31.12.03
Feliz 2004 pra você!
30.12.03
É, o Ilimar Franco é o oficial de ligação entre o Planalto e O Globo.
Ahááá!!!! Eu sabia!!! Ali só pagou aquele mico ridículo ao opinar sobre o racismo no país porque essa é a posição oficial do Globo - e como ele é da tevê, deve ser portanto das Organizações como um todo - como está no editorial principal de hoje. Portanto, Dona Míriam, uma boa é a senhora passar mesmo a falar de outro assunto. Que tal a questão indígena ou, melhor ainda para não ter outra surpresa (de repente os Marinho são a favor do extermínio total...), receitas de tortas de chocolate? Se bem que chocolate é marrom...Melhor de limão, não?
E depois tem gente que diz ficar deprimida ao ler os jornais pela manhã. Pessoal sem senso de humor...
E depois tem gente que diz ficar deprimida ao ler os jornais pela manhã. Pessoal sem senso de humor...
29.12.03
Muito bem, agora que a hilaridade passou um pouco, fico a elucubrar o porquê do Ali ter resolvido pagar este mico público de defender o indefensável com argumentos sem o menor sentido. Ele sempre foi conhecido por duas coisas:
1. A timidez intelectual;
2. A prontidão com que atende às ordens superiores.
Ele só vencia a primeira característica quando era para defender a cultura árabe, atacada sempre que os americanos resolvem detonar algum país árabe; a segunda não se conhece caso em que ele a tenha renegado. Assim, é mais do que possível que ele esteja se expondo por ordem de alguém a ser desprezado por pessoas que tenham QI maior do que o de uma minhoca. A questão é: quem teria poder acima do Ali e interesse de manter os negros brasileiros na situação subalterna que hoje se encontram?
1. A timidez intelectual;
2. A prontidão com que atende às ordens superiores.
Ele só vencia a primeira característica quando era para defender a cultura árabe, atacada sempre que os americanos resolvem detonar algum país árabe; a segunda não se conhece caso em que ele a tenha renegado. Assim, é mais do que possível que ele esteja se expondo por ordem de alguém a ser desprezado por pessoas que tenham QI maior do que o de uma minhoca. A questão é: quem teria poder acima do Ali e interesse de manter os negros brasileiros na situação subalterna que hoje se encontram?
O Segundo Colunista é um cara legal, mas essa mania dele de ficar escrevendo bobaginhas na coluna acaba por fazê-lo escorregar em assuntos delicados e importantes (pelo menos para mim). Depois de fazer piada com o senador do PT acreano que usava chinelos, hoje ele vem com uma continha muito esquisita feita por "um craque no assunto". Esse brilhante matemático diz, segundo o SC, que a Alerj do Rio custa ao contribuinte R$ 43 (incluindo o Tribunal de Contas), por ano, e a Câmara dos Vereadores, R$ 40,77, incluindo o TCM. E o nosso SC conclui, provavelmente seguindo a idéia do tal craque, que é "meio caro".
Pois vamos prosseguir na conta, para ver se é mesmo. Dividindo R$ 43 por 365 (número de dias no ano), a Alerj custa R$ 0,12 por dia, enquanto a Câmara custa R$ 0,11. Juntas, custam R$ 0,23 por dia ao contribuinte. Será que SC acha isso caro para manter um dos pilares da democracia, conforme admite o próprio colunista na mesma notinha? Acho que não, pelo que o conheço. Mas como não sei quem é o tal "craque no assunto", não posso dizer o mesmo dele. Será que este ser tem algum apreço pela democracia como creio que o Segundo Colunista tem?
SC, já disse uma vez e repito: por favor, tome cuidado com o que escreve em sua coluna. Ela é uma da principais do jornal mais lido do Rio e você um sujeito considerado. A sua responsabilidade é muito grande para você ficar fazendo piadinhas tolas e sendo usado por gente que parece não ter muito compromisso com o bem público.
Pois vamos prosseguir na conta, para ver se é mesmo. Dividindo R$ 43 por 365 (número de dias no ano), a Alerj custa R$ 0,12 por dia, enquanto a Câmara custa R$ 0,11. Juntas, custam R$ 0,23 por dia ao contribuinte. Será que SC acha isso caro para manter um dos pilares da democracia, conforme admite o próprio colunista na mesma notinha? Acho que não, pelo que o conheço. Mas como não sei quem é o tal "craque no assunto", não posso dizer o mesmo dele. Será que este ser tem algum apreço pela democracia como creio que o Segundo Colunista tem?
SC, já disse uma vez e repito: por favor, tome cuidado com o que escreve em sua coluna. Ela é uma da principais do jornal mais lido do Rio e você um sujeito considerado. A sua responsabilidade é muito grande para você ficar fazendo piadinhas tolas e sendo usado por gente que parece não ter muito compromisso com o bem público.
Bem-feito, Dona Míriam! Por ter fugido da raia com o rabo entre as pernas vai ter que aturar o Ali falando suas asnices estadonovistas sobre a questão racial no Brasil ("não temos preconceito racial no Brasil!"). Parece que nem conhece aquele poema "No caminho, com Maiakóvski", de Eduardo Alves da Costa, aquele em que a segunda estrofe é:
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Pois é. Agora, o Ali te tomou a voz da garganta, Dona Míriam, e duvido muito que vá te devolver sem ser forçado a isso.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Pois é. Agora, o Ali te tomou a voz da garganta, Dona Míriam, e duvido muito que vá te devolver sem ser forçado a isso.
28.12.03
Uma coisa a gente tem de dizer sobre a Janaína Figueiredo, correspondente do Globo na Argentina: ela tem uma cara-de-pau incrível. Viu-se isso novamente na entrevista dela com o Eduardo Galeano publicada hoje. Não é que a moça teve a coragem de tentar engrupir um dos mais lúcidos e bem-preparados intelectuais da América Latina a fim de levá-lo a condenar a Revolução Cubana e o governo de Hugo Chávez? Foi sacaneada como devia ser, claro, mas isso não lhe tira o mérito de ter feito o que se espera dela. Terá longo e vitorioso caminho pela frente na chamada grande imprensa...
Conselheiro me mandou esse desabafo-análise logo depois da minha coluna no C-se sobre a vaia no Werneck durante o Prêmio Esso. Por isso e por aquilo, acabei demorando a postar, mas vai aí porque o que ele diz considero muito, muito importante:
Realmente, a vaia contra o Werneck foi o fim de tudo. Um monumento à falta de ética profissional, de educação e, pior, de carinho com um grande colega e sujeito de primeira, que fez a sua parte e vive dando furo na concorrência. Reflete o que esta profissão virou: uma briga por marketing, empresarial e pessoal. Com a credibilidade e as tiragens em queda, as empresas transformaram os prêmios no seu grande objetivo, e a luta por eles virou guerra. Dane-se a informação, a qualidade da apuração, do texto, da edição. O que importa é publicar, dia sim, dia não, uma matéria relacionando prêmios ganhos, mostrar os entalhes no cabo do revólver, as cabeças caçadas e penduradas.
O pior é que isso se reflete (negativamente) na qualidade da cobertura, no chamado furismo. Os jornais agora instigam seus repórteres a transformar qualquer atropelamento de cachorro na Baixada no caso Watergate. Danem-se os direitos individuaias, dane-se a verdade, fica todo mundo levantando suspeitas malucas e procurando chifre em cabeça de cavalo - e ai do concorrente que for "furado" por uma cascata feita nessa linha.
Veja o caso Staheli: depois de fazerem carga sobre a filha, agora os jornais vão na onda da Polícia, desesperada por um culpado, e levantam suspeitas contra o motorista, negro e pobre, portanto suspeito conveniente. E se não for ele? E se o cara for indiciado e denunciado (aí a Polícia e o MP podem dizer que fizeram sua parte), mas acabar inocentado, por absoluta falta de prova sustentável num tribunal minimamente sério? Aí, vem a segunda parte: os jornais fazem longas matérias e editoriais contra a "impunidade". Impunidade de que? De um réu contra quem as únicas provas são matérias de jornal, sopradas por policiais e promotores em off?
Veja o caso Propinoduto 2, a facilidade com que se publicaram nomes de empresas, citadas apenas como investigadas por sonegação num relatório da PF, logo transformadas em culpadas? Sim, passamos do jornalismo de investigação para o de denúncia e desse ao de suspeita: todos são suspeitos até prova em contrário, para glória da Polícia e para que possamos sair correndo em direção à sede da Esso ou da Embratel, gritando: "Prêmio! Prêmio!" Passar disso à desqualificação dos concorrentes é um passo, concorda?
Esse tipo de postura das empresas e profissionais transforma-se no paraíso da fonte picareta. Sejamos sérios: muita coisa só acontece com e na imprensa. Os caras PRECISAM da mídia para agir. Isso se transforma num parque de diversões para, por exemplo, políticos irresponsáveis, que querem plantar coisas de seu interesse na opinião pública e se transformar em credores de favores aos jornais. Veja, de novo, o caso Staheli, no qual as informações à imprensa estão proibidas, mas, vira e mexe, dados confidenciais vêm à tona, sempre no interesse de determinada linha de investigação. Veja como são as CPIs: reduzem-se a um exercício de adular parlamentares para que eles passem informações em off, que em geral são PAUTAS a serem checadas, mas que acabam nas páginas, afinal, não podemos ser furados, não é verdade? Isso está acabando com a profissão, transformou o jornalista num lambe-botas acrítico de fontes, muitas vezes, de credibilidade muito duvidosa, mas, afinal, em off, todos os Deep Throats são pardos, certo?
Acho que tudo isso vem, também, da degeneração do conceito de furo. Dar furo é essencial e indispensável, devemos estar sempre à sua procura, é nosso dever apresentar os assuntos de forma sempre nova e original. Mas o furo é decorrência de trabalho duro, de cobertura cotidiana, muitas vezes, cansativa e improdutiva no curto prazo, mas que nos faz conhecer bem um setor, nos aprofundar num assunto, ganhar a confiança das fontes... Tb é necessário investir sempre na própria formação, procurar se aperfeiçoar, ler, estudar.
Infelizmente, as empresas hoje querem (exigem, fazem pressão para isso) que o repórter saia às 9h e volte às 18h com uma matéria que derrube o presidente da República (e, claro, trabalhe 14 h por dia, cumprindo mais três pautas e fazendo três flashes para o tempo real, sem pagar hora-extra). Se adicionarmos a isso a queda nas tiragens, os cortes de custos e vagas, a recessão no setor, o medo do desemprego, a falta de grana e de tempo para se aprimorar, estudar etc, teremos uma equipe de doidos na rua, tratando qualquer bundice como o furo de século, para tentar salvar a própria pele no próximo passaralho.
Já tive oportunidade de tentar suitar (e ver tentarem suitar) certos "furos". E foi constrangedor perceber que as matérias foram sutilmente "podadas" de alguns dados que poderiam derrubá-las do pedestal do furo. O noticiário sobre a violência no Rio (que é uma ameaça real) está cheio disso. Não basta ser violência, é preciso atribuí-la a um crime organizado invencível, intransponível etc. Resultado? Uma sociedade em pânico, na qual bandidos ligam para os cidadãos, dizem que são do comando tal e exigem dinheiro. E as pessoas dão, claro, pois não saiu no jornal que o crime é invencível e está em toda parte?
Por fim (desculpe o aluguel), contribui para isso a redução do papel do editor a um administrador de custos. Atualmente, um chefe de editoria não se preocupa diretamente em ler, pautar, corrigir; é um "seu Manel da padaria" metido à besta, quer apenas cortar custos, economizar, e o mais próximo de jornalismo que tem tempo para fazer é adequar cada matéria a esse padrão doido de furismo e premismo, vagamente aparentado com a realidade. Dá nisso aí.
Dito isso - e reiterados os parabéns ao nosso queridíssimo Werneck - devo manifestar tb a minha estranheza em relação ao resultado. Por que não foi dado nada à matéria do Propinoduto 1? Por que a matéria da Folha (já que foi aceita, meio de lado, por uma brecha do regulamento) não ganhou? Um mês de reportagem sob fogo real, do outro lado do mundo, vale menos que uma reportagem sobre tráfico de armas? Tanto foi supreendente o resultado que mesmo vc, Ivson, no Picadinho, na votação prévia sobre o resultado, se não me engano, não relacionou a matéria do Werneck, e aparentemente ninguém deu por falta. Acho que deve passar a ser regra: o júri final deve explicar porque escolheu esta matéria e não aquela, ou aquela outra - já que, parece, é impossível montar um corpo de jurados sem ligação com as empresas.
Quanto à vaia, vaia para quem vaiou!
Realmente, a vaia contra o Werneck foi o fim de tudo. Um monumento à falta de ética profissional, de educação e, pior, de carinho com um grande colega e sujeito de primeira, que fez a sua parte e vive dando furo na concorrência. Reflete o que esta profissão virou: uma briga por marketing, empresarial e pessoal. Com a credibilidade e as tiragens em queda, as empresas transformaram os prêmios no seu grande objetivo, e a luta por eles virou guerra. Dane-se a informação, a qualidade da apuração, do texto, da edição. O que importa é publicar, dia sim, dia não, uma matéria relacionando prêmios ganhos, mostrar os entalhes no cabo do revólver, as cabeças caçadas e penduradas.
