser coleguinha. Só posso pensar nisso como motivo para não ser identificado na matéria do Globo;

   2. A nota do JB que os profissionais que trabalham na empresa foram agredidos. Na boa, não vi agressão alguma. A matéria relata um fato, o qual segundo o escrito saiu em Diário Oficial, que não desabona quem labuta, com dignidade e enfrentando todas as dificuldades conhecidas, no JB. A direção do jornal tenta usar daquele artifício da retórica fascista do "indivíduo único", aquele de procurar confundir o todo com cada uma de suas partes (variante política mais conhecida: quem critica o governo está criticando o país). Velho ditado da selva: patrão é patrão (ou empresa é empresa); trabalhador é trabalhador (ou empregado é empregado). Podem ser aliados táticos, mas não se misturam.

   3. O que raios têm os itens três e quatro com a matéria do Globo? Sem dúvida, o jornal não dá conta das graves dificuldades financeiras da Rede Globo (e da NET, por falar nisso), mas o JB, ao que eu saiba, também não tem se esforçado muito para falar de um assunto tão importante. De todos os veículos brasileiros, só a Folha cobre razoavelmente bem a situação do Império. Quanto ao Marcelo Novaes, o sujeito é meio marginal mesmo e já bateu em outras pessoas. E ele é só empregado da Rede Globo e nada mais. Aqui o artifício fascista acima é usado no ataque.

   4. O mais interessante da matéria do Globo, segundo posso enxergar com as minhas poucas (e quase apagadas) luzes jurídicas, é que o juiz decidiu que Nelson Tanure é responsável solidário pelas dívidas da Jornal do Brasil S.A. Se for reconhecida em instâncias superiores (como, pelo que sei, aconteceu com o Grupo Ômega e a antiga Manchete), de nada terá adiantado a chicana de separar a parte boa do JB (o título), da parte ruim (o resto). E se vale pro JB, vale também para a Gazeta. Aliás, me parece que seria de todo interessante que os colegas de JB e Gazeta, e os advogados que os representam, mantivessem intensos contatos e troca de informações. Afinal, o inimigo, agora, é o mesmo.

 
   O Globo publicou ontem, na página 30, esta matéria assinada pelo competente Gilberto Scofield:

      JUSTIÇA DO RIO PENHORA MARCA JORNAL DO BRASIL

      Título deve ir a leilão e servirá para cobrir dívida trabalhista no valor de R$ 120 mil

      O juiz Roberto Fragale, da 33ª Vara do Trabalho no Rio, penhorou a marca Jornal do Brasil e deve leiloá-la para quitar uma dívida trabalhista de R$ 120 mil de um ex-funcionário referente a valores não pagos de FGTS, décimo-terceiro salário e indenizações.

      Fragale decidiu pela penhora em 9 de dezembro de 2003, mas só anteontem a decisão foi publicada no Diário Oficial, convocando para se manifestarem o ex-funcionário e os representantes do Jornal do Brasil S/A ? a família Nascimento Brito e Nelson Tanure, que arrendou a marca e foi considerado responsável solidário pelo juiz.

      O Jornal do Brasil tinha até 14 de dezembro para embargar a penhora, o que não foi feito.

      ? Entramos com a ação em 2000 e agora garantimos o pagamento. Tenho mais 40 ações do mesmo teor e a decisão abre precedente para que todos os prejudicados consigam o mesmo ? diz Leandro Rebello Apolinário, do escritório de advocacia Apolinário Rebello, advogado do ex-funcionário. Segundo uma fonte ligada ao jornal, existem hoje mais de 200 ações trabalhistas contra o JB.

      Há três possíveis desdobramentos: o Jornal do Brasil paga a indenização e a penhora é suspensa; a marca vai a leilão e é comprada por Tanure; ou outra pessoa compra a marca, que não poderá ser mais usada por Tanure. Paulo Marinho, diretor do JB, disse que o jornal deve recorrer, mas Leandro Rebello afirma que não há recursos.