O pior é que isso se reflete (negativamente) na qualidade da cobertura, no chamado furismo. Os jornais agora instigam seus repórteres a transformar qualquer atropelamento de cachorro na Baixada no caso Watergate. Danem-se os direitos individuaias, dane-se a verdade, fica todo mundo levantando suspeitas malucas e procurando chifre em cabeça de cavalo - e ai do concorrente que for "furado" por uma cascata feita nessa linha.
Veja o caso Staheli: depois de fazerem carga sobre a filha, agora os jornais vão na onda da Polícia, desesperada por um culpado, e levantam suspeitas contra o motorista, negro e pobre, portanto suspeito conveniente. E se não for ele? E se o cara for indiciado e denunciado (aí a Polícia e o MP podem dizer que fizeram sua parte), mas acabar inocentado, por absoluta falta de prova sustentável num tribunal minimamente sério? Aí, vem a segunda parte: os jornais fazem longas matérias e editoriais contra a "impunidade". Impunidade de que? De um réu contra quem as únicas provas são matérias de jornal, sopradas por policiais e promotores em off?
Veja o caso Propinoduto 2, a facilidade com que se publicaram nomes de empresas, citadas apenas como investigadas por sonegação num relatório da PF, logo transformadas em culpadas? Sim, passamos do jornalismo de investigação para o de denúncia e desse ao de suspeita: todos são suspeitos até prova em contrário, para glória da Polícia e para que possamos sair correndo em direção à sede da Esso ou da Embratel, gritando: "Prêmio! Prêmio!" Passar disso à desqualificação dos concorrentes é um passo, concorda?
Esse tipo de postura das empresas e profissionais transforma-se no paraíso da fonte picareta. Sejamos sérios: muita coisa só acontece com e na imprensa. Os caras PRECISAM da mídia para agir. Isso se transforma num parque de diversões para, por exemplo, políticos irresponsáveis, que querem plantar coisas de seu interesse na opinião pública e se transformar em credores de favores aos jornais. Veja, de novo, o caso Staheli, no qual as informações à imprensa estão proibidas, mas, vira e mexe, dados confidenciais vêm à tona, sempre no interesse de determinada linha de investigação. Veja como são as CPIs: reduzem-se a um exercício de adular parlamentares para que eles passem informações em off, que em geral são PAUTAS a serem checadas, mas que acabam nas páginas, afinal, não podemos ser furados, não é verdade? Isso está acabando com a profissão, transformou o jornalista num lambe-botas acrítico de fontes, muitas vezes, de credibilidade muito duvidosa, mas, afinal, em off, todos os Deep Throats são pardos, certo?
Acho que tudo isso vem, também, da degeneração do conceito de furo. Dar furo é essencial e indispensável, devemos estar sempre à sua procura, é nosso dever apresentar os assuntos de forma sempre nova e original. Mas o furo é decorrência de trabalho duro, de cobertura cotidiana, muitas vezes, cansativa e improdutiva no curto prazo, mas que nos faz conhecer bem um setor, nos aprofundar num assunto, ganhar a confiança das fontes... Tb é necessário investir sempre na própria formação, procurar se aperfeiçoar, ler, estudar.
Infelizmente, as empresas hoje querem (exigem, fazem pressão para isso) que o repórter saia às 9h e volte às 18h com uma matéria que derrube o presidente da República (e, claro, trabalhe 14 h por dia, cumprindo mais três pautas e fazendo três flashes para o tempo real, sem pagar hora-extra). Se adicionarmos a isso a queda nas tiragens, os cortes de custos e vagas, a recessão no setor, o medo do desemprego, a falta de grana e de tempo para se aprimorar, estudar etc, teremos uma equipe de doidos na rua, tratando qualquer bundice como o furo de século, para tentar salvar a própria pele no próximo passaralho.
Já tive oportunidade de tentar suitar (e ver tentarem suitar) certos "furos". E foi constrangedor perceber que as matérias foram sutilmente "podadas" de alguns dados que poderiam derrubá-las do pedestal do furo. O noticiário sobre a violência no Rio (que é uma ameaça real) está cheio disso. Não basta ser violência, é preciso atribuí-la a um crime organizado invencível, intransponível etc. Resultado? Uma sociedade em pânico, na qual bandidos ligam para os cidadãos, dizem que são do comando tal e exigem dinheiro. E as pessoas dão, claro, pois não saiu no jornal que o crime é invencível e está em toda parte?
Por fim (desculpe o aluguel), contribui para isso a redução do papel do editor a um administrador de custos. Atualmente, um chefe de editoria não se preocupa diretamente em ler, pautar, corrigir; é um "seu Manel da padaria" metido à besta, quer apenas cortar custos, economizar, e o mais próximo de jornalismo que tem tempo para fazer é adequar cada matéria a esse padrão doido de furismo e premismo, vagamente aparentado com a realidade. Dá nisso aí.
Dito isso - e reiterados os parabéns ao nosso queridíssimo Werneck - devo manifestar tb a minha estranheza em relação ao resultado. Por que não foi dado nada à matéria do Propinoduto 1? Por que a matéria da Folha (já que foi aceita, meio de lado, por uma brecha do regulamento) não ganhou? Um mês de reportagem sob fogo real, do outro lado do mundo, vale menos que uma reportagem sobre tráfico de armas? Tanto foi supreendente o resultado que mesmo vc, Ivson, no Picadinho, na votação prévia sobre o resultado, se não me engano, não relacionou a matéria do Werneck, e aparentemente ninguém deu por falta. Acho que deve passar a ser regra: o júri final deve explicar porque escolheu esta matéria e não aquela, ou aquela outra - já que, parece, é impossível montar um corpo de jurados sem ligação com as empresas.
Quanto à vaia, vaia para quem vaiou!
27.12.03
Conselheiro flagrou essas:
A íntegra da nota de Ancelmo Gois, no O Globo de hoje, 27/12.
"Desliga essa...
Vizinhos da prefeitura do Rio, na Cidade Nova, acordaram ontem com a barulheira de quem, veja só, devia zelar pelo silêncio. É que a van que faz medições do meio-ambiente disparou o alarme e passou a manhã berrando a gravação: "Veículo sendo roubado. Ligue para 0800..." Com o expediente enforcado, ninguém, apareceu para desligar."
Do Boechat, também hoje: (Lance Livre)
"Ontem de manhã, disparou o alarme antifurto de uma das camionetes da prefeitura que fazem monitoramento ambienrtal no Rio. Como não havia viva alma no Piranhão, a siremne tocou até descarregar a bateria. Esse negócio de ponto facultativo é uma tremenda malandragem."
Tem mais: Também do Ancelmo:
"Deus Salve o Bangu
A Democracia Banguense, movimento que luta pela volta do querido Bangu Atlético Clube à Primeira Divisão, apela a Deus. A turma pediu e será recebida pelo banguense Dom Eusébio Scheid (acredite, o arcebispo do Rio é Bangu!). O cardeal vai ganhar camisa e boné do clube."
Do Informe do Dia, com a interina Mônica Ramos
"Santa torcida"
O cardeal-arcebispo Dom Eusébio Scheid será mimado pelo Bangu, time do qual se declarou torcedor no Rio. Nos primeiros dias do ano, concede audiência ao movimento Democracia Bangüense - para reerguer o combalido clube. Vai ter até troca de presentes. Dom Eusébio recebe um kit com camisa, chaveiro e bandeirta. A Democracia Bangüense, a especial bênção dop mais ilustre alvirrubro."
Deve ser a falta de notícias nesta época do ano...
É precisamente isso.
A íntegra da nota de Ancelmo Gois, no O Globo de hoje, 27/12.
"Desliga essa...
Vizinhos da prefeitura do Rio, na Cidade Nova, acordaram ontem com a barulheira de quem, veja só, devia zelar pelo silêncio. É que a van que faz medições do meio-ambiente disparou o alarme e passou a manhã berrando a gravação: "Veículo sendo roubado. Ligue para 0800..." Com o expediente enforcado, ninguém, apareceu para desligar."
Do Boechat, também hoje: (Lance Livre)
"Ontem de manhã, disparou o alarme antifurto de uma das camionetes da prefeitura que fazem monitoramento ambienrtal no Rio. Como não havia viva alma no Piranhão, a siremne tocou até descarregar a bateria. Esse negócio de ponto facultativo é uma tremenda malandragem."
Tem mais: Também do Ancelmo:
"Deus Salve o Bangu
A Democracia Banguense, movimento que luta pela volta do querido Bangu Atlético Clube à Primeira Divisão, apela a Deus. A turma pediu e será recebida pelo banguense Dom Eusébio Scheid (acredite, o arcebispo do Rio é Bangu!). O cardeal vai ganhar camisa e boné do clube."
Do Informe do Dia, com a interina Mônica Ramos
"Santa torcida"
O cardeal-arcebispo Dom Eusébio Scheid será mimado pelo Bangu, time do qual se declarou torcedor no Rio. Nos primeiros dias do ano, concede audiência ao movimento Democracia Bangüense - para reerguer o combalido clube. Vai ter até troca de presentes. Dom Eusébio recebe um kit com camisa, chaveiro e bandeirta. A Democracia Bangüense, a especial bênção dop mais ilustre alvirrubro."
Deve ser a falta de notícias nesta época do ano...
É precisamente isso.
26.12.03
Estou enganado ou o Ilimar Franco está virando, de um ou dois meses para cá, uma espécie de porta-voz do governo federal dentro do Globo?
Da matéria sobre os gasparzinhos eleitores do interior do Estado do Rio:
Em Macuco, também no Centro-Norte, a situação é ainda mais grave. O número de eleitores é de 6.201, 32% maior do que a população, de 4.685 habitantes. Já em Engenheiro Paulo de Frontin e Nilópolis o número de eleitores é 94% maior do que o de moradores. Em São João da Barra este índice é de 90%. Tais percentuais subestimam a população não votante, como as crianças até 15 anos.
Quando se vai ver no infográfico, tanto em Paulo de Frontin como em Nilópolis, o número de eleitores chega a 94% da população (e 90% em São João da Barra). Ou seja, a população total é maior que o número de eleitores. Quebrando um pouco a cabeça em cima da enigmática última frase do parágrafo acima, deduzi que a idéia do colega que escreveu a matéria - um brilhante jornalista - era dizer que, tirando os menores de 16 (e não 15) anos, o número de eleitores nos três municípios citados deve ultrapassar o da população apta a votar.
Deve ser isso. Mas que podia ter sido mais bem escrito, isso podia.
Em Macuco, também no Centro-Norte, a situação é ainda mais grave. O número de eleitores é de 6.201, 32% maior do que a população, de 4.685 habitantes. Já em Engenheiro Paulo de Frontin e Nilópolis o número de eleitores é 94% maior do que o de moradores. Em São João da Barra este índice é de 90%. Tais percentuais subestimam a população não votante, como as crianças até 15 anos.
Quando se vai ver no infográfico, tanto em Paulo de Frontin como em Nilópolis, o número de eleitores chega a 94% da população (e 90% em São João da Barra). Ou seja, a população total é maior que o número de eleitores. Quebrando um pouco a cabeça em cima da enigmática última frase do parágrafo acima, deduzi que a idéia do colega que escreveu a matéria - um brilhante jornalista - era dizer que, tirando os menores de 16 (e não 15) anos, o número de eleitores nos três municípios citados deve ultrapassar o da população apta a votar.
Deve ser isso. Mas que podia ter sido mais bem escrito, isso podia.
Espero que essas notinhas maldosas do Segundo Colunista sobre os gastos de R$ 400 mil com cartões de crédito do "alto escalão do Palácio do Planalto" e do recebimento de um vinho chileno de R$ 900 a garrafa se transformem em matérias que esclareçam, entre outras coisas, quantas pessoas fazem parte do tal alto escalão e no que foi gasto os R$ 400 mil, e que fim levaram as garrafas de vinho chileno.
De passagem, as matérias poderiam ver como estão os gastos e os presentes recebidos por governos estaduais como, por exemplo, de São Paulo e Minas Gerais. Seria interessante a comparação, não?
De passagem, as matérias poderiam ver como estão os gastos e os presentes recebidos por governos estaduais como, por exemplo, de São Paulo e Minas Gerais. Seria interessante a comparação, não?
25.12.03
Tudo bem que o Peter Jackson limou o Saruman, desistindo assim dar ao filme o final circular que o professor Tolkien preparou no livro de maneira brilhante. Tudo bem também que aquela briga entre Frodo e Sam na escadaria de Cirith Ungol nunca houve no livro e no filme só serve para o Sam aparecer como salvador do amigo logo depois, sendo, pois, perfeitamente dispensável. Apesar desses senões, no entanto, o Senhor do Anéis III é genial, com seu equlíbrio entre ação e reflexão. O melhor dos três disparado. Dificilmente verei menos do que quatro vezes. No cinema...
Ora, Tia Cora, você acha ruim falar com monitores de 17 polegadas? Então como fico eu que falo com os de 15?...
O Colunista da 4 gasta uma coluna inteira para desmentir a idéia de que o Nove-Dedos teve alguma influência na decisão do Kadafi de abrir as pernas para os inspetores de armas da ONU, o que é mais do que óbvio. Essa coluna demonstra claramente o medo do sujeito de que o Lula faça algo de brilhante, que suplante o FHC.
Pois ele vai ter muito trabalho - e tremendas decepções - nos próximos anos. É que mesmo não sendo grande coisa, o governo do Nove-Dedos teria que ser uma catástrofe para ser igual ao do FHC e uma hecatombe cósmica para ser pior.
Pois ele vai ter muito trabalho - e tremendas decepções - nos próximos anos. É que mesmo não sendo grande coisa, o governo do Nove-Dedos teria que ser uma catástrofe para ser igual ao do FHC e uma hecatombe cósmica para ser pior.
24.12.03
Ho!Ho!Ho! Feliz Natal pra você e toda a sua família!
23.12.03
Mais dança das cadeiras no Globo:
Eros Ramos de Almeida volta ao Bairros para secundar Mário Toledo;
Marcelo Balbio sai do Info&Etc e vai ser o segundo de Carla Lencastre no Boa Viagem.
Assim, temos buracos em duas editorias: editor do Megazine e sub do Info&Etc.
Eros Ramos de Almeida volta ao Bairros para secundar Mário Toledo;
Marcelo Balbio sai do Info&Etc e vai ser o segundo de Carla Lencastre no Boa Viagem.
Assim, temos buracos em duas editorias: editor do Megazine e sub do Info&Etc.
Conselheiro observador começou o jogo, ao dizer que a IstoÉ Dinheiro tinha o governo federal como o maior anunciante da edição que está em bancas, diretamente ou por meio das estatais. Vai daí, fizemos, eu e ele, um levantamento que levou aos seguintes resultados:
Isto É Dinheiro - 94 páginas (incluindo as capas) - 6 páginas de anúncios governamentais.
IstoÉ - 118 pg - 8 pg de anúncios + encarte da Petrobrás sobre a plataforma P-52 (8 páginas cor em, se não estou enganado, couchê 180 gramas). Com uma curiosidade: um anúncio de página dupla bancado em parceria entre a Prefeitura de Sampa e pelo MInistério da Cultura
Veja - 138 pg - 6 pg de anúncios do governo + encarte da P-52
Vejinha - 94 pg - 2 pg de anúncios do governo
Época - 118 pg - 5 e 1/3 pg de anúncios do governo + P-52
Carta Capital - 94 pg - 8 pg do governo + P-52
Por empresa editora, o resultado foi o seguinte:
Ed.Três (IstoÉs) - 212 páginas - 14 páginas de anúncios do governo - Média de 1 anúncio a cada 15,14 páginas (sem contar o encarte da P-52, critério que vale para as outras três)
Ed. Abril - 232 páginas - 8 pg do governo - Média de 1 anúncio a cada 29 páginas
Ed. Globo - 118 páginas - 5 e 1/3 de pg do governo - Média de 1 anúncio a cada 22,13 páginas
Editora Confiança (Carta Capital) - 94 páginas - 8 de pg do governo - Média de 1 anúncio a cada 11,75 páginas.
Total geral: 35 e 1/3 de páginas bancadas pelo governo em 656 publicadas - Média de 1 anúncio a cada 18 páginas (sem contar com o encarte da P-52, que soma 32 páginas mais de anúncios, mas que não entraram na numeração das páginas das revistas)
Conclusões:
1. Foi um show de anúncios para as revistas bancado pelo meu, pelo seu, pelo nosso;
2. A Carta Capital foi a que ganhou mais, e a Abril a que levou menos. Os Civita não devem ter gostado.
Isto É Dinheiro - 94 páginas (incluindo as capas) - 6 páginas de anúncios governamentais.
IstoÉ - 118 pg - 8 pg de anúncios + encarte da Petrobrás sobre a plataforma P-52 (8 páginas cor em, se não estou enganado, couchê 180 gramas). Com uma curiosidade: um anúncio de página dupla bancado em parceria entre a Prefeitura de Sampa e pelo MInistério da Cultura
Veja - 138 pg - 6 pg de anúncios do governo + encarte da P-52
Vejinha - 94 pg - 2 pg de anúncios do governo
Época - 118 pg - 5 e 1/3 pg de anúncios do governo + P-52
Carta Capital - 94 pg - 8 pg do governo + P-52
Por empresa editora, o resultado foi o seguinte:
Ed.Três (IstoÉs) - 212 páginas - 14 páginas de anúncios do governo - Média de 1 anúncio a cada 15,14 páginas (sem contar o encarte da P-52, critério que vale para as outras três)
Ed. Abril - 232 páginas - 8 pg do governo - Média de 1 anúncio a cada 29 páginas
Ed. Globo - 118 páginas - 5 e 1/3 de pg do governo - Média de 1 anúncio a cada 22,13 páginas
Editora Confiança (Carta Capital) - 94 páginas - 8 de pg do governo - Média de 1 anúncio a cada 11,75 páginas.
Total geral: 35 e 1/3 de páginas bancadas pelo governo em 656 publicadas - Média de 1 anúncio a cada 18 páginas (sem contar com o encarte da P-52, que soma 32 páginas mais de anúncios, mas que não entraram na numeração das páginas das revistas)
Conclusões:
1. Foi um show de anúncios para as revistas bancado pelo meu, pelo seu, pelo nosso;
2. A Carta Capital foi a que ganhou mais, e a Abril a que levou menos. Os Civita não devem ter gostado.
Da IstoÉ Dinheiro, na seção Semana:
Saiu a lista dos atletas mais bem pagos de 2003. No topo dela aparece o maior tenista de todos os tempos, o americano Tiger Woods (foto), que embolsou formidáveis US$ 100 milhões este ano. Em segundo lugar vem Michael Schumacher, com US$ 62 milhões, e em terceiro David Beckham, com US$ 35 milhões.
Ao lado, a foto mostra Tiger com o taco de golfe na posição de quem acaba de metê-lo "di cum força" na bolinha...
Saiu a lista dos atletas mais bem pagos de 2003. No topo dela aparece o maior tenista de todos os tempos, o americano Tiger Woods (foto), que embolsou formidáveis US$ 100 milhões este ano. Em segundo lugar vem Michael Schumacher, com US$ 62 milhões, e em terceiro David Beckham, com US$ 35 milhões.
Ao lado, a foto mostra Tiger com o taco de golfe na posição de quem acaba de metê-lo "di cum força" na bolinha...
22.12.03
Dança das cadeiras no Globo:
Sandra Cohen é a nova editora da Internacional no lugar de Cláudia Sarmento
Cláudia foi promovida a gerente de área, no lugar de Sandra Sanchez.
Sandra passou a ser diretora de Projetos Especiais.
Mário Toledo é o novo editor do Jornal de Bairros, no lugar de Sandra Cohen
Carla Lencastre foi para o lugar de Mário no Boa Viagem
Até o momento ainda não foi anunciado/a o/a novo/a editor/a do Megazine no lugar de Carla
Sandra Cohen é a nova editora da Internacional no lugar de Cláudia Sarmento
Cláudia foi promovida a gerente de área, no lugar de Sandra Sanchez.
Sandra passou a ser diretora de Projetos Especiais.
Mário Toledo é o novo editor do Jornal de Bairros, no lugar de Sandra Cohen
Carla Lencastre foi para o lugar de Mário no Boa Viagem
Até o momento ainda não foi anunciado/a o/a novo/a editor/a do Megazine no lugar de Carla
21.12.03
A ABI e a TV Comunitária do Rio - que vai ao ar no canal 14 da NET - estão negociando a cessão de uma local no prédio da entidade, localizado na Rua Araújo Porto Alegre, no Centro, para uso da emissora, que teria ali a sua sede. Em troca, a ABI teria direito a 15 minutos na grade de programação para inserções, incluindo anúncios institucionais de empresas se fosse o caso. A entidade também poderia pôr no ar um programa semanal de 60 minutos, que seria produzido com equipamentos cedidos pela TVC.
Por falar em senhor e escravo...Terminou o tempo que dei para que Dona Míriam respondesse ao segundo artigo de bobagens do Ali sobre o racismo no país. Lamentavelmente, a campeã da causa negra na imprensa brasileira escolheu fugir da raia, refugiando-se no silêncio. O caso traz dois ensinamentos:
1. Quando você resolve assumir uma causa dura tem que estar consciente que a luta será longa e difícil, e nela você pode perder coisas considera importantes. Se não está a fim de pagar um preço alto é bom não entrar na briga;
2. Os negros só podem contar com eles mesmos na luta contra o racismo. Por mais bacana que pareça o branco, na hora H, se ele/ela perceber que vai perder algum privilégio pessoal, correrá da raia. É uma lição que os negros já sabem há muito, mas é sempre interessante mantê-la na cabeça e exemplos como o de agora ajudam nisso.
Quanto à Dona Míriam, a posição dela de campeã da causa negra na imprensa foi seriamente abalada, para não dizer totalmente destruída. Depois de fugir do debate com o Ali, só com muita cara de pau ela pode continuar a defender com tanto ardor a causa negra. Claro que pode - e deve - dar notícias e analisar a questão pontualmente (como a das cotas nas universidades públicas a serem instituídas pelo Nove-Dedos, segundo o Companheiro Gáspari), mas aquele tom de teórica do movimento, engajada até a raiz dos cabelos, só com um caradurismo grande mesmo até para padrões dos colunistas pátrios.
1. Quando você resolve assumir uma causa dura tem que estar consciente que a luta será longa e difícil, e nela você pode perder coisas considera importantes. Se não está a fim de pagar um preço alto é bom não entrar na briga;
2. Os negros só podem contar com eles mesmos na luta contra o racismo. Por mais bacana que pareça o branco, na hora H, se ele/ela perceber que vai perder algum privilégio pessoal, correrá da raia. É uma lição que os negros já sabem há muito, mas é sempre interessante mantê-la na cabeça e exemplos como o de agora ajudam nisso.
Quanto à Dona Míriam, a posição dela de campeã da causa negra na imprensa foi seriamente abalada, para não dizer totalmente destruída. Depois de fugir do debate com o Ali, só com muita cara de pau ela pode continuar a defender com tanto ardor a causa negra. Claro que pode - e deve - dar notícias e analisar a questão pontualmente (como a das cotas nas universidades públicas a serem instituídas pelo Nove-Dedos, segundo o Companheiro Gáspari), mas aquele tom de teórica do movimento, engajada até a raiz dos cabelos, só com um caradurismo grande mesmo até para padrões dos colunistas pátrios.
O mais legal dessa análise do governo Lula feita pelo Globo é a maneira como ela foi feita. Tudo bem que a idéia geral era pôr em xeque o Nove-Dedos, acusado de não ter feito quase nada na área social. Mas isso era esperado - afinal, não apenas o jornal dos Marinho, mas todos os outros veículos da mídia brasileira ainda têm esperanças de que Lula não fique oito anos no governo, tempo suficiente para ele inflingir danos irreversíveis nos privilégios das castas mais altas da elite do país. O bom é que o jornal para atingir seu objetivo teve que abrir espaço a críticas pela esquerda do governo, desde as quase irracionais do Chico Oliveira às filsoficamente mais contundentes como a José Murilo de Carvalho. Foi uma atitude arriscada, pois se de um lado realmente fere os lulistas, de outro pode fazer com que eles tomem tino e realmente partam para fazer aquelas mudanças sociais estruturais tão temidas pelas Organizações Globo. A esperança destas para que isso não ocorra vem da citação de Nabuco feita pelo Zé Murilo: a de que aqui no Bananão a relação senhor-escravo está dentro de cada um de nós e que é só assumir o poder para que ela aflore em toda a sua força. Se vai ser assim com o Nove-Dedos só o tempo vai dizer.
20.12.03
Tem coleguinha da assessoria de Segurança Pública que parece andar mesmo com a cabeça virada. Agora anda armado com uma 9 mm enfiada na calça e treina com ela no estande de tiro da Academia de Polícia. Pra começar a participar de blitz é só meio passo.
Não seria o primeiro caso. Há quem lembre do diálogo entre um bandido e os coleguinhas que tentavam entrevistá-lo após a prisão (se não me engano ele roubara um quadro da Chácara do Céu):
- E aí, como foi a prisão?
- Pergunta pra mim não. Pergunta praquela ali (indicando com a cabeça um grupinho onde só tinha policial e uma coleguinha)
- Meu irmão, aquela ali é repórter...
- Só se for pra você. Pra mim é tira. Estava com os homê quando me ganharam. Tinha até uma nove na mão...
Não seria o primeiro caso. Há quem lembre do diálogo entre um bandido e os coleguinhas que tentavam entrevistá-lo após a prisão (se não me engano ele roubara um quadro da Chácara do Céu):
- E aí, como foi a prisão?
- Pergunta pra mim não. Pergunta praquela ali (indicando com a cabeça um grupinho onde só tinha policial e uma coleguinha)
- Meu irmão, aquela ali é repórter...
- Só se for pra você. Pra mim é tira. Estava com os homê quando me ganharam. Tinha até uma nove na mão...
Márcio Pinheiro será o editor do Cultura, o caderno de livros e idéias do Zero Hora, pelos próximos quatro meses.
19.12.03
Pessoal que faz a primeira do Jornal do Commercio e querida Tereza Cruvinel, também acho uma tremenda besteira chamar a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social de Cofins em vez de Confins. Infelizmente, o certo é a primeira e não a segunda. Portanto, por favor, atenção.
18.12.03
Parabéns e um abraço apertado para o Werneck pelo Prêmio Esso.
E vergonha para aqueles que o vaiaram.
E vergonha para aqueles que o vaiaram.