   O JB subiu nas tamancas e respondeu hoje:


      Nota de Repúdio

      O Jornal do Brasil registra e repudia, indignado, outra agressão praticada por um veículo das Organizações Globo contra todos os profissionais que aqui trabalham. A ofensa, desta vez, veio na forma de reportagem publicada na edição de ontem do matutino O Globo, assinada pelo repórter Gilberto Scofield e supostamente baseada numa decisão em primeira instância da Justiça do Trabalho. Esclarecemos que:

      1. A reportagem distorce deliberadamente uma questão simples. Um ex-profissional do JB, dispensado por inépcia, vem tentando extorquir esta empresa com uma ação trabalhista cujo valor máximo não passará de R$ 40 mil, segundo cálculos de advogados especializados que merecem respeito. Fiel às instruções do escritório a serviço do profissional demitido, o repórter de O Globo, sempre empenhado na confecção de textos nocivos à imagem do Jornal do Brasil, elevou a quantia para R$ 120 mil.

      2. O JB reafirma, desde sempre, que não cederá a tentativas de chantagem promovidas por advogados em busca da notoriedade fácil, assegurada por um tipo de jornalismo que garante espaço a qualquer charlatão. Tampouco negociará sob pressão, seja ela qual for, venha de onde vier. O JB pretende depositar a quantia em juízo e pedir a cassação da decisão, com a certeza de que obterá mais uma vitória judicial.

      3. A quantia mencionada na reportagem, mesmo triplicada, é infinitamente inferior às que talvez expliquem o comportamento agressivo das Organizações Globo em relação ao JB. Já em situação de notória insolvência econômico-financeira, aquele grupo enfrenta no momento um pedido de falência compulsória requerida na Corte Federal de Nova York por um dos seus muitos credores. Valor da ação em curso nos Estados Unidos: US$ 120 milhões. Quantia, insista-se, extraordinariamente superior aos R$ 120 mil debitados ao JB na reportagem de O Globo.

      4. Enquanto divulga inverdades, O Globo silencia sobre ocorrências como as que envolveram o indivíduo Marcelo Novaes, ator da TV Globo. No dia 29 de janeiro, esse elemento agrediu um fotógrafo do JB, que apenas cumpria tarefas profissionais e furtou equipamentos da vítima. Já foi aberto inquérito policial sobre o caso e vêm sendo examinadas as motivações do estranho comportamento do agressor.

      5. Os itens acima mencionados resumem fatos que só contribuem para destruir a credibilidade do grupo fundado pelo digno empresário e jornalista Roberto Marinho. É também em respeito à sua memória que o JB publica estes esclarecimentos, destinados a seus leitores e aos do próprio O Globo.
JORNAL DO BRASIL

 
   Quer dizer, companheiro Gáspari que o Nove-Dedos não poderia comprar aviões com autonomia de vôo transcontinental da Embraer como o senhor e outros demagogos andaram clamando porque a empresa não produz este tipo de aeronave? Quer dizer, portanto, que o senhor não fez o que qualquer foquinha mais esperto faria: ligar para a empresa a fim de checar se o produto existia?

   Que vacilo, né?

 
   Ahá!!! Dona Míriam rompeu o silêncio obsequioso que lhe foi imposto por Nacib Kamel e voltou ao debate sobre o racismo à brasileira! Não apresentou grandes novidades na coluna - as estatísticas publicadas que demonstram o racismo são apenas variantes de outras de igual teor mostradas antes -, mas ainda assim é uma volta a ser saudada. Valeu a cotovelada no Tarso Genro, mas do que eu gostei mesmo foi a chapuletada em seu Nacib, com a frase do grande tricolor Nélson Rodrigues . "É preciso uma ingenuidade obtusa ou uma má-fé cínica para negar a existência de preconceito racial". Como ingênuo seu Nacib não é...