Não deu para blogar ontem, por isso não pude repetir aquela pergunta que me corrói o coração: será que dá para naturalizar o Michael Moore e lançá-lo candidato em 2006? E se não puder, poderia ser para 2010?
16.12.03
Domingos Alzugaray comprando a TV Sul Fluminense e o Edir Macedo prometendo jornal novo ano que vem. Parafraseando aquele italiano, "eppur si muove" o nosso mercadinho fluminense
Conselheira viu essa na Hilde:
PASSANDO POR dificuldades do conhecimento de todos, a TV Globo dá sinais de que está fazendo água. Acaba de propor demanda na 16ª Vara Cível para renegociar os termos do contrato para transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2006, pois não teria condições de cumpri-lo nas atuais bases. A causa corre em sigilo, e o advogado da Globo é Waldemar Zveiter. A outra parte - um pool de empresas - ainda não foi citada. O juiz é Paulo Sérgio Santos..
PASSANDO POR dificuldades do conhecimento de todos, a TV Globo dá sinais de que está fazendo água. Acaba de propor demanda na 16ª Vara Cível para renegociar os termos do contrato para transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2006, pois não teria condições de cumpri-lo nas atuais bases. A causa corre em sigilo, e o advogado da Globo é Waldemar Zveiter. A outra parte - um pool de empresas - ainda não foi citada. O juiz é Paulo Sérgio Santos..
E esse jornal do Edir Macedo que o Segundo Colunista noticiou hoje, hein? Será totalmente novo ou uma ampliação da já veterana Folha Universal?
O óbvio tarda, mas não falha...:
RIO - Numa operação conjunta, os sites O Globo On Line e Globonews.com fundiram-se num único veículo - com o nome ligeiramente alterado para Globo Online - que passa a ser o principal fornecedor de notícias em tempo real para os leitores e assinantes do portal Globo.com. Com a fusão, o novo Globo Online fortalece ainda mais suas coberturas nacionais e internacionais e inclui São Paulo no foco do noticiírio local, até então concentrado apenas no Rio de Janeiro.
RIO - Numa operação conjunta, os sites O Globo On Line e Globonews.com fundiram-se num único veículo - com o nome ligeiramente alterado para Globo Online - que passa a ser o principal fornecedor de notícias em tempo real para os leitores e assinantes do portal Globo.com. Com a fusão, o novo Globo Online fortalece ainda mais suas coberturas nacionais e internacionais e inclui São Paulo no foco do noticiírio local, até então concentrado apenas no Rio de Janeiro.
Só para ninguém ficar desinformado. O Boca Juniors perdeu no dia 24 de abril para o Payssandu em La Bombonera por 1 a 0, e não por 3 a 1. O gol foi de Iarley, aos 22 do segundo tempo (e com isso ele garantiu sua vaga no time adversário que acabou por ser campeão da Copa Toyota de 2003). No segundo jogo, o Papão da Curuzu (ou Penico da Santa Casa, na versão dos remistas como meu pai) foi derrotado em Belém por 4 a 2 e dançou da Libertadores da América.
E outra coisa: não foi a única derrota do Boca na competição. Ele perdera antes para o Independiente de Medellín por 1 a 0, gol de Montoya, em jogo realizado na cidade colombiana em 26 de março.
Sei muito sobre Libertadores? Nada! Tá tudo no site da Confederação Sul-Americana (http://www.conmebol.com). Levei uns três minutos para apurar as informações.
E outra coisa: não foi a única derrota do Boca na competição. Ele perdera antes para o Independiente de Medellín por 1 a 0, gol de Montoya, em jogo realizado na cidade colombiana em 26 de março.
Sei muito sobre Libertadores? Nada! Tá tudo no site da Confederação Sul-Americana (http://www.conmebol.com). Levei uns três minutos para apurar as informações.
Por falar em Dona Míriam, mantém-se o ensurdecedor silêncio dela sobre o segundo desatino escrito pelo Ali a respeito da discriminação racial dos negros.
Duas observações sobre a matéria do Globo a respeito do Provão:
1. O título da capa é melhor do que a matéria. "Pobres são maioria nas universidades públicas" é, pelo que sempre se diz nos jornais, a notícia, pois seria o dado novo. A matéria em si, porém, fica na rame-rame de qual foi a média disso e daquilo. A notícia mesmo está lá nos últimos parágrafos. Parabéns ao redator que conseguiu vê-la;
2. A chamada, porém, encerra um caradurismo do jornal. Dizer que o Provão derruba um mito ao mostrar que os pobres são maioria nas universidades públicas é cara-de-pau porque quem criou este mito foi a própria mídia, com análises como as da Dona Míriam, que, usando o bom e velho "Método Goebbels" , ficava dizendo que universidade pública era parque de diversões de filhinhos de papai (numa coluna, de anos atrás, para "provar" isso DM usava o método científico de contar o número de carros de boa marca nos estacionamentos...). Se se dessem ao trabalho de ir contar, veria que pobres mesmo só têm chance de cursar nível superior em faculdade pública e por isso são, foram e serão sempre maioria nelas;
3. Nada disso deteve a repórter que fez a matéria que, além de esconder a verdadeira notícia quase no pé, lá pelas tantas dá uma editorializada:
No entanto, a intenção do Provão sempre foi indicar o volume de conhecimento dos alunos de uma instituição para que depois se fizesse a investigação das razões. Nesse ponto, o resultado do Provão é claro: os universitários aprendem pouco e dificilmente o novo modelo de avaliação do MEC mostrará uma realidade diferente.
Pra ser franco, não tenho nada contra a editorializada, não. É só que, pelo que lembro, a cartilha do Globo e dos demais veículos de comunicação brasileira diz que se deve ser imparcial ou algo neste sentido. E a repórter obviamente não o foi neste parágrafo. Enfim...
1. O título da capa é melhor do que a matéria. "Pobres são maioria nas universidades públicas" é, pelo que sempre se diz nos jornais, a notícia, pois seria o dado novo. A matéria em si, porém, fica na rame-rame de qual foi a média disso e daquilo. A notícia mesmo está lá nos últimos parágrafos. Parabéns ao redator que conseguiu vê-la;
2. A chamada, porém, encerra um caradurismo do jornal. Dizer que o Provão derruba um mito ao mostrar que os pobres são maioria nas universidades públicas é cara-de-pau porque quem criou este mito foi a própria mídia, com análises como as da Dona Míriam, que, usando o bom e velho "Método Goebbels" , ficava dizendo que universidade pública era parque de diversões de filhinhos de papai (numa coluna, de anos atrás, para "provar" isso DM usava o método científico de contar o número de carros de boa marca nos estacionamentos...). Se se dessem ao trabalho de ir contar, veria que pobres mesmo só têm chance de cursar nível superior em faculdade pública e por isso são, foram e serão sempre maioria nelas;
3. Nada disso deteve a repórter que fez a matéria que, além de esconder a verdadeira notícia quase no pé, lá pelas tantas dá uma editorializada:
No entanto, a intenção do Provão sempre foi indicar o volume de conhecimento dos alunos de uma instituição para que depois se fizesse a investigação das razões. Nesse ponto, o resultado do Provão é claro: os universitários aprendem pouco e dificilmente o novo modelo de avaliação do MEC mostrará uma realidade diferente.
Pra ser franco, não tenho nada contra a editorializada, não. É só que, pelo que lembro, a cartilha do Globo e dos demais veículos de comunicação brasileira diz que se deve ser imparcial ou algo neste sentido. E a repórter obviamente não o foi neste parágrafo. Enfim...
15.12.03
A eleição paralela sobre qual matéria deveria levar o Prêmio Esso de 2003 terminou com a vitória da Máfia dos Fiscais, da IstoÉ, com 10 votos (43,48%), contra oito votos da cobertura da Folha sobre a invasão do Iraque, e cinco da série "Grampo que vem da Bahia", também da IstoÉ.
Amanhã à noite, vamos ver se o júri do prêmio concordou a avaliação de meus ilustres leitores.
Amanhã à noite, vamos ver se o júri do prêmio concordou a avaliação de meus ilustres leitores.
E Dona Rosinha realmente ganhou uma parte da capa da IstoÉ como uma das personalidades políticas de 2003. O mesmo Conselheiro que lembrou a vida pós-eleição do PSOE acha que os motivos que levaram a esta escolha parecem uma boa pauta para um jornalista investigativo...
Conselheiro lembra que depois da vitória nas urnas, o PSOE não arrumou mais nada. É verdade, mas é aquela coisa: ficou tempo demais no poder. E como dizem com propriedade dos companheiros anarquistas, o poder corrompe.
Essa expulsão dos radicais petistas tem me lembrado a cena do Felipe González saindo das Cortes vaiado pelos radicais do PSOE depois do discurso em que anunciava que o partido rompia com o marxismo-leninismo. Um ano depois - acho que esse foi o período decorrido - ele era eleito primeiro-ministro da Espanha.
O Blowg avisa: Rosinha será a personalidade do ano da revsita IstoÉ. É ver para crer, mas, se for mesmo, só pode ser personalidade negativa.
As primeiras páginas do JB e do Correio Braziliense sobre a captura do Saddam são muito, muito parecidas: preto envolvendo a cara barbuda do ex-ditador.
14.12.03
O Flusão escapou da queda para a Segundona para delírio da Galáxia Tricolor. Durante o jogo, um nobre componente do Núcleo de Inteligência Tricolor fez pergunta assaz interessante: de onde aqueles matemáticos da bola tiram aqueles percentuais que povoam as páginas espeortivas nestes momentos de maior tensão? É que o matemático consultado pelo Globo afirmou que a Ponte Preta tinha uma probabilidade de 56% para cair para a Segundona, contra 20%?do Fortaleza. Só que o esquadrão alvinegro de Campinas enfrentava exatamente o Tricolor de Aço da terra de Iracema em casa, precisando apenas vencer o jogo pela contagem mínima para se salvar. Como o Forteleza raramente conseguiu pontos fora de casa e a Ponte tinha bom retrospecto em seus domínios, o lógico é que ela tivesse um probabilidade menor de descer. E o que aconteceu? A Ponte venceu por 2 a 0 e ficou na Primeira, enquanto o Fortaleza caiu.
Conselheira com boa memória lembra que, ano passado, a Receita enfiou na malha fina nada menos de 500 mil, declarações, um recorde. Todas as restituições, de acordo com a conselheira, com mais de R$ 2 mil, o que dava uma bolada acima de R$ 1 bilhão, montanha de dinheiro que sobrou para quem pagar? Pois é... Na época, ninguém falou nada. Agora quando o Nove-Dedos diz que vai dividir em dois lotes as restituições que faltam - nada de malha fina como desculpa - os veículos de comunicação sobem nas tamancas.
Certo, Tereza. Há que se dar as mesmas oportunidades às mulheres pobres que às ricas de se fazer o planejamento familiar. Só que é bom lembrar que uma parte considerável das adolescentes pobres dos grandes centros urbanos têm informações e dinheiro para comprar pílulas e outros meios contraceptivos e não o fazem. Isso porque, como já escrevi certa vez, nas comunidades pobres ser mãe garante status, respeito, alguns privilégios e mesmo proteção: os traficantes sabem que daquela barriga pode sair um bom futuro avião. Portanto, política pública de planejamento familiar tem que ser bem planejada também.
Ora, Segundo Colunista! Publicitários gostam de personagens idiotas porque eles vendem melhor para a maior parte da população, que é idiota. Que pergunta mais...Deixa pra lá!
Também de ontem, na editoria Rio, página 24, matéria sobre briga pelo terreno onde se pretende seja erguido o Engenhão:
Há quatro dias do lançamento da pedra fundamental do Estádio Olímpico João Havelange (...)
Há com sentido de futuro? Assim não dá, gente...
Há quatro dias do lançamento da pedra fundamental do Estádio Olímpico João Havelange (...)
Há com sentido de futuro? Assim não dá, gente...
De ontem. O Jorge Bastos Moreno deve estar preparando uma obra que vai revolucionar a Geografia descritiva. Até inventou um novo continente: o sul-africano
12.12.03
Conselheira viu no Gente Boa de hoje:
Christina Oiticica expõe 'As quatro estações', em Ljubljana, na Eslovênia
A conselheira me convidou para pegar o seu jatinho e ir conferir, mas infelizmente eu tinha a agenda cheia...
Christina Oiticica expõe 'As quatro estações', em Ljubljana, na Eslovênia
A conselheira me convidou para pegar o seu jatinho e ir conferir, mas infelizmente eu tinha a agenda cheia...
Bem, e agora, Dona Míriam? A senhora vai deixar o Ali dar a última palavra e parecer que venceu o debate, ou vai fazer o que devia ter feito logo da primeira vez: empalá-lo com aquele monte de dados irrefutáveis que a senhora tem aí na ponta dos dedos?
A senhora tem obrigação de fazer isso, pois o que o Ali está fazendo com os artigos dele é justificar antecipadamente os ataques que os negros sofrerão quando começarem mesmo a lutar de igual para igual com os brancos pelo mercado de trabalho. No dia em que carecas brancos passarem direto pelos caras de cabelo moicano para jogarem primeiro os negros de trens em movimento, Ali e aqueles que bateram palmas para ele nas cartas do Globo poderão encher o peito e dizer: "Tá vendo? Tudo culpa daqueles imbecis que atiçaram o ódio nesta democracia racial idílica que tínhamos aqui neste país tropical abençoado por Deus e bonito por Natureza. E que beleza!".
A senhora tem obrigação de fazer isso, pois o que o Ali está fazendo com os artigos dele é justificar antecipadamente os ataques que os negros sofrerão quando começarem mesmo a lutar de igual para igual com os brancos pelo mercado de trabalho. No dia em que carecas brancos passarem direto pelos caras de cabelo moicano para jogarem primeiro os negros de trens em movimento, Ali e aqueles que bateram palmas para ele nas cartas do Globo poderão encher o peito e dizer: "Tá vendo? Tudo culpa daqueles imbecis que atiçaram o ódio nesta democracia racial idílica que tínhamos aqui neste país tropical abençoado por Deus e bonito por Natureza. E que beleza!".
Tudo bem que o assunto é sério e delicado, mas tenho que dizer o que sinto: o Ali Kamel está fazendo minhas manhãs mais alegres desde que começou a desatinar por escrito a respeito da suposta inexistência de racismo no Brasil. No artigo publicado hoje em resposta ao de Dona Míriam, em que ela o chamou, com extrema habilidade, de incompetente e/ou desavergonhado, ele não só passou recibo disso, como meteu os pés pelas mãos. Do monte de bobagens, um sofisma infantil e uma afirmação peremptória baseada na ignorância estatística me fizeram dar gargalhadas de vir lágrimas aos olhos.
Primeiro o sofisma, que é mais curtinho. O hilário articulista compara a diferença salarial entre amarelos e brancos e entre estes e os negros. Eles demonstra que se os amarelos ganham 9,2 salários mínimos em média e os brancos, 4,5 salários mínimos, conclui-se que isso ocorre por que os amarelos oprimem os brancos. Além de insistir em ignorar a questão histórica - os japoneses e chineses jamais foram considerados legalmente mercadoria como os negros o foram por quase 400 anos e isso faz um bruta diferença - Ali compara uma população total de 75,9 milhões de pessoas (negros mais pardos), ou 44,6% da população total do país (Censo 2000), com uma que é 0,44% (761.583) da mesma população total (170 milhões, arredondando). A manipulação seria constrangedora de tão pueril se o argumentador não fosse quem é. Como é, fica engraçadíssima.
A abordagem da argumentação ignara é bem mais complicada e chatinha. Ali diz que não é possível comparar estatisticamente quanto ganham cidadãos de cores diferentes com igual qualificação profissional. Bem, ele pode não saber como fazer, mas estatísticos e economistas sabem. O processo chama-se regressão e é uma variante de um negócio chamado correlação, que vem a ser uma aplicação da Teoria da Probabilidade (eu avisei que ia ser chato...).
A correlação estatística diz que se X estiver presente, Y tem grande probabilidade de ocorrer (correlação tanto mais forte quanto o módulo - número sem considerar o sinal de positivo ou negativo - do resultado da aplicação da fórmula de correlação linear for mais próximo de 1) ou menos probabilidade de ocorrer (correlação tanto mais fraca quanto o módulo for mais próximo de 0). Ou seja, uma correlação diz que algo tem mais ou menos chance de ocorrer em caso de uma outra variável estar presente, mas que isso não é obrigatório.
Dois exemplos para facilitar o entendimento. Um pai alto tem uma grande probabilidade de ter filhos altos, pois contou-se que, numa população de pessoas de diferentes alturas, as maioria das mais altas tinham tido pais altos. Claro que um pai alto pode ter um filho pintor de rodapé, mas seria uma exceção estatisticamente falando. A correlação pai alto = filho alto é forte. Segundo exemplo: se você impedir alguém de respirar por 20 minutos, a pessoa morre. Isso ocorre em 100% dos casos, certo? Assim, a correlação é 1.
Bom, a correlação é sempre feita com duas variáveis e essa obrigatoriedade é obedecida pela regressão. A diferença é que na regressão, uma variável fica fixa enquanto várias outras mudam uma a uma e são checadas contra a variável fixa. A teoria é básica, tanto que a aprendi quando ainda cursava o antigo Segundo Grau na Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, lá se vai mais de um quarto de século. Desde então, o uso dos computadores e as bases de dados evoluíram de tal forma que tornaram possível as contas cascudas que levaram àquilo que o Ali diz ser impossível. Assim, hoje pode-se comparar uma população de pessoas com 11 anos de estudo, do mesmo sexo, que vivam na mesma cidade, estejam na mesma faixa etária e tenham mesma faixa salarial, sendo diferentes apenas na cor, e extrair daí um resultado comparativo.
As fórmulas dão tão certo que são usadas numa ferramenta de marketing chamada "data mining", que como o nome indica é mesmo minerar informações importantes em bases de dados. Um exemplo que li há alguns anos: um gerente de uma Wall Mart de uma cidade do Colorado ao cruzar dados de vendas de sua loja descobriu que nos dias em que havia promoção de fraldas descartáveis aumentava também a venda de fitas de vídeo. A matriz achou que o cara tinha endoidecido, mas ele insistiu e a loja dele e mais quatro do estado americano fizeram uma promoção de fraldas descartáveis a título de experiência. Batata! As vendas de fitas de vídeo aumentaram nas cinco lojas. Neguinho achou o máximo e levou a experiência para outras Wall Marts. Deu errado em um monte de lugares, pois as populações eram diferentes das do Colorado, mas deu certo em outro monte onde elas eram mais parecidas.
Assim, o Ali não sabe, mas tem sim como medir a correlação entre cor e salário, qualificação profissional e anos de estudo. E mais: dá até para basear ações de marketing e políticas públicas nestes dados.
Primeiro o sofisma, que é mais curtinho. O hilário articulista compara a diferença salarial entre amarelos e brancos e entre estes e os negros. Eles demonstra que se os amarelos ganham 9,2 salários mínimos em média e os brancos, 4,5 salários mínimos, conclui-se que isso ocorre por que os amarelos oprimem os brancos. Além de insistir em ignorar a questão histórica - os japoneses e chineses jamais foram considerados legalmente mercadoria como os negros o foram por quase 400 anos e isso faz um bruta diferença - Ali compara uma população total de 75,9 milhões de pessoas (negros mais pardos), ou 44,6% da população total do país (Censo 2000), com uma que é 0,44% (761.583) da mesma população total (170 milhões, arredondando). A manipulação seria constrangedora de tão pueril se o argumentador não fosse quem é. Como é, fica engraçadíssima.
A abordagem da argumentação ignara é bem mais complicada e chatinha. Ali diz que não é possível comparar estatisticamente quanto ganham cidadãos de cores diferentes com igual qualificação profissional. Bem, ele pode não saber como fazer, mas estatísticos e economistas sabem. O processo chama-se regressão e é uma variante de um negócio chamado correlação, que vem a ser uma aplicação da Teoria da Probabilidade (eu avisei que ia ser chato...).
A correlação estatística diz que se X estiver presente, Y tem grande probabilidade de ocorrer (correlação tanto mais forte quanto o módulo - número sem considerar o sinal de positivo ou negativo - do resultado da aplicação da fórmula de correlação linear for mais próximo de 1) ou menos probabilidade de ocorrer (correlação tanto mais fraca quanto o módulo for mais próximo de 0). Ou seja, uma correlação diz que algo tem mais ou menos chance de ocorrer em caso de uma outra variável estar presente, mas que isso não é obrigatório.
Dois exemplos para facilitar o entendimento. Um pai alto tem uma grande probabilidade de ter filhos altos, pois contou-se que, numa população de pessoas de diferentes alturas, as maioria das mais altas tinham tido pais altos. Claro que um pai alto pode ter um filho pintor de rodapé, mas seria uma exceção estatisticamente falando. A correlação pai alto = filho alto é forte. Segundo exemplo: se você impedir alguém de respirar por 20 minutos, a pessoa morre. Isso ocorre em 100% dos casos, certo? Assim, a correlação é 1.
Bom, a correlação é sempre feita com duas variáveis e essa obrigatoriedade é obedecida pela regressão. A diferença é que na regressão, uma variável fica fixa enquanto várias outras mudam uma a uma e são checadas contra a variável fixa. A teoria é básica, tanto que a aprendi quando ainda cursava o antigo Segundo Grau na Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, lá se vai mais de um quarto de século. Desde então, o uso dos computadores e as bases de dados evoluíram de tal forma que tornaram possível as contas cascudas que levaram àquilo que o Ali diz ser impossível. Assim, hoje pode-se comparar uma população de pessoas com 11 anos de estudo, do mesmo sexo, que vivam na mesma cidade, estejam na mesma faixa etária e tenham mesma faixa salarial, sendo diferentes apenas na cor, e extrair daí um resultado comparativo.
As fórmulas dão tão certo que são usadas numa ferramenta de marketing chamada "data mining", que como o nome indica é mesmo minerar informações importantes em bases de dados. Um exemplo que li há alguns anos: um gerente de uma Wall Mart de uma cidade do Colorado ao cruzar dados de vendas de sua loja descobriu que nos dias em que havia promoção de fraldas descartáveis aumentava também a venda de fitas de vídeo. A matriz achou que o cara tinha endoidecido, mas ele insistiu e a loja dele e mais quatro do estado americano fizeram uma promoção de fraldas descartáveis a título de experiência. Batata! As vendas de fitas de vídeo aumentaram nas cinco lojas. Neguinho achou o máximo e levou a experiência para outras Wall Marts. Deu errado em um monte de lugares, pois as populações eram diferentes das do Colorado, mas deu certo em outro monte onde elas eram mais parecidas.
Assim, o Ali não sabe, mas tem sim como medir a correlação entre cor e salário, qualificação profissional e anos de estudo. E mais: dá até para basear ações de marketing e políticas públicas nestes dados.
11.12.03
Realmente virou zona. Agora é a IstoÉ Dinheiro que resolveu reescrever a história. Na capa desta semana, tá lá: "Mário Amato, o homem que peitou Lula".
Peitou Lula? O que ele fez foi aterrorizar pessoas que tinham passado 21 anos sob ditadura militar - a qual, aliás, ele apoiou com dedicação como comandante da Fiesp - contra uma opção de esquerda, em favor de um filhote da ditadura.
Impressionante como a mídia brasileira bate recordes de caradurismo. Acho que o COB deveria lutar para a inclusão deste esporte nacional nos Jogos Olímpicos. Uma seleção feita nas redações brasileiras seria mais dificíl de bater que Dream Team de basquete americano.
Peitou Lula? O que ele fez foi aterrorizar pessoas que tinham passado 21 anos sob ditadura militar - a qual, aliás, ele apoiou com dedicação como comandante da Fiesp - contra uma opção de esquerda, em favor de um filhote da ditadura.
Impressionante como a mídia brasileira bate recordes de caradurismo. Acho que o COB deveria lutar para a inclusão deste esporte nacional nos Jogos Olímpicos. Uma seleção feita nas redações brasileiras seria mais dificíl de bater que Dream Team de basquete americano.
Confesso que, num primeiro momento, fiquei um tanto decepcionado com o tom da resposta da Dona Míriam ao Ali. Me pareceu um tanto pipoqueiro para o nível (rasteiro) do texto do Ali. Mas fui amplamente recompensado lá pelo décimo parágrafo quando Dona Míriam chama o "amigo e chefe" de sem-vergonha e/ou incompetente, usando para isso um belo atalho retórico. Negócio tão bonito que merece um parágrafo só para mostrá-lo e outro só para explicá-lo. Olha o que ele escreveu:
Os dados do Instituto Ethos mostram de forma eloqüente que o mercado de trabalho tem escolhido os brancos em primeiro lugar, para ocupar seu quadro de funcionários. Mas quem duvida destes números deve visitar as estatísticas que comparam negros e brancos com o mesmo nível de escolaridade. O professor Nelson Valle e Silva fez isto. Comparados os iguais, verificou-se que os brancos em qualquer classe ganham o dobro do que ganham os negros. Cada vez que vejo um dado assim, morro de vergonha.
Ora, esse estudo do professor Valle e Silva, bem como muitos outros, são informados e analisados pela Dona Míriam em sua coluna de quando em sempre. Qualquer um que já tenha lido uma coluna em que ela fala do racismo em Bruzundanga sabe disso. Assim, ou Ali Kamel leu Dona Míriam e e não ficou com vergonha, sendo, portanto, um sem-vergonha; ou não leu e é um desinformado sobre o assunto sobre o qual escreveu, sendo assim um incompetente. Ou ambos, na pior das hipóteses, já que uma opção não exclui a outra.
Agora me diga: não foi um artifício de retórica de tirar o chapéu?
Os dados do Instituto Ethos mostram de forma eloqüente que o mercado de trabalho tem escolhido os brancos em primeiro lugar, para ocupar seu quadro de funcionários. Mas quem duvida destes números deve visitar as estatísticas que comparam negros e brancos com o mesmo nível de escolaridade. O professor Nelson Valle e Silva fez isto. Comparados os iguais, verificou-se que os brancos em qualquer classe ganham o dobro do que ganham os negros. Cada vez que vejo um dado assim, morro de vergonha.
Ora, esse estudo do professor Valle e Silva, bem como muitos outros, são informados e analisados pela Dona Míriam em sua coluna de quando em sempre. Qualquer um que já tenha lido uma coluna em que ela fala do racismo em Bruzundanga sabe disso. Assim, ou Ali Kamel leu Dona Míriam e e não ficou com vergonha, sendo, portanto, um sem-vergonha; ou não leu e é um desinformado sobre o assunto sobre o qual escreveu, sendo assim um incompetente. Ou ambos, na pior das hipóteses, já que uma opção não exclui a outra.