   Portanto, muito bom, Dona Míriam! Boas férias! (é, ela voltou ao assunto na última coluna antes de sair de férias. Mas deve ser coincidência). Vai com Deus, aproveite bastante e, já que vai deixar a Flávia Oliveira em seu lugar, não precisa ter pressa em voltar, não, viu?

6.2.04

 
   Do on line do Estadão, às 16h14:

      Despojos da Segunda Guerra ameaçam às águas do Pacífico

 
   Outra coisa sobre esta cruzada anticoncurso do Globo - e de outros jornais, para ser justo. Funcionário público, com exceção das chamadas carreiras de Estado - auditores, policiais federais, fiscais, diplomatas e mais umas poucas - hoje é empregado no regime CLT. Ou seja, não tem estabilidade como antigamente. A diferença é que para se demitir um concursado é necessário que se prove que ele fez algo errado diante de uma comissão de sindicância. O cuidado é para evitar o que ocorre muito em empresas privadas - como os veículos de comunicação, por exemplo: o chefe detonar uma pessoa por ter discordado dele ou simplesmente por não ir-lhe com as fuças.

 
   O mais estranho nesta cruzada do Globo contra os concursos públicos que contratariam 40 mil funcionários públicos é que o jornal ano passado ganhou prêmios com a boa matéria sobre a terceirização que mata. Na matéria foi provado que as firmas que terceirizam mão-de-obra até em trabalhos de alta periculosidade se lixam para os trabalhadores, que ganham menos, são menos treinados e, portanto, menos produtivos.

   Parece que O Globo perdeu completamente o rumo no que se refere à linha editorial.

 
   O Globo, em artiguete, diz que o governo quer transformar 40 mil terceirizados que prestam serviços a ele em servidores públicos, num supertrem da alegria. Acho que os editorialistas do jornal não tem lido direito as matérias. Não haverá conversão coisa nenhuma. Haverá concurso público, portanto, sem trem algum.

   O Globo - e os outros veículos também - vive cobrando que o Estado cumpra seus deveres para com o cidadão. Fazem muito bem. Ao mesmo tempo, porém, clama quando o mesmo ente se mexe para fazer o que lhe cobram dele. Coisa estranha.

 
   Alta conselheira manda essa, tirada da matéria da Veja sobre os brazucas que voltaram dos EUA:

      No ano passado, 139 pessoas morreram tentando atravessar a fronteira do México com o Arizona. Não se tem notícia de brasileiros entre as vítimas. A região é toda cercada por censores de movimento espalhados no solo e torres com câmeras de raios infravermelhos.

   Alta conselheira:

      Fiquei imaginando Dona Solange Hernandez (N.do P: última chefe do setor de censura da ditadura) sentadinha lá, num cactus, anotando cada gesto dos brazucas e coiotes, e tascando tarja preta.

      Tá feíssima a coisa, meu amigo.


   Alguém discorda?

5.2.04

 
   Itamar Freitas, que trabalhava na Secretaria de Segurança Pública, morreu na noite de quarta-feira, vítima de complicações causadas por um infarto.

 
   Conselheiro lembra que Dona Míriam é natural de Caratinga (MG), como o Ziraldo.

 
   Título do Valor:

      Governo interrompe votação que derrubaria MP do setor elétrico

   Aí você vai na matéria crente que era alguma votação no Congresso e vê, primeiramente, que era no Supremo, onde, obviamente, governo não interrompe nada. Quem pára julgamento é juiz de lá como o que pediu vistas do tal processo.

   Prosseguindo, o leitor descobre que o relator da matéria deu um voto em que acolhe (e não acata, como está na matéria, mas a diferença entre os dois verbos, que juridicamente são quase opostos, eu já desisti de tentar explicar) uma parte da ação proposta pela Oposição. Como são 11 os juízes da Corte Suprema, é óbvio exagero praticamente garantir que a votação derrubaria a MP tendo sido proferido apenas um voto.

   Triste ver um jornal participar de lobby dessa maneira.