Agora me diga: não foi um artifício de retórica de tirar o chapéu?
10.12.03
Sandra Games, responsável pelo site www.eliogaspari.com.br, é a secretária particular do colunista. Antes de assumir este cargo, foi da Veja e, entre 2000 e 2002, do pranteado site NO., para cujo sucessor, o nominimo.com.br, aponta o site do companheiro Gaspari.
Na página 7 do Globo, tem um artigo assinado por Roberto Lent, identificando-o como presidente da Faperj. Não é não. O presidente da (Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio) chama-se Marcos Cavalcanti.
9.12.03
O tal Carlos Augusto, na verdade, não é do Centro; é da Cidade. E como já dizia Zé Reis, um antigo e grande filósofo do Méier, "o Rio é uma província". Carlos Augusto (ainda sem o "da Cidade") foi meu vizinho de porta quando morei aqui no Centro, antes de ir para Ilha, em 92. E, segundo uma conselheira que foi sua estagiária por um mês, criou o Folha do Centro, o jornal que hoje é de Rosana Santos, a dona do Bar Luiz.
Conselheiro bem mais esperto que esse que vos digita fez o óbvio e foi ao registro.br ver quem era o responsável pelo site www.eliogaspari.com.br. Veja o que ele conseguiu:
domínio: ELIOGASPARI.COM.BR
entidade: Elio Gaspari Serviços
documento: 000.159.556/0001-25
responsável: Sandra Games
endereço: Praia de Botafogo, 528 - Bloco C- Apto. 1502, 528, Bloco C- A
endereço: 22250-040 - Rio de Janeiro - RJ
telefone: (021) 22953069 []
ID entidade: CAR67
ID admin: CAR67
ID técnico: CAR67
ID cobrança: CAR67
servidor DNS: NS1.IBEST.COM.BR
status DNS: 07/12/2003 AA
último AA: 07/12/2003
servidor DNS: NS2.IBEST.COM.BR
status DNS: 07/12/2003 AA
último AA: 07/12/2003
criado: 18/09/2002 #953175
alterado: 07/11/2002
status: publicado
ID: CAR67
nome: Carla Rodrigues
e-mail: carlarodrigues@MANDIC.COM.BR
endereço: Estrada de Jacarepagua, 2434, casa 271
endereço: 22753-042 - Rio de Janeiro - RJ
telefone: (021) 24953567 []
criado: 03/12/1998
alterado: 16/04/2002
domínio: ELIOGASPARI.COM.BR
entidade: Elio Gaspari Serviços
documento: 000.159.556/0001-25
responsável: Sandra Games
endereço: Praia de Botafogo, 528 - Bloco C- Apto. 1502, 528, Bloco C- A
endereço: 22250-040 - Rio de Janeiro - RJ
telefone: (021) 22953069 []
ID entidade: CAR67
ID admin: CAR67
ID técnico: CAR67
ID cobrança: CAR67
servidor DNS: NS1.IBEST.COM.BR
status DNS: 07/12/2003 AA
último AA: 07/12/2003
servidor DNS: NS2.IBEST.COM.BR
status DNS: 07/12/2003 AA
último AA: 07/12/2003
criado: 18/09/2002 #953175
alterado: 07/11/2002
status: publicado
ID: CAR67
nome: Carla Rodrigues
e-mail: carlarodrigues@MANDIC.COM.BR
endereço: Estrada de Jacarepagua, 2434, casa 271
endereço: 22753-042 - Rio de Janeiro - RJ
telefone: (021) 24953567 []
criado: 03/12/1998
alterado: 16/04/2002
Bem, e aí, Dona Míriam? Vais responder ao Ali como ele merece, com fatos sobre o racismo que existe aqui em Bruzundanga, ou vais botar o galho dentro e fingir que não é com a senhora?
Mas tenho de admitir que o Ali ficou muito mais engraçado ao explorar este filão de negar o óbvio - dizer que a Globo não manipulou o comício em favor das Diretas em São Paulo, que hospital tem que ser particular e não público e bom, e agora afirmar que não há racismo no Brasil.
A situação ficaria bem menos divertida, é claro, se o jornalismo da Estrela da Morte começasse a refletir as opiniões do Ali. Mas como não creio que ele acredite mesmo no que anda escrevendo - é só para marcar posição e aparecer - creio que esse perigo não existe.
Mas tenho de admitir que o Ali ficou muito mais engraçado ao explorar este filão de negar o óbvio - dizer que a Globo não manipulou o comício em favor das Diretas em São Paulo, que hospital tem que ser particular e não público e bom, e agora afirmar que não há racismo no Brasil.
A situação ficaria bem menos divertida, é claro, se o jornalismo da Estrela da Morte começasse a refletir as opiniões do Ali. Mas como não creio que ele acredite mesmo no que anda escrevendo - é só para marcar posição e aparecer - creio que esse perigo não existe.
Rapaz, o Colunista da 4 está numa boa fase. Mandou bem hoje de novo. Vamos ver se não é só uma ajudinha do Papai Noel.
Idéia de pauta pro pessoal de política. Na região da Cruz Vermelha, a umas duas três do Globo, tem um monte de faixas saudando o administrador da II RA, Carlos Augusto do Centro (acho até que ele se assina assim). É óbvio que o cara é candidatíssimo a vereador - tem até um jornal que circula na região para apoiá-lo (é dirigido pela dona do Bar Luiz) - e não dever ser o único. Não seria legal saber, a um ano das eleições municipais, como esses "prefeitinhos" estão tratando a máquina pública?
Ah, Tereza, não fica assim não...O pessoal gosta do Lula, fazer o quê? Mas não desista. Quem sabe daqui a um ano, se o país continuar nesta situação, a galera resolva cobrar do Nove Dedos? É preciso ter esperança e não jogar a toalha, querida! 2006 ainda está longe!
Da matéria do Globo sobre a favelinha que nasceu na "Maiami carioca" (Barra da Tijuca).
A favela começou com uma borracharia de beira de estrada. Em pouco tempo, cresceu. Segundo um recente levantamento da Companhia Estadual de Habitação (Cehab), moravam ali 33 famílias. Hoje são 44. A maioria ? 14 delas ? sem renda. Outras 11 famílias vivem com até três salários-mínimos.
Desde quando 14 é a maior parte de 44? Nos meus tempos de ENCE, para ganhar este partitivo, teria que ser um número natural maior que 23...
Tudo bem que jornalista tende a não saber fazer conta - assim como engenheiro tende a não escrever bem - mas tudo tem limite, né?
A favela começou com uma borracharia de beira de estrada. Em pouco tempo, cresceu. Segundo um recente levantamento da Companhia Estadual de Habitação (Cehab), moravam ali 33 famílias. Hoje são 44. A maioria ? 14 delas ? sem renda. Outras 11 famílias vivem com até três salários-mínimos.
Desde quando 14 é a maior parte de 44? Nos meus tempos de ENCE, para ganhar este partitivo, teria que ser um número natural maior que 23...
Tudo bem que jornalista tende a não saber fazer conta - assim como engenheiro tende a não escrever bem - mas tudo tem limite, né?
8.12.03
Mais um "mistério da internet", este enviado pelo Conselheiro do Sul. Veja onde vai dar o endereço www.eliogaspari.com.br. Como sempre é bom ir rápido, pois este mistério é nacional e o atalho pode mudar mais rapidamente que o do mistério ianque.
Uma abordagem original do Flávio Aguiar, das Cartas Ácidas, a respeito do flaxflu entre as fórmulas de disputa do Campeonato Brasileiro. O texto é da semana retrasada, mas acho que vale uma lida para quem se interessa pelo assunto.
Ricardo Linck, chefe da redação da assessoria da Secretaria de Segurança Pública, responde à matéria de Luiz Macklouf Carvalho, do Estadão, que reproduzi aqui há uns dias:
Fala, Ivson, tudo bem?
Vi que você reproduziu na sua coluna matéria do sr. Luís Macklouf Carvalho, do Estadão, e gostaria, se possível, de respondê-la. Depois de trabalhar em TV e jornal, é a primeira vez que faço assessoria, já macaco velho. E, por conhecer muito bem as dificuldades para conseguir informações, não abro mão de atender bem os repórteres. Bem, vamos lá.
Macklouff me ligou, aqui na assessoria, dizendo que veio de São Paulo, como repórter especial, e se apresentou como "autor do "Cobras Criadas", o livro que destruiu o picareta do Davi Nasser." Respondi que li o livro, e gostei, mas que a assessoria da SSP não estava passando informações sobre o caso Staheli por ordem do secretário Garotinho. Ainda assim, o convidei para vir à assessoria e me ofereci para ajudá-lo no que fosse possível.
Macklouf chegou, muito tenso, e foi logo perguntando por que o Estadão estaria sofrendo bloqueio da SSP, já que não ele não conseguia entrevistas "exclusivas" sobre o caso. Expliquei que ninguém estava recebendo exclusivas e lembrei a ele que ninguém da sucursal do Estado, repórteres que estão na cobertura diária do caso, havia reclamado de tal bloqueio. Talvez não sejam vítimas de obsessão persecutória... Afirmei ainda que os jornais de São Paulo são considerados, no Rio, muito críticos, mas nem por isso recebiam tratamento diferenciado. E sugeri até que ele procurasse o Ministério Público, a Mônica di Piero, que estava estudando o caso. Ainda perguntei se ele estava em contato com os repórteres da sucursal do Estadão, mas Macklouf me disse que não, que isso não era preciso...
E insistiu na tese persecutória, dizendo que um jornalista do The New York Times, o corresponde de São Paulo (no Rio) Tony Smith, havia feito uma exclusiva com o chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins. Mas ele, Macklouf, não. Esclareci novamente, dizendo que o Tony Smith tinha falado com o Álvaro durante uma coletiva sobre a prisão de policiais corruptos. "E por que o delegado do caso está dando declarações a alguns veículos de imprensa, e não a outros?", perguntou ele. Ao que respondi (sem reticências): "Macklouf, você tem mais experiência do que eu, deve saber como é. Muitas vezes, um repórter local, que conheça há mais tempo uma fonte, um delegado, por exemplo, acaba conseguindo informações ou até declarações mesmo contra a orientação da secretaria." O que, me parece, é sabido pela maioria dos jornalistas.
Em seguida, eu ia convidar Macklouf para almoçar aqui pelo Saara. Mas, pra minha surpresa, ele me cortou, dizendo: "Se eu soubesse que você só ia me dizer isso, nem tinha vindo. Você não me ajudou em nada." E foi embora. Um espanto.
Acho que a matéria, maldosa, é a típica desculpa de quem não está conseguindo apurar por sua conta e prefere falar mal da assessoria... E o pior é que recebi o cara, passei telefones que ele não tinha, tentei ajudar!!! Aliás, o detalhe mais engraçado, mas incrível, ficou para o dia posterior do ataque (esta sexta, 5/12): adivinhe qual foi a matéria “especial”, do Macklouf??? Justamente, com a Mônica di Piero, do MP, que eu havia sugerido!!! Pelo visto, acabei ajudando em alguma coisa, não?
Abraço,
Ricardo Linck, chefe de redação da ASCOM/SSP.
Este desvalioso blog agradece, honrado, a atenção que o honorável Segundo Colunista do Globo lhe concede.
7.12.03
Recebi essa visão amável, e um tanto autocomplacente mesmo, do inferno de um coleguinha que trabalha numa agência de assessoria em BSB:
Missão Jornalística
Alexandre Marino
Na ante-sala do gabinete de um ministro, um jornalista muito branco e de olheiras (é o estilo dark involuntário) aguarda ser atendido para uma entrevista, enquanto sonha com uma viagem ao exterior e uma casa própria no Lago Norte. Trêmulo, vai aos poucos enchendo um cinzeiro com alguns anos de vida a menos. Está condenado a morrer de infarto, mas atingirá a glória da profissão mais narcisista que existe, depois dos cabeleireiros. Não é apenas um jornalista: é um jornalista político que vive em Brasília e trabalha numa grande sucursal, e imagina que os grandes nomes do poder muito o respeitam.
É um paranóico, mas não liga – ou, dependendo do grau de paranóia, já nem sabe disso mais. Não tem tempo para ir ao cinema ou ver um show de música popular, mas cultiva um hábito muito comum nas redações brasilienses: pelo menos duas ou três vezes por semana vai almoçar com a “fonte” (um bem informado funcionário do poder, que não é amigo mas sabe das coisas).
Jornalismo em Brasília é uma paranóia só. O centro nervoso da capital é o Eixo Monumental. Começa morno no Palácio do Buriti, sede do governo local, esquenta no Setor Comercial Sul, onde fica a maioria das sucursais (e alguns bares fedidos onde jornalistas vão aliviar a tensão), atinge temperaturas altas na Esplanada dos Ministérios e ferve na Praça dos Três Poderes, onde coleguinhas de jornais concorrentes viram feras uns com os outros.
Fazer a cobertura diária de um ministério é um teste para o coração. Se um repórter se levanta de sua mesa e vai ao banheiro, imediatamente os outros trocam olhares preocupados. Será que ele foi buscar um furo? A pergunta é telepática. Uma dos pré-requisitos de um bom profissional é a paranormalidade, muito útil para se preverem fatos políticos óbvios. Saber ler nos olhos de uma autoridade que tudo aquilo que ela está dizendo é mentira também é essencial, mas para isso, pensando bem, ninguém precisa ser paranormal. O triste do jornalismo é que se publica, em nome da objetividade dos fatos, apenas o que a autoridade fala, não o que transmite no olhar.