 
   Palavra que não entendo Dona Míriam. Ela protestou contra a união Brahma-Antártica que deu na Ambev por esta praticamente monopolizar o mercado de cervejas. Muito bem. Agora, o Cade faz o que ela tinha pedido - impede que a Nestlé compre a Garoto para impedir o monopólio em vários produtos derivados de chocolate. Aí Dona Míriam esbraveja contra o Cade, acusando-o de ter decisões aleatórias. Bem, e as opiniões da colunista são o quê?

   Aliás, a Garoto é do Espírito Santo. Dona Míriam também não é?

4.2.04

 
   O dia em que o Segundo Colunista escorregou na Cocadaboa.

 
   Conselheira descobriu de onde o Segundo Colunista do Globo tirou a informação de que o Bill Clinton só passou dois emeios enquanto esteve na Casa Branca. Foi desta nota da Reuters, datada de 27 de janeiro passado:

      Os arquivos da biblioteca presidencial de Bill Clinton vão conter 39.999.998 e-mails da equipe de ex-presidente. Apenas dois foram enviados por ele mesmo. "Há apenas dois que ele enviou", disse Skip Rutherford, presidente da Fundação Presidencial Clinton, que está levantando fundos para a biblioteca. Um deles não pode ser classificado exatamente como comunicação, pois serviu de teste para ver se o governante sabia enviar um e-mail.

 
   Há muito não concordo tanto com uma coluna do Companheiro Gáspari quanto hoje.

3.2.04

 
   A transcrição da matérias do Fantástico com o menino testemunha da morte da mãe é esta:

   Depoimento de um órfão do tráfico

01/02/2004

      O Fantástico dá a palavra a um sobrevivente: como é que um menino de oito anos vê a sangrenta guerra do tráfico?

      "Ela era gordinha, pretinha, fortinha. Era cristã, ela era manicure", conta Willian.

      Flor de Liz era a mãe de Willian. Tinha 30 anos, três filhos e foi mais uma vítima da guerra do tráfico no Rio de Janeiro. O motivo? Ela estava morando, sem saber, na casa de um traficante expulso da favela. Na madrugada do dia 22 de janeiro ele voltou.

      "A gente não tava dormindo não, a gente tava conversando. Aí eles chegaram, pularam o muro. Era dois, um moreninho, pouquinho branquinho, mulato e o outro era preto. Um tava de touca que dava para aparecer o rosto e o outro também. E eles ficaram dando chute na porta até que a porta abriu".

      "Aí a minha mãe levantou e um empurrou ela pra cama e falou: 'Sabe quem é eu? Sou o irmão do dono da casa. Aí apontou a arma pra minha mãe, eu disse: 'não!'. Aí apontou pra mim, minha mãe segurou, ele puxou e deu um tiro nela e mais quatro na barriga".

      Flor de Liz tinha outras duas filhas, Tamires, de cinco anos, e Larissa, de seis.

      "Ela caiu e minha irmã Larissa cobriu ela. Nós fomos pedir socorro. Essa foi a história. Aí eu falei com a amiga dela e ela falou: 'Dorme aqui até amanhã quando eu chamar a polícia'. Depois que os bombeiros tiraram o corpo dela , eu vi só os pés, não deu pra ver o corpo dela todo não. Eu comecei a entrar em desespero".

      "Quando vim pra casa da minha avó eles mataram mais. Eles voltaram só pra matar nós. Eles mataram mais dois ou três assim que a minha tia me disse. Cinco minutos que nós saímos eles voltaram".

      "Eu penso assim, eu antes de dormir, eu penso assim no que é o começo, o começo do tiro. Aí eu rezo por ela, que Deus esteja com ela, e ela está mais bom do que nós, que ela está com Deus. Quando eu ficava com ela, ela sempre brincava muito comigo e antes de dormir contava uma historinha. Eu gostava que ela me levava pra escola, quando a gente andava de bicicleta".

      A lembrança mais forte era quando antes de dormir, eu falava 'bença' e ela me dava um beijo. Essa é a lembrança mais forte, do meu coração. Ela falava pra mim ser jogador, estudar bem e que sempre ela vai ter orgulho de mim onde ela esteja".


   A conclusão é sua.

 
   Correto, dona Míriam, é um tempo perigoso para a liberdade de imprensa - para a liberdade em geral, para falar a verdade, quando a "solução" para a segurança é espalhar câmeras indiscretas por aí. Mas desde que o conceito surgiu, aí pelo século XVIII, a liberdade de imprensa tem sido atacada pelos governantes de plantão. Isso não é novidade. O perigo novo é que nós, jornalistas, temos sido tíbios em defendê-la, como nunca antes.

   Sem ir muito longe, veja o seu caso. A sehora defendia as cotas para os negros, não é? Pois foi só o Seu Nacib Kamel gritar um pouco mais alto contra a idéia, mesmo com argumentos ridículos - para salvar o marketing da nova novela da Globo -, que a senhora calou a boca, embora o assunto continue na ordem do dia. Isso também não é um atentado à liberdade de imprensa? Mais: não é um atentado à liberdade de expressão, da qual a liberdade de imprensa é um caso específico?

 
   Segundo Colunista, você tá de sacanagem, né? O que o Viegas disse foi que um presidente da República - de nenhum país - pode viajar em avião de carreira por serem esses passíveis de sequestros e outros problemas com potencial para pôr em perigo a pessoa do principal cidadão do país - de qualquer país onde exista a figura do presidente, incluindo alguns regimes parlamentaristas. Ou você esqueceu o que aconteceu em 11 de setembro de 2001?

   Hoje, uma celeuma como essa sobre o novo avião da Presidência da República tem o nome de "jornalismo crítico". Antigamente se chamava demagogia.

2.2.04

 
   Recebi isso de uma Alta Conselheira:

      Não vejo Fantástico desde a época em que a abertura eram aqueles bailarinos mascarados que nem os Secos & Molhados. Mas a XXXX, que trabalha comigo, me contou que, ontem, eles puseram no ar uma entrevista com um garotinho, um dos filhos daquela mulher assassinada em Deus me livre, que rendeu aquela magnífica foto de primeira no Globo, sabe qual é o caso?

      Bom, pelo que li, a mulher tinha algum problema com um traficante da região e o sujeito e seus comparsas, como escreveria o Léo Montenegro, invadiram a casa de noite, executaram a dita cuja na frente dos três filhos e ainda passaram o rodo numa casa vizinha. As crianças viram tudo. Isso os bandidos sabem.

      Segundo a XXXX, o Fantástico deu uma matéria daquelas humanas, sabe, com o garotinho contando como viu a mãe morrer para salvar a vida dele (a arma estava apontada para ele e ela teria se jogado na frente). Imagem desfocada, voz distorcida, tudo ok. Só que os irresponsáveis puseram no ar o menino dizendo que, apesar de os bandidos usarem uma meia na cara, dava para ver o rosto deles. E descreveu os caras!

      A essa altura, o bandido já teve ter se arrependido de não ter feito como aquele viciado, que matou a família, incluindo as criancinhas de 3 e 5 anos -- lembra desse caso, que aconteceu na mesma semana desse da mulher morta na frente dos filhos? Pois é. Qual a segurança que está sendo prestada pelas autoridades policiais agora que a Rede Globo escancarou que as crianças são capazes de fazer retrato falado dos criminosos?

      Estou a cada dia mais irritada com o jornalismo que vem sendo feito em tudo quanto é lugar. Ou é ruim demais, ou irresponsável demais, ou burro demais. Meu diploma por uma franquia da Casa da Empada!