Bom repórter, segundo os manuais, é aquele que fura os coleguinhas, tem trânsito livre nos corredores do poder, é chamado pelo nome pelas autoridades do primeiro escalão numa coletiva, e almoça com fonte. Nas redações, jornalista que trabalha 16 horas por dia e atende sem reclamar às convocações para trabalhar no fim de semana provoca orgasmos. Nunca recebe hora extra, porque jornalismo é acima de tudo, uma religião.
Os jornalistas que vivem em Brasília se dividem em dois grupos. O primeiro é o dos que acreditam que jornalismo é a única coisa importante da vida. Aspiram intimidade com o poder e, às vezes, cargos. Nas redações, às vezes conquistam efêmeras chefias que lhes dão certos privilégios sobre os repórteres. Só que todo jornalista chefe é também chefiado, e o chefe supremo não é, na verdade, jornalista: é empresário.
O segundo grupo é o dos que chegam aos 30, 40, 50 anos e se aposentam (isso quando não morrem antes, geralmente por problemas cardíacos) sempre repetindo que um dia abandonarão o jornalismo para “fazer o que gostam”. Eles geralmente pensam que gostam de coisas exóticas. Sonham em morar em uma praia deserta, criar cabras, abrir um restaurante, comprar um sítio, escrever peças de teatro. Mas são uns ingênuos. O que gostam mesmo é de jornalismo, só que não sabem disso.
Jornalista sofre, mas se diverte. Nada como uma festa no sábado, onde rola muito whisky, vinho e outras coisas. De vez em quando, alguém como alguém. A classe é muito fofoqueira e todo mundo fica sabendo, mas ninguém liga para isso. Até dá status. Afinal, quase todos têm casos mal resolvidos na vida. Jornalista se julga a elite da raça, e não é fácil encontrar um (a) companheiro (a) à altura. A solução e a rotatividade.
É uma pena que os jornais sejam tão sérios e quadradões. Se os repórteres escrevessem sobre tudo o que vivem, a imprensa seria muito mais divertida. Os repórteres continuariam paranóicos, mas pelo menos os leitores descobririam que ser jornalista é como ser mãe: é padecer num paraíso.
Missão Jornalística
Alexandre Marino
Na ante-sala do gabinete de um ministro, um jornalista muito branco e de olheiras (é o estilo dark involuntário) aguarda ser atendido para uma entrevista, enquanto sonha com uma viagem ao exterior e uma casa própria no Lago Norte. Trêmulo, vai aos poucos enchendo um cinzeiro com alguns anos de vida a menos. Está condenado a morrer de infarto, mas atingirá a glória da profissão mais narcisista que existe, depois dos cabeleireiros. Não é apenas um jornalista: é um jornalista político que vive em Brasília e trabalha numa grande sucursal, e imagina que os grandes nomes do poder muito o respeitam.
É um paranóico, mas não liga – ou, dependendo do grau de paranóia, já nem sabe disso mais. Não tem tempo para ir ao cinema ou ver um show de música popular, mas cultiva um hábito muito comum nas redações brasilienses: pelo menos duas ou três vezes por semana vai almoçar com a “fonte” (um bem informado funcionário do poder, que não é amigo mas sabe das coisas).
Jornalismo em Brasília é uma paranóia só. O centro nervoso da capital é o Eixo Monumental. Começa morno no Palácio do Buriti, sede do governo local, esquenta no Setor Comercial Sul, onde fica a maioria das sucursais (e alguns bares fedidos onde jornalistas vão aliviar a tensão), atinge temperaturas altas na Esplanada dos Ministérios e ferve na Praça dos Três Poderes, onde coleguinhas de jornais concorrentes viram feras uns com os outros.
Fazer a cobertura diária de um ministério é um teste para o coração. Se um repórter se levanta de sua mesa e vai ao banheiro, imediatamente os outros trocam olhares preocupados. Será que ele foi buscar um furo? A pergunta é telepática. Uma dos pré-requisitos de um bom profissional é a paranormalidade, muito útil para se preverem fatos políticos óbvios. Saber ler nos olhos de uma autoridade que tudo aquilo que ela está dizendo é mentira também é essencial, mas para isso, pensando bem, ninguém precisa ser paranormal. O triste do jornalismo é que se publica, em nome da objetividade dos fatos, apenas o que a autoridade fala, não o que transmite no olhar.
Bom repórter, segundo os manuais, é aquele que fura os coleguinhas, tem trânsito livre nos corredores do poder, é chamado pelo nome pelas autoridades do primeiro escalão numa coletiva, e almoça com fonte. Nas redações, jornalista que trabalha 16 horas por dia e atende sem reclamar às convocações para trabalhar no fim de semana provoca orgasmos. Nunca recebe hora extra, porque jornalismo é acima de tudo, uma religião.
Os jornalistas que vivem em Brasília se dividem em dois grupos. O primeiro é o dos que acreditam que jornalismo é a única coisa importante da vida. Aspiram intimidade com o poder e, às vezes, cargos. Nas redações, às vezes conquistam efêmeras chefias que lhes dão certos privilégios sobre os repórteres. Só que todo jornalista chefe é também chefiado, e o chefe supremo não é, na verdade, jornalista: é empresário.
O segundo grupo é o dos que chegam aos 30, 40, 50 anos e se aposentam (isso quando não morrem antes, geralmente por problemas cardíacos) sempre repetindo que um dia abandonarão o jornalismo para “fazer o que gostam”. Eles geralmente pensam que gostam de coisas exóticas. Sonham em morar em uma praia deserta, criar cabras, abrir um restaurante, comprar um sítio, escrever peças de teatro. Mas são uns ingênuos. O que gostam mesmo é de jornalismo, só que não sabem disso.
Jornalista sofre, mas se diverte. Nada como uma festa no sábado, onde rola muito whisky, vinho e outras coisas. De vez em quando, alguém como alguém. A classe é muito fofoqueira e todo mundo fica sabendo, mas ninguém liga para isso. Até dá status. Afinal, quase todos têm casos mal resolvidos na vida. Jornalista se julga a elite da raça, e não é fácil encontrar um (a) companheiro (a) à altura. A solução e a rotatividade.
É uma pena que os jornais sejam tão sérios e quadradões. Se os repórteres escrevessem sobre tudo o que vivem, a imprensa seria muito mais divertida. Os repórteres continuariam paranóicos, mas pelo menos os leitores descobririam que ser jornalista é como ser mãe: é padecer num paraíso.
Aliás, essa definição estatística de quem é rico pela Fazenda abala ainda mais a cruzada de Dona Míriam pela universidade paga. Afinal, ela vive dizendo que os 10% mais ricos é que dominam as vagas das universidades públicas e que por serem ricos deveriam pagar um bom preço por elas. Bem, a maior parte dos tais 10% mais ricos ganha menos de R$ 4 mil. Ou seja, não exatamente êmulos de Bill Gates.
Pelo que se deduz das matérias do Globo sobre a definição estatística de classe média e sobre a chiqueza da favela, e da coluna da Tereza Cruvinel é muito mais legal ser pobre no Brasil do que ser de classe média. Afinal, morar em meio a um bangue-bangue sem mocinho, ter filho em escola pública sem professor e andar horas em ônibus lotados para chegar ao trabalho parece provocar muito menos desconforto do que cortar a idas ao restaurante.
Perfeito, companheiro Gáspari. Qualquer banco, ainda mais um que lida com dinheiro público, tem que ser rigoroso nas exigências de garantias na hora de conceder empréstimos, principalmente se eles forem vultosos.
Falando nisso, que garantias será que as empresas de comunicação poderiam dar ao BNDES para receber aquele empréstimo que elas tanto almejam?
Falando nisso, que garantias será que as empresas de comunicação poderiam dar ao BNDES para receber aquele empréstimo que elas tanto almejam?
Como sempre acontece quando não se mete a fazer análises, o Colunista da 4 mandou bem hoje.
Teve Aécio hoje, o espaço de Paulo Hartung foi prometido. Mas e os outros 25 governadores? Eles vão ter uma coluna dominical para ter seu peixe vendido também, Dona Míriam?
Por falar em beleza, o que é a Luciana Vendramini, hein? Tudo bem que ela foi fotografada pelo craque Leonardo Aversa, mas...Jesus, como está linda!!!
Tudo bem que a Juliana Paes é demais. Mas já tô ficando meio cansado de ver a moça em qualquer lugar para o qual me vire.
6.12.03
Da Nhenhenhém:
Leitor atento
Marco Maciel agradece ao leitor Epitácio Brunet a correção de que foi Mao Tsé Tung e não Chu En-Lai quem considerou cedo comentar os 200 anos da Revolução Francesa.
Bem, dado o fato de que a Queda da Bastilha ocorreu em 14 de julho de 1789, data em que é comemorada a Revolução Francesa, e que, portanto, o seu bicentenário foi festejado em 1989, dificilmente tanto o camarada Mao quanto o camarada Chu poderiam ter dito a frase sobre a data que marca a ascensão da burguesia ao poder (sei, sei, a Gloriosa de 1688 na Inglaterra é que foi a primeira de fato, mas vá dizer isso aos franceses...). É que ambos morreram em 1976. O mais provável autor da frase é o camarada Deng Hsiao Ping, o Pequeno Timoneiro, que em 89 estava no poder na China.
É nisso que dá em acreditar sempre em "leitor atento" sem apurar.
Leitor atento
Marco Maciel agradece ao leitor Epitácio Brunet a correção de que foi Mao Tsé Tung e não Chu En-Lai quem considerou cedo comentar os 200 anos da Revolução Francesa.
Bem, dado o fato de que a Queda da Bastilha ocorreu em 14 de julho de 1789, data em que é comemorada a Revolução Francesa, e que, portanto, o seu bicentenário foi festejado em 1989, dificilmente tanto o camarada Mao quanto o camarada Chu poderiam ter dito a frase sobre a data que marca a ascensão da burguesia ao poder (sei, sei, a Gloriosa de 1688 na Inglaterra é que foi a primeira de fato, mas vá dizer isso aos franceses...). É que ambos morreram em 1976. O mais provável autor da frase é o camarada Deng Hsiao Ping, o Pequeno Timoneiro, que em 89 estava no poder na China.
É nisso que dá em acreditar sempre em "leitor atento" sem apurar.
5.12.03
A Internet é cheia de mistérios. Quer ver? Vá até o Google, digite miserable failure, e clique em "Estou com sorte". E veja o que acontece. Mas siga estes passos rápido, pois acho que o link não vai durar muito...
4.12.03
Bem, parece que o professor Carlos Lessa cansou de apanhar e jogou a toalha: avisou que vai rolar mesmo do meu, do seu, do nosso para os bolsos dos donos das empresas de comunicação. Deve ser assim porque, afinal, ele não falou nada de abertura de capital ou outra contrapartida do setor para receber l'argent.
O repórter fotográfico Jorge Nunes, que trabalha para a ABI, apanhou e teve seu equipamento apreendido por Guardas Municipais quando registrava a manifestação do Sepe em frente a Prefeitura, na Cidade Nova. Os guardas não gostaram do fato de o fotógrafo estar enquadrando o prédio da Prefeitura nas fotos.
Se estão batendo em jornalista durante manifestação pacífica, imagina amanhã durante a passeta de camelôs na Rio Branco? É bom o pessoal ir com colete à prova de bala e capacete que vai ser uma batalha de verdade.
Se estão batendo em jornalista durante manifestação pacífica, imagina amanhã durante a passeta de camelôs na Rio Branco? É bom o pessoal ir com colete à prova de bala e capacete que vai ser uma batalha de verdade.
   E o Estadão também detonou o Joelmir, como deveria mesmo.
   Agora fico pensando que a grana do Bradesco deve ter sido boa o suficiente para garantir uma aposentadoria confortável, pois mesmo as palestras, de onde vem a parte mais substancial dos ganhos dos colunistas e outras "estrelas do jornalismo", vão rarear aos poucos. É que, sem a projeção diária num grande veículo, o valor de mercado do Joelmir vai cair que nem balão japonês pelo fato de as pessoas irem esquecendo dele.
   Agora fico pensando que a grana do Bradesco deve ter sido boa o suficiente para garantir uma aposentadoria confortável, pois mesmo as palestras, de onde vem a parte mais substancial dos ganhos dos colunistas e outras "estrelas do jornalismo", vão rarear aos poucos. É que, sem a projeção diária num grande veículo, o valor de mercado do Joelmir vai cair que nem balão japonês pelo fato de as pessoas irem esquecendo dele.
   Do Estadão:
      Assessor afirma que não gosta do 'Estado' e não vai dar informações
      RIO - O assessor de Imprensa adjunto da Secretaria da Segurança Pública do Rio, Ricardo Link, disse ontem que a secretaria "não gosta" do Estado. "Porque é só pau em cima de nós e do Garotinho."
      Link deu essa informação para tentar justificar a inoperância da assessoria em relação aos pedidos de dados oficiais sobre o crime contra o casal Zera Todd e Michelle Staheli. "Aqui na secretaria não vai ter nada para o Estado", garantiu.