   Respondi para a Conselheira que a colega dela deve estar enganada. Ninguém seria tão salafrário, obtuso e maníaco a ponto de botar uma criança na alça de mira de bandidos apenas para conseguir mais uns cinco pontinhos no Ibope. Como eu também tenho sempre algo melhor e mais produtivo para fazer do que assistir ao Fantástico (ficar olhando para teto contando formigas , por exemplo), também não vi a tal matéria que teria ido ao ar (não consigo admitir que tenha ido mesmo).

   Alguém aí poderia salvar o que me resta de crença no ser humano e dizer que esse horror não foi ao ar? Que foi apenas uma alucinação da moça?

 
   Do Informe do Dia:

      Cheiro de maracutaia
O Ministério Público Estadual acaba de oferecer denúncia contra quatro servidores da Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla). Entre os meses de janeiro de 1997 e janeiro de 1999, eles são acusados de desviar verbas públicas do estado para suas próprias contas bancárias.Segundo o MP, trata-se de uma quadrilha de servidores que ocupavam funções de chefia. E com tamanha certeza de impunidade que as investigações dos promotores mostraram que um deles - chefe de cadastro de pagamento - chegava a usar sua própria senha no computador para reativar matrículas funcionais de servidores exonerados ou falecidos e transferir os salários para as contas do grupo. Dois dos servidores denununciados já foram exonerados e um está aposentado, mas uma delas - mulher de um dos acusados - continua exercendo suas funções normalmente, apesar de os denunciados já terem inclusive confessado o crime. Alegaram que desviaram o dinheiro porque passavam por dificuldades financeiras. Brincadeira...


   Sei não...Já não saiu uma matéria grandinha sobre isso n'O Globo no fim do ano passado? Pelo que lembro tinha até um infográfico...

 
   A Publicom vai editar o jornal interno para os funcionários das empresas Unicard e Fininvest, ambas do grupo Unibanco. A publicação será bimestral, com quatro páginas e começa a circular este mês.

1.2.04

 
   Conselheiro pegou essa no dia 30 no Terra:

      Bush, Blair e Papa são indicados para Nobel da Paz

      O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, estão entre os nominados ao Prêmio Nobel da Paz de 2004. Entre os outros indicados estão a União Européia, que receberá dez novos membros neste ano, o papa João Paulo II, o Exército da Salvação, o ex-presidente checo Vaclav Havel e dissidentes chineses.

 
   Principais reivindicações para a campanha salarial de 2004, decididas na assembléia do dia 27:

      *100% do INPC acumulado de fevereiro de 2003 a janeiro de 2004 (segundo o Dieese, deve chegar a 8,05%);

      * Recomposição das Perdas Salariais referentes ao mesmo período em 7,71% para Jornal e Revista, e 9,12% para Rádio e TV.

      * 2% de Aumento Real.

 
   Do plantão do Globo Online, na Rede às 16h42:

      Chuvas causaram R$ 6 milhões de prejuízo em munisípio sergipano

 
   Já saiu na CPM. É hora de socializar:

      Quem diria, mas a Copa do Mundo é um dos maiores obstáculos para as Organizações Globo conseguirem avançar no processo de renegociação de sua dívida de quase US$ 2 bilhões. É que o grupo tem que pagar nada menos de US$ 240 milhões pelos direitos adquiridos antes da Copa de 2002, e simplesmente não tem grana para arcar com a despesa. Já deu um calote na primeira parcela, que venceu no meio de 2003, e não tem condições de pagar a segunda parcela, que vence em meados deste ano. A tentativa dos globais é diminuir o valor do contrato para um nível semelhante ao pago pela Televisa (México) em 2002, algo em torno de US$ 20 milhões. Vai ser duro porque, hoje, o grupo brasileiro é um dos principais financiadores da Fifa: em 2002, pagou nada menos de US$ 210 milhões, 25% do total dos direitos de transmissão negociados pela entidade.

 
   Maninha Barbosa estréia no dia 4, quinta, como colunista do JB-Barra.

   Diante dessa notícia, e depois da felicidade proporcionada pelo B outro dia, tenho que citar o grande Falcão Azul: "Assim não dá, Bionicão!"

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