      O jornal solicitou entrevistas com o chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, e com o delegado de Homicídios, Carlos Henrique Machado. Lins deu entrevista nesta semana ao jornal americano The New York Times, segundo informações de Link. "Mas com o Estado ele não vai falar", afirmou ontem.
      O assessor confirmou que o secretário Anthony Garotinho determinou sigilo nas investigações sobre o caso. O fato, entretanto, é que o delegado Marcus Henrique Alves, do 16.º Distrito Policial, onde tramita o inquérito, tem ignorado a ordem e dado declarações a veículos que privilegia. Questionado sobre os critérios do delegado, Link deu um sorriso: "Sabe como é..."
   Realmente, parece que o pessoal da assessoria da SSP-RJ está pirando na batatinha legal...
      Assessor afirma que não gosta do 'Estado' e não vai dar informações
      RIO - O assessor de Imprensa adjunto da Secretaria da Segurança Pública do Rio, Ricardo Link, disse ontem que a secretaria "não gosta" do Estado. "Porque é só pau em cima de nós e do Garotinho."
      Link deu essa informação para tentar justificar a inoperância da assessoria em relação aos pedidos de dados oficiais sobre o crime contra o casal Zera Todd e Michelle Staheli. "Aqui na secretaria não vai ter nada para o Estado", garantiu.
      O jornal solicitou entrevistas com o chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, e com o delegado de Homicídios, Carlos Henrique Machado. Lins deu entrevista nesta semana ao jornal americano The New York Times, segundo informações de Link. "Mas com o Estado ele não vai falar", afirmou ontem.
      O assessor confirmou que o secretário Anthony Garotinho determinou sigilo nas investigações sobre o caso. O fato, entretanto, é que o delegado Marcus Henrique Alves, do 16.º Distrito Policial, onde tramita o inquérito, tem ignorado a ordem e dado declarações a veículos que privilegia. Questionado sobre os critérios do delegado, Link deu um sorriso: "Sabe como é..."
   Realmente, parece que o pessoal da assessoria da SSP-RJ está pirando na batatinha legal...
3.12.03
Então é isso: Nelson Tanure pegou a marca da Gazeta por 60 anos.
Não sei porque, mas não vejo muita razão para comemorar.
Não sei porque, mas não vejo muita razão para comemorar.
Agora, na boa, rola uma certa hipocrisia aí nessa demissão do Joelmir, né, não? Afinal, tem um monte de colunista que não bota a cara para fazer reclame, mas recebe de empresas por outros tipos de serviço. Perfeitamente legais, como o do ex-colunista, mas igualmente comprometedores no que tange à existência de conflitos de interesse.
Bacana o Globo ter demitido o Joelmir por ter feito reclame para o Bradesco, mas isso me leva a uma pergunta que não quer calar: o Estadão vai seguir o exemplo de seu concorrente carioca? E os outros jornais que reproduzem a coluna terão a mesma atitude do jornal dos Marinho?
2.12.03
Você viu o anúncio do Joelmir Beting para o Bradesco? Pois é. Por causa do reclame, a coluna do velho homem de imprensa a partir de amanhã não será mais publicada no Globo.
Perfeito.
Perfeito.
Para quem se interessa por futebol:
Moralização Já - Flu na Série B
Das informações, me parece que só há um erro: o Vasco não foi convidado em 82, mas em 83.
Moralização Já - Flu na Série B
Das informações, me parece que só há um erro: o Vasco não foi convidado em 82, mas em 83.
Curiosidade: o que diz Paul Krugman sobre a recuperação da ecomomia americana? Gosto da posição política do cara, mas quando a coisa estava preta na economia, os artigos dele sempre apareciam por aqui. Agora que a águia está decolando (ou parece que), eles sumiram. Queria saber o que ele pensa da situação atual.
Olha, já há uns dez anos que foi detectado pelo IBGE que a violência está aumentando a diferença de expectativa de vida entre homens e mulheres no Brasil (a diferença em si, na verdade, é o normal, aqui e em todos os países), manchete do Globo de hoje. É notícia quase tão velha quanto a Sé da Primeiro de Março, portanto, e o gráfico da página 3 mostra isso:
Em 80, a diferença de expectativa de vida entre homens e mulheres era de 6,1 anos em favor delas; em 91, de 7,7, que se manteve em 2000, e só teve uma pequena variação (para baixo) este ano (7,6). Ou seja, a notícia teria sentido como manchete (ou teve, deve ter sido alardeada naquela época) no início dos 90.
O mais curioso: na página 3, a manchete está certa - "Esperança de vida sobe para 71 anos". Por que o mesmo não está na primeira? Provavelmente porque apavorar o leitor esquentando manchete é mais importante do que fazer jornalismo mais sério.
Tenho até uma teoria sobre isso, que um dia ainda vou escrever no C-se.
Em 80, a diferença de expectativa de vida entre homens e mulheres era de 6,1 anos em favor delas; em 91, de 7,7, que se manteve em 2000, e só teve uma pequena variação (para baixo) este ano (7,6). Ou seja, a notícia teria sentido como manchete (ou teve, deve ter sido alardeada naquela época) no início dos 90.
O mais curioso: na página 3, a manchete está certa - "Esperança de vida sobe para 71 anos". Por que o mesmo não está na primeira? Provavelmente porque apavorar o leitor esquentando manchete é mais importante do que fazer jornalismo mais sério.
Tenho até uma teoria sobre isso, que um dia ainda vou escrever no C-se.
Os lobistas dos hospitais particulares ganharam um reforço poderoso: Ali Kamel.
Conselheira atenta teve reação alérgica ao ler a coluna Gente Boa de hoje:
A principal nota do Gente Boa de hoje é essa:
"Depois de filmar Paulinho da Viola, chegou a vez da Barra da Tijuca. A idéia de Izabel Jaguaribe de fazer um documentário sobre o bairro veio de um ensaio escrito por sua irmã, Beatriz. ?A gente já explora muito o tema da favela, quero mostrar um Brasil moderno e que não sabemos decodificar?, diz a cineasta. Com o auxílio do roteirista Rafael Dragaud, Izabel vai dividir o filme em três partes: rua, casa e shopping (abordando os nomes em inglês e a réplica da Estátua da Liberdade). ?A estátua foi incorporada à paisagem e hoje atrai turistas?, analisa. Em ?Barra way of life?, Izabel quer entrar na intimidade de personagens do bairro: emergente, atleta, patricinha. ?A Barra é um pouco kitsch , mas retoma nossa tradição macunaíma, assimila o que é de fora de um jeito próprio.?
Quando abri o Segundo Caderno, quase sufoquei com o cheiro da naftalina. Pois não é este filme que já foi mais do que noticiado, badalado, comentado, dito e falado no início do ano? Foi capa inclusive do Globo Barra e motivo de notinhas em colunas por conta de um dos personagensdo filme, uma patricinha que Izabel achou no Barrashopping e cujo maior sonho era que, ao passar desta para melhor, fosse cremada e suas cinzas jogadas nos corredores do mall.
Reciclagem braba, essa...
A principal nota do Gente Boa de hoje é essa:
"Depois de filmar Paulinho da Viola, chegou a vez da Barra da Tijuca. A idéia de Izabel Jaguaribe de fazer um documentário sobre o bairro veio de um ensaio escrito por sua irmã, Beatriz. ?A gente já explora muito o tema da favela, quero mostrar um Brasil moderno e que não sabemos decodificar?, diz a cineasta. Com o auxílio do roteirista Rafael Dragaud, Izabel vai dividir o filme em três partes: rua, casa e shopping (abordando os nomes em inglês e a réplica da Estátua da Liberdade). ?A estátua foi incorporada à paisagem e hoje atrai turistas?, analisa. Em ?Barra way of life?, Izabel quer entrar na intimidade de personagens do bairro: emergente, atleta, patricinha. ?A Barra é um pouco kitsch , mas retoma nossa tradição macunaíma, assimila o que é de fora de um jeito próprio.?
Quando abri o Segundo Caderno, quase sufoquei com o cheiro da naftalina. Pois não é este filme que já foi mais do que noticiado, badalado, comentado, dito e falado no início do ano? Foi capa inclusive do Globo Barra e motivo de notinhas em colunas por conta de um dos personagensdo filme, uma patricinha que Izabel achou no Barrashopping e cujo maior sonho era que, ao passar desta para melhor, fosse cremada e suas cinzas jogadas nos corredores do mall.
Reciclagem braba, essa...
1.12.03
Finalmente uma nova pesquisa! "Quem reportagem deve levar o Prêmio Esso de 2003?". Vote aí do lado até o dia 15 de dezembro.
Na pesquisa anterior - o que o C-se pode fazer para melhorar - o resultado foi o seguinte, com 51 votos computados:
Mais matéria de análise - 8 votos
Menos matérias de análise - 4 votos
Mais matérias de vaivém - 16 votos
Menos matérias de vaivém - 0 votos
Mais matérias sobre o mercado - 14 votos
Menos matéria sobre o mercado - 0 votos
Mais opiniões dos leitores - 5 votos
Menos opiniões dos leitores - 4 votos
Na pesquisa anterior - o que o C-se pode fazer para melhorar - o resultado foi o seguinte, com 51 votos computados:
Mais matéria de análise - 8 votos
Menos matérias de análise - 4 votos
Mais matérias de vaivém - 16 votos
Menos matérias de vaivém - 0 votos
Mais matérias sobre o mercado - 14 votos
Menos matéria sobre o mercado - 0 votos
Mais opiniões dos leitores - 5 votos
Menos opiniões dos leitores - 4 votos
Conselheira comenta lide da matéria de capa do "Prosa&Verso" de sábado passado:
"Difícil imaginar uma história mais vergonhosa, no Mundo Ocidental, do que a do Holocausto. A morte de 6 milhões de judeus e cerca de 4 milhões de ciganos, homossexuais e outros desafetos do austríaco Hitler, o pintor de segunda categoria que se considerava crítico de arte e "higienizador racial", nos inunda de horror reiteradamente. Quando pensamos já saber tudo a respeito desta nódoa trágica na marcha da Humanidade, surge uma nova e aterrorizante informação, que volta a nos dobrar sob o peso da dor e da falta de compreensão. O horror no Mundo não pára, é permanente. Há nazistas ainda vivos, que não se arrependeram de nada, como é o caso da mãe de Helga Schnei der, carcereira de Birkernau e de Auschwitz, narrado no livro Deixe-me ir, mãe, história de arrepiar cada neurônio de nosso cérebro. Agora nos chega outro livro de fazer todos os vasos sanguíneos do coração verterem lágrimas: Os cientistas de Hitler (Imago, 472 pp., R$ 60), do inglês John Cornwell. Logo no início do livro damos de cara com um personagem perfeitamente encaixado na imagem aterrorizante do cientista aético. O monstruoso sábio em questão é o químico alemão Fritz Haber, consagrado pelo Nobel em 1918, que matou milhares de soldados na Primeira Guerra com o seu gás letal."
O horror é real, mas quando leio esse texto da Cecília [Costa, editora do "Prosa&Verso"] não consigo deixar de lembrar daquelas mocinhas dos filmes B dos anos 50, que faziam aquelas caras e bocas em gritos mudos até por as mãos nas orelhas e soltar aquele grito agudo, balançando a cabeça freneticamente...
"Difícil imaginar uma história mais vergonhosa, no Mundo Ocidental, do que a do Holocausto. A morte de 6 milhões de judeus e cerca de 4 milhões de ciganos, homossexuais e outros desafetos do austríaco Hitler, o pintor de segunda categoria que se considerava crítico de arte e "higienizador racial", nos inunda de horror reiteradamente. Quando pensamos já saber tudo a respeito desta nódoa trágica na marcha da Humanidade, surge uma nova e aterrorizante informação, que volta a nos dobrar sob o peso da dor e da falta de compreensão. O horror no Mundo não pára, é permanente. Há nazistas ainda vivos, que não se arrependeram de nada, como é o caso da mãe de Helga Schnei der, carcereira de Birkernau e de Auschwitz, narrado no livro Deixe-me ir, mãe, história de arrepiar cada neurônio de nosso cérebro. Agora nos chega outro livro de fazer todos os vasos sanguíneos do coração verterem lágrimas: Os cientistas de Hitler (Imago, 472 pp., R$ 60), do inglês John Cornwell. Logo no início do livro damos de cara com um personagem perfeitamente encaixado na imagem aterrorizante do cientista aético. O monstruoso sábio em questão é o químico alemão Fritz Haber, consagrado pelo Nobel em 1918, que matou milhares de soldados na Primeira Guerra com o seu gás letal."
O horror é real, mas quando leio esse texto da Cecília [Costa, editora do "Prosa&Verso"] não consigo deixar de lembrar daquelas mocinhas dos filmes B dos anos 50, que faziam aquelas caras e bocas em gritos mudos até por as mãos nas orelhas e soltar aquele grito agudo, balançando a cabeça freneticamente...
E o Aécio Neves, hein? Se um político de esquerda aparecesse como ele - em escola de samba e estádio de futebol - seria chamado de demagogo, no mínimo.
Outro dia saiu no Globo uma engraçada matéria sobre a criatividade dos policiais federais na hora de batizar as operações para prender mafiosos de vários tipos. Pois esta capacidade imaginativa não é páreo para a dos marqueteiros dos veículos. Na IstoÉ, por exemplo, a velha e conhecida matéria paga virou "publieditorial". Bacana, né?
Assinar Postagens [Atom]
